João Dominador
Vivia como queria
Pensava que o poder
Só lhe dava alegria.
Era mau, déspota,
A todos dominava
Com o seu dinheiro
Usava e explorava.
Não fazia o bem
Pensando ser imortal
Até que chegou a vez
De largar o corpo carnal.
No Além penetrou
Em extrema perturbação
Só pensava na vida
Que levara na devassidão.
Encontrou Zé Traquinas
Comparsa da má vida.
Sintonizou com ele
Perseguindo-o na sua lida.
Zé Traquinas cambaleou;
Será que estou doente?
Falou com a avó
Que o mandou à vidente.
Óh senhora, oiço vozes
Que me mandam estouvar
Ando perturbado,
Até m’apetece matar.
“Xi!!! É um espírito escuro
Que está aí colado
Diz que é o Dominador
Que te quer ao seu lado.”
Será que estou louco?
O Dominado já morreu…
Será mesmo ele
Que voltou p’ra mal meu?
“Tens de rezar por ele
E a vida mudar
Pois se não o fizeres
Ele vai mesmo ficar.”
Ora bolas, Deus meu
Dava tudo p’ra não ouvir
Eu quero ser melhor
Para melhor poder dormir.
E assim Dominador
O obsessor audiente
Ajudou o Zé Traquinas
A deixar de ser “doente”.
Mudou de vida, com medo
Do espírito Dominador.
Passou a respeitar o próximo
A sentir um pouco de amor.
As vozes do Além
São bem reais.
Falam como as nossas falam,
Quando são mortais.
Não te assustes
Com vozes do Além.
Reza por elas,
E faz sempre o bem.
Deus manda as vozes
Para tua instrução.
Aprende pois com elas
E ama o teu irmão.
Poeta alegre
Psicografia recebida na reunião pública do CCE, nas caldas da Rainha, Portugal, em 11 de Julho de 2008, durante a palestra subordinada ao tema «Oiço vozes: que fazer?»
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