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Divaldo Franco: a crise e a transição planetária (parte 1 de 2)


Passou em Portugal em Setembro de 2012 aquele que é considerado por muitos como o maior orador espírita da actualidade: Divaldo Pereira Franco. Figura de destaque a nível mundial, seja no meio espírita, seja fora dele, é reconhecido como o maior divulgador da Doutrina Espírita. Há mais de 60 anos ao serviço do próximo, fazem dele um foco de atenção, mesmo por parte dos cépticos. Tem conferenciado em todo o mundo, gratuitamente, com mais de 13.000 conferências em mais de 2000 cidades no Brasil e em 63 países. A sua cultura, o seu saber, bem como a sua mediunidade (tem mais de 200 livros, com mais de 7,5 milhões de exemplares, com 211 autores espirituais - ditados pelos espíritos - cujas receitas revertem integralmente para auxiliar os meninos da rua) são os cartões de visita, que lhe granjeiam respeito e credibilidade. Existem cerca de 80 versões para 16 idiomas dessas obras mediúnicas, cuja venda reverte a favor de uma obra social, de caridade, "A Mansão do Caminho, fundada em 1952, instituição que acolhe e educa crianças, sob o regime de lares substitutos, que hoje é um complexo educacional que atende três mil crianças e jovens de famílias carenciadas, por dia. Divaldo tem mais de 600 filhos adotivos e mais de 200 netos. O seu trabalho em prol da paz mundial tem-no distinguido no Brasil e no exterior, tendo palestrado por 3 vezes na ONU, sendo Doutor Honoris Cause por 3 Universidades (incluindo a Sorbonne), bem como Embaixador Mundial para a Paz, por uma organização Suiça. Em entrevista que nos concedeu, aborda questões cruciais.

Perante os conflitos sociais em Portugal e no mundo, com os povos subjugados por grupos financeiros internacionais, que se servem de governos corruptos, é lícito ao espírita integrar manifestações de repúdio, em busca de uma nova ordem nacional e internacional, ou deve abster-se, esperando que tudo se resolva conforme a vontade de Deus? Qual o limite?
Divaldo Franco  –  O espírita é, antes de tudo, um cidadão com deveres e direitos na sociedade.
É perfeitamente lícito que repudie todos e quaisquer movimentos de intolerância, de arbitrariedade, de abuso do poder.
Naturalmente, se as manifestações de repúdio têm um carácter pacífico e o ideal é nobre, não derrapando em propostas belicosos de filosofias perturbadoras, o espírita tem o direito e mesmo o dever de contribuir para que seja revertido o quadro de dominação, em benefício do desenvolvimento e progresso da sociedade.
Jesus foi muito claro ao responder à questão que lhe foi proposta sobre se era lícito pagar-se os impostos ante os compromissos com a Divindade, conforme exarado no Evangelho: Dai a César o que pertence a César e a Deus o que pertence a Deus.
Poderemos estender o conceito às leis injustas e aos comportamentos censuráveis, que devem ser enfrentados conforme se apresentem, embora sem o uso das armas covardes de que são portadores...
O silêncio ante a injustiça é covardia moral e anuência ao crime.

A Europa está envelhecida e sem gente. Estima-se que Portugal em breve passe dos 12 para os 9 milhões, e que em 2030 haja um trabalhador para um idoso. Como é que que se vai resolver esse problema que é extensível ao resto da Europa: pela emigração de africanos e árabes para a Europa, havendo assim uma miscigenação de raças? Podemos dizer que, no futuro, seremos quase todos mulatos ou mestiços na Europa? A realizar-se essa mistura, não haverá uma guerra religiosa entre cristãos e muçulmanos, como já vai existindo um pouco por todo o lado?
Divaldo Franco  –  O tema, pela sua complexidade e atemporalidade, escapa-me a uma apreciação, porque eu teria que entrar no mundo subjectivo da adivinhação, das probabilidades... Nada obstante, a Divindade dispõe de mecanismos que solucionam os problemas em que nos escapam as soluções e, repentinamente, o próprio progresso, nos mecanismos da tecnologia e de novas descobertas nas diversas áreas do conhecimento, encarregar-se-á de apresentar caminhos e comportamentos antes não vislumbrados.

