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Deus castiga? ... (COVID-19)




A doutrina (conjunto de ideias) dos Espíritos (Espiritismo ou Doutrina Espírita) é baseada em factos, espirituais, de onde se extraiu uma filosofia de vida, espiritualista, assente na ética e na moral de Jesus de Nazaré. Tem como princípios básicos, a existência de Deus, a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos Espíritos, a reencarnação e a pluralidade dos mundos habitados.

Com o advento da pandemia COVID-19, muitas interpretações se fazem acerca deste fenómeno global. Cada um interpreta de acordo com as suas ideias, convicções filosóficas, científicas, espirituais, religiosas.
Se por um lado muitos não cogitam sequer da existência de Deus, outros são categoricamente contra a sua existência, sem que consigam demonstrar essa convicção.
Para os crentes, das religiões tradicionais, há a tendência em remontar ao Deus-castigador de Moisés, punindo quando o Homem se porta mal, sendo que, muito depois, Jesus de Nazaré apresentou-nos um Deus – Amor.
Em 1857, a Doutrina Espírita (ciência de observação, filosofia, moral) utilizando o método científico, demonstrou a imortalidade e a comunicabilidade dos Espíritos, a reencarnação e consequentemente a existência de Deus. Está por provar, cientificamente, a pluralidade dos mundos habitados, o que até na comunidade científica céptica é uma evidência, uma questão de tempo, até se encontrar vida inteligente noutros planetas.
Para a Doutrina espírita, Deus não é um ser como nós, um velhinho de barbas (antropomorfismo), mas sim “a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”, na definição dos Espíritos superiores.
Uns chamam-no Deus, outros Alá, Energia Cósmica, Luz Divina, etc., isso pouco importa. O que é determinante é que, pela obra se vê o autor.
Olhando para o Universo, encontramos uma obra perfeita, com forças de atracção e repulsão milimétricas, ajustadas. Este efeito teve uma causa. Sendo o efeito inteligente, a causa tem de ser inteligente. Não sendo obra do Homem, adoptou-se, por uma questão de necessidade de identificação, apelidar essa causa inteligente de Deus.
Só se concebe a existência de um Deus perfeito, caso contrário teríamos de admitir a possibilidade de outro Deus, acima deste, ainda mais perfeito.
Sendo Deus perfeito, a sua obra terá de será perfeita, bem como as leis que regem essa mesma obra. A essa força de perfeição chamamos Amor, a energia que equilibra todo o Universo e tudo o que nele existe. Nos imensos planetas, esse Amor é captado de acordo com a sensibilidade, conhecimento e evolução dos seres inteligentes que aí habitarem. Em planetas superiores à Terra, do ponto de vista intelectual e moral, o conceito de Amor será muito mais íntimo, espiritual, subtil, se compararmos com o conceito de Amor – posse, por exemplo, que vige na Terra.

O Espírito colhe sempre o que semeou nesta e / ou noutras
vidas passadas, sob a forma de mola impulsionadora,
positiva, para um futuro melhor

Assim, sendo Deus a inteligência suprema, criadora do Universo, sendo o Amor a força que o mantém e alimenta o mesmo Universo, Deus jamais poderia castigar quem quer que fosse, tal como, na Terra, um pai compreende que o filho que anda no 1º ano escolar, não tem capacidade de executar complexas equações matemáticas. Estúpido seria castigar o pequenote, na sua escala evolutiva, que leva tempo.
Se lermos “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, vamos encontrar preciosa informação acerca dos problemas do quotidiano, nomeadamente as catástrofes, mortes colectivas, pragas, epidemias, etc.
Tais situações enquadram-se dentro da Lei de Causalidade (Causa e Efeito), onde o Homem, semeando a ganância, ódio, orgulho, egoísmo, gera campos energéticos na Sociedade que vão gerar consequências similares (guerras, epidemias, doenças, etc.).
Esta pandemia, do COVID-19, enquadra-se dentro desse quadro, onde a ganância irrefreada, o egoísmo, a ambição desenfreada pelo dinheiro, pela posse efémera, por ter cada vez mais sem cogitar em ser melhor pessoa, levou a que a Humanidade descurasse as questões ambientais, de segurança sanitária, de honestidade naquilo que vende ou faz, a postura ética perante a vida, a livre aquisição de valores morais, resgatando a honra, a garantia da palavra, a atitude honesta, o fazer ao próximo o que desejaríamos que nos fizessem (Jesus de Nazaré).
Deus não castiga. As leis do Universo são perfeitas, só que, quando nós, seres inteligentes violamos as leis do equilíbrio universal, como consequência o universo tem uma reacção oposta com vista ao seu reequilíbrio.
Na medida em que formos aprendendo com os erros e acertos, em que nos aperfeiçoarmos intelectual e moralmente, ao longo das vidas sucessivas (reencarnações), iremos criando pelos séculos adiante condições para vivermos melhor, em paz, partilhando e colaborando em vez da feroz competição, entre-ajudando-nos quer entre pessoas como entre países, na certeza de que o Bem de uns será sempre o Bem de todos.
A semeadura é livre mas a colheita é obrigatória, ensinou Jesus de Nazaré (que na óptica espírita não é Deus, mas sim um ser como nós, que terá começado a sua evolução muito antes, noutros orbes).
Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei”.

