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Divaldo Franco fala sobre o Espiritismo...


1 – Allan Kardec compilou a Doutrina Espírita há 160 anos. Pelo que conhece no mundo inteiro, a divulgação espírita está dentro do previsto pela espiritualidade?
Divaldo Franco – Quando Allan Kardec esteve entre nós, uma das suas primeiras preocupações foi dizer-nos que deveríamos divulgar o Espiritismo por todos os meios ao nosso alcance. Considerando-se, à época em que a doutrina veio a lume, no século XIX, a divulgação, na actualidade, está dentro dos melhores padrões da tecnologia, porque em toda a parte onde se forma um Centro Espírita, de imediato há um interesse muito grande pela sua divulgação.
Divulgação, porém, baseada na certeza da imortalidade da alma e da sua comunicação com a criatura humana.
Do ponto de vista filosófico, este é um dos passos mais audaciosos do pensamento, porque desta forma, o Espiritismo matou a morte.
Desaparecendo essa desintegração nuclear que constitui a criatura humana, nós temos agora a imortalidade como um grande desafio a conquistar.

2 – O Brasil é o maior país espírita do mundo, mas o facto de pelo menos metade dos espíritas fazerem do Espiritismo mais uma religião, em oposição ao sentir de Kardec – uma doutrina filosófica de consequências morais – universal e universalista, não prejudica a percepção, para quem está de fora, do que é realmente o Espiritismo?
DF – É uma questão interpretativa, porque Allan Kardec também disse que o Espiritismo também tem todos os fundamentos de todas as religiões, do ponto de vista filosófico, é uma religião.
Quando dizemos religião, logo nos vem à mente a tradição ortodoxa das teologias.
No entanto, podemos ampliar o termo, a religião de fulano, do ponto de vista profissional, a religiosidade do indivíduo, sem ter nada com Deus.
No Brasil, nós adoptámos a teoria de ciência, filosofia e doutrina moral, de efeitos religiosos, porque tem como base Deus, a comunicabilidade dos Espíritos, a reencarnação, e nos utilizamos de todos os recursos do verbo religar, que é voltar a ligar aquilo que foi separado, e nesse sentido, temos a oração.
Allan Kardec dedica um dos maiores capítulos de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” à oração. Portanto, os fundamentos religiosos estão perfeitamente exarados na própria codificação, nas 5 obras básicas, razão pela qual disse que, no Brasil, somos religiosos, do ponto de vista filosófico. Não temos culto, não temos sacerdócio organizado, não temos dogmas, e somente aceitamos aquilo que a lógica, o bom senso declaram, com fáceis e demonstradas pesquisas no laboratório de pesquisa, razão pela qual nós tivemos em Charles Richet, prémio Nobel da Fisiologia, uma das mais notáveis demonstrações de aceitação desses fenómenos, na carta que fez a uma das suas queridas amigas, afirmando que aquilo que ele pensava era verdade.

3 – No mundo, os espíritas reconhecem o tríplice aspecto da doutrina espírita – ciência, filosofia e moral – mas, na prática, os espíritas só falam na moral (quase sempre confundindo-a com religião). Isso não descaracteriza o Espiritismo? Com alterar este estado de coisas?
DF – Ocorre que a população brasileira é uma população ainda relativamente inculta. Nós temos apenas 500 anos de vida, quando me recordo que a Universidade de Viena tem 1.000 anos, e quando me recordo que éramos ainda animais na floresta e no entanto, em Coimbra, já havia uma Universidade.
É natural que a nossa preferência seja afectiva, porque não adianta sermos excelentes pesquisadores, confirmarmos a imortalidade, e não termos carácter. Não adianta filosofar e, no entanto, termos um comportamento que não condiz com a ética da filosofia.
A Filosofia, para nós, é a aplicação da ética-moral do quotidiano, porque a Humanidade se torna melhor, não pela lavra dos seus conhecimentos, mas através do seu comportamento.
Recordo-me que os EUA, hoje, apresentam o maior PIB do mundo, a comodidade, o conforto, os prémios Nobel, têm sido sempre reservados a notáveis artistas, inclusive desse país. Todavia, o índice de suicídios é alarmante, a droga, a degradação da família, a pobreza e miséria, 20 milhões de miseráveis nas ruas das grandes cidades.
Então, para nós, a ética-moral tem uma importância relevante, o que não nos deixa de cuidar da questão científica. Hoje, no mundo, no Brasil, nós temos na Universidade Federal de S. Paulo, pesquisas a respeito do cérebro, os estudos profundos da glândula pineal. Tivemos o maior investigador de reencarnação, Hernani Guimarães Andrade, que na palavra de Banerjee, realizou a maior catalogação de fenómenos reencarnatórios. Temos investigadores, na Sociedade de Medicina e Espiritismo, que se espalham pelo mundo e começaram no Brasil, uma técnica de busca fisiológica da mediunidade, explicações do ponto de vista fisio-psíquico e emocionalmente, em torno dessa peregrina faculdade que nos põe em contacto com a vida transcendental.

