27.1.19

Espiritismo pago? Não faz sentido!...



O Espiritismo (Doutrina dos Espíritos ou Doutrina Espírita) é uma ciência de observação, é filosofia e é moral. Não é mais uma seita ou religião. É uma filosofia de vida, assente na experiência científica e radicada na moral de Jesus de Nazaré.
O Espiritismo apareceu oficialmente em 18 de Abril de 1857, com o lançamento de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec. A codificação espírita engloba 20 livros (os 5 considerados fundamentais, 12 volumes de “A Revista Espírita”, “O Espiritismo na sua mais simples expressão”, “Viagem Espírita em 1862” e “O que é o Espiritismo”. “Obras Póstumas” também é de considerar, embora não tenha sido editada por Kardec).
Allan Kardec codificou a Doutrina dos Espíritos de forma tão zelosa e sólida, que ainda hoje, 161 anos depois, não conseguimos entender o seu alcance e profundidade. Os alicerces estão lá, para hoje e para o futuro, como uma janela aberta ao devir, nos inúmeros campos do conhecimento.
Os movimentos espíritas são grupos de pessoas que gostam de estudar, praticar e divulgar o Espiritismo, cada movimento com as idiossincrasias próprias do grupo humano, que se une por afinidade. São muito válidos e desejáveis, desde que o bom senso prevaleça. Um movimento espírita pode-se radicar num Centro Espírita, num grupo familiar, na edição de um jornal ou revista, programa de rádio, num sem fim de oportunidades de movimentar o Espiritismo, dando-o a conhecer, não com o sentido proselitista mas sim para esclarecer e consolar uma Humanidade, que ainda não descobriu que é imortal, que a reencarnação é uma verdade científica e que existe uma Lei de Causalidade.
Como os movimentos são feitos por Homens, é provável que existam discrepâncias doutrinárias ou no modus operandi destes ou daqueles espíritas.
É normal que num Centro Espírita se vendam livros, jornais e revistas espíritas (com lucro mínimo, pois o objectivo é divulgar).
O resto, como vender cafés, bolos, comida, louças, bazares, rifas, roupas, etc, não faz sentido dentro de um Centro Espírita.
O Centro Espírita deve ser simples, sem fotografias de Kardec, Jesus, do dirigente do Centro, etc, sem a tradicional toalha branca rendada, tudo reminiscências do catolicismo, de onde quase todos viemos.
Não tem mal nenhum, mas não são práticas espíritas.
O Centro Espírita tem de cativar o coração dos seres mais simples que lá apareçam.

O Espiritismo não está à venda, e não pode ser vendido,
pois pertence à espiritualidade superior
que o ofereceu à Humanidade.

Não faz sentido, por exemplo, ver palestrantes, que se deslocam a Portugal duas e três vezes por ano, sem qualquer mais-valia doutrinária, com o objectivo de… vender livros, entre outras coisas. A falta de sentido crítico dos dirigentes espíritas portugueses, vai alimentando este vil comércio.
Não faz sentido, efectuar eventos espíritas a preços chorudos, como congressos, workshops, seminários. Estes, devem ser sempre que possível, ao preço mínimo ou gratuitos, se possível, a fim de possibilitar aos espíritas pobres terem acesso ao mesmo conhecimento que os espíritas endinheirados.
Não faz sentido palestrantes ”estrelas” que, quando convidados para divulgar o Espiritismo no estrangeiro, fazem todo o tipo de exigências, como o pagamento da viagem da esposa e outras. Quem serve a Deus não põe condições.
Não faz sentido, as conferências espíritas transformarem-se em “shows”, onde se projecta o ego em vez de se projectar o Espiritismo.
Não faz sentido os “sites” pagos na Internet, as páginas pagas no youtube, divulgação doutrinária com “direitos de autor”, quando os autores do Espiritismo foram os Espíritos.
Não faz sentido que o espírita, para ter acesso ao conhecimento espírita, tenha de pagar, havendo oportunidade de divulgar o Espiritismo com simplicidade e profundidade, no Youtube, gratuitamente!
Não faz sentido o proliferar de “web-tv’s” com o objectivo de vender material didáctico espírita.
Não faz sentido, aceitar donativos de frequentadores do Centro Espírita, pois muitos deles, em sofrimento, pedindo auxílio, acabam por querer “pagar” o alívio concedido pelos bons Espíritos (que não cobram nem aceitam dinheiro).
O Centro Espírita ou é auto-suficiente, ou não é. Têm de ser os sócios do Centro Espírita a suprir as necessidades do mesmo, sob pena de estarmos a catolicizar (no que concerne ao dinheiro) os centros espíritas.
No campo das ideias, existe o chamado “recuo evolutivo” (quando o Homem vai adaptando novas ideias à sua maneira de ser, desvirtuando a nova ideia). É importante que não voltemos a cair nesse erro e / ou que saiamos dele rapidamente.
É fundamental devolver a simplicidade do Espiritismo ao Centro Espírita.
No Espiritismo não há lugar a pagamentos, nem a um simples obrigado. Se houver comércio, mesmo que disfarçado de “caridade”, aí não está o Espiritismo!
O Espiritismo não está à venda, e não pode ser vendido, pois pertence à espiritualidade superior que o ofereceu à Humanidade.

