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E tudo o vírus levou...



1 – Materialismo - Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita (que não é mais uma religião ou seita, mas sim uma filosofia de vida, espiritualista) identificou o grande “inimigo” da Humanidade: o “materialismo” e o desconhecimento que o Homem tem da sua condição de Espírito imortal. Urge, dizia ele em 1857, demonstrar à Humanidade a sua espiritualidade (hoje comprovada cientificamente, desde o aparecimento do Espiritismo).

2 – Egoísmo – Os Espíritos superiores referem, na obra de Kardec, que o egoísmo é a mãe de todos os defeitos que o Ser Humano possuí, e que erradicando-se o egoísmo, arranca-se a raiz de todos os males humanos.

3 – Capitalismo vs ditadura – Ignorante da sua condição de Espírito imortal, ignorante das Leis da Natureza (reencarnação, causa e efeito,. etc.), o Homem, numa simples vida de 80 anos, quer tudo para si, num capitalismo selvagem; esmaga outros seres humanos, em regimes ditatoriais, esquecendo-se que, mais logo, estará no mundo espiritual, perante a sua consciência, em dolorosos processos de auto-reajuste, sob a batuta do remorso e da culpa. Dizem os Espíritos superiores, na obra de Allan Kardec, que a medida da felicidade na Terra, no campo material é ter o essencial para viver com dignidade (casa, comida, trabalho); no campo moral é ter a consciência tranquila.

4 – Eutanásia vs aborto – Na sua infância espiritual o Homem quer brincar de Deus. Exibe leis que permitem matar despudoradamente (aborto, eutanásia), esquecendo-se que as leis dos Homens não conseguem sobrepor-se às leis de Deus (Leis da Natureza). Qualquer lei que vá contra uma lei natural provoca um desequilíbrio social, mundial, gerando consequências dolorosas que buscam o reequilíbrio agora perdido. Critica-se Hitler, por um lado, e “democraticamente” decide-se, nos parlamentos, que matar é “legal”.

5 – Guerra vs psicosfera – Na sua infantilidade espiritual, o Homem fomenta guerras de todo o tipo (das guerras mentais às guerras entre Estados, desde guerras interiores às guerras periféricas e mundiais), desconhecendo que, tudo aquilo que pensa gera uma onda mental e, uma consequente aura energética em seu redor. Os conjuntos de Homens geram conjuntos de auras, citadinas, de países, mundiais. Dizem os Espíritos superiores, que vista do espaço, a Terra parece envolta numa psicosfera (atmosfera psíquica) negra, pesada, proveniente das emanações mentais de ódio, de vingança, do orgulho, de egoísmo, das guerras, do capitalismo selvagem, da falta de ética e de moral social.

6 – Coronavírus (COVID-19) – De repente, apareceu no planeta Terra mais um vírus, denominado coronavírus COVID-19. Desconhece-se a sua causa e onde apareceu, bem como a sua dinâmica mutacional, os impactos sociais e mundiais que virá a ter. Apesar de toda a tecnologia do Homem, da sua capacidade de, em naves espaciais pesquisar o sistema solar, de ter uma base espacial internacional, dos inúmeros avanços científicos, bastou um simples vírus para provocar desencarnações (mortes) em massa, para paralisar cidades com milhões de habitantes, para parar toda a dinâmica social ao nível planetário, mais cedo ou mais tarde, como que a demonstrar o quanto o Homem é pequenino, na sua aparente “fortaleza”.

7 - E tudo o vírus levou – A doutrina espírita (ciência, filosofia, moral) investiga os factos espíritas (demonstrando a imortalidade do Homem), explica esses factos e aponta a moral que Jesus de Nazaré deixou à Humanidade, como o roteiro mais seguro para a sua espiritualidade, para a sua evolução intelectual e moral. Nesse sentido, o Espiritismo define-se como sendo uma doutrina filosófica de consequências morais, pois que o seu conhecimento, a sua vivência, acarretam consequências morais para a Humanidade.

Epílogo - Quando o Homem tiver esta consciência, de que é um ser imortal, de que a reencarnação é uma lei biológica e de que colhe na vida o que semeou antes (Lei de causa e efeito), deixará de haver racismo, porque o Homem saberá que pode reencarnar com qualquer cor de pele; deixará de haver xenofobia, porque o Homem saberá que pode reencarnar em qualquer país do planeta; deixará de haver as assimetrias sociais profundas, porque o Homem saberá que aquele mendigo de agora pode ter sido um primeiro-ministro de outrora, quiçá seu pai, irmão; deixarão de existir os conflitos sexuais, porque o Homem terá a consciência que pode reencarnar com a polaridade masculina ou feminina; deixará de haver o desrespeito pela Natureza, pois o Homem saberá que ao reencarnar, encontrará a Natureza tal como a deixou.
A solução encontra-se nas leis da Natureza, nas leis de Deus (ver “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec), no fazer ao próximo o que desejaríamos para nós mesmos, conforme ensinou o grande psicoterapeuta da Humanidade – Jesus de Nazaré.
Enquanto isso não acontecer, continuaremos a ser figurantes do filme de terror, em rodagem, no planeta Terra, intitulado “E tudo o vírus levou…” (o vírus do egoísmo, a causa de todos os males na Terra)…
  
Bibliografia:

ADEP – “Curso Básico de Espiritismo”, www.adep.pt
Kardec, Allan – “O Livro dos Espíritos”, Ed. FEP, Portugal

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Amanhã anda à rodaaaa...


Há dias de sorte.

Estava sentado na esplanada, a ler a última edição do Jornal de Espiritismo (da ADEP), que acabaria por ficar “esquecido” na mesa, com o afã de divulgar o Espiritismo e também para o caso de ser útil a alguém. Um cauteleiro passou ao lado, cantando a sorte grande: “amanhã anda à rodaaaa…”, tentando vender as últimas cautelas da lotaria nacional.
“Quanto custa?”, perguntei, a que se seguiu, no meio da esperança de vender, a resposta pronta: “10 €, mas pode ganhar muitos milhões…”.
Comprei uma fracção e não liguei mais ao assunto, continuando a ler o jornal.
O sorteio era nessa 2ª feira à noite e, antes de me deitar, consultei na Internet, o resultado do mesmo: quase morria de susto, os números eram muito parecidos. Consultando melhor, tinha o 1º prémio… não queria acreditar… voltei a ver, dígito a dígito… não havia como enganar: tinha ganho o 1º prémio… yesss… quanta alegria naquele momento.
Com a mão trémula, e ainda sem acreditar, a cautela premiada caiu-me da mão. Era a excitação do inusitado da situação. Estiquei o braço para apanhar a cautela e senti forte dor no cotovelo: tinha batido com o braço na mesinha de cabeceira!!!
Ora bolas, tinha sido um sonho, caramba, parecia tão real…
Não pude deixar de sorrir, antes de mergulhar, de novo, no vale dos lençóis, em busca de uma noite sossegada.
Ao acordar relembrei o sonho e, não sei porquê, lembrei-me de muita gente que está à espera que lhe saia a lotaria espiritual: a taluda da “transição planetária”.

