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BALEAL: ESPÍRITAS LIMPAM NATUREZA


Sábado, 8 de Outubro de 2011, foi um dia especial para 18 crianças e jovens do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha e para outros tantos adultos (pais e encarregados de educação).
O dia começou bem cedo com o ponto de encontro pelas 09H30 no "Bar do Bruno", no Baleal, Peniche. De seguida o grupo de crianças e Jovens rumou à praia da Almagreira, com o objectivo de a limpar de toda a gama de detritos que ali são deixados e outros trazidos pelo mar. A esta actividade juntou-se a "Surf Riders Foundation" (movimento europeu de surfistas, amigos da Natureza), estando presente a Anna que, em inglês, com tradução da Catarina, ia passando lições de sensibilização para a defesa da Natureza aos mais novos e adultos, que estiveram integrados nesta actividade. O material de limpeza foi oferecido por esta entidade, bem como pelo "Baleal Surf Camp".
12H30 foi a hora do ponto de encontro no pinhal de Ferrel, para se poderem retemperar as forças e onde o Sr. Presidente da Câmara de Peniche (António José Correia) teve a gentileza de se deslocar, dando os parabéns pelo evento, após ter tido conhecimento do mesmo, facto que surpreendeu e animou os presentes.
Mas o melhor estava para vir: uma iniciação ao Surf pelas 15H30, numa oferta do "Baleal Surf Camp" que funciona no edifício do "Bar do Bruno".
Como ainda faltava algum tempo, as crianças e adultos aproveitaram e limparam também o pinhal de Ferrel, que apesar de estar bem servido de caixotes do lixo, os seus utentes teimam em deixar o local miseravelmente sujo. Ficou um brinquinho. Todos ficaram muito contentes após a limpeza do mesmo, que com o auxílio de todos fez-se rapidamente.
Pelas 15H30 a excitação era grande, afinal era a 1ª aula de surf.
Correu muito bem, a equipe do "Baleal Surf Camp" foram simpaticíssimos e de um profissionalismo a toda a prova. Os miúdos lá vestiram os fatos de surf, pegaram nas pranchas e foram aprendendo na areia, com os professores, todos os movimentos essenciais para uma prática desportiva segura.
Raquel Henriques, Leonor Leal e Manuela Alves, responsáveis pelos grupos de crianças e jovens do Centro de Cultura Espírita, referiram que esta actividade inseria-se no estudo e sensibilização que está a ser feito junto dos mesmo, sobre a "Lei de Conservação " de "O Livro dos Espíritos" de Allan Kardec. Após a aprendizagem teórica, após perceberem a estreita ligação entre a espiritualidade e a Natureza, consideraram importante que as crianças e jovens sentissem o problema "in loco".
Após o baptismo de Surf, foi hora de retemperar as forças com o lanche trazido de casa e, voltar cada um ao seu lar com a alma cheia de ânimo e vontade de efectuar mais eventos em defesa da Natureza.
Com a Doutrina Espírita, sabemos que voltaremos noutras vidas ao planeta Terra, através da reencarnação, pelo que ainda se torna mais premente o cuidado com a Natureza, já que ela é e será o palco de outras existências corporais, em busca da evolução do ser humano, imortal, almejando a felicidade.
De realçar que entre todas as entidades intervenientes, nunca se colocou a questão da identificação ou não com a doutrina espírita, já que estavam todos irmanados no mesmo ideal: limpar e defender a Natureza, deixando aqui, todas as entidades presentes,  preciosa lição de compreensão, tolerância, entendimento, na certeza de que não é preciso as pessoas pensarem da mesma maneira para poderem interagir fraternalmente e terem objectivos comuns. 

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Músico espírita nas Caldas da Rainha


Chama-se Moacyr Camargo e é brasileiro. Profissionalmente, é músico. Adepto da Doutrina Espírita (que não é mais uma seita nem mais uma religião), dedica os seus tempos livres a esta filosofia universalista. No Brasil, ajuda a dinamizar a Escola (espírita) Eurípedes Barsanulfo, na cidade de Sacramento. Chegou a Portugal a 7 de Setembro de 2011, a convite da Associação Cultural e Beneficente Mudança Interior (Vale de Cambra), e encerrou este périplo em Caldas da Rainha, nos dias 30 de Setembro e 1 de Outubro.

