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Ser cristão

Ser cristão
É tua opção
É ocasião
De exercitar o perdão

Ser cristão
É o caminho
Que te leva
A paz ao coração

Ser cristão
Não é moda
É atitude
Que te põe à prova

Ser cristão
É oportunidade
De ser feliz
Servindo a humanidade

Ser cristão
É a solução
Para o ódio
Para a solidão

Sê cristão, amigo
Aproveita a vida
E ao mal
Não dês guarida

Poeta alegre
Psicografia recebida no Centro de Cultura Espírita, Caldas da Rainha, Portugal

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Quando a calúnia vier...

Infâmia, infâmia
Ouve-se a gritaria
Não te perturbes com isso
Nem percas a alegria

Jesus nosso Mestre
Passou bem pior
Foi preso ao madeiro
Fez do sangue suor

Morreram com horror
Discípulos dedicados
Nas garras dos leões
Que soltaram, esfomeados

Mantém-te sereno
Perante a adversidade
Continua trabalhando
Com muita humildade

Deus, o Criador
Conhece-te em profundidade
Sabe das tuas intenções
Se tens ou não maldade

Aquele que te difama
É também teu irmão
Não o esqueças
Na tua oração

E assim um dia
Feliz estarás
A obra não atrasaste
E não ficaste para trás

Cada um colhe
O que na consciência semear
Não te esqueças pois
De no mundo muito amar.

Poeta alegre
Psicografia recebida nas Caldas da Rainha, Portugal.

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A morte do suicídio (VI) – conclusão


Terminamos hoje, uma série de artigos dedicados ao suicídio, analisado à luz da Doutrina Espírita. As conclusões são mais que surpreendentes, após conhecermos a Doutrina Espírita (ou Espiritismo).

Quem se suicida, pensa que faz o mais acertado, para se livrar de alguma agrura que pensa ser inultrapassável. Tudo seria normal, se após a vida corporal nada mais existisse, como advogam as correntes materialistas. No entanto, com o advento da Doutrina Espírita, em 1857, altura em que foi lançada a magistral obra «O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec, as crenças na imortalidade do Espírito deixaram de fazer sentido, já que essa imortalidade foi demonstrada à saciedade.
Desde comunicações espirituais em línguas desconhecidas (fenómenos de xenoglossia), desde as mensagens cruzadas (um médium recebia uma parte da mensagem e outro médium, por vezes em local distante, desconhecendo-se mutuamente, recebia a outra parte, que juntas faziam um todo), desde as materializações de objectos, os fenómenos de transporte de objectos sem interferência humana directa, desde os fenómenos de ectoplasmia (materialização temporária de espíritos), até todo um rol de fenómenos espíritas, quer de efeitos físicos quer de efeitos inteligentes (leia-se “O Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec), existem múltiplos fenómenos espíritas que atestam a imortalidade do Espírito, fenómenos esses que hoje estão a ser estudados, pesquisados por outros cientistas, não espírita, que chegam às mesmas conclusões, atestando assim a universalidade dos conceitos espíritas.
Se a imortalidade do Espírito está demonstrada, se a reencarnação é hoje um facto aceite pela comunidade científica menos ortodoxa, então estes conhecimentos vêm retirar qualquer validade ao acto de se suicidar, já que seria uma perda de tempo, uma vez que a pessoa não morreria, largando apenas o corpo de carne, continuando no mundo espiritual com os problemas existenciais que levou da Terra, acrescidos agora do remorso do acto tresloucado cometido, do sentimento de culpa, e toda uma gama de sofrimentos inerentes ao suicídio.
Referem as pessoas que se suicidaram, e que se manifestam vez por outra nas reuniões de intercâmbio com o mundo espiritual, nas associações espíritas, que os sofrimentos de um suicida são inenarráveis, não havendo palavras na nossa linguagem para descrevê-los. Indubitavelmente, esses sofrimentos serão sempre proporcionais ao grau de responsabilidade da pessoa que se suicidou, às condições de lucidez que tinha no momento, entre outros factores que nos escapam.

O conhecimento da Doutrina Espírita
tem evitado muitos suicídios na sociedade.

O suicídio, não causa somente sofrimentos indescritíveis no plano espiritual, enquanto espera novo ensejo de reencarnar, mas também se repercute, de um modo geral, na futura reencarnação, afectando o equilíbrio do futuro corpo físico, já que o “molde”, o corpo espiritual, vem desequilibrado pelos tormentos mentais que o suicida experimenta. Paralelamente, o suicida, voltará ao palco da vida carnal, com novo corpo, mas tendo de voltar a passar pelas mesmas expiações e provas por que passou na vida anterior, que o levaram ao suicídio, até que aprenda a superá-las, escorado na confiança em Deus. Numa comparação simplista, poderíamos identificá-lo com o aluno que reprovou de ano, e terá o enfado de voltar à mesma escola, mesma sala, mesmos conteúdos, até que consiga ser aprovado no exame.

A Doutrina Espírita (ou Espiritismo), que não é mais uma seita nem mais uma religião, vem trazer ao homem a explicação do porquê da vida, de quem somos, de onde vimos e para onde vamos, explicando o porquê do sofrimento, da dissemelhança de oportunidades, e do objectivo da nossa reencarnação: evoluir intelectualmente, no contacto uns com os outros, e evoluir moralmente, seja resgatando erros do passado sob a forma de aflições ou trabalhos de entrega ao próximo, seja evoluindo moralmente com as provas que as contingências da vida nos proporcionam.
A Doutrina Espírita, afigura-se assim, como o melhor preservativo contra o suicídio, que conhecemos, daí a necessidade de a devermos divulgar junto de quem não a conhece, para que amanhã não sintamos a consciência culpada de termos colocado a luz sob o alqueire.

Bibliografia:
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec

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Tempo de união


Se no dia que se renova
Encontras a confusão
Esforça-te um pouco mais
Pois é tempo de união

Se no trabalho que te dignifica
Encontras a perturbação
Usa o verbo iluminado
Pois é tempo de união

Se no Lar abençoado
Vives em altercação
Renova a mente na prece
Pois é tempo de união

Se nos grupos que frequentas
Encontras a dissenção
Lembra-te de Jesus
Pois é tempo de união

Se quem te partilha a opinião
Puser em causa tua posição
Reflecte no Evangelho
Pois é tempo de união

Estais na Terra prometida
Para semear o divino pão
Fertilizai-a com o Evangelho
Pois é tempo de união

Paz, harmonia, prosperidade
Não é utopia, ficção
É fruto do trabalho
De quem lutou pela união.



Psicografia recebida em Caldas da Rainha, Portugal, em 11 de Agosto de 2009.

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Fenómeno Espírita em Paris



Decorreu de 2 a 5 de Outubro de 2004, o 4º Congresso Espírita Mundial, na cidade de Paris, em França, onde espíritas de todo o mundo se reuniram para debaterem o impacto da doutrina espírita na sociedade actual. Logo na abertura ocorreu um fenómeno espírita raro e interessante. Ora veja!

