0

Não suporto o meu marido...


Outra vez o telefone!!! Por vezes apetece-me desligá-lo de vez, mas… ele faz tanto jeito… “Está? Bom dia, como vais?”, Esta frase prolongou-se por uns longos 36 minutos de conversa, em que o monólogo que vinha do outro lado ganhou por 10-0, à tentativa de diálogo. Ouvi, e fiquei feliz por verificar que já consigo ouvir… estou a aprender algumas coisas, nesta vida (sorrisos…)!
Um casal na casa dos 70 anos. As queixas do costume: “ele está insuportável, não o consigo aturar, não sei se aguento mais, qualquer dia vou embora, sem saber para onde e como.” Numa quase vã tentativa de opinar, lá para a 12ª tentativa, consegui “meter a ficha” e dizer qualquer coisa, no meio daquele rol de mágoas, ressentimentos, queixumes.
Falámos dos momentos de namoro deles, do casamento, do nascimento dos filhos, das alegrias, dos êxitos materiais, das oportunidades desta vida.
Do outro lado, lá vinha “pois é, foi tão bonito, quem me dera que fosse assim, mas agora é diferente, é uma tristeza”.

Vejamos o coleccionador de carros antigos.
Antes de serem antigos, eram modernos, fonte de todos os prazeres na condução, úteis. Depois, perderam a graça, ficaram velhos, uns sem peças, outros para a sucata, já não prestavam, diziam, pois outros modelos mais modernos tinham vindo para o seu lugar.
No entanto, há sempre quem seja obstinado, quem não desista de limpar e consertar o carburador, meter uma mola nova, um retoque na pintura e, quando se dá por ela temos um carro de colecção, extremamente valioso, que os outros ambicionam mas não conseguem comprar, pois o preço é exorbitante e raramente está à venda. Os donos dessas donas Elviras, quase sempre dizem que não os vendem, pois ali está um bocado do seu ser, do seu sentir, da sua vida. A analogia, surgida repentinamente, não podia ser mais certeira.

Na vida, temos o carro físico (o corpo de carne) que, quando jovem é bonito, activo, socialmente aceitável. De repente, é preciso mudar uma peça ou outra. Não é possível. Tem de ser remendado, num Hospital qualquer, através da gentileza e da competência de um cirurgião.
O Homem almeja por se reformar para ser feliz, trabalha contra a vontade. Chegou a hora da reforma e ele estertora, sem objectivos de curto, médio e longo prazo. Não vive, sobrevive, e como não se sente bem, tem de descarregar o seu mal-estar, frustrações, em alguém. Curiosamente, esse lixo tóxico, mental, é lançado sobre aquele que escolhemos para parceiro de uma vida. Um paradoxo da existência Humana.
De repente, outra frase que lera há dias, baila na mente: “a gentileza do entendimento”.

É possível amar, entender, compreender quem
nos agride e permanecer sereno.
É tudo uma questão de treino.

No meu cérebro, uma espécie de tornado de ideias nobres vão emergindo, do subconsciente ao consciente: “nunca discutir”, “mais vale ser feliz do que ter razão”, “não critique, auxilie”, “não acuse, ampare”, “não grite converse”, “ninguém gosta de ser criticado”, “tudo passa”…
Afinal é fácil viver em conjunto.
Penso no personagem incrível que foi Jesus de Nazaré, na sua paciência inesgotável no falar e no agir, trazendo, através da sua psicoterapia superior, as pílulas do entendimento, os comprimidos da paciência, as cápsulas da aceitação da vida, com a sua dinâmica em cada fase, o solvente da indulgência para com as faltas alheias, sem ser conivente com o erro.
Do outro lado do telefone, a voz da minha interlocutora voltou, mais calma: “Ah, quem me dera que fosse assim o mundo!
É fácil, basta que cada um, no seu mundo íntimo se dedique a fazer ao próximo o que gostaria que lhe fizessem, a amar as pessoas como elas são, mesmo que discordem das suas ideias, que se veja que quando alguém rabuja, estrebucha, se queixa, está apenas, no seu grau de infantilidade espiritual, a pedir que o amem…
O Amor, nos seus inúmeros níveis é sempre um banho de bem-estar que podemos fruir, através da prece sincera, espontânea, da leitura edificante que nos deixa marcos para o dia-a-dia, da meditação em torno do assunto...
Relembrando os momentos bons de outrora, podemos suavizar os mais difíceis de agora, na certeza de que amanhã, estaremos noutra estrada da vida, em nova aurora existencial. “Amai-vos uns aos outros”, sugeriu meigamente Jesus de Nazaré, há dois mil anos!
Porque esperamos?

