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As religiões (não) fazem falta?..

Nestes momentos conturbados do planeta Terra, a guerra tem sido o grande carrasco do ser humano. Como resquícios dos mundos primitivos, o Homem continua a matar por qualquer razão, todas elas tendo como causa o egoísmo, que por sua vez é a mãe de todos os defeitos morais do Homem.
Da guerra mental, verbal, física, familiar ou não, guerras periféricas até às guerras mundiais, temos tido de tudo um pouco, desde que o Homem é Homem.
Se a ganância, o orgulho, o egoísmo têm sido os grandes verdugos da Humanidade, conduzindo a guerras permanentes, a sofrimentos atrozes, a marcas físicas e psicológicas sem fim, as religiões têm, igualmente, sido fontes de conflitos nas mais diversas Eras da Humanidade.
Vendo bem as coisas, as religiões são como os partidos políticos, os clubes de futebol: todas elas se acham a melhor entre todas, a única que possui a verdade e, como tal, tornam-se sectárias (seitas, que separam uns dos outros) promovendo disputas e, amiúde, ódios, guerras e vinganças sem fim, tudo isto em nome de Deus que, cada uma apelida como deseja.

No ponto extremo temos o radicalismo religioso, religiões mais ou menos bárbaras, que nada condizem com a noção de espiritualidade, paz, humanismo, fraternidade, solidariedade, Amor.
Jesus de Nazaré foi o Espírito mais evoluído que esteve à face da Terra, dizem os Espíritos superiores, nas pesquisas efectuadas por Allan Kardec, aquando da codificação da Doutrina dos Espíritos (Espiritismo ou Doutrina Espírita) em 1857.
Pela árvore se vê o fruto e, de facto, apenas com Jesus de Nazaré encontramos noções de vivência em Sociedade transversais a toda a Humanidade, sem distinção de povos ou raças, pregando e praticando o Amor ao próximo, deixando esse roteiro como o único caminho seguro para a Humanidade. 

                       Jesus de Nazaré é o expoente máximo que esteve na Terra,
                    cujos ensinos se destinam a todos os homens, povos e raças.

Jesus não criou o cristianismo, nem as religiões cristãs, isso foi fruto da Humanidade que o adaptou às suas idiossincrasias. Ele foi o grande psicoterapeuta da Humanidade, no dizer do Espírito Joanna de Ângelis, não fundou nenhuma religião.
As religiões são contra-natura, dividem, separam, criam dissensões, guerras, não são um pólo de união entre os Homens e, como tal, nos dias que correm, não são um bem para a Humanidade.
Se é certo que existem muitas pessoas de boa vontade dentro das religiões, é mais que sabido que as estruturas das mesmas se tornaram fontes de poder, de miséria e de discórdia.
O Espiritismo não é mais uma religião ou seita, mas uma filosofia de vida, universal e universalista, sendo que, qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, pode estudar e praticar o espiritismo.

Em pleno século XXI é inadmissível o terror dos radicais islâmicos (entre outros), cujas intenções primitivas e destruidoras visam o regresso à Idade Média, numa tentativa de destruir a civilização Ocidental. Está em risco a evolução da Humanidade, os Direitos do Homem, uma civilização mais fraterna, onde a igualdade, fraternidade, colaboração e espiritualidade sejam o ponto de encontro entre as diversas civilizações.
Nestes tempos de dor, em que os cristãos voltam a ser mártires, perante as atrocidades terroristas fundamentadas no radicalismo religioso, precisamos relembrar os primeiros cristãos, a sua coragem e, com a certeza da imortalidade, assente na razão, na pesquisa, não abdicarmos das conquistas civilizacionais do Ocidente.
Vivemos tempos de pandemia espiritual, em que obsessões espirituais, colectivas, de Espíritos atrasados, se operam sobre a Humanidade, cuja fonte de ligação é, precisamente, a violência, o egoísmo, o orgulho, a agressividade.
A espiritualidade (entendimento da vida, ligação à Divindade) é o que se deseja, hoje em dia, e para o futuro da Humanidade, onde as religiões sejam recordadas como os primeiros passos do Homem, até que se entendesse que, afinal, elas não eram precisas para nada… havendo espiritualidade!
Nas pegadas de Jesus de Nazaré, o hindu Mohandas Gandhi especificou, também falando e agindo: “Não há um caminho para a paz, a paz é o caminho”.

