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Chico Xavier: Património Mundial da Humanidade...

Sabe quem foi Chico Xavier? 
Que interesse tem isso para a nossa vida? 
Qual a ligação com o Espiritismo? 
Será que sabe o que é o Espiritismo?
Venha daí, vamos viajar no tempo…

Francisco Cândido Xavier, nasceu em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, Brasil, em 2 de Abril de 1910, tendo largado o corpo físico, pelo fenómeno natural da morte em 30 de Junho de 2002, em Uberaba, Brasil.
Homem simples, de uma bondade e generosidade acima da média, sempre viveu com muitas dificuldades, tendo levado sempre uma vida espartana, própria dos grandes iluminados espiritualmente, na Terra.
Chico Xavier como era conhecido, foi o maior médium do século XX, uma das maiores antenas psíquicas que a Terra já conheceu.
Na sua longa vida, desde pequeno que a sua mediunidade se manifestou ostensivamente, e toda a sua vida foi dedicada ao próximo, aos pobres e à Humanidade em geral.
Homem culto, mas sem instrução escolar, devido à pobreza paternal, desde muito cedo teve de trabalhar. Chico Xavier recebia, em transe, livros atrás de livros, contando-se até à sua morte, mais de 450 livros ditados por centenas de Espíritos diferentes.
O seu livro, “Parnaso de Além-Túmulo”, foi um choque estrondoso para toda a sociedade. Ainda hoje, esta obra é um ex-libris da vida de Chico Xavier, contendo dezenas de poemas de diversos autores nacionais e estrangeiros, cada um com o seu estilo, impossíveis de serem plagiados. Uns diziam que ele era um génio, outros que era um charlatão, mas ele, Chico, dizia que apenas recebia o que os Espíritos lhe ditavam.
Foi investigado até à exaustão, foi vítima da maldade humana, de armadilhas, foi explorado mediunicamente, mas manteve-se sempre ao serviço do próximo, exemplificando que o Amor é o combustível do Universo.
Dos mais de 450 livros ditados pelos Espíritos, vendeu mais de 50 milhões de exemplares, sempre cedeu os direitos de autor, morrendo na pobreza que era afinal a sua grande riqueza moral.
Recebeu mais de 10.000 cartas de Espíritos que vinham consolar familiares, e pelo menos em 2 situações diferentes, as suas mensagens recebidas do mundo espiritual foram consideradas válidas e credíveis em processos judiciais.
Reconhecido em todo o Brasil, mesmo pelos não espíritas, Divaldo Franco e outros espíritas intentaram que fosse nomeado para prémio Nobel da Paz. Mas, Chico Xavier era grande demais para poder vencer nos meandros mesquinhos das organizações mundanas.
Foi considerado num concurso nacional, o maior brasileiro de todos os tempos e, no seu funeral, o próprio Estado envolveu-se nas cerimónias, havendo helicópteros militares que derramavam pétalas de rosas sobre o cortejo fúnebre.

Chico Xavier não é pertença de ninguém,
nem nunca será, pois é e será sempre
património mundial da Humanidade.

Tal como madre Teresa de Calcutá que desencarnou (faleceu) pela porta dos fundos, na mesma altura que a princesa Diana, também Chico tinha profetizado que morreria num dia grande para o Brasil.
Assim foi. Quando o Brasil foi campeão mundial de futebol, e comemorava o facto, Chico saía da vida corpórea, pela porta dos fundos, rumo aos altos planos da espiritualidade.
Os livros recebidos por Chico Xavier são de suprema importância para a Humanidade, abrangendo obras de cariz científico, filosófico e moral.
Alguns dos livros recebidos na década de 40, ditados pelo Espírito André Luiz, começam somente agora a ser reconhecidos pela ciência oficial dos Homens que, com cerca de 70 a 80 anos de atraso, vêm reconhecer os factos científicos aí exarados.
Num processo de retrocesso (aparente) evolutivo, os Homens fizeram com Chico Xavier o mesmo que os espíritas fizeram com o Espiritismo.
Allan Kardec, o eminente codificador da doutrina dos Espíritos (ou Espiritismo) trouxe à Humanidade um conceito de espiritualidade universal e universalista, que os espíritas, rapidamente, tentaram e tentam transformar numa mera religião, por insuficiência de vistas nos seus horizontes.
A Humanidade não conseguiu entender, ainda, o quanto Kardec foi grande.
Chico Xavier, embora num nível espiritual inferior a Kardec, a maior antena psíquica do século XX, foi o exemplo de simplicidade, humildade, serviço, um verdadeiro Homem de Bem, mas o seu exemplo não calou fundo nos Homens que, na sua estreiteza de vistas, viram nele apenas mais um “santo” dos supostos “altares espíritas”, e digladiam-se, procurando na sua pequenez, ver quem é, quem foi, mais e melhor “amigo” de Chico Xavier, repetindo atavicamente processos ancestrais trazidos da hierarquia católica.
Kardec não foi compreendido e, ainda hoje não o é, e Chico Xavier foi e é idolatrado, precisamente o oposto daquilo que o nobre Espírito certamente desejaria que fizessem com a sua memória.
Chico Xavier foi tão grande espiritualmente, que a pequenez humana não suporta olhar para um horizonte tão alto, daí o seu nome ser utilizado para práticas que nada têm a ver com a doutrina dos Espíritos.
Chico Xavier não é pertença de ninguém, nem nunca será, pois é e será sempre património mundial da Humanidade.
Um dia… os Homens reconhecê-lo-ão.

