10.12.09

Zé maneta


O Zé maneta
É por todos gozado
Queres saber
O porquê do passado?

Nesta vida
Teve um acidente
A mão decepou
Faz pena à gente!

Homem trabalhador
Honesto, leal,
Porquê ele?
Porque aconteceu tal?

Deus não é justo
Diz o povão
O Zé maneta
Tem bom coração.

Esquece o povo
A lei da reencarnação
O passado volta
A pedir revisão.

Vou então deslindar
Esta situação.
Que terá acontecido
Para perder a mão?

Nos idos de 1600
Era navegador
E nas caravelas
Gerou muita dor.

Homem prepotente
Por todos temido
À mínima coisa
Alguém ficava ferido.

À custa da maldade
Fez-se respeitado
Mas no fundo
Era muito odiado.

Um dia morreu
Em noite de tempestade
Para o Além partiu
Como uma majestade.

Estranha recepção
Apupos, urros, gritos,
Mas que se passa afinal
Porque estou com os aflitos?

Sua vida viu
Como num cinema
Tanta maldade junta
Exigia quarentena.

Passados anos
À Terra voltou
Em vida simples
Aos poucos expiou.

Mas faltava uma “factura”
Na sua expiação
Nasceu como Zé
E ficou sem a mão.

Foi ele que escolheu
Tal situação
Para com a dificuldade
Aprender bem a lição.

A mão que feria
Matava, aturdia,
Fora decepada
No fatídico dia.

É assim, meus amigos
A lei divina
Mais cedo ou mais tarde
Altera-nos a rotina.

A vida é sinfonia
Que temos de tocar
Tornando-a mais bela
Com o nosso amar.

E assim aos poucos
O sofrimento se vai
Aprendendo afinal
O amor que leva ao Pai.

Sabes agora
A história do Zé
Aprende com ela
Estimula a tua fé.

Fazer o bem
Sem cessar
É tarefa urgente
E muito amar.

O Zé perdeu a mão
Nesta vida
Aproveitou a reencarnação
Tornou-a mais florida.

Largado o corpo
Pela morte natural
Ao Além voltou
Mais feliz, afinal.

Esse é o desiderato
Que nos espera
Semear agora
Viver a primavera.

Amanhã estaremos
Bem mais felizes
Se tivermos sido
Bons aprendizes.

Quem semeia colhe
Lá diz o ditado
Não há quem colha
Em lugar errado.

Poeta alegre
Psicografia recebida nas Caldas da da Rainha, Portugal, em 25 de Julho de 2004

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