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DIVALDO: O ESPIRITISMO E A SOCIEDADE


13 – Na mensagem de Joanna de Ângelis, de 2006, intitulada “A grande transição”, ela refere que viriam convulsões sociais e geológicas inimagináveis.
Poderemos colocar a questão de terramotos que afectem centrais nucleares na Europa, por exemplo ou noutro local?
DF – Eu baseio-me no sermão profético de Jesus, Marcos, 13, quando Jesus, olhando o templo de que se orgulhavam os próprios companheiros, estabeleceu que não ficaria pedra sobre pedra, que não fosse derrubada.
Atravessando o Vale de Cédron, os discípulos perguntaram: “Diz-nos, quando acontecerão essas coisas”? Ele, então, apresenta o sermão profético, que é o dos mais belos, ao lado do Apocalipse.
Pelo facto de ser participante do cristianismo, eu acredito que tudo aquilo quanto Ele esmiuçou, aconteceu, e algo mais acontecerá.
Acredito que seremos vítimas de uma grande convulsão.
Quando os americanos falam sobre a grande falha entre Los Angeles e S. Francisco, é perfeitamente lógico: vai acontecer, o problema é saber quando, e também em toda a Terra.
As grandes falhas que estão a ser preenchidas lentamente, e que resultam dos tsunamis, desde o terrível tsunami nos países asiáticos, estão previstas na própria geologia.
O nosso globo é ainda um planeta em formação.
Vemos que, o magma do nosso planeta está num estado de grande exaltação e, de vez em quando, há explosões vulcânicas.
Porém a maior gravidade não é o fenómeno sísmico, mas os gases venenosos que podem ser levados pelo vento e, naturalmente ceifarem multidões, em simultâneo.

14 – Quem são os Espíritos das pessoas que morrem no Mar Mediterrâneo, em busca de uma vida melhor?
DF – No campo das deduções e de acordo com o meu pensamento, penso que aqueles que estão hoje, de volta à Europa, são os antigos colonizadores que deixaram, até hoje, a América Latina na miséria.
Como foi negado todo o direito aos seus residentes, como aculturaram os selvícolas, destruindo culturas veneráveis, pela Lei de Causa e Efeito aqueles estão retornando hoje à pátria, no estado de miséria, e que ameaçam os próprios países de onde saíram, para, um dia, buscarem a fortuna para o conforto europeu.
Mas, também me recordo dos grandes problemas que estão a acontecer no antigo Levante, graças às tropas muçulmanas. “O Homem é o lobo do Homem” e, verificamos que estamos a transformar este lobo em cordeiro.
Como sou optimista, acredito que em breve, o lobo e o cordeiro beberão no mesmo regato, em fraternidade.
Já vemos muitas dessas uniões, através da educação que é proporcionada, e nós vemos isso na Internet, diariamente.
Porque não, na realidade, amanhã?

15 – Os EUA têm bombardeado o mundo inteiro desde o fim da II guerra mundial. Como se manifestará a Lei de Causa e Efeito sobre este povo?
DF – A tradição assinala que os americanos de hoje são os romanos de ontem.
Nós podemos ver na arquitectura, na moeda, na forma de legislar, aliás o seu Direito vem do Direito Romano.
Esta geração, que é uma Roma renascida, pode dar lugar a outro tipo de vida, e é provável que esse efeito venha de maneira que nós não podemos perceber.
Não necessariamente pela violência, mas, pode haver algo mais terrível e doloroso do que o transtorno da depressão profunda, o transtorno do pânico, o Alzheimer, o distúrbio de Parkinson, o cancro com mais de 50 biótipos específicos?
Então, não será moeda por moeda, isto por aquilo, mas um resgate pessoal, colectivo ou entre as Nações.

16 – Existe uma percepção geral, de receio, de que algo de grave vai acontecer em breve. Que dizer sobre isso?
DF – As entidades que por mim se comunicam, têm uma visão muito mais profunda.
Há uma tendência masoquista na criatura humana, de ser infeliz.
Mesmo quando tudo está bem, há uma certa insegurança, a perda do bem-estar devido a situações lamentáveis.
Já foram tantas datas marcadas para o “fim do mundo”, que eu prefiro não acreditar no “fim do mundo”, mas simplesmente no fim de uma Era, tanto geológica como Humana, de conflitos e distúrbios, um mundo melhor.
Muitas vezes, são os escombros que nos oferecem as bases de uma nova cultura.
Desta cultura amorfa, caracterizada pelo egocentrismo e celebrada pelo individualismo, nascerá uma cultura de solidariedade, de Amor, de fraternidade.
Já vemos o anteprojecto, nas pessoas generosas e boas.

17 – O Homem ainda vai bater mais no fundo, moralmente falando?
DF – Acredito que teremos saudades do Bem, chegaremos a um ponto em que sentiremos uma grande nostalgia, em relação ao nosso “poder”, nossa aparência, nossas glórias.
Teremos uma imensa necessidade de voltar à simplicidade, ao estado natura, desde que o Amor celebre em nós a presença de Deus.

18 – Nestas circunstâncias, o que é que é esperado por parte da atitude dos espíritas e não espíritas, claro?
DF – A resignação dinâmica.
Não poderemos mudar o mundo, mas mudar-nos-emos.
Aceitaremos as injunções dolorosas, de uma maneira dinâmica: aceitamos, mas não ficamos com elas.
Trabalharemos para mudá-las.
Arrancaremos as velhas árvores e colocaremos novas.
Utilizaremos o seu tronco, para fazer as mudanças que, serão as mudanças renovadoras da Humanidade.
Creio, pessoalmente, na larga existência, na criatura humana, intrinsecamente boa.
As suas tendências, os seus instintos de defesa, na caverna, ainda predominam, mas, é uma questão de tempo, de educação e de paciência.