0

O Homem integral...



Numa época em que o cuidado com a alimentação está em voga, buscam-se produtos mais saudáveis, o pão integral, a agricultura biológica, já experimentou a receita do Homem integral? Ontem, tivemos uma apresentação desse modelo existencial, em Lisboa. Venha daí, saber mais um pouco…



26 de Novembro de 2019, Lisboa, auditório da Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa, 3ª feira, 21H00.
Havia algo de especial, fora do normal.
As viaturas deslocavam-se auto-estrada fora, em busca da capital portuguesa.
Outros apanhavam os transportes públicos, desde longe, em direcção a Lisboa.
Chegámos pelas 19H30 (1H30 antes do evento) e uma enorme fila já se constituía, na esperança de entrar no vasto auditório. Uma diversa e rica livraria espírita era absorvida pela multidão.
Ao lado, numa mesa, uma pessoa numa cadeira de rodas, quiçá cheio de dores, autografava livros atrás de livros, sempre com um sorriso. Deus foi generoso com ele, mandou-lhe logo 3 dolorosas hérnias discais, que não o impedem de viajar anualmente mais de 200 dias, divulgando a doutrina espírita (que não é mais uma religião ou seita, mas sim, ciência, filosofia e moral).
Estamos a falar de Divaldo Pereira Franco, educador, espírita, médium, o maior divulgador da doutrina espírita no mundo, Doutor Honoris Cause por várias universidades, entre as quais Sorbonne, Embaixador Mundial para a Paz, fundador da Mansão do Caminho, Bahia, Brasil, instituição modelar a nível mundial, por onde já passaram mais de 130 mil crianças pobres, que foram integradas na Sociedade.
Ele ia a caminho de Espanha, onde vai estar no congresso da Federação Espírita Espanhola, mas foi “obrigado” a fazer uma paragem técnica em Portugal.
Era preciso reabastecer, não o avião, mas os portugueses, com fome de espiritualidade, de paz interior, de esperança, de consolo espiritual.
Mais de 700 pessoas de vários locais do país, encheram o vasto auditório, muitas delas sentadas no chão, para ouvir o Embaixador da Paz, o Homem que além de falar, exemplifica, homem pobre de posses materiais e rico de espiritualidade.
De repente… a escuridão.
Um trailer do filme “Divaldo – o mensageiro da Paz”, da Fox Filmes, vai rolando, filme este que está ainda em exibição no Brasil.
Música lírica e a apresentação do presidente da Federação Espírita Portuguesa (FEP).

O sentido da vida é Amar, servir o próximo, ser útil,
fazendo ao próximo o que desejamos para nós.

