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Resistir ao suicídio...


João estava desesperado. Fora despedido. A empresa falira, engolida no egoísmo de quem a geria. A esposa, empregada fabril, tinha sido despedida há 2 meses. João pensava nos 2 filhos que tinha para criar, de 15 e 17 anos. Almejava dar-lhes um curso superior, que agora ia pelo cano abaixo. Faltavam 10 anos para acabar de pagar o empréstimo da casa, e agora não tinha como. O futuro tinha fugido, de repente. Não tinha saída.
A solução estava ali à mão de semear.
Vivia perto da linha de comboio, perto de uma curva, seria uma morte rápida e sem grande dor, pensava no seu íntimo.
Nessa noite, deitou-se pela última vez ao lado da esposa, carcomida pelas dificuldades da vida, tal como ele. Olhou para ela, dormindo, cansada, e uma lágrima de tristeza misturada com ternura rolou pela face.
Não podia fraquejar!
Levaria o seu plano por diante, após a rotina diária de desempregado, após o café diário, no café do Sr. Joaquim. Assim não daria nas vistas.
Ajeitou-se nas mantas, e sem saber como nem porquê, lembrou-se da sua falecida mãe, que lhe falava do seu anjo da guarda ou guia espiritual. Nunca fora dado a essas coisas da espiritualidade. Ela morrera, e era apenas uma leve recordação.
Adormeceu.
Teve um sonho muito nítido, onde se via lado a lado com um ser luminoso, que o levava a visitar um local sinistro, sombrio, onde a dor não tem palavras para ser relatada. Olhou para uma tabuleta que encimava a entrada: “Vale dos suicidas”. O seu companheiro de viagem durante o sono (o seu guia espiritual), mostrava-lhe ali o estado de inúmeras pessoas, que pensando tudo acabar com a morte do corpo de carne, ali sofriam os horrores da desilusão, até que um dia, por mérito próprio, sejam resgatadas pelos espíritos benfeitores, levando-as para um local mais calmo, em preparação para nova reencarnação.
Gritos, tiros, apitos de comboios, gemidos de dores, de tudo um pouco ouvia, e aquilo perturbou-o imenso. Pediu para voltar. De repente, acordou alagado em suor.
5 da manhã! A esposa dormia tranquila…
Que raio de sonho!”, pensou… Deviam ser preocupações devido ao que planeava.
Mas, aquilo tinha sido tão nítido, que não conseguiu dormir mais, e continuou até de manhã, a matutar naquele sonho, que para ele, parecia realidade. Se fosse daqueles que acreditavam nas coisas da espiritualidade, iria jurar que tinha sido real. Mas não, a vida para além da morte não existe, cogitava ele, enquanto se procurava acalmar.
No dia seguinte, levantou-se fez a rotina diária, e enquanto tomava o café no Café do seu bairro e lia as notícias do dia, antes do fatídico momento que tinha preparado, apareceu-lhe o Victor, amigo de sempre. “Pobre coitado, o filho fora assassinado no bairro, faz quase um mês, sem ter culpa nenhuma, e o homem, mesmo assim aguentou-se”, pensava com os seus botões.
Depois dos cumprimentos da praxe, Victor mandou vir um café, pousando um livro sobre a mesa.
“Que andas a ler, perguntou o João?”
Ah, é um livro que me tem ajudado muito”, disse o Victor. “Imagina que o André, o nosso vizinho é espírita, faz parte daquelas reuniões todas as 4ªs feiras, naquele grupo espírita ali à beira da mercearia do António. Nunca acreditei nessas coisas. Ele convidou-me a lá ir, e destroçado com a morte do meu filho, lá fui”.

O espiritismo, provando a vida para além da morte,
demonstra que o suicídio não faz sentido,
sendo uma fonte de sofrimentos inenarráveis

Oh homem, vim de lá novo. Este livro, “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, abriu-me os horizontes da vida, tenho ido às reuniões, e venho sempre de lá melhor. Até tenho esperança de um dia receber uma mensagem do meu filho”.
João estava atónito, pois desconhecia a fé daquele homem, a quem tinham morto o seu único filho e esperança para o fim da sua vida.
“Queres ir lá um dia comigo, perguntou o Victor?
Bem sei que não acreditas em Deus, mas vais ver que é diferente”.
João irrompeu num pranto, soluçou, para espanto do seu colega de mesa e dos restantes que estavam nas mesas ao lado. Depois de se acalmar, João lá lhe contou do seu projecto para dali a minutos quando o comboio passasse, contou-lhe o sonho vívido que tivera, a lembrança repentina da sua mãe antes de adormecer, e agora aquele encontro inopinado, e ainda as mais inopinadas revelações da frequência do seu amigo às reuniões espíritas.
Seria um sinal para que não se matasse? ... cogitava agora em voz alta!
Victor pegou-lhe pela mão. Foram ao centro espírita.
João pôde ali lavar a alma, com um dos dirigentes presentes, que lhe falou das inúmeras provas da imortalidade do espírito, da comunicabilidade dos espíritos, da reencarnação, e da esperança num dia melhor.
O comboio acabou por passar, apitando na dita curva, enquanto eles iam falando da espiritualidade e da imortalidade.
Ali, naquele momento, João apanhou o comboio da vida de novo, e ainda hoje pensa que se não fosse o espiritismo, talvez estivesse naquele lugar do seu sonho, a carpir as mágoas, próprias de quem tenta em vão fugir da Vida e das leis sábias de Deus.
A esperança estava de novo ali, pois havia a perspectiva de ir trabalhar como jardineiro para a casa de um dos frequentadores do grupo espírita onde fora socorrido.
Pensava com os seus botões: nos momentos difíceis é fundamental… resistir ao suicídio…

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Espíritas contra o suicídio...


A doutrina espírita (ou espiritismo) é um dos maiores preservativos contra o suicídio. A sua compreensão e estudo têm contribuído para evitar muitas mortes. As aprovas da imortalidade do Espírito, tiram, de vez, o tapete a quem pretende fugir dos problemas por esta via. Há sempre uma solução!

Já nas VIII Jornadas de Cultura Espírita que decorreram em Óbidos, a 21 e 22 de Abril de 2012, os espíritas abordaram temas centrais e transversais à sociedade, no sentido de demonstrarem a ineficácia do suicídio. Por essa altura, podia-se ver uma exposição estática, nas escadas de acesso ao auditório municipal “A Casa da Música”, subordinada ao tema “Vale a pena viver” e “Suicídio? Não, obrigado!”, onde, num misto de informação séria e humor, se procurava trazer novas luzes de entendimento a quem quer que observasse com atenção essa exposição.
Alice Alves, professora do ensino secundário, espírita, foi a autora da referida exposição, tão singela quanto profunda, e que se encontra patente no átrio do Centro de Cultura Espírita, nas Caldas da Rainha (Bairro das Morenas), durante este ano, e ao dispor de quem a quiser visitar, gratuitamente.
Questionado um dos dirigentes desta associação espírita caldense, referiu que “quando as pessoas conhecem a doutrina espírita e a entendem, o suicídio deixa de fazer sentido”, referindo ainda que se recorda de vários casos de pessoas que solicitaram auxílio no Centro de Cultura Espírita, em desespero, com ideias suicidas, e que posteriormente mudaram a sua maneira de pensar, vivendo muito melhor.
O Espiritismo não pretende fazer adeptos, pois que não é mais uma religião nem mais uma seita, mas tem por objectivo explicar às pessoas que a imortalidade do Espírito é uma realidade, a reencarnação, bem como a comunicabilidade dos Espíritos.
Desde meados do século XIX que, Allan Kardec lançou “O Livro dos Espíritos”, em 18 de Abril de 1857, sendo assim o marco do aparecimento do Espiritismo na Terra.
Desde então, muitos cientistas e pesquisadores, espíritas e não espíritas, têm suportado as teses espíritas, demonstrando a sua veracidade.
Estando comprovada a imortalidade e a reencarnação do Espírito, o suicídio afigura-se como o fundo falso da vida, onde o ser mergulha numa escuridão interior, anos a fio, até que um dia desperte para a espiritualidade.