19 – Uma mensagem final à população mundial, por favor.
DF – Acredito que quem ama é feliz.
Vale a pena amar.
Se por acaso não há uma correspondência, não seja isso o motivo de desalento.
Seja você, quem ama.
O Sol beija o pântano, com a mesma ternura com que acaricia a pétala de rosa.
Não é importante que os outros nos tratem bem.
É indispensável que tratemos bem os outros.
Ao invés de lamentarmos o insucesso, aprendamos com ele, a não repetir o erro.
Ao invés de nos queixarmos que os outros são maus, façamos uma autoanálise e, observemos se de uma ou de outra forma, nós não contribuímos para aquele acontecimento funesto ou desagradável.
A minha mensagem é de optimismo.
Vale a pena viver.
Viver é uma bênção de Deus.
A noite tempestuosa cede lugar a uma madrugada de refazimento.
Meia-noite e um segundo, da treva densa, já é o amanhecer.
Sejamos o amanhecer da Nova Era, e que possamos tornar felizes o mundo, sendo também, por nossa vez, felizes.




Entrevista concedida à ADEP, em Calpe,
XXIII Congresso Espírita Nacional (Espanha)
em 4 de Dezembro de 2016


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Divaldo Franco: Os Centros Espíritas...


8 – Desde a década de 70 que Divaldo vem a Portugal. Houve um crescimento do movimento espírita. Na sua opinião, foi crescimento quantitativo ou qualitativo?
DF – Desde a 1ª vez que eu estive em Portugal, em 15 de Agosto de 1967, fascinou-me a coragem dos espíritas portugueses, porque estavam vivendo os dias amargos da ditadura, ditadura que recolhia ao cárcere aquele que se denominasse maçon, comunista ou espírita.
Quando eu tive a oportunidade de proferir a conferência na Rua da Fé, na casa de Arganil, foi-me dado o direito de apresentar-me, estavam cerca de 400 pessoas sedentas de informação.
Eu denominei esse período como o período subterrâneo das investigações e da cultura portuguesa.
Eduardo de Matos publicava uma revista, “Fraternidade”, através da qual, de maneira discreta, divulgava o Espiritismo.
Isidoro Duarte Santos publicava “Estudos Psíquicos” e, através de uma linguagem científica, da Metapsíquica e da Parapsicologia nascente, ele procurava infundir nos corações humanos a crença.
O movimento espírita português, nas catacumbas, veio a lume assim que a ditadura se transformou em que Portugal, depois da revolução dos cravos. Adquiriu os seus direitos de cidadania, paradoxalmente começando a sua democracia através do comportamento comunista, o que não deixa de ser bastante contraditório.
Vejo que o movimento espírita português progride, em quantidade e em qualidade. Afinal, do ponto de vista filosófico, tudo aquilo que cresce em quantidade, perde em qualidade. Se derramamos um líquido sobre uma superfície, ele espalha-se e não tem profundidade. Se colocamos num vasilhame, mantém o volume, mas tem profundidade.
Observando o que vem acontecendo em Portugal, especialmente depois deste congresso mundial que vivenciámos (8º CEM, em 2016, Lisboa) e que eu considero, em qualidade, o melhor a que eu já assisti (e assisti a todos, com excepção apenas da Guatemala), vemos que há um interesse muito grande.
Excepções, problemas, dificuldades, em que área não existem?
Aliás, é muito saudável discrepar, porque isso dá-nos a ideia de liberdade de comportamento.
Posso asseverar que Portugal, segundo as minhas observações, é o país com o maior número de espíritas militantes, em qualidade e em quantidade, depois do Brasil.

9 – No tempo da ditadura, o Divaldo foi considerado “persona non grata” por ter recebido uma psicografia ditada pelo Espírito de Monsenhor Alves da Cunha, em que previa o banho de sangue que viria no pós-revolução em Angola. Quer relatar alguma situação caricata ou engraçada, que tenha passado em Portugal, antes de ser proibido de entrar no país?
DF – Tive muitas situações, porque o Espiritismo era visto como bruxaria, e recordo-me de um lugar perto de Viseu, uma aldeia chamada Encoberta.
A reunião foi marcada para a meia-noite, porque dessa forma não chamava a atenção das pessoas. A futura sogra do nosso querido e devotado Coronel Costeira, abriu as portas da sua casa, correu riscos, ela era médium. As pessoas começaram a chegar às 23h00, às 24h00 cheguei eu para efectuar a conferência.
Igualmente em outras cidades, as reuniões eram feitas de uma maneira muito especial. Eram normalmente em residências muito frequentadas, ou em lugares que não chamassem a atenção. Na cidade de Santarém, tivemos a oportunidade de realizar o nosso trabalho no quarto de uma costureira. Num momento, quando eu disse uma frase de efeito, as pessoas levantavam as mãos e abanavam-nas.
Eu fiquei chocado, não tinha a menor ideia do que fosse.
O gesto repetiu-se várias vezes.
Ao terminar a conferência, eu perguntei ao amigo Casimiro o que significava e, ele disse: “Bem, como não podemos aplaudir com barulho, isto é um aplauso.”
Achei sui generis e, muito peculiar.
  
10 – Sendo realistas, actualmente a maior parte das palestras nos centros espíritas são aborrecidas e afastam os jovens e os adultos que ali chegam por curiosidade.
É possível melhorar isso?
DF – No nosso caso, no Brasil, a Federação Espírita Brasileira, vem elaborando métodos, técnicas, programas e outras espécies de actividades, para atraírem os jovens.
O que não devemos fazer é utilizarmo-nos de métodos profanos e vis, para os atrair enganosamente, colocando música Funk, bailes, bebidas alcoólicas, que nós consideramos perniciosas à saúde. Não iremos atrair uma massa pela sua quantidade, iremos atrair os indivíduos, pelos valores de que se revestem, e da grande necessidade que têm de uma vida cultural e espiritual muito elevada.
Nós temos muita preocupação com a cultura, no entanto não posso olvidar da minha mãe, que era analfabeta. Eu li-lhe toda a codificação e todas as revistas espíritas, de 1858 a Março de 1869.
Ela tornou-se espírita, não falava correctamente a língua, mas a sua conduta moral, a educação dos 13 filhos, são invejáveis.
É exactamente isso, que todos os religiosos, filósofos, pensadores, divulgadores e fazedores de opinão desejam, fazer com que a criatura humana seja muito mais feliz.
Por hábito, eu tenho um conceito pessoal, eu prefiro um indivíduo ateu, de carácter nobre, cidadão, ao indivíduo religioso, de qualquer matiz, inclusive espírita, sem carácter.
Desta forma, rejubilo-me com essas conquistas que o Espiritismo vem realizando, através de todos os meios ao nosso alcance.

