4

Chico Xavier: homem-bom ou vedeta?...



Quando optamos por opinar, concordar ou discordar, corremos o risco de sermos mal interpretados, de sermos amados ou detestados.
É normal, isso faz parte da natureza do ser Humano.
Convencionou-se, há muito tempo, em muitos espíritas, um conceito desvirtuado de "caridade".
Os bons Espíritos ensinaram-nos que "Fora da caridade não há salvação", isto é, que somente trilhando o caminho da "caridade" para connosco e para com o próximo, nos seus múltiplos matizes, evoluiremos espiritualmente e mais depressa.
A grande maioria dos espíritas reencarnados, fomos padres e freiras de outrora e, é natural que tragamos no nosso bojo psíquico, arquivos sedimentados do tempo do catolicismo, tentando, actualmente, impregnar a prática espírita com essas reminiscências.
É muito comum confundir-se no dia-a-dia, "caridade" (característica espiritual) com complacência com o erro, com a asneira, com práticas anti-doutrinárias, algumas que chegam a colocar em causa a imagem da Doutrina dos Espíritos.
Alguns dos espíritas, querendo aparentar bondade, sugerem que devemos calar perante o erro, que em nome do bom nome do Espiritismo não devemos apontar o erro, fugindo assim, quase sempre à responsabilidade de dizer "desculpe, mas não concordo, pois isso não é Espiritismo".
Querem estar de bem com todos, com quem acerta e com quem erra, acabando muitas vezes por resvalarem na crítica, às escondidas, o que denota a tibieza espiritual e psicológica que ainda temos na Terra.
O Espírito Erasto, em "O Livro dos Médiuns" aconselha que mais vale repelir 10 verdades do que aceitar uma mentira.
Allan Kardec, sempre denotou uma personalidade correcta, justa e assertiva, a tal ponto que afirmou, que no dia em que a ciência dita "oficial" provasse que um único ponto do Espiritismo estivesse errado, este seria abandonado.
A isto chama-se... bom-senso!!!

A melhor maneira de imortalizar a memória de Chico Xavier é respeitá-la,
tentando ser simples, humilde, desapegado e servidor,
como ele sempre foi na Terra...

Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier) foi a maior antena psíquica do século XX, um Espírito nobre, cuja grandiosidade certamente desconhecemos.
Sendo a simplicidade em pessoa, deixou à Humanidade preciosa joia, a sua obra psicografada de mais de 400 livros.
Paralelamente, e quiçá tão ou mais importante como a sua obra, deixou o seu exemplo de "Homem de Bem", conforme ensina o "Evangelho Segundo o Espiritismo", exemplo de simplicidade, de serviço ao próximo, furtando-se sempre ao destaque e procurando sempre ser o maior servidor e não ser servido.
Este foi o "Homem-Bom" que eu conheci, pelos livros, pelas entrevistas, pelos relatos, pelos dados históricos recentes.
Como se não bastasse o pseudo Espírito do "Dr. Inácio Ferreira" vir todas as semanas do Além actualizar um blog, e que num processo evolutivo regressivo, está pior no Além do que quando estava na Terra, ditando livros (autênticas aberrações doutrinárias) por um médium brasileiro, anda por aí um outro Chico Xavier - vedeta, criado à imagem dos seres humanos que o criaram.
É o Chico-Xavier dos mausoléus, é o Chico Xavier que disse coisas a pessoas durante a vida que nunca disse publicamente quando estava na Terra (muito estranho, sabendo-se da assertividade de Chico Xavier), é o Chico Xavier dos "Encontros dos amigos do Chico Xavier" (uma reedição das confrarias ou das ordens religiosas?), como se não houvesse um espírita lúcido que não tenha um grande preito de gratidão por esse nobre Espírito, benfeitor da Humanidade, é o Chico Xavier da "pomadinha Chico Xavier"...!!!
Haja bom-senso...!!!
A memória de Chico Xavier deve ser imortalizada, não só na sua obra literária, mas principalmente no seu exemplo de "Homem de bem", de Espírito nobre, de missionário na Terra.
A melhor maneira de imortalizar a sua memória é respeitá-la, tentando ser simples, humilde, desapegado e servidor, como ele sempre foi na Terra, e não criando-se um "santo dos espíritas" com o respectivo "merchandising" acoplado.
O Chico Xavier - vedeta que por aí anda nada tem a ver com o Espiritismo.
O Chico Xavier - Homem de bem, esse sim, foi, é e será sempre, um exemplo para todos nós.
Da minha parte, vou tentar ser como ele, nem que seja... um bocadinho!
Quanto ao resto, fica aquela frase: "a cada um de acordo com as suas obras".


José Lucas
jcmlucas@gmail.com
Portugal - 17 Out 2015

PS - Não conheço pessoalmente as pessoas que inventaram o "Chico Xavier - vedeta", nem nada me move contra elas. Na qualidade de Espírita, livre-pensador, não questiono pessoas (seres imortais, meus irmãos em Deus) mas sim atitudes, opiniões (todas elas passageiras) que ferem, na minha óptica, a memória do médium Chico Xavier, ferem o bom-senso e a imagem séria da "Doutrina dos Espíritos".

3

O ritual...


Vai o caixão
levado à mão
A missa acabou,
segue em procissão

No cemitério,
grande choradeira
Coitado do morto,
não é brincadeira

Morrer sem saber ,
morrer sem contar
É como dormir
e não acordar

As últimas rezas
feitas pelo abade
Fecham as hostes
sem maldade

É o ritual
de mais uma morte
Coitado do morto
não teve sorte

Dai-lhe Deus
o descanso eterno
Diz o Padre
lendo o caderno

Terminou o ritual
Acabou o funeral
Foram todos embora?
Não, ficou... o tal

Ninguém se apercebeu
que o morto ficou
Agarrado à tumba
onde se enterrou

Por isso pedimos
que oreis pelos falecidos
Pois por vezes
andam estarrecidos

Nas vossas orações
pedi pelos finados
E tende a certeza
que ficam mais animados

Um dia, o ritual
dará lugar ao conhecimento
E isso evitará
muito sofrimento

Até lá, lê e estuda, 
medita e pratica
Para quando morreres
teres uma morte bonita
  
Poeta alegre

Psicografia recebida por JC na reunião mediúnica no CCE, C. Rainha, Portugal, em 2015-04-14