Bibliografia:

- Curso Básico de Espiritismo - www.adep.pt
- "O Livro dos Espíritos", Allan Kardec.

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O milagre do Coronavírus... (palestinianos e israelitas de mãos dadas)

De repente o mundo mudou.
Quando a Humanidade temia uma 3ª guerra mundial, qual presente dos céus apareceu um amigo invisível, o coronavírus COVID-19.
Um simples vírus, com mais poder do que todas as bombas nucleares, russas, chinesas, americanas, com mais poder que o dinheiro que se possa ter no banco, ouro, acções na Bolsa de Valores, dinheiro escondido em paraísos fiscais; um simples vírus que faz tremer de medo todo o planeta, milhares de aviões parados, os países a viverem em modo de sobrevivência; um vírus democrático que atinge pessoas importantes, tal como a classe média, pobres, indigentes, brancos, pretos, mulatos, cultos, incultos, bonitos, feios, homens, mulheres…
Relembrando um ensinamento de Jesus de Nazaré (o grande psicoterapeuta da Humanidade), pelo fruto se vê a qualidade da árvore.
A árvore, neste caso, é o COVID-19, mas quais são os frutos desta árvore?

Elenquemos apenas alguns mais visíveis:
- a vida considerada insuportável, inadiável…parou;
- a vida mecânica, sob a batuta do relógio… parou;
- a falta de tempo para tudo e para todos…desapareceu;
- o esgotamento físico e mental para ter coisas… parou;
- o que era urgente, deixou de o ser;
- o que era essencial, passou a acessório;
- a certeza do nosso ego passou a incerteza, insegurança, fragilidade;
- a atitude prepotente, o esclavagismo, o poder, de acordo com a conta bancária, desvaneceu-se perante a eminência da… morte do corpo físico.

Cientistas de todo o mundo juntam-se, partilham dados, na busca de um medicamento, de uma vacina.
Com mais ou menos interesses, os países entreajudam-se, partilham conhecimentos, materiais, numa busca pela sobrevivência.
O Secretário-Geral da ONU implorou que, em todo o mundo, se fizesse uma trégua nas guerras, para nos dedicarmos unicamente ao combate a este vírus.
O Homem começou a ter uma noção de que a sua vida é efémera, que um dia vai morrer, que pode ser já amanhã, reflectindo: o que ando aqui a fazer? Porque vivo? De onde venho? Para onde vou? Qual o sentido da vida?

Um grande milagre aconteceu:
os eternos inimigos, israelitas e palestinianos
estão de mãos dadas, ajudando-se mutuamente, graças ao COVID-19.

Na Cisjordânia, em gaza e em Israel, médicos israelitas e palestinianos criaram um centro de cooperação na luta contra o COVID-19. Pela primeira vez em muitos anos, os presidentes de Israel e da Palestina mantêm um contacto telefónico contínuo, para enfrentar a ameaça de forma conjunta”.
(In telejornal da SIC - uma das televisões portuguesas – na noite de 24 de Março de 2020, https://bit.ly/39kj1ES ).
Estamos numa imensa Arca de Noé, atravessando o dilúvio da incerteza, provocado pelo Homem egoísta, ganancioso, violento, orgulhoso.
A hora é de meditação, de análise, de mudança de hábitos, de sentimentos, de pensamentos, de atitudes.