Quando as pessoas conhecem a doutrina espírita
e a entendem, o suicídio deixa de fazer sentido

Referem as pessoas que se suicidaram, através dos médiuns espíritas pelos quais se comunicam, que não existem palavras para descrever os sofrimentos (inenarráveis, portanto) por que passa um suicida no mundo espiritual, não por castigo divino, mas por frustração, sentimento de auto culpabilização, colhendo o que semeou, podendo esse desequilíbrio mental demorar-se muito tempo, ao ponto de poder reencarnar com inúmeras deficiências ou limitações, de acordo com o grau de responsabilidade de cada um.
A doutrina espírita, ciência, filosofia e moral, diz-nos que Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, que somos imortais, que em determinadas circunstâncias pode-se comunicar com o mundo espiritual, fala-nos da realidade da reencarnação e da lei de causa e efeito, bem como da pluralidade dos mundos habitados (este último, o único que falta comprovar pela ciência “oficial”).
Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a lei”, é uma frase que encerra bem a ideia espírita, que é o maior preservativo contra o suicídio que conhecemos, pois que ao invés de impor, explica, esclarece e consequentemente consola. 
Os bons espíritos apontam sempre no sentido do bem, ensinando que vale a pena viver, por mais difícil que o transe existencial se afigure, na certeza de que nenhum de nós se encontra sozinho no palco da vida, pois que os mensageiros divinos (os guias espirituais) nos acompanham nos nossos êxitos e dificuldades, mesmo que na retaguarda das nossas percepções.
Tal como o sol rompe a treva nocturna na devida altura, também nós, se soubermos porfiar no bem, na prece sincera, no esforço de cada dia e na confiança em Deus, conseguiremos superar todas as aparentes insuperáveis dificuldades na vida.

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Suicídio, a grande ilusão...


Os tempos são de dificuldade a todos os níveis, numa sociedade materialista, onde o orgulho e o egoísmo ainda imperam. Na sua busca desenfreada pelo materialismo, o homem perde o Norte, perante a abrupta crise gerada a nível mundial. Na iminência de falência financeira, muitas vezes busca o suicídio: em vão, pois está provado que a vida continua além da morte do corpo de carne.

Quando Allan Kardec (respeitado sábio francês do século XIX) pesquisou e compilou os fenómenos espíritas, apresentou as suas pesquisas sob a forma de cinco livros (O Livro dos Espíritos, O Evangelho Segundo o Espiritismo, A Génese, O Céu e o Inferno e O Livro dos Médiuns).
Até então, acreditava-se ou não na imortalidade do Espírito conforme a religião que se professasse.
A partir das pesquisas espíritas, Allan Kardec demonstrou experimentalmente a imortalidade do Espírito, com tantas provas, que seria aqui impossível enumera-las, quanto mais abranger toda a sua pesquisa.
A partir do lançamento de “O Livro dos Espíritos”, em 1857, em Paris, França, deixou de ser necessário acreditar na vida além da morte, pois já havia toda uma metodologia científica que provava essa realidade.
Qualquer pesquisador, nacional ou estrangeiro, espírita ou não, crente ou não, que experimente, usando a metodologia espírita que está inserida em “O Livro dos Médiuns”, chega inevitavelmente aos mesmos resultados, demonstrando assim a universalidade dos ensinos dos Espíritos, bem como a realidade da imortalidade do ser.
Perante tais descobertas, os espíritas, a nível mundial, têm-se desdobrado em campanhas pela vida, seja na luta contra o aborto, eutanásia, entre outras, seja contra o suicídio.
O Espiritismo, demonstrando a imortalidade do Espírito, mostra-nos que o ser humano que se suicida, apenas se liberta violentamente do corpo de carne, como quem tira a roupa ao deitar, para ir dormir, sem se despersonalizar.
A grande desilusão do suicida é, ao ver-se fora do corpo de carne, ao sentir-se vivo, verifica que afinal o seu acto não o conduziu à morte desejada, mas apenas a uma mudança de plano existencial. Mantém no seu íntimo o problema que o levou ao acto tresloucado de terminar com a vida do corpo físico, acrescido da frustração de não ter morrido, para além de ouvir todos os comentários tecidos a seu respeito, bem como os apelos desesperados dos seus familiares que sentem a sua falta.

O Espiritismo prova que a vida continua.
A partir daí o suicídio não faz sentido.

Dizem os espíritos, não só no livro “O Céu e o Inferno”, mas também nas comunicações espíritas diariamente nos centros espíritas, que na Terra não há palavras para descrever os sofrimentos atrozes que padecem os suicidas (leia-se o livro “Memórias de um Suicida”, de Camilo Castelo Branco (espírito) através da médium Yvone Amaral Pereira), bem como que muitas vezes reencarnam na vida seguinte, com mazelas corporais derivadas da destruição celular no corpo espiritual, ocorrida durante o acto do suicídio, corpo espiritual esse que servirá de molde energético para a futura reencarnação.
Com a doutrina espírita (ou Espiritismo) aprendemos que vale a pena viver, passemos pelas dificuldades que passarmos, na certeza de que Deus na Sua bondade infinita, não permitiria que passássemos pro provas ou expiações superiores às nossas capacidades psíquicas.
Os bons espíritos sempre nos estimulam à paciência, a confiar na providência divina que nunca nos falha, à oração diária e sentida, às leituras edificantes, à meditação, ao recurso ao centro espírita onde a pessoa tem auxílio espiritual, sem descurar, obviamente, eventual apoio médico especializado, se for caso disso.
Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a lei” é uma frase de autor desconhecido, que foi colocada no dólmen de Allan Kardec, no cemitério “Pére La Chaise”, em Paris, e que demonstra bem que, aconteça o que acontecer na nossa vida, podemos e devemos lutar por sair da dificuldade, mas que o suicídio é a única opção que não faz sentido, já que hoje está provado à saciedade, que a vida continua após a morte do corpo físico.

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Vale a pena viver...


Vivemos tempos difíceis, ouve-se um pouco por todo o lado.
Vivemos uma crise financeira mundial, onde as economias vacilam ao sabor do egoísmo humano que tudo quer para si sem cogitar do bem-estar alheio.
Falta trabalho, falta pão, falta paz, falta solidariedade, falta bom senso, falta amizade, falta solidariedade, falta, falta...
O espectro social parece negro, irremediável, situação esta derivada também da capacidade manipuladora dos órgãos de comunicação social que apenas destacam o mal, o erro, o crime, raramente dando espaço aos aspectos mais positivos, que por não serem escandalosos deixam de ser notícia, nos seus conceitos primitivos de "notícia", neste mundo ainda essencialmente materialista.
Os mais distraídos deixam-se levar na onda do pessimismo, sintonizam com essas ondas mentais destrutivas, inquietantes, paralisantes, que conduzem à revolta, ao ódio, à inquietação, à morte, muitas vezes ao suicídio .
O homem, perdida a noção de Deus, nesta sociedade materialista que nos consome, onde valorizamos mais o ter do que o ser pessoa, estertora, agonizando lentamente os mais nobres ideais, deixando-se corromper, partindo para excessos de toda a ordem, e acabando finalmente por se sentir insatisfeito, não realizado, frustrado, enrolando-se em última instância nos liames do suicídio.
No passado mês de Julho de 2011, encontrei pessoa conhecida que não via há anos. Pessoa culta, conhecedora de múltiplos afazeres, já foi muito rica num país estrangeiro, tendo regressado a Portugal e tendo aos poucos perdido toda a sua riqueza, ao ponto de agora sobreviver com 300 € pagando 200 € por um quarto. Todos os dias vai comer à Misericórdia local.
Sensibilizei-me com a sua situação, procurando vê-la como normal, mas o que mais me desconcertou foi a serenidade dessa pessoa, que com um olhar lúcido e penetrante me dizia: «Sabes, já tentei o suicídio uma vez. Felizmente não o consegui. Somente agora conhecendo a Doutrina Espírita vejo o enorme disparate que ia cometer, pois agora sei que a vida continua. Sabes, apesar de viver com muito pouco, hoje sou feliz, tenho um quarto, tenho comida, tenho apoio social, que mais quero?».

