3.3.10

José Lucas - Jornal "A Voz de Cambra"



Voz de Cambra (V.C.): O que é o espiritismo?
José Lucas (J.L.):
O Espiritismo é uma ciência filosófica de consequências morais; como ciência investiga os factos espíritas; como filosofia explica-os, e como moral traça um roteiro moral para a humanidade, assente nos ensinamentos morais que Jesus de Nazaré deixou na Terra.

V.C: O espiritismo é, muitas vezes, associado a rituais e superstições. Então, o que não é o espiritismo?
J.L: O Espiritismo não é mais uma religião, nem mais uma seita; não tem nada a ver com bruxarias, magias, rituais, médiuns comerciantes que colocam anúncios em jornais, superstições, crendices. O Espiritismo (ou Doutrina Espírita) é um amplo movimento cultural.

V.C: O espiritismo é também visto, muitas vezes, como uma religião nova que está a difundir-se em Portugal e que veio do Brasil. É assim?
J.L: É completamente errado.
A Doutrina Espírita (conjunto de ideias que explicam a origem, natureza e destino dos Espíritos, bem como as relações existentes entre o mundo corpóreo e o mundo espiritual) apareceu em França (Paris) em 1857, com as pesquisas do eminente sábio (à época) Allan Kardec, pessoas respeitabilíssima na sociedade parisience.
O Espiritismo não é mais uma religião nem mais uma seita, mas uma doutrina que aumenta a espiritualidade do ser humano.
Muitos espíritas, nomeadamente no Brasil, confundem espiritualidade com religião, e fazem do espiritismo mais uma religião, o que é profundamente contra a essência do Espiritismo (estude-se as obras de Allan Kardec, "O que é o Espiritismo?" e outras).

V.C: Acha que a doutrina espírita é uma ideia bem aceite pelo povo português?
J.L: Cada vez mais.
Isso nota-se pela busca que as pessoas fazem pelo espiritismo, como doutrina que esclarece e consola, respondendo às perquirições mais íntimas que nos assolam: quem somos, de onde viemos, para onde vamos? Qual a causa de tantas dissemelhanças entre as pessoas e dissemelhança de oportunidades? Curiosamente duas classes que tradicionalmente se interessam muito pelo espiritismo são os professores e os médicos.

V.C: Como é que o espiritismo pode ser útil à sociedade?
J.L: O Espiritismo explica o porquê da vida, porque somos felizes, porque sofremos. As pessoas ao entenderem o porquê da vida, a lógica e profunda justiça de Deus, assente na lógica da reencarnação (hoje uma evidência científica adquirida), tornam-se mais calmas, mais fraternas, mais compreensivas, mais tolerantes. Entendendo o espiritismo, o racismo, xenofobia, diferenças de género e diferenças sociais, desaparecem, pois o homem entende que todo o homem é nosso irmão e está naquela condição temporariamente e que amanhã, noutra vida podemos ser nós a estar na mesma condição. Com o espiritismo aumenta a consciência ecológica, com profundo respeito pela Natureza. O Espiritismo é ainda o melhor e maior preservativo contra o suicídio, demonstrando a inutilidade deste acto, pois que a vida continua.
  
V.C: Com a crise que assola o país de várias formas, tem havido uma maior procura desta doutrina espírita?
J.L: Pensamos que não, pois acima da crise financeira, existe uma crise de valores.
O actual sistema social está esgotado, as pessoas estão cansadas de procurar em vão a felicidade no materialismo.
O Espiritismo apresenta a mensagem de Jesus de Nazaré, como única estratégia de paz possível, que podemos colocar em prática, já hoje, melhorando o nosso íntimo, e auxiliando os que nos cercam a serem melhores.
Com o Espiritismo a mensagem de Jesus é melhor entendida, sem os dogmas criados pelas várias igrejas, regressando assim à sua simplicidade inicial.

V.C: O espiritismo mostra a morte como uma passagem. Qual a vossa posição da vida para além da morte?
J.L: O Espiritismo demonstrou experimentalmente que a morte é uma quimera, o espiritismo matou a morte. Provou que a vida continua, através dos contactos com o mundo espiritual, por meio de médiuns. Todos esses factos estudados em 1857, estão agora a ser comprovados por cientistas (não espíritas) de vários países, demonstrando assim a imortalidade do Espírito. Poderá haver noção mais reconfortante?

V.C: Diz a doutrina espírita se baseia na comunicabilidade dos espíritos. Explique de que forma se processa e qual a experiência que mais o impressionou?
J.L: Isso daria para um curso básico de espiritismo, que as pessoas podem fazer gratuitamente através da Internet em www.adeportugal.org. Ninguém morre, continuando a viver no mundo espiritual com um corpo espiritual, energético, tão real como o nosso só que noutro estado da matéria. A comunicação espiritual dá-se mente a mente, em que o médium capta o pensamento e a mensagem do espírito (pessoa já falecida, mas tão viva quanto nós). O médium, pela concentração, capta a ideia que o espírito quer transmitir e transmite-a através da escrita, da fala, da vidência, da audiência, conforme seja o seu tipo de mediunidade (ou percepção extra-sensorial).
São inúmeras as experiências vivenciadas que atestam a imortalidade do espírito. Num dos casos que me recorde, um miúdo falecido com 13 anos, 7 anos mais tarde comunicou-se através de um médium numa reunião num centro espírita, pedindo para dizer à mãe que não se esquecesse da latinha. Não conhecíamos a família e aquilo nada nos dizia. Dado o recado à mãe, esta chorou de alegria, identificando de imediato tratar-se do filho, que na altura que faleceu num acidente de automóvel, usava um mealheiro em forma de lata de coca-cola onde ele metia as moedas que lhe davam, e chamava-a de latinha. Nenhum de nós conhecia a família, nem o caso, nem onde moravam, nada.