Consta que Emanuel teria mostrado a Chico Xavier um velhinho quase paralisado numa cadeira de rodas, simbolizando a Europa do futuro.
Nostradamus nas suas profecias, falava da 3ª guerra mundial que seria provocada pelo homem do turbante. Poderemos ver esta profecia no contencioso entre o Irão que pretende ser potência nuclear e Israel? Havendo uma guerra nuclear táctica, regional, haverá fuga em massa para o Brasil, como algumas fontes preconizam que Chico tenha previsto essa possibilidade?
Divaldo Franco  –  Depois da morte do venerando apóstolo da mediunidade Chico Xavier, colocam-se muitas palavras e conceitos na sua boca, não mais estando ele entre nós fisicamente para desmentir.
A fantasia é um arquétipo que atormenta a alma humana. Necessitando de mecanismos de fuga, o ego apela a conceitos imaginários e derrapa nas mentiras desnecessárias.
Confesso que desconheço essa afirmação em referência, atribuída a Chico Xavier.
Como nunca li as profecias de Nostradamus com a profundidade que merecem, não me atrevo a confirmar ou a negar a interrogação em torno de uma possível guerra nuclear entre o Irão e Israel.
Toda a profecia sofre o efeito de cada época que a interpreta, e as de Nostradamus têm sido férteis em conclusões, depois consideradas pelos ditos “especialistas”, como inconsistentes e ilegítimas.
Desse modo, qualquer conceito de minha parte em torno do tema, seria mais uma proposta sem apoio científico.
E quanto ao último item, em torno das fugas em massa para o Brasil, também penso que não procedem, consideradas à luz da lógica e da razão. Deus não tem país privilegiado, e nação alguma pode erguer-se para considerar-se eleita para esta ou aquela finalidade.

Estando as elites que nos governam, supostamente na casa dos 40 a 50 anos de idade, isto significa que uma eventual rede mafiosa-financeira que governa o mundo se manterá pelo menos mais 20 ou 30 anos enquanto se mantiverem no poder, a nível mundial?
Divaldo Franco  – Toda e qualquer conjuntura em torno das mudanças no planeta, especialmente na área das finanças, está sujeita a alterações na realidade, quando passado o tempo.
Ninguém esperava, há poucos anos, a derrocada do dólar e do euro, nos respectivos universos comerciais. E vieram as problemáticas que ameaçam a estabilidade financeira da América do Norte e da Europa, espraiando-se por todo o mundo depois.
Todavia, é claro, dentro de duas ou mais décadas, os dominadores de hoje estarão no declínio da existência com os seus problemas inevitáveis ou já desencarnados.
O importante não é que eles desapareçam, mas que surjam mentes novas e ricas de sabedoria para solucionarem o drama da actualidade e construírem o futuro dentro dos padrões da justiça social e da harmonia entre os povos.
Não sendo assim, sair-se-á de um tipo de arbitrariedade financeira para outra, aliás, como vem ocorrendo...