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A versão e aversão...


Os tempos turbulentos, na Terra, têm trazido confusão.
Dessas situações aparecem diversas opiniões, para logo se transformarem em cisões.
Referimo-nos à pandemia da COVID19 que, trespassa o planeta Terra.
O Homem, habituado a divergir, a lutar, a dividir, a separar, nesta situação de emergência, em vez de se unir, mais uma vez, entra em desavença.
Várias teorias, várias opiniões.
Cada um com a sua versão, mas, sem o cuidado de evitar a aversão.
A versão, a opinião de cada um, é sempre legítima e desejável.
A aversão, erva daninha do Espírito, no seu imo, é qual limo sobre uma pedra: torna-se escorregadia e provoca grave trambolhão.
Também assim na vida de cada um de nós.
Cada existência, cada experiência carnal é sempre uma versão de nós mesmos, versão essa em constante aperfeiçoamento, intelectual e moral.
Se isso é legítimo e normal, por estar assente nas leis naturais, o desejável é que essa mesma normalidade fosse uma constante nos espaços mentais, tentando arrancar a aversão do nosso coração, sendo que, só assim, alcançando tal desiderato, podemos um dia, espiritualmente buscar o “estrelato”.

Alcina

Psicografia de JC, na reunião mediúnica do CCE, C. Rainha, Portugal, em 3 de Agosto de 2021

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Julgar ou não julgar... eis a questão!

A Doutrina Espírita ou Espiritismo não é mais uma religião nem mais uma seita, mas uma filosofia de vida, assente na observação dos factos mediúnicos, na filosofia e na moral que Jesus de Nazaré deixou à Humanidade.
Os ensinamentos de Jesus são de tal modo profundos e universais que atravessaram o tempo e nele se perpectuam. Podemos resumi-los, em fazer ao próximo o que desejaríamos que nos fizessem, se estivéssemos no seu lugar.
Nos seus três anos de activismo social, Jesus ensinou, falando e fazendo.
Todos temos na memória o episódio da mulher adúltera que ia ser lapidada e, com a intervenção de Jesus, salvou-se do apedrejamento habitual naquela Sociedade.
Vai e não voltes a falhar”, moralmente falando, terá aconselhado Jesus, referindo que também ele não a julgava.
A ética e a moral de Jesus de Nazaré são o mote pacificador e transversal a toda a Humanidade. Se colocadas em prática, conduzem à fraternidade, solidariedade, colaboração, à desculpa, ao perdão, ao Amor ao próximo.
Temos aqui o roteiro existencial da Sociedade do futuro, quando na Terra estiverem maioritariamente Espíritos espiritualizados, colocando em prática esta filosofia de vida, base para o bem-estar social e a felicidade possível.

Não julgar é precioso ensinamento da doutrina espírita, não julgar o próximo, as suas escolhas, as suas opiniões. É um não julgar no sentido de não criar dissensões, não criar inimizades, aversões, guerras, mal-estar, entendendo que cada um de nós tem o seu nível de evolução próprio e, não podemos exigir dos outros aquilo que eles ainda não conseguem dar. Também nós temos as nossas limitações, as nossas falhas, as nossas ideias que causam discórdia nos outros.
É um ensinamento e uma prática essenciais para a pacificação social, para a evolução espiritual do Homem e, consequentemente das Sociedades em que está inserido, culminando na evolução do planeta que habitamos.
Se isto nos parece pacífico de entender, outras situações causam algumas divergências de opinião.
Por um lado, existem pessoas que, sendo apologistas das ideias de Jesus, pensam que devem ser activos socialmente, procurando fazer a sua parte para que a Sociedade seja melhor. Nesses, enquadram-se aqueles que pugnam por uma Sociedade mais justa, sem corrupção, sem desigualdades, sem mentiras, sem privilégios sociais.

Ser cristão não é a falsa santificação de quem ignora os problemas sociais, mas uma actividade digna e pacífica, em prol de uma Sociedade mais justa, onde todos sejam tratados como irmãos.

Para tal desiderato, têm de falar e agir em conformidade, dentro dos parâmetros da boa educação, da não violência. Acção sem omissão.
Se Jesus deitou as bancas comerciais ao chão, no Templo, chamando hipócritas aos que se serviam da religião para fazerem ali negócios, Gandhi foi um exemplo bem mais recente, de como deve agir socialmente um cristão (ele era hindu, embora profundo admirador de Jesus de Nazaré): agir, desobedecer, se necessário, perante o erro, mas pacificamente, sem o íntimo maculado de baixas paixões, sem ódio, sem aversão, agindo por aquilo que se acredita, em prol de um bem-comum maior e melhor.
Por outro lado, temos aqueles que acham que o cristão não se deve meter “nessas coisas” (reencarnámos precisamente para ajudar a mudar o tecido social), que deve meter a cabeça debaixo da areia, em oração e esperar que Deus e o Tempo tudo resolvam.
Tal atitude demonstra um desconhecimento do que é ser cristão, bem como do Espiritismo e do seu impacto social, profundo, dinâmico, activo.

Bastaria um pouco de bom-senso, longe do fanatismo religioso para entender isso.
No livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec pergunta aos Espíritos superiores se nos é lícito julgar alguém e colocar em público os erros alheios.
A resposta não poderia ser mais bela e profunda de sentido ético e moral: depende da intenção com que o façamos e do alcance.
Se o nosso julgamento, divulgação pública dos erros alheios tem por objectivo o bem-comum da Sociedade e salvar vidas que, de outro modo seriam prejudicadas, então isso é lícito. Se tem apenas por objectivo expor as mazelas alheias não nos é lícito.

O Espiritismo é um amplo movimento cultural, um movimento revolucionário do ponto de vista moral, que visa auxiliar o Homem no seu desenvolvimento intelectual e moral, desabrochando assim a sua espiritualidade (diferente de religião) e, desse modo, aproximando o Homem mais rapidamente de Deus.
Não temos o direito de julgar ninguém, mas temos o dever de pugnar pela justiça social.
Como fazer?
Mohandas Gandhi, tal como Jesus de Nazaré, deixou uma dica que ressoa no nosso íntimo: “Não há um caminho para a paz, a paz é o caminho”.

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Allan Kardec e a pandemia...

A Humanidade vive uma pandemia que já ceifou mais de 4 milhões de pessoas. Como sempre existem teorias da conspiração, dúvidas, desconfianças, erros de análise e de acção por parte dos dirigentes, para além dos interesses económicos em que alguns ganham milhões com a desgraça alheia. Mas, esses argumentos servem para se negar uma realidade, factos, números? E os espíritas são diferentes ou não?

A Humanidade passa por uma verdadeira revolução material e de ordem ético-moral, que, por sintonia, acarreta auto-obsessões e obsessões de índole espiritual, por vezes verdadeiras infestações sobre países e regiões do globo terrestre.
Quando era suposto a Humanidade dar as mãos, ser mais cordata, colaboradora, fraterna, durante uma pandemia que nos atingiu e vai atingir mais um ou dois anos, nós, seres humanos, optámos por acções violentas físicas, verbais, mentais, tudo porque estamos a viver muitas contrariedade e dificuldades.
Nesse contexto de desarmonia mental, fogem amizade, zangam-se as comadres e instalam-se obsessões espirituais cruéis, colocando uns contra os outros (in “O Livro dos Espíritos” e “O Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec).

Uma história conta o caso de uma mãe que foi assistir ao juramento de bandeira do seu filho e, ficou de tal maneira obcecada pela sua vaidade materna, que dizia, posteriormente, às amigas, que o filho era o único que ia a marchar bem, no pelotão de 30 pessoas, todos os outros (que iam com o passo acertado) iam mal…

Numa época em que a medicina é verdadeira bênção divina, em que a tecnologia existente permite comunicações e a partilha de dados a distância, em segundos, conseguiu-se em tempo recorde a criação de vacinas contra a COVID19.
Várias estratégias foram montadas, medidas de prevenção, umas acertadas outras disparatadas, mas, como se costuma dizer na gíria militar, “em tempo de guerra não se limpam armas”, isto é, temos de nos focar no essencial: o bem-comum de toda a Humanidade e salvar o maior número de vidas.
Pese embora os inúmeros os erros de análise e de acção ocorridos pelo mundo inteiro, pese embora questões que se venham a colocar no futuro e a serem corrigidas, ninguém no seu são juízo pode, em abono da verdade negar que as vacinas contra a COVID19 tiveram um impacto brutal na diminuição do número de mortes com esta doença.
E os espíritas como pensam?

 Não devíamos, nós, espíritas, pensar em primeiro lugar
no bem-comum, ao invés de pensarmos no nosso umbigo? 

Infelizmente pensamos como os outros, ignorando os nossos conhecimentos e convicções, baseadas na experiência do quotidiano. Preferimos, assim, opiniões avulsas, ora injectadas por “hackers” russos (entre outros) nas redes sociais, procurando desestabilizar a Europa para daí tirar dividendos políticos, ora inventadas por defensores das mais estúpidas teorias da conspiração que, em nada abonam a favor do bom senso e da inteligência do ser humano.

Allan Kardec, refere na Revista Espírita de Novembro de 1865 a existência de uma pandemia de cólera. Entre 1845 e 1860 ocorreu a terceira vaga que ceifou milhares de vidas no mundo. Segundo alguns historiadores, essa pandemia causou o maior número de mortes no século XIX.
Allan Kardec, pedagogicamente afirmou que o ser espírita não os livra da pandemia, mas o conhecimento espírita aumenta a força moral do espírita, o que se repercute no sistema imunológico do Homem.
Kardec comentou a necessidade da serenidade, da oração, da mudança de hábitos, de não ter medo, da higiene e, de seguirmos as medidas sanitárias decretadas pelo poder público, pois é dever do espírita prolongar a vida, não por medo da morte ou apego, mas pelo desejo de aproveitar bem o tempo, para progredir intelectual e moralmente.
Kardec refere em “O Livro dos Espíritos” que o egoísmo é a raiz de todos os males, todos os defeitos.

Quando se invoca, sem qualquer conhecimento científico, baseado em conversas de pé de orelha ou das redes sociais, que temos o direito à opinião, esquecemos, como espíritas, que temos mais obrigações que os demais cidadãos que desconhecem a imortalidade, a reencarnação e a lei de causa e efeito.
Não tem o espírita o conhecimento da Lei de Sociedade?
Não faz parte da convicção espírita a caridade, solidariedade, colaboração, fraternidade, fazendo ao próximo o que desejamos para nós?
Não devíamos, nós, espíritas, pensar em primeiro lugar no bem-comum ao invés de pensarmos no nosso umbigo?
Não estará a imunidade de grupo ao nível mundial à frente da postura mesquinha e egoísta, de ficar à espera de ver se os outros morrem ou não, para decidir apanhar a vacina que tem salvo milhões de vida, apesar dos mais de 4 milhões de mortos?
É que o egoísmo não se coloca só ao nível pessoal, também existe o egoísmo social.
E nós, espíritas como estamos?


Nota –
Este artigo de opinião não vincula a doutrina espírita nem as associações às quais o autor dá colaboração.

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EU TENHO ESPERANÇA...

 

   

   
Que o mundo deixará de ter guerras e viverá em paz.

·       Que todo o ser humano terá o essencial para comer.

·       Que qualquer Homem terá uma habitação condigna.

·       Que a Humanidade terá o necessário para viver.

·       Que todo o ser humano sentir-se-á útil na Sociedade, com trabalho.

·       Que a saúde seja gratuita e igual para todos, ricos e pobres.

·       Que as crianças e os jovens tenham livre acesso à instrução escolar.

·       Que haja um ordenado máximo possível.

·       Que a remuneração do trabalho efectuado seja justa e digna.

·       Que a mãe-Natureza seja respeitada e cuidada pelo Homem.

·       Que os dirigentes políticos sejam servidores honestos do povo.

·       Que na Sociedade deixe de haver privilégios de qualquer espécie.

·       Que o Homem seja honesto, justo, transparente e bom.

·       Que o bem-comum seja sempre colocado acima do bem-pessoal.

·       Que o Homem seja fraterno, solidário e caridoso para com o próximo.

·       Que o ser humano colabore em vez de competir.

·       Que cada um de nós faça ao próximo o que deseja para si próprio.

 

Eu tenho esta esperança, porque existem provas que a vida continua noutra dimensão (espiritual), noutro estado existencial e vibracional.

Eu tenho esta esperança, porque está comprovada cientificamente a reencarnação e, por esse mecanismo, nascem na Terra Espíritos mais evoluídos, sedentos de paz e justiça.

Eu tenho esta esperança, porque a evolução intelectual e moral é uma Lei da Natureza.

 

EU TENHO ESPERANÇA…

 

 

José Lucas

Óbidos, Portugal, 20 Abril 2021

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PANDEMIA – VALE A PENA VIVER (Conclusão)

 

A acção!

Depois de termos relacionado o medo, a ilusão da morte, a solidão, com a pandemia da COVD19, na óptica espírita, terminamos hoje esta série de quatro artigos, abordando a acção.
O espírita não é um assistente privilegiado do que se passa na Sociedade.
Não é melhor nem pior do que os não espíritas.
É diferente, na sua maneira de ver a vida, tendo em conta os conhecimentos adquiridos com o estudo do Espiritismo (ciência, filosofia e moral).
Não é um eleito, com um bom lugar à sua espera no mundo espiritual, por ter a etiqueta de espírita. Tem consciência da razão porque vive neste planeta, no país X ou Y, na família Z, rodeado de colegas diversos e, enquadra todas essas nuanças, aparentemente por acaso, dentro da Lei de Sociedade (in “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec).
Sabe que vive em Sociedade com um objectivo útil, seja do ponto de vista da aprendizagem intelectual seja no campo moral. Conhece o seu dever de solidariedade para com todos os homens, mesmo aqueles que se dizem seus inimigos.
Sabendo-se Espírito imortal, tem consciência de que é um ser que vive em dois ambientes em simultâneo: o meio físico, denso e, o meio espiritual, menos denso.
Cônscio da existência do perispírito (corpo espiritual) sabe que tudo o que pensa interage energeticamente consigo mesmo e com os outros, bem como com o meio ambiente. Nesse sentido, procura uma sintonia quase constante com o Bem, evitando o ócio dos pensamentos viciados e improdutivos. Conhece o poder da prece (diferente de rezas) como fortíssimo dínamo energético que brota do seu imo, sintonizando com os altos planos da espiritualidade, onde se nutre das boas energias de que necessita para o alimento do Espírito, diariamente.

                Há três tipos de espíritas: os que entraram para o espiritismo,
                    os que o absorveram e os que exalam de si o espiritismo.

Para ser espírita não basta ser adepto, é preciso aprofundar conhecimentos, sentimentos e  atitudes. Ele próprio descobre que precisa de se burilar moralmente, para se sentir em sintonia com o Amor, combustível do Universo.
Na sua actividade filantrópica, desinteressada, fraterna e humanista dentro do Espiritismo, jamais recebe qualquer tipo de compensação, mesmo que imaterial, vivendo com o fruto do seu trabalho social, numa qualquer actividade que não a espiritual.
Muitas pessoas esperam ansiosamente a morte para poderem ser felizes, logo depois que larguem o corpo de carne, mas isso, é uma ilusão.
A vida é só uma, desde que fomos criados simples e ignorantes até pela imortalidade fora, desdobrando-se em milhares de reencarnações, através dos imensos planetas, em escalas evolutivas cada vez mais sublimes, até que se atinja o estado de Espírito-puro, continuando a sua evolução na condição de cocriador com Deus, no Universo.
Tudo é acção, actividade, na vida do Homem e, desperdiçar tempo é algo que jamais se recupera. Mesmo no ocaso das forças físicas, antes de desencarnar, há sempre motivos para aprender algo diferente, que servirá de arcaboiço intelectual / moral, para a continuidade da vida no mundo espiritual e em futura reencarnação.

Nesse sentido, o entusiasmo, a alegria de viver, a certeza da imortalidade
(baseada em factos) dão ao espírita, essa contínua busca de mais saber,
de melhor sentir, de mais amar e servir incondicionalmente.

Mesmo em contexto de pandemia, mesmo em confinamento, as actividades autoeducativas do ponto de vista espiritual, são inúmeras.
O espírita deve caminhar na vida como uma luz, mesmo que ténue, que vai iluminando, despretenciosamente, aqueles que lhe sigam na retaguarda da evolução espiritual.
Como tal, a pandemia que vivemos não é uma desgraça, motivo de desespero, de desânimo, a não ser que vejamos a vida pelos acanhados horizontes do materialismo, hoje desactualizado pelos conceitos da Física quântica: tudo é energia, não existe matéria. Se vista pelos horizontes espíritas, é apenas mais uma experiência individual e comunitária, desta feita à escala global, da qual sairemos indubitavelmente mais fortes, mais felizes, mais experientes, em busca de novas premissas para uma Sociedade mais justa, fraterna, colaboradora e feliz no decorrer das décadas, centenas de anos no devir.
Ter medo do vírus não faz sentido, mas ser responsável e acatar as normas sociais em prol do Bem comum, faz sentido!
Ter medo da morte não faz sentido, já que esta não existe, é uma mudança de situação (de um plano mais denso para um menos denso), onde continuamos a viver, como quando aqui estávamos, aprendendo, preparando uma nova reencarnação, quando tal for oportuno, sem que nada se perca do que se conquistou intelectual e moralmente.
Viver na solidão não faz sentido, pois o espírita, cônscio da profundidade do Espiritismo, vive em permanente actividade, objectivando o Bem, o êxito, o serviço à comunidade, já que servir deve ser o seu desiderato.
Aproveitemos, pois, estes tempos para amadurecer conceitos, aprofundar planos de vida, meditar em torno da mesma, buscando aquilo que nela nos catapulta para patamares de bem-estar interior, que é afinal o objectivo da vida no corpo de carne: “nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei”.

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PANDEMIA – VALE A PENA VIVER (III)

 

A SOLIDÃO!


Já abordámos “o medo” e “a ilusão da morte”, ambas no âmbito da presente pandemia mundial da COVID19.

Desde Março de 2020 temos passado por vários confinamentos, contra os quais as pessoas se insurgem. Parafraseando o cientista, espírita, brasileiro, Eng.º Hernani Guimarães Andrade, “as opiniões são como os narizes, mas ninguém tem o direito de esmurrar o nariz do próximo, só por ser diferente”. Numa Sociedade organizada, o bem comum deve prevalecer sobre a opinião particular, bem como sobre os interesses pessoais. Quem decide, por vezes toma decisões difíceis, tendo em conta múltiplos pontos de vista e, nem sempre acerta.
Se em tempo de guerra não se limpam armas, como diz o povo, em tempo de pandemia devemos, em honestidade, fazer um esfoço conjunto para que mais depressa tudo se resolva, pese embora as falhas estruturais do Estado, as falhas de cada um de nós, pois estamos a aprender a viver em Sociedade, reencarnação após reencarnação.
Certamente muitas pessoas passam grandes dificuldades, a vários níveis, habitacional, profissional, psicológico, alimentar, etc, mas, mesmo precários e com falhas, possuímos meios de entreajuda e de ajuda do Estado, que minimizam as situações.
Se olharmos para o planeta Terra, temos 80 milhões de refugiados, de deslocados, de pessoas que fugiram dos seus países, devido a guerras e outros fenómenos conjunturais.
80 milhões, são 8 vezes a população de Portugal. Gente que vive em tendas, em “campos de concentração”, outros nem tendas têm, sob um imenso calor ou temperaturas gélidas. Afinal, o nosso confinamento é um Hotel de 5 estrelas, onde comparativamente, não nos falta quase nada.

No entanto, há um fenómeno preocupante, que nos envolve a quase todos: a solidão!

Desabituados a preencher os espaços íntimos com leitura, meditação, repensar a vida, sermos solidários, ocuparmo-nos gratuitamente com quem está pior que nós, apenas pelo prazer de sermos úteis, as pessoas cansam-se de estar em casa.

                    Mantenhamos a chama da esperança dentro de nós,
            para que assim ela ilumine o caminho, por vezes escurecido
                pelas dificuldades do quotidiano, que também passarão…


Temos a solidão física, de quem vive sozinho, mas existe também a solidão psicológica, de quem se sente nesse estado interior, mesmo que rodeado de gente.
A Doutrina Espírita (Espiritismo) que não é mais uma religião ou seita, mas uma filosofia de vida, apresenta ao Homem uma proposta humanista, solidária, fraterna, tendo como lema “Fora da caridade não há salvação”, isto é, somente fazendo ao próximo, desinteressadamente, aquilo que desejamos para nós, evoluímos espiritualmente e sentimo-nos mais felizes e realizados.
Numa época em que quase todas as pessoas têm telefone, faça uma lista de pessoas que conhece, que possam eventualmente sentirem-se sozinhas e, envie uma SMS, faça um telefonema, crie uma periodicidade.
Se a moda pega, acabamos por fazer um uso útil e frutífero do telefone, em prol da Sociedade. Se devemos, por solidariedade, nas nossas preces, lembrar os que já estão no mundo espiritual, enviando-lhes pensamentos de ânimo e alegria, também temos a obrigação moral para com os que na Terra vivem em solidão, fazendo, dentro do possível a nossa parte.

Em 2018, o Primeiro-Ministro britânico, Theresa May criou o Ministério da Solidão, tendo em conta que no Reino Unido existem cerca de 9 milhões de pessoas que sofrem desta pandemia mundial, silenciosa, que mata mais que a maioria das doenças graves.
A chave do problema está na caridade, na fraternidade, no amor e no cuidado ao próximo, fazendo aos outros o que desejamos para nós, conforme ensinou Jesus de Nazaré.
Há múltiplas maneira de quebrar a solidão, linhas de apoio social, telefonar a um amigo, falar com um vizinho, telefonar a alguém.
Se mesmo assim não tiver ideias, contacte com o Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha (www.cceespirita.wordpress.com), teremos todo o gosto em dar dois dedos de conversa, tentando sermos úteis.

Tudo passa na vida e, na certeza de que sempre estamos amparados pelos bons Espíritos que se interessam pelo nosso êxito, mantenhamos a chama da esperança dentro de nós, para que assim ela ilumine o caminho, por vezes escurecido pelas dificuldades do quotidiano que, também passarão… 😊

 

(continua)

  

Bibliografia:
Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo
                      - O Livro dos Espíritos