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Rogativa do Amor...

- Oh, Senhor, tanto quero trabalhar, mas ninguém me quer empregar! Busco abrir corações, atenuar tensões, evitar guerras entre nações, mas, poucos são os que ouvem as minhas opiniões. Valerá a pena, Senhor, investir mais no Amor?

Não será perda de tempo, porfiar junto da humanidade que insiste na maldade?

- Oh, Amor, não te deixes levar pela ilusão que te abala o coração. Se te mandei para a Terra, para o imo do humano coração, é porque um dia, ele germinará na população! 

- Mas, te rogo, Senhor pela humanidade que parece ter perdido a sanidade. Vivo escondido no seu interior, tento “explodir” com fervor, mas em vão! A matéria, a razão superam sempre o coração!

- Tens falta de fé, Amor! Porfia no teu labor, pois a cada momento, levedarás como o fermento, e aparecerás a seu tempo, iluminando o coração que agora teima em viver na cegueira espiritual, na ilusão, na escuridão.

Tua rogativa, Amor, não ficará sem resposta, e para que não desfaleças, a partir de hoje enviarei para a Terra a irmã solidão, o irmão desilusão, o primo tentação, o tio ambição. Quando o homem, sem Norte, parecer inerte no lodaçal da frustração, então aí entrarás tu, o Amor, acompanharás o solitário, acalentarás o desiludido, frearás o tentado, acalmarás o ambicioso, orientarás o perdido.

Nessa altura, farás parte da Terra, de tal modo que jamais rogarás apoio ao teu Senhor, nem gemerás de dor, mas, feliz por estares disseminado na sociedade, enfim, deixarás de ser novidade!

Aí, Amor, eu e tu, estaremos para sempre, juntos da Humanidade.


Amélia Rodrigues

Psicografia recebida por J. C., no ENL, em 16 de Agosto de 2010, em Óbidos, Portugal

3

Hidrocefalia...

Dia feliz, naquele lar
Ouviam-se os vagidos
De Joana que nascera
Pr’alegria dos entes queridos

O Amor dos pais
As lágrimas de alegria
Faziam-na querida
Naquele maravilhoso dia

Estava para chegar
O golpe fatal
A menina sofria
De doença cerebral

Joana, a bebé querida
Tinha hidrocefalia
A cabeça era grande
Crescia, crescia

Tamanho desalento
Alcançou os seus pais
Que viveram doravante
Em aflitivos “ais”

“Que fizera a menina
Para sofrer tal sorte? 
Maldito seja Deus
Antes preferia a sua morte”

“Oh homem, não blasfemes
dizia a esposa dedicada. 
Deus sabe o que faz
Na nossa jornada.”

Foram ao Centro Espírita
Pedir auxílio divino
E a resposta veio
Pelo médium Paulino

Joana, a bebé,
Outrora orgulhosa,
Não aceitara que o marido
A trocasse pela Rosa

Em dia cinzento
Esperara o trem
Ao entrar na curva
Atirou-se com desdém

Esfacelada na cabeça
Espavorida verificou
Que largara o corpo físico
Mas a morte falhou...

Sofrendo no Além
Tamanha desdita
Pedira para voltar
Pr’o colo da Rita

Os pais de agora
Resgatam o passado
São cúmplices d’outrora
No acto desgraçado

Como ela não se perdoou
Voltou em perturbação
Colhendo no corpo
A falta do auto-perdão

As marcas do trem
No ser espiritual
Aparecem agora
No corpo carnal

Ela viverá pouco
Nesta reencarnação
Queimando o fluído
Da outra vida, então.

Os pais aprenderão
O Amor espiritual
Resgatando com a filha
O Amor carnal

Mais tarde, no Além
Os três recuperados
Abraçaram-se chorando
Pelos erros do passado

Em prece jubilosa
Agradeceram a Jesus
O ensejo da luta
A vitória da sua cruz

Compreenderam então
Que o sofrimento na Terra
É apenas o fruto
Daquele que antes erra.

Com este caso singelo,
Deixo o meu conselho amigo:
Amem-se uns aos outros
E assim não correm perigo.

Amanhã jubilosos
Entrarão no Além
Com os corações ditosos
Pela prática do bem !


O vosso amigo de sempre,
Poeta alegre

Psicografia recebida por J. C., em 19 de Julho de 2010, em Óbidos, Portugal

4

Prece...