Obrigado, Chico Xavier, pelo imenso bem que me fez, ao proporcionar-me ler e reler tão fundamentais conceitos de espiritualidade, que pelas suas mãos iluminaram, iluminam e iluminarão a Humanidade.

18 de Julho de 2017

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Terrorismo, Trump, Ambiente, Espiritismo...


Estes temas aparentemente não têm ligação nenhum com o Espiritismo, dirão muitos opinadores. No entanto, sendo o Espiritismo uma doutrina espiritualista, universal e universalista, será que não tem mesmo nada em comum ou a dizer? Venha daí…

A Terra vive em sobressalto permanente, abalada pelos vírus da guerra, da ganância, da corrupção generalizada, da falta de civismo, falta de respeito pela Natureza, entre tantas outras arbitrariedades que cometemos connosco, com o planeta e consequentemente com as outras pessoas.
Aquando de um atentado terrorista, logo aparecem mil e um fazedores de opinião, nas televisões, dissecando as possíveis causas e experimentando eventuais soluções.
A causa? Os bandidos dos terroristas…
Aquando da eleição do líder americano mais repudiado até hoje, e vendo as suas atitudes irresponsáveis no governo de um dos países mais militarizados do mundo, os sociólogos, politólogos e outros especialistas, esmeram-se em descortinar explicações para o aparentemente inexplicável.
A causa? Os incultos dos americanos…
Colhendo os efeitos dos desmandos no planeta, como a poluição, as desmatações, entre tantas outras maldades cometidas contra a Mãe-Natureza, logo aparecem os especialistas em ambiente, dissecando mil e um culpados, causas e possíveis soluções.
A causa? Os malandros das multinacionais…
Curiosamente, nestas situações fracturantes e decisivas para o bem-estar no planeta Terra, raramente aparecem espíritas a comentar o porquê das coisas e a cogitar de possíveis soluções.
Mas o que o Espiritismo tem a ver com isto?
No livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, publicado em França em 1864, podemos encontrar trechos do “Novo Testamento” explicados com uma linguagem actual, simples, esclarecedora, bem como mensagens de Espíritos que, à época, deixaram alguns comentários a esses mesmos textos de índole moral.
No capítulo XI, tema “O Egoísmo”, numa mensagem de Pascal, recebida em Sens, em 1862, encontramos: “O egoísmo é a negação da caridade. Ora, sem caridade, não há tranquilidade na vida social, e digo mais, não há segurança…”
Esta mensagem recebida em 1862, reflecte em grande rigor os estertores sociais de 2017, explicando com simplicidade, tal como fizera Jesus de Nazaré, há mais de 2 mil anos, que o egoísmo é a causa de todos os males da humanidade, levando-a a viver sem tranquilidade e sem segurança.

Só com caridade, fraternidade, auxílio mútuo desinteressado,
a sociedade será mais tranquila e mais segura.

Podemos questionar de novo: qual a causa do terrorismo, dos fenómenos tipo “Trump”, da crise ambiental, entre tantos outros problemas da humanidade?
A causa radica no egoísmo do ser humano!
Qual a solução para os mesmos problemas?
A solução encontra-se na caridade, na fraternidade, no auxílio mútuo desinteressado!
Somente quando o Homem mudar de atitude interior, moralizando-se, mudará os que o rodeiam, pelo exemplo.
Assim fazendo, as ondas de choque, pela positiva, alargar-se-ão à cidade onde viva, ao país onde se encontra, e a todo o mundo.
Não há que enganar, nem inventar a roda.
A paz é o caminho”, referia Gandhi, e Jesus já antes dera a receita da felicidade possível na Terra: “Não fazer ao próximo o que não desejamos para nós”.
Se os terroristas recebessem escolas, lápis, cadernos, livros, refeições, casas condignas, Amor, respeito, ao invés de receberem armamento, não haveria terrorismo.
Se as crianças aprendessem em casa e na escola, os valores ético-morais de uma sociedade onde o Amor universal nos leve a fazer ao outro o que queremos para nós, não haveria lugar na sociedade para fenómenos “Trump”, nem tão pouco os agiotas e os gananciosos prosperariam, pois que crianças moralizadas, seriam por arrastamento adultos mais correctos.
O Espiritismo, não sendo mais uma religião nem mais uma seita, mas sim uma doutrina filosófica de consequências morais, universal e universalista, investiga os factos espíritas, explica-os, e aponta a moral que Jesus deixou na Terra, como o caminho mais seguro para a evolução espiritual da Humanidade.
Só assim, com caridade, fraternidade, auxílio mútuo desinteressado, a sociedade será mais tranquila e mais segura, já nos informava o Espírito Pascal, em 1862…
  
1 Junho 2017

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Amor incondicional...

Na vida em flor,
conheci a flor da minha vida.
Era linda, colorida,
era alguém muito querida.

Juntei-me com ela
no mesmo canteiro.
Eu, casado por Amor,
ela, por dinheiro.