Joanna de Ângelis em 2006 enviou a mensagem "Grande Transição" por seu intermédio preconizando transformações sociais e geológicas inimagináveis. Isso significa que o pior está para vir ou o "inimaginável já veio? Essa transição que Joanna fala vai até 2015, 2020, 2025? Quando começará uma época de maior paz?
É verdade que Chico Xavier preconizou a data de 2019, conforme se ventila em alguns meios espíritas? Que lhe dizem os espíritos acerca disso?
Divaldo Franco  –  Quando a benfeitora abordou o tema da transição planetária, previa os denominados desastres naturais e outros de natureza humana, que se multiplicariam, como têm ocorrido.
Segundo a mesma, ainda não alcançamos o clímax da grande transição, o que nos leva a crer em novas e colectivas dores, necessárias ao expurgo do mal na Terra, mas não posso imaginar quais as suas causas e como se apresentariam.
Os Espíritos nobres nunca estabelecem datas, fixando acontecimentos, porque seria propor uma fatalidade inamovível, o que fere a lei de causa e efeito, em razão da liberdade de consciência das criaturas, o livre-arbítrio, a mudança de atitude moral e mental, que sempre afectam essas ocorrências, alterando-as, diluindo-as ou até mesmo eliminando-as... Entretanto, há uma quase unanimidade entre os benfeitores que por mim se comunicam, informando que a partir dos próximos anos 20 veremos formosos sinais de paz e de renovação.
Quanto a essa informação atribuída a Chico Xavier, nada posso dizer, porque ele jamais a expressou diante de mim, ou de outras pessoas do seu relacionamento, pelo menos, que eu saiba, talvez, o haja feito a alguma excepção...

Os cientistas confirmam para breve uma tempestade solar cujo impacto sobre os satélites é desconhecido (e consecutivamente sobre a vida humana).
Poderá ser essa uma causa de desencarnações em massa, tipo "limpeza" do planeta, já que a possível afectação dos satélites comprometeria o modus vivendi no planeta Terra, perigosamente dependente da informática (centrais nucleares, abastecimento de gás para aquecimento das populações, fábricas, gps, etc...)?
Divaldo Franco  –  Sem a menor sombra de dúvida, as ocorrências solares afectam significativamente o planeta terrestre. Segundo alguns astrónomos, por exemplo, nos dias 5 de Outubro e 25 do mesmo mês no ano de 2005, as manchas solares, resultado das explosões nucleares no astro-rei, com tamanhos correspondentes, respectivamente ao da Terra e ao de Júpiter, produziram efeitos perturbadores com furações que varreram a costa Leste americana do Norte, qual ocorreu antes com o Katrina, em Agosto do mesmo ano, produzindo danos a mais de um milhão de vidas, especialmente na cidade de New Orleans. Essa probabilidade de tempestade solar com impacto danoso sobre os satélites é prevista pelos cientistas da área e acredito na sua ocorrência.

Os cientistas confirmam a inversão magnética dos pólos, ao longo dos anos, para breve. O que os Espíritos lhe dizem sobre isto, tendo em conta as consequências para os humanos?
Divaldo Franco  –  Embora nunca me tenham falado directamente, sustentam que a ocorrência terá lugar lentamente, inclusive anotando que os últimos tsunamis têm alterado, embora em pequena dimensão, a inclinação do eixo da Terra…

(Importante entrevista de Divaldo Franco concedida ao Jornal de Espiritismo, em Portugal, cuja 1ª parte foi publicada no Jornal de Espiritismo nº 55 e a 2ª parte sairá no JDE nº 56 (Janeiro / Fevereiro de 2013).

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O apagador...


O apagador é instrumento
De uso escolar
Serve para apagar
O que não se quer guardar

Se fizesses o mesmo
Com o teu coração
Serias o mais feliz
Desta bela Nação

Quando a leviandade
Te trouxer a dor
Usa à vontade
O apag-a-dor

Quando a maldade
Te levar ao desamor
Usa à vontade
O apag-a-dor

Quando a tirania
Te retirar o fulgor
Usa à vontade
O apag-a-dor

Quando a insegurança
Te levar ao temor
Usa à vontade
O apag-a-dor

O apag-a-dor é instrumento
De preciosa utilização
Apaga tudo o que não presta
Que carregas no coração

O apag-a-dor é o Evangelho
De Jesus de Nazaré
Que te fará mais feliz
Se o usares pelo teu pé.

Poeta alegre
Psicografia recebida por JC, na reunião mediúnica do CCE, C. Rainha, Portugal, em 11 de Setembro de 2012

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Sociedade em ebulição...