4 – Sendo da natureza Humana o corporativismo, não corre o Espiritismo o risco de ser mais uma organização religiosa, um papado ou outro tipo de instituição?
DF – Na vida física, tudo é viável.
Tudo é possível, no entanto o que temos demonstrado é exactamente o oposto.
No nosso caso, em especial, estamos na comunidade mais miserável do Estado da Bahia, e já atendemos 130.000 pessoas, que arrancámos das garras da miséria.
Educámos crianças abandonadas da rua, 684 como se fossem filhos biológicos, portanto, não temos aí um corporativismo, temos uma promoção da criatura humana, a sua cidadania, a sua dignidade. Este é o objectivo essencial do Espiritismo.
Quando Kardec nos fala da caridade, a palavra caridade, no entanto, está muito desgastada. Hoje poderíamos substituí-la por Humanismo, solidariedade, mas nós ainda preferimos a velha expressão do apóstolo Paulo, em Coríntios, quando ele aborda a questão da caridade, hoje traduzida pela expressão do Amor, em algumas igrejas de Jerusalém.
Dessa forma, não há nenhum risco, mesmo porque com os homens, sem os homens e apesar dos homens, o Espiritismo prosseguirá, palavras de Léon Denis.
Dessa maneira, a doutrina é dos Espíritos e não dos homens, e quando os indivíduos, pelo factor biológico, desencarnam, as suas ideias que não sejam prósperas, morrem com ele.
Quantas ideias passaram pela Terra e, no entanto, desapareceram com aqueles que as apresentaram.
Percorro o Brasil há 70 anos, conheço praticamente 2.000 cidades, e posso afirmar que não há o menor risco de corporativismo, porque o Espiritismo é uma doutrina de liberdade, cada um de nós vive no seu nível de consciência.

5 – Na opinião dos Espíritos, para quando se prevê o aparecimento de um equipamento que detecte o perispírito, o que seria uma antecâmara da assumpção da imortalidade?
DF – Por enquanto ainda não há o interesse desse tipo de provas.
Quando, na actualidade, se procuram provas através da mediunidade denominada de cura, nas investigações através de aparelhos mais raros e especiais da tecnologia, a imortalidade da alma, para nós o interesse é secundário, porque já foi demonstrado. Allan Kardec e toda uma elite de cientistas do século XIX e XX, demonstraram em laboratório a sua realidade. O mais fascinante, é notarmos que essa demonstração não deve partir de nós, por causa do interesse, mas partir dos cientistas.
Quando verificamos que investigadores em diferentes áreas como há pouco, foram publicadas obras em Harvard, demonstrando que a alma sobrevive ao corpo, em várias partes da Inglaterra, dos EUA, da Suécia, da Noruega, da Alemanha, vêm a público declarar a sua crença em Deus.
Em lembro-me, por exemplo, do astrofísico inglês Sir James Jeans, que em 1966 já declarava a sua crença na imortalidade da alma. Também me recordo, quando ele teve ocasião de dizer que, antes, os cientistas pensavam que o Universo era uma máquina, hoje, é base da ciência que o Universo é um Ser, um Ser que respira, que se distende, que se contrai.
Naturalmente há as bolsas do materialismo, daqueles que se comprazem em negar o que muitas vezes nunca estudaram.