Passado tempos,
vieram as dificuldades,
a seca, o estrume,
e ela cheia de leviandades.

Olhava para ela,
a minha querida flor,
mas ela já não sentia
o seu antigo Amor.

As pétalas foram caindo,
as cores perdendo a cor,
o jardineiro tentando ajudar,
com o seu saber e suor.

Não sei como acontecia,
mas ela ainda era a minha flor.
Já meio alquebrada,
mesmo assim dava-lhe Amor.

Um dia, veio chuva
com muita violência,
destruindo o canteiro
da nossa existência.
  
Quando pensei
tudo estar perdido,
despertei feliz,
ao lado d’um amigo.

Sejas bem-vindo
ao canteiro do Senhor.
Aqui, só entra
quem exercitou o Amor.

Grande felicidade
encheu-me o coração:
que paz, serenidade,
eu sorria d' emoção.

Mas, e a minha flor,
a minha alma querida?
“Voltou para a Terra,
está de partida!”

Queria voltar também,
para perto da minha flor
mas, Deus, misericordioso,
Deu-me ainda mais valor.

“Volta para a Terra, sim,
mas não para o canteiro.
Doravante, será o guia
do teu Amor verdadeiro”.

E, assim, percebi
que o Amor é, afinal,
tudo o que dinamiza
o cosmos universal!

Poeta alegre 

Psicografia de JC, na reunião mediúnica do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha, Portugal, em 23 de Maio de 2017

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ESPÍRITAS PORTUGUESES: FAZER A PAZ...

“Fazer a paz: um contributo do Espiritismo” foi o mote para as 13ª Jornadas de Cultura Espírita do Oeste, que decorreram no Centro de Congressos de Caldas da Rainha, Portugal, nos dias 29 e 30 de Abril de 2017, num evento internacional que contou com portugueses, espanhóis e brasileiros. Venha daí!

 O Centro de Congressos acolheu 580 portugueses, espanhóis e brasileiros que vieram debater como fazer a paz, o bem essencial mais escasso no planeta, nos tempos que correm.
Com a presença do maior investigador espírita do mundo, Clóvis Nunes, da Bahia, Brasil, que fez as conferências de abertura e encerramento, estas Jornadas contaram com o apoio da Federação Espírita Portuguesa (FEP), da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) bem como da Câmara Municipal de Caldas da Rainha.
O Sr. Presidente da Câmara, Dr. Tinta Ferreira desejou as boas-vindas de todos os presentes, realçando que Caldas da Rainha é uma cidade que tem a arte de bem receber quem a visita.
O Coronel tirocinado João Gonçalves abriu o evento com o tema “Guerra: fatalidade histórica?” abordando-o com muita mestria, no início desta viagem, que seria desde a guerra, até ao morrer em paz.
A professora Ana Duarte, abordou as atitudes entre eu e os outros, e Carlos Miguel, do Porto, fez brilhante palestra sobre “Terra, que futuro ecológico?”.
De seguida, Ulisses Lopes, presidente da ADEP, abordou a solidão e o medo, seguindo-se Moacir Lima, Físico brasileiro, que apresentou o tema da culpa e do remorso, com a jovialidade de sempre.
Pelo meio, a música portuguesa, a cargo de Reinaldo Barros, João Gomes, Inês Guinote e Carolina Leal bem como a poesia de cordel vinda da Paraíba, Brasil, pela voz de Merlânio Maia, iam dando outra tonalidade às Jornadas.
Humor e Espiritismo foi uma inovação, num sketch que abordou práticas equivocadas nos centros espíritas, sendo de destacar a representação notável de Joana Farhat, na posição de uma dirigente espírita, que arrancou muitas gargalhadas ao público presente.
Paula Silva, médica, falou da dor total como factor de falta de paz, e Joana Farhat, agora num registo mais sério, abordou a temática saúde e paz, com muita mestria.
O médico Luténio Faria referiu um tema infelizmente, muito em voga, a violência doméstica, e Raquel Maia falou do facto de muitos de nós querermos ser amados e sofrermos quando tal não acontece.
Uma das novidades nesta 13ª edição, foi uma exposição de posters temáticos, científicos, sobre as actividades nos centros espíritas, uma novidade no movimento espírita pós 25 de Abril, que se deseja prolifere daqui em diante, exposição esta que deu lugar a uma mesa redonda sobre o assunto.

Posters temáticos sobre asactividades espíritas, foram uma novidade
que promete ficar para os eventos vindouros.