Na magnífica obra de filosofia espírita, intitulada “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, encontramos as respostas para as perquirições mais íntimas, acima referidas. Os Espíritos superiores, em 1857, já apontavam como medida da felicidade na Terra, ao nível material ter o essencial para viver com dignidade e, ao nível moral ter a consciência tranquila.
A Doutrina Espírita (ciência, filosofia e moral) traz todo um rol de conhecimentos que são preciosos auxiliares para o progresso da Humanidade, demonstrando a ilusão do Materialismo e identificando a mãe de todos os males: o egoísmo.

São as dores de parto de uma Sociedade nova, mais espiritualizada: ao longo das reencarnações (vidas sucessivas) o egoísmo dará lugar à fraternidade, a disputa dará lugar à colaboração, a ganância dará lugar à generosidade.
Somos seres espirituais, imortais, temporariamente num corpo de carne, ao longo das vidas sucessivas, em busca de um devir mais esplendoroso, equilibrando as duas asas que nos farão voar mais alto: o intelecto e a moral, fazendo ao próximo o que gostaríamos que nos fizessem…


Bibliografia:

- Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal – www.adep.pt
- Allan Kardec – “O Livro dos Espíritos”.

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E tudo o vírus levou...



1 – Materialismo - Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita (que não é mais uma religião ou seita, mas sim uma filosofia de vida, espiritualista) identificou o grande “inimigo” da Humanidade: o “materialismo” e o desconhecimento que o Homem tem da sua condição de Espírito imortal. Urge, dizia ele em 1857, demonstrar à Humanidade a sua espiritualidade (hoje comprovada cientificamente, desde o aparecimento do Espiritismo).

2 – Egoísmo – Os Espíritos superiores referem, na obra de Kardec, que o egoísmo é a mãe de todos os defeitos que o Ser Humano possuí, e que erradicando-se o egoísmo, arranca-se a raiz de todos os males humanos.

3 – Capitalismo vs ditadura – Ignorante da sua condição de Espírito imortal, ignorante das Leis da Natureza (reencarnação, causa e efeito,. etc.), o Homem, numa simples vida de 80 anos, quer tudo para si, num capitalismo selvagem; esmaga outros seres humanos, em regimes ditatoriais, esquecendo-se que, mais logo, estará no mundo espiritual, perante a sua consciência, em dolorosos processos de auto-reajuste, sob a batuta do remorso e da culpa. Dizem os Espíritos superiores, na obra de Allan Kardec, que a medida da felicidade na Terra, no campo material é ter o essencial para viver com dignidade (casa, comida, trabalho); no campo moral é ter a consciência tranquila.

4 – Eutanásia vs aborto – Na sua infância espiritual o Homem quer brincar de Deus. Exibe leis que permitem matar despudoradamente (aborto, eutanásia), esquecendo-se que as leis dos Homens não conseguem sobrepor-se às leis de Deus (Leis da Natureza). Qualquer lei que vá contra uma lei natural provoca um desequilíbrio social, mundial, gerando consequências dolorosas que buscam o reequilíbrio agora perdido. Critica-se Hitler, por um lado, e “democraticamente” decide-se, nos parlamentos, que matar é “legal”.

5 – Guerra vs psicosfera – Na sua infantilidade espiritual, o Homem fomenta guerras de todo o tipo (das guerras mentais às guerras entre Estados, desde guerras interiores às guerras periféricas e mundiais), desconhecendo que, tudo aquilo que pensa gera uma onda mental e, uma consequente aura energética em seu redor. Os conjuntos de Homens geram conjuntos de auras, citadinas, de países, mundiais. Dizem os Espíritos superiores, que vista do espaço, a Terra parece envolta numa psicosfera (atmosfera psíquica) negra, pesada, proveniente das emanações mentais de ódio, de vingança, do orgulho, de egoísmo, das guerras, do capitalismo selvagem, da falta de ética e de moral social.

6 – Coronavírus (COVID-19) – De repente, apareceu no planeta Terra mais um vírus, denominado coronavírus COVID-19. Desconhece-se a sua causa e onde apareceu, bem como a sua dinâmica mutacional, os impactos sociais e mundiais que virá a ter. Apesar de toda a tecnologia do Homem, da sua capacidade de, em naves espaciais pesquisar o sistema solar, de ter uma base espacial internacional, dos inúmeros avanços científicos, bastou um simples vírus para provocar desencarnações (mortes) em massa, para paralisar cidades com milhões de habitantes, para parar toda a dinâmica social ao nível planetário, mais cedo ou mais tarde, como que a demonstrar o quanto o Homem é pequenino, na sua aparente “fortaleza”.