6 – No futuro, o Espiritismo será mais um modelo de seita religiosa ou uma força cultural esclarecida, a exemplo do trabalho que Kardec fez em meados do século XIX?
DF – Allan Kardec foi um pensador ímpar, com o seu carácter de cientista, porque teve a coragem de enfrentar esse mundo desconhecido, como se ele tivesse descoberto o microscópio das partículas menores, ou o telescópio para as grandes partículas, ele utilizou-se da mediunidade, uma faculdade inerente da criatura humana, desde o primata hominídeo, para poder demonstrar a sobrevivência da alma.
Teve um cuidado rigoroso ao fazer as suas observações, havendo escrito, ipsis líterisO Espiritismo marcha ao lado da ciência, mas não se detém onde a ciência pára. Quando a ciência provar que estamos errados num ponto, abandonaremos esse ponto e seguiremos a ciência“.
Até hoje, quando a Física de Newton, a chamada Física linear, foi colocada naturalmente em plano secundário perante a Física das probabilidades, nós vemos que, diariamente, a Física penetra no campo da energia, confirmando em essência a Doutrina Espírita.
Se passarmos à análise da Química molecular, e penetrarmos nas áreas profundas da moderna psicologia, entre os anos de 1975 e 1977, na Califórnia, em Big Sur, uma equipe de psiquiatras, psicólogos e fisiologistas, radiologistas, patrocinados por um eminente estudioso checoslovaco, na sua época, hoje Checo, constactaram a imortalidade da alma, utilizando-se das mesmas ferramentas e de aparelhos ultra-sensíveis, para poderem criar a Psicologia Transpessoal, que acredita nos fundamentos básicos do Espiritismo.
Neste momento, um jovem psicólogo, o Dr. Júlio Peres, tem levado médiuns a universidades americanas, para pesquisas da faculdade, em estados alterados de consciência.
Depois que grandes aparelhos, em São Diego, levaram o indivíduo a conquistar a consciência cósmica, através da doutora e pesquisadora Dhana Zoar, nós verificamos que estamos a um passo de constactar, através dos que vêm de fora, a imortalidade, enquanto nós damos os equipamentos para a comprovação da mediunidade.
Quando estudiosos da NASA estiveram em Uberaba, para examinarem cientificamente Chico Xavier, levaram detectores vibratórios da aura e, constactaram que todos nós temos em média uma irradiação de 2 cm. Chico Xavier era portador da irradiação de 25 metros de distância.
O médium José Arigó, conseguia realizar dezenas de cirurgias graves por dia, sem anestesia, sem nenhuma precaução de natureza infeciosa, muitas vezes de olhos fechados e vendados, utilizando-se de uma faca infectada e, os casos eram imediatamente constactados, porque se dava a hemóstase, não havia infecção, havia naturalmente a cicatrização em menos de 3 minutos, provando a imortalidade da alma.

7 – Muitos espíritas questionam em todo o mundo, a posição de Jesus, dentro do Espiritismo. Os Espíritos referiram Jesus como o Espírito mais evoluído que já tinha estado à face da Terra. Mais tarde, Emmanuel, no livro “A Caminho da Luz” transformou-o no governador espiritual da Terra, não havendo, neste caso a universalidade dos ensinos dos Espíritos. Como ver esta questão?
DF – A frase está em “O Livro dos Espíritos”, questão 625, pergunta “Qual o ser mais elevado que nos serve de modelo e guia?” e a resposta: “Jesus”.
Depois encontramos em Léon Denis, que é o pioneiro da frase de que Jesus é o construtor e o governador do nosso orbe.
Emmanuel, pela autoridade que exerceu durante mais de 70 anos, através do médium mais potente da História, adopta este pensamento e, é um direito.
O Espiritismo não nos castra, não tem um corpo ortodoxo a que deveremos obedecer, não há um chefe que nos diga o que fazer.
A opinião de Emmanuel é respeitável, eu pessoalmente, adiro “in totum”.
Conhecendo o trabalho de Emmanuel, e conhecendo a sua autoridade, acredito que sendo Jesus o ser mais elevado que Deus nos ofereceu para ser modelo e guia, seja o guia espiritual da Terra, como consequência, seja o “governador” do nosso planeta.