O dinâmico Centro de Cultura Espírita desta cidade mobilizou-se para proporcionar aos seus frequentadores mais uma palestra e um colóquio inesquecíveis. Os temas andaram à volta da Arte e da Espiritualidade, e interessaram adeptos do Espiritismo e pessoas de outros credos, que encheram o auditório da associação.
Na sexta-feira à noite a palestra foi embelezada pela voz serena e pela magnífica viola do Moacyr. O seu acervo de composições originais, todas de conteúdo intensamente positivo e espiritual, está registado em vários discos, com orquestrações cuidadas. O seu estilo lembra todos aqueles nomes do Brasil que nos habituámos a ouvir na rádio, nas novelas de TV e em concertos, tais como Milton Nascimento, Ivan Lins ou Djavan. Moacyr não lhes fica atrás.
A religião/espiritualidade – frisou – vão deixando de ser “coisa de crianças e velhinhos”, como antigamente se usava. A consciência da Humanidade vai-se ampliando, e a par com os tempos difíceis que se vivem, já se sente pulsar um novo tempo de união de esforços, para combater todos os problemas que ainda afligem a Humanidade terrena.
A Arte sempre teve o condão de antecipar mudanças e novidades. Os pintores flamengos do século XVII, por exemplo, manifestavam um enorme interesse pela representação dos pormenores mais ínfimos da Natureza; e o microscópio aparecia, anos depois. Nos nossos dias são muitos os espíritos criativos que entrevêem uma era de novos valores morais e espirituais. Nos cantos da Terra onde reina a paz, florescem por exemplo as obras cinematográficas que nos apresentam versões pessoais, mas todas elas interessantes, do mundo espiritual. Pessoas recalcitrantes ao tema, absorvidas que estão pelas lutas da vida ou pelas ambições materiais, vão sendo assim tocadas para uma realidade nova, que se habituaram a associar a conceitos religiosos decrépitos. Tudo se renova, sempre.

Tecnologicamente temos "banda larga", mas no íntimo "mente estreita".
Precisamos colocar em prática os ensinamentos de Jesus de Nazaré:
"fazer ao próximo o que desejamos para nós".

Para a doutrina espírita, não haverá nem apocalipse nem segunda vinda de Jesus-Cristo. Nova vinda não haverá porque Jesus não nos deixou jamais, e em vez de um apocalipse de catástrofe e destruição, o que já se verifica é uma saudável crise de crescimento, que prenuncia tempos melhores. Moacyr fez notar que de tempos a tempos nascem na Terra homens e mulheres como Jesus de Nazaré, Ghandi, Madre Teresa, Francisco de Assis, Irmã Dulce, e tantos outros, materialmente pobres, ricos de amor ao próximo, que exemplificam essa doação, que nem sistemas religiosos nem políticos ainda lograram atingir, e que se pede aos seres humanos. Falta cumprir-se o Cristianismo, na sua acepção mais ampla e universal. Na Espiritualidade, nas Ciências, nas tecnologias, nas Artes, há espíritos missionários que impulsionam o progresso da Ideias.
Moacyr chamou a atenção para a possibilidade que todos temos de seleccionar as nossas leituras, os espectáculos a que assistimos, as manifestações de criatividade de que desfrutamos, e que esses alimentos da alma contribuem para a nossa saúde espiritual, tal como acontece com os alimentos do corpo. Espiritualmente amadurecida, a Humanidade de hoje depende de Deus e de si mesma, é capaz de pensar por si em vez de se deixar simplesmente conduzir, de forma acrítica. Notava o filósofo espírita Leon Denis que os passarinhos, em tempos de frio e fome, se unem e ajudam mutuamente, ao passo que em tempos mais amenos e de abundância, estalam escaramuças e é “cada um por si”. Com cérebros bem maiores do que os dos passarinhos (que, não obstante, se prodigalizam tocantes manifestações de afecto), está ao alcance da Humanidade de hoje respeitar diferenças, banir hostilidades, enterrar egoísmos, e, acicatada pelas dificuldades, caminhar definitivamente para uma era de paz, prosperidade e entendimento.
Disse este palestrante brasileiro referindo-se às novas tecnologias, que não podemos continuar a ter “banda larga e mente estreita”. Temos capacidade de fazer muito mais e melhor. Foi essa, em suma, a mensagem do colóquio de sábado, que marcou as últimas horas desta estada de Moacyr Camargo em terras lusas. Levou com ele aplausos carinhosos, um belo ramo de rosas, e a gratidão dos que o foram escutar, nestes dias de Verão tardio. Foram momentos de suave partilha, com a simplicidade da Doutrina Espírita, que é fé raciocinada e prescinde de aparatos e manifestações ruidosas.

Mário Correia