Uma equipe da ADEP fez questão da transmissão profissional em directo, via youtube, gratuitamente, num trabalho difícil, minucioso, absorvente e cansativo, mas reconfortante em termos de resultados.
Claiton Freitas, de Brasília, actor, já tinha interpretado primorosa peça sobre Maria Madalena, na noite anterior, e Rafael Vargas, do Portal Reação, apresentou um excelente documentário sobre “(re) pacificar” com entrevistas ao neto de Mohandas Gandhi e a Divaldo Franco, entre outros personagens.
A professora Amélia Reis fez a ligação entre a Paz e o Centro Espírita, como fonte de paz interior para quem o frequenta.
Antes do encerramento, Ângela Luyet e Renata Gastal efectuaram uma “performance” de grande qualidade artística, com temática espírita, e o jornalista e escritor Jorge Gomes abordou com sabedoria o tema “Viver: eis a melhor opção”.
João Xavier de Almeida, presidente da Assembleia-Geral da ADEP e ex-presidente da FEP, apresentou breves considerações a todos os presentes, sendo o evento encerrado por uma conferência com Clóvis Nunes, que faria ainda um périplo intensivo em Portugal, até ao dia 7 de Maio, com seminários, conferências e mini-seminários.
Se porventura não esteve presente ou não pôde acompanhar em directo via youtube, poderá ver ou rever todo o evento em www.adep.pt/jce2017.
Um evento de qualidade, com a profundidade dos estudos espíritas dentro do espírito de Allan Kardec, aliado à descontracção, sem formalismos desnecessários, fez com que todos se sentissem iguais, confraternizassem e convivessem num à-vontade pouco habitual em eventos espíritas, habitualmente muito formais.
De realçar que o custo da entrada deste evento era de 10 € (quando normalmente seria de 75 a 100 €), o que demonstra que os eventos espíritas podem ser organizados de modo a estarem abertos a todos, sem elitismos monetários.
À saída, o cansaço físico foi vencido pela alegria das pessoas, que já perguntavam quando seria o próximo evento.
Até lá, ponhamos em prática a teoria ali apreendida e … até às próximas Jornadas. 😊


José Lucas
jcmlucas@gmail.com



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"MEDIA" IGNORAM MORTOS E SANGUE...


De facto, o mundo está virado do avesso. Numa época em que os órgãos de comunicação social tanto gostam de sangue e de dar notícias de mortos, imaginem que em Portugal os “media” são ao contrário. Um sinal dos tempos…?

É do senso comum que os órgãos de comunicação social procuram dar notícias escabrosas, de mortes, com sangue, enfim notícias sensacionalistas.
Mas, algo parece estar a mudar no panorama dos “media”, pelo menos em Portugal.
Imaginem que no fim-de-semana de 29 e 30 de Abril de 2017, decorreu nas Caldas da Rainha um evento de qualidade, ao nível cultural, no Centro Cultural e Congressos.
Esse evento tinha uma denominação já habitual, não só na cidade, como na região e, até no país: “Jornadas de Cultura Espírita do Oeste”, este ano na sua… 13ª edição!!!
Sim, tudo bem, mas qual o problema?
Decerto os “media” naturalmente cobriram esse evento, como cobrem todos os anos a festa do chouriço ou as corridas com carros de rolamentos, entre outros eventos “culturais”.

Mas as 13ª Jornadas de Cultura Espírita do Oeste, este ano, em 2017, tinham um mote fantástico “Fazer a paz: um contributo do Espiritismo”.
Foram Jornadas internacionais, com artistas de qualidade, quer portugueses quer brasileiros, com palestras de alto nível e com palestrantes de topo.
Mas, os “media devem ter pensado: “Hum, estes caramelos dos espíritas, agora estão a promover a paz? A debater a paz, num fórum internacional? Ainda por cima com o fundador do “MovPaz”, no Brasil, Clóvis Nunes? Esta gente vai é estragar-nos o trabalhinho, pois se houver paz não temos notícias e perdemos o emprego…”
O raciocínio tem lógica, para os “media”, temos de concordar.

No Centro Cultural e Congressos de Caldas da Rainha houve teatro espírita, música nacional e estrangeira, um documentário sobre (re) pacificar com entrevista ao neto de Mohandas Gandhi, Divaldo Franco e outros, conferências, sketch de humor, debate com posters temáticos (científicos), o Sr. Presidente da Câmara esteve presente na abertura do evento dando as boas vindas aos visitantes da cidade… hummm…. “não, isto não é notícia”.

2.900 litros de sangue e cerca de 500 mortos
ignorados pelos “media” portugueses

Temos de ir fazer reportagem quiçá na localidade “Paraíso-de-Baixo” onde decorre o certame “Fumeiro até cheirar a queimado”.
Ao nível nacional, é compreensível que as TV’s, jornais, ignorem os eventos de cultura espírita (já Salazar fazia o mesmo, ao ponto de perseguir os espíritas, confiscar os bens da Federação Espírita Portuguesa, entregues à Casa Pia e até hoje não devolvidos), pois precisam de muito sangue e de muitos mortos.

De repente, pessoa amiga e bem-humorada, saiu-se com esta:
“Espera aí, mas se é assim, porque é que os “media” durante 13 anos ignoram este evento?
Afinal estavam lá 580 pessoas. Se cada pessoa tem em média 5 litros de sangue, havia lá 2.900 litros de sangue a correr nas veias, carago” (o meu amigo é do Porto, fala assim, não liguem).
“E mais, rematou ele, se eles querem é muitos mortos, aqui havia centenas deles a assistir ao evento (referia-se aos amigos espirituais, aos benfeitores e outras pessoas que no mundo espiritual se interessam por estes assuntos).
Não pude deixar de dar uma gargalhada e dizer-lhe: “Olha, vou fazer um artigo, pode ser que algum órgão de comunicação social te responda, pois eu não te sei responder (risos…)”
E assim passaram mais umas Jornadas de Cultura Espírita do Oeste, com muita qualidade, muito sangue, muitos mortos e… sem órgãos de comunicação social!!!
Quando os “media” estão assim… faz-nos sentir saudades do tempo em que havia jornalismo…
  
 José Lucas

jcmlucas@gmail.com
5 de Maio de 2017


PS - Se porventura for "jornalista" a sério e estiver interessado em banalidades, diferentes das festas do chouriço ou dos carrinhos de rolamentos então pode ver todas as 13ª Jornadas de Cultura Espírita do Oeste em http://bit.ly/2oZNVw5

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Ainda não houve Abril... para os Espíritas!!!