Subordinado ao tema central “Allan Kardec – o edificador de uma nova era para a regeneração da humanidade”, o 4º Congresso Espírita Mundial decorreu em França, na cidade de Paris, de 2 a 5 de Outubro passados, na Maison de la Mutualité, Rue Saint Victor, 24 – 75005, num evento organizado pela União Espírita Francesa e Francófona.
Cerca de 1700 congressistas de todo o mundo participaram activamente neste evento, que contava, para além dos trabalhos apresentados, interpelações, convívio, uma vasta parte cultural, com exposições, momento de arte, livraria, mostra sobre Allan Kardec, informações sobre o movimento espírita em diversos países e sessões de autógrafos que estiveram à disposição dos congressistas durante todo o evento.
Entre os muitos convidados estiveram o presidente da Federação Espírita Portuguesa, Coronel Arnaldo Costeira, Divaldo Franco, o Prof. Dr. Raul Teixeira, a médica Marlene Nobre, entre muitos outros.
O tema “Allan Kardec – o educador e o codificador da doutrina espírita”, abriu o congresso de Paris, numa altura em que se comemora o bicentenário do nascimento de Allan Kardec, o sábio francês que pesquisou os fenómenos espíritas e deu corpo à codificação da doutrina espírita.
O Prof. Dr. Raul Teixeira, físico, professor universitário na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, abordou esta temática com a mestria que lhe é característica. 
Durante esta conferência, Divaldo Pereira Franco, um notável orador médium e educador espírita, doutor Honoris Cause por várias universidades mundiais, entrou em transe, em público e, de olhos fechados, recebeu uma mensagem ditada pelo Espírito Léon Denis (um filósofo francês, espírita, que foi quase contemporâneo de Kardec), em francês (língua que Divaldo Franco não domina) e escrita da direita para a esquerda, só podendo ser lida com o auxílio de um espelho, a chamada escrita especular.
Este tipo de fenómenos são raros, tendo-os já Divaldo Franco protagonizado por três vezes, noutras línguas, uma delas em directo para uma TV brasileira, num programa em que participava.
Muitos portugueses estiveram presentes neste evento, entre os quais se encontravam espíritas da zona Oeste, das várias localidades, como Caldas da Rainha, Marinha Grande, Leiria.

Divaldo Franco, médium espírita, recebeu uma mensagem
escrita em francês (língua que desconhece), de olhos fechados,
em público, e escrita da direita para a esquerda

A ADEP – Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal - também se fez representar, na pessoa do seu secretário, Vasco Marques.
Este evento escalpelizou bem toda a obra literária de Allan Kardec, que foi o fulcro deste congresso, onde todos os temas sociais, existenciais, giraram em torno de «O Livro dos Espíritos», «O Evangelho Segundo o Espiritismo», «A Génese», «O Céu e o Inferno», e «O Livro dos Médiuns».
Divaldo Franco encerrou o congresso com uma notável conferência, referindo a grande influência que o espiritismo pode ter na humanidade contribuindo para a sua melhoria ético / moral, tornando assim a humanidade mais feliz e realizada.
Um facto digno de registar foi que todo o congresso foi difundido mundialmente via Internet, através de um simples programa, o “Ptalk”, onde qualquer pessoa poderia acompanhar as conferências e debates em directo, para além de poderem interagir, colocando questões que pudessem eventualmente ser encaminhadas para a mesa do congresso.
Durante uma dessas sessões, encontramos via Internet, Mário Correia, professor, residente no Bombarral, que também estava a assistir ao congresso e maravilhado com esta oportunidade tecnológica.
«Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a lei» é uma frase célebre que alguém colocou no túmulo de Kardec, no cemitério Pére La Chaise, em Paris, e que retrata bem os preceitos filosóficos da doutrina espírita que defende que «Fora da caridade não há salvação», isto é, que somente com a caridade, com a fraternidade, auxílio mútuo desinteressado, poderemos evoluir interiormente, espiritualmente.
Para os interessados, poderão para além da leitura das obras acima referidas, de Allan Kardec, consultar mais informações na página da ADEP em http://www.adeportugal.org/.

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Jorge Gomes



A Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), entre outros projectos de divulgação, abraçou um desafio: um jornal que aborde o Espiritismo. Após quatro números já editados, conversamos um pouco com o seu editor, o jornalista Jorge Gomes, em resposta a muitas questões que nos têm colocado sobre este projecto. 

José Lucas - Como surgiu a ideia de criar o «Jornal de Espiritismo»?
Jorge Gomes - Quando um nicho de mercado está tão vago que incomoda, é natural que mais ano menos ano viesse a surgir um jornal diferente. Havia recursos humanos, dinheiro é que não! Curiosamente, sentíamos essa necessidade em silêncio, mas com frequência muita gente nos falava da urgência de criação de um periódico, jornal ou revista, dentro da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) ou fora dela, que pudesse desenvolver informação específica e tecnicamente actualizada sobre espiritismo. Depois foi assim: água mole em pedra dura...

JL - O que é a ADEP e quem a constitui?
JG - A ADEP é uma associação que quando surgiu desejava juntar técnicos de comunicação, desde jornalistas a escritores, de professores a gente do marketing, etc., com vista a que nos seus tempos livres fossem capazes de ajudar do ponto de vista técnico o movimento espírita português, que não é rico, pelo contrário, e não recorre quase a profissionais para levar ao público os seus meios de comunicação. Teríamos assim uma divulgação tecnicamente muito mais capaz na divulgação das ideias espíritas.
Quem a constitui são uma vintena de sócios e outros tantos colaboradores que nos seus tempos livres, que na maior parte dos casos não são muitos, vão atendendo a projectos de trabalho diversos, desde este jornal ao curso básico de espiritismo via internet, do site a colóquios anuais e a todas as outras actividades desenvolvidas.

JL - Acha que a doutrina espírita é uma ideia bem aceite pelo povo português, ao ponto de justificar a existência do vosso jornal?
JG - Esta doutrina é qualquer coisa de prodigioso na área das audiências. Quando uma TV, uma rádio ou um jornal abrem espaço a informação desta natureza há uma repercussão no público muito superior à maior parte dos temas. A razão disso prende-se às temáticas fortes que envolve como a vida após a morte, as vidas sucessivas, a mediunidade, entre outras, questões estas mediantes as quais há muita curiosidade. Mesmo quem se engana a dizer que os «mortos» não voltam para dizer como foi morrer não deixa de dar uma demorada espreitadela a estas matérias...

JL - Que tipo de assuntos vocês abordam?
JG - De tudo um pouco. Desde a reencarnação à vida após a morte, da mediunidade às questões de actualidade, como as do tráfico de órgãos, sexualidade, de tudo um pouco.

JL - O Espiritismo é mais uma religião nova que está a difundir-se em Portugal e que veio do Brasil?
JG - O espiritismo ou doutrina espírita não é uma religião, é uma filosofia de vida. Baseia-se em factos, na experimentação, há o questionamento subjacente que entra no âmbito da filosofia, necessariamente, e busca uma utilidade prática, altruísta, para essas ilações, e aqui estamos no domínio da busca do bem pessoal e comum. No movimento espírita é possível que se vão encontrando práticas beatas, porque há pessoas que não conseguem de todo perceber os horizontes únicos desta doutrina e transportam consigo suas paixões pessoais, imiscuindo isso nas actividades que desenvolvem. Quanto menos estudam espiritismo mais podem descambar para essa vertente. Não é o nosso objectivo.

JL - Que tipo de articulistas têm no vosso jornal?
JG - Temos médicos, psicólogos, professores, engenheiros, jornalistas, administrativos e outros. A maior parte dos colaboradores não tem formação na área da comunicação, mas tem conhecimentos espíritas. 

JL - Como editor do JDE que tipo de feedback tem recebido por parte dos leitores?
JG - Até agora só temos recebido estímulos, pessoas que achamos até que exageram no apoio generoso e nos comentários que fazem a esta publicação tão jovem ainda. 

