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Palestrantes ou comerciantes...?



Um Centro Espírita deve ser um amplo espaço cultural, onde se estuda, pratica e divulga a Doutrina dos Espíritos. Numa perspectiva de fraternidade, essa actividade deve ter como objectivo o auxílio mútuo desinteressado, procurando vivenciar a caridade dos sentimentos fraternos, a caridade do estudo, da prática espírita, e dos bens materiais junto dos necessitados.

Felizmente em Portugal, actualmente existem mais de 100 centros espíritas, num movimento muito dinâmico de crescimento, não só de espaços físicos, mas também de crescimento interior e doutrinário.
Felizmente, desde sempre, Portugal contou com alguns conferencistas espíritas brasileiros que fizeram a diferença (Divaldo Franco, Raul Teixeira, Heloísa Pires,…) e que muito contribuíram para o crescimento do Espiritismo em Portugal, bem como para a sua credibilidade pública.
O movimento espírita em Portugal, amarfanhado pelo regime Salazarista, começou a sair das cinzas da opressão ditatorial, após o 25 de Abril de 1974.
Divaldo Franco, Raul Teixeira e mais um ou outro conferencista brasileiro de qualidade, começaram a visitar Portugal, em missão de divulgação e com objectivos doutrinários.
O Portugal espírita começava a dar cartas, e os outrora jovens começaram a aparecer.
Para além de múltiplos centros espíritas que iam desabrochando, palestrantes espíritas portugueses iam aparecendo, havendo inclusive, intercâmbio de palestrantes entre centros espíritas, o que ainda hoje acontece.
Portugal espírita aparentemente foi amadurecendo e, hoje, aparentemente mais maduro, começa a aparecer um fenómeno inquietante.
Alguns espíritas brasileiros encontraram em Portugal um verdadeiro filão de ouro, fazendo lembrar a febre do ouro nas Américas.
Palestrantes brasileiros aparecem quase em doses industriais, ora em passeio, ora com objectivos de ordem pessoal, ora ainda com outros objectivos difusos, mas sempre com algo em comum: vêm a Portugal e regressam com muito dinheiro ao Brasil, vendendo livros de qualidade duvidosa e / ou muito duvidosa, entre outras vendas, sempre lucrativas.
A justificação é sempre a mesma: é para ajudar a nossa obra social!!!
Palestrantes brasileiros vêm a Portugal 2 e 3 vezes por ano (!!!), outros tentam projectar os filhos, como se falar de espiritismo fosse um estatuto passado de pais para filhos.

O comércio de todo o tipo de artefactos (livros, quadros, CD’s, etc…)
parece ter tomado o lugar da simplicidade do Espiritismo, de uma conversa amiga, de um debate doutrinário sereno, sem qualquer objectivo pessoal
de qualquer tipo, conforme nos ensina Allan Kardec na codificação espírita.

Supostamente vêm divulgar o espiritismo a Portugal, como se Portugal não tivesse palestrantes mais que preparados para tal desiderato.
Outros atrevem-se mesmo em público, como aconteceu numa TV portuguesa, a dizerem que vêm espiritizar os portugueses.
Basta que o palestrante tenha um “Dr.” antes do nome, ou seja médico, para ter as portas abertas dos centros espíritas portugueses que, sem espírito crítico nenhum, aceitam qualquer palestrante, sem cogitar da sua moral, qualidade doutrinária, e se é uma mais-valia ou não.
Outros vêm oferecer uma pomadinha com nomes do médium Francisco Cândido Xavier ou do Vôvô Pedro, prática esta que nada tem a ver com o Espiritismo na sua essência, para além de se usurpar o nome do médium mineiro, que tantos exemplos de humildade deixou à Humanidade.
O slogan parece ter virado moda: “É brasileiro? Então é bom…” quando a realidade mostra o contrário.
O comércio de todo o tipo de artefactos (livros, quadros, CD’s, etc…) parece ter tomado o lugar da simplicidade do Espiritismo, de uma conversa amiga, de um debate doutrinário sereno, sem qualquer objectivo pessoal de qualquer tipo, conforme nos ensina Allan Kardec na codificação espírita.
É claro que tudo isto acontece por invigilância e boa-vontade exagerada, sem o crivo da razão, de muitos dirigentes espíritas portugueses, que ainda não se aperceberam que uma palestra espírita é de suma importância, e que devem ser os mesmos dirigentes a organizar a sua associação espírita.
Se o intercâmbio de palestrantes, esporádico, escolhendo a dedo, pessoas de boa índole e que tragam uma mais-valia é desejável e saudável, já o tentar a todo o custo arranjar um palestrante que nos livre desse “trabalho” semanal, a fim de ficarmos mais livres, é um mau serviço que estamos a prestar à Doutrina dos Espíritos.
Um assunto para meditarmos, sem qualquer tipo de xenofobia, pois como português sinto e amo o povo brasileiro tanto como o povo onde nasci, nesta reencarnação.
Temos um tesouro nas mãos (a Doutrina Espírita) e estamos a vendê-la ao desbarato…
Assim não!...