Uns dizem que já andou à roda, outros dizem que vai andar à roda em 2020, outros em 2057, outros noutras datas. Coitado de quem comprou a cautela, em busca de um futuro melhor, sem esforço. Não é justo, nem sabem o dia em que vai andar à roda o tão desejado prémio!
Os espíritas (e não só) por vezes vemos as coisas de um ponto de vista místico, nada condizente com o que Allan Kardec deixou à Humanidade: uma fé raciocinada, que enfrente a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.
As leis de Deus (leis da Natureza) são intocáveis e independentes do acreditarmos nisto ou naquilo, do agirmos ou não em conformidade, das opiniões pessoais.
Sendo Espíritos imortais no concerto da Vida, sabemos que a evolução do Espírito é um imperativo, mas também sabemos que esse desiderato é mais ou menos rápido, de acordo com o livre-arbítrio de cada um. Nesse sentido, se o futuro a curto, médio e longo prazo depende das opções futuras do Homem, se esse Homem tem o livre-arbítrio de agir bem, agir mal, não agir, ninguém pode referir uma data para a transformação da Humanidade que os bons Espíritos preconizaram a Allan Kardec, para o 3º milénio. Curiosamente, os mesmos Espíritos, ensinam em “O Livro dos Médiuns” que qualquer Espírito que afirme que tal situação vai acontecer na data X ou Y, esse Espírito não merece credibilidade, devido às condicionantes acima referidas.

A lotaria da “transição planetária”
faz com que muitos de nós
“andem na Lua”, em vez de estarem na “Terra"

Olhando para a história da Humanidade vemos que a sua evolução é muito lenta, do ponto de vista ético-moral. Em 2.000 anos não conseguimos aprender o básico, que o grande psicoterapeuta da Humanidade, Jesus de Nazaré, ensinou: “não fazer ao próximo o que não desejamos para nós”. Se em 2 mil anos não conseguimos esse desiderato, como conseguir que o Espiritismo (que apareceu em 1857) brote de dentro de nós, se nem sequer o conseguimos entender na sua profundidade, tentando, pelo recuo evolutivo, transformá-lo em mais uma religião, ao arrepio do que Kardec deixou à Humanidade?
Uma leitura atenta à “Revista Espírita” de Allan Kardec, ano 9, nº 10, Outubro de 1866, faz-nos ver que aquilo a que misticamente chamamos “transição planetária”, não é bem assim como pensamos e queremos: uma “cautela de lotaria” que vai sair a uns felizardos.
Se é certo que pela reencarnação novos Espíritos virão ajudar a Terra na sua evolução, se é certo que a evolução é um imperativo do Espírito, se é certo que Deus tem mecanismos que nem cogitamos, para auxiliar a Humanidade, manda o bom senso que olhemos à nossa volta: temos um condomínio de luxo na Terra (o Ocidente “civilizado”) e temos milhões de irmãos nossos, em estados de profunda miséria, pelo globo todo, que estão na Terra com o mesmo propósito (evoluir intelectual e moralmente) que nós, bem como que perante Deus não há seres privilegiados.

J. Gomes (escritor, jornalista) fez pedagógica palestra, “A evolução mede-se em…milhões de anos”, no aniversário do Centro de Cultura Espírita, nas Caldas da Rainha, Portugal, em 17 de Janeiro de 2020, onde podemos encontrar uma visão lúcida e invulgar acerca do assunto.
José Raul Teixeira (Doutor em Física, espírita, médium), numa das suas muitas palestras, referia, com sensatez, que o 3º milénio tem 1.000 anos e, que em mil anos podemos reencarnar várias vezes na Terra.
Talvez fosse bom pensarmos um pouco na história inicial deste texto, não vá um dia… acordarmos e vermos que afinal, tudo aquilo em que acreditávamos ser possível, “evolução sem esforço”, não passou de um sonho…
O melhor é mesmo cada um melhorar-se por dentro, passo a passo, dia-a-dia, seguir adiante, exemplificar fraternidade, amizade, tolerância, fazendo ao próximo o que gostaríamos que nos fizessem, deixando o resto nas mãos de Deus! 

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Não suporto o meu marido...


Outra vez o telefone!!! Por vezes apetece-me desligá-lo de vez, mas… ele faz tanto jeito… “Está? Bom dia, como vais?”, Esta frase prolongou-se por uns longos 36 minutos de conversa, em que o monólogo que vinha do outro lado ganhou por 10-0, à tentativa de diálogo. Ouvi, e fiquei feliz por verificar que já consigo ouvir… estou a aprender algumas coisas, nesta vida (sorrisos…)!
Um casal na casa dos 70 anos. As queixas do costume: “ele está insuportável, não o consigo aturar, não sei se aguento mais, qualquer dia vou embora, sem saber para onde e como.” Numa quase vã tentativa de opinar, lá para a 12ª tentativa, consegui “meter a ficha” e dizer qualquer coisa, no meio daquele rol de mágoas, ressentimentos, queixumes.
Falámos dos momentos de namoro deles, do casamento, do nascimento dos filhos, das alegrias, dos êxitos materiais, das oportunidades desta vida.
Do outro lado, lá vinha “pois é, foi tão bonito, quem me dera que fosse assim, mas agora é diferente, é uma tristeza”.

