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O Maluco...



Mais um dia de trabalho. Após os cumprimentos da praxe, cada um ia relatando, como de costume, algo mais inusitado que tivesse acontecido  recentemente.
Um colega, que vem todos os dias de longe, utilizando vários meios de transporte, vinha alegre, sorridente, passando a explicar: "Oh pá, hoje no autocarro vinha um cromo do caraças; o gajo entrou no autocarro a falar alto e imagina... cumprimentou todas as pessoas do autocarro, uma a uma e depois foi um fartote de rir com as anedotas dele... Há cada cromo neste mundo...!!!".
Depois de ter repetido algumas anedotas, alegres e sem malícia, fiquei a pensar com os meus botões: "então fulano é maluco, é conhecido pelo maluco, mas... quando o "maluco" não aparece, os "normais" vão de cara cerrada, cada um com os seus auscultadores na cabeça, cada um no seu mundo, ninguém se fala, chegam ao trabalho cansados... e o outro, o tal que cumprimenta toda a gente, o tal que distribui alegria e bem-estar, o tal que faz com que as pessoas cheguem sorridentes ao trabalho, esse é que é "maluco"?"
Na minha simples lógica algo não batia muito bem...
Afinal quem são os "malucos" e os "normais"?
Dir-me-ão que não é "normal" um adulto entrar num autocarro pejado de gente e começar a distribuir cumprimentos e alegria a toda a gente... e eu pergunto: porquê?
Dir-me-ão que se ainda fosse uma criança, as pessoas achavam graça, agora um adulto... parece mal... e eu pergunto: porquê?
Dir-me-ão que a sociedade tem regras, tem expectativas, que não é expectável um adulto comportar-se assim... e eu pergunto: porquê?
Dir-me-ão que o "normal" é sermos recatados e não falarmos por dá cá aquela palha com gente desconhecida... e eu pergunto: porquê?
Em "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, podemos encontrar  na 3ª parte, as "Leis Morais", sendo que uma delas é a "Lei de Sociedade", que aborda dentro da óptica espírita a necessidade da vida social, fala sobre a vida de isolamento, sobre o voto de silêncio e os laços de família. Se adentrarmos pelas restantes Leis Morais, verificamos que um dos objectivos da nossa vida em sociedade é precisamente a nossa interacção, a aprendizagem e auxílio mútuo, no sentido da evolução intelectual e moral do ser humano, como espírito eterno que é ao longo das suas múltiplas reencarnações (vidas sucessivas).
No meio da nossa sociedade, egoísta, triste, ansiosa, queixosa, a Doutrina Espírita (ou Espiritismo) mostra-nos que a vida é bela, que é um conjunto de oportunidades que temos para sermos mais felizes, passo a passo, vida após vida, e que vivemos uma vida de relação precisamente para que possamos evoluir, aprender uns com os outros, apoiarmo-nos mutuamente, fraternalmente, procurando contribuir para uma sociedade mais feliz, mais justa, mais pacífica.
Nesse ínterim, fico cá a pensar com os meus botões quem será o "maluco" e quem serão os "normais", no caso em pauta.
Por mim, preferia partilhar todos os dias a presença do "maluco" do que partilhar um autocarro cheio de gente triste, com "headphones" na cabeça, onde cada um finge que os outros seres humanos que o rodeiam não existem ou não têm nada para conversar, para partilhar...

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Espiritismo invade cinemas...



"O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações. O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como das suas relações com o mundo corporal".  (Allan Kardec, in "O que é o Espiritismo")

Para quem tivesse dúvidas sobre o que é o Espiritismo (ou Doutrina Espírita), fica agora mais claro. A Doutrina Espírita tem 5 pontos básicos: a existência de deus, a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos Espíritos, a pluralidade das existências (reencarnação) e a pluralidade dos mundos habitados.
Para se conhecer bem o que é o Espiritismo, deve o leitor começar por ler "O Livro dos Espíritos", "O Evangelho Segundo o Espiritismo", "A Génese", "O Céu e o Inferno", "O Livro dos Médiuns" (de preferência por esta ordem). Os livros "O que é o Espiritismo" bem como "Obras Póstumas", todos de Allan Kardec, também são de considerar.
Através da Doutrina Espírita (que não é mais uma religião nem mais uma seita, mas uma doutrina, um conjunto de ideias que contribui para o aumento da religiosidade, da espiritualidade do ser humano, aproximando-o assim mais rapidamente de Deus), as pessoas encontram respostas para as questões essenciais da vida: quem sou, de onde venho, para onde vou após a morte do corpo de carne, porque sofremos de forma dissemelhante, porque somos felizes de forma diferente?
Baseada em factos, a Doutrina Espírita providencia uma fé raciocinada, esclarecendo e consolando as pessoas, que assim encontram uma lógica para a vida na Terra e suas assimetrias.
A Doutrina Espírita apareceu em 1857, em Paris, com o lançamento de "O Livro dos Espíritos" de Allan Kardec, na sequência dos estudos deste sábio francês, que pesquisou acuradamente os fenómenos mediúnicos (contactos com o mundo espiritual), comparando-os, experimentando, repetindo, aplicando o método experimental como ainda hoje se conhece.
Doutrina ainda muito jovem, tem despertado de tal modo o interesse junto das populações pelo mundo inteiro, que desde 2008 que a 7ª Arte se tem voltado para a temática espírita.

