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Espiritismo ou "espiritismos" ?


"O Espiritismo é a ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como das suas relações com o mundo corporal", refere Allan Kardec no livro "O que é o Espiritismo".
Sendo uma ciência filosófica de consequências morais, como ciência de observação investiga os chamados factos espíritas, como filosofia explica esses mesmos factos, e como moral apresenta um roteiro para a Humanidade, de modo a que esta se espiritualize mais depressa.
Sendo a Doutrina dos Espíritos (ditada por eles) e estando assente em valores universais, bem como nas leis imutáveis da Vida, jamais poderia a Doutrina dos Espíritos ser mais um joguete dos seres humanos, que a utilizassem a seu belo prazer.
Allan Kardec, estruturou muito bem os ensinamentos dos Espíritos, compilando-os na sua obra, que engloba os 12 volumes da "Revista Espírita" e 8 livros (considerando-se o livro "Obras Póstumas" e "Viagem Espírita em 1862"), deixando bem vincado o carácter universalista e universal da Doutrina dos Espíritos.
Léon Denis, o filósofo do Espiritismo, referia a seu tempo, que o Espiritismo seria aquilo que os Espíritas dele fizessem.
A obra de Kardec permanece segura, bem estruturada, e ainda não é bem entendida pela grande maioria de nós, o que é natural tendo em conta que é algo muito recente, apenas com 158 anos de idade.
Os espíritas (adeptos da ideia espírita) entendem a Doutrina dos Espíritos de acordo com a sua capacidade de entendimento, que varia em grau e em profundidade, o que é perfeitamente normal, saudável, desde que haja bom senso, discernimento, lucidez, equilíbrio e uma normal troca de ideias, dentro da assertiva espírita da fraternidade, da caridade, do Amor entre todos.
Pelo processo da reencarnação, muitos de nós, espíritas, somos ex-padres e ex-freiras, oriundos do catolicismo dominante no Ocidente, desde sempre. Ainda presos aos atavismos do passado, vamos levando para os centros espíritas muitas coisas que nada têm a ver com a essência universal do Espiritismo, como toalhas brancas para a mesa (saudades dos altares?), fotografias de Jesus e de vultos espíritas (saudades dos santos das Igrejas?), rezas em coro e cânticos igrejeiros (reminiscências do catolicismo?), o "Amen" no fim de uma prece, posturas igrejeiras e castradoras por parte de dirigentes espíritas (saudades do clero?) (tudo isto criticado por Kardec, in "Viagem Espírita em 1862", cap. XI e seguinte).
Paralelamente, ao nível da divulgação espírita, em termos locais, regionais, nacionais e internacionais, vamos perdendo a essência do espiritismo, o estatuto de livre-pensador, para começarmos a criar organizações, grupos, por vezes sectários, dentro dos movimentos espíritas, feitos pelos homens, que muitas vezes vão contra a essência da Doutrina dos Espíritos (que não é sectária).
É fundamental que as organizações de divulgação espírita, seja a que nível for, as Federações Espíritas em todos os países, não se tornem uma reedição dos Bispados de outrora, assim como é importante que o Conselho Espírita Internacional (CEI) não seja entendido como um papado espírita.
No entanto, todas estas organizações são muito úteis e necessárias no processo de divulgação do espiritismo, mantendo-se uma estrutura horizontal, em rede, sem necessidade da tradicional estrutura piramidal, papal.

O espiritismo é uma ideia fabulosa.
Os espíritas são os seus bons ou maus intérpretes,
que não podem ser confundidos com a ideia espírita.

O ser humano, espírita, habituado a ser "orientado" pelos padres de outrora, sente-se perdido, sem saber o que fazer ou como fazer, agora que usufrui do estatuto de livre-pensador. Então, num movimento de “retrocesso” evolutivo temporário, o espírita refugia-se em organizações que reeditam vícios e erros do passado, criando-se regras rígidas, outras absurdas, supostas hierarquias, fazendo-se com o Espiritismo o mesmo que os Homens fizeram com o Cristianismo, descaracterizando-o e catolicizando-o.
Os centros espíritas pequenos, como preconizava Kardec, um em cada bairro, com 20, 30 pessoas, vão dando origem a "igrejas" com 400, 800, 1000 ou mais pessoas, descaracterizando a essência do centro espírita, que aponta no conhecimento mútuo, no amparo entre todos, na entreajuda e companheirismo (in "O Livro dos Médiuns", cap. XXIX, "Reuniões e Sociedades").
Saudosos dos grupos divergentes dentro do catolicismo, em vidas passadas, divergências essas que deram origem às várias ordens religiosas e aos vários grupos dentro do Catolicismo, os espíritas menos atentos agrupam-se em torno dos seus "santos" espíritas, criando "grupos de amigos" deste ou daquele espírita mais proeminente, num claro desacerto com o rumo da Doutrina dos Espíritos, compilada por Allan Kardec.
Não existem espiritismos, nem existem correntes espíritas.
"Espiritismo só há um, o de Kardec e mais nenhum" costuma referir pessoa amiga, em jeito de brincadeira, mas falando a sério.
Espiritismo é uma coisa.
Os espíritas podem ser outra bem diferente...

Em caso de dúvida, peguemos nos livros de Allan Kardec, estudemo-los, usemos o nosso espírito crítico, com Amor, fraternidade, e prossigamos vivendo, amando, servindo, na certeza de que no actual estado evolutivo, jamais conseguiremos agradar a gregos e troianos.