11 – Que pensar das práticas que, em Portugal e em todo mundo, em alguns centros espíritas, se fazem sessões de “cura”, inclusive promessas de cura da depressão?
DF – Allan Kardec não se refere a esse assunto, da cura, também não se refere a passes, à água fluídica.
São, naturalmente, contribuições da inteligência humana, porquanto o Espiritismo é uma doutrina que evolui, não é uma doutrina que estanca, que fica onde foi apresentada.
Ela, avançando com o conhecimento, vai adoptando novos métodos.
Eu acredito que a função do Espiritismo está em Allan Kardec, a transformação moral do indivíduo para melhor, sendo hoje, melhor do que ontem e, amanhã, melhor do que hoje, lutando sempre contra as suas más inclinações.
No entanto, porque vivemos na Terra, e temos tantos problemas, as terapêuticas de natureza energética de que o Espiritismo se faz instrumento, ajudam, produzem mudança, auxiliam na mitose cerebral, das células, proporcionam bem-estar e, desse bem-estar emocional, por uma somatização ao corpo físico, advém a saúde.
Mas, não é a meta do Espiritismo.
Sai-se de uma doença, para outra e, afinal, a morte biológica é um fenómeno inevitável.
Pessoalmente, preferimos a transformação moral do indivíduo, sem nos preocuparmos muito com a questão da saúde física.
  
12 – Kardec referia a importância do Espiritismo ser para todas as pessoas, ser uma doutrina universal e universalista. Que pensa dos centros espíritas que usam cânticos de orientação católica nas suas actividades? E se estiver presente um espírita muçulmano? Como o centro espírita deveria ser abrangente?
DF – Kardec perguntou aos Espíritos, se o Espiritismo seria a religião do porvir. A resposta é notável, do ponto de vista da linguagem: “É o porvir das religiões”.
O Espiritismo contribuirá com aquilo que falta a muitas religiões, para terem uma estrutura de lógica.
Como entendermos a reencarnação, acreditando apenas numa existência corporal? Como compreendermos o destino, se nós já nascermos sob a fatalidade de uma tragédia neurológica?
Como entender a fortuna e a miséria?
Como compreender a agressividade, o poder, a desgraça?
Somente através da reencarnação.
Será essa contribuição e outras, que o Espiritismo trará a outras doutrinas religiosas e filosóficas, para que adquiram lógica. Dessa maneira, o Espiritismo não tem muita essa preocupação de ser uma doutrina dominante.
Pessoalmente, acredito que, no porvir, não muito distante, desaparecerão todos os rótulos e, haverá uma filosofia existencial, a boa filosofia.
Cristo não fez o Cristianismo, foram aqueles que o seguiram, que adoptando a proposta de Lucas, dão aos “homens do caminho” o nome de cristãos, e por consequência denominam o grupo como cristianismo.
Então, nós marchamos para uma unidade, e ao mesmo tempo para a diversidade na igualdade, o holograma.
Desta maneira, todas estas questões que são transitórias, irão encontrando lugar comum, que é a unidade, a fraternidade, pouco importante qual a crença que o indivíduo tenha, desde que seja construtor de vidas.




Entrevista concedida à ADEP, em Calpe,
XXIII Congresso Espírita Nacional (Espanha)
em 4 de Dezembro de 2016


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Divaldo Franco fala sobre o Espiritismo...


1 – Allan Kardec compilou a Doutrina Espírita há 160 anos. Pelo que conhece no mundo inteiro, a divulgação espírita está dentro do previsto pela espiritualidade?
Divaldo Franco – Quando Allan Kardec esteve entre nós, uma das suas primeiras preocupações foi dizer-nos que deveríamos divulgar o Espiritismo por todos os meios ao nosso alcance. Considerando-se, à época em que a doutrina veio a lume, no século XIX, a divulgação, na actualidade, está dentro dos melhores padrões da tecnologia, porque em toda a parte onde se forma um Centro Espírita, de imediato há um interesse muito grande pela sua divulgação.
Divulgação, porém, baseada na certeza da imortalidade da alma e da sua comunicação com a criatura humana.
Do ponto de vista filosófico, este é um dos passos mais audaciosos do pensamento, porque desta forma, o Espiritismo matou a morte.
Desaparecendo essa desintegração nuclear que constitui a criatura humana, nós temos agora a imortalidade como um grande desafio a conquistar.

2 – O Brasil é o maior país espírita do mundo, mas o facto de pelo menos metade dos espíritas fazerem do Espiritismo mais uma religião, em oposição ao sentir de Kardec – uma doutrina filosófica de consequências morais – universal e universalista, não prejudica a percepção, para quem está de fora, do que é realmente o Espiritismo?
DF – É uma questão interpretativa, porque Allan Kardec também disse que o Espiritismo também tem todos os fundamentos de todas as religiões, do ponto de vista filosófico, é uma religião.
Quando dizemos religião, logo nos vem à mente a tradição ortodoxa das teologias.
No entanto, podemos ampliar o termo, a religião de fulano, do ponto de vista profissional, a religiosidade do indivíduo, sem ter nada com Deus.
No Brasil, nós adoptámos a teoria de ciência, filosofia e doutrina moral, de efeitos religiosos, porque tem como base Deus, a comunicabilidade dos Espíritos, a reencarnação, e nos utilizamos de todos os recursos do verbo religar, que é voltar a ligar aquilo que foi separado, e nesse sentido, temos a oração.
Allan Kardec dedica um dos maiores capítulos de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” à oração. Portanto, os fundamentos religiosos estão perfeitamente exarados na própria codificação, nas 5 obras básicas, razão pela qual disse que, no Brasil, somos religiosos, do ponto de vista filosófico. Não temos culto, não temos sacerdócio organizado, não temos dogmas, e somente aceitamos aquilo que a lógica, o bom senso declaram, com fáceis e demonstradas pesquisas no laboratório de pesquisa, razão pela qual nós tivemos em Charles Richet, prémio Nobel da Fisiologia, uma das mais notáveis demonstrações de aceitação desses fenómenos, na carta que fez a uma das suas queridas amigas, afirmando que aquilo que ele pensava era verdade.