7 - E tudo o vírus levou – A doutrina espírita (ciência, filosofia, moral) investiga os factos espíritas (demonstrando a imortalidade do Homem), explica esses factos e aponta a moral que Jesus de Nazaré deixou à Humanidade, como o roteiro mais seguro para a sua espiritualidade, para a sua evolução intelectual e moral. Nesse sentido, o Espiritismo define-se como sendo uma doutrina filosófica de consequências morais, pois que o seu conhecimento, a sua vivência, acarretam consequências morais para a Humanidade.

Epílogo - Quando o Homem tiver esta consciência, de que é um ser imortal, de que a reencarnação é uma lei biológica e de que colhe na vida o que semeou antes (Lei de causa e efeito), deixará de haver racismo, porque o Homem saberá que pode reencarnar com qualquer cor de pele; deixará de haver xenofobia, porque o Homem saberá que pode reencarnar em qualquer país do planeta; deixará de haver as assimetrias sociais profundas, porque o Homem saberá que aquele mendigo de agora pode ter sido um primeiro-ministro de outrora, quiçá seu pai, irmão; deixarão de existir os conflitos sexuais, porque o Homem terá a consciência que pode reencarnar com a polaridade masculina ou feminina; deixará de haver o desrespeito pela Natureza, pois o Homem saberá que ao reencarnar, encontrará a Natureza tal como a deixou.
A solução encontra-se nas leis da Natureza, nas leis de Deus (ver “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec), no fazer ao próximo o que desejaríamos para nós mesmos, conforme ensinou o grande psicoterapeuta da Humanidade – Jesus de Nazaré.
Enquanto isso não acontecer, continuaremos a ser figurantes do filme de terror, em rodagem, no planeta Terra, intitulado “E tudo o vírus levou…” (o vírus do egoísmo, a causa de todos os males na Terra)…
  
Bibliografia:

ADEP – “Curso Básico de Espiritismo”, www.adep.pt
Kardec, Allan – “O Livro dos Espíritos”, Ed. FEP, Portugal

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Amanhã anda à rodaaaa...


Há dias de sorte.

Estava sentado na esplanada, a ler a última edição do Jornal de Espiritismo (da ADEP), que acabaria por ficar “esquecido” na mesa, com o afã de divulgar o Espiritismo e também para o caso de ser útil a alguém. Um cauteleiro passou ao lado, cantando a sorte grande: “amanhã anda à rodaaaa…”, tentando vender as últimas cautelas da lotaria nacional.
“Quanto custa?”, perguntei, a que se seguiu, no meio da esperança de vender, a resposta pronta: “10 €, mas pode ganhar muitos milhões…”.
Comprei uma fracção e não liguei mais ao assunto, continuando a ler o jornal.
O sorteio era nessa 2ª feira à noite e, antes de me deitar, consultei na Internet, o resultado do mesmo: quase morria de susto, os números eram muito parecidos. Consultando melhor, tinha o 1º prémio… não queria acreditar… voltei a ver, dígito a dígito… não havia como enganar: tinha ganho o 1º prémio… yesss… quanta alegria naquele momento.
Com a mão trémula, e ainda sem acreditar, a cautela premiada caiu-me da mão. Era a excitação do inusitado da situação. Estiquei o braço para apanhar a cautela e senti forte dor no cotovelo: tinha batido com o braço na mesinha de cabeceira!!!
Ora bolas, tinha sido um sonho, caramba, parecia tão real…
Não pude deixar de sorrir, antes de mergulhar, de novo, no vale dos lençóis, em busca de uma noite sossegada.
Ao acordar relembrei o sonho e, não sei porquê, lembrei-me de muita gente que está à espera que lhe saia a lotaria espiritual: a taluda da “transição planetária”.