JL - Porque é que o JDE não está em todas as bancas? Como o adquirir?
JG - Porque a tiragem ainda não torna interessante essa possibilidade, mas sobretudo porque não há dimensão editorial e financeira que permita ir por aí nesta altura. Contudo, as pessoas podem adquiri-lo fazendo a sua assinatura anual (o jornal é bimestral, sai uma edição de 2 em 2 meses) através da morada da ADEP.

JL - Como é que o espiritismo pode ser útil à sociedade?
JG - Sendo estudado, interiorizado na sua parte ética, para que a sociedade possa ser constituída cada vez mais por pessoas verdadeiramente mais fraternas, de mente mais esclarecida, a fim de que a violência diminua em actos e pensamentos um pouco por todo o lado. Essencialmente isto, tudo o resto vem por acréscimo.

As pessoas que desejem adquirir o Jornal de Espiritismo podem dirigir-se a qualquer associação espírita ou então assiná-lo através da Internet para jornal@adeportugal.org para o Apartado 161, 4711-910 Braga, Portugal, ou ainda pelo telefone 351-93-825 61 34.

José Lucas

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A Morte do Suicídio (V)

 


A grande ilusão do suicído está na pessoa, desconhecendo a realidade espiritual, fugir de um problema, pensando que, com a morte do corpo físico, tudo se acaba.

Com as pesquisas espíritas, desde 1857 até aos dias de hoje, englobando uma componente experimental, uma filosófia e outra moral, não é mais possível, desconhecer a realidade da imortalidade do Espírito, em experiências, nos dias que correm, por parte de cientistas, psiquiatras, psicólogos, entre outros, que vêm confirmar aquilo que a Doutrina Espírita descobriu: a vida continua no plano extrafísico, e colheremos conforme tivermos semeado, ao nível dos pensamentos, dos sentimentos e das atitudes.
A reencarnação, sendo uma crença de cerca de 2/3 da população mundial, vem explicar muitas das causas das dissemelhanças de oportunidades existentes entre os seres humanos, nos mais variados palcos da vida (veja-se “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec).
Outrora uma crença, hoje é uma realidade demonstrada, pesquisada até à exaustão, e que muitos preconizam que será mais uma lei a anexar à biologia, muito em breve.
Se partirmos do pressuposto, (mesmo não assumindo a veracidade das evidências científicas existentes), de que a reencarnação é uam realidade, fácil é deduzir-se que o suicida, à semelhança dos demais, também reencarnará, também voltará ao corpo de carne, com vista à sua evolução moral e intelectual, esquecendo temporariamente vidas passadas, de modo a que tais lembranças não perturbem a sua capacidade e oportunidade de se regenerar moralmente.
Uma pessoa que se suicide, não só destrói o seu corpo físico, como afecta o tecido celular do seu corpo espiritual (perispírito), que será o molde energético do futuro corpo aquando de futura reencarnação. Todos sabemos que, se um molde tiver assimetrias, a peça, seja ela de barro ou não, sairá com as assimetrias do molde. Também acontece com o Espírito. Quando ele reencarna, traz a sua matriz energética (o corpo espiritual), que pode vir equilibrada ou desequilibrada. Se o Espírito se encontrar sob a pressão da culpa, do desânimo, da baixa auto-estima, o seu estado vibratório não será harmónico, potencializando o problema que ele criou com o suicídio. Assim, alguém que se suicidou com veneno, pode vir a desencadear problemas muito graves em torno dos órgãos do aparelho digestivo. Se alguém atentou contra a sua vida com uma arma de fogo, por exemplo, um tiro na cabeça, poderá reencarnar com hidrocefalia, surdez, cegueira, ou outros problemas, de acordo com os centros energéticos que tal acto tenha afectado.

Uma pessoa que se suicide, não só destrói o seu corpo físico,
como afecta o tecido celular do seu corpo espiritual (perispírito),
que será o molde energético do futuro corpo,
 aquando de futura reencarnação
 
Não estamos perante um castigo divino, mas sim, perante uma lei de causalidade, de causa e efeito, onde cada um recolhe, nos escaninhos da alma, tudo o que semeou outrora, de bom e de menos bom. Cada dificuldade, é, pois, uma oportunidade de rectificação, de aprendizagem, de evolução, e o Espírito que reencarna com uma determinada limitação, aprenderá a valorizar aquilo que desperdiçou numa vida passada.
Dizem-nos os bons Espíritos, que os suicidas quando reencarnados, podem voltar a ter tendências a tal acto, tendo de passar por todas as provas das quais fugiram em vida passada, tal como o aluno que, não estudando, perde o ano, tem de repetir as mesmas matérias, até que passe no exame.
Analisando à luz da Doutrina Espírita (ou Espiritismo), o suicídio é uma quimera, e é importante esclarecer que, os efeitos nefastos de tal acto, não se enquadram apenas na frustração de não ter morrido, e nas demais consequências abordadas nos artigos anteriores, como também, se projectam na vida seguinte, podendo ser factor inibitório na articulação do novo corpo carnal, nessa futura reencaranação.
A Doutrina Espírita, vem demonstrar à humanidade que somos seres imortais, que tudo se rege sob a batuta de uma inteligência suprema, que é possível comunicar com aqueles que já demandaram a pátria espiritual, que a reencarnação é uma realidade, e que os mundos são de um modo geral habitados por seres inteligentes, com diversas corporeidades, conforme a atmosfera de cada planeta.

Bibliografia:
- O Livro dos Espíritos, Allan Kardec
- O Céu e o Inferno, Allan Kardec
- O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec



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A Morte do Suicídio (IV)

 

Quando alguém pensa em suicidar-se, almeja fugir de um problema, de uma situação para a qual pensa não haver saída.

Somente uma visão materialista da vida pode dar suporte a tal ideia.
Se o homem soubesse que a vida continua para além da morte do corpo físico, decerto consideraria uma estultícia optar por tal solução, que nada soluciona.
Sendo a Doutrina Espírita (ou Espiritismo) uma ciência de observação, demonstrou factualmente a imortalidade do Espírito. Através de inúmeras pesquisas, mensagens são recebidas de além-túmulo, demonstrando a imortalidade. 
As pessoas que largaram o corpo físico pelo fenómeno da morte, vêm contar como foi a sua transição para o mundo espiritual, sendo atribulada ou pacífica, de acordo com o seu estado de alma.
No livro “O Céu e o Inferno”, de Allan Kardec, podemos encontrar precioso estudo comparado entre os vários estados de espírito das pessoas que adentraram o mundo espiritual, após o desenlace do corpo físico.
O suicídio é o fundo falso da vida.
Pensando largar um pesadelo, o ser humano vê-se fora do corpo de carne, sem compreender bem o que se passou.
O corpo morreu, mas o ser continua vivo.
O tormento que o levou ao suicídio continua no seu íntimo, agora agravado pela desilusão de que afinal não morreu, não esqueceu. Ouve e vê os familiares que choram a sua partida forçada, sem lhes poder acudir. Entra numa perturbação, que os Espíritos dizem ser indescritível, sofrendo cada suicida de acordo com o seu grau de responsabilidade espiritual no acto tresloucado.
O tempo de perturbação espiritual, varia de acordo com o grau de responsabilidade de cada suicida, podendo prolongar-se por dezenas de anos.

O Espiritismo, depois de compreendido,
é o maior preservativo contra o suicídio.
 