3 – No mundo, os espíritas reconhecem o tríplice aspecto da doutrina espírita – ciência, filosofia e moral – mas, na prática, os espíritas só falam na moral (quase sempre confundindo-a com religião). Isso não descaracteriza o Espiritismo? Com alterar este estado de coisas?
DF – Ocorre que a população brasileira é uma população ainda relativamente inculta. Nós temos apenas 500 anos de vida, quando me recordo que a Universidade de Viena tem 1.000 anos, e quando me recordo que éramos ainda animais na floresta e no entanto, em Coimbra, já havia uma Universidade.
É natural que a nossa preferência seja afectiva, porque não adianta sermos excelentes pesquisadores, confirmarmos a imortalidade, e não termos carácter. Não adianta filosofar e, no entanto, termos um comportamento que não condiz com a ética da filosofia.
A Filosofia, para nós, é a aplicação da ética-moral do quotidiano, porque a Humanidade se torna melhor, não pela lavra dos seus conhecimentos, mas através do seu comportamento.
Recordo-me que os EUA, hoje, apresentam o maior PIB do mundo, a comodidade, o conforto, os prémios Nobel, têm sido sempre reservados a notáveis artistas, inclusive desse país. Todavia, o índice de suicídios é alarmante, a droga, a degradação da família, a pobreza e miséria, 20 milhões de miseráveis nas ruas das grandes cidades.
Então, para nós, a ética-moral tem uma importância relevante, o que não nos deixa de cuidar da questão científica. Hoje, no mundo, no Brasil, nós temos na Universidade Federal de S. Paulo, pesquisas a respeito do cérebro, os estudos profundos da glândula pineal. Tivemos o maior investigador de reencarnação, Hernani Guimarães Andrade, que na palavra de Banerjee, realizou a maior catalogação de fenómenos reencarnatórios. Temos investigadores, na Sociedade de Medicina e Espiritismo, que se espalham pelo mundo e começaram no Brasil, uma técnica de busca fisiológica da mediunidade, explicações do ponto de vista fisio-psíquico e emocionalmente, em torno dessa peregrina faculdade que nos põe em contacto com a vida transcendental.

4 – Sendo da natureza Humana o corporativismo, não corre o Espiritismo o risco de ser mais uma organização religiosa, um papado ou outro tipo de instituição?
DF – Na vida física, tudo é viável.
Tudo é possível, no entanto o que temos demonstrado é exactamente o oposto.
No nosso caso, em especial, estamos na comunidade mais miserável do Estado da Bahia, e já atendemos 130.000 pessoas, que arrancámos das garras da miséria.
Educámos crianças abandonadas da rua, 684 como se fossem filhos biológicos, portanto, não temos aí um corporativismo, temos uma promoção da criatura humana, a sua cidadania, a sua dignidade. Este é o objectivo essencial do Espiritismo.
Quando Kardec nos fala da caridade, a palavra caridade, no entanto, está muito desgastada. Hoje poderíamos substituí-la por Humanismo, solidariedade, mas nós ainda preferimos a velha expressão do apóstolo Paulo, em Coríntios, quando ele aborda a questão da caridade, hoje traduzida pela expressão do Amor, em algumas igrejas de Jerusalém.
Dessa forma, não há nenhum risco, mesmo porque com os homens, sem os homens e apesar dos homens, o Espiritismo prosseguirá, palavras de Léon Denis.
Dessa maneira, a doutrina é dos Espíritos e não dos homens, e quando os indivíduos, pelo factor biológico, desencarnam, as suas ideias que não sejam prósperas, morrem com ele.
Quantas ideias passaram pela Terra e, no entanto, desapareceram com aqueles que as apresentaram.
Percorro o Brasil há 70 anos, conheço praticamente 2.000 cidades, e posso afirmar que não há o menor risco de corporativismo, porque o Espiritismo é uma doutrina de liberdade, cada um de nós vive no seu nível de consciência.

5 – Na opinião dos Espíritos, para quando se prevê o aparecimento de um equipamento que detecte o perispírito, o que seria uma antecâmara da assumpção da imortalidade?
DF – Por enquanto ainda não há o interesse desse tipo de provas.
Quando, na actualidade, se procuram provas através da mediunidade denominada de cura, nas investigações através de aparelhos mais raros e especiais da tecnologia, a imortalidade da alma, para nós o interesse é secundário, porque já foi demonstrado. Allan Kardec e toda uma elite de cientistas do século XIX e XX, demonstraram em laboratório a sua realidade. O mais fascinante, é notarmos que essa demonstração não deve partir de nós, por causa do interesse, mas partir dos cientistas.
Quando verificamos que investigadores em diferentes áreas como há pouco, foram publicadas obras em Harvard, demonstrando que a alma sobrevive ao corpo, em várias partes da Inglaterra, dos EUA, da Suécia, da Noruega, da Alemanha, vêm a público declarar a sua crença em Deus.
Em lembro-me, por exemplo, do astrofísico inglês Sir James Jeans, que em 1966 já declarava a sua crença na imortalidade da alma. Também me recordo, quando ele teve ocasião de dizer que, antes, os cientistas pensavam que o Universo era uma máquina, hoje, é base da ciência que o Universo é um Ser, um Ser que respira, que se distende, que se contrai.
Naturalmente há as bolsas do materialismo, daqueles que se comprazem em negar o que muitas vezes nunca estudaram.