Olhas p’rá sociedade
Em ebulição
E não descortinas
Uma solução.

Os dirigentes
A governar
Exploram o povo
Além de o roubar.

Todos gritam
Por igualdade
Quando lhe mexem
Na estabilidade.

Todos reclamam
Com razão
Todos querem
Mais, mais “pão”.

Não vêem
Na sua miopia
Que milhões
Morrem por dia,

Sem ter comida
Ou agasalho
Nem casa
Nem trabalho.

A igualdade
É apenas na boca
Pois esquecem
Quem não tem sopa.

A Vida, sábia,
Tudo alterará
Queiram ou não
A Lei funcionará.

A Lei divina,
Lei de igualdade,
Onde nenhum homem
Tem prioridade,

Sobre os demais,
Pois, para Deus,
Na Vida,
Somos iguais.

Esse tempo,
Já desponta,
Excluindo
Erros sem conta.

Aí teremos
Tempo de paz
Com novas almas
Que a Vida traz,

Para ajudarem
A Terra a evoluir
Nos séculos sem fim
Em busca do porvir...

... Pacificado,
Onde Jesus,
Vive na alma
Do encarnado.

Poeta alegre
Psicografia recebida por JC, em Óbidos, Portugal, em 12 de Novembro de 2012

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O poder do perdão...


Como perdoar
O meu irmão
Se mantenho sujo
O coração?

Como esquecer
A ingratidão
Se mantenho dorido
O coração?

Como amar
O refilão
Se tenho fechado
O coração?

O Amor é o caminho
De todos nós
Pois somente amando
Não estaremos sós

O Amor é o portal
Da partilha, amizade,
Pois somente amando
Conquistamos a humanidade

Desculpar é preciso
Em 1º lugar
Para aprenderes
Depois a perdoar

Sabendo desculpar
Treinas o perdão
Para qu´ ele alimente
O teu coração

Perdoando agora
Poderás Amar
Seja quem for,
Em qualquer lugar.

O poder do perdão
É incomensurável
Toca o coração
Do bom e do miserável

Segue o apelo
De Jesus de Nazaré
Perdoa sempre,
Mantém acesa a fé.

Poeta alegre
Psicografia recebida por JC, no ENL, em 9 de Agosto de 2010, em Óbidos, Portugal

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O meu filho tem um cancro...



Mais uma noite de sexta-feira, no Centro de Cultura Espírita, nas Caldas da Rainha, em que tem lugar uma conferência espírita, o passe espírita (tratamento bioenergético) e o atendimento em privado, para algum esclarecimento adicional.
Fátima vinha com ar cansado e dolorido, via-se na sua expressão facial, onde as rugas não escondiam as dores da alma.
Contou-nos o seu drama íntimo: o seu filho, de 40 anos, estava na fase terminal de um cancro no cérebro.
Falámos acerca do que a Doutrina Espírita (ou Espiritismo) pensa do assunto, de como explica as dissemelhanças de oportunidades, alicerçadas na justiça divina e na reencarnação, onde todos somos iguais perante Deus e ninguém é privilegiado.
Conversámos muito, esclarecemos dúvidas.
No dia seguinte, Fátima apareceu com uma amiga no Curso Básico de Espiritismo (gratuito), onde estudamos em grupo, com a maior das naturalidades e sem pretensões de ensinar a ninguém: aprendemos em conjunto.
Fátima voltou, voltou e foi voltando, até que um dia, disponibilizámo-nos para visitar o seu filho.
Ela ficou de ver da viabilidade da visita, sem forçar a vontade alheia.
O filho, céptico, e muito marcado pela vida, acedeu em receber-nos.
Ficámos felizes, pois sempre que temos uma oportunidade de sermos úteis, ficamos sempre em débito para com quem nos proporciona tais serviços ao próximo.
No dia marcado, lá fomos, com naturalidade, sem discursos ocos e preparados, pedindo a Deus que nos intuísse para podermos ser úteis.
Nos primeiros segundos, houve uma grande empatia entre o visitante e o visitado.
Não interessava se era céptico ou não.
Não interessava se era deste ou daquele clube, desta ou daquela cor.
Era um ser humano que está na iminência de largar o corpo de carne, e que estava apavorado em virtude do desconhecido.
Falámos sobre a vida para além da morte, não como crença, mas baseado em factos, em pesquisas científicas que ainda hoje continuam a ser efectuadas.
Falámos da lógica da vida, dos princípios básicos da doutrina espírita, de como a vida continua no mundo espiritual, de vários casos passados connosco que atestam a imortalidade do ser humano.
Acima de tudo ficámos amigos.

