Domingo, 28 de Abril de 2013, Óbidos, Portugal. O
telefone tocou, número desconhecido. Lá atendi, sem grande vontade. Uma voz
ansiosa perguntava: “É o Sr. Lucas?”
A resposta tradicional, em jeito de brincadeira: “Não, o Sr. está no céu, é o Lucas”.
A pessoa ansiosa, do outro lado da linha, era meu amigo
do “facebook”, praticamente não nos conhecíamos pois só falámos uma vez num
evento espírita.
Perguntou-me qual o meu nome completo, pois estava a
assistir em directo às psicografias do médium brasileiro José Fernando Araújo,
em Blumenau, Santa Catarina, Brasil (não fazia a mínima ideia de quem fosse o
médium, ou este centro espírita, ou até a localidade), que são transmitidas em
directo via internet em www.ceil.com.br, e que
numa mensagem teriam falado em mim
Eu não disse o meu nome, e perguntei-lhe o que
tinham referido. Ele informou-me que o nome referido era José Carlos
Miranda Lucas (embora todas as pessoas me tratem apenas por Lucas, ou, aqueles
que são mais cerimoniosos, por José Lucas). Confirmei o nome e fui à Internet
ver a transmissão ao vivo, embora confesse que não é o tipo de actividade que
me dá grande entusiasmo, a mediunidade pública (sem lhe retirar o valor, é
claro). Contrariado (risos...) lá fui, adentrei o “site” do CEIL, e
constatei que havia várias informações numa mensagem, que eram correctas,
acerca de mim e do Engº Hernani Guimarães Andrade, cientista espírita
brasileiro já desencarnado.
Quanto ao meu nome completo, ele figura no fim dos meus
e-mails, pelo que qualquer pessoa poderia ter acesso a essa informação. No
entanto, na psicografia (mensagem escrita pelo espírito através do médium) o
espírito refere José Carlos Miranda Lucas (que era como o Engº Hernani escrevia
nas sua cartas) e também José Lucas, que era como ele me tratava
quando falávamos pelo telefone.
Acho pouco crível que o médium tenha uma equipe de
investigação por trás, a apanhar estes pequenos pormenores, como o nome curto
ou longo, pois teriam de investigar milhares ou milhões de e-mails ou
conversas, tendo em conta a quantidade de comunicações recebidas por esse
médium.
A dada altura, na leitura da mensagem espiritual,
por uma senhora do CEIL, ela refere uma passagem em que o Espírito diz
que "aportou no aeroporto".
Nesse momento, o médium pára de psicografar, roda a folha, e faz uma anotação
de lado, dando ênfase ao que estava a escrever e, fazendo questão que
o senhor ao seu lado passasse a informação.
Depois da informação ter sido passada à senhora que lia
as mensagens, esta referiu que afinal não era "aportei ao aeroporto"
mas sim "... ao aeromorto".
O médium José Araújo não podia
saber coisas
que somente eu sabia e, apenas
estavam na minha mente
Este pormenor é muito importante, pois, embora não
nos conhecêssemos pessoalmente, eu e o Engº Hernani falávamos muitas
vezes ao telefone, principalmente pelo Natal e na data do seu aniversário.
Um dia perguntei-lhe quando viria a Portugal fazer
conferências e ele respondeu com muita boa disposição e a rir: "Ah,
Lucas, eu agora já não apanho mais o aeroporto agora só se for o aeromorto"
e riamo-nos muito...
Este facto aconteceu há muitos anos, cerca de uns 3 anos
antes da data do seu falecimento (25 de Abril de 2003), portanto por volta do
ano 2000, há 13 anos.
Embora eu já tivesse referido este facto engraçado do
Engº Hernani, numa ou noutra palestra, aqui em Portugal, e embora possam ter
sido gravadas em áudio e colocadas na internet, seria uma probabilidade mínima
que o médium ou a sua equipe pesquisassem tudo quanto vai na net, e
conseguissem juntar os factos tão díspares e difíceis de concatenar,
conhecendo o quase infinito espaço cibernético. Quase impossível seria
igualmente que o médium tivesse uma memória tão prodigiosa que, conseguisse
lembrar-se de tudo e de todos os pormenores, nomes, etc, de inúmeras mensagens
recebidas numa só noite.
Presumo que o médium não tenha nenhum auricular ligado a
uma "régie", pelo menos não é visível, o que afasta a hipótese de
fraude.