6 – No futuro, o Espiritismo será mais um modelo de seita religiosa ou uma força cultural esclarecida, a exemplo do trabalho que Kardec fez em meados do século XIX?
DF – Allan Kardec foi um pensador ímpar, com o seu carácter de cientista, porque teve a coragem de enfrentar esse mundo desconhecido, como se ele tivesse descoberto o microscópio das partículas menores, ou o telescópio para as grandes partículas, ele utilizou-se da mediunidade, uma faculdade inerente da criatura humana, desde o primata hominídeo, para poder demonstrar a sobrevivência da alma.
Teve um cuidado rigoroso ao fazer as suas observações, havendo escrito, ipsis líterisO Espiritismo marcha ao lado da ciência, mas não se detém onde a ciência pára. Quando a ciência provar que estamos errados num ponto, abandonaremos esse ponto e seguiremos a ciência“.
Até hoje, quando a Física de Newton, a chamada Física linear, foi colocada naturalmente em plano secundário perante a Física das probabilidades, nós vemos que, diariamente, a Física penetra no campo da energia, confirmando em essência a Doutrina Espírita.
Se passarmos à análise da Química molecular, e penetrarmos nas áreas profundas da moderna psicologia, entre os anos de 1975 e 1977, na Califórnia, em Big Sur, uma equipe de psiquiatras, psicólogos e fisiologistas, radiologistas, patrocinados por um eminente estudioso checoslovaco, na sua época, hoje Checo, constactaram a imortalidade da alma, utilizando-se das mesmas ferramentas e de aparelhos ultra-sensíveis, para poderem criar a Psicologia Transpessoal, que acredita nos fundamentos básicos do Espiritismo.
Neste momento, um jovem psicólogo, o Dr. Júlio Peres, tem levado médiuns a universidades americanas, para pesquisas da faculdade, em estados alterados de consciência.
Depois que grandes aparelhos, em São Diego, levaram o indivíduo a conquistar a consciência cósmica, através da doutora e pesquisadora Dhana Zoar, nós verificamos que estamos a um passo de constactar, através dos que vêm de fora, a imortalidade, enquanto nós damos os equipamentos para a comprovação da mediunidade.
Quando estudiosos da NASA estiveram em Uberaba, para examinarem cientificamente Chico Xavier, levaram detectores vibratórios da aura e, constactaram que todos nós temos em média uma irradiação de 2 cm. Chico Xavier era portador da irradiação de 25 metros de distância.
O médium José Arigó, conseguia realizar dezenas de cirurgias graves por dia, sem anestesia, sem nenhuma precaução de natureza infeciosa, muitas vezes de olhos fechados e vendados, utilizando-se de uma faca infectada e, os casos eram imediatamente constactados, porque se dava a hemóstase, não havia infecção, havia naturalmente a cicatrização em menos de 3 minutos, provando a imortalidade da alma.

7 – Muitos espíritas questionam em todo o mundo, a posição de Jesus, dentro do Espiritismo. Os Espíritos referiram Jesus como o Espírito mais evoluído que já tinha estado à face da Terra. Mais tarde, Emmanuel, no livro “A Caminho da Luz” transformou-o no governador espiritual da Terra, não havendo, neste caso a universalidade dos ensinos dos Espíritos. Como ver esta questão?
DF – A frase está em “O Livro dos Espíritos”, questão 625, pergunta “Qual o ser mais elevado que nos serve de modelo e guia?” e a resposta: “Jesus”.
Depois encontramos em Léon Denis, que é o pioneiro da frase de que Jesus é o construtor e o governador do nosso orbe.
Emmanuel, pela autoridade que exerceu durante mais de 70 anos, através do médium mais potente da História, adopta este pensamento e, é um direito.
O Espiritismo não nos castra, não tem um corpo ortodoxo a que deveremos obedecer, não há um chefe que nos diga o que fazer.
A opinião de Emmanuel é respeitável, eu pessoalmente, adiro “in totum”.
Conhecendo o trabalho de Emmanuel, e conhecendo a sua autoridade, acredito que sendo Jesus o ser mais elevado que Deus nos ofereceu para ser modelo e guia, seja o guia espiritual da Terra, como consequência, seja o “governador” do nosso planeta.


Entrevista concedida à ADEP, em Calpe,
XXIII Congresso Espírita Nacional (Espanha)

em 4 de Dezembro de 2016

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Filme espírita premiado: Vida, aborto e suicídio...


O filme curta-metragem ‘Agora Já Foi!’ recebeu dois dos quatro prémios possíveis, no Festival de Cinema Transcendental de Brasília, ocorrido no dia 23 de Maio de 2015. Os prémios recebidos foram ‘melhor direção’ e ‘melhor filme’ (prémio máximo do festival).

Agora Já Foi’ é uma realização da Federação Espírita do Amapá – FEAP, em co-produção com a Amazónia Filmes, e faz parte do projeto SEMEAMAR, que objetiva alertar os jovens para a questão do aborto e do suicídio, tão presente na nossa sociedade, já que o maior índice nacional de suicídio e aborto entre os jovens está justamente no Amapá (isto, no Brasil).
O roteiro e a direção são da jovem amapaense Manuela Oliveira.
A preparação do elenco foi de Thomé Azevedo, a Direção de produção foi de Ana Vidigal, sendo a produção executiva de Felipe Menezes.
A principal função do filme é servir de ferramenta para o projeto SEMEAMAR, da Federação Espírita do Amapá – FEAP (Brasil), que pretende exibi-lo nas escolas de ensino médio, promovendo debates sobre os temas – aborto e suicídio.
A Federação Espírita do Amapá fez uma ‘avant-première’, no Cine Imperator, no Macapá, no dia 06 de Junho de 2015, às 10 horas da manhã, para lançar o filme à sociedade amapaense e cobrou 1 kg de alimento não perecível como entrada.

