De facto, o mundo está virado do avesso. Numa época em que os órgãos de
comunicação social tanto gostam de sangue e de dar notícias de mortos, imaginem
que em Portugal os “media” são ao contrário. Um sinal dos tempos…?
É do senso comum que os órgãos
de comunicação social procuram dar notícias escabrosas, de mortes, com sangue, enfim
notícias sensacionalistas.
Mas, algo parece estar a
mudar no panorama dos “media”, pelo menos em Portugal.
Imaginem que no
fim-de-semana de 29 e 30 de Abril de 2017, decorreu nas Caldas da Rainha um
evento de qualidade, ao nível cultural, no Centro Cultural e Congressos.
Esse evento tinha uma
denominação já habitual, não só na cidade, como na região e, até no país: “Jornadas
de Cultura Espírita do Oeste”, este ano na sua… 13ª edição!!!
Sim, tudo bem, mas qual o
problema?
Decerto os “media”
naturalmente cobriram esse evento, como cobrem todos os anos a festa do
chouriço ou as corridas com carros de rolamentos, entre outros eventos “culturais”.
Mas as 13ª Jornadas de
Cultura Espírita do Oeste, este ano, em 2017, tinham um mote fantástico “Fazer a paz: um contributo do Espiritismo”.
Foram Jornadas internacionais,
com artistas de qualidade, quer portugueses quer brasileiros, com palestras de
alto nível e com palestrantes de topo.
Mas, os “media devem ter
pensado: “Hum, estes caramelos dos
espíritas, agora estão a promover a paz? A debater a paz, num fórum internacional?
Ainda por cima com o fundador do “MovPaz”, no Brasil, Clóvis Nunes? Esta gente
vai é estragar-nos o trabalhinho, pois se houver paz não temos notícias e
perdemos o emprego…”
O raciocínio tem lógica,
para os “media”, temos de concordar.
No Centro Cultural e
Congressos de Caldas da Rainha houve teatro espírita, música nacional e
estrangeira, um documentário sobre (re) pacificar com entrevista ao neto de
Mohandas Gandhi, Divaldo Franco e outros, conferências, sketch de humor, debate
com posters temáticos (científicos), o Sr. Presidente da Câmara esteve presente
na abertura do evento dando as boas vindas aos visitantes da cidade… hummm…. “não,
isto não é notícia”.
2.900 litros
de sangue e cerca de 500 mortos
ignorados
pelos “media” portugueses
Temos de ir fazer reportagem
quiçá na localidade “Paraíso-de-Baixo” onde decorre o certame “Fumeiro até
cheirar a queimado”.
Ao nível nacional, é
compreensível que as TV’s, jornais, ignorem os eventos de cultura espírita (já
Salazar fazia o mesmo, ao ponto de perseguir os espíritas, confiscar os bens da
Federação Espírita Portuguesa, entregues à Casa Pia e até hoje não devolvidos),
pois precisam de muito sangue e de muitos mortos.
De repente, pessoa amiga e
bem-humorada, saiu-se com esta:
“Espera aí, mas se é assim,
porque é que os “media” durante 13 anos ignoram este evento?
Afinal estavam lá 580
pessoas. Se cada pessoa tem em média 5 litros de sangue, havia lá 2.900 litros
de sangue a correr nas veias, carago” (o meu amigo é do Porto, fala assim, não
liguem).
“E mais, rematou ele, se
eles querem é muitos mortos, aqui havia centenas deles a assistir ao evento
(referia-se aos amigos espirituais, aos benfeitores e outras pessoas que no
mundo espiritual se interessam por estes assuntos).
Não pude deixar de dar uma
gargalhada e dizer-lhe: “Olha, vou fazer um artigo, pode ser que algum órgão de
comunicação social te responda, pois eu não te sei responder (risos…)”
E assim passaram mais umas
Jornadas de Cultura Espírita do Oeste, com muita qualidade, muito sangue,
muitos mortos e… sem órgãos de comunicação social!!!
Quando os “media” estão
assim… faz-nos sentir saudades do tempo em que havia jornalismo…
José Lucas
jcmlucas@gmail.com
5 de Maio de 2017
PS - Se porventura for "jornalista" a sério e estiver interessado em banalidades, diferentes das festas do chouriço ou dos carrinhos de rolamentos então pode ver todas as 13ª Jornadas de Cultura Espírita do Oeste em http://bit.ly/2oZNVw5
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