Numa próxima reencarnação, o suicida pode vir com o novo corpo físico afectado, nascendo com deformidades, limitações de ordem física, deficiências congénitas, já que a sua matriz espiritual (o corpo espiritual) foi afectada na sua estrutura celular, pelo suicídio, muitas vezes amplificado pelo complexo de culpa que jaz no íntimo do Espírito.
A Doutrina Espírita demonstra-nos que o suicídio é uma grande quimera, projectando o suicida para sofrimentos inenarráveis, que podem inclusive hipotecar a sua futura reencarnação. Não existe castigo divino, apenas uma lei de causa e efeito, onde cada ser colhe o que semeia na vida.
Com a Doutrina Espírita, aprendemos que a vida é uma bela sinfonia, cujo maestro, Deus, tudo provê para o nosso êxito.
Todos nós nascemos na Terra fadados ao êxito, cada um reencarnando no meio que lhe é mais útil, em prol da sua evolução, e tendo em conta os seus débitos espirituais de vidas passadas, daí a dissemelhança entre todos nós.
Com a Doutrina Espírita, aprendemos que cada dificuldade que temos, é uma oportunidade de crescimento espiritual, de aprendizagem, e não um meio de nos destruir.
O Espiritismo, depois de entendido, é o melhor preservativo contra o suicídio, demonstrando ao Homem, que amanhã, o sol da esperança levará para longe as nuvens negras do pessimismo e do imediatismo que nos ameçam hoje.
Saibamos esperar, confiar em Deus, aceitar a vida como ela se densenrola, de forma activa, sem revoltas estéreis, e o concerto da Vida tornar-se-á mais melodioso e agradável.

Bibliografia:
- O Livro dos Espíritos, Allan Kardec
- O Céu e o Inferno, Allan Kardec
- O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec


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A Morte do Suicídio (III)

 

A vida decorre sem objectivos, anda de candeias às avessas com o marido que parece ter uma amante. O filho, em idade escolar, tem graves problemas de saúde. Desconfia que a filha esteja a adentrar no jogo do sexo lucrativo. Os rendimentos são parcos para as necessidades, e não vê saída para a vida.
De repente, vê uma notícia no telejornal, onde alguém se teria suicidado, debaixo de um comboio. As ideias abundam na mente em desalinho, e começam a vicejar qual solução milagrosa.
Afinal que andava aqui a fazer?
Sofrer para quê?
O melhor era acabar com tudo, pensava Marcelina, mulher nos idos dos seus 50 anos, mas com as rugas que lhe curtiram a face, a evidenciarem pelo menos uns 10 anitos a mais.
Ao longo de uma semana, as ideias foram-se avolumando na sua mente em ebulição.
Em cada olhar, parecia estar a fazer uma despedida, do quadro pendurado na parede a relembrar as emoções do casamento rapidamente fruídas, dos votos de fidelidade eterna perdidos algures, por parte do esposo. Melancólica, triste, deprimida, alimentava cada vez mais o fogo da sua decisão, qual locomotiva movida a carvão incandescente.
Não se apercebia que, seres espirituais amigos, tentavam demovê-la dos seus intentos, aproveitando inclusive a oportunidade do sono, para nesse momento em que o Espírito se desprende temporariamente do corpo, lhe alimentarem a esperança numa vida melhor, amanhã, no mundo espiritual, após terminarem os compromissos assumidos na Terra. Mas, de tal modo estava envolta nessa onda mental destrutiva, que não estava receptiva às sugestões do bem, antes sintonizando com seres perversos que, do Além, a intuíam ao suicídio.
Desconhecedora da realidade espiritual que a Filosofia Espírita enseja ao homem, Marcelina estava decidida: a vida não fazia mais sentido.
No dia por ela marcado, o comboio da sua localidade que costumava chegar cerca das 12H00 chegou bem mais tarde ao destino. Na estação ferroviária alguém perguntava o que tinha acontecido se algum descarrilamento, ao que outra pessoa referia: “parece que alguém se atirou à linha…”
Marcelina acreditara que a vida terminava com a morte do corpo de carne, apesar de frequentar semanalmente os rituais da sua religião, que lhe diziam o oposto, mas que pelos vistos, não a convenceram das convicções que publicitavam.

O Espiritismo demonstrou experimentalmente
que a vida continua após a morte do corpo físico
– isso retira qualquer sentido ao suicídio.
 
Só que, a vida não termina com a morte do corpo de carne, conforme demonstrou experimentalmente a Doutrina Espírita (ou Espiritismo), em meados do século XIX, e conforme têm constatado inúmeros cientistas e pesquisadores do nosso quotidiano.
A grande frustração de Marcelina, como de todos aqueles que lhe seguiram os passos no fundo falso da vida, que é o suicídio, é aperceberem-se vivos no mundo espiritual, e constatarem que, afinal, o seu acto não resolveu o seu problema existencial (que continua no seu íntimo), mas ainda o agravou.
A Doutrina Espírita (ou Espiritismo), que não é mais uma seita nem mais uma religião, mas sim um conjunto de ideias assentes em pesquisa científica, na filosofia e na moral de Jesus, aponta no sentido da fé raciocinada, da fé assente na experiência, na observação, na comparação de factos, na discussão de ideias, explicando ao Homem de onde vem, para onde vai, e o que está a realizar na Terra (leia-se a obra de Allan Kardec, começando pela notável obra “O Livro dos Espíritos”).

Se Marcelina tivesse tido conhecimento da Doutrina Espírita, provavelmente não se teria suicidado, o que aumenta em muito, a responsabilidade dos espíritas, na divulgação destas ideias, que são uma mais valia para a sociedade e para o bem-estar biopsicosocial da humanidade.


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A Morte do Suicídio (II)



O objectivo de qualquer suicida é resolver um problema irresolúvel (na sua óptica), muitas vezes embrenhado numa mono ideia, que não o deixa ver outras janelas, senão o fundo falso da vida: o suicídio.

Dentro de uma visão materialista da vida, de facto, o suicídio é aceitável, para quem julga não haver solução para a problemática que está a viver. À falta de melhor opção, a pessoa mata-se, e “acaba tudo”, fugindo do problema aparentemente irresolúvel.
Se assim fosse, até que poderia ser uma saída para a crise existencial.
E se não for assim?
E se a vida continuar para além da morte do corpo de carne?
Vejamos a óptica espiritualista.
Nesta visão holística, o ser humano não é apenas um amontoado de células, mas sim, um ser eterno, que está temporariamente num corpo carnal, neste planeta, numa determinada missão evolutiva, voltando à pátria espiritual assim que se desorganize irremediavelmente o seu corpo físico.
Se a visão espiritualista da vida estiver certa, então o axioma materialista perde consistência, e o suicídio terá sido em vão, continuando o ser humano no mundo espiritual, com os mesmos problemas que tinha na Terra (abordaremos esse assunto no artigo seguinte).
Questionamo-nos: para quê as pessoas se suicidam? 
A resposta parece óbvia: para “resolverem” problemas graves existenciais, como um negócio ruinoso, uma doença irreversível, um desgosto, uma atitude impensada, etc, etc...
A Doutrina Espírita (ou Espiritismo), que não é mais uma seita nem mais uma religião, mas sim um conjunto de ideias assentes em pesquisa científica, com uma componente filosófica e assente na moral de Jesus de Nazaré, veio matar a morte, demonstrando experimentalmente, em meados do século XIX, que afinal, aquilo que as religiões tradicionais defendiam através de uma fé cega – que somos seres imortais, que a vida continua noutra dimensão espiritual – tinha razão de ser.
Entramos no campo da fé raciocinada, da fé assente na pesquisa, na experiência, na discussão, na observação, na comparação de factos, de onde surgem ideias de espiritualidade, ideias salutares, lógicas, explicando ao Homem de onde vem, para onde vai, e o que está a realizar na Terra (leia-se a obra de Allan Kardec, começando pela notável obra “O Livro dos Espíritos”).

