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Amor incondicional...

Na vida em flor,
conheci a flor da minha vida.
Era linda, colorida,
era alguém muito querida.

Juntei-me com ela
no mesmo canteiro.
Eu, casado por Amor,
ela, por dinheiro.

Passado tempos,
vieram as dificuldades,
a seca, o estrume,
e ela cheia de leviandades.

Olhava para ela,
a minha querida flor,
mas ela já não sentia
o seu antigo Amor.

As pétalas foram caindo,
as cores perdendo a cor,
o jardineiro tentando ajudar,
com o seu saber e suor.

Não sei como acontecia,
mas ela ainda era a minha flor.
Já meio alquebrada,
mesmo assim dava-lhe Amor.

Um dia, veio chuva
com muita violência,
destruindo o canteiro
da nossa existência.
  
Quando pensei
tudo estar perdido,
despertei feliz,
ao lado d’um amigo.

Sejas bem-vindo
ao canteiro do Senhor.
Aqui, só entra
quem exercitou o Amor.

Grande felicidade
encheu-me o coração:
que paz, serenidade,
eu sorria d' emoção.

Mas, e a minha flor,
a minha alma querida?
“Voltou para a Terra,
está de partida!”

Queria voltar também,
para perto da minha flor
mas, Deus, misericordioso,
Deu-me ainda mais valor.

“Volta para a Terra, sim,
mas não para o canteiro.
Doravante, será o guia
do teu Amor verdadeiro”.

E, assim, percebi
que o Amor é, afinal,
tudo o que dinamiza
o cosmos universal!

Poeta alegre 

Psicografia de JC, na reunião mediúnica do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha, Portugal, em 23 de Maio de 2017

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ESPÍRITAS PORTUGUESES: FAZER A PAZ...

“Fazer a paz: um contributo do Espiritismo” foi o mote para as 13ª Jornadas de Cultura Espírita do Oeste, que decorreram no Centro de Congressos de Caldas da Rainha, Portugal, nos dias 29 e 30 de Abril de 2017, num evento internacional que contou com portugueses, espanhóis e brasileiros. Venha daí!

 O Centro de Congressos acolheu 580 portugueses, espanhóis e brasileiros que vieram debater como fazer a paz, o bem essencial mais escasso no planeta, nos tempos que correm.
Com a presença do maior investigador espírita do mundo, Clóvis Nunes, da Bahia, Brasil, que fez as conferências de abertura e encerramento, estas Jornadas contaram com o apoio da Federação Espírita Portuguesa (FEP), da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) bem como da Câmara Municipal de Caldas da Rainha.
O Sr. Presidente da Câmara, Dr. Tinta Ferreira desejou as boas-vindas de todos os presentes, realçando que Caldas da Rainha é uma cidade que tem a arte de bem receber quem a visita.
O Coronel tirocinado João Gonçalves abriu o evento com o tema “Guerra: fatalidade histórica?” abordando-o com muita mestria, no início desta viagem, que seria desde a guerra, até ao morrer em paz.
A professora Ana Duarte, abordou as atitudes entre eu e os outros, e Carlos Miguel, do Porto, fez brilhante palestra sobre “Terra, que futuro ecológico?”.
De seguida, Ulisses Lopes, presidente da ADEP, abordou a solidão e o medo, seguindo-se Moacir Lima, Físico brasileiro, que apresentou o tema da culpa e do remorso, com a jovialidade de sempre.
Pelo meio, a música portuguesa, a cargo de Reinaldo Barros, João Gomes, Inês Guinote e Carolina Leal bem como a poesia de cordel vinda da Paraíba, Brasil, pela voz de Merlânio Maia, iam dando outra tonalidade às Jornadas.
Humor e Espiritismo foi uma inovação, num sketch que abordou práticas equivocadas nos centros espíritas, sendo de destacar a representação notável de Joana Farhat, na posição de uma dirigente espírita, que arrancou muitas gargalhadas ao público presente.
Paula Silva, médica, falou da dor total como factor de falta de paz, e Joana Farhat, agora num registo mais sério, abordou a temática saúde e paz, com muita mestria.
O médico Luténio Faria referiu um tema infelizmente, muito em voga, a violência doméstica, e Raquel Maia falou do facto de muitos de nós querermos ser amados e sofrermos quando tal não acontece.
Uma das novidades nesta 13ª edição, foi uma exposição de posters temáticos, científicos, sobre as actividades nos centros espíritas, uma novidade no movimento espírita pós 25 de Abril, que se deseja prolifere daqui em diante, exposição esta que deu lugar a uma mesa redonda sobre o assunto.

Posters temáticos sobre asactividades espíritas, foram uma novidade
que promete ficar para os eventos vindouros.