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A crise...

Anda tudo sarapantado
Anda tudo "aos papéis"
Sejam ricos, sejam pobres
Sejam Marias ou Manueis

Uns sem dinheiro
Outros cheios d'anéis
Todos com medo
De perder os seus “papéis”

São tempos difíceis
São tempos de confiança
Quem não tiver fé
Vai perder a esperança

Tudo passa
Dizeis e com razão
Mas passa melhor
Com fé e oração

Pregai à humanidade
A ideia do Espiritismo
Baseada na fé
Na razão e no altruísmo

Somente percebendo
O fanal real
Todos os desorientados
Se livrarão do mal

Entendendo a espiritualidade
A imortalidade e reencarnação
Também eles tentarão
Resistir à tentação

Essa é a missão
Dos espíritas actuais
Levar a luz de Deus
Aos restantes mortais


Poeta alegre


Psicografia recebida na  reunião mediúnica, CCE, C. Rainha, Portugal, 4 de Agosto de 2015

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A essência do Espiritismo...


O Espiritismo (ou Doutrina Espírita ou ainda Doutrina dos Espíritos) foi compilada por Allan Kardec em meados do século XIX, apontando-se a data de 18 de Abril de 1857 como a do aparecimento do Espiritismo, por coincidir com a data do lançamento de "O Livro dos Espíritos", livro este que contém a parte filosófica do Espiritismo, sendo a base para o seu entendimento.
Allan Kardec nas suas 20 obras que deixou ao mundo (12 volumes de "A Revista Espírita", "O Livro dos Espíritos", "O Livro dos Médiuns", "O Evangelho Segundo o Espiritismo", "A Génese", "O Céu e o Inferno", "Obras Póstumas", "O que é o Espiritismo" e "Viagem Espírita em 1862") definiu o Espiritismo como uma ideia universal e universalista, com uma abrangência muito maior do que as religiões ou grupos sectários.
Na sua obra "O que é o Espiritismo", no prólogo, define-o "O Espiritismo é, ao mesmo tempo, ciência experimental e doutrina filosófica. Como ciência prática, tem a sua essência nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos. Como Filosofia, compreende todas as consequências morais decorrentes dessas relações.
Pode ser definido assim:
O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como das suas relações com o mundo corporal".
Convém fazer aqui um parêntesis, que o Espiritismo é aquilo que Allan Kardec legou à Humanidade e não o que muitas vezes os espíritas dizem do Espiritismo, que pode coincidir ou não com a essência do Espiritismo que Kardec compilou.
Uns tentam entendê-lo, outros tentam fazer da Doutrina Espírita mais uma religião, alguns utilizam o Espiritismo para fins obscuros, outros ainda, alterando a definição de Kardec, trocam o termo "consequências morais" por "consequências religiosas", adulterando lamentavelmente a essência do Espiritismo.
Pesquisando os factos mediúnicos, encontra-se toda uma filosofia, filosofia esta que  está assente na moral ensinada por Jesus de Nazaré, como sendo a maneira do Homem mais rapidamente se espiritualizar e assim se aproximar de Deus.
Ciência, filosofia e moral, é o que não se cansa de demonstrar ao mundo, Divaldo Pereira Franco, exemplificando no seu quotidiano, deixando um rasto de luz para que amanhã possamos segui-la nas nossa vidas.

O Espiritismo propõe a caridade que silencia, que não escandaliza,
que não se impõe, que exemplifica, que é paciente.

Divaldo Franco, espírita, o maior conferencista mundial da actualidade (Agosto de 2015), médium, foi condecorado no dia 6 de Agosto de 2015, pela Assembleia Legislativa da Bahia, Salvador, Brasil, com a mais alta condecoração (Comenda 2 de Julho), pelo trabalho feito em prol dos pobres, sua educação e reintegração social (in http://g1.globo.com/bahia/noticia/2015/08/medium-baiano-divaldo-franco-e-agraciado-com-comenda-2-de-julho.html).
Relembrando os ensinamentos dos Espíritos "Fora da caridade não há salvação", vemos no trabalho de Divaldo Franco o eco desta frase espírita, em que passando pela pesquisa, pela análise e divulgação filosófica, vive toda uma vida servindo os mais desfavorecidos da sociedade brasileira.
Neste tríplice aspecto, "ciência, filosofia e moral", como apresentou Allan Kardec, encontramos o ponto de encontro na caridade, para connosco e para com o próximo.
Não só a caridade material, mas principalmente a caridade interior, ao nível do sentimento, do pensamento e das atitudes.
O Espiritismo propõe a caridade que entende, que compreende, que não repudia, que não ostraciza, sem ser obviamente conivente com o erro.
O Espiritismo propõe a caridade que silencia, que não escandaliza, que não se impõe, que exemplifica, que é paciente.
Entendendo quem somos, de onde viemos e para onde vamos, bem como a causa das dissemelhanças entre nós, assente na mais pura justiça divina (justiça-Amor), chegaremos mais rapidamente a Deus, no nosso processo de espiritualização, vivendo de acordo com o conselho "Fora da caridade não há salvação" (isto é, sem a prática da caridade não evoluímos, estagnamos, e demoramos mais tempo a evoluir, quando optarmos pela caridade no quotidiano).
Esta é a essência do Espiritismo.
Obrigado Divaldo Franco, pelo seu exemplo que repercute e repercutirá nos anais da História, como exemplo a seguir.