Senhor da Vida,

Quando a minha alma estiver em ferida, que eu possa lembrar-me de Ti.

Quando a dor penetrar no meu lar, que eu jamais me esqueça de orar.

Quando o sofrimento, seja ele qual for, me desafiar a existência, que eu possa, Senhor, escorar-me na paciência.

Divino Amigo, que eu possa ser o candeeiro que alumia, o cobertor que agasalha, a palavra que consola, a comida que sacia, a água que dessedenta.
Mas, acima de tudo, Mestre amado, que jamais eu olhe para o lado ou me sinta alquebrado por qualquer aflição ou situação, e, mesmo sofrendo, chorando ou morrendo, eu possa sentir dentro de mim, a certeza do porvir, a certeza do meu sentir, entrando no mais Além com a alma em paz, com o coração leve e sem mágoa por ninguém!
Obrigado Senhor, pela lucidez deste momento, que me faz ter alento, obrigado pelo discernimento sobre a vida, para que nela não perca a minha “corrida”.
Que eu possa, querido amigo, manter a alegria de servir, mesmo com o coração ferido, na certeza de que amanhã, no porvir, eu poderei dizer e sentir que valeu a pena viver, sofrer, sorrir, partilhar, lutar, para atingir a paz, a harmonia que são agora o meu lugar!

Obrigado Senhor!


Amélia Rodrigues

Psicografia recebida por JC, no ENL, em 9 de Agosto de 2010, em Óbidos, Portugal.

3

O Espiritismo e as touradas...

Agosto, geralmente é sinónimo de férias, animação, emigrantes, turistas, sol, alegria, cultura, eventos musicais entre outras actividades. Na nossa cidade, Caldas da Rainha, Portugal, tal como em outras cidades, as touradas são também uma tradição. Mas o que é que o Espiritismo tem a ver com isto?

Ao longo dos milénios vamos assistindo ao evoluir da humanidade, ao refinar dos seus gostos, das sua tradições, dos seus hábitos. A tal ponto que, as guerras, outrora cruéis, tornaram-se hoje mais sofisticadas, já não sendo o soldado que espeta a baioneta no inimigo, mas o simples "click" num botão, que permite matar com mais "humanidade", de uma maneira aparentemente "menos" cruel.
No que concerne às tradições, umas vão desaparecendo e outras vão ficando, até que um dia desapareçam por sua vez e dêem lugar a outras, novas, que aparecerão. Faz parte da dinâmica das sociedades, da evolução grupal e individual.
Com a Doutrina Espírita (ou Espiritismo), que não é mais uma seita nem mais uma religião, aprendemos que o princípio espiritual, criado por Deus, evolui ao longo dos milénios, no reino vegetal, transitando para o reino animal, culminado este "estágio" milenar no reino hominal, onde aí, o princípio espiritual torna-se um Espírito, adquire a sua personalidade, e começa então as suas primeiras vidas em planetas primitivos, evoluindo por sua vez, ao longo dos milénios, intelectual e espiritualmente, até que um dia atinja a angelitude (ver "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec).
Neste sentido, o Espiritismo vê os animais como nossos irmãos menores, seres vivos, seres orgânicos, apenas noutro estado evolutivo, no reino animal, digamos que num degrau abaixo do nosso actual estado evolutivo. Os animais merecem-nos o maior respeito, acompanhamento, auxílio, e devemos contribuir para o seu bem-estar, para que a sua evolução se faça também o melhor possível, sem sofrimento, tal como faríamos a um ser humano.
Invocar em defesa das touradas, (espectáculo público que apresenta reminiscências dos circos romanos, e que trazemos essas lembranças nas nossa memórias, de outras vidas) que são uma tradição, seria o mesmo que adoptarmos em pleno século XXI, a tradição do duelo, costas com costas, 10 passos em frente, e quem disparar primeiro e acertar no outro, safa-se, e o outro morre. Era tradição, servia para lavar a honra perante uma ofensa, homem que fosse homem, perante a mínima ofensa teria de pedir um duelo, mostrando assim a sua masculinidade. Hoje, esse procedimento afigurar-se-ia um disparate rematado, caso fosse invocada a sua reedição por motivos culturais, por ter sido uma tradição da nossa história, entre outros pontos a favor.