Entrevista concedida à ADEP, em Calpe,
XXIII Congresso Espírita Nacional (Espanha)

em 4 de Dezembro de 2016

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A Nau interior...

A Nau parece
querer naufragar,
mas, tu não páres
nunca, de remar…

Loucos te dirão
para desistir.
Mas, com convicção,
remarás até ao porvir.

Outros te apelam,
p’rá Nau abandonar.
Mas, seguindo o roteiro,
continuas a remar…

No meio da tempestade,
não ouças a multidão,
que te dirá não valer a pena,
agir como bom cidadão.

Tempo de tormenta,
é tempo de avaliação,
para vermos o que vale,
o nosso coração.

Segue adiante,
porfiando na rectidão,
servindo sem questionar,
de onde é o teu irmão.

Prossegue exemplificando,
como Jesus de Nazaré.
Ama, serve, perdoa,
mesmo ao que te pisa o pé.

Tua luz, teu tesouro,
é produto interior,
que mostrará no Além,
o nível do teu Amor.

Só com Amor
e muita convicção,
se superam estes tempos,
tempos d’expiação!


Poeta alegre

Psicografia de JC na reunião mediúnica do Centro de Cultura Espírita, Caldas da Rainha, Portugal, em 27 de Outubro de 2016.

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A pior fotografia do mundo...


Todos os anos existem vários prémios de melhor fotografia do mundo, que geralmente aliam a arte à beleza, entre outros parâmetros, intrínsecos a cada concurso. Um dos concursos mais conhecidos é o “World Press Photo” que este ano escolheu como a “melhor fotografia do ano”, a que captou o grito de Mevlüt Mert Altintas, o homem que disparou contra o embaixador russo na Turquia.

Ao ler a notícia e sendo um apaixonado pela fotografia e pela Natureza, senti-me desconfortável, algo não estava bem.
Remexi-me na cadeira, fiquei inquieto, voltei a ler.
Lá estava o louco, de arma em punho, um corpo morto no chão, e o título de “melhor fotografia do ano”.
Não, algo não está bem, era suposto sentir admiração pela arte de fotografar, pelo objecto fotografado, pela qualidade e não foi isso que aconteceu.
Senti incómodo… senti-me incomodado…!!!
Quando o mundo inteiro rebenta pelas costuras com tanta violência, quando tantos jornalistas morrem em situações de combate ou de violência, são os próprios jornalistas que escolhem com a “melhor do mundo” aquilo que mais jornalistas mata: a violência!
Algo não está bem…
Pode-se argumentar com o que se quiser, com a calma, o sangue-frio do fotógrafo, o risco, seja lá o que for, nada justifica que uma foto que incita à violência seja escolhida como a “melhor” do mundo.

Como mudar o mundo se as músicas tiverem letras agressivas, chulas e / ou violentas?
Como mudar o mundo se a 7ª arte tiver o seu êxito baseado na violência?
Como mudar o mundo quando a TV tem níveis de audiência enormes graças ao escândalo, ao sensacionalismo?
Como mudar o mundo quando os jornais, sem qualidade ortográfica nem de conteúdo, esforçam-se por vender crimes hediondos?
Como mudar o mundo quando pensamos que a melhor notícia é a que fere mais a sensibilidade humana, pela negativa?
Como mudar o mundo quando os líderes políticos esforçam-se por se denegrirem mutuamente, o mais possível, em busca de votos?
Como mudar o mundo quando a foto de um assassinato é a “melhor” do mundo?
Como mudar o mundo se não mudamos nós mesmos?

A Doutrina dos Espíritos (ou Espiritismo), que não é mais uma seita ou religião, mas sim uma filosofia de vida, vem mostrar-nos quem somos, de onde viemos e para onde vamos, ao longo dos milénios, provando a imortalidade do Espírito, a reencarnação, e a Lei de Causa e Efeito.