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Não te mates, não...


A morte,
não é opção
que possas usar,
meu irmão.

A morte é sequência
do que é natural.
Nunca deve ser forçada,
para não ser um mal.

Se a vida é difícil,
confia meu irmão.
Custe o que custar,
não te mates, não!

Se ideia suicida,
te assola a razão,
pára, ora, confia,
não te mates, não!

Se a dificuldade
te tolda a emoção,
confia em Deus,
não te mates, não!

A Vida é bela,
e com sentido divino.
A evolução é aquilo
a que chamas destino!

Quando pensares
estar em solidão,
estamos ao teu lado,
não te mates, não!

A morte é ilusão,
para quem se quer matar.
A vida é imortal…
Porfia, custe o que custar.

Poeta alegre
Psicografia de JC na palestra pública do CCE, Caldas da Rainha, Portugal, em 13 de Abril de 2018.

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As jornadas da amizade, da harmonia...



Fotografia 360º, alegria, boa disposição... :-)
21, 22 de Abril de 2018. Centro Cultural e Congressos de Caldas da Rainha, Portugal. 486 pessoas de Portugal, Espanha e Brasil. Música, pósteres temáticos espíritas, conferências, “Stand up Comedy” espírita, vídeos, convívio, amizade: eis um resumo das XIV Jornadas de Cultura Espírita do Oeste.

Este ano foi diferente, foi a frase consensual entre todos os que estiveram presentes. Muitos deles pela 1ª vez, outros nem espíritas eram, mas lá foram ver o que o Espiritismo tinha a dizer acerca da mediunidade.
A mediunidade vem desabrochando de forma exponencial na sociedade, confundindo os médicos que não conhecem o Espiritismo, e enchendo os centros espíritas, em busca de explicação para estas situações.
O tema impunha-se: “Mediunidade, do Paleolítico à actualidade”.
Na abertura, a Câmara Municipal de Caldas da Rainha, na pessoa do seu vice-presidente, Dr. Hugo Oliveira, deu as boas-vindas a todos os presentes, seguindo-se palavras sábias, de espiritualidade, por parte do presidente da Federação Espírita Portuguesa (FEP), Engº Vítor Féria.
Pósteres temáticos espíritas
pelo 2º ano consecutivo
Para além da FEP, duas médicas, da Associação Médico-Espírita do Norte (AME-Norte) e da AME-Portugal, juntaram-se à Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) e aos centros espíritas locais, que operacionalizaram o evento.
A música do barítono Maurício Virgens, deu o mote do que seria este evento cultural: qualidade, profundidade, equilíbrio, simplicidade e harmonia.
As conferências desdobravam-se ao longo dos tempos, mostrando a mediunidade nos seus múltiplos aspectos, sociais, familiares, pessoais, nos centros espíritas, nos consultórios médicos.
A música espírita ia enlevando as mentes presentes, favorecendo o intercâmbio salutar com a espiritualidade superior que se fez sentir ostensivamente.