Com o estudo do espiritismo, aprendemos que
os problemas graves da vida têm sentido, têm uma causa,
têm um objectivo e são ultrapassáveis.

Aprendemos com a Doutrina Espírita, que estamos na Terra para evoluirmos em duas vertentes – intelectual e espiritual – num processo de expiação de actos do nosso passado mais ou menos longínquo (reencarnações passadas), e num processo de provas, inerentes ao estado actual do planeta Terra, onde o mal ainda se sobrepõe ao bem.
Aprendemos com a Doutrina Espírita, que os problemas que temos na Terra, não são irresolúveis, antes sim, oportunidades de crescimento, de aprendizagem, aprendendo os valores da tolerância, da compreensão, da resignação activa, da ajuda mútua desinteressada.
Independentemente do tipo de problema com que a Vida nos bafeje, tenhamos a consciência de que a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas (a que se convencionou chamar Deus), não permitiria que tivéssemos na nossa vida provas superiores às nossas forças, pois se assim fosse, não seria um Deus infinitamente bom.
Somente com o estudo e entendimento da lei de causa e efeito, da reencarnação, podemos encontrar a justiça divina, nas múltiplas dissemelhanças existentes entre a humanidade, e que provocam revoltas naqueles, que desconhecem as realidades espirituais.
Com o estudo do espiritismo, aprendemos que os problemas graves da vida têm sentido, têm uma causa, tem um objectivo e são ultrapassáveis.

Assim pensando e assim agindo, podemos com alegria assistir à morte do suicídio...

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A morte do suicídio (I)




O dia corria normalmente, e à noite, esperava-nos mais uma actividade espírita na associação onde colaborávamos. Seria mais uma conferência espírita, precedida de atendimento ao público, uma conversa em privado onde as pessoas podem falar com privacidade, sobre os seus assuntos, e onde ouvem a opinião da Doutrina Espírita, bem como recebem orientação acerca do assunto em pauta. Nada que se compare a uma consulta, apenas uma conversa de amigos.
Um homem, na casa dos 45 anos, estava ali pela primeira vez, demonstrando alguma inquietação. Notamos o seu ar nervoso e procuramos acalmá-lo, conversando afectuosamente. Mal se sentou, no atendimento em privado, disparou: “Sabe? Hoje vou suicidar-me. Só vim cá porque um amigo meu fez-me prometer que seria a última coisa que faria, vir ao centro espírita. Olhe que não acredito em nada disto”.
Tamanha espontaneidade fez-nos sentir imensa ternura por aquele ser humano, ali desnudado perante desconhecidos, abrindo a sua alma dorida pelas lutas da vida. Tinha 3 filhos, já se tinha encarregado de os deixar com familiares abastados, estava tudo escrito e previsto, conforme nos confidenciara. 
Questionado acerca da causa de tamanha decisão a resposta foi peremptória: “a vida para mim não faz mais sentido, a minha esposa trocou-me por outro, e fugiu para o estrangeiro. Moro num meio pequeno, já viu a minha vergonha? Não aguento isto…”
Pegando neste caso, semelhante a tantos outros pelo mundo fora, questionamo-nos: porque é que as pessoas se suicidam?
A resposta parece ser redundante: porque têm problemas na vida, e querem terminar com tudo de uma vez só.
Outra questão se coloca no horizonte: porque é que as pessoas pensam assim? Obviamente, porque pensam que após a morte do corpo de carne, tudo termina, dando assim crédito à doutrina materialista, que faz de nós meros seres celulares, em que a consciência é uma mera secreção do cérebro.

E se afinal, a vida continuar além da morte do corpo físico?

Podemos concluir que as pessoas se suicidam, porque têm problemas que julgam irresolúveis, mas também porque julgam que são meros seres celulares.
Outra questão se coloca: e se afinal a vida continuar além da morte do corpo físico?
Com as pesquisas espíritas, desde meados do século XIX, ficou demonstrado que a vida continua após a morte do corpo de carne, que o nosso corpo de carne é mera roupagem que o Espírito possui temporariamente, adentrando a espiritualidade após largá-lo pelo fenómeno natural da morte.
Fomos conversando com o nosso interlocutor, explicando-lhe o ponto de vista da Doutrina Espírita (ou Espiritismo) acerca da sua decisão de se suicidar, e das consequências que colheria após a morte do corpo de carne. Pedimos-lhe que protelasse a decisão de se suicidar por mais uma semana, tempo esse para ler «O Livro dos Espíritos» bem como “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, ambos de Allan Kardec.
Ele anuiu, referindo porém, que leria os livros, mas que não mudaria de ideias. Voltaria na 6ª feira seguinte para nos confirmar que se mataria no dia seguinte.
Na 6ª feira seguinte, ele voltou, conversou connosco, assistiu à conferência espírita e… voltou na 6ª seguinte, e muitas mais vezes, entendendo por outro prisma, o objectivo real da vida, vendo os problemas da vida como oportunidades de crescimento e não como derrotas pessoais.
Sinceramente, não sabemos qual a sua opinião acerca do espiritismo, se se tornou espírita ou não.
Basta-nos a grata satisfação de, vez por outra, vê-lo, com aquele sorriso tímido, entrar no centro espírita, sentar-se, participar na palestra pública semanal, e ir-se embora…

Bibliografia:

Kardec, Allan – “O Livro dos Espíritos”; “O Evangelho Segundo o Espiritismo”;
ADEP – www.adeportugal.org (Curso Básico de Espiritismo).

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Aparições no momento da morte (VI) - conclusão


Terminamos hoje uma série de seis artigos sobre aparições no leito de morte, com exemplo de aparições de defunto produzidas pouco depois de um caso de morte, e percebidas na mesma casa em que jaze o cadáver.

Embora estes factos sejam dos mais raros, não podemos deixar de os referir nesta série de artigos, casos estes retirados do livro «Fenómenos Psíquicos no Momento da Morte» do famoso investigador italiano Ernesto Bozzano. O seguinte caso foi retirado do volume V, pag. 422, dos «Proceedings of the S.P.R.»:
«Agosto , 1886. No sábado, 24 de Outubro de 1868, despedimo-nos dos nosso amigos (os marqueses de Lyns) - com os quais permanecêramos em Malvern Well -, para irmos a Cheltenham, residência de um cunhado do meu marido, Georges Copeland.
Desde algum tempo, já este estava doente, em consequência de um ataque de paralisia, que o havia reduzido à imobilidade, ficando, no entanto, perfeitamente sãs as suas faculdades mentais.
Esta última circunstância fazia que os seus amigos ficassem perto do doente, a fim de adoçar-lhe a desventura, tanto quanto possível. Aproveitando a pouca distância que nos separava, resolvemos, por nossa vez, fazer outro tanto. Fomos, porém, informados de que o doente já tinha outras pessoas em sua casa; decidimos, então, ir para Cheltenham, sem o prevenir, a fim de alugar um apartamento, antes que ele no-lo impedisse de fazer, por um convite. Tomamos vários quartos situados na vizinhança da habitação de Copeland.