Vejamos o coleccionador de carros antigos.
Antes de serem antigos, eram modernos, fonte de todos os prazeres na condução, úteis. Depois, perderam a graça, ficaram velhos, uns sem peças, outros para a sucata, já não prestavam, diziam, pois outros modelos mais modernos tinham vindo para o seu lugar.
No entanto, há sempre quem seja obstinado, quem não desista de limpar e consertar o carburador, meter uma mola nova, um retoque na pintura e, quando se dá por ela temos um carro de colecção, extremamente valioso, que os outros ambicionam mas não conseguem comprar, pois o preço é exorbitante e raramente está à venda. Os donos dessas donas Elviras, quase sempre dizem que não os vendem, pois ali está um bocado do seu ser, do seu sentir, da sua vida. A analogia, surgida repentinamente, não podia ser mais certeira.

Na vida, temos o carro físico (o corpo de carne) que, quando jovem é bonito, activo, socialmente aceitável. De repente, é preciso mudar uma peça ou outra. Não é possível. Tem de ser remendado, num Hospital qualquer, através da gentileza e da competência de um cirurgião.
O Homem almeja por se reformar para ser feliz, trabalha contra a vontade. Chegou a hora da reforma e ele estertora, sem objectivos de curto, médio e longo prazo. Não vive, sobrevive, e como não se sente bem, tem de descarregar o seu mal-estar, frustrações, em alguém. Curiosamente, esse lixo tóxico, mental, é lançado sobre aquele que escolhemos para parceiro de uma vida. Um paradoxo da existência Humana.
De repente, outra frase que lera há dias, baila na mente: “a gentileza do entendimento”.

É possível amar, entender, compreender quem
nos agride e permanecer sereno.
É tudo uma questão de treino.

No meu cérebro, uma espécie de tornado de ideias nobres vão emergindo, do subconsciente ao consciente: “nunca discutir”, “mais vale ser feliz do que ter razão”, “não critique, auxilie”, “não acuse, ampare”, “não grite converse”, “ninguém gosta de ser criticado”, “tudo passa”…
Afinal é fácil viver em conjunto.
Penso no personagem incrível que foi Jesus de Nazaré, na sua paciência inesgotável no falar e no agir, trazendo, através da sua psicoterapia superior, as pílulas do entendimento, os comprimidos da paciência, as cápsulas da aceitação da vida, com a sua dinâmica em cada fase, o solvente da indulgência para com as faltas alheias, sem ser conivente com o erro.
Do outro lado do telefone, a voz da minha interlocutora voltou, mais calma: “Ah, quem me dera que fosse assim o mundo!
É fácil, basta que cada um, no seu mundo íntimo se dedique a fazer ao próximo o que gostaria que lhe fizessem, a amar as pessoas como elas são, mesmo que discordem das suas ideias, que se veja que quando alguém rabuja, estrebucha, se queixa, está apenas, no seu grau de infantilidade espiritual, a pedir que o amem…
O Amor, nos seus inúmeros níveis é sempre um banho de bem-estar que podemos fruir, através da prece sincera, espontânea, da leitura edificante que nos deixa marcos para o dia-a-dia, da meditação em torno do assunto...
Relembrando os momentos bons de outrora, podemos suavizar os mais difíceis de agora, na certeza de que amanhã, estaremos noutra estrada da vida, em nova aurora existencial. “Amai-vos uns aos outros”, sugeriu meigamente Jesus de Nazaré, há dois mil anos!
Porque esperamos?

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Seja bem-vindo, Sr. Outono...

O Outono precede o Inverno, essa estação terrível, o fim, o caos, sem folhas, árvores nuas, frio, gelo, escuridão, vento, chuva. 
Quanta ilusão!
Na curva seguinte, eis que surge a Primavera, com mil tons, o chilreio dos pássaros, os cheiros, o Sol, o convite à vida que se "plenifica" no Verão.
A Vida é isto, uma sucessão de eventos, uma sucessão de estações, que não se esgota no plano da energia densa, coagulada (a matéria).
Tal como na Natureza, também um dia a matéria densa perde a sua vitalidade, parecendo desfazer-se no fim do "Inverno" da Vida.
Pura ilusão!
Mais logo, essa mesma vida, rebenta de novo, noutros patamares existenciais, e eis que surge um bebé.
Expressões de carinho e ternura, como "Que fofura, tão lindo, um anjo" referem-se àquele velho hipócrita de ontem, àquela mãe zelosa, àquele pai déspota que não soube ser melhor por falta de capacidade, àquela madre Teresa de Calcutá anónima de Vila Meã da Raia.
É a reencarnação em todo o seu esplendor, como um convite ao Amor, o combustível do Universo criado por Deus.
Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei, diz-nos a Doutrina Espírita, abrindo-nos de forma científica, filosófica e moral, um portal para que possamos descortinar novos mundos existenciais, em busca de um devir, brilhante, feliz entre os imortais...
Seja bem-vindo Sr. Outono... 
                                                                                                                23 de Setembro de 2019

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Perdoar é preciso...

Eva Mozes Kor 

O perdão é uma das atitudes mais sublimes do Homem, numa demonstração da sua capacidade de se superar espiritualmente, a caminho de novos patamares evolutivos. Outrora considerada uma atitude dos santos, hoje vemos que está ao alcance de qualquer um que o queira fazer. Perdoar, é preciso…


Perdoar é preciso, faz falta à Humanidade como de pão para a boca.
Perdoar é, igualmente, preciso (de precisão), pois alcança fatalmente o perdoado, com um impacto fatal.
O poder do perdão é tão grande que Jesus de Nazaré, há dois mil anos, apontava esta prática como o caminho para a espiritualização do Homem, ao recomendar perdoar os inimigos, perdoar 70 x 7, isto é, sempre.
Perdoar não é esquecer (tudo o que nos acontece fica gravado no nosso psiquismo); perdoar não é amar de igual modo o criminoso ou alguém que nos ame muito. Obviamente, temos sentimentos diferentes relativamente aos demais, variando com a maior ou menor afinidade que tenhamos com essas pessoas.
Mesmo lembrando o mal que nos possam ter feito, mesmo que gostemos mais ou menos desta ou daquela pessoa, conforme as afinidades, o ensinamento que Jesus (o grande psicoterapeuta da Humanidade, no dizer do Espírito Joanna de Ângelis) deixou é, que é sempre possível perdoar.
Isso significa entender o outro, entender porque agiu de determinada maneira; significa compreender que é um Ser em evolução, mesmo errando, mesmo prejudicando; significa ter uma visão holística da Humanidade, a espraiar-se pelos séculos sem fim, ao longo das reencarnações, saber e sentir que, amanhã, esse Ser hoje condenável socialmente, será melhor, atingindo o vértice da evolução espiritual, um dia, dentro da lógica das vidas sucessivas e progressivas (O Livro dos Espíritos, Allan Kardec).
Perdoar não significa ser condescendente com o erro, não significa omitir-se, desculpar o crime, mas sim, independentemente da aplicação coerciva das leis humanas, entender, não odiar, não desejar mal, sentir apesar de tudo, o espírito de irmandade universal que a todos nos liga, nos múltiplos patamares evolutivos de cada um.
Quando se atinge esse estado, o Homem pacifica-se por dentro, serena, age em conformidade com a sua tranquilidade interior, independentemente do que aconteça exteriormente.