A moral espírita ensina-nos a humildade, a compreensão, a tolerância,
 fazer ao próximo o que desejaríamos que nos fizessem, em perfeito contra-ciclo com o materialismo em quea sociedade está embebida. 

Joana Santos, médica, 26 anos, do Porto, surpreendeu tudo e todos com uma sessão de “Stand up Comedy” espírita, feito pela 1ª vez em Portugal, e que arrancou sonoras gargalhadas e um enorme aplauso final, com piadas de fino recorte.
486 pessoas de Portugal, Espanha e Brasil
Nos bastidores, cerca de 50 formigas laboriosas trabalhavam para que tudo corresse bem, com o único salário de servir, de contribuir para a divulgação do espiritismo, do dever cumprido, num notável esforço e espírito de sacrifício.
A tecnologia da equipe de gravação (com 8 câmaras em simultâneo) trouxe muitas novidades, bem como descontracção, bem-estar e alegria.
Pósteres temáticos espíritas estavam expostos no Hall, demonstrando a vivacidade dos espíritas portugueses, trazendo ao público comum as pesquisas efectuadas até então, com a novidade que, cada póster tinha um QRCODE, em que com um telemóvel poder-se-ia aceder à respectiva página do Youtube, ouvindo algo sobre o referido póster.
Os intervalos foram amplo espaço de convívio, com música ambiente ao vivo, livraria e autógrafos, tendo havido o lançamento nacional de 2 livros editados pela FEP: “Casos (in) comuns e números curiosos” de J. Gomes e “Consultório II” de Gláucia Lima.
Gláucia Lima, J. Gomes, Maurício Virgens
Um dos elementos da organização, referia que estas tinham sido as jornadas da amizade, da harmonia, onde não havia elites, onde todos se sentiam em igual patamar, e onde o espírito do Espiritismo esteve presente.
Em 2019, se se proporcionar, lá estaremos, vivenciando, até lá, o Espiritismo dentro da moral espírita, que nos ensina a humildade, a compreensão, a tolerância, o fazer ao próximo o que desejaríamos que nos fizessem, em perfeito contra-ciclo materialista em que a sociedade está embebida.
Cônscios de que fora da caridade não há salvação, prossigamos no quotidiano, semeando e colhendo, na certeza de que nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei.


Maurício Virgens cantou e encantou...

PS – Se não assistiu em directo, se não esteve presente ou quer rever, encontra tudo o que precisa em http://adep.pt/jce2018

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25 DE ABRIL, IMPRENSA, ESPIRITISMO E DEUS



 25 de Abril de 1974. Há 44 anos, alguns Capitães das Forças Armadas devolveram a liberdade ao povo português, derrubando a ditadura que vinha do tempo de Salazar. 44 anos depois, nós, seres sociais, confundimos liberdade com libertinagem, os valores perderam valor e, ainda não houve 25 de Abril para o movimento espírita português.

Neste dia (25 de Abril) em que se comemora a revolução dos cravos, 44 anos depois, o Estado Português ainda não devolveu os bens da Federação Espírita Portuguesa (FEP), a sua sede, o antigo Teatro Laura Alves, edifícios, contas na CGD, etc, confiscados e entregues à Casa Pia pelo Estado Novo.
A Maçonaria viu ser-lhe feita justiça, outros movimentos impopulares para a ditadura viram a restituição dos seus haveres e direitos, mas, aos espíritas não foi feita justiça, e o Estado, apesar de uma acção interposta nesse sentido, não reconheceu a actual FEP como sendo a continuidade da anterior, clandestinizada!!!
Graças a Deus, hoje em dia não é assim, pensam muitas pessoas! Ledo engano!
44 anos depois, os espíritas continuam a ser perseguidos, mais ou menos discretamente, continuam a ser preteridos pelas suas convicções existenciais, e a ser discriminados socialmente pelos “media”.

