1

Reencarnação


Falam-te em reencarnação
Ris, gozas, dizes ser ilusão
Mas, se pensares bem
Tens outra opção?

Como explicar
Tanta dissemelhança
Na população terrena
Com e sem esperança?

Como explicar
Os aleijões de nascença?
Os idiotas, os loucos
Com os pais sem parecença?

Como explicar
As mortes prematuras
Os meninos-prodígio
Que se içam às alturas?

Como explicar
Os pobres, os ricos,
Os doentes e sãos
Os bons, os mafarricos?

Como explicar
Com os mesmos pais
A diferença de inteligência
Em filhos desiguais?

Somente o orgulho
Que obnubila a razão
Pode negar à priori
A lei da reencarnação.

Se assim não fora
Onde estaria o Deus-Amor
Distribuindo à toa
Paz, felicidade e dor?

Como somos crianças!!!
Bebés espirituais.
Julgando tudo saber,
Ignorando os que sabem mais.

Hoje vem a ciência
Kardec confirmar
A reencarnação existe
É lei a investigar.

Desde as terapias regressivas
Às lembranças de outrora
Os meninos-prodígio
Apontam nova aurora.

Comunicações espirituais
Prevendo o nascimento
São provas inquestionáveis
Que dispensam julgamento.

Reencarnação é lei
Que a humanidade descobrirá
E com ela verão
Que existe Deus ou Alá

A partir daí
A vida mudará
Quando o homem notar
As voltas que a vida dá.

Com medo de sofrer
E novo entendimento
Praticará o bem
À espera do “julgamento”

Que virá inevitavelmente
Na sua consciência
Quando demandar o Além
Lúcido ou em demência

Cada um colherá
Conforme semear
Alertou-nos Jesus
P’ró homem não errar.

Sois os arautos
Da nova civilização
Dai novos mundos ao mundo
Divulgando a reencarnação.

Poeta alegre
Psicografia recebida em Óbidos, Portugal, a 3 de Abril de 2005

0

O homem sem tempo...



João era uma pessoa como outra qualquer. Levava vida simples, casado, com filhos e um trabalho que lhe permitia levar uma vida razoável, sem luxos mas também sem grandes necessidades.

Um dia, envolto em grandes elucubrações íntimas, procurava uma resposta ou respostas para as crises existenciais. Será que a vida continua pos mortem? Se sim, como é que acontece? Onde está a justiça divina perante tanta dissemelhança?
Como que por encanto os livros espíritas apareceram-lhe no caminho. Devoro-os, um a um, identificando-se de imediato com esta filosofia de vida esclarecedora e consoladora.
Integrou-se em várias actividades espíritas, com alegrias, êxitos mas também alguns fracassos. Nem sempre o relacionamento humano é o desejável e a lei das afinidades também fala mais alto, mesmo entre os espíritas. É da natureza humana.
Começou a “cansar-se”. Era incompreendido, dizia ele. Noutras alturas não tinha tempo, retorquia, para o trabalho de apoio ao próximo.
Múltiplas actividades foram surgindo no seu caminho. No meio do desencanto foi pegando uma a uma, deixando para trás aquilo que tanto o entusiasmara anos antes.
Envolto num frenesim diário, a ansiedade e a irritabilidade foram tomando conta dele.
«Não tenho tempo para nada» era a frase mais ouvida da sua boca. Se um amigo convidava para amena cavaqueira «não tinha tempo». Se um familiar ou filho pedia que fossem a determinado lugar respondia invariavelmente: «não tenho tempo». Companheiros de jornada solicitavam-lhe o apoio fraterno nesta ou naquela actividade mas havia que estabelecer prioridades e mais uma vez respondia: «gostava muito mas não tenho tempo».

João foi-se isolando, deixou de conviver com os amigos,
deixou de praticar desporto, deixou de ter vida social,
de tal modo estava mergulhado no seu trabalho e no seu hobby

Um dia, repentinamente, sentiu forte dor no peito. Articulou um berro para chamar pela esposa em busca de auxílio, mas não obteve resposta. Sentiu-se leve e estranho, como que a flutuar. Mais espantoso ainda é que o seu corpo estava deitado no chão, tombado, com a cara para baixo. Passado algum tempo, identificou a situação com o que aprendera na doutrina espírita e verificou que tinha falecido. Entrou em pânico, mas, rapidamente lembrou-se dos benfeitores espirituais. Chorou, relembrando os filhos, a esposa que no trabalho o julgava a caminho do seu emprego. «E agora, meu Deus? E tanto que eu tinha para fazer, logo hoje!...» pensou o João.
Sentiu uma mão suave no ombro. Virou-se e viu um ser muito simpático que o envolvia com um sorriso doce e amigo.
«Vem comigo» disse-lhe o desconhecido amigo. Esse pedido fora como que uma ordem que não conseguia recusar. Sentaram-se numas cadeiras nas imediações do local e como que por artes mágicas, aparece uma tela de cinema. João estava atónito, queria articular mil e uma perguntas, mas o sinal de silêncio feito com o dedo pelo espiritual amigo, fê-lo manter-se calado. Olhou com atenção e, momento a momento, como se alguém tivesse seguido os seus passos silenciosamente ao longo dos seus 53 anos de idade, João pode conferir todo o seu percurso na Terra quando ainda no corpo de carne.
Viu no filme da sua vida todo o bem levado a cabo e todo o bem que ficara por realizar. Ia-se incomodando com tais situações. Mas, o que mais intranquilidade lhe trazia ao coração era a resposta sistemática que dava aos amigos: «Não tenho tempo…, sabes como é, tenho muito que fazer, as obrigações sociais são mais que muitas».
Lembrou-se que não mais veria esses amigos e familiares e desejou ardentemente poder voltar atrás e refazer a vida.
Já era tarde, o tempo passara e os minutos não voltam mais.
Chorou de tristeza, inquieto, até que ouviu a voz doce da esposa: «querido, acorda, que se passa contigo?»
Atónito, acendeu a luz do candeeiro, abriu os olhos e espantado concluiu que não passara de um sonho. «Ufa! Que alívio!... Pensou…»
Disse à esposa que fora um mero pesadelo que não se preocupasse e voltaram a dormir. Aquele foi o último dia da vida do João, já que no dia seguinte, como que renascera, recomeçando nova vida, com novas prioridades, valorizando mais as relações humanas que os trabalhos em que se integrara.
Sabendo que todos nós temos um pouco do João, até que ponto precisaremos de passar pela mesma situação para reflectirmos em torno da necessidade da sociabilidade, dos convívios fraternos, dos contactos humanos, dos passeios na natureza, enfim de uma vida equilibrada onde possamos finalmente dizer a um convite para uma conversa: «Há quanto tempo esperava esta oportunidade! Vamos a isso...»