Janeiro 2019

2 comentários:

Unknown disse...

Pontos de vista interessantes, embora carentes de citações da literatura espírita para sustentar os argumentos.

Apresento a seguir duas citações doutrinárias que inspiram reflexão sobre o tema abordado:

1. Diálogo entre Paulo e Simão Pedrão sobre recursos para a Casa do Caminho:

"Paulo compreendeu que Pedro tinha razão. No entanto, ansioso de proporcionar independência aos esforços dos irmãos de ideal, considerou:

— Advirto, então, que precisamos instalar aqui elementos de serviço que habilitem a casa a viver de recursos próprios. Os órfãos, os velhos e os homens aproveitáveis poderão encontrar atividades além dos trabalhos agrícolas e produzir alguma coisa para a renda indispensável. Cada qual trabalharia de conformidade com as próprias forças, sob a direção dos irmãos mais experimentados. A produção do serviço garantiria a manutenção geral. Como sabemos, onde há trabalho há riqueza, e onde há cooperação há paz. É o único recurso para emancipar a igreja de Jerusalém das imposições do farisaísmo, cujas artimanhas conheço desde o princípio de minha vida" (Emmanuel, Francisco Cândido Xavier. Livro Paulo e Estêvão, segunda parte, capítulo 5).

2. Eventos pagos e Doutrina Espírita:

“Todos os motivos para festas dignas são respeitáveis, entretanto, a caridade é a mais elevada de todas as razões para qualquer festa digna.

Ninguém há que não possa pagar pequena parcela para a realização dessa ou daquela empresa festiva, destinada à sustentação das boas obras.

Sempre que possível, além da sua quota de participação num ato festivo, com fins assistenciais, é importante que você coopere na venda de, pelos menos, cinco ingressos, no campo de seus amigos, a benefício do empreendimento.

Mesmo que não possa comparecer numa festa de caridade, não deixe de prestar a sua contribuição.

Festejar dignamente, em torno da fraternidade humana, para ajudar o próximo, é uma das mais belas formas de auxílio”.

(André Luiz e Chico Xavier, Livro “Sinal Verde”, Festas).

José Lucas disse...

Estas são opiniões de Paulo, Pedro e André Luiz, respeitáveis.
No entanto a doutrina dos Espíritos está codificada por Allan Kardec, onde os bons Espíritos recomendam dar de graça o que de graça se recebeu.
Manda o bom senso, e é óbvio, que um centro espírita seja mantido pelos espíritas que o fundaram bem como com a ajuda de outros "espíritas" que se juntem ao mesmo, por convicção.
O necessitado que está a aprender espiritismo ou a receber ajuda espiritual ainda não é espírita e como tal não deve ser cobrada a ajuda espiritual nem lhe ser solicitado apoio monetário, que será dado à guisa de "pagamento" pelo bem recebido pelos bons Espíritos.
Aliás isto é bem claro no texto... :-)

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