V.C: O que é a Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) e quem a constitui?
J.L:
É uma associação, que pretende divulgar correctamente a Doutrina Espírita, a nível nacional, auxiliando assim a informar as pessoas de que o espiritismo é cultura, nada tem a ver com crendices, com superstições, com médiuns charlatães que vivem à custa do sofrimento alheio. Repare que no próximo 17 e 18 de Abril vão decorrer as VII Jornadas de Cultura Espírita, em Óbidos, um evento ao nível nacional que tem esgotado sempre, onde temos tido a presença de médicos, psicólogos, investigadores entre outros.
Quem constitui a ADEP são cerca de 20 dirigentes espíritas a nível nacional, de Norte a Sul do país, que sentiram a necessidade de a constituir com esse fim. São professores, jornalistas, cientistas, empregados administrativos, médicos, técnicos, militares, entre outras profissões existentes na sociedade.

V.C: Que tipos de ajuda dá uma associação espírita?
J.L: Esclarece acerca da vida e esclarecendo consola.
Paralelamente ajuda ao nível espiritual, com a terapia espírita: estudo, oração, passe espírita (transmissão de fluídos energéticos), e desobsessão espiritual (intercâmbio com o mundo espiritual em benefício do necessitado)

V.C: Em Vale de Cambra está sedeado um centro espírita (Associação Cultural e Beneficente Mudança Interior. Que contributo tem dado à população?
J.L: Isso vai ter de questionar os dirigentes locais. Mas enquadra-se certamente no que respondi na pergunta anterior.

V.C: Quem são na realidade os espíritas e os médiuns? Qualquer pessoa o pode ser? Cobram dinheiro?
J.L: O espírita é o adepto da ideia espírita.
O médium é a pessoa portadora de mediunidade (percepção extra-sensorial).
Qualquer pessoa pode ser espírita, bastando para isso simpatizar com os seus princípios e querer aprender e estudar espiritismo.
Qualquer pessoa pode ser médium, já que em essência todos somos mais ou menos médiuns.
Ser médium não é sinónimo de ser espírita. Existem católicos que são médiuns, budistas que são médiuns, ateus, evangélicos, etc, etc, é da condição humana.
Existem médiuns que também são espíritas, e existem espíritas que não são médiuns.
Do que conheço o Espiritismo é a Doutrina que melhor utiliza a mediunidade, com rigor, com seriedade e com total desinteresse.
Um centro espírita jamais pode cobrar um cêntimo que seja pelas suas actividades, nem tão pouco aceitar dinheiro em troca, nem qualquer outro tipo de favores. É um crime de simonia (comércio das coisas de Deus). A prática espírita centra-se no amor ao próximo, desinteressadamente. Onde houver comércio, aceitação monetária, aí não está o espiritismo, de certeza absoluta.

(In Jornal “A Voz de Cambra”, de 25 de Fevereiro de 2010, Vale de Cambra, Portugal)

7 comentários:

Anónimo disse...

Olá

Já agora, mais uma dúvida para si, José Lucas:

Os espíritas que colaboram na reunião privada de obsessão não só crêem como sabem, por experiência própria, que os espíritos existem e se comunicam. Há algum problema ou desvantagem em falarem nessas suas experiências em público (sem comprometer a privacidade de ninguém, claro)?

Obrigado pela sua atenção

Um adepto de Jesus e Kardec

José Lucas disse...

Na minha opinião não só não há inconveniente, como é nosso dever divulgar casos que atestem a imortalidade do Espírito. Os casos devem ser gravados, estudados, pesquisados, comprovados e divulgados, estimulando outros e outros a fazerem o mesmo. Divulgar o Espiritismo é a maior caridade que podemos fazer: esclarece o Homem sobre quem é, de onde vem e para onde vai, e esclarecendo consola a humanidade.
José Lucas

Anónimo disse...

Conheço-o pessoalmente, e já assisti a várias palestras suas, bem como em vários programas de televisão, nomeadamente nos programas da Fátima Lopes, e em que fala de espiritismo e nas provas ciêntificas que são muitas e nas quais eu acredito, lanço um desafio ao José Lucas para escrever um livro abordando o tema das provas ciêntificas do qual é um profundo conheçedor tenho a certeza que seria um enorme êxito, bastaria divulga-lo no jornal de espiritismo e no programa da Fátima Lopes (jornalista que eu muito apreçio).
Eu próprio seria dos primeiros a adequiri-lo sem mais com os meus cumprimentos J.Lopes.

Anónimo disse...

Amigo José Lucas gostaria que responde-se há mensagem em cima publicada, tal como o amigo J.Lopes, eu também sou da opinião que deveria escrever um livro, já que é sem duvida das pessoas em Portugal, com mais conhecimento da doutrina Espirita, e conhecimentos ciêntificos da mesma. Sem mais e atenciosamente, Bruno Miguel!

José Lucas disse...

Caros companheiros
Muito obrigado pela sugestão amiga quem sabe um dia isso não acontece?
Pode ser que se tal for útil se consiga editar um livrinho com as melhores mensagens do poeta alegre.
Com amizade, reconhecido,
Lucas

MACATE disse...

Meu filho ( 21 anos ) disse ter acordado e logo a seguir lembrado de uma visita de um de um senhor que atendia por Dr. HANS(senhor de cor branca e cabelos brancos ). Gostaria de saber a respeito se existe algum espirito com esse nome.

José Lucas disse...

Caro amigo
Provavelmente deve haver muitas pessoas com esse nome.
Durante o sono, convivemos com muitas pessoas, e por vezes guardamos na memória consciente algo dessas vivências nocturnas.

Com amizade

José Lucas

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