25 de Abril de 2017, comemoram-se 43 anos do fim da ditadura iniciada por Salazar e que terminou com a intervenção dos militares portugueses, que nos devolveram a liberdade. Os injustiçados foram ressarcidos pelo Estado, com excepção dos… espíritas! Falta cumprir o ideal de Abril para o Espiritismo.

A Doutrina Espírita, doutrina filosófica de consequência morais (in “O que é o Espiritismo”, Allan Kardec), não é mais uma seita ou religião, mas uma filosofia espiritualista.
Sendo de tríplice aspecto (ciência, filosofia e moral), a Doutrina dos Espíritos (ou Espiritismo ou Doutrina Espírita) sempre pugnou, desde o seu aparecimento em 1857, pela defesa dos direitos humanos, pela igualdade de todo o ser humano na sua filiação divina, pelos direitos das mulheres (a 1ª mulher médica em Portugal, Drª Amélia Cardia, era espírita), pela liberdade de expressão.
Obviamente, a filosofia espírita era incómoda para o antigo regime, ditatorial, acoplado ao Cardeal Cerejeira, chefe da Igreja Católica portuguesa, que fazia parceria com Salazar.
Depois de várias tentativas ao longo dos anos para ilegalizar o Espiritismo, a 27 de Junho de 1962, por despacho do Ministro do Interior, todo o património da Federação Espírita Portuguesa (FEP) revertia para o Estado (Edifício da Rua da Palma, 251, Lisboa; edifício da Rua Álvares Cabral, 22 a 26, no Porto onde estava a Sociedade Portuense de Investigações Psíquicas; a sede da FEP na Rua de S. Bento, 640, Lisboa, recheio, bibliotecas, dinheiro, depósitos na CGD e muitos outros bens), conforme se pode ler em “Movimento Espírita Português & Alguns Vultos”, de Manuela Vasconcelos, editora Federação Espírita Portuguesa.
Com o advento da liberdade, as pessoas e entidades que foram espoliadas pelo Estado Novo foram ressarcidas pelo Estado pós-liberdade… menos a Federação Espírita Portuguesa.
Renascida das cinzas, a FEP e os espíritas portugueses reorganizaram-se, não num sentido proselitista mas num sentido de vida: viver servindo o próximo, dentro da moral que o Espiritismo encerra e que se baseia na mensagem de Jesus de Nazaré.

Os espíritas portugueses espoliados pelo Estado Novo,
ainda não foram ressarcidos, 43 anos depois do 25 de Abril

O Estado livre não reconhece a actual FEP como sendo a sequência da anterior e, no meio de vírgulas, interpretações jurídicas e quejandos, ainda hoje, 25 de Abril de 2017 (43 anos depois), os livros continuam retidos na Biblioteca Nacional, os arquivos na Torre do Tombo e os bens confiscados e entregues à Casa Pia, ainda não foram devolvidos.
Se vivêssemos num país civilizado da União Europeia, decerto estas injustiças já teriam sido ressarcidas.
Se após o golpe militar que em 25 de Abril de 1974 restituiu a liberdade aos portugueses, tivessem aparecido partidos políticos que servissem os interesses do povo, certamente este caso faria parte do rol do esquecimento histórico.
Mas não, qual país do 3ª mundo, onde a justiça é feita à medida dos conhecidos e endinheirados, em Portugal os Espíritas foram e são esquecidos, mantendo-se a injustiça do Estado.
Quem sabe, quando um dia formos um país europeu, a própria comunicação social que tem o dever moral de divulgar casos de injustiça, informar, esclarecer, se interesse por este assunto, tantas vezes comunicado aos “media” e sempre esquecido.
Isto não é notícia.
Notícias são os crimes, os escândalos sociais, o diz-que-disse do futebol, a violência, a degradação moral que diariamente encharcam as páginas dos jornais.
O Espiritismo é importante contributo para a pacificação do ser humano e da sociedade.
O Espiritismo é o maior preservativo contra o suicídio.
O Espiritismo sempre esteve na vanguarda contra a diferença de género, contra as desigualdades sociais, contra a poluição da Natureza, contra a xenofobia, contra o racismo.
O Espiritismo defende que “Fora da caridade não há salvação”, isto é, que somente mudando o nosso sentimento, o nosso pensamento e o nosso agir em consonância com os ensinamentos ético-morais de Jesus de Nazaré, o Homem se espiritualiza e se aproxima de Deus.
Por isso o Espiritismo continua a ser o grande desconhecido e o grande espoliado pelo Estado Português, 43 anos depois da liberdade…

José Lucas*


*Tenente-Coronel, membro do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha
 e da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP)

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DIVALDO: O ESPIRITISMO E A SOCIEDADE