Estava na hora do ágape espiritual.
Foi posta a mesa, distribuídos os pratos e, Divaldo Franco, através da sua verve, foi distribuindo às mais de 700 pessoas, o alimento que sacia para sempre: um consolo aqui, esperança ali, conhecimento mais além, sorrisos, doutrina espírita, esclarecimento, partilha de experiências pessoais, convite à vivência da ética e da moral de Jesus de Nazaré (base moral da doutrina espírita), tudo isto de forma que todos ficassem saciados e determinados na busca do Homem integral, dentro de si, sem procurar a dieta da felicidade fora de si, no materialismo anestesiante.
Fazendo uma viagem pela história recente da Humanidade, Divaldo abordou a psicologia transpessoal, desta chegou à ciência do Espírito, hoje prova irrefutável, convidando os presentes ao auto-amor, ao amor ao próximo, ao perdão, à compreensão, à tolerância, à alegria de viver no serviço ao próximo, sem esperar receber qualquer recompensa.
Tal semeadura faz-se obrigatória, para que amanhã possamos fruir da “dieta” do Homem integral, que nos livrará definitivamente das gorduras e inconvenientes do orgulho, da vaidade, do egoísmo e de todos os defeitos que ainda carregamos, neste planeta de provas e expiações, em trânsito milenar para um planeta mais feliz, de regeneração.
O banquete terminou com o lindo poema do Espírito Amélia Rodrigues, o poema da gratidão, seguido de prologada ovação do público, agora com o “estômago espiritual” mais recomposto.
Divaldo Franco diz a um ou outro que ainda pretendia um autógrafo: “até Outubro” (altura em que vai decorrer o Congresso Internacional de Espiritismo em Lisboa), e lá foi o semeador de estrelas, porta fora, numa noite em que a única estrela que se vislumbrava era ele próprio, numa espécie de “complot” da Natureza, que fez questão de omitir as estrelas da abóboda celeste com as nuvens, para que esta estrela de duas pernas brilhasse mais um pouco nos nossos corações.
E lá foi ele, saindo de novo a semear, em direcção a terras de “nuestros hermanos”…

0

Não acham isto fantástico?...



Matosinhos, em 23 e 24 de Novembro de 2019 acolheu o VII congresso de Medicina e Espiritualidade, que trouxe médicos, enfermeiros, técnicos de saúde e outros profissionais de outras áreas. Um gosto em comum: medicina, espiritualidade e espiritismo. Não acham isto fantástico?

A Associação Médico-Espírita do Norte (AME-Norte) levou a cabo pela 7ª vez, um congresso sobre medicina e espiritualidade, onde todas as pessoas têm lugar e são bem-vindas, sejam espíritas, ateias, agnósticas, católicas, budistas. Isso não importa… O fulcro da questão é, num ambiente de grande abertura mental, trocar ideias acerca do ser Humano, da saúde, da espiritualidade, dando a abordagem da Doutrina dos Espíritos, que passo a passo a ciência materialista tem vindo a confirmar.
Hassan Farhat é um desses médicos, espírita, com a paixão de levar ao mundo algo em que não acredita, mas que é uma realidade. Quando se sabe, se conhece, não é necessário acreditar. Juntamente com meia dúzia de pessoas generosas, sem qualquer ganho monetário (antes pelo contrário, pagando muitas coisas dos seus bolsos), recebe-nos com um sorriso do tamanho do mundo bem como da sua bondade e generosidade. É impossível ficar-se indiferente.
Na recepção, a gentileza, simpatia são acompanhadas de um saco com o logótipo da AME-Norte, com o programa, papel, esferográfica, um rebuçado e um chocolate. Que toque de ternura, próprio de quem sabe que, de vez em quando, a fome aperta e não apetece sair, tamanho é o interesse dos temas em foco.
O Congresso, este ano, desdobrou-se entre o auditório principal e um seminário científico, em inglês, só para médicos, com uma pesquisadora canadiana, especialista em experiências de quase-morte (EQM’s), Ellaine Drysdale, entre outros. Abordaram também a investigação científica e a ligação entre psiquiatria e espiritualidade. De tarde, outro seminário, à parte do evento central, sobre a espiritualidade e os animais.
Não acham isto fantástico?
Roberto Lúcio, psiquiatra brasileiro, convidado, fez várias intervenções sobre medicina e espiritismo. Gláucia Lima, igualmente psiquiatra, falou do Alzeheimer, bem como da epilepsia refractária, ambas à luz da doutrina espírita (que não é mais uma religião ou seita, mas sim uma doutrina filosófica de consequências morais). Carolina Bento, psicóloga, falou da família e da comunicação parental. Jéssica Tenório abordou o envelhecimento e a família. A médica Joana Farhat tinha como tema o poder do pensamento sobre o campo celular, Lígia Pinto (médica) tinha a temática “Fisiologia do envelhecimento”. Inês Ruvina tocou no assunto da Fibromialgia.