O poder do perdão
é incomensurável.
Toca o coração
do bom e do miserável.

(Poeta alegre, in Histórias que os
Espíritos Contaram, Vol I, Ed. FEP)  

 1 - Há cerca de 35 anos, um amigo que se tornou verdadeiro guia espiritual na Terra, contou-me um caso de um criminoso americano, condenado a prisão perpétua. Esse homem, foi-se encantando com um passarinho que, pousava na grade da janela da sua cela. Interessou-se por ornitologia, foi estudando e tornou-se num especialista mundial, contribuindo com o seu saber para a Humanidade. Se não fosse o perdão dos seres humanos (que não o levaram à cadeira eléctrica) ter-se-ia perdido esse conhecimento, essa oportunidade de evolução do próprio e de todos, em geral.

Carta de Obama estimulando a indultada
2 - Danielle Metz, nos EUA, foi presa em 1993 e passou 23 anos na cadeia por tráfico de droga. Originalmente foi condenada a três penas perpétuas e a mais 20 anos.
Na prisão começou a estudar e, em 2016, 23 anos depois de ser detida, o ex-Presidente Barack Obama, concedeu-lhe um indulto. Voltou a Nova Orleães e conseguiu emprego a empacotar caixas de comida para os mais pobres, junto de uma organização de solidariedade social. Aos 50 anos inscreveu-se na universidade da sua cidade e este ano finalizou a licenciatura em Assistência Social com uma das médias mais altas. (in jornal Expresso, Portugal, 12 Julho 2019)

3 - Eva Mozes Kor chegou ao campo de concentração Nazi, em Maio de 1944. Perdeu os pais e as duas irmãs mais velhas numa câmara de gás em Auschwitz e serviu, tal como a irmã gémea Miriam, de cobaia às mãos de Josef Mengele, o “anjo” de morte. Refez a vida em Israel e nos Estados Unidos e ensinou o valor do perdão.
Eva Mozes Kor, uma das sobreviventes do Holocausto, depois de testemunhar contra o “contabilista” do campo de concentração de Auschwitz, perdoou o seu carrasco. Morreu em 2019, aos 85 anos, deixando uma mensagem notável ao mundo: Perdoem os vossos piores inimigos”. (cf. jornal Expresso, Portugal, 6 Julho 2019)

Depois dos exemplos de Ghandi, Martin Luther King, Nelson Mandela e tantos outros missionários do Amor na Terra, a mensagem do maior exemplo do perdão, Jesus de Nazaré, mantém-se actual, exequível, imprescindível para a evolução intelectual e moral da Humanidade.
Dois mil anos depois, continuamos distraídos, a investir na estratégia oposta (ódio, inveja, egoísmo), no entanto os casos aqui referidos demonstram que é possível perdoar, é possível amar na diferença.
A paz é o caminho, perdoar é… preciso!

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Pinceladas espíritas...



Dignidade: os exemplos que nos mantêm de pé...
O espírita não é melhor nem pior que os demais: é diferente! Não tem uma crença, tem convicções, baseadas em factos. Não tem uma religião, tem espiritualidade e, acaba por ver o mundo com cores diferentes, bastando umas pinceladas de espiritismo para tal.


TERRORISMO NO SRI LANKA
Pudemos assistir estupefactos ao primitivo acto terrorista no Sri Lanka, onde morreram violentamente quase 300 pessoas. Chocou a sensibilidade das pessoas. Um português, em lua-de-mel, ao lado da esposa, foi uma das vítimas, escapando ilesa a esposa.
Que Deus horrível é este, que permite estas coisas?
Esse Deus, antropomorfizado (feito à imagem e semelhança do Homem, o velhinho de barbas, com um chicote à espera que morramos para nos castigar ou dar o céu) não existe para os Espíritas.
O Espiritismo não questiona “Quem é Deus?”, mas…”O que é Deus?”, e a resposta dos Espíritos superiores é tão sublime quanto profunda: “Inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”.
Estudando o Espiritismo (comece pelo “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec”) verificamos esse Deus – Amor, a Reencarnação, a Lei de Causa e Efeito, a Pluralidade dos Mundos Habitados, a Imortalidade e a Comunicabilidade dos Espíritos.
Depois de estudar, acabamos por compreender que tudo o que acontece está interligado, passado e presente e que o Amor é o combustível do Universo, que nada acontece por acaso, tudo tem uma causa, em busca do equilíbrio universal.
Leia, pois vai ficar esclarecido e, consequentemente, consolado.
Vale a pena!


CICLONE IDAI, VACAS, CROCODILOS...
O ciclone Idai varreu a zona central de Moçambique em Março de 2019, deixando um rasto de destruição inimaginável, com mais de 600 mortos.
Se custa ver um povo sofrer a violência da Natureza, custa muito mais ver um povo que nada tem, perder tudo aquilo que não tem, por paradoxal que possa parecer.
No entanto, os moçambicanos não perderam a dignidade, deixando ao mundo exemplos de nobreza de carácter, de abnegação, altruísmo, resiliência e verdadeira fé, força de vontade.

- A reportagem da TV portuguesa encontrou cerca de 100 pessoas esfomeadas, num sulco de terra, ligeiramente acima do mar de água que alagou os terrenos. Nas redondezas, andava uma dezena de cabeças de gado, perdida. Interrogada uma das pessoas à espera de socorro, sem comer há alguns dias, do porquê de não comerem as vacas à solta, a resposta saiu pronta e natural: “as vacas são de fulano mais para o Norte, estão perdidas, mas depois ele deve vir buscá-las. Não são nossas!”