O espiritismo é o melhor preservativo contra o suicídio
pois explica ao homem o porquê das suas dores e alegrias,
a dissemelhança de oportunidades, quem somos,
de onde viemos e para onde vamos.

Confesso que engoli em seco, eu que estou habituado a reclamar de injustiças que julgo serem grandes ou de situações com as quais não concordo.
Acabara de receber a maior e mais nobre lição de simplicidade, de humildade lúcida de que me lembro na minha vida.
Ainda hoje a estou a mastigar lentamente, para que ela fique bem presente em mim, para que aprenda que a Vida é muito mais do que ter casas, carros, dinheiro no banco, ter coisas. Viver bem, afinal, ensinou-me aquele conhecido que não via há muito, viver bem, é afinal... um estado de alma, de alguém que está de bem com a vida, procurando lutar, estar sempre melhor, mas sem se embrenhar nos campos lodosos da revolta, da passividade.
Comecei a relembrar os conceitos vertidos em "O Livro dos Espíritos", "O Evangelho Segundo o Espiritismo", "A Génese", "O Céu e o Inferno" e "O Livro dos Médiuns", todos eles de Allan Kardec, e que formam a base da Doutrina Espírita (que não é mais uma seita nem mais uma religião, mas sim uma doutrina de tríplice aspecto: ciência, filosofia, moral).
Ah, quando todos souberem que afinal a vida é apenas uma, a desdobrar-se em infinitas oportunidades existenciais, neste e noutros planetas, bem como em diversos planos existenciais no mundo espiritual, as pessoas jamais se suicidarão por terem problemas, pois saberão que a morte do corpo de carne será apenas uma mudança brusca de "casa", com consequências terríveis para quem o faz, muitas vezes a repercutirem-se em vidas posteriores.
O estudo da doutrina espírita (poderá fazê-lo gratuitamente em qualquer centro espírita idóneo ou em www.adeportugal.org) é o melhor preservativo contra o suicídio, pois explica ao homem o porquê das suas dores e alegrias, a dissemelhança de oportunidades, quem somos, de onde viemos e para onde vamos.
Com o espiritismo aprendi que vale a pena viver, custe o que custar, mas mais aprendi com a força notável do meu conhecido, que desceu do "muito rico" ao "paupérrimo", e que graças ao conhecimento espírita mantém uma serenidade e um bem-estar contagiantes, baseados na fé raciocinada que move montanhas... 

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A morte do suicídio (VI) – conclusão


Terminamos hoje, uma série de artigos dedicados ao suicídio, analisado à luz da Doutrina Espírita. As conclusões são mais que surpreendentes, após conhecermos a Doutrina Espírita (ou Espiritismo).

Quem se suicida, pensa que faz o mais acertado, para se livrar de alguma agrura que pensa ser inultrapassável. Tudo seria normal, se após a vida corporal nada mais existisse, como advogam as correntes materialistas. No entanto, com o advento da Doutrina Espírita, em 1857, altura em que foi lançada a magistral obra «O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec, as crenças na imortalidade do Espírito deixaram de fazer sentido, já que essa imortalidade foi demonstrada à saciedade.
Desde comunicações espirituais em línguas desconhecidas (fenómenos de xenoglossia), desde as mensagens cruzadas (um médium recebia uma parte da mensagem e outro médium, por vezes em local distante, desconhecendo-se mutuamente, recebia a outra parte, que juntas faziam um todo), desde as materializações de objectos, os fenómenos de transporte de objectos sem interferência humana directa, desde os fenómenos de ectoplasmia (materialização temporária de espíritos), até todo um rol de fenómenos espíritas, quer de efeitos físicos quer de efeitos inteligentes (leia-se “O Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec), existem múltiplos fenómenos espíritas que atestam a imortalidade do Espírito, fenómenos esses que hoje estão a ser estudados, pesquisados por outros cientistas, não espírita, que chegam às mesmas conclusões, atestando assim a universalidade dos conceitos espíritas.
Se a imortalidade do Espírito está demonstrada, se a reencarnação é hoje um facto aceite pela comunidade científica menos ortodoxa, então estes conhecimentos vêm retirar qualquer validade ao acto de se suicidar, já que seria uma perda de tempo, uma vez que a pessoa não morreria, largando apenas o corpo de carne, continuando no mundo espiritual com os problemas existenciais que levou da Terra, acrescidos agora do remorso do acto tresloucado cometido, do sentimento de culpa, e toda uma gama de sofrimentos inerentes ao suicídio.
Referem as pessoas que se suicidaram, e que se manifestam vez por outra nas reuniões de intercâmbio com o mundo espiritual, nas associações espíritas, que os sofrimentos de um suicida são inenarráveis, não havendo palavras na nossa linguagem para descrevê-los. Indubitavelmente, esses sofrimentos serão sempre proporcionais ao grau de responsabilidade da pessoa que se suicidou, às condições de lucidez que tinha no momento, entre outros factores que nos escapam.

O conhecimento da Doutrina Espírita
tem evitado muitos suicídios na sociedade.

O suicídio, não causa somente sofrimentos indescritíveis no plano espiritual, enquanto espera novo ensejo de reencarnar, mas também se repercute, de um modo geral, na futura reencarnação, afectando o equilíbrio do futuro corpo físico, já que o “molde”, o corpo espiritual, vem desequilibrado pelos tormentos mentais que o suicida experimenta. Paralelamente, o suicida, voltará ao palco da vida carnal, com novo corpo, mas tendo de voltar a passar pelas mesmas expiações e provas por que passou na vida anterior, que o levaram ao suicídio, até que aprenda a superá-las, escorado na confiança em Deus. Numa comparação simplista, poderíamos identificá-lo com o aluno que reprovou de ano, e terá o enfado de voltar à mesma escola, mesma sala, mesmos conteúdos, até que consiga ser aprovado no exame.

A Doutrina Espírita (ou Espiritismo), que não é mais uma seita nem mais uma religião, vem trazer ao homem a explicação do porquê da vida, de quem somos, de onde vimos e para onde vamos, explicando o porquê do sofrimento, da dissemelhança de oportunidades, e do objectivo da nossa reencarnação: evoluir intelectualmente, no contacto uns com os outros, e evoluir moralmente, seja resgatando erros do passado sob a forma de aflições ou trabalhos de entrega ao próximo, seja evoluindo moralmente com as provas que as contingências da vida nos proporcionam.
A Doutrina Espírita, afigura-se assim, como o melhor preservativo contra o suicídio, que conhecemos, daí a necessidade de a devermos divulgar junto de quem não a conhece, para que amanhã não sintamos a consciência culpada de termos colocado a luz sob o alqueire.

Bibliografia:
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec

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A Morte do Suicídio (V)

 


A grande ilusão do suicído está na pessoa, desconhecendo a realidade espiritual, fugir de um problema, pensando que, com a morte do corpo físico, tudo se acaba.