Uma equipe da ADEP fez questão da transmissão profissional em directo, via youtube, gratuitamente, num trabalho difícil, minucioso, absorvente e cansativo, mas reconfortante em termos de resultados.
Claiton Freitas, de Brasília, actor, já tinha interpretado primorosa peça sobre Maria Madalena, na noite anterior, e Rafael Vargas, do Portal Reação, apresentou um excelente documentário sobre “(re) pacificar” com entrevistas ao neto de Mohandas Gandhi e a Divaldo Franco, entre outros personagens.
A professora Amélia Reis fez a ligação entre a Paz e o Centro Espírita, como fonte de paz interior para quem o frequenta.
Antes do encerramento, Ângela Luyet e Renata Gastal efectuaram uma “performance” de grande qualidade artística, com temática espírita, e o jornalista e escritor Jorge Gomes abordou com sabedoria o tema “Viver: eis a melhor opção”.
João Xavier de Almeida, presidente da Assembleia-Geral da ADEP e ex-presidente da FEP, apresentou breves considerações a todos os presentes, sendo o evento encerrado por uma conferência com Clóvis Nunes, que faria ainda um périplo intensivo em Portugal, até ao dia 7 de Maio, com seminários, conferências e mini-seminários.
Se porventura não esteve presente ou não pôde acompanhar em directo via youtube, poderá ver ou rever todo o evento em www.adep.pt/jce2017.
Um evento de qualidade, com a profundidade dos estudos espíritas dentro do espírito de Allan Kardec, aliado à descontracção, sem formalismos desnecessários, fez com que todos se sentissem iguais, confraternizassem e convivessem num à-vontade pouco habitual em eventos espíritas, habitualmente muito formais.
De realçar que o custo da entrada deste evento era de 10 € (quando normalmente seria de 75 a 100 €), o que demonstra que os eventos espíritas podem ser organizados de modo a estarem abertos a todos, sem elitismos monetários.
À saída, o cansaço físico foi vencido pela alegria das pessoas, que já perguntavam quando seria o próximo evento.
Até lá, ponhamos em prática a teoria ali apreendida e … até às próximas Jornadas. 😊


José Lucas
jcmlucas@gmail.com



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"MEDIA" IGNORAM MORTOS E SANGUE...


De facto, o mundo está virado do avesso. Numa época em que os órgãos de comunicação social tanto gostam de sangue e de dar notícias de mortos, imaginem que em Portugal os “media” são ao contrário. Um sinal dos tempos…?

É do senso comum que os órgãos de comunicação social procuram dar notícias escabrosas, de mortes, com sangue, enfim notícias sensacionalistas.
Mas, algo parece estar a mudar no panorama dos “media”, pelo menos em Portugal.
Imaginem que no fim-de-semana de 29 e 30 de Abril de 2017, decorreu nas Caldas da Rainha um evento de qualidade, ao nível cultural, no Centro Cultural e Congressos.
Esse evento tinha uma denominação já habitual, não só na cidade, como na região e, até no país: “Jornadas de Cultura Espírita do Oeste”, este ano na sua… 13ª edição!!!
Sim, tudo bem, mas qual o problema?
Decerto os “media” naturalmente cobriram esse evento, como cobrem todos os anos a festa do chouriço ou as corridas com carros de rolamentos, entre outros eventos “culturais”.

Mas as 13ª Jornadas de Cultura Espírita do Oeste, este ano, em 2017, tinham um mote fantástico “Fazer a paz: um contributo do Espiritismo”.
Foram Jornadas internacionais, com artistas de qualidade, quer portugueses quer brasileiros, com palestras de alto nível e com palestrantes de topo.
Mas, os “media devem ter pensado: “Hum, estes caramelos dos espíritas, agora estão a promover a paz? A debater a paz, num fórum internacional? Ainda por cima com o fundador do “MovPaz”, no Brasil, Clóvis Nunes? Esta gente vai é estragar-nos o trabalhinho, pois se houver paz não temos notícias e perdemos o emprego…”
O raciocínio tem lógica, para os “media”, temos de concordar.

No Centro Cultural e Congressos de Caldas da Rainha houve teatro espírita, música nacional e estrangeira, um documentário sobre (re) pacificar com entrevista ao neto de Mohandas Gandhi, Divaldo Franco e outros, conferências, sketch de humor, debate com posters temáticos (científicos), o Sr. Presidente da Câmara esteve presente na abertura do evento dando as boas vindas aos visitantes da cidade… hummm…. “não, isto não é notícia”.

2.900 litros de sangue e cerca de 500 mortos
ignorados pelos “media” portugueses

Temos de ir fazer reportagem quiçá na localidade “Paraíso-de-Baixo” onde decorre o certame “Fumeiro até cheirar a queimado”.
Ao nível nacional, é compreensível que as TV’s, jornais, ignorem os eventos de cultura espírita (já Salazar fazia o mesmo, ao ponto de perseguir os espíritas, confiscar os bens da Federação Espírita Portuguesa, entregues à Casa Pia e até hoje não devolvidos), pois precisam de muito sangue e de muitos mortos.

De repente, pessoa amiga e bem-humorada, saiu-se com esta:
“Espera aí, mas se é assim, porque é que os “media” durante 13 anos ignoram este evento?
Afinal estavam lá 580 pessoas. Se cada pessoa tem em média 5 litros de sangue, havia lá 2.900 litros de sangue a correr nas veias, carago” (o meu amigo é do Porto, fala assim, não liguem).
“E mais, rematou ele, se eles querem é muitos mortos, aqui havia centenas deles a assistir ao evento (referia-se aos amigos espirituais, aos benfeitores e outras pessoas que no mundo espiritual se interessam por estes assuntos).
Não pude deixar de dar uma gargalhada e dizer-lhe: “Olha, vou fazer um artigo, pode ser que algum órgão de comunicação social te responda, pois eu não te sei responder (risos…)”
E assim passaram mais umas Jornadas de Cultura Espírita do Oeste, com muita qualidade, muito sangue, muitos mortos e… sem órgãos de comunicação social!!!
Quando os “media” estão assim… faz-nos sentir saudades do tempo em que havia jornalismo…
  
 José Lucas

jcmlucas@gmail.com
5 de Maio de 2017


PS - Se porventura for "jornalista" a sério e estiver interessado em banalidades, diferentes das festas do chouriço ou dos carrinhos de rolamentos então pode ver todas as 13ª Jornadas de Cultura Espírita do Oeste em http://bit.ly/2oZNVw5