- Um empresário com uma criação de 26 mil crocodilos, 40 empregados. Esses trabalhadores ficaram dia e noite, 2 dias sem dormir, a tomar conta dos crocodilos para que não houvesse a tragédia de se soltarem e devorarem pessoas. Os “40 magníficos” largaram tudo, as suas casas, mulheres, filhos, durante o ciclone, para evitar um desastre maior.

- João, outro empregado do mesmo empresário, perdeu 4 filhos porque tinha de salvar uma manada de vacas e levá-las para um local alto, a fim de não se afogarem. “Patrão, salvei as vacas, mas perdi os meus 4 filhos…


ESCLARECER E CONSOLAR
Muitos revoltam-se, questionam “Onde está Deus?”,Porque Deus permite isto?”, o que é normal, uma vez que desconhecem a Lei de Causalidade, as Leis Morais, a Lei de Deus, universal e perfeita.
Em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec (discípulo de Pestalozzi), encontramos nessa magnífica obra de Filosofia Espírita, 1019 perguntas e respostas, que são o preâmbulo de uma obra profunda a espraiar-se em outros livros de Allan Kardec.
Sendo o espiritismo uma ciência de observação, uma filosofia de vida, embasada na moral universal de Jesus de Nazaré (nada tendo a ver com religiões ou seitas), vem dizer-nos quem somos, de onde viemos, para onde vamos, o que estamos a fazer na Terra, a causa das dissemelhanças, bem como das alegrias e dores da Humanidade.
Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar tal é a Lei”, reflecte, em essência, a ciência espírita que, um dia será (ou não) confirmada pela ciência oficial.
Até lá, porque não fazermos a nossa tarefa de divulgação de uma ideia que acalma, esclarece e consola?
Lembre-se disso nos aniversários e datas festivas, ofereça livros espíritas a familiares,  amigos, a bibliotecas locais e regionais, cadeias, escolas, universidades.
Quanta gente cheia de fome, e nós, espíritas, com um saco cheio de pão… !!!

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A mulher - violência - o homem... (um ponto de vista espírita)



Portugal tem sido assolado por uma onda de violência doméstica sem precedentes. Somente desde Janeiro de 2019, já foram mortas pelos seus companheiros mais de uma dezena de mulheres, inclusive com mortes macabras. O entendimento do Espiritismo pode resolver esse problema.

No ponto de vista espírita, o Ser Humano é um Espírito imortal, criado por Deus, que começou a sua evolução no reino hominal, na 1ª encarnação em mundos primitivos, simples e ignorante. Ao longo dos milénios, esse Espírito vai tendo reencarnações sucessivas e progressivas, desenvolvendo o intelecto e a moral, até que um dia atinja o estado de Espírito puro, não necessitando mais de reencarnar, continuando a sua evolução como co-criador de Deus, no Universo.
Nessa viagem de milhões de anos, o Espírito tanto reencarna como homem ou mulher, de acordo com o que for mais útil para si, tendo em conta as sua necessidades evolutivas.
Em “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, que comporta a filosofia espírita, podemos encontrar conceitos claros sobre o assunto, explicando que o Espírito é portador de sexualidade, mas não de sexo. Apenas quando tem necessidade de reencarnar, o Espírito adopta uma polaridade sexual (masculina ou feminina) tendo em conta aquilo que necessita aprender nessa reencarnação.

Na questão 202 de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec pergunta:
“Quando somos Espíritos, preferimos encarnar num corpo de homem ou de mulher?
Resposta - Isso pouco importa ao Espírito; depende das provas que ele tiver de sofrer.

Os Espíritos encarnam-se homens ou mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, só saberia o que sabem os homens.”

Nesse sentido, não faz qualquer sentido haver discriminação de raças (racismo), de povos (xenofobia), desprezo pela Natureza (ecologia), de condição social (pobreza) e de sexo, pois que o Espírito reencarnará na raça, no país, na condição social e com o sexo que lhe forem mais úteis para a sua evolução, naquele momento.
Tendo esse conhecimento, sabendo que o Universo rege-se pela Lei de Causa e Efeito (tudo o que sentimos, pensamos e fazemos repercute sobre nós), somente o desconhecimento das Leis Morais de Deus, pode levar a esta autêntica guerra de sexos, ao longo da história da Terra.
Com o Espiritismo, o Homem toma consciência de que é um passageiro no comboio da vida, colhendo mais além o que semeou mais atrás. Se foi rude, violento, repetidas vezes, para com o sexo oposto, a bondade divina pode proporcionar-lhe, pedagogicamente, uma ou várias vivências futuras na polaridade sexual feminina, para que assim aprenda a valorizar o sexo desprezado, adquirindo qualidades e características típicas desse sexo, que lhe serão úteis para o seu equilíbrio espiritual, em busca da sua felicidade. O mesmo acontece ao inverso, da polaridade feminina para a masculina.
O homem e a mulher sofrem na Terra as contingências culturais do local onde nascem, a aculturação social, no entanto, trazem no seu íntimo a noção de Bem e de Mal, do que está certo e está errado, do ponto de vista moral.
A reencarnação (hoje provada cientificamente pelos estudos do psiquiatra americano Ian Stevenson, entre outros) tem ainda o condão de proporcionar ao Espírito a vida em sociedade, aprendendo com diferentes pessoas, de ambos os sexos, de diferentes países e culturas, no caminho intelectual e moral que o catapultará para estados de alma mais felizes, em vidas futuras, na Terra ou noutros planetas mais evoluídos.

O planeta Terra pode ser comparado a grande escola, com milhões de alunos, uns mais atrasados do que outros, uns mais pacíficos do que os demais, uns mais inteligentes do que os restantes, no entanto, como em qualquer escola, existem regras de conduta que não podem ser violadas, em prol do bem comum, sob pena de uma advertência ou processo disciplinar, com vista à reeducação do aluno.
Também nas reencarnações sucessivas, o Espírito será sempre o responsável pela sua conduta moral, colhendo as alegrias ou as dores morais que defluem da sua conduta passada.
Acreditamos que com uma maior e melhor divulgação da Doutrina Espírita (Espiritismo ou Doutrina dos Espíritos), que não é mais uma religião ou seita, mas sim uma filosofia de vida, as pessoas despertarão mais rapidamente para uma consciencialização de que são Espíritos imortais, consciência essa que terá inevitavelmente consequência morais na sua maneira de sentir, pensar e agir.
“Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei”. 