Com as pesquisas espíritas, desde 1857 até aos dias de hoje, englobando uma componente experimental, uma filosófia e outra moral, não é mais possível, desconhecer a realidade da imortalidade do Espírito, em experiências, nos dias que correm, por parte de cientistas, psiquiatras, psicólogos, entre outros, que vêm confirmar aquilo que a Doutrina Espírita descobriu: a vida continua no plano extrafísico, e colheremos conforme tivermos semeado, ao nível dos pensamentos, dos sentimentos e das atitudes.
A reencarnação, sendo uma crença de cerca de 2/3 da população mundial, vem explicar muitas das causas das dissemelhanças de oportunidades existentes entre os seres humanos, nos mais variados palcos da vida (veja-se “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec).
Outrora uma crença, hoje é uma realidade demonstrada, pesquisada até à exaustão, e que muitos preconizam que será mais uma lei a anexar à biologia, muito em breve.
Se partirmos do pressuposto, (mesmo não assumindo a veracidade das evidências científicas existentes), de que a reencarnação é uam realidade, fácil é deduzir-se que o suicida, à semelhança dos demais, também reencarnará, também voltará ao corpo de carne, com vista à sua evolução moral e intelectual, esquecendo temporariamente vidas passadas, de modo a que tais lembranças não perturbem a sua capacidade e oportunidade de se regenerar moralmente.
Uma pessoa que se suicide, não só destrói o seu corpo físico, como afecta o tecido celular do seu corpo espiritual (perispírito), que será o molde energético do futuro corpo aquando de futura reencarnação. Todos sabemos que, se um molde tiver assimetrias, a peça, seja ela de barro ou não, sairá com as assimetrias do molde. Também acontece com o Espírito. Quando ele reencarna, traz a sua matriz energética (o corpo espiritual), que pode vir equilibrada ou desequilibrada. Se o Espírito se encontrar sob a pressão da culpa, do desânimo, da baixa auto-estima, o seu estado vibratório não será harmónico, potencializando o problema que ele criou com o suicídio. Assim, alguém que se suicidou com veneno, pode vir a desencadear problemas muito graves em torno dos órgãos do aparelho digestivo. Se alguém atentou contra a sua vida com uma arma de fogo, por exemplo, um tiro na cabeça, poderá reencarnar com hidrocefalia, surdez, cegueira, ou outros problemas, de acordo com os centros energéticos que tal acto tenha afectado.

Uma pessoa que se suicide, não só destrói o seu corpo físico,
como afecta o tecido celular do seu corpo espiritual (perispírito),
que será o molde energético do futuro corpo,
 aquando de futura reencarnação
 
Não estamos perante um castigo divino, mas sim, perante uma lei de causalidade, de causa e efeito, onde cada um recolhe, nos escaninhos da alma, tudo o que semeou outrora, de bom e de menos bom. Cada dificuldade, é, pois, uma oportunidade de rectificação, de aprendizagem, de evolução, e o Espírito que reencarna com uma determinada limitação, aprenderá a valorizar aquilo que desperdiçou numa vida passada.
Dizem-nos os bons Espíritos, que os suicidas quando reencarnados, podem voltar a ter tendências a tal acto, tendo de passar por todas as provas das quais fugiram em vida passada, tal como o aluno que, não estudando, perde o ano, tem de repetir as mesmas matérias, até que passe no exame.
Analisando à luz da Doutrina Espírita (ou Espiritismo), o suicídio é uma quimera, e é importante esclarecer que, os efeitos nefastos de tal acto, não se enquadram apenas na frustração de não ter morrido, e nas demais consequências abordadas nos artigos anteriores, como também, se projectam na vida seguinte, podendo ser factor inibitório na articulação do novo corpo carnal, nessa futura reencaranação.
A Doutrina Espírita, vem demonstrar à humanidade que somos seres imortais, que tudo se rege sob a batuta de uma inteligência suprema, que é possível comunicar com aqueles que já demandaram a pátria espiritual, que a reencarnação é uma realidade, e que os mundos são de um modo geral habitados por seres inteligentes, com diversas corporeidades, conforme a atmosfera de cada planeta.

Bibliografia:
- O Livro dos Espíritos, Allan Kardec
- O Céu e o Inferno, Allan Kardec
- O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec



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A Morte do Suicídio (IV)

 

Quando alguém pensa em suicidar-se, almeja fugir de um problema, de uma situação para a qual pensa não haver saída.

Somente uma visão materialista da vida pode dar suporte a tal ideia.
Se o homem soubesse que a vida continua para além da morte do corpo físico, decerto consideraria uma estultícia optar por tal solução, que nada soluciona.
Sendo a Doutrina Espírita (ou Espiritismo) uma ciência de observação, demonstrou factualmente a imortalidade do Espírito. Através de inúmeras pesquisas, mensagens são recebidas de além-túmulo, demonstrando a imortalidade. 
As pessoas que largaram o corpo físico pelo fenómeno da morte, vêm contar como foi a sua transição para o mundo espiritual, sendo atribulada ou pacífica, de acordo com o seu estado de alma.
No livro “O Céu e o Inferno”, de Allan Kardec, podemos encontrar precioso estudo comparado entre os vários estados de espírito das pessoas que adentraram o mundo espiritual, após o desenlace do corpo físico.
O suicídio é o fundo falso da vida.
Pensando largar um pesadelo, o ser humano vê-se fora do corpo de carne, sem compreender bem o que se passou.
O corpo morreu, mas o ser continua vivo.
O tormento que o levou ao suicídio continua no seu íntimo, agora agravado pela desilusão de que afinal não morreu, não esqueceu. Ouve e vê os familiares que choram a sua partida forçada, sem lhes poder acudir. Entra numa perturbação, que os Espíritos dizem ser indescritível, sofrendo cada suicida de acordo com o seu grau de responsabilidade espiritual no acto tresloucado.
O tempo de perturbação espiritual, varia de acordo com o grau de responsabilidade de cada suicida, podendo prolongar-se por dezenas de anos.

O Espiritismo, depois de compreendido,
é o maior preservativo contra o suicídio.
 
Numa próxima reencarnação, o suicida pode vir com o novo corpo físico afectado, nascendo com deformidades, limitações de ordem física, deficiências congénitas, já que a sua matriz espiritual (o corpo espiritual) foi afectada na sua estrutura celular, pelo suicídio, muitas vezes amplificado pelo complexo de culpa que jaz no íntimo do Espírito.
A Doutrina Espírita demonstra-nos que o suicídio é uma grande quimera, projectando o suicida para sofrimentos inenarráveis, que podem inclusive hipotecar a sua futura reencarnação. Não existe castigo divino, apenas uma lei de causa e efeito, onde cada ser colhe o que semeia na vida.
Com a Doutrina Espírita, aprendemos que a vida é uma bela sinfonia, cujo maestro, Deus, tudo provê para o nosso êxito.
Todos nós nascemos na Terra fadados ao êxito, cada um reencarnando no meio que lhe é mais útil, em prol da sua evolução, e tendo em conta os seus débitos espirituais de vidas passadas, daí a dissemelhança entre todos nós.
Com a Doutrina Espírita, aprendemos que cada dificuldade que temos, é uma oportunidade de crescimento espiritual, de aprendizagem, e não um meio de nos destruir.
O Espiritismo, depois de entendido, é o melhor preservativo contra o suicídio, demonstrando ao Homem, que amanhã, o sol da esperança levará para longe as nuvens negras do pessimismo e do imediatismo que nos ameçam hoje.
Saibamos esperar, confiar em Deus, aceitar a vida como ela se densenrola, de forma activa, sem revoltas estéreis, e o concerto da Vida tornar-se-á mais melodioso e agradável.

