António, o colonizador,
Chamado o “Chibata”
Pensava ser poderoso
No meio d’ignota mata
O “preto” para ele
Não era gente, não.
Só bebia e comia
As sobras do cão
“Chibata”, o terror
A todos dominava
Quem desobedecesse
No tronco chibatava
Um dia houve reboliço
Dentro da cubata
Alguém roubara
O chicote ao “Chibata”
Enfurecido p’la ousadia
De pistola em riste
Não se apercebeu
Da armadilha triste
Dez pretos corpulentos
O atacaram à traição
Tirando a pistola, que
“Chibata” tinha na mão
Preso e enxovalhado
“Chibata” queria morrer
Mas antes disso
Muito tinha de padecer
Preso ao odioso tronco
Ouviu falar de revolução,
“não mandas mais no preto”
Disse-lhe o Júlio Zenão
Tinha havido revolução
No continente de Portugal
“agora vais morrer
Neste mesmo matagal”
“Chibata” faleceu
C’o chicote a estalar
O som ficou na mente
Até ao dia de perdoar
“Chibata” para esquecer
Pediu a reencarnação
Nasceu preto retinto
Filho da “nêga” Mãe São
E nessa vida dura
“Chibata” resgatou
Parte do mal que fizera
Ao povo que o matou.
José
Craveirinha
Psicografia
de JC, em 13 de Janeiro de 2014, em Óbidos, Portugal
Sempre existe uma razão, para algo que se considere injustificável.
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