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O "chibata"...

António, o colonizador,
Chamado o “Chibata”
Pensava ser poderoso
No meio d’ignota mata

O “preto” para ele
Não era gente, não.
Só bebia e comia
As sobras do cão

“Chibata”, o terror
A todos dominava
Quem desobedecesse
No tronco chibatava

Um dia houve reboliço
Dentro da cubata
Alguém roubara
O chicote ao “Chibata”

Enfurecido p’la ousadia
De pistola em riste
Não se apercebeu
Da armadilha triste

Dez pretos corpulentos
O atacaram à traição
Tirando a pistola, que
“Chibata” tinha na mão

Preso e enxovalhado
“Chibata” queria morrer
Mas antes disso
Muito tinha de padecer

Preso ao odioso tronco
Ouviu falar de revolução,
“não mandas mais no preto”
Disse-lhe o Júlio Zenão

Tinha havido revolução
No continente de Portugal
“agora vais morrer
Neste mesmo matagal”

“Chibata” faleceu
C’o chicote a estalar
O som ficou na mente
Até ao dia de perdoar

“Chibata” para esquecer
Pediu a reencarnação
Nasceu preto retinto
Filho da “nêga” Mãe São

E nessa vida dura
“Chibata” resgatou
Parte do mal que fizera
Ao povo que o matou.

José Craveirinha
Psicografia de JC, em 13 de Janeiro de 2014, em Óbidos, Portugal

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Escorregando na vida...

João, o “patinador”
Farta-se de reclamar
Chamado ao Amor
Volta a… “patinar”

Joaquim, o preguiçoso
Reclama da pobreza
Convidado ao trabalho
Vir’a cara com destreza

Maria, a maldosa
Só vê no outro, o mal
Se chamada à atenção
Ignora-a, como tal

Joana, a maledicente
Só vê quem erra
Mas olhar dentro de si
Devia ser a sua regra

Estes são exemplos
Comuns na Terra
Que podeis remediar
Com muita entrega

O Evangelho é roteiro
Para o dia-a-dia
Se o podes fazer
Porquê essa apatia?

A hora já chegou
Não podes postergar
Põe o bem em prática
Se o íntimo queres mudar

Poeta alegre 
Psicografia recebida por JC no Centro de Cultura Espírita, em Caldas da Rainha, Portugal, em 23 de Julho de 2013

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Fim da escravidão...

O escravo
Olha pró carrasco
Muito revoltado
E cheio de asco

A História está cheia
De humana escuridão
Quando o Homem
Vivia sem coração

Imaginava o coitado
Ser superior
Sem cogitar
Do futuro estertor

Colonos armados
Escravizavam populações
Arrancando-lhe do peito
Ódio e más emoções

Os escravizados
Clamavam libertação
Sem estarem preparados
Pr’ó divino perdão

Na roda da Vida
Trocaram de papéis
Brancos vieram negros
E negros como Reis

Ambos imperfeitos
Não souberam aproveitar
A oportunidade de Deus
Para cada um se rectificar

Veio a “liberdade”
Acabou a escravatura
Mas no dia seguinte
Começou outra loucura

Hordas de espíritos
Inclinados ao mal
Intuíam aqueles
“libertados”, afinal.

Vingança, vingança,
Pensavam sem cessar
Não terei descanso
Enquanto não o matar

Envoltos no ódio
Todos foram falecendo
Após terem trilhado
Caminho horrendo

Somente mais tarde
No mundo espiritual
Se aperceberam
Que tinham agido mal

Aprenderam finalmente
Que liberdade é diferente
É querer ser útil
A gente indigente

A suprema liberdade
Está no eterno bem
Que Jesus proclamou
Ao nascer em Belém

E na roda da Vida
Todos aprendemos
Que amar sem condições
É o destino dos terrenos

Só assim carimbaremos
O passaporte espiritual
Para voltar a reencarnar
Num planeta com moral

Liberta-te pois
De tod’a escravidão
Seja ela d’algemas
Ou até do coração

Ergue a bandeira
Da suprema liberdade
Faz como Jesus
Ama a Humanidade.

José Craveirinha
Psicografia de JC em Óbidos, Portugal, em 13 de Janeiro de 2014.

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O tempo...