Quando o espírito refere "quero enviar um abraço e fortes agradecimentos aos amigos de
Portugal e por todas as homenagens", eu já nem me lembrava disso,
tendo sido alertado posteriormente que no ano de 2006, nas Jornadas de Cultura
Espírita em Óbidos, Portugal, fizemos uma homenagem ao Eng. Hernani, sua vida e
obra, tendo sido efectuado um pequeno filme sobre a sua pessoa. Seria possível
encontrar essas informações na internet com muita pesquisa, mas não é crível
que assim seja, tendo em conta que não conheço ninguém do centro do médium que
recebeu a mensagem, nem o próprio médium.
Quando o espírito refere "Mas em especial quero enviar para
um correspondente especial José Carlos Miranda Lucas (José Lucas)
(Portugal)", de facto o Engº Hernani escrevia-me muitas vezes,
pacientemente, em longas cartas, quer manuscritas, quer dactilografadas e, essa
correspondência durou muitos anos. De realçar que nas cartas, ele usava o meu
nome completo e quando falávamos, ele tratava-me por José Lucas ou
por Lucas.
Quando o espírito escreve "Tentei fazer contacto consigo na rádio (estavas gravando) e aí os
aparelhos não funcionam", isto é rigorosamente verdade.
Há uns tempos atrás, no estudo do Evangelho no lar, que
efectuo sozinho, lembrei-me de colocar um gravador digital a gravar por 2 ou 3
vezes, para que o gravador captasse alguma coisa e, pedi aos espíritos se
poderiam deixar alguma mensagem. Nunca contei isto a ninguém, de modo que
ou o médium correu o risco de adivinhar algo que podia errar (o que não é
crível) ou a comunicação é mesmo real.
As manifestações espontâneas
dos espíritos são uma prova
da imortalidade do Espírito,
que não se pode ignorar
Pode-se igualmente colocar a questão da identidade do
espírito, e de ser algum espírito mistificador que conseguisse coligir estas
informações e fazer-se passar pelo espírito do Engº Hernani. Não me parece que
assim seja (embora somente o médium possa aferir que tipo de sensações boas ou
más sentiu nesse momento), pois o estilo da mensagem, a maneira de se expressar,
o humor de fino recorte, a gentileza das expressões, são tal e qual como quando
o Engº Hernani estava encarnado.
No mês seguinte, na mensagem ditada novamente
pelo Engº Hernani G. Andrade, em 26 de Maio de 2013, o espírito referindo-se
novamente a mim, diz que a nossa ligação já vem de muito longe e que no futuro
haveria mais contactos. O curioso é que após ter recebido a mensagem de Abril,
pensei (sem ter falado com ninguém sobre as minhas questões mentais) porque
seria que o Engº Hernani me dava tanta importância, que ligações teríamos. É
muito interessante que a resposta à questão mental veio, nítida e directa. Como
o médium poderia saber isto?
Também após a 1ª comunicação em Abril, pensei
(sem ter falado a ninguém sobre a minha ideia) criar um grupo de
transcomunicação instrumental (TCI), a fim de tentarmos comunicação com o Engº
Hernani ou outros espíritos. Quando ele se refere, na 2ª comunicação, que no
futuro haveria mais contactos, quer parecer-me uma resposta a estas ideias que
ninguém sabia na Terra.
No dia 5 de Julho, pelas 19H46, hora de
Portugal, estando a teclar no “facebook” com o médium Florêncio Anton, que vive
no Brasil, em que ele me questionava acerca de assuntos de Portugal (é
raríssimo conversarmos “online”) de repente, e sem qualquer ligação com a
conversa, ele começa a escrever coisa estranhas como “ajuste os equipamentos”, “em
breve vão-se comunicar com maior nitidez”, “construa o laboratório”,
“estação”.
Eu indaguei junto do médium, que não estava a perceber nada da conversa e, ele
referiu, que a meio da conversa apareceu-lhe um espírito que lhe dizia para
transmitir isso. Depois apareceu o termo “voice
decodificator”, e “Sábado é sempre o melhor dia”.
Fiquei
atónito, pois o Florêncio não podia saber disto e muito menos a uma questão
mental que me bailava na cabeça, e que não tinha partilhado com ninguém, que
era “qual seria o melhor dia para
iniciar essa actividade de TCI”.
Afinal
os “mortos” falam-nos, quando querem e podem e, estão tão vivos como nós!
(in "Jornal de Espiritismo" nº 61, Nov-Dez 2013, Portugal)
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