in Jornal de Espiritismo nº 14, http://www.adeportugal.org/ 

0

O piloto que voltou do Além...




A cena parece retirada do filme «Always», há alguns anos atrás tornado célebre pela sua abordagem do paranormal. Tudo se passou agora, na capital portuguesa, Lisboa, com uma espécie de «Always» à portuguesa, mas… dentro de uma viatura. Venha viajar connosco…

João é estudante de pilotagem. Trabalha, e nas suas horas vagas dedicou-se a aprender a pilotar helicópteros. Tem uma paixão por voar, para além da perspectiva de uma carreira mais aliciante e melhor remunerada no futuro.
Inscreveu-se numa escola de pilotagem nos arredores de Lisboa, e os dias foram decorrendo com aulas teóricas, teste e mais testes, a acompanhar o desembolsar de muitos euros. Mas, estava a valer a pena, afinal era o seu grande sonho a tornar-se realidade.
O grande dia chegara: iria voar pela primeira vez. Acompanhado pelo instrutor, lá efectuou o primeiro voo, numa mescla de encanto com a sensação esquisita de querer pilotar uma máquina, que exige o domínio correcto de pés e mãos, num sincronismo e coordenação motora que não é para qualquer um.
Chegou o voo nº 2. Já não era novidade. No entanto, obviamente, as dificuldades eram as mesmas, no afã de tudo e rapidamente aprender.
Quando aterrou, estava feliz, o sonho estava a tornar-se realidade.
Era hora de regressar a casa, a esposa com a filhota quase a nascer esperavam-no em casa, no reencontro diário e agradável.
A meio da viagem, João sentiu um pânico terrível, pânico de morte. «Mas que é isto? Pensou… Porque estou com medo de morrer? Que coisa… afinal eu não tenho medo de morrer, e muito menos medo de morrer de helicóptero, porque estes pensamentos?....» João não ligou, deixou voar os pensamentos noutra direcção.
Repentinamente, veio-lhe um nome à cabeça: José Silva, e o pânico de morrer de helicóptero continuava, que coisa…. pensava o João.
Passados dias, em conversa, veio a descobrir que um tal José Silva tinha morrido recentemente de acidente de helicóptero, e que tinha sido instrutor naquela escola. Não ligou muito à conversa, afinal era mais uma situação entre tantas outras do quotidiano.
De repente fez-se luz: lembrou-se da sensação de pânico sentida na sua viatura, quando regressava a casa após o seu segundo voo de instrução de helicóptero, e do nome que lhe viera à cabeça e que desconhecia por completo.
As peças do puzzle iam-se encaixando.
João é espírita, e tem alguma sensibilidade mediúnica. Contou-nos o caso, e dentro dos conhecimentos que conseguimos adquirir ao longo dos tempos, explicámos-lhe que certamente o espírito do José Silva, em perturbação, pretendia comunicar-se com alguém e provavelmente ainda não teria consciência da sua condição de desencarnado (fora do corpo de carne = falecido) e daí o seu pânico, receio de morrer.
João, que tem mediunidade (faculdade que permite captar o mundo espiritual), certamente captou o psiquismo do piloto falecido, sentindo-lhe a sua angústia.
Foi efectuado um pedido de ajuda espiritual num centro espírita, em prol do falecido piloto, que nunca conhecemos.
Ficámos a ponderar como lhe teria sido muito mais fácil a passagem para a outra margem da Vida, se ele conhecesse os princípios da Doutrina Espírita (ou Espiritismo), evitando assim a perturbação reinante na actualidade.
A ideia espírita vem dar ao homem a certeza da imortalidade do Espírito, através de manifestações espontâneas como estas, deixando uma filosofia de vida irretorquível, assente na moral de Jesus de Nazaré. Ciência filosófica de consequências morais, a Doutrina Espírita (que não é mais uma seita nem mais uma religião) vem explicar ao homem, a origem, natureza e destino dos Espíritos, bem como a relação existente entre o mundo espiritual e o mundo carnal.

Bibliografia:
- Kardec, Allan, O Livro dos Espíritos