Baseada em factos, a Doutrina Espírita providencia
uma fé raciocinada, esclarecendo e consolando.

No Brasil foi lançado um 1º filme de grande impacto, sobre a vida do médico, político, espírita, Adolfo Bezerra de Menezes, apelidado de médico dos pobres, figura nobre da sociedade brasileira, agora retratado no filme "Bezerra de Menezes: o diário de um Espírito", que foi um verdadeiro êxito de bilheteira.
Em 2010, o filme "Chico Xavier" sobre a vida de um dos maiores médiuns na Terra, um homem bom cuja vida foi um hino ao Amor ao próximo, teve mais de 3 milhões de espectadores em salas de cinema brasileiras. Ainda em 2010, seguiu-se o filme "Nosso Lar", que traz para o cinema a história de uma cidade no mundo espiritual, do livro "Nosso Lar", ditado pelo Espírito André Luiz através do médium Chico Xavier, que teve mais de 4 milhões de espectadores nas salas de cinema brasileiras.
Em 2011, Hollywood rendeu-se à temática com o filme de Clint Eastwood, "Hereafter - Outra Vida", e em breve estreará no Brasil novo filme intitulado "As Mães de Chico Xavier", que abordará as comunicações espíritas através deste famoso médium, onde milhares de mães encontraram provas inequívocas de que os seus filhos, falecidos precocemente, voltavam do Além para as consolar, provando a sua imortalidade.
Já nos idos do século XIX Allan Kardec preconizara a importância da arte na divulgação do Espiritismo, doutrina esta que esclarece e consola quem busca conhecer um pouco mais da Vida, e quem busca espiritualizar-se.
Curiosamente, nos dias que correm, múltiplos cientistas vão-se adentrando em áreas fronteiriças do Espírito, comprovando em laboratório as teses espíritas, compiladas por Allan Kardec, em meados do século XIX.

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Vida Além da Morte...na EXPOESTE



Em 24, 25 e 26 de Fevereiro debateu-se a imortalidade do Espírito, nas Caldas da Rainha. Iniciativa do Grupo "Mais Oeste", contou com o apoio das duas associações espíritas locais, englobando uma entrevista, um debate, um seminário e uma sessão de pintura mediúnica. 

Correspondendo às expectativas dos ouvintes e leitores do grupo "Mais Oeste", foi organizado um fim-de-semana cultural onde se debateu a imortalidade do ser humano e a possibilidade ou não da vida para além da morte. 
No dia 24 de Fevereiro, 5ª feira, José Lucas, membro do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha e da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), concedeu uma entrevista à Mais Oeste Rádio 94.2 FM, onde com a acutilância de João Carlos Costa como entrevistador se debateram temas fronteiriços com a imortalidade. 
Questionado acerca da imortalidade, José Lucas apontou experiências científicas que vêm sendo efectuadas desde meados do século XIX que indiciam a imortalidade do ser humano. Foram ainda referidos os médiuns comerciantes, charlatães e outras instituições que comercializam os dons espirituais, tendo sido referido que numa associação espírita nunca se cobra um cêntimo que seja por qualquer actividade, nem tão pouco se aceita dinheiro em troco de alguma actividade, sendo essas associações suportadas pelos seus associados. José Lucas referiu ainda, que nas Caldas da Rainha apenas existem 2 associações espíritas, o Centro de Cultura Espírita (Bº Morenas) e a Associação Cultural Espírita  (Bº Ponte). 
No dia seguinte, 6ª feira, dia 25 de Fevereiro de 2011, teve lugar um debate no auditório da EXPOESTE, promovido pelo Grupo Mais Oeste, com o apoio da Câmara Municipal de Caldas da Rainha. Na abertura do evento, o Sr. António Marques da ADIO, entidade gestora do espaço físico onde decorria o evento, realçou perante as cerca de 130 pessoas presentes, a importância de se discutirem ideias, mesmo que não se concordem com elas, e que era importante ouvir a opinião do Espiritismo, como movimento cultural da sociedade. João Carlos Costa, com a sua acutilância habitual, moderou o debate que durou entre as 21H00 e as 23H00, incluindo a participação do público. Presentes na mesa, a Profª Amélia Reis e José Lucas (Militar), ambos do Centro de Cultura Espírita, responderam às muitas questões colocadas pelo jornalista moderador do debate. Amélia Reis contagiou a audiência com a sua simplicidade e serenidade, ao referir como conhecera a Doutrina Espírita, na sequência da morte do seu filho, vítima de acidente de viação, realçando casos concretos em que o seu filho se teria manifestado posteriormente, através de médiuns, no centro espírita onde colaborava. Hoje, feliz, apesar das dificuldades da vida, tem como meta esclarecer e consolar os corações aflitos dos demais. 

