20.5.20

CORONAVÍRUS...


O dia amanheceu triste,
sentia o corpo quebrado.
Dores de cabeça, febre,
certamente um resfriado.

Passados dois dias,
a situação não melhorava.
Estava um pouco pior,
com dificuldade respirava.

Fui ao Hospital,
em busca de melhoras.
Já de lá não saí,
ao fim de quatro horas.

"O senhor tem o vírus,
tem de ficar internado".
Levaram-me para um quarto,
onde fiquei isolado.

Como não melhorava,
disseram que me iam sedar.
Lá respirei a anestesia,
e dormi sem acordar.

Parecia um sonho,
mas era realidade.
Sentia-me bem,
e em liberdade.

Não me lembro,
do tempo passado
com a anestesia,
no quarto, isolado.

Aquela serenidade,
estava-me a “incomodar”.
Onde estava eu,
que parecia flutuar?

Enfermeira sorridente,
aureolada de luz,
tranquilizou-me a mente,
Durma um pouco, Sr. Cruz”.
  
Quando despertei,
dei por mim curado.
Sem dor de cabeça,
a febre tinha passado.

As vestes dos enfermeiros
eram muito diferentes,
nem pareciam tratar
de pessoas doentes.

Com estes pensamentos
em suave turbilhão,
não sonhava sequer
que se dera a desencarnação.

Após um tempo,
o tal “anjo” voltou.
Sr. Cruz, tem visita,
d’um tio  que muito amou”.

O tio Ferreira apareceu,
com o seu ar despachado.
Só aí reflecti:
ele está desencarnado.  

Assim descobri,
que deixara o corpo carnal, 
e que transitara
para o mundo espiritual.

Espera-me agora
aprender muita lição,
afinal,... morrer,
pode ser suave transição!


Poeta alegre
Psicografia de JC, em Óbidos, Portugal, em 19 de Maio de 2020


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