Na agonia da morte, muitos familiares e amigos
vêm ajudar-nos a desembaraçarmo-nos
dos laços que nos ligam ao corpo físico

Feito isto, estávamos prontos para nos ausentar do hotel, quando muitos frascos de remédios, dispostos numa mesa, atraíram o nosso olhar. Perguntámos se havia doentes na casa e informaram-nos que certa senhora R...., hóspede no hotel com a sua filha, estava doente desde algum tempo; era coisa de pouca importância e não havia perigo. Depois dessa ocasião não pensámos mais no assunto. Logo após fomos à casa de Copeland, e no correr da tarde, veio a pronunciar-se o nome dos nossos vizinhos de hotel. Copeland disse, então, que conhecia a Sra. R....; explicou que era viúva de um doutor, ex-clínico em Cheltenham, e que uma das suas filhas se casara com um professor de colégio, um certo Sr. V... Lembrei-me então de Ter conhecido a Sra. V... por ocasião de uma recepção em casa do Dr. Barry e Ter nela feito reparo por causa da sua grande beleza, enquanto ela conversava com a dona da casa. Era tudo o que eu sabia a respeito dessas senhoras.
Na manhã de Domingo, à hora do almoço, observei que o meu marido parecia preocupado. Terminado que foi o repasto, perguntou-me ele:
- Ouviste arrastar uma cadeira há pouco? A velha que mora em baixo morreu na própria cadeira, esta noite; arrastaram esse móvel, trouxeram-na para o quarto.
Fiquei muito impressionada; era a primeira vez que me encontrava nas proximidades de um cadáver; desejei, pois, mudar sem demora, de apartamento. Muitos dos nosso amigos, sabendo do facto, tinham-nos gentilmente oferecido hospitalidade; mas o meu marido, opusera-se, lembrando que uma mudança é sempre um aborrecimento, que meus terrores eram tolos, que ele não achava nenhum prazer em deslocar-se num dia de Domingo, que não era generoso partir porque uma pessoa havia morrido e que, enfim, se assim procedessem para connosco, não nos deixaríamos de aborrecer. Em suma, tivemos de ficar.
Passei o dia na companhia do cunhado e das sobrinhas e só voltamos ao hotel à hora de ir para a cama. Depois de haver adormecido, acordei de repente, como de hábito, alta noite, sem causa aparente e vi distintamente, ao pé da cama, um velho fidalgo, de rosto gordo, rosado e sorridente, com um chapéu na mão.
Estava vestido com um casaco azul-celeste, de talhe antigo, guarnecido de botões de metal; tinha um colete claro e calças da mesma cor.

Visões e descrições da presença de falecidos
junto dos moribundos, são evidências que, muitas vezes,
não podem ser explicadas de outro modo

Quanto mais o encarava, melhor lhe discernia os menores detalhes do rosto e das vestes. Não me senti muito impressionada; depois de algum tempo ensaiei fechar os olhos durante um ou dois minutos; quando os reabri, o velho fidalgo tinha desaparecido.
Dormi algum tempo depois. Vindo a manhã, propus-me nada dizer a ninguém, do que me tinha acontecido, até que tivesse visto uma das minhas sobrinhas, à qual queria expor o facto, a fim de saber se, por acaso, não haveria nenhuma semelhança entre o Dr. R... e o fidalgo da minha visão. Apesar de me parecer absurda esta ideia, queria certificar-me. Encontrei minha sobrinha, Maria Copeland (hoje senhora Brandling), de volta da igreja, e logo lhe perguntei:
- O Dr. R... não tinha o aspecto de velho fidalgo, de rosto cheio, rosado e sorridente, etc., etc.?...
Ela estremeceu de espanto.
-Quem to disse? - perguntou. - Nós dizíamos, de facto, que ele se assemelhava mais a um bom feitor de fazenda do que a um doutor. Como é estranho que um homem de aspecto tão vulgar tivesse por filha tão bela criatura!
Tal é a narrativa rigorosamente exacta do que me aconteceu. As minhas duas sobrinhas estão ainda vivas e devem lembrar-se exactamente de tudo isso. Naturalmente, não estou em condições de explicar o facto. O corpo da velha senhora jazia no quarto que ficava imediatamente abaixo do nosso. O que me surpreende, sobretudo, é que eu tivesse ficado tão pouco impressionada e que pudesse dormir alguns instantes depois, sem incomodar ninguém. (Assinado: D. Bacchus).»
O marido da Sra. Bacchus confirma o acontecimento:
«Leamington, 27 de Setembro de 1886 - Li a narração da minha mulher a respeito do que sucedeu em Cheltenham, quando nós aí estivemos em 1868. Ela corresponde exactamente ao que a minha mulher contou de viva voz, na manhã que se seguiu ao facto, de que perfeitamente me recordo. Também me lembro que nessa manhã mesma, ela contou todos os detalhes do acontecimento à sua sobrinha. (Assinado: Henry Bacchus).»
De realçar que a declaração da precipiente não ter nunca conhecido e não ter tido nunca a ideia do aspecto do defunto Dr. R..., admitindo-se assim a realidade objectiva da aparição, afastando a hipótese de um fenómeno de auto-sugestão alucinatória, provocado na Sra. Bacchus, pelo pensamento desagradável de ter perto de si o cadáver da Senhora R...»

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Aparições no momento da morte (V)



 
Momentos antes de morrer, muitas pessoas alegam ver junto de si seres conhecidos, familiares e amigos, também já falecidos. Vamos hoje referir um caso no qual as aparições de pessoas falecidas são percebidas unicamente pelos familiares do moribundo.

Encontrámos um caso bem interessante, no livro «Fenómenos Psíquicos no Momento da Morte», de Ernesto Bozzano, editora FEB, 3ª ed., 1982, Brasil, caso este retirado do «Journal of the Society for Psychical Research» (1908, pp. 308-311):
«O Dr. Burges envia ao Dr. Hodgson o episódio seguinte, que se passou em presença do Dr. Renz, especialista em moléstias nervosas. M. G., protagonista do episódio, escreve:
“... Antes de descrever os acontecimentos e no interesse daqueles que lerem estas páginas, tenho a declarar que não faço uso de bebidas alcoólicas, nem de cocaína, nem de morfina; que sou e fui sempre moderado em tudo, que não possuo um temperamento nervoso; que minha mentalidade nada tem de imaginativa e que sempre fui considerado como homem ponderado, calmo e resoluto. Acrescento que, não somente nunca acreditei no que se chama – Espiritismo – com os fenómenos relativos de materializações mediúnicas e do corpo astral visível, como fui sempre hostil a essas teorias.