A medicina e a espiritualidade marcham de mãos dadas,
em direcção a uma nova Era, a Era do Espírito.

Mirellla Colaço veterinária, falou dos animais e da sua natureza, e a anfitriã, a médica Paula Silva tratou o tema ”O doente terminal” e também “As neuropatologias do desamor”. O escritor, jornalista e especialista em fauna e flora, Jorge Gomes, fez a ligação entre a Natureza, a saúde e o Homem, interrogando várias vezes o público com a expressão “Não acham isto fantástico?”.
Eu achei fantástico tudo o que vi: um evento praticamente organizado por uma família (que decerto teve prejuízo financeiro para dar lucros espiritual aos demais); os múltiplos afazeres pessoais e profissionais, em paralelo com a organização; a boa organização, simples e eficaz, mas com muito bom gosto, o convívio salutar nos intervalos e nos espaços de almoço; a recepção, a livraria, os bolinhos e café (tão oportunos como necessários), os pósteres temáticos, as filmagens com smartphone; a transmissão online gratuita feita pela Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP); os temas (de um modo geral). Todo o evento está disponível em http://bit.ly/34hT8E4, onde poderá, calmamente, assistir a todas as conferências.
Estamos no alvorecer de uma nova Era, a Era do Espírito, e todos estes eventos são quais nautas do Espírito, trazendo novos mundos ao mundo das nossas mentes, ainda muito fechadas no materialismo anestesiante do ser Humano.
Jorge Gomes referiu com muita propriedade, que as leis da Natureza são o que são, independentemente do que acreditemos ou não.
O Espiritismo não é uma crença, é uma ciência de observação, da qual emana uma filosofia de vida, embasada na ética e na moral que Jesus de Nazaré deixou há 2 mil anos, na Terra.
O Espiritismo tem nas suas bases a existência de Deus, a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos Espíritos, a reencarnação e a pluralidade dos mundos habitados.
Quem quiser conhecer, terá de ler, pesquisa, estudar (www.adep.pt).
Não acham isto fantástico?

1

Um pouco melhor...



Lisboa, 16 de Novembro de 2019, Associação de Comerciantes de Lisboa, 1º Seminário de Medicina e Espiritualidade, organização da Associação Médico-Espírita de Lisboa (AME-Lisboa), apoio da Federação Espírita Portuguesa (FEP), tema “Desafios do Ser e da Dor”.

Sábado de manhãzinha foi preciso levantar bem cedo. Apetecia dar mais uma volta na cama, mas, estava combinado. Outros esperavam a minha boleia em direcção a Lisboa. Lá andámos 1h na estrada, em busca de algo. Não é para qualquer um, é preciso ter gosto naquilo de que se gosta (sorrisos), pensei, ao encontrar cerca de 200 pessoas de várias regiões de Portugal, desde Quarteira (Algarve) até ao Porto, que me tenha apercebido.
Entrámos, e logo nos chamou a atenção a organização impecável, esmerada, cuidada, um sorriso nos lábios, próprio de quem gosta de nos rever. Uma pasta identificativa do evento, material de divulgação, informação, uma esferográfica com o logótipo da AME-Lisboa, crachá moderno e com o nome do evento, um livro de Divaldo Franco com capa específica para este Seminário (Libertação pelo Amor), programa estilizado e a cores.
Cada passo dado e um ou outro beijo, cumprimento, reencontrando amizades, conhecendo gente nova: que bom é a Lei de Sociedade, que nos ensina “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec. Só assim, numa vida de relação, evoluímos, sem dúvida. Olhando para o lado, uma enorme, diversificada e barata bibliografia espírita, fornecida pela FEP. Quanto trabalho ao longo dos vários anos, devem ter tido, para que possamos, hoje, fruir de bons livros espíritas, que em vez de virem do Brasil são feitos em Portugal, a 1/3 do preço. A maior caridade que se pode fazer com o Espiritismo é divulgá-lo, dizia o Espírito Emmanuel.
Veio-me à cabeça!
Quanta caridade ali exposta, quanto consolo, quantas lágrimas a secar, desespero a eliminar, quiçá vidas a salvar.
Excelente e nobre trabalho que a FEP tem efectuado, nesta área…
O evento começou com as apresentações da praxe, envoltas na música lírica de João Paulo e Luís Peças, com o mestre-de-cerimónias Esteves Teiga a deixar nas suas intervenções sempre um lastro de alegria, ânimo e uma ou outra reflexão oportuna. Durante todo o dia respirava-se no ambiente envolvente, um ar que cheirava a amizade, bem-estar, harmonia.
 
