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O "cego"...


João era “cego”
Mas não o sabia
Pensava que “via”
No seu dia-a-dia

João, o “cego”
Era materialista
Só existia
O que estav’à vista

Comer, dormir,
Divertir, trabalhar,
Fazia o “cego”,
Sem “enxergar”

João era “cego”
E vivia como quem vê
Alimentava o ego
Ao ver-se na TV

João, o “cego”
Era um VIP
Até que um dia
O coração fez…click!

Entrou no Além
Sem dar por isso
Perturbado, fugia,
De tamanho rebuliço

Só mais tarde soube
Fora “cego” na Terra
Desconhecera o Além
Sua vida, uma “guerra”

João, o artista
Homem da sociedade
Vivera como “cego”
Perante a realidade

Só então se apercebeu
Que agora enxergava
A vida espiritual
Que na Terra desprezava

Se “vês”, toma cuidado,
Pois podes não enxergar
O que muito cego
Enxerga sem olhar

Abre os olhos da Alma
Para a imortalidade
Ama, tolera e serve
Toda a humanidade

Poeta alegre
Psicografia recebida por JC, na palestra no CCE, C. Rainha, em 16 de Setembro de 2011.

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Zé teimoso...


Impiedoso, cruel,
Era o Zé teimoso
Fazia tanto mal,
O mal dava-lhe gozo

Tinha poder, dinheiro,
O Zé teimoso
Que até os ricos
O viam grandioso

De tanta teimosia
Ele enriqueceu
Lutou, roubou, matou,
Até que enlouqueceu

No manicómio
Contava notas virtuais
Os outros gargalhavam
Com esses rituais

Quando chegou a hora
Zé teimoso faleceu
Entrou no Além
Onde encontrou breu

Contava dinheiro
Fazia-se imponente
Ninguém lhe ligava
Era um indigente

Anos a fio correram
Em tamanho sofrimento
Que um dia uma luz viu
E o aliviou no momento

Da luz saiu
Uma forma humana
Que o vinha buscar,
Sua tia Germana

Foi recolhido
Para melhor lugar
Onde viu sua vida
Com outro olhar

Chorou, chorou,
Com amargura
Pediu para reencarnar
Com muita agrura

Era a culpa
A chagar o coração
Pelo mal que fizera
O Zé teimosão

Espírito luminoso
O abordou
“Voltarás à Terra,
Jesus concordou”

Voltarás como médium
Para tua rectificação
Apoiarás o encarnado
E os da outra dimensão

De tal modo
Levou a peito a missão
Que António, nascido,
Tinha gosto pela oração

Como médium, serviu,
Com amor e dedicação
Serviu até morrer
E sem levar um tostão

Poeta alegre

Psicografia recebida por JC, na reunião mediúnica do CCE, Caldas da Rainha, Portugal, em 21 de Fevereiro de 2012

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Solução para a aflição...


Ergues os olhos ao céu
Perante tant’aflição
Mas o Amor será sempre
A eterna solução

Aflito, pedes a Deus
Que te proteja no futuro
Mas a fé será sempre
O teu porto seguro

Rogas à espiritualidade
Perante tanta insegurança
Mas a confiança será sempre
O padrão da esperança

Olha a Natureza,
Dela colhe a lição
As aves não semeiam
E sempre têm seu pão

Seja qual for
A dificuldade
Faz a tua parte
Confia na divindade

Somente possuis
O que tens no coração
Segue confiante
Amparando teu irmão

Se assim fizeres
Viverás em paz
E quando morreres
Contigo a levarás

Quando a aflição vier
Toma a medicação
Uma colher de fé
Antes ou depois da refeição

Poeta alegre
Psicografia recebida por JC, em Óbidos, Portugal, em 20 Agosto 2012

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Atitude...


O triste vê no problema
Um problemão
E caminha na vida
De olhos no chão

O indiferente vê no problema
Uma mera ilusão
E caminha na vida
Como um brincalhão

O espírita vê no problema
Uma oportunidade
De ser mais feliz
D’ aumentar a espiritualidade

Confia em ti, em Deus
E no teu guia espiritual
Pois a quem porfia no bem
Nada acontece de mal

Poeta alegre
Psicografia recebida para o AS, por JC na reunião mediúnica do CCE, C. Rainha, em 19 de Junho de 2012

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História de uma abortadeira...