Uns dizem que já andou à roda, outros dizem que vai andar à roda em 2020, outros em 2057, outros noutras datas. Coitado de quem comprou a cautela, em busca de um futuro melhor, sem esforço. Não é justo, nem sabem o dia em que vai andar à roda o tão desejado prémio!
Os espíritas (e não só) por vezes vemos as coisas de um ponto de vista místico, nada condizente com o que Allan Kardec deixou à Humanidade: uma fé raciocinada, que enfrente a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.
As leis de Deus (leis da Natureza) são intocáveis e independentes do acreditarmos nisto ou naquilo, do agirmos ou não em conformidade, das opiniões pessoais.
Sendo Espíritos imortais no concerto da Vida, sabemos que a evolução do Espírito é um imperativo, mas também sabemos que esse desiderato é mais ou menos rápido, de acordo com o livre-arbítrio de cada um. Nesse sentido, se o futuro a curto, médio e longo prazo depende das opções futuras do Homem, se esse Homem tem o livre-arbítrio de agir bem, agir mal, não agir, ninguém pode referir uma data para a transformação da Humanidade que os bons Espíritos preconizaram a Allan Kardec, para o 3º milénio. Curiosamente, os mesmos Espíritos, ensinam em “O Livro dos Médiuns” que qualquer Espírito que afirme que tal situação vai acontecer na data X ou Y, esse Espírito não merece credibilidade, devido às condicionantes acima referidas.

A lotaria da “transição planetária”
faz com que muitos de nós
“andem na Lua”, em vez de estarem na “Terra"

Olhando para a história da Humanidade vemos que a sua evolução é muito lenta, do ponto de vista ético-moral. Em 2.000 anos não conseguimos aprender o básico, que o grande psicoterapeuta da Humanidade, Jesus de Nazaré, ensinou: “não fazer ao próximo o que não desejamos para nós”. Se em 2 mil anos não conseguimos esse desiderato, como conseguir que o Espiritismo (que apareceu em 1857) brote de dentro de nós, se nem sequer o conseguimos entender na sua profundidade, tentando, pelo recuo evolutivo, transformá-lo em mais uma religião, ao arrepio do que Kardec deixou à Humanidade?
Uma leitura atenta à “Revista Espírita” de Allan Kardec, ano 9, nº 10, Outubro de 1866, faz-nos ver que aquilo a que misticamente chamamos “transição planetária”, não é bem assim como pensamos e queremos: uma “cautela de lotaria” que vai sair a uns felizardos.
Se é certo que pela reencarnação novos Espíritos virão ajudar a Terra na sua evolução, se é certo que a evolução é um imperativo do Espírito, se é certo que Deus tem mecanismos que nem cogitamos, para auxiliar a Humanidade, manda o bom senso que olhemos à nossa volta: temos um condomínio de luxo na Terra (o Ocidente “civilizado”) e temos milhões de irmãos nossos, em estados de profunda miséria, pelo globo todo, que estão na Terra com o mesmo propósito (evoluir intelectual e moralmente) que nós, bem como que perante Deus não há seres privilegiados.

J. Gomes (escritor, jornalista) fez pedagógica palestra, “A evolução mede-se em…milhões de anos”, no aniversário do Centro de Cultura Espírita, nas Caldas da Rainha, Portugal, em 17 de Janeiro de 2020, onde podemos encontrar uma visão lúcida e invulgar acerca do assunto.
José Raul Teixeira (Doutor em Física, espírita, médium), numa das suas muitas palestras, referia, com sensatez, que o 3º milénio tem 1.000 anos e, que em mil anos podemos reencarnar várias vezes na Terra.
Talvez fosse bom pensarmos um pouco na história inicial deste texto, não vá um dia… acordarmos e vermos que afinal, tudo aquilo em que acreditávamos ser possível, “evolução sem esforço”, não passou de um sonho…
O melhor é mesmo cada um melhorar-se por dentro, passo a passo, dia-a-dia, seguir adiante, exemplificar fraternidade, amizade, tolerância, fazendo ao próximo o que gostaríamos que nos fizessem, deixando o resto nas mãos de Deus! 

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Não suporto o meu marido...


Outra vez o telefone!!! Por vezes apetece-me desligá-lo de vez, mas… ele faz tanto jeito… “Está? Bom dia, como vais?”, Esta frase prolongou-se por uns longos 36 minutos de conversa, em que o monólogo que vinha do outro lado ganhou por 10-0, à tentativa de diálogo. Ouvi, e fiquei feliz por verificar que já consigo ouvir… estou a aprender algumas coisas, nesta vida (sorrisos…)!
Um casal na casa dos 70 anos. As queixas do costume: “ele está insuportável, não o consigo aturar, não sei se aguento mais, qualquer dia vou embora, sem saber para onde e como.” Numa quase vã tentativa de opinar, lá para a 12ª tentativa, consegui “meter a ficha” e dizer qualquer coisa, no meio daquele rol de mágoas, ressentimentos, queixumes.
Falámos dos momentos de namoro deles, do casamento, do nascimento dos filhos, das alegrias, dos êxitos materiais, das oportunidades desta vida.
Do outro lado, lá vinha “pois é, foi tão bonito, quem me dera que fosse assim, mas agora é diferente, é uma tristeza”.