“Não viemos à Terra, nesta reencarnação para salvar o mundo,
para salvarmos os outros, para sermos perfeitos.
Se sairmos daqui no fim da vida corporal, um pouco melhor
do que quando chegámos (pelo nascimento), já terá valido a pena.”

A enfermeira Cristina Pereira falou dos aspectos espirituais do coma, seguindo-se a enfª Natércia com o tema da parentalidade. Depois de um intervalo de 30 minutos, o psiquiatra Roberto Lúcio (Minas Gerais, Brasil) falou do suicídio e da assistência aos sobreviventes. Já se sentia o roncar do estômago, estava na hora de reabastecer o corpo, depois de termos alimentado o Espírito. Duas horas depois, a psicóloga Lourdes Barbosa recomeçava, falando de perdas afectivas. Gláucia Lima, psiquiatra, abordou um tema sempre difícil de entender: os filhos difíceis, a hiperactividade, défice de atenção, autismo.
Estava na hora de um cafezinho, em novo intervalo, para dar tempo para mastigar bem os conceitos escutados, enquanto se ouviam mil e um “olá”, beijinhos, cumprimentos, sorrisos, alegria, muita alegria e boa disposição no ar.
No recomeço, a jovem médica Joana Farhat, veio propositadamente do Porto para falar do poder do pensamento na saúde e na doença, terminando o evento (antes de outro trecho musical e do encerramento oficial pelo presidente da FEP) com outra conferência de Roberto Lúcio, que falou da terapia para a alma, libertação pelo Amor.
Se a primeira conferência deste médico foi mais técnica, esta foi técnico-moral, fazendo uma ligação entre o conhecimento médico e a mensagem que Jesus de Nazaré deixou na Terra há 2 mil anos. A páginas tantas, uma frase alertou o radar da minha atenção: “Não viemos à Terra, nesta reencarnação para salvar o mundo, para salvarmos os outros, para sermos perfeitos. Se sairmos daqui no fim da vida corporal, um pouco melhor do que quando chegámos (pelo nascimento), já terá valido a pena.”
Foi difícil sair do espaço, apetecia ficar, continuar, conviver mais, mas os afazeres do quotidiano são implacáveis. Fomos embora, cada um para a sua localidade de residência, para a sua casa, valeu a pena.
Este evento dignificou a Doutrina dos Espíritos, codificada por Allan Kardec, em todos os aspectos: partilha de conhecimento, convivência saudável, ideias de melhoria moral em todos os presentes.
Chegámos a casa de alma cheia, mas aquela tirada final deixou-me a pensar… viemos à Terra para sairmos daqui… um pouco melhor … do que quando entrámos!
Como diria o saudoso jornalista português, Fernando Pessa: “E esta, hem?...”
Um pouco melhor… basta (sorrisos)! 

0

Espíritas: "Podemos viver bem, sem conflitos"

Pósteres temáticos de pesquisa espírita

Caldas da Rainha, Centro Cultural e Congressos (CCC), 28 e 29 de Setembro de 2019. As XV Jornadas de Cultura Espírita do Oeste debateram o tema “Conflitos existenciais: causas e soluções”, num evento cultural de alto nível, que trouxe a Caldas da Rainha 440 pessoas. Ora venha connosco, ao longo do texto.