Vejamos um caso simples…
Caldas da Rainha, Portugal.
Terra de espíritas desde 1920 / 30, onde existiam 2 centros espíritas.
Actualmente tem 3 centros espíritas.
Há 14 anos que um dos grupos espíritas organiza um evento internacional, anual (as Jornadas de Cultura Espírita do Oeste), que traz até Caldas da Rainha pesquisadores, cientistas, médicos, professores, etc., para analisarem as dificuldades sociais, sem proselitismo, em busca de novos horizontes pessoais e sociais.
Há 14 anos que a organização envia convites e “press releases” para os “media” ao nível local, regional e nacional.
Há 14 anos que estes eventos de grande nível cultural, NUNCA tiveram a visita de um órgão de comunicação social local, regional, nacional…
Provavelmente porque não houve escândalos, não se matou ninguém, não se roubou.

Estimular a paz, contribuir para uma sociedade melhor,
apresentar evidências científicas da imortalidade do Espírito,
auxiliar desinteressada e gratuitamente o próximo,
para os “media” portugueses… não é notícia!!!

A Doutrina Espírita (ou Espiritismo) não é mais uma religião ou seita, e nada tem a ver com bruxarias, magias, superstições.
É uma doutrina filosófica de consequências morais.
É ciência de observação, filosofia e moral.
É o maior preservativo contra o suicídio.
Defende a Vida, a igualdade de direitos, e apresenta um código moral que aponta para uma simbiose entre as leis dos Homens e as Leis de Deus, universais e imortais, as leis naturais (leia-se “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec).

25 de Abril de 1974.
Dia da liberdade… foi muito bom para os espíritas, pois outrora eram mais perseguidos do que actualmente. Hoje, possuem o direito de associação, como os demais, o que já configura um avanço social…
Mas a verdadeira liberdade vai mais longe, e é por essa que o Espiritismo pugna.
Allan Kardec questiona os Espíritos superiores na questão 795 de “O Livro dos Espíritos”: 

“Qual a causa da instabilidade das leis Humanas?
R – Nos tempos de barbárie são os mais fortes que fazem as leis, e fazem-nas em seu favor. Há necessidade de modificá-las à medida que os Homens vão compreendendo melhor a justiça. As leis humanas são mais estáveis à medida que se aproximam da verdadeira justiça, quer dizer, à medida que são feitas para todos e se identificam com a lei natural.”

Os espíritas pugnam pela justiça, liberdade de expressão, igualdade de direitos e deveres, quer pessoais quer sociais, e vai continuar a ser esse parceiro social, ora discreto, ora mais interventivo, por uma sociedade plural, mais justa, fraterna e pacificada.
O Espiritismo tem como lema “Fora da caridade não há salvação”, isto é, só sendo caridosos connosco e com os outros, ao nível dos pensamentos, dos sentimentos, das atitudes, é que o ser humano se espiritualiza mais depressa, evoluindo intelectual e moralmente mais rapidamente, e mais depressa se aproximando de Deus.


25 de Abril de 2018

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O mal-entendido...