O Espiritismo considera os animais nossos irmãos,
num reino evolutivo inferior, competindo-nos apoiá-los e amá-los
 
Na nossa condição de espíritas, não é paradigma criar conflitos, acusar o próximo, pois certamente existem muitos argumentos a favor e outros contra, e todos eles certamente serão válidos para quem os defende. No entanto, embora sejamos apologistas da compreensão mútua, da tolerância, do amor ao próximo, do entendimento, de sermos pontes de entendimento ao invés de sermos vales de discórdia, é nosso dever como espíritas, intervir tranquilamente, opinar sem ferir, sem magoar, sem agredir.
Jesus aconselhava que não puséssemos a luz sob o alqueire, e como tal, seria no mínimo desonesto que nos abstivéssemos de opinar por questões de "marketing".
A Terra é a nossa casa temporária, nesta vida, como já foi em muitas outras e continuará a ser ainda por muito tempo em vidas futuras, e, os seres vegetais e animais, merecem todo o nosso respeito, admiração, carinho e Amor, como nossos irmãos em reinos inferiores da evolução, não nos sendo lícito utilizá-los para pretensas festividades, onde o sofrimento dos animais é motivo de alegria daqueles que supostamente deveriam ser mais evoluídos: os humanos.

1

Ser pessoa... nos dias de hoje !

Numa altura em que a palavra "crise" entra nas nossas casas, rapidamente a associamos ao movimento das Bolsas de Valores, economia, finanças.
Vivemos num mundo essencialmente materialista, onde o homem, mortal (fisicamente), vive como se fosse imortal, enganando, roubando, matando, entre outras atitudes menos nobres, sem cogitar do seu futuro espiritual.
Perdido o Norte de Deus ("inteligência suprema, causa primária de todas as coisas ", in "O Livro dos Espíritos", Allan Kardec), o homem agita-se, agonizante, em busca da felicidade que não tem, busca-a freneticamente no prazer físico passageiro, frustra-se, suicida-se, mata, rouba.
Os valores, outrora referências ético-morais, são agora desprezados, esquecidos.
Ser moderno é, trilhar o caminho da má-educação em nome da frontalidade, ter sem se preocupar como e porquê, atingir os objectivos sem olhar a meios.
O sucesso mede-se pelas contas bancárias, pelos actos de violência física e psíquica, pela libertinagem a todo o nível, confundida com liberdade.
Por isso, o homem estertora, agoniza, vive sem Viver, arrasta-se no mundo sem perspectivas de vida, atolado que está no pântano do egocentrismo.
No capítulo V do livro "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Allan Kardec, encontramos referência a um tema muito actual: causas das aflições.

O Homem, na sua miopia espiritual, continua a insistir
na estratégia do egoísmo, do orgulho, do ódio
 
Identificadas as causas, a Doutrina Espírita (ou Espiritismo) propõe alternativas, lógicas, lúcidas, em que a fé é raciocinada, e não mais imposta pelo fanatismo dogmático.
As propostas são antigas, foram apresentadas à humanidade por Jesus de Nazaré, no entanto, o Homem, na sua miopia espiritual, continua a insistir na estratégia do egoísmo, do orgulho, do ódio.
Somente re-orientando vidas, re-orientando alicerces, objectivos ético-morais em sintonia com os objectivos materiais, poderemos colocar em prática o roteiro que, será a antecâmara da nossa felicidade: fazer ao próximo o que desejaríamos que ele nos fizesse, e não fazer ao próximo aquilo que não gostaríamos que nos fizessem.
Parece igreijeiro, lamecha, fora da realidade, mas, somente aplicando estas indicações de Jesus aos modernos modelos sociais, económico-financeiros, políticos, conseguiremos vislumbrar um futuro mais feliz para todos, mais risonho, mais justo e mais fraterno.
Esse futuro, dizem os bons Espíritos, repetidamente, através de inúmeros médiuns pelo mundo fora, está para muito breve, após grandes alterações geológicas e sociais que catapultarão a humanidade para uma nova realidade existencial, mudança esta em curso com a reencarnação de novos seres, devotados à paz, que vêm à Terra, dar novo vigor, um empurrão em todas as áreas do conhecimento, em direcção ao desiderato traçado por Jesus de Nazaré há cerca de dois mil anos.
Estaremos a entrar então numa época em que o planeta Terra se transformará em Planeta de regeneração, onde o bem se sobreporá ao mal, transformação essa derivada da aplicação da máxima colocada no túmulo de Allan Kardec, "Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a lei".