Espíritas de Braga a Olhão, dos Açores, Alemanha, Brasil e França estiveram nas Caldas da Rainha, no fim-de-semana de 28 e 29 de Setembro de 2019, debatendo os conflitos existenciais da Humanidade, à luz da doutrina espírita (que não é mais uma religião nem seita, mas sim uma filosofia de vida).
Maurício Virgens, tenor e cantor lírico (Colónia, Alemanha) abriu o evento com três temas que encheram o grande auditório do CCC, após as boas-vindas por parte da Organização. A Vereadora da Educação da Câmara Municipal de Caldas da Rainha deu uma saudação muito especial, realçando a importância destes eventos na Sociedade multicultural e plural, bem como da educação como factor de renovação da qualidade do tecido social. Seguiu-se uma saudação do vice-presidente da Federação Espírita Portuguesa, Manuel Costa, e daí em diante foi um banho de espiritualidade, partilha de ideias, cultura, que se espraiaram ao longo de dois dias cheios de novidades. Logo à entrada, 10 pósteres temáticos abordavam de forma sistematizada, muita pesquisa espírita acerca de fenómenos mediúnicos, estatisticamente muito bem trabalhados por Jorge Gomes, da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP).

Edição original de Allan Kardec

Pósteres temáticos muito procurados pelo público
Gláucia lima, psiquiatra falou do vazio existencial à espiritualidade, seguindo-se o Engº Carlos Miguel abordando o “Planeta Terra: que soluções?” com muita mestria. O Prof. Reinaldo Barros falou das migrações de ontem e de hoje, à luz do espiritismo. Seguiu-se uma entrevista a Jorge Gomes (escritor, jornalista, conceituado especialista em fauna e flora), sobre os pósteres temáticos acima referidos. Vasco Marques, um dos gurus dos “social media” em Portugal, falou da ADEP TV e das novas tecnologias, seguindo-se os “parabéns a você” à ADEP, que fizera 20 anos de idade no dia anterior. Da alegria e emoção passámos ao teatro espírita, num monólogo fabuloso do actor Edmundo Cezar (Brasil).

1ª exposição de arte espírita: os princípios básicos do espiritismo

No Foyer do CCC estava, além dos 10 pósteres temáticos (muito requisitados pelo público), uma exposição de arte espírita interactiva (pela 1ª vez em Portugal), levada a cabo por artistas espíritas caldenses, de grande qualidade, para além de uma riquíssima livraria espírita com 2 mil títulos, a preços de divulgação. Estava, igualmente, uma experiência de gravação e edição de vídeo com telemóveis (uma espécie de self-service na aprendizagem), muito frequentada e com muito êxito. Afinal é mesmo fácil, quando se tem conhecimento (sorrisos…).

João Paulo Gomes (Alcobaça), Sílvia Torres (Sonasfly) dos Açores e Carolina Leal de S. Martinho do Porto, cantaram e encantaram o púbico presente, não só nos intervalos, no Foyer, como antes das conferências, no Grande Auditório. 
No Domingo, a Profª Ana Duarte, de Évora, falou das nossas fugas psicológicas, seguindo-se Ulisses Lopes e Noémia Margarido (ambos dirigentes da ADEP) que, numa entrevista, abordaram o medo e como o superar.


Joana Santos conferenciou e fez "stand up comedy" espírita
Joana Santos médica, abordou o tema “Culpa, como sair dela”, de forma exemplar, para mais tarde deliciar o público com “stand up comedy” espírita, sendo uma referência em Portugal, nessa área. Seguiu-se a médica Joana Farhat, que falou dos “Tóxicos mentais” e de como os superar, enumerando técnicas para vencer esta tendência. Paula Silva, igualmente médica, explicou “Como morrer bem”, falando da sua experiência, no IPO do Porto, onde trabalha com doentes terminais. 