O Homem vive em Sociedade, para que, em conjunto, evolua intelectual e moralmente (Lei de Sociedade, in O Livro dos Espíritos, Allan Kardec) nas múltiplas relações que se estabelecem durante uma existência terrena.
Frequentemente, em qualquer tipo de aglomeração social (trabalho, casa, associativismo…) encontramos pessoas que, magoadas, acabam por se afastar de outras, outrora amigas, pessoas que trabalhando lado a lado, mal se falam, sempre queixosas mutuamente, tendo em conta as “suas” razões, sempre válidas, de acordo com o ponto de vista.
A separação opera-se (no casal, na empresa, no associativismo…), como mal menor, em vista da aparente impossibilidade de relacionamento.
A vida acaba por continuar, até que o irmão Tempo se encarregue de pensar as feridas da alma que, entretanto, cicatrizam, com outros labores e entendimentos.
Essa é a causa das continuadas guerras regionais, um pouco por todo o mundo, desde que o Homem é Homem, guerras que começam no seu íntimo, alastram-se ao lar, à Sociedade, aos países, ao mundo.
Quase sempre têm os seus alicerces no egoísmo de opinião, no melindre, na mágoa estéril, nos silêncios que gritam e ferem, no mal-entendido.
As pessoas sofrem em silêncio, gritam caladas, choram sem lágrimas, muitas vezes sem que o outro saiba o que se passa, pois os dois grandes inimigos e aliados da Humanidade, já se instalaram no seu psiquismo: o “mal-entendido” e o “silêncio”.
O “mal-entendido” queixa-se, magoa-se, verga sob a dor imaginária, e o “silêncio”, cruel companheiro, amplifica o problema, impondo-se, para que a luz da amizade, da solidariedade, do entendimento, não volte a brilhar.
Quando o problema surge, a desconfiança se instala, o mal-entendido se insinua, é fundamental ter o bom senso de, fraternalmente, esclarecer o assunto com o “opositor”.
Fazendo isso, denotando grandeza moral, rapidamente se desfazem preconceitos, problemas inexistentes, aclaram-se situações, geram-se entendimentos, e as pessoas chegam a rir-se de si próprias, fruindo assim a paz de Espírito perdida temporariamente.

“Olho por olho, o mundo acabará cego”
(frase atribuída a Mohandas Gandhi)

Que seria do Homem se os órgãos do seu corpo físico se comportassem de tal maneira? Se o coração se melindrasse com o fígado e deixasse de o irrigar? Se o estômago se zangasse com os rins?
Seria o colapso, dir-me-ão…
E não é isso que estamos a fazer nas nossas relações sociais (obrigatórias ou voluntárias), abrigando na alma o melindre, a mágoa, a queixa, quase sempre sem causa justa e útil, deixando-nos vencer pela dupla terrível do mal-entendido e do silêncio?
O Espiritismo, como ciência de observação, filosofia e moral, demonstra experimentalmente a imortalidade do Espírito, apresenta-nos uma nova filosofia de vida, de modo a podermos ser mais felizes e a evoluirmos mais depressa, e assenta na moral que Jesus de Nazaré deixou à Humanidade.
Afinal, bastaria que cada um de nós, tentasse fazer ao próximo o que desejaria que lhe fizessem (se estivesse na mesma situação), que cada um abdicasse de “ter razão” para ser feliz.
Utopia, dir-me-ão alguns…
Teimosia tola, digo eu… viver em guerra (mental ou física) quando se pode viver em paz.
É tudo uma questão de opção…

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Inquisição no século XXI? (Advogada e médium)


 
A notícia está lá bem escarrapachada, no jornal “Diário de Notícias” (Portugal), do dia 28 de Fevereiro de 2018, em artigo assinado por Paula Freitas Ferreira, na versão online: “Advogada que diz falar com os mortos, quis saber se actividades eram incompatíveis”.

Depois de ter esfregado bem os olhos, várias vezes, depois de ter relido várias vezes, consciencializei-me de que estava a ler mesmo isso. O referido artigo continuava: “Uma advogada que afirma "falar com o Além" desde os 9 anos, e que é "detentora de vários cursos esotéricos e holísticos", pediu um Parecer à Ordem dos Advogados (OA), para saber se pode continuar a exercer a advocacia em simultâneo com a prática holística. O pedido, enviado para o Conselho Regional de Coimbra, recebeu resposta positiva a 11 de Janeiro”.
Esta advogada, como milhares de outras pessoas (agricultores, professores, militares, magistrados, etc…) é possuidora de um 6º sentido, de uma percepção extra-sensorial. Até aqui tudo bem, pois esta característica, este 6º sentido, é orgânico, neutro, independe das convicções de cada um, das ideologias políticas de cada um, entre outras opções.
Apesar da coragem revelada pela dita advogada, ao afirmar-se publicamente como médium, sinto um mal-estar que me faz recuar aos tempos da Santa Inquisição, onde a Igreja decidia quem ia para a fogueira ou não, quem era herege ou não.
Em pleno século XXI, uma advogada tem de pedir um parecer à sua Ordem profissional para se defender profissionalmente?
Com que direito uma Ordem profissional dá um parecer sobre as convicções espirituais, políticas, clubísticas ou outras de índole íntima de um ser humano?
É tão inverosímil esta atitude, como por exemplo a Ordem dar um parecer sobre a compatibilidade ou não do exercício da advocacia, com o falar, cheirar, tactear, ver, ouvir.
Parece estúpido, não parece?
Pois é, não só parece estúpido, como é estúpido…
Vivemos numa democracia, onde a Constituição da República Portuguesa consagra os direitos deveres e garantias dos cidadãos, no entanto no dia-a-dia os cidadãos têm de ter atitudes típicas dum Estado Islâmico?
O que se passa em Portugal?
Tive conhecimento de constrangimentos de pessoa amiga, da área da medicina, que é “perseguida, pressionada” no seu trabalho, por, além da sua profissão, na sua consciência, ser espírita.

