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A culpa é do "R"...



A notícia entrou-me pelo computador dentro: não queria acreditar no que estava a ler! Esfreguei os olhos e voltei a ler! Afinal era verdade! Não, não pode ser, é estupidez a mais! Mas, não, estava lá tudo escarrapachado: “Menino dispara arma que recebeu no dia de aniversário e mata a própria irmã”!!!

e, no essencial, o que aconteceu foi o seguinte: “O caso ocorreu no Kentucky (EUA): um menino de 5 anos matou, acidentalmente, a própria irmã, de 2 anos. A menina foi vítima de um disparo, enquanto as crianças brincavam em casa. A arma, uma versão para crianças de uma espingarda, tinha sido um presente de aniversário. A polícia está a investigar esta morte.
Todos nós verberamos a violência, todos somos pacifistas, todos somos contra as guerras, mas, no nosso dia-a-dia somos os autores dessa mesma violência que, ora vive latente no nosso imo à espera de um despoletador para sair, seja como uma agressão mental, verbal ou física, ora se desdobra em atitudes lamentáveis quando somos confrontados com a frustração ou com a oposição dos nossos ideais.
Desconhecendo que somos seres imortais, temporariamente num corpo carnal, em busca da perfeição intelectual e espiritual ao longo das múltiplas reencarnações, o homem jaz aprisionado aos seus conceitos imediatistas e materialistas, impregnado num egoísmo feroz, na vaidade, no orgulho, que são em essência a causa de todos os males na Terra.
Com a Doutrina Espírita (ou Espiritismo) comprovou-se a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos Espíritos, a reencarnação, o que aliado à existência de Deus e à pluralidade dos mundos habitados, ficamos com um roteiro seguro para que possamos entender a Vida nos seus pormenores mais escondidos, explicando-nos quem somos, de onde viemos, para onde vamos e do porquê das dissemelhanças de oportunidades nesta existência carnal.

A dor far-nos-á abrir os olhos, se não optarmos
pelo caminho do Amor: é um imperativo da evolução

Aprendemos com o espiritismo que existe uma Lei de Causa e Efeito, onde, como já ensinara Jesus de Nazaré, a semeadura é livre mas a colheita é obrigatória.
Nesse sentido, ficamos a meditar como os EUA repararão os milhões de mortes que provocam pelo mundo fora, em guerras interesseiras…
Ficamos a meditar na tristeza de um país onde ainda existe a pena de morte, desconhecendo que o Espírito expulso violentamente pela sociedade através da pena de morte, continua a interagir com essa mesma sociedade, agora no mundo espiritual, voltando certamente a reencarnar no mesmo meio (agora ainda mais violento), até que essa sociedade o eduque.
Somos borboletas que pretendem evoluir, batendo compassadamente as asas da intelectualidade e da espiritualidade. Neste momento que vivemos, apenas batemos a asa da intelectualidade, e esquecidos da espiritualidade, perdemos o Norte de Deus, e em vez de voar a direito, andamos às voltas, como uns tontos, em busca de um rumo.
A dor far-nos-á abrir os olhos se não optarmos pelo caminho do Amor.
É um imperativo da evolução!
Há tempos, ouvindo uma conferência do ilustre espírita Divaldo Pereira Franco, este referia, em tom de brincadeira que Jesus de Nazaré ensinou-nos “Amai-vos uns aos outros”, mas, nós, seres primitivos,  espiritualmente falando, alteramos a frase para “Armai-vos uns aos outros”.
Se a situação não fosse trágica, até seria engraçada e poderíamos dizer que afinal… a culpa é do “R”!!!

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O táxi...



O dia corria normalmente, contando os minutos para o desempenho das tarefas rotineiras que vão dando cor à vida.
Após múltiplos recados, era hora de ir buscar a filhota mais nova, à escola.
Após recolhê-la, Teresa dirigiu-se para outra escola, a fim de buscar o seu filho mais velho.
A azáfama em volta da escola era muita, com aquele movimento multicolor, típico de um dia de Verão, onde desde crianças e jovens entram e saem.
Teresa aguardou que o seu filho saísse, enquanto ia falando dentro do seu carro, com a filhota de 9 anos de idade.
De repente, um carro parou à sua frente.
Um senhor, na casa dos seus 45 anos de idade sai do carro e, dirige-se ao café ao lado para comprar algo.
Enquanto o senhor foi ao café, três adolescentes, na casa dos 15 ou 16 anos de idade, entraram no carro do senhor e lá ficaram.
O senhor voltou do café, colocou a viatura em funcionamento e arrancou.
A filha da Teresa, muito perspicaz nos seu 9 anitos de idade, disse: “mãe aquele carro é um táxi, não é?
Claro que não filha, os táxis têm um dístico no tejadilho, além do disso, aquele carro era azul escuro. Porque dizes isso?
Respondeu a filhota da Teresa: “é que o senhor entrou no carro, não disse nada aos rapazes e arrancou, pensei que fosse um táxi, pois se fosse o pai dos meninos, tinha-lhes dado um beijinho…

A família é precioso laboratório, onde se descobrem novas
“combinações químicas” em cada dia que passa, e onde
nenhum reagente poderá ser menosprezado

Teresa engoliu em seco, e eu, quando soube da história, fiquei a pensar com os meus botões, as vezes que já terei sido “taxista”: pela minha contabilidade, poucas ou nenhumas, felizmente!
A Doutrina Espírita, ensina-nos em “O Livro dos Espíritos”, na “Lei de Sociedade”, o porquê de vivermos em sociedade, para evoluirmos em conjunto, quer intelectualmente, quer moralmente.
Também aprendemos com os Espíritos superiores, que os “nossos” filhos são seres (por vezes mais velhos espiritualmente que nós) que Deus nos envia, na condição de filhos, para que os orientemos, eduquemos e amemos dentro do possível, para que, assim, paulatinamente, a sociedade se regenere, melhorando-se.
Fico a torcer pelo tempo que não haverá mais pais “taxistas” e, em que o interesse, o carinho, a interacção mútua, a ternura sejam apanágio de todos, no quotidiano.
Aí, estaremos a Amar, a ensinar a Amar e a semear Amor, para que, amanhã, o possamos colher, quando os filhotes de agora forem os dirigentes do amanhã.
A semeadura é livre mas a colheita é obrigatória”, já referira Jesus de Nazaré há mais de dois mil anos…