O relógio marc’a hora
Minuto a minuto
Seja para o honesto
Seja para o corrupto

Tempo que passa
É tempo perdido
Se não aproveitado
Em algo merecido

Tanto tempo se perde
Com tanta futilidade
Que não imaginais
O que perdeis de verdade

Se a vida deve ser
Alegre e vivida
Aproveita o momento
Minha alma querida.

Poeta alegre 
Psicografia recebida por JC no Centro de Cultura Espírita, Caldas da Rainha, Portugal, 27 de Agosto de 2013

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Ondas gigantes...

O mar é fascinante, as marés vivas ainda mais e, quanto há tempestades, as pessoas deleitam-se a contemplar a beleza da “fúria” do mar.
Outros, optam por surfar essas mesmas ondas, como o britânico Andrew Cotton ou o havaiano Garret McNamara que, imortalizaram as ondas na Nazaré, Portugal.
Mas, existem outras ondas gigantes que são surfadas todos os dias, por gigantes anónimos do mar, mas que não são conhecidas, por não serem mediáticas.
Há cerca de mais ou menos 1 ano, conheci a Mariana (nome fictício). Jovem bonita, loira, na casa dos 25 anos, cheia de vida e energia. É impossível não se simpatizar com ela.
Quando me contou a sua história de vida prometi nunca mais me queixar da vida.
Nos seus 25 anos de idade, Mariana já tinha surfado cerca de 7 operações de alto risco ao sistema vascular, nas ondas da vida, lá para os lados do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Apesar de quedas iminentes, lá se conseguiu agarrar à prancha da competência dos cirurgiões e, continuar a querer surfar outras ondas, diferentes, menos turbulentas.
Mariana, vai surfar novamente dentro de dias, uma onda mais perigosa que a do McNamara, não porque queira, mas por imperativo da vida. Ficamos todos a torcer para que as pranchas aguentem e, eu volte a ver aquele sorriso bonito e cheio de garra pela vida, que ela exala.
Faz hoje (5 de Fevereiro de 2014) um ano que, Joana, outra amiga minha, surfou a maior onda da sua vida, quase inacreditável.

Amanhã, noutras vidas, noutros mundos, surfaremos outras ondas,
mais serenas e deliciosas, quiçá com outras técnicas
que por agora desconhecemos…

De repente, sem que ela contasse, estava na crista de uma enorme e assustadora onda de leucemia do seu jovem marido, na casa dos 30 anos, pai de 2 crianças bebés. A mota de água da vida puxou-os para lá, largando-os de seguida para que seguissem o seu roteiro.
A minha amiga Joana, apesar de ser três réis de gente, aguentou-se firme na crista da onda e, ao longo deste ano, tem-na surfado continuamente, fazendo os maiores malabarismos possíveis e imaginários, sem se dar ao luxo de cair da prancha que a sustenta.
Não fosse a Doutrina Espírita (ou Espiritismo) e, estaria revoltadíssimo com a situação, quer da Mariana, quer da Joana. Mas, com o Espiritismo, aprendi as leis que regem o intercâmbio entre o mundo espiritual e o mundo corpóreo, bem como a lei de causa e efeito, a imortalidade, a reencarnação, quem somos, de onde viemos, para onde vamos, nesta encruzilhada da Vida.
Não fosse o Espiritismo e, quer a Mariana, quer a Joana, estariam hoje desesperadas, mas, ao invés, sabem que são imortais e, que os momentos difíceis por que passam estão escritos nas estrelas, como consequência de experiências menos nobilitantes em outras vidas (como aliás com todos nós).
Neste mar de ondas gigantes, enquanto uns se divertem a arriscar a vida por prazer, adrenalina e prémios, outros surfam ondas enormes, por uma questão de estoicismo, de resistência, de vontade de viver, de superação.
Nunca mais esquecerei as minhas amigas Mariana e Joana, pois quem sabe, um dia, não terei de pegar na minha prancha e surfar uma onda bem grande, mas aí, já saberei que outros o fizeram com êxito, tenacidade e garra, com vontade de vencer. 
E amanhã, noutras vidas, noutros mundos, surfaremos outras ondas, mais serenas e deliciosas, quiçá com outras técnicas que por agora desconhecemos…