Os espíritas continuam a ser perseguidos e discriminados
em Portugal, em pleno século XXI, a começar pelo Estado…

Tive conhecimento de um amigo, que usa um pseudónimo nas suas actividades espíritas, com receio de ser despedido de uma instituição estatal.
Tive conhecimento de um frequentador do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha, que eu frequento, que deixou de o frequentar pois o seu patrão (de uma corrente religiosa que não suporta o Espiritismo) ameaçou-o de que se continuasse a ir ao centro espírita, seria despedido.
Vivemos num país supostamente do 1º mundo, com uma mentalidade do tempo da Santa Inquisição, onde os Espíritas (para quem ainda não houve 25 de Abril de 1974, pois o Estado ainda não devolveu todos os bens confiscados no tempo da ditadura e entregues à Casa Pia), em pleno seculo XXI, têm de se expor, têm de ter mil e um cuidados no seu quotidiano, por uma questão de liberdade de consciência, de expressão, de escolha da sua espiritualidade, consignada na Constituição da República Portuguesa?
Felizmente a situação é diferente de há 2 mil anos, quando os cristãos eram atirados aos leões, nas arenas dos circos romanos.
Se não faz sentido nenhum uma advogada (ou outro profissional qualquer) pedir um parecer de compatibilidade com a sua opção de ateu, católico, budista, espírita, agnóstico, etc, menos sentido faz uma Ordem profissional dar um parecer positivo ou negativo, pois que o único parecer deveria ter sido “Não temos o poder de dar um parecer sobre questões de consciência individual”.
Já agora, se alguém souber onde se vende “bom senso”, seja em pó ou noutro estado qualquer, digam-me por favor, para enviar à Ordem dos Advogados, em Portugal…
Por falar em incompatibilidades, cada vez penso mais que as alterações climáticas no planeta Terra, estão a dar cabo da nossa moleirinha e são incompatíveis com a normalidade!!!
Valha-nos Deus…

PS – No artigo refere-se que “o culto desses conhecimentos configura uma religião - o Espiritismo".
Aqui fica a correcção: O Espiritismo não é mais uma religião, mais uma seita, mas uma doutrina filosófica de consequências morais (in “O que e o Espiritismo”, Allan Kardec).
  

José Lucas
jcmlucas@gmail.com
1 de Março de 2018

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Guerra e paz! Porquê...?



Basta olhar para um livro de História, para ver que a Humanidade sempre viveu em guerra. Basta olhar para a realidade, para ver que a Humanidade vive em estado permanente de guerra. Mas, não tem de ser assim… podemos mudar!

Olhamos para os livros de História e ficamos horrorizados com os desmandos da Humanidade ao longo dos séculos.
Como foi possível termos sido tão bárbaros, tão fanáticos, tão cruéis?
Pensamos ser passado, felizmente hoje somos mais civilizados, deduzimos…
Olhamos para o presente, para as notícias que os “mass media” nos trazem diariamente e, ficamos horrorizados. Como é possível no início do século XXI, sermos tão bárbaros, tão fanáticos, tão cruéis?
Parece que não houve evolução, apenas mudou o modus operandi: o ódio é o mesmo, o egoísmo é o mesmo, as lutas, as guerras, os fins a atingir são os mesmos.
Analisando, do ponto de vista materialista, e do ponto de vista da filosofia espírita, chegamos a conclusões diferentes.