Vejamos o coleccionador de carros antigos.
Antes de serem antigos, eram modernos, fonte de todos os prazeres na condução, úteis. Depois, perderam a graça, ficaram velhos, uns sem peças, outros para a sucata, já não prestavam, diziam, pois outros modelos mais modernos tinham vindo para o seu lugar.
No entanto, há sempre quem seja obstinado, quem não desista de limpar e consertar o carburador, meter uma mola nova, um retoque na pintura e, quando se dá por ela temos um carro de colecção, extremamente valioso, que os outros ambicionam mas não conseguem comprar, pois o preço é exorbitante e raramente está à venda. Os donos dessas donas Elviras, quase sempre dizem que não os vendem, pois ali está um bocado do seu ser, do seu sentir, da sua vida. A analogia, surgida repentinamente, não podia ser mais certeira.

Na vida, temos o carro físico (o corpo de carne) que, quando jovem é bonito, activo, socialmente aceitável. De repente, é preciso mudar uma peça ou outra. Não é possível. Tem de ser remendado, num Hospital qualquer, através da gentileza e da competência de um cirurgião.
O Homem almeja por se reformar para ser feliz, trabalha contra a vontade. Chegou a hora da reforma e ele estertora, sem objectivos de curto, médio e longo prazo. Não vive, sobrevive, e como não se sente bem, tem de descarregar o seu mal-estar, frustrações, em alguém. Curiosamente, esse lixo tóxico, mental, é lançado sobre aquele que escolhemos para parceiro de uma vida. Um paradoxo da existência Humana.
De repente, outra frase que lera há dias, baila na mente: “a gentileza do entendimento”.

É possível amar, entender, compreender quem
nos agride e permanecer sereno.
É tudo uma questão de treino.

No meu cérebro, uma espécie de tornado de ideias nobres vão emergindo, do subconsciente ao consciente: “nunca discutir”, “mais vale ser feliz do que ter razão”, “não critique, auxilie”, “não acuse, ampare”, “não grite converse”, “ninguém gosta de ser criticado”, “tudo passa”…
Afinal é fácil viver em conjunto.
Penso no personagem incrível que foi Jesus de Nazaré, na sua paciência inesgotável no falar e no agir, trazendo, através da sua psicoterapia superior, as pílulas do entendimento, os comprimidos da paciência, as cápsulas da aceitação da vida, com a sua dinâmica em cada fase, o solvente da indulgência para com as faltas alheias, sem ser conivente com o erro.
Do outro lado do telefone, a voz da minha interlocutora voltou, mais calma: “Ah, quem me dera que fosse assim o mundo!
É fácil, basta que cada um, no seu mundo íntimo se dedique a fazer ao próximo o que gostaria que lhe fizessem, a amar as pessoas como elas são, mesmo que discordem das suas ideias, que se veja que quando alguém rabuja, estrebucha, se queixa, está apenas, no seu grau de infantilidade espiritual, a pedir que o amem…
O Amor, nos seus inúmeros níveis é sempre um banho de bem-estar que podemos fruir, através da prece sincera, espontânea, da leitura edificante que nos deixa marcos para o dia-a-dia, da meditação em torno do assunto...
Relembrando os momentos bons de outrora, podemos suavizar os mais difíceis de agora, na certeza de que amanhã, estaremos noutra estrada da vida, em nova aurora existencial. “Amai-vos uns aos outros”, sugeriu meigamente Jesus de Nazaré, há dois mil anos!
Porque esperamos?

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O Homem integral...



Numa época em que o cuidado com a alimentação está em voga, buscam-se produtos mais saudáveis, o pão integral, a agricultura biológica, já experimentou a receita do Homem integral? Ontem, tivemos uma apresentação desse modelo existencial, em Lisboa. Venha daí, saber mais um pouco…