Um caso espantoso em que assitiu ao
trabalho espiritual na morte da esposa
 
A minha mulher morreu às 11h45, da noite de Sexta-feira, 23 de Maio de 1902; e só às 4 horas da tarde desse mesmo dia foi que me persuadi que estava perdida toda a esperança. Reunidos em torno do leito, na expectativa da hora fatal, estávamos muitos amigos, o médico e duas enfermeiras... Assim se passaram duas horas, sem que se observasse nenhuma alteração...às 6h45 (estou certo da hora porque havia um relógio colocado diante de mim, sobre um móvel) aconteceu-me voltar o olhar para a porta de entrada e percebi sobre o sólio, suspenso no ar, três pequenas nuvens muito distintas, dispostas horizontalmente, parecendo cada uma do comprimento de cerca de 4 pés, com 6 a 8 polegadas de volume... O meu primeiro pensamento foi que os amigos (e peço-lhes perdão por esse injustificado juízo) se tinham posto a fumar, além da porta, de maneira que o fumo dos seus charutos penetrasse no quarto. Levantei-me de um salto para ir reprová-los e notei que nas proximidades da porta, no corredor e no quarto, não havia ninguém. Espantado, voltei-me para olhar as nuvenzinhas que, lentamente, mas positivamente, se aproximavam da cama, até que a envolveram por completo.
Olhando através dessa nebulosa, percebi que ao lado da moribunda se conservava uma figura de mulher, de mais de 3 pés de altura, transparente, mas ao mesmo tempo resplandecente de uma luz de reflexos dourados; o seu aspecto era tão glorioso, que não há palavras capazes de descrevê-lo. Ela vestia um costume grego de mangas grandes, largas, abertas; tinha uma coroa à cabeça. Essa forma mantinha-se imóvel como uma estátua no esplendor de sua beleza; estendia as mãos sobre a cabeça da minha mulher, na atitude de quem recebe um hóspede alegremente, mas com serenidade.
Duas formas vestidas de branco, detinham-se de joelhos, ao lado da cama, velando ternamente a minha mulher, enquanto que outras formas, mais ou menos distintas, flutuavam em torno. Acima da minha mulher estava suspensa, em posição horizontal, uma forma branca e nua, ligada ao corpo da moribunda por um cordão que se lhe prendia acima do olho esquerdo, como se fosse o “corpo astral”. Em certos momentos, a forma suspensa ficava completamente imóvel; depois, contraía-se e diminuía até reduzir-se a proporções minúsculas, não superiores a 18 polegadas de comprimento, mas conservando sempre a sua forma exacta de mulher; a cabeça era perfeita, perfeitos o corpo, os braços, as pernas.
Quando o corpo astral se contraía e diminuía, entrava em luta violenta, com agitação e movimento dos membros, com o fim evidente de se desprender e libertar do corpo físico. E a luta persistia até que ele parecia cansar; sobrevinha, então, um período de calma; depois o corpo astral começava a aumentar, mas para diminuir de novo e recomeçar a luta.

Os familiares e amigos falecidos, vêm,
no momento do desenlace, ajudar-nos
a entrar no outro mundo.
 
Durante as cinco últimas horas de vida da minha mulher, assisti, sem interrupção, a essa visão pasmosa...Não havia maneira de fazê-la apagar dos meus olhos; se me distraía conversando com os amigos, se fechava as pálpebras, se me achava de outro lado, quando voltava a olhar o leito mortuário, revia inteiramente a mesma visão. No correr das cinco horas experimentei estranha sensação de opressão na cabeça e nos membros; sentia as minhas pálpebras pesadas como quando se está tomado pelo sono, e as sensações experimentadas, unidas ao facto da persistência da visão, faziam-me temer pelo meu equilíbrio mental, e então dizia ao médico muitas vezes: - «Doutor, eu enlouqueço». Enfim, chegou a hora fatal; depois de um último espasmo, a agonizante deixou de respirar e vi, ao mesmo tempo, a forma astral redobrar de esforços para libertar-se. Aparentemente, a minha mulher parecia morta, mas começava a respirar alguns minutos depois, e assim aconteceu por duas ou três vezes. Depois, tudo acabou. Com o último suspiro e o último espasmo, o cordão que a ligava ao corpo astral quebrou-se e eu vi esse corpo apagar-se. As outras formas espirituais, também, assim como a nebulosidade de que fora invadido o quarto, desapareceram subitamente; e, o que é estranho, a própria opressão que eu sentia sumiu-se como por encanto e permaneci de novo como fui sempre, calmo, ponderado, resoluto; dessa forma fiquei em condições de distribuir ordens e dirigir os tristes preparativos exigidos pelas circunstâncias...”
Afirma o Dr. Renz: “Desde que a doente se extinguiu, M. G., que durante cinco horas havia ficado à sua cabeceira, sem dali sair, levantou-se e deu ordens que as circunstâncias requeriam, com expressão tão calma, de homem de negócios, que os assistentes ficaram surpresos. Se ele tivesse sido submetido, durante cinco horas, a um acesso de alucinação, o espírito não se lhe teria tornado claro e normal de um momento para o outro. Dezassete dias já se passaram depois da visão e da morte da sua mulher; M. G. continua a mostrar-se perfeitamente são e normal de corpo e de espírito. (Assinado: Dr. C. Renz)”.»
No próximo número terminaremos esta série de seis artigos sobre fenómenos psíquicos no momento da morte.



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Aparições no momento da morte (IV)

 

Momentos antes de morrer, muitas pessoas alegam ver junto de si seres conhecidos, familiares e amigos, também já falecidos. Vamos hoje abordar casos de aparições no leito da morte, coincidindo com prenúncios ou confirmações análogas, obtidas através da mediunidade.
 
Vamos hoje abordar mais um caso extraído do livro «Fenómenos Psíquicos no Momento da Morte» , Editora FEB, 3ª ed., 1982, Brasil, caso este retirado por sua vez dos «Annali dello Spiritismo in Italia» de 1875, páginas 120 e 149:
«O Dr. Vincent Gubernári, natural de Maremmes, na Toscana, instalou-se definitivamente em Arcétri, perto de Florença, e, se bem que não fosse médico oficial, exercia aí igualmente a sua profissão. Gubernári, favorecido dos bens da fortuna, esposara Isabel Segardi. Também ela era rica e tinha trazido ao marido um grande dote. Os esposos combinaram fazer uma doação recíproca dos bens e a Sra. Gubernári fizera o seu testamento nesse sentido e supusera que o marido tinha feito outro tanto em seu benefício.
Posto que o Sr. Gubernári, materialista como era, zombasse do Espiritismo e dos Espíritos, não pôde deixar de impressionar-se, vendo muitos dos seus amigos, que ele sabia bem instruídos, isentos de preconceitos, e outrora mais antiespíritas que ele, tornarem-se repentinamente crentes com as manifestações espíritas.

...E o espírito de sua tia manifestou-se, predizendo a sua morte
e incentivando-o a melhorar a sua vida moral...

Um belo dia, pois, o doutor, ou porque se quisesse convencer pessoalmente, ou porque se quisesse divertir à custa dos amigos, manifestou-lhes o desejo de tentar uma experiência na própria casa e convidou-os a nela tomar parte. Logo que os experimentadores formaram a cadeia em torno da mesa, um Espírito agitou-a com força surpreendente...e o doutor ficou extremamente admirado quando, perguntando-se o nome do Espírito presente, este lhe respondeu:
- Tua tia Rosa.
O doutor ficara órfão, com pouca idade, e fora educado com ternura por essa tia, que lhe tinha servido de mãe. Quando voltou a si da surpresa exclamou:
- Pois bem, se és verdadeiramente minha tia Rosa, ajuda-me a ganhar muito dinheiro!
- Estou aqui para bem outra coisa – respondeu o Espírito. 
- Aqui estou para aconselhar-te a mudar de vida e pensar na tua mulher.
- Já pensei na minha mulher – respondeu, sem vergonha, o doutor – tanto que ambos fizemos os nossos testamentos, com benefícios recíprocos.
- Mentira! – respondeu o Espírito, sacudindo fortemente a mesa, para demonstrar o seu descontentamento – Ela deixou-te tudo, sim, mas tu não lhe deixaste nada!
A Sra. Gubernári tomou parte, então, no diálogo e querendo persuadir o Espírito de que o seu marido tinha feito testamento em seu favor, disse, corajosamente, que ele podia prová-lo, mostrando o mesmo testamento aos amigos presentes. 
O doutor, em consequência dessa intervenção inesperada da sua mulher, viu-se comprometido e sem saber como sair do aperto. Sabia o que lhe dizia a consciência e era-lhe impossível mostrar os documentos, declarando que o Espírito não tinha dito a verdade. Muito perturbado com o incidente, declarou, então, que não faria ver a ninguém o testamento. E o Espírito, agitando a mesa com força ainda maior, respondeu:
- Tu és um impostor! Sim, eu repito-te: esqueceste a tua mulher, e no teu testamento só te lembraste da tua criada, porque... Muda, sim, o teu modo de vida e o teu testamento, e apressa-te, porque não tens tempo a perder, dentro de alguns dias estarás connosco no mundo dos Espíritos.
Essa revelação foi como que um raio sobre a cabeça do doutor. Ele ficou aterrado e, depois, com raiva, gritou:

O falecido Dr. Panattôni, foi visto pelo moribundo,
sem que este soubesse que o espírito, se tinha manifestado anteriormente, predizendo a sua morte.
 