A Filosofia Espírita (ou Espiritismo), que não é mais uma religião ou seita, mas uma doutrina, uma filosofia de vida, provou aquilo que as religiões acreditavam cegamente: a vida continua após a morte do corpo de carne, é possível comunicar com aqueles que julgamos mortos, eles voltam de além-túmulo para confirmarem a sua imortalidade, a reencarnação é uma realidade comprovada cientificamente, e existe vida fora do planeta Terra, em infinitas formas de Vida.
Ora, sendo materialista, acreditando que tudo acaba com a morte do corpo de carne, o Homem no seu egoísmo feroz, desconhecendo a sua identidade espiritual, tudo busca para si, tudo rouba, procura o seu bem-estar acima do que é preciso, numa busca doentia pelo “ter” coisas e dinheiro, que nunca vai ter tempo utilizar.  Nesse ponto de vista, faz sentido, para o Homem hedonista, matar, “ter poder” temporário, tentar dominar, enquanto for vivo…
Tola ilusão!

Depois de Allan Kardec ter comprovado cientificamente a imortalidade da alma e a comunicabilidade dos Espíritos, em 1857, vemos a Sociedade de Pesquisas Psíquicas (S.P.R.), de Londres, Reino Unido, pesquisar e mais uma vez confirmar as teses espíritas, desta vez entre 1993 e 1998, comprovando cientificamente, no seu relatório sobre os fenómenos espíritas em Scole, no nordeste de Inglaterra as mesmas teses que Kardec apresentou à Humanidade.
Depois de Allan Kardec ter matado a morte, em pleno século XX o eminente psiquiatra americano Ian Stevenson, deixou à Humanidade um legado inolvidável: cerca de 3 mil casos de reencarnação, investigados cientificamente, de crianças de todo o mundo, que se lembravam de vidas passadas, compilados em várias obras de cunho cientifico, demonstrando a realidade da reencarnação.

O Homem mata, porque desconhece que é um ser espiritual,
imortal, temporariamente num corpo físico,
e que vai colher noutra reencarnação
o que semear nesta vida.

Ian Stevenson esteve na Casa do Médico, no Porto, no Simpósio “Aquém e Além do Cérebro” organizado pela Fundação BIAL, Portugal, onde apresentou no dia 2 de Junho de 2002, na “Notícias Magazine” (revista dominical que acompanhava o “Jornal de Notícias” e o “Diário de Notícias”) os seus trabalhos, afirmando perentoriamente: “Podemos acreditar na reencarnação, com bases em provas, afirmando que a reencarnação, quando assimilada pela população mundial, terá um impacto maior do que teve a revolução industrial, na Terra.

Por que o Homem continua a matar-se, no horror da guerra?
Porque o Homem continua a matar-se, no dia-a-dia, por “valores” sem valor?
Porque o Homem insiste na estratégia do egoísmo, do ódio, do orgulho?
Acreditamos que a resposta está no facto do Homem ainda desconhecer que é um ser espiritual, que voltará a nascer vezes sem conta (neste ou naquele país, nesta ou naquela condição social, cor de pele…), que encontrará paz ou infelicidade dentro de si, de acordo com o que semear na sua vida, ao longo das reencarnações.

Por isso, é importante disseminar as ideias espíritas, demonstrá-las, não para que os outros se tornem espíritas, mas para que a sociedade tenha consciência da sua imortalidade, da lei de causa e efeito (colhe o que semeia no curto e médio prazo), da reencarnação, e assim se modifique, consciente de que mais importante do que “ter” coisas, “ter” poder temporal, é “ser” pessoa de Bem, fazendo ao próximo o que deseja para si próprio, evoluindo intelectual e espiritualmente, dentro da assertiva “nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei”.