26 de Novembro de 2019, Lisboa, auditório da Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa, 3ª feira, 21H00.
Havia algo de especial, fora do normal.
As viaturas deslocavam-se auto-estrada fora, em busca da capital portuguesa.
Outros apanhavam os transportes públicos, desde longe, em direcção a Lisboa.
Chegámos pelas 19H30 (1H30 antes do evento) e uma enorme fila já se constituía, na esperança de entrar no vasto auditório. Uma diversa e rica livraria espírita era absorvida pela multidão.
Ao lado, numa mesa, uma pessoa numa cadeira de rodas, quiçá cheio de dores, autografava livros atrás de livros, sempre com um sorriso. Deus foi generoso com ele, mandou-lhe logo 3 dolorosas hérnias discais, que não o impedem de viajar anualmente mais de 200 dias, divulgando a doutrina espírita (que não é mais uma religião ou seita, mas sim, ciência, filosofia e moral).
Estamos a falar de Divaldo Pereira Franco, educador, espírita, médium, o maior divulgador da doutrina espírita no mundo, Doutor Honoris Cause por várias universidades, entre as quais Sorbonne, Embaixador Mundial para a Paz, fundador da Mansão do Caminho, Bahia, Brasil, instituição modelar a nível mundial, por onde já passaram mais de 130 mil crianças pobres, que foram integradas na Sociedade.
Ele ia a caminho de Espanha, onde vai estar no congresso da Federação Espírita Espanhola, mas foi “obrigado” a fazer uma paragem técnica em Portugal.
Era preciso reabastecer, não o avião, mas os portugueses, com fome de espiritualidade, de paz interior, de esperança, de consolo espiritual.
Mais de 700 pessoas de vários locais do país, encheram o vasto auditório, muitas delas sentadas no chão, para ouvir o Embaixador da Paz, o Homem que além de falar, exemplifica, homem pobre de posses materiais e rico de espiritualidade.
De repente… a escuridão.
Um trailer do filme “Divaldo – o mensageiro da Paz”, da Fox Filmes, vai rolando, filme este que está ainda em exibição no Brasil.
Música lírica e a apresentação do presidente da Federação Espírita Portuguesa (FEP).

O sentido da vida é Amar, servir o próximo, ser útil,
fazendo ao próximo o que desejamos para nós.

Estava na hora do ágape espiritual.
Foi posta a mesa, distribuídos os pratos e, Divaldo Franco, através da sua verve, foi distribuindo às mais de 700 pessoas, o alimento que sacia para sempre: um consolo aqui, esperança ali, conhecimento mais além, sorrisos, doutrina espírita, esclarecimento, partilha de experiências pessoais, convite à vivência da ética e da moral de Jesus de Nazaré (base moral da doutrina espírita), tudo isto de forma que todos ficassem saciados e determinados na busca do Homem integral, dentro de si, sem procurar a dieta da felicidade fora de si, no materialismo anestesiante.
Fazendo uma viagem pela história recente da Humanidade, Divaldo abordou a psicologia transpessoal, desta chegou à ciência do Espírito, hoje prova irrefutável, convidando os presentes ao auto-amor, ao amor ao próximo, ao perdão, à compreensão, à tolerância, à alegria de viver no serviço ao próximo, sem esperar receber qualquer recompensa.
Tal semeadura faz-se obrigatória, para que amanhã possamos fruir da “dieta” do Homem integral, que nos livrará definitivamente das gorduras e inconvenientes do orgulho, da vaidade, do egoísmo e de todos os defeitos que ainda carregamos, neste planeta de provas e expiações, em trânsito milenar para um planeta mais feliz, de regeneração.
O banquete terminou com o lindo poema do Espírito Amélia Rodrigues, o poema da gratidão, seguido de prologada ovação do público, agora com o “estômago espiritual” mais recomposto.
Divaldo Franco diz a um ou outro que ainda pretendia um autógrafo: “até Outubro” (altura em que vai decorrer o Congresso Internacional de Espiritismo em Lisboa), e lá foi o semeador de estrelas, porta fora, numa noite em que a única estrela que se vislumbrava era ele próprio, numa espécie de “complot” da Natureza, que fez questão de omitir as estrelas da abóboda celeste com as nuvens, para que esta estrela de duas pernas brilhasse mais um pouco nos nossos corações.
E lá foi ele, saindo de novo a semear, em direcção a terras de “nuestros hermanos”…

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Não acham isto fantástico?...



Matosinhos, em 23 e 24 de Novembro de 2019 acolheu o VII congresso de Medicina e Espiritualidade, que trouxe médicos, enfermeiros, técnicos de saúde e outros profissionais de outras áreas. Um gosto em comum: medicina, espiritualidade e espiritismo. Não acham isto fantástico?