- Como? Tenho que morrer antes da minha mulher, eu que sou mais novo que ela? Não, isso não acontecerá nunca; quero viver ainda e viverei. Assim dizendo, levantou-se irritado tendo terminado a sessão.
No dia seguinte, um amigo, o Coronel Maurício, para o acalmar, disse que fariam outra sessão na casa da Condessa Passeríni, como contraprova, mas sem a presença dele. Nessa reunião foi confirmada a veracidade da comunicação da tia Rosa, assegurando que o médico morreria antes do final do corrente ano. Os amigos disseram-lhe que “os espíritos confirmaram que tinha sido uma mistificação e que não acreditasse”, caso contrário ele ficaria perturbadíssimo. O médico riu-se, feliz, e seguiu a sua vida normalmente. Na noite de 12 de Novembro o referido médico foi assaltado de febre muito forte, acompanhado de muitas dores, e como sofria horrivelmente, os amigos fizeram nova sessão na casa da Condessa. Aí, manifestou-se um espírito, dizendo-se médico, informando ser o Dr. Panattôni, (parente do deputado do mesmo nome, tinha sido um bom médico e havia exercido a sua profissão em Florença) e que o doente faleceria em breve.
Em 30 de Dezembro de 1874 falecia o Dr. Gubernári dizendo ver perto de si o Espírito do Dr. Panattôni, que não o abandonava um só momento, e à sua cabeceira os espíritos de sua mãe e sua tia Rosa, que o consolavam com a sua presença, e o encorajavam a deixar a vida terrestre ( o Dr. Gubernári, nada sabia da manifestação do Dr. Panattôni na sessão em casa da Condessa).»

No próximo artigo abordaremos outros casos diferentes de aparições no momento da morte.



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Aparições no momento da morte (III)



Momentos antes de morrer, muitas pessoas alegam ver junto de si seres conhecidos, familiares e amigos, também já falecidos. Vamos hoje abordar casos nos quais outras pessoas, colectivamente com o moribundo, vêm o mesmo fantasma do defunto.

São comuns os casos em que moribundos relatam a presença de pessoas falecidas junto ao seu leito e que essas presenças são também apercebidas por familiares e / ou acompanhantes desse mesmo moribundo, mesmo que em outra divisão da casa.
Este grupo de casos, percepção colectiva do mesmo fantasma, tem um grande interesse, embora possamos igualmente no plano teórico encontrar outras hipóteses de explicação.
«Com efeito, a coincidência da aparição vista por terceiras pessoas, colectivamente com o moribundo, nos casos de visualidade simultânea, pode atribuir-se a ter este último servido de agente transmissor de uma forma alucinatória elaborada no seu cérebro. Se, ao contrário, o fantasma é percebido pelos assistentes e pelo moribundo, em momentos e em lugares diferentes, o caso, então, atinge grande significação teórica no sentido da sua interpretação espírita». (1)

As evidências das aparições de pessoas falecidas
junto de moribundos, dizendo que os vêm buscar e auxiliar
no momento do desenlace físico, são indicativos de que
a vida continua para além da morte do corpo físico

De realçar os casos em que as pessoas que assistem ao moribundo percebem a aparição no momento em que o doente se encontra em estado de coma, o qual exclui toda e qualquer elaboração do seu pensamento, bem como quando o moribundo é uma criança de tenra idade, circunstância que, na maior parte dos casos, exclui a possibilidade de elaboração mental do doente.
Vejamos um caso bem interessante. Joy Suell, enfermeira diplomada, , Inglaterra, depois de exercer a sua profissão durante vinte anos, escreveu um livro sobre Metapsíquica, “The Ministry of Angels”, em que conta as suas próprias experiências como sensitiva clarividente, à cabeceira de inumeráveis doentes a que assistira. O livro é interessante, atraente e instrutivo, e relata casos em que o moribundo percebe, ao lado do leito, personalidades de defuntos que reconhece, mas que são invisíveis para os outros. No seu caso, graças à mediunidade de vidência, ela podia confirmar a presenças de seres espirituais relatados pelo moribundo. Vejamos um caso:
«A primeira vez que tive esta prova ocular foi com M.lle. L..., graciosa jovem de 17 anos, que era minha amiga e morria de tísica, sem sofrimentos; mas o extremo langor do corpo tornava-a moralmente fatigada e desejosa de repouso eterno.
Chegada a hora suprema, percebi-lhe ao lado duas formas espirituais, uma à direita, outra à esquerda do leito. Não me havia apercebido da sua entrada; quando se me tornaram visíveis, estavam já dispostas ao lado da moribunda; eu via-as, porém, tão distintamente como pessoas vivas.
Designei essas radiosas entidades com o nome de anjos... Reconheci logo, nessas formas angélicas, duas meninas que tinham sido, quando vivas, as melhores amigas da doente, possuindo as três a mesma idade.
Um instante antes dessa aparição, a agonizante dissera:
- Fez-se, de repente, a obscuridade; não vejo mais nada. Apesar disso viu e reconheceu, logo depois, uma das suas amigas. Sorriso de suprema felicidade iluminou-lhe o rosto, e, estendendo os braços, perguntou ela, cheia de felicidade:
- Vieram buscar-me? Sinto-me feliz com isso, porque estou fatigada.
E enquanto a agonizante estendia as mãos aos anjos, estes faziam outro tanto, apertando-lhe um a mão direita e outro a esquerda. Seus rostos tinham um sorriso ainda mais doce do que aquele que brilhava no rosto da moribunda, alegre esta, por cedo encontrar o repouso que tanto almejava.
Não falou mais, mas continuou, durante cerca de um minuto, com os braços levantados ao céu, e as mãos unidas às das suas defuntas amigas, não cessando de contemplá-las, com expressão de ventura infinita.

Casos de aparições junto de moribundos em estado de coma
ou em crianças de tenra idade, são indicativos da não interferência
do psiquismo do doente nestes fenómenos

Em dado momento, as amigas abandonaram-lhe as mãos, que caíram pesadamente sobre o leito. A expirante emitiu um suspiro, como se se dispusesse tranquilamente a dormir, e, depois de alguns instantes, o seu espírito deixava o corpo para sempre. Sobre o rosto, porem, ficou-lhe gravado o doce sorriso que o tinha iluminado, quando percebeu ao lado as duas amigas mortas». (1)
Este e outros casos bem interessantes, que por falta de espaço não publicamos, bem como a análise dos mesmos, poderão ser encontrados no livro «Fenómenos Psíquicos no Momento da Morte», do conceituado autor italiano Ernesto Bozzano, que recomendamos vivamente.

(1) “Fenómenos Psíquicos no Momento da Morte”, Ernesto Bozzano, FEB, 3ª edição, 1982