Como era bom que todos os moribundos pudessem
ouvir falar de espiritismo, e assim partirem
para o mundo espiritual, em paz e mais serenos…

Voltámos, e agora a conversa era franca: ele sabe que está quase a partir para o mundo espiritual.
Falámos abertamente sobre o que iria acontecer, o que iria sentir, e a confiança estampava-se no seu rosto, levemente molhado por teimosa lágrima que insistia em rolar face abaixo.
Ficámos amigos.
Fiquei de voltar. Não sei se voltarei a tempo…
Combinámos que quem partisse primeiro, ajudaria o outro quando chegasse a hora do outro partir para o mundo espiritual.
Ficou combinado!
Voltei a casa.
Fátima, a sua mãe, dizia-me pelo telefone que se sentia estranha, porque apesar de tudo, estava muito calma, serena, e a encarar tudo com naturalidade.
Achava ela que devia andar triste, a chorar pelos cantos, a lamuriar-se. Tinha até complexo de culpa por não se sentir mal.
Fátima dizia que com o que tem aprendido no centro espírita e com os livros de Allan Kardec, que parece que a sua vida mudou.
Claro que mudou!
Ao entender o porquê da vida, o ser humano acalma-se, esclarece-se, consola-se,  percebendo que tudo na vida se encadeia dentro das leis divinas, que são eternas, imutáveis e justas, que a vida continua, e cada um de nós só passa por aquilo que precisa, para a sua evolução espiritual, tendo em conta as suas opções do passado e do presente.
Regressando a casa, meditava na grandeza da mensagem espírita, que, esclarecendo, consola, e consolando faz com que as pessoas vivam melhor o seu quotidiano, na certeza de que a vida continua, baseada em factos e não em crenças cegas.
Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a lei”, diz-nos o Espiritismo, que também nos ensina que fora da caridade não há salvação. 

Novembro 2012

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A prostituta...


Mariana aprisionou-se
Nas garras do prazer
Esquecendo-se que um dia
Seu corpo ia falecer

Presa nas emoções
Do lucro imediato
Entregou-se no quotidiano
Ao branco, preto, mulato

Esbelta e bonita
Clientes não faltavam
A todos satisfazia
E todos a adoravam

A musa do sexo
E de tanta fantasia
Era por outras cobiçada
Tirava-lhes a freguesia

Tanta inveja instilou
E da soberba vivia
Que um dia faleceu
Sufocando em pleno dia

Vítima da inveja
Sorvera fino veneno
Que lhe fora ofertado
Com’ um chá ameno

No mundo espiritual
Tudo era escuridão
Queria vingar-se
Mas tentava em vão

Desorientada na nova vida
Sofreu a escravidão
Dos que a acompanharam
Na alcofa da lassidão

Espíritos enlouquecidos
No sexo desregrado
Sugavam-lhe as energias
Do espírito mirrado

Após muito sofrer
Lembrou-se de Jesus
Orou com fervor
Até que viu uma luz

Mariana minha irmã
Tua prece foi ouvida
Jesus autorizou
Que fosses recolhida

Nascerás de novo
No teu bordel
Como filha de Joana
E como pai o Manuel

Aquela que te matou
Será agora tua genitora
Criando-te com o carinho
Que não teve outrora