Bibliografia: "O que é o Espiritismo?"; "O Livro dos Espíritos", "O Evangelho Segundo o Espiritismo", "A Génese", "O Céu e o Inferno", "O Livro dos Médiuns", todos de Allan Kardec.

7

Espíritas tristes...?


O telefone tocou, o número era desconhecido. Lá o atendi no meio de meia dúzia de papeis, dizendo aquilo que não sentia, que não incomodava, quando de facto estava assoberbado de trabalho. Nutria a esperança de um telefonema rápido. Era um senhor de Lisboa, católico praticante. Tinha entrado na página da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), na Internet, e vira lá o meu nº de telefone. Já lera muita coisa sobre reencarnação. Esse conceito falava-lhe alto no íntimo, embora o catolicismo o negue. Seguiu a sua consciência, precisava saber mais. Assim de momento, tinha em mente o nome de dois centros espíritas de Lisboa, remetendo-o para a página da ADEP na Internet, onde existem outros endereços. Ao referir o nome de um deles, o meu interlocutor atalhou: «Sabe? Vou confessar-lhe uma coisa, mas não leve a mal! Um dia passei em frente a esse centro espírita que me falou, e estive tentado a entrar mas, ao chegar à porta, vi as pessoas que lá estavam, com uma cara tão triste que pensei: isto não é para mim, eu quero é alegria.» O senhor poderia indicar-me um centro que fosse mais alegre?
Confesso que engoli em seco...
Uns tempos antes, estávamos numa conferência pública, no centro onde colaboramos, nas Caldas da Rainha, no Centro de Cultura Espírita. O palestrante, Mário Correia, professor de profissão, fez brilhante conferência espírita que nos deleitou a todos, mesmo àqueles que já conhecemos a Doutrina Espírita (ou Espiritismo), utilizando não só os seus vastos conhecimentos, como um requintado espírito de humor que deixou boa disposição e alegria no ar. No fim da palestra, no meio de uma troca de impressões que geralmente acontece entre os presentes, dentro de um ambiente alegre e sadio, um senhor, nosso desconhecido, aproximou-se do palestrante dizendo: «Sabe, eu também sou palestrante espírita, num centro espírita em Lisboa. Estou aqui de férias, pois como é Verão costumo vir até aqui, e quis conhecer o vosso centro, mas vou desiludido». Mário Correia, na sua simplicidade, lá o ouviu, procurando assim melhorar o seu desempenho no futuro. E o nosso visitante, espírita, palestrante e dirigente de um centro espírita da capital, lá continuou: «Sabe, nós dirigentes e palestrantes, devemos falar e orar de modo a levar as pessoas às lágrimas, comovê-las até elas chorarem, e aqui não vi nada disso. Onde já se viu contar histórias numa palestra e pôr as pessoas a rir? Isto é um local sério. Nunca mais cá volto, confesso a minha desilusão.»
E nunca mais voltou...

O Centro Espírita, não precisa de toalhas brancas rendadas nas mesas,
a imitar os altares das igrejas, não precisa de fotografias na paredes,
de espíritas de referência, a imitar os santos das igrejas.

Léon Denis, o célebre filósofo espírita francês, referiu com muita propriedade que, uma coisa é o Espiritismo, na sua grandiosidade como ciência, filosofia e moral, e outra coisa são os movimentos espíritas, aquilo que os homens fazem do espiritismo.
Fiquei a meditar: e se eu me interessasse pelo espiritismo e entrasse no centro triste ou no centro onde saísse lavado em lágrimas de tanta emoção? Certamente, se fosse mais desatento, não voltaria a interessar-me pelo assunto.
Urge pois, conforme lembrava e muito bem Herculano Pires, despir a prática espírita dos atavismos que trazemos do passado, quer de vidas anteriores onde militámos em religiões tradicionais, quer desta vida onde vivenciámos práticas com rituais nessas mesmas religiões. O Centro Espírita, não precisa de toalhas brancas rendadas nas mesas, a imitar os altares das igrejas, não precisa de fotografias na paredes de espíritas de referência, a imitar os santos das igrejas.
O Centro Espírita, é um local onde a simplicidade contagiante da sua mensagem deve extravasar para o local, simples, acolhedor, onde a mensagem de optimismo, alegria, esclarecimento e consolo, não se coaduna com uma postura de reverência ao sofrimento. Não existem espiritismo triste, embora alguns espíritas o possam ser, por ainda não terem conseguido assimilar a alegria, dinamismo, optimismo e força que é característica da Doutrina Espírita.