8 Mar 2019
(Dia internacional da mulher)

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Violência, uma fatalidade?...



Ligamos a TV, abrimos o jornal, a vida parece um filme de terror, cada dia com notícias mais horríveis do que ontem. Os “media” sedentos de audiências à custa da dor alheia, locupletam-se no “sangue” sem sentido, contaminando com a perturbação, que esbanjam sem limites. Mas será essa a realidade do mundo? A violência é uma fatalidade?

Somos 7,5 mil milhões de pessoas na Terra, dentro do corpo de carne, sem contabilizar os milhões de seres que vivem no mundo espiritual, na esfera da Terra. Estamos num planeta de expiação e provas, onde o Mal ainda se sobrepõe ao Bem. A violência continua cada vez mais violenta (passe a redundância), um dia cada vez mais chocante do que o anterior, o Homem desce (moralmente) cada vez mais fundo, num poço que parece não ter fim. Os valores ético-morais deixaram de ter valor, são postos em causa. As elites e os representantes do povo, em vez do bom exemplo, da pedagogia social, aparecem como os arautos da corrupção, da falta de vergonha, do vale-tudo, do quanto pior-melhor.
O Homem perdeu a fé na Humanidade, e na humanidade da Humanidade.
É cada um por si, o salve-se quem puder, o “eu” em primeiro lugar e, numa competição selvagem (ao invés de colaboração fraternal) o ser social parece retroceder décadas ou séculos, em termos civilizacionais.
O medo, a violência doméstica ou fora dela, o ódio, a vingança, o mal-estar fazem parte dos sentimentos do Ser Humano que, não estando pacificado, reage negativamente, cada vez com mais intensidade, ao invés de agir pacificamente.

Vamos virar a página! A solução existe!
Ei-la exemplificada por Jesus de Nazaré, repetida por Gandhi e clarificada pela Doutrina dos Espíritos (Doutrina Espírita ou Espiritismo): fazer a paz! Jesus apontou o caminho: “Não fazer ao próximo o que não desejamos para nós”. Gandhi reafirmou: “Não há um caminho para a paz, a paz é o caminho”. A Doutrina Espírita (que não é mais uma religião ou seita) aponta nas consequências morais dos nossos actos, comprovando cientificamente a imortalidade e a comunicabilidade do Espírito, a reencarnação.
A morte morreu com o aparecimento do Espiritismo, abriram-se as portas que permitiram varar novos campos da consciência, da espiritualidade, à semelhança dos novos mundos que se buscam pelo cosmos sem fim, em missões espaciais.

Quando o Homem descobrir que é imortal, a reencarnação,
que colherá o que semear, o mundo pacificar-se-á.

Doutrina filosófica de consequências morais, o Espiritismo apresenta a Lei de Causalidade: tudo o que sentimos, pensamos e fazemos, repercute em nós, agora e depois. Semeamos e colhemos, num paralelismo com a horticultura.
Os cientistas, não espíritas, buscam os insondáveis caminhos da vida, descobertos por Allan Kardec em 1857 e comprovados certeiramente até aos dias de hoje.
Não há como duvidar de que a vida continua após a morte do corpo de carne.
Os factos aí estão: comunicações de médiuns, comunicações através de aparelhos electrónicos, meninos-prodígio, crianças que se lembram de vidas passadas, regressão de memória, experiências fora do corpo, visões no leito de morte, experiências de quase-morte. Eis os novos paradigmas que levarão a ciência da Terra a descobrir o mundo espiritual, tão real quanto o nosso, apenas numa vibração diferente da do corpo carnal.

A violência não é uma fatalidade, é uma opção, de quem não quer abdicar do seu ponto de vista, de quem prefere ter razão a ser feliz, de quem prefere criar inimizades em vez de discordar com ternura e amizade. O meu amigo não é o que pensa como eu, mas o que pensa comigo.

Temos o extintor do entendimento espírita, que apaga o fogo da violência e pacifica-nos por dentro, se quisermos sentir, pensar e agir como o Espiritismo ensina, a caminho do “Homem de Bem” de que nos fala o “Evangelho Segundo o Espiritismo”.
Se a violência não é uma fatalidade, a paz é uma opção (certamente a melhor) que nos cumpre sentir, pensar e colocar em prática, pacificando-nos e contagiando quem nos rodeia, num processo simples e fácil onde não têm lugar o egoísmo, o ódio, a violência, o orgulho.
A cada um de acordo com as suas obras, aprendemos com Jesus de Nazaré.
A paz é o caminho” (Mohandas Gandhi).
Atentemos ao que temos semeado no campo dos sentimentos, pensamentos e atitudes… 

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Espiritismo pago? Não faz sentido!...



O Espiritismo (Doutrina dos Espíritos ou Doutrina Espírita) é uma ciência de observação, é filosofia e é moral. Não é mais uma seita ou religião. É uma filosofia de vida, assente na experiência científica e radicada na moral de Jesus de Nazaré.
O Espiritismo apareceu oficialmente em 18 de Abril de 1857, com o lançamento de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec. A codificação espírita engloba 20 livros (os 5 considerados fundamentais, 12 volumes de “A Revista Espírita”, “O Espiritismo na sua mais simples expressão”, “Viagem Espírita em 1862” e “O que é o Espiritismo”. “Obras Póstumas” também é de considerar, embora não tenha sido editada por Kardec).
Allan Kardec codificou a Doutrina dos Espíritos de forma tão zelosa e sólida, que ainda hoje, 161 anos depois, não conseguimos entender o seu alcance e profundidade. Os alicerces estão lá, para hoje e para o futuro, como uma janela aberta ao devir, nos inúmeros campos do conhecimento.
Os movimentos espíritas são grupos de pessoas que gostam de estudar, praticar e divulgar o Espiritismo, cada movimento com as idiossincrasias próprias do grupo humano, que se une por afinidade. São muito válidos e desejáveis, desde que o bom senso prevaleça. Um movimento espírita pode-se radicar num Centro Espírita, num grupo familiar, na edição de um jornal ou revista, programa de rádio, num sem fim de oportunidades de movimentar o Espiritismo, dando-o a conhecer, não com o sentido proselitista mas sim para esclarecer e consolar uma Humanidade, que ainda não descobriu que é imortal, que a reencarnação é uma verdade científica e que existe uma Lei de Causalidade.
Como os movimentos são feitos por Homens, é provável que existam discrepâncias doutrinárias ou no modus operandi destes ou daqueles espíritas.
É normal que num Centro Espírita se vendam livros, jornais e revistas espíritas (com lucro mínimo, pois o objectivo é divulgar).
O resto, como vender cafés, bolos, comida, louças, bazares, rifas, roupas, etc, não faz sentido dentro de um Centro Espírita.
O Centro Espírita deve ser simples, sem fotografias de Kardec, Jesus, do dirigente do Centro, etc, sem a tradicional toalha branca rendada, tudo reminiscências do catolicismo, de onde quase todos viemos.
Não tem mal nenhum, mas não são práticas espíritas.
O Centro Espírita tem de cativar o coração dos seres mais simples que lá apareçam.