13 – Na mensagem de Joanna de Ângelis, de 2006, intitulada “A grande transição”, ela refere que viriam convulsões sociais e geológicas inimagináveis.
Poderemos colocar a questão de terramotos que afectem centrais nucleares na Europa, por exemplo ou noutro local?
DF – Eu baseio-me no sermão profético de Jesus, Marcos, 13, quando Jesus, olhando o templo de que se orgulhavam os próprios companheiros, estabeleceu que não ficaria pedra sobre pedra, que não fosse derrubada.
Atravessando o Vale de Cédron, os discípulos perguntaram: “Diz-nos, quando acontecerão essas coisas”? Ele, então, apresenta o sermão profético, que é o dos mais belos, ao lado do Apocalipse.
Pelo facto de ser participante do cristianismo, eu acredito que tudo aquilo quanto Ele esmiuçou, aconteceu, e algo mais acontecerá.
Acredito que seremos vítimas de uma grande convulsão.
Quando os americanos falam sobre a grande falha entre Los Angeles e S. Francisco, é perfeitamente lógico: vai acontecer, o problema é saber quando, e também em toda a Terra.
As grandes falhas que estão a ser preenchidas lentamente, e que resultam dos tsunamis, desde o terrível tsunami nos países asiáticos, estão previstas na própria geologia.
O nosso globo é ainda um planeta em formação.
Vemos que, o magma do nosso planeta está num estado de grande exaltação e, de vez em quando, há explosões vulcânicas.
Porém a maior gravidade não é o fenómeno sísmico, mas os gases venenosos que podem ser levados pelo vento e, naturalmente ceifarem multidões, em simultâneo.

14 – Quem são os Espíritos das pessoas que morrem no Mar Mediterrâneo, em busca de uma vida melhor?
DF – No campo das deduções e de acordo com o meu pensamento, penso que aqueles que estão hoje, de volta à Europa, são os antigos colonizadores que deixaram, até hoje, a América Latina na miséria.
Como foi negado todo o direito aos seus residentes, como aculturaram os selvícolas, destruindo culturas veneráveis, pela Lei de Causa e Efeito aqueles estão retornando hoje à pátria, no estado de miséria, e que ameaçam os próprios países de onde saíram, para, um dia, buscarem a fortuna para o conforto europeu.
Mas, também me recordo dos grandes problemas que estão a acontecer no antigo Levante, graças às tropas muçulmanas. “O Homem é o lobo do Homem” e, verificamos que estamos a transformar este lobo em cordeiro.
Como sou optimista, acredito que em breve, o lobo e o cordeiro beberão no mesmo regato, em fraternidade.
Já vemos muitas dessas uniões, através da educação que é proporcionada, e nós vemos isso na Internet, diariamente.
Porque não, na realidade, amanhã?

15 – Os EUA têm bombardeado o mundo inteiro desde o fim da II guerra mundial. Como se manifestará a Lei de Causa e Efeito sobre este povo?
DF – A tradição assinala que os americanos de hoje são os romanos de ontem.
Nós podemos ver na arquitectura, na moeda, na forma de legislar, aliás o seu Direito vem do Direito Romano.
Esta geração, que é uma Roma renascida, pode dar lugar a outro tipo de vida, e é provável que esse efeito venha de maneira que nós não podemos perceber.
Não necessariamente pela violência, mas, pode haver algo mais terrível e doloroso do que o transtorno da depressão profunda, o transtorno do pânico, o Alzheimer, o distúrbio de Parkinson, o cancro com mais de 50 biótipos específicos?
Então, não será moeda por moeda, isto por aquilo, mas um resgate pessoal, colectivo ou entre as Nações.

16 – Existe uma percepção geral, de receio, de que algo de grave vai acontecer em breve. Que dizer sobre isso?
DF – As entidades que por mim se comunicam, têm uma visão muito mais profunda.
Há uma tendência masoquista na criatura humana, de ser infeliz.
Mesmo quando tudo está bem, há uma certa insegurança, a perda do bem-estar devido a situações lamentáveis.
Já foram tantas datas marcadas para o “fim do mundo”, que eu prefiro não acreditar no “fim do mundo”, mas simplesmente no fim de uma Era, tanto geológica como Humana, de conflitos e distúrbios, um mundo melhor.
Muitas vezes, são os escombros que nos oferecem as bases de uma nova cultura.
Desta cultura amorfa, caracterizada pelo egocentrismo e celebrada pelo individualismo, nascerá uma cultura de solidariedade, de Amor, de fraternidade.
Já vemos o anteprojecto, nas pessoas generosas e boas.

17 – O Homem ainda vai bater mais no fundo, moralmente falando?
DF – Acredito que teremos saudades do Bem, chegaremos a um ponto em que sentiremos uma grande nostalgia, em relação ao nosso “poder”, nossa aparência, nossas glórias.
Teremos uma imensa necessidade de voltar à simplicidade, ao estado natura, desde que o Amor celebre em nós a presença de Deus.