Não há um caminho para a paz, a Paz é o caminho!
(Mohandas Gandhi)

Nesse sentido, o Espiritismo é o maior preservativo contra o suicídio, o aborto, a eutanásia e toda a forma de violência, seja de que tipo for.
Aprendemos com a doutrina dos Espíritos, que somos o produto do que fomos ontem (ao longo dos milénios, nas sucessivas reencarnações) e que seremos na próxima existência física, o que somarmos nesta vida carnal.
Como nos damos ao luxo de exigir paz se promovemos a guerra, o ódio, a violência, mesmo que sob a capa da “arte”?
Jesus de Nazaré, o Espírito que serve de modelo e guia para a Humanidade, na opinião dos Espíritos superiores, deixou ensinamentos simples, mas eficazes, sendo um deles que, a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.
Por muito mérito que o referido fotojornalista tenha, deixem-me que considere a sua fotografia a “pior” do ano, sem sombra de dúvida…
E nós, que fazemos diariamente pela paz, ao nível do pensamento, dos sentimentos, das atitudes?
Se queremos um mundo melhor, temos de ser melhores, ter melhores gostos, ter melhores atitudes, fazermos pedagogia pela paz em tudo o que falamos, obramos, escrevemos, no nosso quotidiano.
Parafraseando Mohandas Gandhi, não existe um caminho para a paz…
A Paz… é o caminho! 

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José, o suicida...

Suicídio é loucura,
de quem perdeu a fé,
foi o que aconteceu,
c’o meu vizinho José.

Andava ele na terra,
lavrando-a p'rá colheita,
quando, de repente,
sentiu-se pior da maleita.

Carregava problema
grave no coração,
mesmo avisado p’lo médico,
ele não tinha paração…

De tanto trabalhar,
sem o médico ouvir,
piorou da doença,
e ficou a “dormir”.

Ainda não morreu,
foi logo socorrido,
mas, na sua ideia,
mais valia ter morrido.

Acamado, mês após mês,
entrou em revolta,
ao ver um amigo,
com sua esposa à volta.

Que vergonha ser cornudo,
sem me poder defender,
não suporto tal humilhação,
vou mas é morrer…

E, foi assim,
com falta de fé,
que, com veneno,
desencarnou o José.

Em grande aflição,
depois de muito penar,
encontrou ser bondoso,
que o convidou a orar.

Apaziguado um pouco,
percebeu o erro efectuado,
pois, estava previsto
morrer em breve, enfartado.

Quando soube da história
do José, o suicida,
pedi licença pr’a divulgar
a mesma, na vossa vida.

Um pouco recuperado,
pediu para vos informar,
que não há erro pior,
do que alguém se matar…

Termino aqui
a minha missão,
ao deixar-vos,
esta triste lição.

Doa o que doer,
custe o que custar,
nunca desanimes na Vida,
Deus sempre vai amparar.

Poeta alegre
Psicografia de JC, recebida na reunião mediúnica do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha, Portugal, em 31 de Janeiro de 2017

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Esperança e Queixume...

D. Esperança, sorridente,
visitou o Sr. Queixume.
Como vai, amigo?
Porquê esse azedume?

Sabe lá a senhora,
o que é o meu viver,
com estas dores no corpo,
mais me valia morrer.

Não diga isso, homem,
que é uma heresia.
Tanta gente está pior,
e dá louvores ao dia.

Oh, D. Esperança,
a esperança não existe,
para quem, velho como eu,
tem este fim triste.

Não fale assim, Sr. Queixume,
a senectude é oportunidade,
de meditar com mais calma,
acerca da eternidade…

Mas com estas dores,
e com tão pouco dinheiro,
que faz um pobre velho,
sem tostão no mealheiro?

Não se lamente, Sr. Queixume,
milhões estão bem pior…
Dê graças a Deus,
e espere que tudo melhore.

Mas, Queixume, renitente,
só pensava no mal.
Pessimista, por natureza,
perdia o ar jovial…

D. Esperança, mais idosa,
parecia ter menos idade,
pois o pensamento positivo
traz muita jovialidade.

Ser Esperança ou Queixume,
é escolha a fazer,
mas, depois, não te queixes,
se tiveres mal escolher…


Poeta alegre 

Psicografia de JC, em Óbidos, Portugal, em 19 de Janeiro de 2017

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Ciência e Paciência...

O Homem busca
Na Terra,
Muita ciência,
Mas não tem paciência.