O Espiritismo não está à venda, e não pode ser vendido,
pois pertence à espiritualidade superior
que o ofereceu à Humanidade.

Não faz sentido, por exemplo, ver palestrantes, que se deslocam a Portugal duas e três vezes por ano, sem qualquer mais-valia doutrinária, com o objectivo de… vender livros, entre outras coisas. A falta de sentido crítico dos dirigentes espíritas portugueses, vai alimentando este vil comércio.
Não faz sentido, efectuar eventos espíritas a preços chorudos, como congressos, workshops, seminários. Estes, devem ser sempre que possível, ao preço mínimo ou gratuitos, se possível, a fim de possibilitar aos espíritas pobres terem acesso ao mesmo conhecimento que os espíritas endinheirados.
Não faz sentido palestrantes ”estrelas” que, quando convidados para divulgar o Espiritismo no estrangeiro, fazem todo o tipo de exigências, como o pagamento da viagem da esposa e outras. Quem serve a Deus não põe condições.
Não faz sentido, as conferências espíritas transformarem-se em “shows”, onde se projecta o ego em vez de se projectar o Espiritismo.
Não faz sentido os “sites” pagos na Internet, as páginas pagas no youtube, divulgação doutrinária com “direitos de autor”, quando os autores do Espiritismo foram os Espíritos.
Não faz sentido que o espírita, para ter acesso ao conhecimento espírita, tenha de pagar, havendo oportunidade de divulgar o Espiritismo com simplicidade e profundidade, no Youtube, gratuitamente!
Não faz sentido o proliferar de “web-tv’s” com o objectivo de vender material didáctico espírita.
Não faz sentido, aceitar donativos de frequentadores do Centro Espírita, pois muitos deles, em sofrimento, pedindo auxílio, acabam por querer “pagar” o alívio concedido pelos bons Espíritos (que não cobram nem aceitam dinheiro).
O Centro Espírita ou é auto-suficiente, ou não é. Têm de ser os sócios do Centro Espírita a suprir as necessidades do mesmo, sob pena de estarmos a catolicizar (no que concerne ao dinheiro) os centros espíritas.
No campo das ideias, existe o chamado “recuo evolutivo” (quando o Homem vai adaptando novas ideias à sua maneira de ser, desvirtuando a nova ideia). É importante que não voltemos a cair nesse erro e / ou que saiamos dele rapidamente.
É fundamental devolver a simplicidade do Espiritismo ao Centro Espírita.
No Espiritismo não há lugar a pagamentos, nem a um simples obrigado. Se houver comércio, mesmo que disfarçado de “caridade”, aí não está o Espiritismo!
O Espiritismo não está à venda, e não pode ser vendido, pois pertence à espiritualidade superior que o ofereceu à Humanidade.

Janeiro 2019

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Tempos estranhos...



Vivemos tempos estranhos, o mundo está mudado, as pessoas diferentes, o clima instável. Existe um frenesim no ar, uma espécie de espera de algo, difuso, desconcertante ou esperançoso. As pessoas estão diferentes, agitadas, nervosas, inseguras. As elites desapareceram ou perderam qualidade, esparramando-se no lodo da corrupção.

O Homem, perdido, sem rumo e sem quem o guie (como sempre teve ao longo da História) agita-se, embrenha-se no materialismo, materialismo este morto pela descoberta da Quântica.
Quer ser feliz e não é. Quer ter, para ser feliz, e não tem.
Se tem o que quer, não é feliz na mesma, e arranja vazadouros psíquicos nos estádios de futebol, na violência doméstica, nas questiúnculas sem sentido.
Os “media” perderam a qualidade em prol da produtividade e do escândalo a qualquer preço. As notícias só o são quando se destaca o mal, esquecendo o imenso Bem que existe no mundo.
Os governantes, os banqueiros, os decisores mundiais parecem chacais, procurando locupletar-se com tudo o que encontram, numa sofreguidão pelo “ter”, pelo “poder” sem sentido, já que, logo mais, o corpo morre, os bens ficam, e o Espírito adentra-se numa nova dimensão de vida (a imortalidade do Espírito foi comprovada em 1857 por Allan Kardec – in “O Livro dos Espíritos”).
A vaidade, o ego e o orgulho levam a que outras deficiências morais campeiem.
O planeta lança os seus gritos de dor, enquanto a indiferença do Homem vai matando oportunidades de rectificação.
A dor está presente no presente, sob variadas formas, levando o Homem a interrogar-se do porquê da Vida, quem é, de onde vem, para onde vai, qual a causa das dissemelhanças entre os Homens.
Estamos no fim dos tempos, dizem alguns.
Sim, no fim dos tempos de iniquidade, fim da indiferença social, da injustiça social, das guerras, da fome.
Os tempos são de esperança…
Allan Kardec (o codificador da Doutrina dos Espíritos, Doutrina Espírita ou Espiritismo) refere no livro “A Génese” as crianças da Nova Era, Espíritos que voltariam à Terra para auxiliar na sua mudança moral, substituindo aqueles que, enredados nas teias do erro, reencarnarão em mundos ao nível do estado do seu coração, mundos primitivos ou de expiação e provas. Muitos desses Espíritos já se encontram na Terra, outros virão, na silenciosa revolução espiritual que se vai operando.

Com a reencarnação de Espíritos mais evoluídos, o mal será erradicado
da face da Terra, sendo os Espíritos belicosos transferidos
para planetas afins com os seus sentimentos.