Aproveitamos o ensejo para falar com Felipe Menezes:
José Lucas - Quem é o Felipe Menezes?
Felipe Menezes - Manuel Felipe Menezes da Silva Júnior, sou brasileiro, nasci e moro em Macapá, capital do Estado mais ao Norte da Amazônia Brasileira. Exerço a profissão de Promotor de Justiça.
No Movimento Espírita tenho duas atribuições: Secretário da Comissão Regional  Norte da Federação Espírita Brasileira e Vice-Presidente da Federação Espírita do Amapá. Desenvolvo as seguintes tarefas espíritas: Dirigente e doutrinador em reunião mediúnica, palestrante, atendimento e passista.
JL - Em que projectos está inserido na divulgação espírita?
FM - Os nossos principais projetos de divulgação da Doutrina no Amapá são: Feira do Livro Espírita, Congressos e Seminários para o público externo.
JL - Faz parte da Associação Brasileira de Artista Espíritas - ABRARTE?
FM - Não fazemos parte da ABRARTE diretamente, mas apoiamos a arte espírita no nosso Estado.
JL - Como aparece o projecto SEMEAR?
FM - O projeto Semeamar surgiu pela necessidade da nossa sociedade local, pois o Estado do Amapá é campeão nacional de abortos na juventude e de suicídios.
JL - Que activiaddes têm feito nesse projecto?

FM - O projeto usa como ferramenta um filme curta-metragem produzido pela nossa Federação Espírita. Em 2015 já apresentamos o filme com posterior cine-debate em 17 escolas públicas e uma Universidade. Tivemos notícia de uma senhora que abortou na juventude, e decidiu fazer uma inseminação artificial para engravidar, e várias jovens declararam que deixaram de abortar, ao assistir o filme e o debate.
JL - O que fez em Campo do Brito, Sergipe, Brasil, no evento 5º Campo do Brito Espírita, em Novembro de 2015?
FM - Em Campo do Brito apresentamos o filme com cine- debate para 738 jovens em cinco escolas locais. Tivemos notícia que uma jovem deixou de abortar após assistir ao filme.
JL - Como surgiu o filme "Agora já foi?"
FM - O filme nasceu de uma inspiração após um cine-debate sobre influência espiritual, que fizemos com jovens, no ano de 2014, na Federação Espírita do Amapá, e teve um feedback positivo com os participantes.
Pensamos em criar um filme que envolvesse uma abordagem jovem, sobre os temas suicídio e aborto, com um enfoque nas consequências físicas, psicológicas e espirituais.
O roteiro foi escrito por uma jovem chamada Manuela Oliveira, que estuda na Faculdade de cinema, em Brasília. Quando a jovem iniciou o roteiro, o seu guia espiritual aproximou-se e projetou na sua tela mental as principais cenas. A Federação Espírita Brasileira patrocinou parte dos recursos, após atestar que o filme estava doutrinariamente correto.
JL - Que prémios arrecadou?
FM - O filme foi premiado como melhor direção e melhor filme, no V Festival de Cinema Transcendental de Brasília, e concorreu com filmes produzidos em várias partes do Brasil.
JL - O que pretendem fazer com o filme?
FM - A principal missão do filme é prevenir o aborto e o suicídio, dois grades males do mundo moderno. Oferecemos gratuitamente a quem queira usá-lo, e brevemente estará no YouTube.
JL - Algumas considerações finais aos leitores do jornal de espiritismo (de Portugal).
FM - As nossas palavras finais são de estímulo à divulgação de nossa amada Doutrina, que tanto tem a esclarecer, fazer-nos melhores, mais conscientes e felizes.


Novembro de 2015, Campo do Brito, Sergipe, Brasil

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Nilson Pereira: um Homem bom...


Nilson de Sousa Pereira, nasceu em Salvador em 26 de Outubro de 1924 e desencarnou às 4h40min de 21 de Novembro, em Salvador, aos 89 anos. Tio Nilson, como era carinhosamente chamado, fundou, juntamente com o médium Divaldo Pereira Franco, no dia 7 de Setembro de 1947, o “Centro Espírita Caminho da Redenção”, e, em 15 de Agosto de 1952, o braço social da instituição, a “Mansão do Caminho”. Foi telegrafista do Ministério da Marinha, trabalhou na Empresa de Correios e Telégrafos e foi bancário. Organizou vários livros da lavra mediúnica de Divaldo Franco: “Terapia espírita para os desencarnados”, “A serviço do Espiritismo – Divaldo na Europa”, “... E o amor continua”, “Exaltação à vida”, “Vidas em triunfo” e “Viagens e entrevistas”. Mas também escrevia para a revista “Presença Espírita”, editada há 38 anos pelo “Caminho da Redenção”.
Em 30 de Dezembro de 2005 foi agraciado (tal como Divaldo Franco) com o título de Embaixador da Paz no Mundo, concedido pela “Ambassade Universelle pour la Paix”, em Genéve (Suíça), capital da Organização Mundial da Paz, ligada à ONU. Tornou-se, assim, o 206º Embaixador da Paz no Mundo.

2 - Quem era Nilson, que tipo de pessoa era?
Nilson foi, na Terra, um homem jovial e encantador, dedicado ao trabalho do bem desde que travou contato com o Espiritismo no ano de 1945. Na ocasião era marinheiro, posteriormente telegrafista dos Correios e, por fim, bancário, em cujo labor aposentou-se.
Portador de uma dedicação incomum, era considerado o “homem dos sete instrumentos”, pela sua capacidade de exercer as mais variadas funções em nossa Instituição, consertando tudo quanto lhe chegada às mãos. Responsável pela edificação de todo o conjunto de casas, departamentos e residências da comunidade Mansão do Caminho, instalações elétricas, água e serviços gerais. Antes de tornar-se espírita aos 23 anos de idade teve namoradas e quase ficou noivo. Posteriormente entregou-se totalmente à obra de amor e quase não dispôs de tempo para materializar outras aspirações. Era alegre e jovial, mas sério e responsável, sendo muito respeitado e amado.