Bibliografia:
- O Livro dos Espíritos, Allan Kardec
- O Céu e o Inferno, Allan Kardec
- O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec


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A Morte do Suicídio (III)

 

A vida decorre sem objectivos, anda de candeias às avessas com o marido que parece ter uma amante. O filho, em idade escolar, tem graves problemas de saúde. Desconfia que a filha esteja a adentrar no jogo do sexo lucrativo. Os rendimentos são parcos para as necessidades, e não vê saída para a vida.
De repente, vê uma notícia no telejornal, onde alguém se teria suicidado, debaixo de um comboio. As ideias abundam na mente em desalinho, e começam a vicejar qual solução milagrosa.
Afinal que andava aqui a fazer?
Sofrer para quê?
O melhor era acabar com tudo, pensava Marcelina, mulher nos idos dos seus 50 anos, mas com as rugas que lhe curtiram a face, a evidenciarem pelo menos uns 10 anitos a mais.
Ao longo de uma semana, as ideias foram-se avolumando na sua mente em ebulição.
Em cada olhar, parecia estar a fazer uma despedida, do quadro pendurado na parede a relembrar as emoções do casamento rapidamente fruídas, dos votos de fidelidade eterna perdidos algures, por parte do esposo. Melancólica, triste, deprimida, alimentava cada vez mais o fogo da sua decisão, qual locomotiva movida a carvão incandescente.
Não se apercebia que, seres espirituais amigos, tentavam demovê-la dos seus intentos, aproveitando inclusive a oportunidade do sono, para nesse momento em que o Espírito se desprende temporariamente do corpo, lhe alimentarem a esperança numa vida melhor, amanhã, no mundo espiritual, após terminarem os compromissos assumidos na Terra. Mas, de tal modo estava envolta nessa onda mental destrutiva, que não estava receptiva às sugestões do bem, antes sintonizando com seres perversos que, do Além, a intuíam ao suicídio.
Desconhecedora da realidade espiritual que a Filosofia Espírita enseja ao homem, Marcelina estava decidida: a vida não fazia mais sentido.
No dia por ela marcado, o comboio da sua localidade que costumava chegar cerca das 12H00 chegou bem mais tarde ao destino. Na estação ferroviária alguém perguntava o que tinha acontecido se algum descarrilamento, ao que outra pessoa referia: “parece que alguém se atirou à linha…”
Marcelina acreditara que a vida terminava com a morte do corpo de carne, apesar de frequentar semanalmente os rituais da sua religião, que lhe diziam o oposto, mas que pelos vistos, não a convenceram das convicções que publicitavam.

O Espiritismo demonstrou experimentalmente
que a vida continua após a morte do corpo físico
– isso retira qualquer sentido ao suicídio.
 
Só que, a vida não termina com a morte do corpo de carne, conforme demonstrou experimentalmente a Doutrina Espírita (ou Espiritismo), em meados do século XIX, e conforme têm constatado inúmeros cientistas e pesquisadores do nosso quotidiano.
A grande frustração de Marcelina, como de todos aqueles que lhe seguiram os passos no fundo falso da vida, que é o suicídio, é aperceberem-se vivos no mundo espiritual, e constatarem que, afinal, o seu acto não resolveu o seu problema existencial (que continua no seu íntimo), mas ainda o agravou.
A Doutrina Espírita (ou Espiritismo), que não é mais uma seita nem mais uma religião, mas sim um conjunto de ideias assentes em pesquisa científica, na filosofia e na moral de Jesus, aponta no sentido da fé raciocinada, da fé assente na experiência, na observação, na comparação de factos, na discussão de ideias, explicando ao Homem de onde vem, para onde vai, e o que está a realizar na Terra (leia-se a obra de Allan Kardec, começando pela notável obra “O Livro dos Espíritos”).

Se Marcelina tivesse tido conhecimento da Doutrina Espírita, provavelmente não se teria suicidado, o que aumenta em muito, a responsabilidade dos espíritas, na divulgação destas ideias, que são uma mais valia para a sociedade e para o bem-estar biopsicosocial da humanidade.


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A Morte do Suicídio (II)



O objectivo de qualquer suicida é resolver um problema irresolúvel (na sua óptica), muitas vezes embrenhado numa mono ideia, que não o deixa ver outras janelas, senão o fundo falso da vida: o suicídio.

Dentro de uma visão materialista da vida, de facto, o suicídio é aceitável, para quem julga não haver solução para a problemática que está a viver. À falta de melhor opção, a pessoa mata-se, e “acaba tudo”, fugindo do problema aparentemente irresolúvel.
Se assim fosse, até que poderia ser uma saída para a crise existencial.
E se não for assim?
E se a vida continuar para além da morte do corpo de carne?
Vejamos a óptica espiritualista.
Nesta visão holística, o ser humano não é apenas um amontoado de células, mas sim, um ser eterno, que está temporariamente num corpo carnal, neste planeta, numa determinada missão evolutiva, voltando à pátria espiritual assim que se desorganize irremediavelmente o seu corpo físico.
Se a visão espiritualista da vida estiver certa, então o axioma materialista perde consistência, e o suicídio terá sido em vão, continuando o ser humano no mundo espiritual, com os mesmos problemas que tinha na Terra (abordaremos esse assunto no artigo seguinte).
Questionamo-nos: para quê as pessoas se suicidam? 
A resposta parece óbvia: para “resolverem” problemas graves existenciais, como um negócio ruinoso, uma doença irreversível, um desgosto, uma atitude impensada, etc, etc...
A Doutrina Espírita (ou Espiritismo), que não é mais uma seita nem mais uma religião, mas sim um conjunto de ideias assentes em pesquisa científica, com uma componente filosófica e assente na moral de Jesus de Nazaré, veio matar a morte, demonstrando experimentalmente, em meados do século XIX, que afinal, aquilo que as religiões tradicionais defendiam através de uma fé cega – que somos seres imortais, que a vida continua noutra dimensão espiritual – tinha razão de ser.
Entramos no campo da fé raciocinada, da fé assente na pesquisa, na experiência, na discussão, na observação, na comparação de factos, de onde surgem ideias de espiritualidade, ideias salutares, lógicas, explicando ao Homem de onde vem, para onde vai, e o que está a realizar na Terra (leia-se a obra de Allan Kardec, começando pela notável obra “O Livro dos Espíritos”).

Com o estudo do espiritismo, aprendemos que
os problemas graves da vida têm sentido, têm uma causa,
têm um objectivo e são ultrapassáveis.

Aprendemos com a Doutrina Espírita, que estamos na Terra para evoluirmos em duas vertentes – intelectual e espiritual – num processo de expiação de actos do nosso passado mais ou menos longínquo (reencarnações passadas), e num processo de provas, inerentes ao estado actual do planeta Terra, onde o mal ainda se sobrepõe ao bem.
Aprendemos com a Doutrina Espírita, que os problemas que temos na Terra, não são irresolúveis, antes sim, oportunidades de crescimento, de aprendizagem, aprendendo os valores da tolerância, da compreensão, da resignação activa, da ajuda mútua desinteressada.
Independentemente do tipo de problema com que a Vida nos bafeje, tenhamos a consciência de que a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas (a que se convencionou chamar Deus), não permitiria que tivéssemos na nossa vida provas superiores às nossas forças, pois se assim fosse, não seria um Deus infinitamente bom.
Somente com o estudo e entendimento da lei de causa e efeito, da reencarnação, podemos encontrar a justiça divina, nas múltiplas dissemelhanças existentes entre a humanidade, e que provocam revoltas naqueles, que desconhecem as realidades espirituais.
Com o estudo do espiritismo, aprendemos que os problemas graves da vida têm sentido, têm uma causa, tem um objectivo e são ultrapassáveis.

Assim pensando e assim agindo, podemos com alegria assistir à morte do suicídio...