18 – Nestas circunstâncias, o que é que é esperado por parte da atitude dos espíritas e não espíritas, claro?
DF – A resignação dinâmica.
Não poderemos mudar o mundo, mas mudar-nos-emos.
Aceitaremos as injunções dolorosas, de uma maneira dinâmica: aceitamos, mas não ficamos com elas.
Trabalharemos para mudá-las.
Arrancaremos as velhas árvores e colocaremos novas.
Utilizaremos o seu tronco, para fazer as mudanças que, serão as mudanças renovadoras da Humanidade.
Creio, pessoalmente, na larga existência, na criatura humana, intrinsecamente boa.
As suas tendências, os seus instintos de defesa, na caverna, ainda predominam, mas, é uma questão de tempo, de educação e de paciência.

19 – Uma mensagem final à população mundial, por favor.
DF – Acredito que quem ama é feliz.
Vale a pena amar.
Se por acaso não há uma correspondência, não seja isso o motivo de desalento.
Seja você, quem ama.
O Sol beija o pântano, com a mesma ternura com que acaricia a pétala de rosa.
Não é importante que os outros nos tratem bem.
É indispensável que tratemos bem os outros.
Ao invés de lamentarmos o insucesso, aprendamos com ele, a não repetir o erro.
Ao invés de nos queixarmos que os outros são maus, façamos uma autoanálise e, observemos se de uma ou de outra forma, nós não contribuímos para aquele acontecimento funesto ou desagradável.
A minha mensagem é de optimismo.
Vale a pena viver.
Viver é uma bênção de Deus.
A noite tempestuosa cede lugar a uma madrugada de refazimento.
Meia-noite e um segundo, da treva densa, já é o amanhecer.
Sejamos o amanhecer da Nova Era, e que possamos tornar felizes o mundo, sendo também, por nossa vez, felizes.




Entrevista concedida à ADEP, em Calpe,
XXIII Congresso Espírita Nacional (Espanha)
em 4 de Dezembro de 2016


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Divaldo Franco: Os Centros Espíritas...


8 – Desde a década de 70 que Divaldo vem a Portugal. Houve um crescimento do movimento espírita. Na sua opinião, foi crescimento quantitativo ou qualitativo?
DF – Desde a 1ª vez que eu estive em Portugal, em 15 de Agosto de 1967, fascinou-me a coragem dos espíritas portugueses, porque estavam vivendo os dias amargos da ditadura, ditadura que recolhia ao cárcere aquele que se denominasse maçon, comunista ou espírita.
Quando eu tive a oportunidade de proferir a conferência na Rua da Fé, na casa de Arganil, foi-me dado o direito de apresentar-me, estavam cerca de 400 pessoas sedentas de informação.
Eu denominei esse período como o período subterrâneo das investigações e da cultura portuguesa.
Eduardo de Matos publicava uma revista, “Fraternidade”, através da qual, de maneira discreta, divulgava o Espiritismo.
Isidoro Duarte Santos publicava “Estudos Psíquicos” e, através de uma linguagem científica, da Metapsíquica e da Parapsicologia nascente, ele procurava infundir nos corações humanos a crença.
O movimento espírita português, nas catacumbas, veio a lume assim que a ditadura se transformou em que Portugal, depois da revolução dos cravos. Adquiriu os seus direitos de cidadania, paradoxalmente começando a sua democracia através do comportamento comunista, o que não deixa de ser bastante contraditório.
Vejo que o movimento espírita português progride, em quantidade e em qualidade. Afinal, do ponto de vista filosófico, tudo aquilo que cresce em quantidade, perde em qualidade. Se derramamos um líquido sobre uma superfície, ele espalha-se e não tem profundidade. Se colocamos num vasilhame, mantém o volume, mas tem profundidade.
Observando o que vem acontecendo em Portugal, especialmente depois deste congresso mundial que vivenciámos (8º CEM, em 2016, Lisboa) e que eu considero, em qualidade, o melhor a que eu já assisti (e assisti a todos, com excepção apenas da Guatemala), vemos que há um interesse muito grande.
Excepções, problemas, dificuldades, em que área não existem?
Aliás, é muito saudável discrepar, porque isso dá-nos a ideia de liberdade de comportamento.
Posso asseverar que Portugal, segundo as minhas observações, é o país com o maior número de espíritas militantes, em qualidade e em quantidade, depois do Brasil.

9 – No tempo da ditadura, o Divaldo foi considerado “persona non grata” por ter recebido uma psicografia ditada pelo Espírito de Monsenhor Alves da Cunha, em que previa o banho de sangue que viria no pós-revolução em Angola. Quer relatar alguma situação caricata ou engraçada, que tenha passado em Portugal, antes de ser proibido de entrar no país?
DF – Tive muitas situações, porque o Espiritismo era visto como bruxaria, e recordo-me de um lugar perto de Viseu, uma aldeia chamada Encoberta.
A reunião foi marcada para a meia-noite, porque dessa forma não chamava a atenção das pessoas. A futura sogra do nosso querido e devotado Coronel Costeira, abriu as portas da sua casa, correu riscos, ela era médium. As pessoas começaram a chegar às 23h00, às 24h00 cheguei eu para efectuar a conferência.
Igualmente em outras cidades, as reuniões eram feitas de uma maneira muito especial. Eram normalmente em residências muito frequentadas, ou em lugares que não chamassem a atenção. Na cidade de Santarém, tivemos a oportunidade de realizar o nosso trabalho no quarto de uma costureira. Num momento, quando eu disse uma frase de efeito, as pessoas levantavam as mãos e abanavam-nas.
Eu fiquei chocado, não tinha a menor ideia do que fosse.
O gesto repetiu-se várias vezes.
Ao terminar a conferência, eu perguntei ao amigo Casimiro o que significava e, ele disse: “Bem, como não podemos aplaudir com barulho, isto é um aplauso.”
Achei sui generis e, muito peculiar.
  