O Homem vive
Na fartura ou indigência
Mas de pouco vale
Sem ter paciência

O Homem procura
Viver com decência
Mas isso é pouco
Se não tem paciência

O Homem pode
Ter muita valência
Mas a mais difícil
É ter paciência

A paciência
É a prova final
Dos estudos em curso
Na escola carnal

Procura, pois,
Estimular a paciência
E perante a adversidade
Treina essa “ciência”

Ciência sem paciência
É como espiritualidade sem fé
Não condiz uma com a outra
Não te mantém de pé….

Poeta alegre

Psicografia de JC, na reunião mediúnica no CCE, Caldas da Rainha, Portugal, em 10 Janeiro 2017

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Terra, mundo de regeneração...


A Terra move-se
na imensidão,
a mudar p’ra mundo
de regeneração.

Mas, esse processo
é um pouco demorado.
Começou há tempos,
e não está terminado.

Projecto de mudança,
para o 3º milénio.
Reencarnar na Terra,
será valioso prémio.

Até a Terra ser
mundo de regeneração,
ainda vai passar
por muita aflição.

Convulsões telúricas
e outras sociais,
trarão dores,
vistas jamais…

Mas, Deus é Amor.
protege Sua criação.
Não vos apoquenteis,
com a Lei de Destruição.

Cada um passará,
o que for necessário.
Prossigam vivendo,
Saiam do “armário”.

Chegou a hora,
de testemunhar.
Se és espírita,
confia, sem vergar.

É tempo de colocar,
o espiritismo em acção.
Correcção, honestidade,
não mais corrupção!

Mas, depois,
virá a bonança,
que auxiliará,
os sem-esperança.

Se divisasses a luz,
que aí vem…
nunca temerias,
a morte d’alguém.

Eis a Terra renascida,
a Terra do Evangelho.
Ergue-se nova Vida,
sobre o mundo velho.

Poeta alegre
Psicografia recebida por JC na reunião mediúnica no CCE, C. Rainha, Portugal, em 20 de Dezembro de 2016

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Optimismo...

Optimismo é atitude,
para todos desejável.
Tens de o semear,
p’ra teres vida saudável.

O optimismo ajuda,
a ver o bem no mal,
a acalmar o coração,
durante o vendaval.

O optimismo é caminho,
p’ra entender o desgraçado,
que por tudo e por nada
te ataca, desvairado.

O optimismo trás saúde,
ao campo celular,
até fica mais jovem,
quem o otimismo semear.

Com optimismo,
é mais fácil Amar,
pois em tudo,
conseguimos desdramatizar.


Poeta alegre

Psicografia recebida por JC na reunião mediúnica de 29 de Setembro de 2015, no CCE de Caldas da Rainha, Portugal

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Aleppo: eu não sou ocidental...



Aleppo, cidade mártir da Síria, ficará na História como uma das maiores vergonhas da Humanidade, no início do século XXI.
500 mil pessoas mortas, em 5 anos, (dados de Dez de 2016) numa guerra civil alimentada pelos “Senhores da Guerra” de todo o mundo.
Quem está “bem”, em “paz e sossego”, assobia para o lado, fingindo não ver.
Aquando dos atentados terroristas em Paris, em Novembro de 2015, morreram mais de 100 pessoas, e os dirigentes de todo o mundo desfilaram, de braço dado, em plena capital francesa, numa união contra o terror.
Em 3 de Janeiro de 2015, na Nigéria, o grupo terrorista Boko Haram - o mesmo grupo que sequestrou centenas de meninas de uma escola nigeriana - atacou o vilarejo de Baga e pode ter matado de 150 até 2 mil pessoas, além de atear fogo em toda a cidade.
Nem no caso africano, nem no Sírio, vimos tanto empenho como em Paris (nas ruas, nos jornais, nas redes sociais) por parte dos ocidentais, consternados e “unidos” em torno de um massacre de mais de 100 pessoas, em França.
Não estamos a falar de números, estamos a falar de pessoas, estamos a falar de hipocrisia humana, de egoísmo de alto nível, de falta de ética, falta de moral, falta de princípios de toda a ordem.
O Ocidente “civilizado” revolta-se contra os “seus” mortos, e esquece os mortos de outros países.
O Ocidente esquece-se que viajamos todos dentro e um grande avião chamado Terra, com 7,4 mil milhões de passageiros, e não se apercebe da suprema estupidez que é haver guerras dentro de um avião, entre passageiros de classe executiva e classe económica.