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A morte do suicídio (I)




O dia corria normalmente, e à noite, esperava-nos mais uma actividade espírita na associação onde colaborávamos. Seria mais uma conferência espírita, precedida de atendimento ao público, uma conversa em privado onde as pessoas podem falar com privacidade, sobre os seus assuntos, e onde ouvem a opinião da Doutrina Espírita, bem como recebem orientação acerca do assunto em pauta. Nada que se compare a uma consulta, apenas uma conversa de amigos.
Um homem, na casa dos 45 anos, estava ali pela primeira vez, demonstrando alguma inquietação. Notamos o seu ar nervoso e procuramos acalmá-lo, conversando afectuosamente. Mal se sentou, no atendimento em privado, disparou: “Sabe? Hoje vou suicidar-me. Só vim cá porque um amigo meu fez-me prometer que seria a última coisa que faria, vir ao centro espírita. Olhe que não acredito em nada disto”.
Tamanha espontaneidade fez-nos sentir imensa ternura por aquele ser humano, ali desnudado perante desconhecidos, abrindo a sua alma dorida pelas lutas da vida. Tinha 3 filhos, já se tinha encarregado de os deixar com familiares abastados, estava tudo escrito e previsto, conforme nos confidenciara. 
Questionado acerca da causa de tamanha decisão a resposta foi peremptória: “a vida para mim não faz mais sentido, a minha esposa trocou-me por outro, e fugiu para o estrangeiro. Moro num meio pequeno, já viu a minha vergonha? Não aguento isto…”
Pegando neste caso, semelhante a tantos outros pelo mundo fora, questionamo-nos: porque é que as pessoas se suicidam?
A resposta parece ser redundante: porque têm problemas na vida, e querem terminar com tudo de uma vez só.
Outra questão se coloca no horizonte: porque é que as pessoas pensam assim? Obviamente, porque pensam que após a morte do corpo de carne, tudo termina, dando assim crédito à doutrina materialista, que faz de nós meros seres celulares, em que a consciência é uma mera secreção do cérebro.

E se afinal, a vida continuar além da morte do corpo físico?

Podemos concluir que as pessoas se suicidam, porque têm problemas que julgam irresolúveis, mas também porque julgam que são meros seres celulares.
Outra questão se coloca: e se afinal a vida continuar além da morte do corpo físico?
Com as pesquisas espíritas, desde meados do século XIX, ficou demonstrado que a vida continua após a morte do corpo de carne, que o nosso corpo de carne é mera roupagem que o Espírito possui temporariamente, adentrando a espiritualidade após largá-lo pelo fenómeno natural da morte.
Fomos conversando com o nosso interlocutor, explicando-lhe o ponto de vista da Doutrina Espírita (ou Espiritismo) acerca da sua decisão de se suicidar, e das consequências que colheria após a morte do corpo de carne. Pedimos-lhe que protelasse a decisão de se suicidar por mais uma semana, tempo esse para ler «O Livro dos Espíritos» bem como “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, ambos de Allan Kardec.
Ele anuiu, referindo porém, que leria os livros, mas que não mudaria de ideias. Voltaria na 6ª feira seguinte para nos confirmar que se mataria no dia seguinte.
Na 6ª feira seguinte, ele voltou, conversou connosco, assistiu à conferência espírita e… voltou na 6ª seguinte, e muitas mais vezes, entendendo por outro prisma, o objectivo real da vida, vendo os problemas da vida como oportunidades de crescimento e não como derrotas pessoais.
Sinceramente, não sabemos qual a sua opinião acerca do espiritismo, se se tornou espírita ou não.
Basta-nos a grata satisfação de, vez por outra, vê-lo, com aquele sorriso tímido, entrar no centro espírita, sentar-se, participar na palestra pública semanal, e ir-se embora…

Bibliografia:

Kardec, Allan – “O Livro dos Espíritos”; “O Evangelho Segundo o Espiritismo”;
ADEP – www.adeportugal.org (Curso Básico de Espiritismo).

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Aparições no momento da morte (VI) - conclusão


Terminamos hoje uma série de seis artigos sobre aparições no leito de morte, com exemplo de aparições de defunto produzidas pouco depois de um caso de morte, e percebidas na mesma casa em que jaze o cadáver.

Embora estes factos sejam dos mais raros, não podemos deixar de os referir nesta série de artigos, casos estes retirados do livro «Fenómenos Psíquicos no Momento da Morte» do famoso investigador italiano Ernesto Bozzano. O seguinte caso foi retirado do volume V, pag. 422, dos «Proceedings of the S.P.R.»:
«Agosto , 1886. No sábado, 24 de Outubro de 1868, despedimo-nos dos nosso amigos (os marqueses de Lyns) - com os quais permanecêramos em Malvern Well -, para irmos a Cheltenham, residência de um cunhado do meu marido, Georges Copeland.
Desde algum tempo, já este estava doente, em consequência de um ataque de paralisia, que o havia reduzido à imobilidade, ficando, no entanto, perfeitamente sãs as suas faculdades mentais.
Esta última circunstância fazia que os seus amigos ficassem perto do doente, a fim de adoçar-lhe a desventura, tanto quanto possível. Aproveitando a pouca distância que nos separava, resolvemos, por nossa vez, fazer outro tanto. Fomos, porém, informados de que o doente já tinha outras pessoas em sua casa; decidimos, então, ir para Cheltenham, sem o prevenir, a fim de alugar um apartamento, antes que ele no-lo impedisse de fazer, por um convite. Tomamos vários quartos situados na vizinhança da habitação de Copeland.

Na agonia da morte, muitos familiares e amigos
vêm ajudar-nos a desembaraçarmo-nos
dos laços que nos ligam ao corpo físico

Feito isto, estávamos prontos para nos ausentar do hotel, quando muitos frascos de remédios, dispostos numa mesa, atraíram o nosso olhar. Perguntámos se havia doentes na casa e informaram-nos que certa senhora R...., hóspede no hotel com a sua filha, estava doente desde algum tempo; era coisa de pouca importância e não havia perigo. Depois dessa ocasião não pensámos mais no assunto. Logo após fomos à casa de Copeland, e no correr da tarde, veio a pronunciar-se o nome dos nossos vizinhos de hotel. Copeland disse, então, que conhecia a Sra. R....; explicou que era viúva de um doutor, ex-clínico em Cheltenham, e que uma das suas filhas se casara com um professor de colégio, um certo Sr. V... Lembrei-me então de Ter conhecido a Sra. V... por ocasião de uma recepção em casa do Dr. Barry e Ter nela feito reparo por causa da sua grande beleza, enquanto ela conversava com a dona da casa. Era tudo o que eu sabia a respeito dessas senhoras.
Na manhã de Domingo, à hora do almoço, observei que o meu marido parecia preocupado. Terminado que foi o repasto, perguntou-me ele:
- Ouviste arrastar uma cadeira há pouco? A velha que mora em baixo morreu na própria cadeira, esta noite; arrastaram esse móvel, trouxeram-na para o quarto.
Fiquei muito impressionada; era a primeira vez que me encontrava nas proximidades de um cadáver; desejei, pois, mudar sem demora, de apartamento. Muitos dos nosso amigos, sabendo do facto, tinham-nos gentilmente oferecido hospitalidade; mas o meu marido, opusera-se, lembrando que uma mudança é sempre um aborrecimento, que meus terrores eram tolos, que ele não achava nenhum prazer em deslocar-se num dia de Domingo, que não era generoso partir porque uma pessoa havia morrido e que, enfim, se assim procedessem para connosco, não nos deixaríamos de aborrecer. Em suma, tivemos de ficar.
Passei o dia na companhia do cunhado e das sobrinhas e só voltamos ao hotel à hora de ir para a cama. Depois de haver adormecido, acordei de repente, como de hábito, alta noite, sem causa aparente e vi distintamente, ao pé da cama, um velho fidalgo, de rosto gordo, rosado e sorridente, com um chapéu na mão.
Estava vestido com um casaco azul-celeste, de talhe antigo, guarnecido de botões de metal; tinha um colete claro e calças da mesma cor.