Filha de prostituta
Terás outros horizontes
E com muita luta
Superarás tuas fontes

Se venceres na Vida
Tamanha provação
Quando voltares
Terás melhor reencarnação

E assim Mariana
Nasceu na Terra
Onde todos corrigimos
Aquilo em que erra

Utiliza o sexo
Com parcimónia
Pois ele não existe
Pr’a que sejas um estroina

Sexo e equilíbrio
São parceiros ideais
Para com equilíbrio saíres
Da Terra dos mortais…

Poeta alegre
Psicografia recebida por JC, no ENL, em Óbidos, Portugal, em 12SET2011

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A ilusão da morte...



Viajamos na vida, sem saber o que ela encerra. Uns acreditam que após a morte do corpo de carne nada mais existe (os materialistas), outros não cogitam desse assunto (os agnósticos), outros defendem a imortalidade do Espírito (os espiritualistas), sendo que, neste campo, as explicações são tão diversificadas quanto o número de religiões, doutrinas, ideias que existam no mundo.

A Doutrina Espírita (ou Espiritismo), não é mais uma seita nem mais uma religião, mas sim uma ciência de observação, que nos leva a conceitos filosóficos, e a uma moral que assenta nos ensinamentos de Jesus de Nazaré. Esta doutrina tem por princípios básicos a existência de Deus, a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos espíritos, a reencarnação e a pluralidade dos mundos habitados. Está assente na lógica, na razão, na observação dos factos espíritas e explica a natureza, origem e destino dos espíritos, bem como as relações existentes entre o mundo espiritual e o mundo terreno.
Com o aparecimento do Espiritismo em 18 de Abril de 1857, no lançamento da monumental obra “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, comprovou-se que a vida continua após o decesso do corpo carnal, provas essas que têm vindo a ser confirmadas pelas múltiplas pesquisas de muitos cientistas e pesquisadores não espíritas, desde então.
Hoje em dia, a Doutrina Espírita é um preciso auxiliar da medicina, nomeadamente da Psiquiatria e da Psicologia, auxiliando estas ciências a entender o ser humano numa perspectiva integral (alma + corpo espiritual + corpo carnal) e não apenas como um amontoado de células orgânicas.
Aprendemos com o espiritismo que todos os nossos actos, omissões, pensamento e sentimentos se repercutem em nós próprios em primeiro lugar, trazendo-nos paz, felicidade ou inquietação, conforme o padrão mental em que estejamos a vibrar no nosso quotidiano.
Recordando as palavras sábias de Jesus, “a semeadura é livre mas a colheita é obrigatória”, vemos aqui a lei de causalidade ou lei de causa e efeito.
Somos assim, senhores do nosso destino, temos o livre-arbítrio de agir bem ou mal, com ou sem intenção, fraternal ou egoisticamente, mas um dia, após a morte do corpo de carne não poderemos fugir de nós próprios, arcando com as consequências dos nossos actos, quer no mundo espiritual, quer em vidas (reencarnações) futuras, aurindo a tranquilidade ou a inquietação geradas por nós próprios.
Daí podermos encontrar tanta dissemelhança de oportunidades, de estados de alma, de estados físicos nos seres humanos, ao longo da vida, interrogando-nos onde está a presença divina perante tais desigualdades.

