11.12.13

Os "mortos" falam-nos...

 
Domingo, 28 de Abril de 2013, Óbidos, Portugal. O telefone tocou, número desconhecido. Lá atendi, sem grande vontade. Uma voz ansiosa perguntava: “É o Sr. Lucas?
A resposta tradicional, em jeito de brincadeira: “Não, o Sr. está no céu, é o Lucas”.
A pessoa ansiosa, do outro lado da linha, era meu amigo do “facebook”, praticamente não nos conhecíamos pois só falámos uma vez num evento espírita.
Perguntou-me qual o meu nome completo, pois estava a assistir em directo às psicografias do médium brasileiro José Fernando Araújo, em Blumenau, Santa Catarina, Brasil (não fazia a mínima ideia de quem fosse o médium, ou este centro espírita, ou até a localidade), que são transmitidas em directo via internet em www.ceil.com.br, e que numa mensagem teriam falado em mim 
Eu não disse o meu nome, e perguntei-lhe o que tinham referido. Ele informou-me que o nome referido era José Carlos Miranda Lucas (embora todas as pessoas me tratem apenas por Lucas, ou, aqueles que são mais cerimoniosos, por José Lucas). Confirmei o nome e fui à Internet ver a transmissão ao vivo, embora confesse que não é o tipo de actividade que me dá grande entusiasmo, a mediunidade pública (sem lhe retirar o valor, é claro). Contrariado (risos...) lá fui, adentrei o “site” do CEIL, e constatei que havia várias informações numa mensagem, que eram correctas, acerca de mim e do Engº Hernani Guimarães Andrade, cientista espírita brasileiro já desencarnado.
Quanto ao meu nome completo, ele figura no fim dos meus e-mails, pelo que qualquer pessoa poderia ter acesso a essa informação. No entanto, na psicografia (mensagem escrita pelo espírito através do médium) o espírito refere José Carlos Miranda Lucas (que era como o Engº Hernani escrevia nas sua cartas) e também José Lucas, que era como ele me tratava quando falávamos pelo telefone.
Acho pouco crível que o médium tenha uma equipe de investigação por trás, a apanhar estes pequenos pormenores, como o nome curto ou longo, pois teriam de investigar milhares ou milhões de e-mails ou conversas, tendo em conta a quantidade de comunicações recebidas por esse médium.
A dada altura, na leitura da mensagem espiritual, por uma senhora do CEIL, ela refere uma passagem em que o Espírito diz que "aportou no aeroporto". Nesse momento, o médium pára de psicografar, roda a folha, e faz uma anotação de lado, dando ênfase ao que estava a escrever e, fazendo questão que o senhor ao seu lado passasse a informação.
Depois da informação ter sido passada à senhora que lia as mensagens, esta referiu que afinal não era "aportei ao aeroporto" mas sim "... ao aeromorto".

O médium José Araújo não podia saber coisas
que somente eu sabia e, apenas estavam na minha mente