Visões e descrições da presença de falecidos
junto dos moribundos, são evidências que, muitas vezes,
não podem ser explicadas de outro modo

Quanto mais o encarava, melhor lhe discernia os menores detalhes do rosto e das vestes. Não me senti muito impressionada; depois de algum tempo ensaiei fechar os olhos durante um ou dois minutos; quando os reabri, o velho fidalgo tinha desaparecido.
Dormi algum tempo depois. Vindo a manhã, propus-me nada dizer a ninguém, do que me tinha acontecido, até que tivesse visto uma das minhas sobrinhas, à qual queria expor o facto, a fim de saber se, por acaso, não haveria nenhuma semelhança entre o Dr. R... e o fidalgo da minha visão. Apesar de me parecer absurda esta ideia, queria certificar-me. Encontrei minha sobrinha, Maria Copeland (hoje senhora Brandling), de volta da igreja, e logo lhe perguntei:
- O Dr. R... não tinha o aspecto de velho fidalgo, de rosto cheio, rosado e sorridente, etc., etc.?...
Ela estremeceu de espanto.
-Quem to disse? - perguntou. - Nós dizíamos, de facto, que ele se assemelhava mais a um bom feitor de fazenda do que a um doutor. Como é estranho que um homem de aspecto tão vulgar tivesse por filha tão bela criatura!
Tal é a narrativa rigorosamente exacta do que me aconteceu. As minhas duas sobrinhas estão ainda vivas e devem lembrar-se exactamente de tudo isso. Naturalmente, não estou em condições de explicar o facto. O corpo da velha senhora jazia no quarto que ficava imediatamente abaixo do nosso. O que me surpreende, sobretudo, é que eu tivesse ficado tão pouco impressionada e que pudesse dormir alguns instantes depois, sem incomodar ninguém. (Assinado: D. Bacchus).»
O marido da Sra. Bacchus confirma o acontecimento:
«Leamington, 27 de Setembro de 1886 - Li a narração da minha mulher a respeito do que sucedeu em Cheltenham, quando nós aí estivemos em 1868. Ela corresponde exactamente ao que a minha mulher contou de viva voz, na manhã que se seguiu ao facto, de que perfeitamente me recordo. Também me lembro que nessa manhã mesma, ela contou todos os detalhes do acontecimento à sua sobrinha. (Assinado: Henry Bacchus).»
De realçar que a declaração da precipiente não ter nunca conhecido e não ter tido nunca a ideia do aspecto do defunto Dr. R..., admitindo-se assim a realidade objectiva da aparição, afastando a hipótese de um fenómeno de auto-sugestão alucinatória, provocado na Sra. Bacchus, pelo pensamento desagradável de ter perto de si o cadáver da Senhora R...»

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Aparições no momento da morte (V)



 
Momentos antes de morrer, muitas pessoas alegam ver junto de si seres conhecidos, familiares e amigos, também já falecidos. Vamos hoje referir um caso no qual as aparições de pessoas falecidas são percebidas unicamente pelos familiares do moribundo.

Encontrámos um caso bem interessante, no livro «Fenómenos Psíquicos no Momento da Morte», de Ernesto Bozzano, editora FEB, 3ª ed., 1982, Brasil, caso este retirado do «Journal of the Society for Psychical Research» (1908, pp. 308-311):
«O Dr. Burges envia ao Dr. Hodgson o episódio seguinte, que se passou em presença do Dr. Renz, especialista em moléstias nervosas. M. G., protagonista do episódio, escreve:
“... Antes de descrever os acontecimentos e no interesse daqueles que lerem estas páginas, tenho a declarar que não faço uso de bebidas alcoólicas, nem de cocaína, nem de morfina; que sou e fui sempre moderado em tudo, que não possuo um temperamento nervoso; que minha mentalidade nada tem de imaginativa e que sempre fui considerado como homem ponderado, calmo e resoluto. Acrescento que, não somente nunca acreditei no que se chama – Espiritismo – com os fenómenos relativos de materializações mediúnicas e do corpo astral visível, como fui sempre hostil a essas teorias.

Um caso espantoso em que assitiu ao
trabalho espiritual na morte da esposa
 
A minha mulher morreu às 11h45, da noite de Sexta-feira, 23 de Maio de 1902; e só às 4 horas da tarde desse mesmo dia foi que me persuadi que estava perdida toda a esperança. Reunidos em torno do leito, na expectativa da hora fatal, estávamos muitos amigos, o médico e duas enfermeiras... Assim se passaram duas horas, sem que se observasse nenhuma alteração...às 6h45 (estou certo da hora porque havia um relógio colocado diante de mim, sobre um móvel) aconteceu-me voltar o olhar para a porta de entrada e percebi sobre o sólio, suspenso no ar, três pequenas nuvens muito distintas, dispostas horizontalmente, parecendo cada uma do comprimento de cerca de 4 pés, com 6 a 8 polegadas de volume... O meu primeiro pensamento foi que os amigos (e peço-lhes perdão por esse injustificado juízo) se tinham posto a fumar, além da porta, de maneira que o fumo dos seus charutos penetrasse no quarto. Levantei-me de um salto para ir reprová-los e notei que nas proximidades da porta, no corredor e no quarto, não havia ninguém. Espantado, voltei-me para olhar as nuvenzinhas que, lentamente, mas positivamente, se aproximavam da cama, até que a envolveram por completo.
Olhando através dessa nebulosa, percebi que ao lado da moribunda se conservava uma figura de mulher, de mais de 3 pés de altura, transparente, mas ao mesmo tempo resplandecente de uma luz de reflexos dourados; o seu aspecto era tão glorioso, que não há palavras capazes de descrevê-lo. Ela vestia um costume grego de mangas grandes, largas, abertas; tinha uma coroa à cabeça. Essa forma mantinha-se imóvel como uma estátua no esplendor de sua beleza; estendia as mãos sobre a cabeça da minha mulher, na atitude de quem recebe um hóspede alegremente, mas com serenidade.
Duas formas vestidas de branco, detinham-se de joelhos, ao lado da cama, velando ternamente a minha mulher, enquanto que outras formas, mais ou menos distintas, flutuavam em torno. Acima da minha mulher estava suspensa, em posição horizontal, uma forma branca e nua, ligada ao corpo da moribunda por um cordão que se lhe prendia acima do olho esquerdo, como se fosse o “corpo astral”. Em certos momentos, a forma suspensa ficava completamente imóvel; depois, contraía-se e diminuía até reduzir-se a proporções minúsculas, não superiores a 18 polegadas de comprimento, mas conservando sempre a sua forma exacta de mulher; a cabeça era perfeita, perfeitos o corpo, os braços, as pernas.
Quando o corpo astral se contraía e diminuía, entrava em luta violenta, com agitação e movimento dos membros, com o fim evidente de se desprender e libertar do corpo físico. E a luta persistia até que ele parecia cansar; sobrevinha, então, um período de calma; depois o corpo astral começava a aumentar, mas para diminuir de novo e recomeçar a luta.

Os familiares e amigos falecidos, vêm,
no momento do desenlace, ajudar-nos
a entrar no outro mundo.
 