3 - Como nasceu a vossa amizade, como se conheceram, como nasceu o projecto de, em conjunto, construírem a Mansão do Caminho? E que tipo de cidadão era?
Em 1945 eu ensinava português em uma Escola de datilografia, auxiliando os alunos que tinham dificuldade com o idioma. Eu estava com 18 anos. Nilson e amigos matricularam-se na Escola no mês de fevereiro e passei a ministrar-lhe e aos companheiros noções do idioma pátrio. Nesse ínterim seu genitor enfermou gravemente e sabendo-o prontifiquei-me a visitá-lo, constatando que se tratava de um transtorno obsessivo de consequências orgânicas. Apliquei-lhe a terapia dos passes, da água fluidificada, os Benfeitores orientaram-no no tratamento homeopático e ao recuperar-se, toda a família tornou-se espírita.
O projecto da Mansão do Caminho é resultado de uma visão psíquica de que fui objeto, quando ambos retornávamos de uma visita a uma jovem obsidiada e nos encontrávamos num comboio ferroviário. Ao descrever-lhe o que vi, ele desenhou e guardou, os detalhes apresentados, vindo a materializar-se, por volta de 1955... Ao adquirirmos uma área de 86 mil metros quadrado, ele começou a construir a comunidade conforte o desenho que fizera, resultando no que hoje existe. Antes as crianças viviam em um edifício de 3 andares,  então denominado Orfanato, que recebeu o nome de Mansão do Caminho. Era um cidadão eminentemente pacífico e trabalhador.

4 - É verdade que ele mandava o Divaldo deitar-se no banco de trás do carro, para não o incomodar, pois o Divaldo confundia os vivos com os mortos (risos...?)...Que outras histórias pitorescas que ache oportuno partilhar?
Realmente, no período de educação da mediunidade, o fenómeno era tão pulsante que me levava à dificuldade de distinguir aquilo que era objetivo do que se passava no campo da paranormalidade. Eu via acidentes e assustava-me, obrigando Nilson a mandar-me para a parte de trás do carro, a fim de não o atrapalhar. Dessa forma não aprendi a conduzir veículos até hoje. Muitas vezes, eu era apresentado a uma pessoa e via-lhe o semblante. Ao reencontrá-la, apresentava outra face, o que muito me confundia, porque dependia do acompanhamento espiritual daquele momento.

5 - Qual o papel dele na Mansão do Caminho, que tipo de trabalhos eram da sua responsabilidade?
O papel de Nilson na Mansão do Caminho era de fundamental importância. Porque além de ser o grande trabalhador, também era o presidente do Centro Espírita Caminho da Redenção e de todos os seus departamentos, incluindo a Mansão. Não se detinha, porém, no que lhe era dever realizar, mas estava sempre disposto aos labores que se apresentavam, o que não eram poucos.
Dormia pouco, a fim de atender a todos os compromisso, nunca ultrapassando 4h30 em média diariamente.

6 - Nilson sempre viveu na sua retaguarda, apesar de caminharem lado a lado. Deu-lhe muito apoio nas suas viagens de divulgação espírita pelo mundo fora. Que tipo de espírita era, que tarefas espíritas tinha, como o classificaria, como espírita? 
Em razão do seu caráter de homem de bem, jamais se apresentava, mantendo-se sempre discreto em todas as situações, em Salvador ou viajando pelo mundo. Era-me, no entanto, o grande apoio, a solidariedade, o concurso amigo para quaisquer situações. Embora de formação cultural primária, escrevia muito bem e falava com correção de linguagem. Era um verdadeiro espírita, conforme o conceito apresentado por Allan Kardec.

7 - Ele recebeu um alto galardão como cidadão mundial defensor da paz. Como foi isso, quer explicar-nos?
Para nossa surpresa, no mês de dezembro de 2005, nós os dois fomos indicados como Embaixadores da Paz no mundo, sem jamais sabermos como isso aconteceu em Genéve, através do Instituto para a Paz no Mundo.
  
8 - De acordo com um livro publicado, Nilson teria sido seu irmão, ambos filhos de Joana de Cusa, e Nilson foi sacrificado, juntamente com sua mãe Joana de Cusa, actualmente sua guia espiritual, Joanna de Ângelis. Que outras ligações teve com Nilson que se recorde? 
Em realidade, conforme as informações espirituais, ele teria sido queimado vivo com sua mãe, Joana de Cusa, que mais tarde se identificaria como Joanna de Ângelis. Ainda, segundo as mesmas fontes, teríamos ambos retornado ao conhecimento e convivência da doutrina cristã ao tempo de Francisco de Assis, na Úmbria e, posteriormente na Escócia...

9 - Nilson teve vários problemas de saúde graves e desencarnou de cancro. Todas essas dores foram expiação ou contingências de um ser terreno, em provas escolhidas?
As problemáticas na área da saúde foram decorrência de comportamentos infelizes em existências passadas, que ele soube administrar muito bem, sem jamais haver-se queixado ou reclamado. Sempre paciente, foi um exemplo de resignação.

10 - 40 dias depois da sua desencarnação ele comunicou-se por si através da fala (psicofonia). Como foi esse momento? Divaldo assistiu ou participou na desencarnação do Nilson?
Havíamos combinado que ao ocorrer qualquer problema com um de nós, o outro continuaria no trabalho. Desse modo, durante toda a sua enfermidade final, eu mantive a programação de viagens e os compromissos firmados, indo ao Hospital para o acompanhar nas demais horas. Quando ele desencarnou eu me encontrava em viagem e prossegui, não havendo participado do seu sepultamento. Ao concluir o labor e retornar, fui diretamente ao cemitério, orar junto à sua tumba, sem extravasar a imensa dor que me dominava e ainda permanece mais suavizadaNesse ínterim, após a desencarnação, tive uma visão dele, quando do nosso Movimento Você e a paz, ele apareceu-me amparado pela Benfeitora Joanna de Ângelis e acenou-me sorrindo. Posteriormente, num momento de profunda reflexão e dor, ouvi-lhe a voz, que me disse: “-  Di, não quero você triste nem deprimido. A sua alegria é importante para auxiliar outras pessoas...”
No dia da mensagem psicofónica, vivenciei sentimentos de interiorização até o momento, na reunião, quando ele ofereceu-nos a página consoladora, durante um transe inconsciente de minha parte, que muito me refrigerou o coração e a mente.

11 - Palavras finais sobre Nilson Pereira e outras aos leitores do Jornal de Espiritismo.
Espero que o exemplo desse homem nobre e simples, sirva de demonstração atual de que é possível viver Jesus nos dias modernos. 