10 – Sendo realistas, actualmente a maior parte das palestras nos centros espíritas são aborrecidas e afastam os jovens e os adultos que ali chegam por curiosidade.
É possível melhorar isso?
DF – No nosso caso, no Brasil, a Federação Espírita Brasileira, vem elaborando métodos, técnicas, programas e outras espécies de actividades, para atraírem os jovens.
O que não devemos fazer é utilizarmo-nos de métodos profanos e vis, para os atrair enganosamente, colocando música Funk, bailes, bebidas alcoólicas, que nós consideramos perniciosas à saúde. Não iremos atrair uma massa pela sua quantidade, iremos atrair os indivíduos, pelos valores de que se revestem, e da grande necessidade que têm de uma vida cultural e espiritual muito elevada.
Nós temos muita preocupação com a cultura, no entanto não posso olvidar da minha mãe, que era analfabeta. Eu li-lhe toda a codificação e todas as revistas espíritas, de 1858 a Março de 1869.
Ela tornou-se espírita, não falava correctamente a língua, mas a sua conduta moral, a educação dos 13 filhos, são invejáveis.
É exactamente isso, que todos os religiosos, filósofos, pensadores, divulgadores e fazedores de opinão desejam, fazer com que a criatura humana seja muito mais feliz.
Por hábito, eu tenho um conceito pessoal, eu prefiro um indivíduo ateu, de carácter nobre, cidadão, ao indivíduo religioso, de qualquer matiz, inclusive espírita, sem carácter.
Desta forma, rejubilo-me com essas conquistas que o Espiritismo vem realizando, através de todos os meios ao nosso alcance.

11 – Que pensar das práticas que, em Portugal e em todo mundo, em alguns centros espíritas, se fazem sessões de “cura”, inclusive promessas de cura da depressão?
DF – Allan Kardec não se refere a esse assunto, da cura, também não se refere a passes, à água fluídica.
São, naturalmente, contribuições da inteligência humana, porquanto o Espiritismo é uma doutrina que evolui, não é uma doutrina que estanca, que fica onde foi apresentada.
Ela, avançando com o conhecimento, vai adoptando novos métodos.
Eu acredito que a função do Espiritismo está em Allan Kardec, a transformação moral do indivíduo para melhor, sendo hoje, melhor do que ontem e, amanhã, melhor do que hoje, lutando sempre contra as suas más inclinações.
No entanto, porque vivemos na Terra, e temos tantos problemas, as terapêuticas de natureza energética de que o Espiritismo se faz instrumento, ajudam, produzem mudança, auxiliam na mitose cerebral, das células, proporcionam bem-estar e, desse bem-estar emocional, por uma somatização ao corpo físico, advém a saúde.
Mas, não é a meta do Espiritismo.
Sai-se de uma doença, para outra e, afinal, a morte biológica é um fenómeno inevitável.
Pessoalmente, preferimos a transformação moral do indivíduo, sem nos preocuparmos muito com a questão da saúde física.
  
12 – Kardec referia a importância do Espiritismo ser para todas as pessoas, ser uma doutrina universal e universalista. Que pensa dos centros espíritas que usam cânticos de orientação católica nas suas actividades? E se estiver presente um espírita muçulmano? Como o centro espírita deveria ser abrangente?
DF – Kardec perguntou aos Espíritos, se o Espiritismo seria a religião do porvir. A resposta é notável, do ponto de vista da linguagem: “É o porvir das religiões”.
O Espiritismo contribuirá com aquilo que falta a muitas religiões, para terem uma estrutura de lógica.
Como entendermos a reencarnação, acreditando apenas numa existência corporal? Como compreendermos o destino, se nós já nascermos sob a fatalidade de uma tragédia neurológica?
Como entender a fortuna e a miséria?
Como compreender a agressividade, o poder, a desgraça?
Somente através da reencarnação.
Será essa contribuição e outras, que o Espiritismo trará a outras doutrinas religiosas e filosóficas, para que adquiram lógica. Dessa maneira, o Espiritismo não tem muita essa preocupação de ser uma doutrina dominante.
Pessoalmente, acredito que, no porvir, não muito distante, desaparecerão todos os rótulos e, haverá uma filosofia existencial, a boa filosofia.
Cristo não fez o Cristianismo, foram aqueles que o seguiram, que adoptando a proposta de Lucas, dão aos “homens do caminho” o nome de cristãos, e por consequência denominam o grupo como cristianismo.
Então, nós marchamos para uma unidade, e ao mesmo tempo para a diversidade na igualdade, o holograma.
Desta maneira, todas estas questões que são transitórias, irão encontrando lugar comum, que é a unidade, a fraternidade, pouco importante qual a crença que o indivíduo tenha, desde que seja construtor de vidas.




Entrevista concedida à ADEP, em Calpe,
XXIII Congresso Espírita Nacional (Espanha)
em 4 de Dezembro de 2016