Durante as cinco últimas horas de vida da minha mulher, assisti, sem interrupção, a essa visão pasmosa...Não havia maneira de fazê-la apagar dos meus olhos; se me distraía conversando com os amigos, se fechava as pálpebras, se me achava de outro lado, quando voltava a olhar o leito mortuário, revia inteiramente a mesma visão. No correr das cinco horas experimentei estranha sensação de opressão na cabeça e nos membros; sentia as minhas pálpebras pesadas como quando se está tomado pelo sono, e as sensações experimentadas, unidas ao facto da persistência da visão, faziam-me temer pelo meu equilíbrio mental, e então dizia ao médico muitas vezes: - «Doutor, eu enlouqueço». Enfim, chegou a hora fatal; depois de um último espasmo, a agonizante deixou de respirar e vi, ao mesmo tempo, a forma astral redobrar de esforços para libertar-se. Aparentemente, a minha mulher parecia morta, mas começava a respirar alguns minutos depois, e assim aconteceu por duas ou três vezes. Depois, tudo acabou. Com o último suspiro e o último espasmo, o cordão que a ligava ao corpo astral quebrou-se e eu vi esse corpo apagar-se. As outras formas espirituais, também, assim como a nebulosidade de que fora invadido o quarto, desapareceram subitamente; e, o que é estranho, a própria opressão que eu sentia sumiu-se como por encanto e permaneci de novo como fui sempre, calmo, ponderado, resoluto; dessa forma fiquei em condições de distribuir ordens e dirigir os tristes preparativos exigidos pelas circunstâncias...”
Afirma o Dr. Renz: “Desde que a doente se extinguiu, M. G., que durante cinco horas havia ficado à sua cabeceira, sem dali sair, levantou-se e deu ordens que as circunstâncias requeriam, com expressão tão calma, de homem de negócios, que os assistentes ficaram surpresos. Se ele tivesse sido submetido, durante cinco horas, a um acesso de alucinação, o espírito não se lhe teria tornado claro e normal de um momento para o outro. Dezassete dias já se passaram depois da visão e da morte da sua mulher; M. G. continua a mostrar-se perfeitamente são e normal de corpo e de espírito. (Assinado: Dr. C. Renz)”.»
No próximo número terminaremos esta série de seis artigos sobre fenómenos psíquicos no momento da morte.



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Aparições no momento da morte (IV)

 

Momentos antes de morrer, muitas pessoas alegam ver junto de si seres conhecidos, familiares e amigos, também já falecidos. Vamos hoje abordar casos de aparições no leito da morte, coincidindo com prenúncios ou confirmações análogas, obtidas através da mediunidade.
 
Vamos hoje abordar mais um caso extraído do livro «Fenómenos Psíquicos no Momento da Morte» , Editora FEB, 3ª ed., 1982, Brasil, caso este retirado por sua vez dos «Annali dello Spiritismo in Italia» de 1875, páginas 120 e 149:
«O Dr. Vincent Gubernári, natural de Maremmes, na Toscana, instalou-se definitivamente em Arcétri, perto de Florença, e, se bem que não fosse médico oficial, exercia aí igualmente a sua profissão. Gubernári, favorecido dos bens da fortuna, esposara Isabel Segardi. Também ela era rica e tinha trazido ao marido um grande dote. Os esposos combinaram fazer uma doação recíproca dos bens e a Sra. Gubernári fizera o seu testamento nesse sentido e supusera que o marido tinha feito outro tanto em seu benefício.
Posto que o Sr. Gubernári, materialista como era, zombasse do Espiritismo e dos Espíritos, não pôde deixar de impressionar-se, vendo muitos dos seus amigos, que ele sabia bem instruídos, isentos de preconceitos, e outrora mais antiespíritas que ele, tornarem-se repentinamente crentes com as manifestações espíritas.

...E o espírito de sua tia manifestou-se, predizendo a sua morte
e incentivando-o a melhorar a sua vida moral...

Um belo dia, pois, o doutor, ou porque se quisesse convencer pessoalmente, ou porque se quisesse divertir à custa dos amigos, manifestou-lhes o desejo de tentar uma experiência na própria casa e convidou-os a nela tomar parte. Logo que os experimentadores formaram a cadeia em torno da mesa, um Espírito agitou-a com força surpreendente...e o doutor ficou extremamente admirado quando, perguntando-se o nome do Espírito presente, este lhe respondeu:
- Tua tia Rosa.
O doutor ficara órfão, com pouca idade, e fora educado com ternura por essa tia, que lhe tinha servido de mãe. Quando voltou a si da surpresa exclamou:
- Pois bem, se és verdadeiramente minha tia Rosa, ajuda-me a ganhar muito dinheiro!
- Estou aqui para bem outra coisa – respondeu o Espírito. 
- Aqui estou para aconselhar-te a mudar de vida e pensar na tua mulher.
- Já pensei na minha mulher – respondeu, sem vergonha, o doutor – tanto que ambos fizemos os nossos testamentos, com benefícios recíprocos.
- Mentira! – respondeu o Espírito, sacudindo fortemente a mesa, para demonstrar o seu descontentamento – Ela deixou-te tudo, sim, mas tu não lhe deixaste nada!
A Sra. Gubernári tomou parte, então, no diálogo e querendo persuadir o Espírito de que o seu marido tinha feito testamento em seu favor, disse, corajosamente, que ele podia prová-lo, mostrando o mesmo testamento aos amigos presentes. 
O doutor, em consequência dessa intervenção inesperada da sua mulher, viu-se comprometido e sem saber como sair do aperto. Sabia o que lhe dizia a consciência e era-lhe impossível mostrar os documentos, declarando que o Espírito não tinha dito a verdade. Muito perturbado com o incidente, declarou, então, que não faria ver a ninguém o testamento. E o Espírito, agitando a mesa com força ainda maior, respondeu:
- Tu és um impostor! Sim, eu repito-te: esqueceste a tua mulher, e no teu testamento só te lembraste da tua criada, porque... Muda, sim, o teu modo de vida e o teu testamento, e apressa-te, porque não tens tempo a perder, dentro de alguns dias estarás connosco no mundo dos Espíritos.
Essa revelação foi como que um raio sobre a cabeça do doutor. Ele ficou aterrado e, depois, com raiva, gritou:

O falecido Dr. Panattôni, foi visto pelo moribundo,
sem que este soubesse que o espírito, se tinha manifestado anteriormente, predizendo a sua morte.
 
- Como? Tenho que morrer antes da minha mulher, eu que sou mais novo que ela? Não, isso não acontecerá nunca; quero viver ainda e viverei. Assim dizendo, levantou-se irritado tendo terminado a sessão.
No dia seguinte, um amigo, o Coronel Maurício, para o acalmar, disse que fariam outra sessão na casa da Condessa Passeríni, como contraprova, mas sem a presença dele. Nessa reunião foi confirmada a veracidade da comunicação da tia Rosa, assegurando que o médico morreria antes do final do corrente ano. Os amigos disseram-lhe que “os espíritos confirmaram que tinha sido uma mistificação e que não acreditasse”, caso contrário ele ficaria perturbadíssimo. O médico riu-se, feliz, e seguiu a sua vida normalmente. Na noite de 12 de Novembro o referido médico foi assaltado de febre muito forte, acompanhado de muitas dores, e como sofria horrivelmente, os amigos fizeram nova sessão na casa da Condessa. Aí, manifestou-se um espírito, dizendo-se médico, informando ser o Dr. Panattôni, (parente do deputado do mesmo nome, tinha sido um bom médico e havia exercido a sua profissão em Florença) e que o doente faleceria em breve.
Em 30 de Dezembro de 1874 falecia o Dr. Gubernári dizendo ver perto de si o Espírito do Dr. Panattôni, que não o abandonava um só momento, e à sua cabeceira os espíritos de sua mãe e sua tia Rosa, que o consolavam com a sua presença, e o encorajavam a deixar a vida terrestre ( o Dr. Gubernári, nada sabia da manifestação do Dr. Panattôni na sessão em casa da Condessa).»

No próximo artigo abordaremos outros casos diferentes de aparições no momento da morte.