Edmundo Cezar voltou a entrar em cena, numa performance notável, seguindo-se a conferência de encerramento “Conflitos existenciais, dinâmica evolutiva da vida” com Jorge Gomes, que abordou o tema com tal profundidade, que em jeito de brincadeira, alguém o apelidava de Alfred Russel Wallace português. Este evento não poderia encerrar de melhor maneira, do que voltar a ouvir o tenor Maurício Virgens, que interagindo com a plateia, levou-a ao rubro, num misto de boas emoções e alegria.


Inovação, tecnologia e espiritismo
Convívio salutar















Nestes dois dias de debate, a filosofia espírita deixou exemplos de tolerância, compreensão, entendimento, colaboração em vez de competição e, acima de tudo, concluiu-se que podemos viver muito melhor sem conflitos, completamente desnecessários, estéreis, ficando no ar a mensagem de Gandhi (A paz é o caminho) e de Jesus de Nazaré (Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo).



Quando cada um, de per si, decidir ser feliz em vez de querer ter razão, tudo mudará para melhor, primeiro no nosso íntimo, e depois, na Sociedade.
Pode ver gratuitamente todo o evento em www.adep.tv

A comemoração dos 20 anos da ADEP

0

Seja bem-vindo, Sr. Outono...

O Outono precede o Inverno, essa estação terrível, o fim, o caos, sem folhas, árvores nuas, frio, gelo, escuridão, vento, chuva. 
Quanta ilusão!
Na curva seguinte, eis que surge a Primavera, com mil tons, o chilreio dos pássaros, os cheiros, o Sol, o convite à vida que se "plenifica" no Verão.
A Vida é isto, uma sucessão de eventos, uma sucessão de estações, que não se esgota no plano da energia densa, coagulada (a matéria).
Tal como na Natureza, também um dia a matéria densa perde a sua vitalidade, parecendo desfazer-se no fim do "Inverno" da Vida.
Pura ilusão!
Mais logo, essa mesma vida, rebenta de novo, noutros patamares existenciais, e eis que surge um bebé.
Expressões de carinho e ternura, como "Que fofura, tão lindo, um anjo" referem-se àquele velho hipócrita de ontem, àquela mãe zelosa, àquele pai déspota que não soube ser melhor por falta de capacidade, àquela madre Teresa de Calcutá anónima de Vila Meã da Raia.
É a reencarnação em todo o seu esplendor, como um convite ao Amor, o combustível do Universo criado por Deus.
Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei, diz-nos a Doutrina Espírita, abrindo-nos de forma científica, filosófica e moral, um portal para que possamos descortinar novos mundos existenciais, em busca de um devir, brilhante, feliz entre os imortais...
Seja bem-vindo Sr. Outono... 
                                                                                                                23 de Setembro de 2019

0

Perdoar é preciso...

Eva Mozes Kor 

O perdão é uma das atitudes mais sublimes do Homem, numa demonstração da sua capacidade de se superar espiritualmente, a caminho de novos patamares evolutivos. Outrora considerada uma atitude dos santos, hoje vemos que está ao alcance de qualquer um que o queira fazer. Perdoar, é preciso…