Hoje em dia, a Doutrina Espírita é um preciso auxiliar da medicina,
nomeadamente da Psiquiatria e da Psicologia

Sem a explicação da reencarnação, sem dúvida que encontraríamos um Deus displicente, que dava oportunidades diferentes aos seus filhos.
Actualmente, a reencarnação, apesar de aceite por cerca de 75% da população mundial, deixou de ser mais uma crença para ser um facto científico (estudem-se as pesquisas de crianças que se lembram de vidas passadas, os meninos-prodígio, as comunicações espirituais e as terapias a vidas passadas) do qual não adianta fugir.
O roteiro para a felicidade foi-nos dado por Jesus de Nazaré há mais de 2 mil anos: “Não façais ao próximo o que não desejais para vós mesmo”; os conhecimentos estão ao dispor de todos e em todo o lado; a noção de bem e de mal é inata ao ser humano através da sua consciência, pelo que um dia teremos de prestar contas dos nossos dons que Deus nos deu.
Uns dirão que não sabiam, outros que não aproveitaram bem o tempo, e aqueles que se esforçaram para terem êxito espiritual, olharão com pena para os seus irmãos mergulhados em futuras e duras expiações, por muito terem abusado nesta vida, da vida do próximo, dos dinheiros públicos, do egoísmo, da falta de rectidão no seu proceder e no seu carácter.
E a vida continua, prenhe de oportunidades evolutivas ao nível intelectual e moral, na certeza de que cada um colherá de acordo com o seu estado íntimo, dentro do aforismo “a cada um de acordo com as suas obras”.
Oxalá nós não estejamos no grupo daqueles que dirão: “Ah, se eu soubesse…”.
Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar tal é a lei” diz-nos o Espiritismo, incentivando o homem à fraternidade lembrando um dos ensinamentos dos benfeitores espirituais: “Fora da caridade não há salvação”. 

Bibliografia:
“O Livro dos Espíritos”
“O Evangelho segundo o Espiritismo”, (ambos de Allan Kardec) 

2

O invejoso...


Andava o Zé Mota
Na sua motorizada
D’um lado para o outro
Na vida agitada

Uma vez por outra
Cruzava-se com o João
Presidente da Câmara
No seu belo carrão

Nesse momento
Um raio invejoso
Atingia o carro
Do João “poderoso”

Zé Mota invejava
O êxito do João
E não se apercebia
Do aperto no coração

Tal aperto era
Influência do Ricardo
Que o incentivava
À inveja, com’um petardo

Zé Mota era infeliz
No seu dia-a-dia
E infelicitava também
A esposa, filha e a tia

E assim viveu
Até morrer
Com inveja por dentro
Sempre a corroer

Cuidado amigos
Com tal proceder
Pois invejar o próximo
Só faz sofrer

Estai atentos
Ao pensamento
Para que nunca entre
Inveja no momento

E com esse cuidado
Viverás muito melhor
Do que o Zé Mota
Que invejou até ao estertor

Poeta alegre
Psicografia recebida por JC em 17 de Julho de 2012, em Óbidos, Portugal

3

Casa assombrada...


Chamas-me assombração
Porquê meu irmão?
Só porque estou preso
À minha mansão?

Não gosto desse nome
Parece-me irreal
Eu sou pessoa
Um ser normal

Medo de assombração
É puro desconhecimento
Porque temer o ser
Após o falecimento?

Casas assombradas
São locais normais
Onde estão os vivos
E os outros “imortais”

Habitando o mesmo espaço
Eles querem comunicar
Vocês não ouvem
O que querem falar?

Provocam ruídos
De pôr os cabelos em pé
Para alertar os “vivos”
Que o Espírito vivo é.

Tanto barulho, incómodo
Serve para alertar
Que a morte não existe
Que a vida vai continuar

Assombração é um ser
Como tu meu amigo
Não há que temer
Não oferece tanto perigo

Utilizam ectoplasma
Das pessoas presentes
Para provocarem ruídos!
São almas doentes…

Estudando o espiritismo
A situação fica clara
Deixa de ser medonha
P’ró o Zé ou p’rá Mara

E sempre que houver
Uma assombração
Fala com o Espírito
Faz uma doutrinação

É alguém que precisa
De apoio, orientação
Não temas, ora por ele,
Pois és seu irmão.

Poeta alegre
Psicografia recebida no início da palestra sobre casas assombradas, efectuada no CCE, Portugal, no dia 16 de Dezembro de 2005 

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Mercadores de gente...