Jesus de Nazaré deixou o mote há 2 mil anos (não faças ao próximo o que não queres para ti). Mohandas Gandhi, num notável exemplo para a Humanidade, dobrou o colonialismo inglês com a política da “Não violência”. Madre Teresa de Calcutá, Francisco Cândido Xavier, Divaldo Pereira Franco, Francisco de Assis e tantas almas nobres e incógnitas têm estado, estão e estarão na Terra, empurrando-a para os horizontes da fraternidade, igualdade e liberdade (“Fora da caridade não há salvação” ensina o Espiritismo).
Se outros missionários do Amor, da inteligência aí estão e outros virão, hoje opera-se uma verdadeira revolução espiritual, já que o Bem virá não através de um grande líder mundial, mas sim pela consciência de cada um na imortalidade do Espírito, na reencarnação (hoje comprovada cientificamente pelos estudos do cientista Ian Stevenson), na lei de causa e efeito.
Tudo parece perdido, mas deriva de uma ilusão de análise.
Deus permanece no leme da grande nave Terra, e com a reencarnação de apenas seres pacificados, a Terra melhorará (já está a melhorar) ao longo do 3º milénio, paulatinamente, alcançando as características de um mundo de regeneração (in “Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec), onde o Bem sobrepor-se-á ao mal, e o aprender a ser pessoa será o desiderato da Humanidade, servindo, partilhando, anelando pela paz e pela justiça social.
Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei” é uma frase que encarna o pensamento dos Espíritos superiores, que trouxeram à Humanidade a existência de Deus, a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos Espíritos, a reencarnação e a pluralidade dos mundos habitados, apresentando o Amor como o sentimento que alimenta o Universo.

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Você também é migrante... e não sabe!



O migrante é aquele “Que ou o que muda de país ou de região”, de acordo com o dicionário. Mas, vamos falar daqueles que são deslocados no mundo inteiro. Em Agosto de 2018, o número de deslocados estimado pela ONU é de 68,5… MILHÕES de pessoas. Sim, pessoas! Uma delas podia ser você. Mas o que é que o Espiritismo tem a ver com isto?

68,5 milhões de pessoas, no planeta Terra, em 2018, estão deslocadas das suas casas, voluntariamente ou por força das circunstâncias. O número tende a aumentar derivado da instabilidade política, económica, dos fenómenos atmosféricos extremos, das mudanças climáticas, das guerras, tudo fruto do egoísmo do Ser Humano. Os especialistas dizem que a situação vai piorar, e que a Humanidade tem de se adaptar!

Esplanada do café!
Dois “especialistas” em “achismo”, na mesa ao lado, de barriguinha cheia, diziam em voz perfeitamente audível: “Oh pá, os gajos que voltem para a sua terra”, referindo-se aos migrantes que tentam atravessar o Mar Mediterrâneo em busca de uma vida melhor, na Europa.
Olhei e, confesso, não senti raiva…!
Senti pena da pessoa, compaixão, entendimento.
Decerto ele não era espírita.
Decerto ele não sabia que a vida continua para além da morte, decerto ele desconhecia a “Lei de Causa e Efeito”, a reencarnação, decerto nunca sentiu na pele o que é ser refugiado, depender da caridade alheia, começar do zero.
A tristeza acerca da sua observação rapidamente se transformou em entendimento.
É normal, ele não sabe que é um ser imortal, que é um migrante que vai para o mundo espiritual e volta para a Terra, em Portugal, ou em qualquer parte do mundo, noutra reencarnação.
Afinal, o meu vizinho da mesa de esplanada desconhece que é um migrante, que se calhar já o foi mesmo aqui na Terra, em outras vidas, sofrendo perseguições, tendo de fugir, proteger-se, etc…
Em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, obra notável que devia ser estudada nas escolas, na disciplina de Filosofia, os Espíritos superiores referem que todos os males da Humanidade radicam no egoísmo, a causa de todos os restantes defeitos do Ser Humano.

Enquanto formos egoístas e orgulhos
não seremos serenos, pacificados.

Ora, o egoísmo quando aliado ao desconhecimento da realidade do Homem (ser espiritual, imortal) torna-se ainda mais feroz, violento, sem senso comum.
O orgulho e o egoísmo são puro veneno para o bem-estar do Homem, das Sociedades e do mundo.
Dizem também os bons Espíritos que ao Homem é concedido o livre-arbítrio, de obrar no Bem ou egoisticamente, mas de acordo com as Leis da Natureza cada pessoa, cada Sociedade, colherá inevitavelmente aquilo que semear, em pensamentos, atitudes, inacção, etc… não numa perspectiva castigadora (Deus não castiga) mas num automatismo de uma das leis de Deus, leis da Natureza, a Lei de Causalidade (ou Causa e Efeito).
Fiz um exercício de imaginação… e se o que aconteceu com a central nuclear japonesa após o violento sismo e Tsunami, acontecer por exemplo na Itália, com vários vulcões activos, ou em França, Alemanha, com fuga generalizada de radiação nuclear?
Ou morremos na esplanada, envoltos no nosso orgulho e egoísmo ou tornamo-nos migrantes e fugimos quiçá para um país da América do Sul, Brasil ou outro.
Pode ser já amanhã, quando estiver a ler este artigo…

Com a Doutrina dos Espíritos (Espiritismo ou Doutrina Espírita), que não é mais uma religião nem seita, mas sim uma Filosofia de vida, aprendemos que somos Espíritos imortais, que temos outras vidas corpóreas depois desta (reencarnação), que colheremos no mundo espiritual e na próxima existência física o que semearmos nesta vida, e que evoluímos pelo Amor, pela dor ou pela relação Amor-dor, dependendo das escolhas interiores de cada um.
Aprendemos que “fora da caridade não há salvação”, e que devemos fazer ao próximo aquilo que desejaríamos que nos fizessem, numa perfeita súmula dos ensinamentos de Jesus de Nazaré.
Fiquei a pensar com os meus botões… caramba, quanta divulgação destas ideias nobres está por fazer neste mundo, para o auxiliar a mudar!
Deixei o exemplar do Jornal de Espiritismo (que estava a ler) em cima da mesa, e fui-me embora, na esperança que eles pegassem no jornal e o lessem.
Somos todos migrantes na Vida… e não sabemos!

Bibliografia:
Kardec, Allan: O Livro dos Espíritos, Ed. FEP, Amadora, Portugal