O egoísmo é a causa de todos os males.
Fazer ao próximo o que desejaríamos para nós, eis a solução
preconizada por Jesus de Nazaré, há 2 mil anos

Allan Kardec, o eminente sábio francês que compilou a Doutrina dos Espíritos (ou Espiritismo), perguntou aos Espíritos, na questão 913, em “O Livro dos Espíritos”, de entre os vícios, qual o pior deles todos. Os Espíritos superiores responderam:
 “Temo-lo dito muitas vezes: o egoísmo. Daí deriva todo mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo… Ele neutraliza todas as outras qualidades.”
Quem viajasse num avião com 300 pessoas, e ignorasse os desacatos ocorridos na parte de trás do mesmo, pensando estar a salvo na classe executiva, demostraria não só um alto grau de egoísmo, como uma enorme estupidez, insensatez e loucura.
Nós, ocidentais, viajamos em classe executiva, neste grande avião Terra, que voa a cerca de 107.000 Km/h em volta do Sol, e somente por pouca evolução espiritual, tremendo egoísmo, enorme insensibilidade e indiferença, preocupamo-nos com o nosso bem-estar e o do nosso vizinho, sem cogitar das necessidades alheias, de quem pode menos do que nós, de quem precisa mais do que nós.
O Espiritismo demonstra que somos Espíritos imortais, que a Vida continua e que a reencarnação é uma realidade, onde cada um colhe hoje o que semeou em outras vidas, de bom e de mal.
É urgente divulgar o Espiritismo, para que as pessoas se tornem espiritualistas, entendam o porquê da vida, quem somos, de onde viemos e para onde vamos, bem como que, fora da caridade não há salvação, isto é, a fraternidade é o único caminho que nos leva ao bem-estar interior e à paz social.
Eu sou passageiro do avião Terra, colocaram-me em executiva à nascença, na fila Portugal, mas não me conformo com a mortandade lá atrás, apesar dos “tripulantes de bordo” me dizerem que esteja quieto, que está tudo bem.
Na Terra, ninguém tem nacionalidade, somos todos vizinhos, nesta aldeia global, e amanhã, pelo fenómeno natural (e comprovado cientificamente) da reencarnação poderemos reencarnar noutro país qualquer, desde que isso seja útil para a nossa evolução moral e intelectual.
Desculpem-me, mas, neste voo, eu não sou ocidental, sou apenas um viajante, temporariamente em executiva.
É preciso fazer a paz… dentro e fora de nós!


15 de Dezembro de 2016



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XXIII CONRESSO ESPÍRITA EM ESPANHA


Teve lugar o XXIII Congresso Espírita Nacional, em Calpe, perto de Alicante, Espanha, nos dias 4, 5 e 6 de Dezembro de 2016, onde se encontraram espíritas espanhóis, portugueses, brasileiros, paraguaios, equatorianos, entre outros países. O tema central foi “Os mensageiros espirituais”.

A Federação Espírita Espanhola (FEE) levou a cabo o XXIII Congresso Espírita Nacional. Numa organização bem elaborada, o congresso realizou-se no Hotel Diamante Beach, que estava praticamente cheio, apenas com espíritas. Esta aposta, facilitou muito a dinâmica dos congressistas, que estando alojados no mesmo espaço do evento, facilmente se deslocavam dentro do Hotel.
O programa era variado e interessante, tendo como cabeça de cartaz Divaldo Pereira Franco, o maior conferencista espírita do mundo que, nos seus 89 anos de idade não regateou esforços para, da América Latina onde fazia um périplo, rumar a Espanha, onde, antes do Congresso, teve oportunidade de efectuar várias conferências espíritas, em várias cidades espanholas.
Depois da sessão de abertura e das boas vindas por parte do presidente da FEE, Esteban Zaragoza, Divaldo Pereira Franco efectuou a conferência de abertura, em torno das cinco características do ser humano: a personalidade, a identificação, o conhecimento, o despertar de consciência e a individualidade.