(Entrevista concedida por Divaldo Pereira Franco em 2 de Dezembro de 2013, ao Jornal de Espiritismo, Portugal, publicada na edição nº 63 de Março-Abril de 2014).                                

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ADEP na Televisão com Fernando Alvim...



                http://www.4shared.com/video/rMMXMXZH/ESPIRITISMO_NA__TVI_-__a_vida_.html

18 de Julho de 2013
"+TVI" - canal 12 da ZON
Programa: É a vida, Alvim

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Divaldo Franco: a crise e a transição planetária (parte 2 de 2)


É verdade que Emmanuel reencarnou para ter actividade na política (estando agora com 12 anos de acordo com declarações de Chico Xavier antes de desencarnar)?
Divaldo Franco - Que o Espírito Emmanuel reencarnou-se, isto é um facto, pois que foi revelado pelo médium Chico Xavier, que teria assistido o momento do seu retorno.
Quanto à tarefa que iria exercer, eu ignoro completamente e penso que o seu médium não o revelaria, no máximo, acredito que sua informação seria esclarecendo que o nobre Mentor que viria em uma missão muito significativa, mas não dizendo qual.

Joanna de Ângelis vai voltar em 2015? No Brasil? Vai certamente ser um vulto na área da Piscologia? Sabe em que áreas vai agir?
DF - Oportunamente, em 2010, numa conversa informal a Benfeitora informou-me que “a partir de 2015 estaria preparando-se para renascer na Terra, em solo brasileiro, a fim de participar da grande transição planetária”, não informando a data exacta, nem a área em que se apresentaria.

Que outros espíritos conhecidos na Terra voltarão a reencarnar em breve? Havendo tanto materialismo, tanta violência, tanta guerra, tanta gente que nem sequer descortina a sua condição de ser espiritual, isso significa que a transição tão desejada para mundo de regeneração seja mais demorada ou acontecerá até 2025 ou 2050? Como?
DF - Informam os nobres Espíritos que por mim comunicam-se, que filósofos e místicos, artistas e pensadores, estetas e cientistas do passado estarão retornando, alguns dos quais já se encontram entre nós, e podem ser identificados em inúmeras crianças de comportamento especial superior, a fim de realizar-se o grande enfrentamento com os Espíritos empedernidos no mal, superando as armadilhas da perversidade por sobrepor-lhes as excelências do amor e do bem.
A data é muito difícil de ser estabelecida, porém, isso ocorrerá no século actual.
Melhor dizendo: já vem ocorrendo.

No seu livro "Transição Planetária" fala em reencarnações em massa de espíritos de outros planetas. Porquê? No planeta Terra, no mundo espiritual não havia massa humana suficientemente evoluída, ao ponto de necessitar de "reforços" passe a expressão?
DF - É claro que existem na Terra milhões de almas nobres e que Jesus as comanda, no entanto, a fraternidade, o intercâmbio, a cooperação constituem elementos do progresso, diletos filhos do amor, e voluntários espirituais de outro sistema oferecem-se para ajudar na grande transformações, qual acontece entre nós, quando verificamos uma tragédia em um país e nos erguemos em solidariedade internacional.
O amor está acima das paixões e apegos de qualquer natureza, sejam pessoais, nacionais, internacionais, para considerá-lo do ponto de vista interplanetário.

Chico Xavier ou Divaldo Franco foram Kardec, ou o que está nas Obras Póstumas não está correcto, quando preconizava a volta de Kardec em breve, para completar a sua missão?
Porquê tanto segredo sobre Kardec, quando o Espiritismo é exemplo de simplicidade, sendo que a falta de informações sobre Kardec só contribuem para o boato e opiniões menos ajuizadas?
DF - Acredito na legitimidade da informação dos Espíritos quanto ao retorno de Kardec reencarnando-se, mas considero que o em breve tem uma duração de tempo diferente do nosso.
Ademais, porque a necessidade de  o identificar, perturbando-lhe a obra? Não será mais nobre que venha no anonimato, não necessariamente no movimento espírita, mas na ciência, na tecnologia de ponta, confirmando, mediante as pesquisas de laboratório, os conceitos e ensinamentos exarados na Codificação?
A seriedade dos conteúdos espíritas não permite a futilidade de revelações dispensáveis e sem significado, sendo muitas das que ocorrem, resultado da falta de estudos sérios da doutrina, por aqueles que as apresentam.

Quem foi Divaldo Franco noutras vidas (que se lembre ou que lhe tenha sido revelado pelos Espíritos)?
DF - Até onde me tem sido permitido perceber, recordar ou receber informação dos Amigos espirituais, as jornadas anteriores foram tumultuadas, assinaladas por dislates, sendo esta a grande oportunidade de reparação, de crescimento, e auto-iluminação, o que, realmente, é muito importante.

Como distinguir no futuro, aquilo que é uma extensão, desdobramento, da Doutrina Espírita, daquilo que são fantasias mediúnicas ou mistificações?
DF - Toda informação mediúnica que se enquadrar na unanimidade universal, característica básica que legitima a sua procedência, merecerá respeito e aceitação.
Aqueloutras que tiveram características de exotismo, de personalismo e auto-promoção  deverão receber o repúdio, conforme ocorre em todas as áreas do pensamento e do comportamento humano.

Uma palavra final sua e de algum espírito, para os espíritas e para a humanidade em geral.
DF - Nossa mensagem é uma proposta de paz, inicialmente, entre nós, os espíritas, respeitando-nos e elevando o nosso nível de consideração recíproca pelo outro. Estendendo o conceito, tem ela o desejo de convocar todo indivíduo para o bem, o cumprimento recto do dever, para a fraternidade e a vitória sobre o egoísmo onde nascem os males que a todos nos afectam.

(Importante entrevista de Divaldo Franco concedida ao Jornal de Espiritismo, em Portugal, cuja 1ª parte foi publicada no Jornal de Espiritismo nº 55 e a 2ª parte saiu no JDE nº 56 (Janeiro / Fevereiro de 2013).