João Tomé nasceu viçoso
Menino vivaço e traquinas
Na família do Sr. Trancoso
Até matava as galinhas
Seus pais achavam piada
O "piqueno" era tão bonito
«Deixa lá Maria, quando crescer
há-de ser gente “de grito”»
João cresceu, cresceu
No meio da fartura e má criação
No passar do dia-a-dia
Esqueceram-se da educação
Calculista e frio
Logo procurava tudo ter
Os sentimentos não contavam
«Está a crescer, está a crescer»
Bela moça esposou
Menina bonita e de grande dote
Não fez casamento de coração
Investiu no baú e “teve sorte”
Como quem semeia colhe
Assim aconteceu com nosso João
A infelicidade bateu à porta
E acabou em grande solidão.
Revoltado contra tudo e todos
Resolveu pôr fim à vida
Deu um tiro na cabeça
Partiu com a alma “partida”
Sofrimento e mais sofrimento
Foram o seu dia-a-dia
Quanto tempo? Não se sabe!
Foi até perder a sua “mania”
João Tomé desolado
Pediu nova reencarnação
Nasceu em família pobre
Com problemas no coração.
Falava mal e tinha ataques
Que ninguém explicava
Coitado, nasceu doente
E esta vida amargava
Injustiça, injustiça,
Clamavam os seus pais
Porquê, meu Deus, tanta dor?
Porquê meu filho com tantos “ais”?
Até que um dia João Tomé
À pátria espiritual voltou
Ia mais leve, mais feliz
E a sua dor? Já a vazou!
Sê bem-vindo amigo
Aos que venceram sua dor
Doravante serás feliz
E espalharás o Amor.
Na Lei de Causa e Efeito
Ninguém foge sem pagar
Faço o bem? Faço o mal?
Não há sorte nem azar!
Cada qual tem o que merece
No concerto da vida
De acordo com o que semeou
Será feliz ou alma sofrida.
Amor, compreensão, amizade,
É o que todos devemos semear
Levar a paz ao mundo
Na seara de Jesus trabalhar.
João Tomé é agora livre
Com novo corpo, nova vida
É Hermínio, o fazendeiro
Empenhado noutra lida.
Já não luta por tudo ter
A família olha com ternura
Trabalha de sol a sol
Trata os empregados com brandura
É assim a lei da vida
Corrigindo onde erramos
Depende de nós quanto tempo
Na paz ou aflição demoramos.
Poeta alegre
Psicografia recebida em Caldas da Rainha, Portugal
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