Sou mercador, mercador
Viajo sem cessar
Rasgando ondas, oceanos
Para escravos comerciar.

Largo tudo na vida
Para o ouro buscar
Família, terra, conforto,
Para escravos comerciar.

Para Angola vamos
Com o peito a arfar
Pegando escravos
Escravos para comerciar.

Donos do destino
Pensamos na vida mandar
Desfazendo famílias
Para escravos comerciar.

Viagens sem fim
Ao Brasil fomos dar
Levando na bagagem
Escravos para comerciar.

A Portugal voltámos
Com ouro a tilintar
Esquecendo dores, soluços,
Dos escravos para comerciar.

Vivemos na opulência
Na vaidade sem parar
Esquecendo que a vida
Volta para nos cobrar.

Lutas reprimidas
Abandonos e dores
No mais Além
Fizeram teus terrores

Não se foge
Do que se faz
Seja padre, militar,
Comerciante ou capataz.

Nessa terra imortal
Somos desmascarados
Pelo bem ou pelo mal
Que nos deixa marcados

Voltámos do Além
Para em Angola reencarnar
Reparar o que faltava
Com os escravos para comerciar

Perder terra, bens
Começar outra vez
Experimentar na pele
O mal que se fez.

Assim aprendemos
Que somos iguais
Seja onde for
Somos sempre imortais

Mercadores de escravos
Voltam agora
Para salvar almas
Ajudar sua melhora.

Trocar o ouro pelo bem
É o seu ideal
Pôr em prática o Evangelho
Para reerguer Portugal

Povo intrépido e valoroso
Com chama e ideal
Não te apagues na apatia!
Não te afundes, Portugal!

Teu roteiro é velho
Mas muito actual
Difundir o Evangelho
Evangelizar Portugal.

E depois com essa luz
A outros estender
Para que aprendam o bem
E o bem possa crescer.

Os mercadores de gente
São gente afinal!
Mudaram de atitude
No Brasil e em Portugal.

Depois da amarga lição
Não querem outra igual
Têm compromisso com o bem
O bem é o seu ideal.

Bem-haja pela mudança
Algum dia tinha de ser
De mercadores de gente
A gente que quer crescer.

Esse é o ritmo da vida:
Devolve o que damos!
Semeamos e colhemos,
E a vida valorizamos.

Se mercador quiseres ser
Que o sejas de Amor
Pois comerciar gente
Só te trouxe horror.

E com essa lição
Aprendeste a fraternidade
Ninguém lesa impunemente
Na busca da felicidade.

Psicografia recebida por JC, nas Caldas da Rainha, Portugal

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Problemas sociais...


Todos falam
Em problemas sociais
Mas poucos pugnam
Por soluções globais

O interesse pessoal
Fruto do egoísmo
Sobrepõe-se ao bem geral
Levando-nos ao abismo

Desemprego, lutas,
Cataclismos, violência,
São típicos d’uma sociedade
Em estado de decadência

A solução foi dada
Há dois mil anos
Jesus ensinou o Amor
Que impede mil enganos

Fazer ao outro
O que para si gostaria,
É a solução social
Que a paz traria

Na perturbação
Confia na espiritualidade
Que nunca nos falta
No meio da dificuldade

Quando o problema vier
Trazendo perturbação
Rejeita o suicídio
Que jamais é solução

Com calma, confiança,
Esforço e humildade
Juntos ultrapassarão
Tempos de impiedade

Logo mais virão
Novos espíritos, superiores,
Que pela reencarnação
Acabarão com os horrores

Uns irão embora
Para não mais voltar
Enquanto espíritos nobres
Estão a reencarnar

E assim se cumprirá
A profecia que não erra
Bem-aventurados os mansos
Porque herdarão a Terra.

Poeta alegre
Psicografia de JC recebida no ENL em 5 de Março de 2012, em Óbidos, Portugal.