A Associação Médico-Espírita do Norte (AME-Norte) levou a cabo pela 7ª vez, um congresso sobre medicina e espiritualidade, onde todas as pessoas têm lugar e são bem-vindas, sejam espíritas, ateias, agnósticas, católicas, budistas. Isso não importa… O fulcro da questão é, num ambiente de grande abertura mental, trocar ideias acerca do ser Humano, da saúde, da espiritualidade, dando a abordagem da Doutrina dos Espíritos, que passo a passo a ciência materialista tem vindo a confirmar.
Hassan Farhat é um desses médicos, espírita, com a paixão de levar ao mundo algo em que não acredita, mas que é uma realidade. Quando se sabe, se conhece, não é necessário acreditar. Juntamente com meia dúzia de pessoas generosas, sem qualquer ganho monetário (antes pelo contrário, pagando muitas coisas dos seus bolsos), recebe-nos com um sorriso do tamanho do mundo bem como da sua bondade e generosidade. É impossível ficar-se indiferente.
Na recepção, a gentileza, simpatia são acompanhadas de um saco com o logótipo da AME-Norte, com o programa, papel, esferográfica, um rebuçado e um chocolate. Que toque de ternura, próprio de quem sabe que, de vez em quando, a fome aperta e não apetece sair, tamanho é o interesse dos temas em foco.
O Congresso, este ano, desdobrou-se entre o auditório principal e um seminário científico, em inglês, só para médicos, com uma pesquisadora canadiana, especialista em experiências de quase-morte (EQM’s), Ellaine Drysdale, entre outros. Abordaram também a investigação científica e a ligação entre psiquiatria e espiritualidade. De tarde, outro seminário, à parte do evento central, sobre a espiritualidade e os animais.
Não acham isto fantástico?
Roberto Lúcio, psiquiatra brasileiro, convidado, fez várias intervenções sobre medicina e espiritismo. Gláucia Lima, igualmente psiquiatra, falou do Alzeheimer, bem como da epilepsia refractária, ambas à luz da doutrina espírita (que não é mais uma religião ou seita, mas sim uma doutrina filosófica de consequências morais). Carolina Bento, psicóloga, falou da família e da comunicação parental. Jéssica Tenório abordou o envelhecimento e a família. A médica Joana Farhat tinha como tema o poder do pensamento sobre o campo celular, Lígia Pinto (médica) tinha a temática “Fisiologia do envelhecimento”. Inês Ruvina tocou no assunto da Fibromialgia.

A medicina e a espiritualidade marcham de mãos dadas,
em direcção a uma nova Era, a Era do Espírito.

Mirellla Colaço veterinária, falou dos animais e da sua natureza, e a anfitriã, a médica Paula Silva tratou o tema ”O doente terminal” e também “As neuropatologias do desamor”. O escritor, jornalista e especialista em fauna e flora, Jorge Gomes, fez a ligação entre a Natureza, a saúde e o Homem, interrogando várias vezes o público com a expressão “Não acham isto fantástico?”.
Eu achei fantástico tudo o que vi: um evento praticamente organizado por uma família (que decerto teve prejuízo financeiro para dar lucros espiritual aos demais); os múltiplos afazeres pessoais e profissionais, em paralelo com a organização; a boa organização, simples e eficaz, mas com muito bom gosto, o convívio salutar nos intervalos e nos espaços de almoço; a recepção, a livraria, os bolinhos e café (tão oportunos como necessários), os pósteres temáticos, as filmagens com smartphone; a transmissão online gratuita feita pela Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP); os temas (de um modo geral). Todo o evento está disponível em http://bit.ly/34hT8E4, onde poderá, calmamente, assistir a todas as conferências.
Estamos no alvorecer de uma nova Era, a Era do Espírito, e todos estes eventos são quais nautas do Espírito, trazendo novos mundos ao mundo das nossas mentes, ainda muito fechadas no materialismo anestesiante do ser Humano.
Jorge Gomes referiu com muita propriedade, que as leis da Natureza são o que são, independentemente do que acreditemos ou não.
O Espiritismo não é uma crença, é uma ciência de observação, da qual emana uma filosofia de vida, embasada na ética e na moral que Jesus de Nazaré deixou há 2 mil anos, na Terra.
O Espiritismo tem nas suas bases a existência de Deus, a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos Espíritos, a reencarnação e a pluralidade dos mundos habitados.
Quem quiser conhecer, terá de ler, pesquisa, estudar (www.adep.pt).
Não acham isto fantástico?