7.2.10

Amigo secreto


Em época de Natal, os almoços e jantares de confraternização abundam, onde as pessoas trocam prendas simbólicas utilizando um jogo chamado «o amigo secreto». Leva-se uma prendinha de muito baixo custo, embrulha-se e depois coloca-se tudo num saco de molde a que haja trocas de prendas. É um hábito que vai ganhando espaço, daí que em 2006, numa escola secundária do Cacém, os alunos do 12º ano de uma turma de uma amiga minha, resolveram fazer essa troca de prendinhas simbólicas no último dia de aulas.

Havia alvoroço na sala, um certo frenesim típico da juventude, tão irreverente quanto generosa, e não podiam quase esperar pelo momento mágico do fim da aula de Biologia para quer a troca se efectuasse.
Chegado o momento mágico, houve uma explosão de alegria, misturada com as surpresas, risos, trocas de olhar cúmplices ou não, enquanto se iam desembrulhando as prendinhas e trocando ideias acerca da sorte deste ou daquele.
Acabado o evento e quando se preparavam para sair da sala, a minha amiga, professora, espiritualista e grande estudiosa da psique humana, tendo-se apercebido de que esse evento ir-se-ia realizar, lembrou-se de comprar umas caixas de bombons e no fim fez-lhes uma dedicatória, desejou-lhe um bom Natal, no meio de algumas sugestões humanistas e eis que começou em silêncio a distribuir os bombons pela sala, carteira a carteira, num silêncio que começou a ficar incomodativo para os alunos, que gostando muito da sua professora, aperceberam-se naquele momento de que… se tinham esquecido dela e de a incluir no “seu” jogo de troca de prendinhas. De repente, em menos de um minuto, aquela turma fantástica teve o engenho, de sem que a professora se apercebesse, combinarem, passarem palavra através de gestos, e quando ela menos esperava, rodearam-na e todos abraçados deram-lhe um forte abraço como prenda de Natal.
A Luísa, assim se chama essa amiga, ficou estupefacta e sensibilizada até às lágrimas de emoção, pela atitude que esses jovens, foram capazes de tomar, repentinamente, escolhendo a melhor prenda que ela poderia receber neste Natal de 2006: um abraço…!!!
Ficámos a meditar no valor do abraço, dos milhares e milhares de pessoas que nunca abraçaram ninguém, da solidão, do afecto, da falta de afecto, e da generosidade que o ser humano é capaz de patentear.
Ficámos a pensar no dia de amanhã, quando no Planeta Terra apenas estiverem reencarnados Espíritos sedentos de paz, e não pudemos deixar de concluir que afinal eles aí estão, os novos Espíritos que já reencarnados, trazem novos horizontes existenciais, novas perspectivas da vida, mais holísticas e universalistas, que amanhã empurrarão a sociedade para práticas cada vez menos egóicas e mais fraternas.
Ao ouvir esta história da boca da minha amiga, fiquei com a certeza de que afinal o nosso amanhã vai ser bem melhor, e de que vale a pena semearmos amor, paz, harmonia e amizade, pois que a colheita sendo obrigatória, dentro da lei de causalidade, é já sem sombra de dúvidas uma colheita muito boa.
Uma brincadeira tão simples, como a do «amigo secreto», acabou por descortinar àquela turma um amigo nada secreto, que abre as portas ao mundo da felicidade: o abraço sincero, espontâneo, amigo.
Continuemos na semeadura… 

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