Vivia num frenesim
Só queria mandar
E ter pilim, pilim
Um dia sonhou
Mudar pr’á cidade
Fazer fortuna
Dominar a Humanidade
Esperto e inteligente
Trabalhou e estudou
Tinha o dom da palavra
Com ela muitos enganou
Rapidamente subiu
Encostando-se ao Partido
Com a sua lábia
Roubou a Rosa ao marido
Com mulher influente
E com o seu bem falar
Rapidamente atingiu
Alto patamar
Joaquim o capataz
Era agora deputado
Só via pilim,
Pilim por todo o lado
Não olhou a meios
Para aumentar a fortuna
Ignorando que no futuro
Não a levaria na urna
Após falecer
Depois de muita dor
Joaquim despertou
Em grande estertor
Anos a fio
Tinham passado
Pareceram séculos
Em sofrimento atolado
Com sentimento de culpa
Rogou a reencarnação
Para poder fugir
A quem roubara o pão
A bondade divina
Assim o permitiu
E nasceu a Maria
À beira d’um rio
Desde cedo indigente
Parecia uma anormal
Sofrendo dor e solidão
Comendo do lixo, e mal!
Grande fixação
Tinha por uma esquina
Com nome d’avenida,
Do Joaquim, o “rapina”.
Aquele canto era o seu
Enxotava outros
indigentes
Que ali tentassem a sorte
Junto das passantes
gentes
Após rude vida
De forte expiação
Maria desencarnou
Passara na lição
No mundo espiritual
Mais calma e segura
Fazia contas à vida
O que pagar em agrura?
Joaquim, depois Maria,
Envergonhado do passado
Agradecia a Deus
O resgate efectuado
Aprendera Joaquim
Da pior maneira
Que ser humano
Não é brincadeira
Cada um é semeador
Na sua seara
Se não semear bem
A vida sai-lhe cara
Arrependido prometeu
Jamais enganar
A tal ponto, o fez
Que trabalhava a dobrar
Em prol do próximo
Dos mais sofredores
Para assim apaziguar
As próprias dores
Após anos de trabalho
Amoroso e gracioso
Joaquim reencarnou
Com projecto ambicioso
Criou na Terra
Um lar para desvalidos
Onde recolheria
Os ex-inimigos
E assim nasceu
A “Creche de Jesus”
Onde recolhia crianças
Para quem fora uma cruz
No fim da vida
Após o resgate final
Adentrou a
espiritualidade
Com ar triunfal
Era agora espírito livre
Do seu próprio passado
Doravante faria o bem
Mesmo ao alienado
Não te iludas amigo
Com a busca do pilim
Para que não sejas
Um outro Joaquim
Fazer o bem
Sem titubear
É tarefa de todos
Os que querem Amar
Só assim
Seremos felizes
Quando nos doarmos
Como os petizes
O Amor será sempre
A eterna solução
Para superarmo-nos
Na prova ou expiação
Poeta alegre
Psicografia
recebida por JC, em 10 de Setembro de 2012, em Óbidos, Portugal