Falando dos vários mensageiros espirituais que a Humanidade tem tido, no seu bosquejo histórico deteve-se em Jesus de Nazaré, como modelo e guia para a Humanidade. Terminou recordando que ao espírita, compete o trabalho responsável da renovação social, por meio da transformação moral, de modo a construir um novo conceito de vida e felicidade, com base na fidelidade doutrinária e no sentimento de gratidão, tendo enchido a alma dos presentes ao terminar com um poema de Amélia Rodrigues.
Seguiram-se os temas “A alma depois da morte”, “Mensageiros do outro lado da vida através dos sonhos”, “Laicidade e evangelho” e debate.
Na 2ª feira, dia 5 de Dezembro, o tema “Conhece-te a ti mesmo” iniciou o dia, seguindo-se “Os mensageiros espirituais na Bíblia”, “A esperança e o consolo de saber viver”, “Cartas do mais além”, “Relação do pensamento e a vida”, “Os mensageiros da codificação do Espiritismo” e “Relações de além tumba na mesa mediúnica, seguindo-se um debate, após o jantar.

Na 3ª feira, dia 6, seria a parte final do Congresso, com um espaço criativo sobre infância, juventude e família, seguindo-se uma notável palestra de Divaldo Franco que, muito inspirado, abordou a mensagem de Jesus na Humanidade, prendendo todos os presentes que enchiam o salão do congresso, com o seu verbo consolador.
Posteriormente, decorreu a sessão de encerramento, terminando pelas 12h00.
Com uma boa livraria disponível, este congresso deixou um ambiente agradável, de convívio entre todos, facilitado pelo facto de todos estarem hospedados no mesmo local.
Pensamos que o desiderato “Espíritas amai-vos, espíritas instruí-vos” foi alcançado, tendo ficado a perspectiva de um novo encontro para o próximo ano.
Poderá ver as conferências em www.youtube.com/user/federacionespirita

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Ser Pai...

Jacinto, taciturno,
vivia triste,
ao ver os filhos,
de “pé em riste”.

Por tudo e por nada,
andavam em luta,
e o pai, compassivo,
acalmava a disputa.

Muito sofreu o pai,
com os filhos desvairados,
mas, sabia que um dia,
eles iriam ser aliados.

Faltavam as tribulações,
do quotidiano,
as dores, as maleitas,
as faltas de ânimo…

Com o amadurecer,
foram envelhecendo,
mas o ódio, a raiva, 
por dentro ia “comendo”. 
  
Dores e mais dores,
foram a salvação,
precisando uns dos outros,
tiveram de dar a mão.

Se esse pai terreno,
foi assim compassivo,
imagina como será,
o Pai celeste, eterno Amigo…

Também Ele espera,
que nos cansemos da guerra,
para depois pazear,
a nossa querida Terra.

Poeta alegre 
Psicografia recebida por JC, em Óbidos, Portugal, em 24-11-2016



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Ter razão...


Querer ter razão,
é obsessão,
daquele que quer
forçar a sua opinião.

Aqui é o patrão,
que no seu “poder”,
aplica a sua “razão”,
sobre homem ou mulher.

Ali é o marido,
cheio de “autoridade”,
impondo a sua razão,
mesmo com leviandade.

Acolá é a esposa,
ensinada a mandar,
forçando a sua razão,
criando mal-estar.

Nas lutas políticas,
cada cabeça, sua razão,
E nem sequer cogitam,
d’analisar outra opinião.

Querer ter razão,
é um drama,
trás muita dor,
mesmo ao que se ama.

Quem evoluiu,
na espiritualidade,
em vez da razão,
busca a amizade.

A razão é opinião,
que, como o vento,
muda sempre
que muda o tempo.

Se a razão
é passageira,
porquê tanta guerra,
por essa “bandeira”?

O ser humano foi feito
para ser amado.
Quanto à opinião,
cada um vê o seu lado.

Quando quiseres,
ter razão,
repara que ser feliz,
é a melhor opção.

Poeta alegre
Psicografia recebida por JC, em Óbidos – Portugal, em 06-10-2016