Perdoar é preciso, faz falta à Humanidade como de pão para a boca.
Perdoar é, igualmente, preciso (de precisão), pois alcança fatalmente o perdoado, com um impacto fatal.
O poder do perdão é tão grande que Jesus de Nazaré, há dois mil anos, apontava esta prática como o caminho para a espiritualização do Homem, ao recomendar perdoar os inimigos, perdoar 70 x 7, isto é, sempre.
Perdoar não é esquecer (tudo o que nos acontece fica gravado no nosso psiquismo); perdoar não é amar de igual modo o criminoso ou alguém que nos ame muito. Obviamente, temos sentimentos diferentes relativamente aos demais, variando com a maior ou menor afinidade que tenhamos com essas pessoas.
Mesmo lembrando o mal que nos possam ter feito, mesmo que gostemos mais ou menos desta ou daquela pessoa, conforme as afinidades, o ensinamento que Jesus (o grande psicoterapeuta da Humanidade, no dizer do Espírito Joanna de Ângelis) deixou é, que é sempre possível perdoar.
Isso significa entender o outro, entender porque agiu de determinada maneira; significa compreender que é um Ser em evolução, mesmo errando, mesmo prejudicando; significa ter uma visão holística da Humanidade, a espraiar-se pelos séculos sem fim, ao longo das reencarnações, saber e sentir que, amanhã, esse Ser hoje condenável socialmente, será melhor, atingindo o vértice da evolução espiritual, um dia, dentro da lógica das vidas sucessivas e progressivas (O Livro dos Espíritos, Allan Kardec).
Perdoar não significa ser condescendente com o erro, não significa omitir-se, desculpar o crime, mas sim, independentemente da aplicação coerciva das leis humanas, entender, não odiar, não desejar mal, sentir apesar de tudo, o espírito de irmandade universal que a todos nos liga, nos múltiplos patamares evolutivos de cada um.
Quando se atinge esse estado, o Homem pacifica-se por dentro, serena, age em conformidade com a sua tranquilidade interior, independentemente do que aconteça exteriormente.

O poder do perdão
é incomensurável.
Toca o coração
do bom e do miserável.

(Poeta alegre, in Histórias que os
Espíritos Contaram, Vol I, Ed. FEP)  

 1 - Há cerca de 35 anos, um amigo que se tornou verdadeiro guia espiritual na Terra, contou-me um caso de um criminoso americano, condenado a prisão perpétua. Esse homem, foi-se encantando com um passarinho que, pousava na grade da janela da sua cela. Interessou-se por ornitologia, foi estudando e tornou-se num especialista mundial, contribuindo com o seu saber para a Humanidade. Se não fosse o perdão dos seres humanos (que não o levaram à cadeira eléctrica) ter-se-ia perdido esse conhecimento, essa oportunidade de evolução do próprio e de todos, em geral.

Carta de Obama estimulando a indultada
2 - Danielle Metz, nos EUA, foi presa em 1993 e passou 23 anos na cadeia por tráfico de droga. Originalmente foi condenada a três penas perpétuas e a mais 20 anos.
Na prisão começou a estudar e, em 2016, 23 anos depois de ser detida, o ex-Presidente Barack Obama, concedeu-lhe um indulto. Voltou a Nova Orleães e conseguiu emprego a empacotar caixas de comida para os mais pobres, junto de uma organização de solidariedade social. Aos 50 anos inscreveu-se na universidade da sua cidade e este ano finalizou a licenciatura em Assistência Social com uma das médias mais altas. (in jornal Expresso, Portugal, 12 Julho 2019)

3 - Eva Mozes Kor chegou ao campo de concentração Nazi, em Maio de 1944. Perdeu os pais e as duas irmãs mais velhas numa câmara de gás em Auschwitz e serviu, tal como a irmã gémea Miriam, de cobaia às mãos de Josef Mengele, o “anjo” de morte. Refez a vida em Israel e nos Estados Unidos e ensinou o valor do perdão.
Eva Mozes Kor, uma das sobreviventes do Holocausto, depois de testemunhar contra o “contabilista” do campo de concentração de Auschwitz, perdoou o seu carrasco. Morreu em 2019, aos 85 anos, deixando uma mensagem notável ao mundo: Perdoem os vossos piores inimigos”. (cf. jornal Expresso, Portugal, 6 Julho 2019)

Depois dos exemplos de Ghandi, Martin Luther King, Nelson Mandela e tantos outros missionários do Amor na Terra, a mensagem do maior exemplo do perdão, Jesus de Nazaré, mantém-se actual, exequível, imprescindível para a evolução intelectual e moral da Humanidade.
Dois mil anos depois, continuamos distraídos, a investir na estratégia oposta (ódio, inveja, egoísmo), no entanto os casos aqui referidos demonstram que é possível perdoar, é possível amar na diferença.
A paz é o caminho, perdoar é… preciso!