Vociferava diariamente
O velho rezingão
Só ele sabia
Só ele tinha razão
Dono de terras
E fortuna pessoal
Julgava-se superior
Julgava-se mal
Pois um dia,
Dor ferina o atingiu
O peito dorido
E o coração faliu.
O velho rezingão
Entrou no Além
Onde encontrou
muito desdém!
Ajudem, ajudem
Gritava o rezingão
Os outros gargalhavam
Ao som de palavrão
Aqueles odiados
Pelo rezingão
Pediam contas
Cobrando ao tostão
Clemência, clemência
Rogava o rezingão
Fugindo espavorido
Pelo espaço, em vão!
Maldita consciência
Que me faz lembrar
Os erros cometidos
Quando julgava mandar
Cansado, destruído
Com fervor, orou
O velho rezingão
De Deus se lembrou.
Oh, milgare
Será mesmo assim?
Dois anjos luminosos
Vestidos de cetim...
Vem, amigo
Chegou a tua hora
Vais voltar à Terra
Voltar sem demora
E assim o rezingão
Voltou a reencarnar
Com mediunidade ostensiva
Cedo a despontar
Chorava, gritava
Não conseguia dormir
Chegado aos dezasseis
Via os sonhos ruir.
Filho de gente humilde
Rezingão aprendeu
Que se aprende melhor
Quando se é plebeu.
Foi médium toda a vida
Ajudando quem podia
Fê-lo tão bem
Que a morte foi alegria.
Desencarnado novamente
Rezingão já não era.
Aquela reencarnação
Fora para ele primavera
Semear e colher
É lei natural
Se queres colher o bem
Nunca semeies o mal
Poeta alegre
Psicografia recebida, em Óbidos, Portugal, em 20 de Abril de 2009
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