                          Florêncio Anton, em transe, pintou, de olhos fechados,
com as mãos borratadas de tinta, lindíssimos quadros a óleo,
assinados por pintores falecidos, cujos estilos e luminosidades
seriam idênticos aos dos referidos pintores aquando na Terra. 

No sábado, dia 26 de Fevereiro, teve lugar, na parte da tarde, um seminário subordinado ao tema "Saúde e Espiritualidade", onde Florêncio Anton, médium de efeitos físicos, pedagogo, licenciado em enfermagem e terapeuta, estudante de psicologia, interagiu com as cerca de 130 pessoas presentes, provenientes de várias cidades do país. Uma tarde agradável, onde saúde, espiritualidade e ciência estiveram de mãos dadas. 
Pelas 21H00, Florêncio Anton, em transe, pintou, de olhos fechados, com as mãos borratadas de tinta, lindíssimos quadros a óleo, assinados por pintores falecidos, cujos estilos e luminosidades seriam idênticos aos dos referidos pintores aquando na Terra, segundo algumas pessoas interessadas em arte e conhecedoras de pintura. Uma conhecida pintora caldense, que estava presente na sala, afirmou publicamente que aquelas 2 horas foram a mais bela aula de pintura a que jamais tinha assistido. 
A sala do auditório da EXPOESTE foi pequena para as cerca de 230 pessoas presentes, que não arredaram pé até cerca das 23h30. 
Estes eventos tiveram o apoio da Associação Cultural Espírita e do Centro de Cultura Espíritas, as duas únicas associações espíritas da zona. 
Haverá vida para além da morte? 
Para os espíritas, sim, dizem que as evidências e as provas são tantas que não é possível não querer ver. 
Para os cépticos, há que esperar novas comprovações da ciência terrena. 
Para os organizadores do evento, mais importante do que chegar a conclusões, foi, isso sim, o debate de ideias, de modo saudável, despretensioso e respeitável, entre todos. 
Foi opinião unânime que foram momentos bem passados. 
O Sr. António Marques, da ADIO, referia perante o público, que mesmo não conhecendo a Doutrina Espírita, era respeitável a sua postura séria e cultural dentro da sociedade. 
João Carlos Costa, com a sua vivacidade contagiante, foi o motor destes eventos, onde a discussão foi envolta num ambiente são e amigável entre todos, quer concordassem ou não com as matérias em pauta. 
Ficou a promessa de novos eventos. 

(in Jornal das Caldas de 03 de Março de 2011, Portugal)

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Ser e ter...



No mundo moderno, o homem busca desenfreadamente a felicidade onde ela não está: fora de si, nos bens materiais, no gozos externos, a manifestarem-se sob a forma de vários matizes, e que após serem fruídos levam à frustração. 
No mundo moderno, o homem perdeu o Norte de Deus, da sua espiritualidade, e julgando-se matéria que um dia ficará inerte, dá vazão ao seu egoísmo, procurando cada vez mais ter  coisas, pouco se preocupando em ser pessoa de bem. 
No mundo moderno, após todas as frustrações sentidas, o homem revolta-se sem saber bem do quê e porquê, amalgamando-se em turbas descontentes que originam turbulentas transformações sociais, como as que temos visto nomeadamente nos países árabes. Tal situação é transversal a todo o planeta, onde o homem, imerso no seu egoísmo, ainda não conseguiu descortinar a sua componente espiritual, eterna, que o faria mudar de paradigma, de atitude, em face ao devir. 

                              Fazer ao próximo o que gostaríamos que nos fizessem,
é a chave da felicidade, que o homem teima em não querer usar 

A Doutrina espírita (ou Espiritismo) explica-nos que somos seres imortais, temporariamente num corpo de carne, que existe uma força superior que tudo governa (a quem convencionámos apelidar de Deus), que é possível comunicar, dentro de certas condições, com aqueles que se encontram no mundo espiritual, através  de pessoas que tenham características especiais para tal (os médiuns), que a reencarnação é uma realidade evolutiva sem a qual não haveria justiça divina, pois que não haveria tratamento igual de Deus perante os seres que criou, que existem múltiplos mundos habitados por seres inteligentes, embora com corpos diferenciados, de acordo com a natureza dos mundos em pauta. 
A felicidade só será possível quando largarmos o casulo do egoísmo e nos abrirmos à sociedade, interagindo com ela de um modo fraterno, holístico, humanista, dentro da assertiva espírita "Fora da caridade não há salvação", querendo com isso realçar que a caridade, nas sua múltiplas facetas, é o caminho mais seguro e rápido para a espiritualidade superior do homem. 
Compete ao homem, perante esse desiderato inevitável, escolher dentro do seu livre-arbítrio, ser feliz mais rápida ou mais lentamente, conforme o seu esforço pessoal. 
Quanto à felicidade, ela encontra-se mesmo ao nosso lado, basta... querer vê-la e mudar de atitude mental perante o quotidiano que se nos depara, realçando sempre as situações pelo lado optimista, útil, procurando fazer ao próximo o que gostaríamos que nos fizessem, conforme aconselhava sabiamente Jesus de Nazaré. 

Bibligrafia: Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos