PORQUE O ESPIRITISMO
NÃO É RELIGIÃO?
Podemos
encontrar as causa deste desvio
doutrinário no Roustanguismo da Federação Espírita Brasileira, que depressa “contaminou”
as ideias gerais, próprio de quem não estuda espiritismo ou não pensa pela sua cabeça.
De realçar que os livros de J. B. Roustaing são o oposto da obra de Kardec, são
antidoutrinários, mistificações baratas, que pretendiam fazer do espiritismo
mais uma religião, quiçá a mais importante delas todas.
Outra
causa pode estar no facto dos
espíritas brasileiros se terem assumido como religião no tempo do ditador
Getúlio Vargas, para assim não serem ilegalizados, como foi o espiritismo em
Portugal pelo ditador Oliveira Salazar. O trabalho caritativo junto dos muito
pobres foi uma mais-valia para essa “sobrevivência” dos espíritas que, de certo
modo, se substituíam ao Estado brasileiro no apoio social aos necessitados.
Para
sabermos o que é o espiritismo temos de verificar a fonte e, esta, está em
Allan Kardec, o seu codificador, que define muito bem o Espiritismo: “O
Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos
Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal.”
Ora,
se é ciência, não pode ser religião e vice-versa.
Uma
ciência tem um objecto próprio, que é pesquisável e questionável, sempre na busca
da verdade.
Uma
religião – sempre criada pelo Homem – não tem os carecteres de uma ciência,
tendo dogmas indiscutíveis, hierarquias, rituais, vestes, oferendas, cânticos, mistérios,
templos, ornamentações, imagens, misticismo, cerimónias, sacerdotes, chefes
religiosos, antropomorfismo, etc.
Outros,
por ignorância, acham que é religião por causa da componente ético-moral do
espiritismo estar assente nos ensinos de Jesus de Nazaré, que foi tornado pelos
homens em mais um chefe religioso, quando ele foi, isso sim, o grande psicoterapeuta
da Humanidade, na opinião do Espírito Joanna de Ângelis.
Muitos
espíritas confundem espiritualidade (sentimento que liga o Homem a Deus,
universal e universalista) com religião (organização humana, sectária,
contra todas as demais, sentindo-se a única com a verdade).
O
espiritismo tem a ver com espiritualidade e não com religião.
São
conceitos diferentes, nada similares, que só é confundido por má-fé, ignorância
ou falta de entendimento cultural acerca do que Kardec trouxe ao mundo.
Basta
ler o célebre discurso de Allan Kardec, na sessão anual comemorativa dos
mortos, na Sociedade de Paris, em 1 de Novembro de 1868, onde Kardec
refere que não devemos nomear o espiritismo como religião porque o vulgo dos mortais
não veria nisso senão o ressurgir de mais uma religião, emparelhada com as
demais, criando assim confusão nas pessoas.
“Kardec
recusou-se a falar em Religião Espírita, sustentando que o Espiritismo é uma
doutrina científica e filosófica, de consequências morais.” (In “Agonia das Religiões”, Cap. III,
José Herculano Pires).
O
espiritismo é uma ciência de observação, de onde emana uma filosofia de vida,
orientada pela moral de Jesus de Nazaré, assente em cinco pilares básicos,
questionáveis e pesquisáveis até à exaustão, conforme ensinou Allan Kardec.
Não
se pense que são meras palavras. Mais do que isso, são conceitos
completamente opostos, espiritismo e religião.
Afirmar
que o espiritismo é religião é, não só não compreender Kardec, como adulterar a
sua essência e contribuir para a desinformação, prejudicando a divulgação
correcta do que é o Espiritismo.

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