Este pormenor é muito importante, pois, embora não nos conhecêssemos pessoalmente, eu e o Engº Hernani falávamos muitas vezes ao telefone, principalmente pelo Natal e na data do seu aniversário.
Um dia perguntei-lhe quando viria a Portugal fazer conferências e ele respondeu com muita boa disposição e a rir: "Ah, Lucas, eu agora já não apanho mais o aeroporto agora só se for o aeromorto" e riamo-nos muito...
Este facto aconteceu há muitos anos, cerca de uns 3 anos antes da data do seu falecimento (25 de Abril de 2003), portanto por volta do ano 2000, há 13 anos.
Embora eu já tivesse referido este facto engraçado do Engº Hernani, numa ou noutra palestra, aqui em Portugal, e embora possam ter sido gravadas em áudio e colocadas na internet, seria uma probabilidade mínima que o médium ou a sua equipe pesquisassem tudo quanto vai na net, e conseguissem juntar os factos tão díspares e difíceis de concatenar, conhecendo o quase infinito espaço cibernético. Quase impossível seria igualmente que o médium tivesse uma memória tão prodigiosa que, conseguisse lembrar-se de tudo e de todos os pormenores, nomes, etc, de inúmeras mensagens recebidas numa só noite. 
Presumo que o médium não tenha nenhum auricular ligado a uma "régie", pelo menos não é visível, o que afasta a hipótese de fraude.
Quando o espírito refere "quero enviar um abraço e fortes agradecimentos aos amigos de Portugal e por todas as homenagens", eu já nem me lembrava disso, tendo sido alertado posteriormente que no ano de 2006, nas Jornadas de Cultura Espírita em Óbidos, Portugal, fizemos uma homenagem ao Eng. Hernani, sua vida e obra, tendo sido efectuado um pequeno filme sobre a sua pessoa. Seria possível encontrar essas informações na internet com muita pesquisa, mas não é crível que assim seja, tendo em conta que não conheço ninguém do centro do médium que recebeu a mensagem, nem o próprio médium.
Quando o espírito refere "Mas em especial quero enviar para um correspondente especial José Carlos Miranda Lucas (José Lucas) (Portugal)", de facto o Engº Hernani escrevia-me muitas vezes, pacientemente, em longas cartas, quer manuscritas, quer dactilografadas e, essa correspondência durou muitos anos. De realçar que nas cartas, ele usava o meu nome completo e quando falávamos, ele tratava-me por José Lucas ou por Lucas.
Quando o espírito escreve "Tentei fazer contacto consigo na rádio (estavas gravando) e aí os aparelhos não funcionam", isto é rigorosamente verdade. 
Há uns tempos atrás, no estudo do Evangelho no lar, que efectuo sozinho, lembrei-me de colocar um gravador digital a gravar por 2 ou 3 vezes, para que o gravador captasse alguma coisa e, pedi aos espíritos se poderiam deixar alguma mensagem. Nunca contei isto a ninguém, de modo que ou o médium correu o risco de adivinhar algo que podia errar (o que não é crível) ou a comunicação é mesmo real.

As manifestações espontâneas dos espíritos são uma prova
da imortalidade do Espírito, que não se pode ignorar

Pode-se igualmente colocar a questão da identidade do espírito, e de ser algum espírito mistificador que conseguisse coligir estas informações e fazer-se passar pelo espírito do Engº Hernani. Não me parece que assim seja (embora somente o médium possa aferir que tipo de sensações boas ou más sentiu nesse momento), pois o estilo da mensagem, a maneira de se expressar, o humor de fino recorte, a gentileza das expressões, são tal e qual como quando o Engº Hernani estava encarnado.
No mês seguinte, na mensagem ditada novamente pelo Engº Hernani G. Andrade, em 26 de Maio de 2013, o espírito referindo-se novamente a mim, diz que a nossa ligação já vem de muito longe e que no futuro haveria mais contactos. O curioso é que após ter recebido a mensagem de Abril, pensei (sem ter falado com ninguém sobre as minhas questões mentais) porque seria que o Engº Hernani me dava tanta importância, que ligações teríamos. É muito interessante que a resposta à questão mental veio, nítida e directa. Como o médium poderia saber isto?
Também após a 1ª comunicação em Abril, pensei (sem ter falado a ninguém sobre a minha ideia) criar um grupo de transcomunicação instrumental (TCI), a fim de tentarmos comunicação com o Engº Hernani ou outros espíritos. Quando ele se refere, na 2ª comunicação, que no futuro haveria mais contactos, quer parecer-me uma resposta a estas ideias que ninguém sabia na Terra.
No dia 5 de Julho, pelas 19H46, hora de Portugal, estando a teclar no “facebook” com o médium Florêncio Anton, que vive no Brasil, em que ele me questionava acerca de assuntos de Portugal (é raríssimo conversarmos “online”) de repente, e sem qualquer ligação com a conversa, ele começa a escrever coisa estranhas como “ajuste os equipamentos”, “em breve vão-se comunicar com maior nitidez”, “construa o laboratório”, “estação”. Eu indaguei junto do médium, que não estava a perceber nada da conversa e, ele referiu, que a meio da conversa apareceu-lhe um espírito que lhe dizia para transmitir isso. Depois apareceu o termo “voice decodificator”, e “Sábado é sempre o melhor dia”.
Fiquei atónito, pois o Florêncio não podia saber disto e muito menos a uma questão mental que me bailava na cabeça, e que não tinha partilhado com ninguém, que era “qual seria o melhor dia para iniciar essa actividade de TCI”.
Afinal os “mortos” falam-nos, quando querem e podem e, estão tão vivos como nós!
(in "Jornal de Espiritismo" nº 61, Nov-Dez 2013, Portugal)

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