7.12.09

Materializações de Espíritos




Uma das evidências irrefutáveis da realidade da comunicabilidade dos espíritos (pessoas falecidas) é o facto de em determinadas circunstâncias eles poderem materializar-se, tornarem-se visíveis, tangíveis, ponderáveis, e até com eles confabular. Foram muitos os cientistas do século passado que provaram a veracidade dos factos espíritas por este método. Actualmente (1995) ouvimos um físico, Dr Raul Teixeira que nos contou casos de ectoplasmias (conhecidos por materializações de espíritos e objectos, provocadas pelos espíritos) passados recentemente.

José Carlos Lucas - Tem conhecimento de que haja sessões de ectoplasmia ou de materializaçõesl?
José Raul Teixeira - No Brasil existem ainda, em grupos reduzidos, trabalhos de ectoplasmia e, particularmente podemos citar, em Vitória, no Espírito Santo, um médium - Júlio César Grande Ribeiro - que mantém um trabalho de ectoplasmia com o objectivo de atender à saúde, quando os benfeitores assim o detrminam. Fui testemunha de vários trabalhos com ele, sobre ectoplasmia, vendo a materialização de espíritos, a materialização de instrumentos cirúrgicos para atender aos doentes, fenómenos de voz directa, de escrita directa ,exactamente dentro dos parâmetros que encontramos dentro da literatura espírita.

JCL - Pode descrever o que viu?
JRT - Na ectoplasmia encontramos uma gama muito grande de fenómenos, mas, os mais comuns que os espíritos gostam de fazer, na obscuridade total dessas reuniões, é o trabalho com parafina, onde existe uma vasilha com parafina a ferver, sobre um fogareiro, herméticamente fechado para que a claridade não contagie o ambiente, e um balde com água fria. Os espíritos trabalham essa parafina fervente, construindo flores, diversos objectos, e mergulhando na água, para que ela se resfrie, o que nenhum ser humano seria capaz de fazer, isto é, pôr as mãos dentro da parafina a ferver e de seguida na água gelada para esfriar o material. Outra coisa que os espíritos fazem, é desenhar em plena obscuridade, com os materiais que são postos sobre a mesa, com uma velocidade espantosa, ou, sem nenhum material presente, o que indica que eles trazem de uma outra dimensão energética, de uma outra dimensão fluídica, esses produtos, essas tintas, com os quais eles realizam essses trabalhos. Outra linha de actividade que os espíritos realizam nessas reuniões de ectoplasmia, é o transporte de objectos, de um lugar herméticamente fechado para a sala onde essas coisas acontecem. Nesse tipo de ectoplasmia, vemos trabalhos tanto com Júlio César Grande Ribeiro como com Divaldo Franco, onde existe a produção de perfumes, isto é, um fenómeno mediúnico sómente passível de acontecer quando estão presentes médiuns com a características de efeitos físicos. Aromas de rosas, de outras flores, de éter, aparecem sem mais nem menos. Para além disso, os próprios espíritos formam uma garganta ectoplásmica, como eles chamam, e falam do alto do tecto, movimemtam-se pela sala e as pessoas acompanham as suas vozes, no alto, no baixo, como se fosse um altifalante que estivesse a ser conduzido para diversos lugares da sala, onde a reunião tem lugar. Eles tocam instrumentos, trazem instrumentos, conversam com as pessoas... Eles sugerem que se leia, que se discuta, enquanto não é iniciada a reunião, textos do evangelho, da doutrina espírita e, depois de se apagarem as luzes, eles desafiam as pessoas a continuarem a comentar os textos lidos, para que as mentes se mantenham unidas no mesmo diapasão.Os espíritos realizam muitas coisas com ectoplasmia, até chegarem ao nível da metrialização, como vulgarmente se chamam, que é quando eles se corporificam. Já tive a experiência de estar junto de um espírito materializado, em que ele pediu-me autorização para se pôr em cima dos meus pés e, com isto, ele calcava sobre a minha cabeça para dar algum tipo de demonstração. Pelas dimensões da entidade espiritual, eu imaginei que ela me fosse magoar nos pés, ao subir sobre eles, pois estava calçada com botas. Qual não foi a minha surpresa, quando ao subir sobre os meus pés e ao apoiar as suas mãos sobre a aminha cabeça, esse corpo enorme de uma criatura humana, não tinha peso. Então, era como se fosse uma grande caixa de ar ou de papelão que estivesse a subir sobre os meus pés. Eu senti o calcar das suas mãos sobre a minha cabeça, fortemente, mas não senti o seu peso.

JCL - No entanto, era tacteável?
JRT - Sim, o espírito estava diante de mim, eu abraçei-o pela cintura.Foi uma demonstração de que estas coisa também podem ocorrer em trabalhos de ectoplasmia. São experiências muito interessantes, muito curiosas, da ectoplasmia mediúnica. Acontece, que à medida em que o espiritismo mergulha, como lembram os benfeitores, no seu período de entendimento, a necessidade dos fenómenos físicos, dos fenómenos materiais, vai diminuindo. Nós, não estamos mais na época de crer por ter visto, mas, na época de crer por entender, racionalmente. A visão é muito traiçoeira. De repente alguém dirá que nós estamos sofrendo uma ilusão visual. Mas, quando nós estudamos uma coisa, analisamos essa coisa, e a entendemos, não há ilusão possível no campo intelectual, nesse particular. No Brasil há poucos médiuns desses, que no passado eram abundantes quer no Brasil, quer na Europa, na América, e, hoje em dia, eles vão diminuindo, exactamente porque o objectivo do mundo espiritual não é mais a de produzir fenómenos para o encantamento das pessoas, mas, produzir o que o espírito de Viana de Carvalho, através de Divaldo Franco, diz: que o maior fenómeno pelo qual Jesus Cristo se acha interessado, é o fenómeno da transformação dos carácteres e esse, tem sido de muito difícil realização.
Estes factos fazem-nos lembrar aqueles ocorridos em 1872 e que chocaram a comunidade científica, à época, quando Sir William Crookes (um dos maiores sábios e inventores da sua época) e o seu assistente engenheiro Sir Cromwell Varley conseguiram materializações de espíritos com quem conversavam, tiravam a pulsação, peso, verificavam a respiração e a completa diferença entre os espíritos materializados e os médiuns de efeitos físicos presentes nas sessões, tendo concluindo em favor da realidade dos factos espíritas com aquela célebre frase que fez com que a comunidade científica contemporânea o fosse marginalizando. Dizia Crookes. “Já não digo que os fenómenos são possíveis, mas sim que eles são reais”. Para quem começou a investigá-los com o objectivo de provar a sua falsidade, temos de verificar a enorme coragem que este célebre cientista teve. Mas, para compreender o fenómeno é preciso estudá-lo com muita profundidade e não deter-se na periferia das aparências.

Portugal, 1995

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