História estranha
A da Gertrudes
Que vou contar
Falando de atitudes

Gertrudes parteira
Ajudava a parir
Mas com as dificuldades
Mudou o seu agir

Encontro furtivos
Acabavam em fecundação
Procuravam em Gertrudes
A criminosa solução

De início não queria
Tal procedimento ter
O dinheiro falou mais alto
Dando azo ao mal proceder

De dádiva de Deus
Ajudando à Vida
Passou a matar
Indesejados na “barriga”

Gente fina da "Corte"
E da fidalguia
Procuravam Gertrudes
De noite e de dia

Ficou conceituada
Junto dos afortunados
Mal sabia ela
Que eram obsidiados

Os filhos repudiados
Envolviam os progenitores
Perseguindo-os sem dó
Criando novas dores

Gertrudes estava diferente
Não sorria com beleza
Trazia o cenho cerrado
Fruto de tal vileza

Um dia desencarnou
Momento fatal!
Adentrou o Além
Muito mal, muito mal!

"Assassina, assassina"
E outros impropérios ouviu
Seu espanto era enorme
Pois a vida prosseguiu!!!...

Afinal era verdade
O que a Igreja dizia
A vida continuava
Mais ou menos fria

Após anos de sofrimento
Junto dos seus iguais
Chorou amargamente
Clamando pelos pais

Sua mãe, senhora boa,
Generosa de coração
Foi recolher a filha
Com superior autorização

Gertrudes entendeu
Os ditames da vida
Recuperou-se no Além
Para nova “corrida”

Viria a reencarnar
Em família generosa
Após o casamento,
Ficou desgostosa

Engravidar não conseguia
O que mais desejava
Carregar no ventre
O ser que almejava.

Tratamentos, mais tratamentos,
Com igual resultado
Engravidava e abortava
O bebé desejado

O marido desgostoso
De filho varão não ter
Logo a trocou por outra,
Aumentando seu sofrer

Gertrudes conheceu o espiritismo
Que lhe acalmou o coração
Queria trabalhar com crianças
Formou-se em Educação

Hoje é educadora
Em nobre instituição
Recolhe os abandonados
Iniciando a reabilitação

Novo companheiro encontrou
Que a apoia no ideal
É mais feliz agora
Com o bem que apaga o mal.

O Amor é uma borracha
Que apaga o mal
Que trazemos no coração
De outras vidas afinal

Deus é amor
Não é carrasco, não senhor
A todos dá oportunidade
De resgatar sua dor

Se o aborto fizeste
Não sintas culpa
Levanta a cabeça
E vai à luta

Embrenha-te no bem
Seja em que área for
Pois o bem que fizeres
Aumentará o teu amor.

Esse bem diluirá
Os erros cometidos
O bem alivia a alma
Dos seres sofridos

O importante é que agora
Que conheces o espiritismo
Não repitas tal façanha
Senão cais no abismo

A responsabilidade é proporcional
Ao conhecimento de cada um
Por isso não te deprimas
Ama tudo e todos: um a um.

Assim conseguirás
Superar o erro passado
Libertares-te da culpa
Auxiliando com agrado

Hoje é mais feliz
Que outrora, quando rica
Já não é abortadeira
Aos abandonados se aplica

Esta história de vida
Mostra o amor de Deus
Que não é o carrasco de Moisés
Nem o ausente dos ateus

A Vida é oportunidade
De corrigir com alegria
O erro de outrora
Que nos fazia “azia”

O Amor é a solução
Para todas as situações
Ama, ama sempre,
E encontrarás as soluções

Vive sempre com alegria
Sejam Gertrudes ou não
Deus esperta de ti
A tua colaboração

Poeta alegre
Psicografia recebida em Óbidos, Portugal no dia 5 de Novembro de 2005

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Filho-problema


Filho turbulento
Precisa de atenção
Não basta alimento
Nem repressão.

É preciso atenção
À educação espiritual
Aos poucos preparar
Para corrigir o mal

Filho quer atenção
A todo o momento
Filho não é ilusão
Nem é tormento

É ensejo que Deus dá
Para auxiliar
Alguém sofrido
Que quis reencarnar

Ser pai e mãe
É ser educador
Não basta alimentá-lo
É preciso dar Amor

Amor é corrigir
Tendências inferiores
Que o petiz traz
De vidas anteriores

Nem sempre os pais
Têm essa lucidez
Crie-os com amizade,
Seja cortês

Paciência, paciência
É a palavra de ordem
Para filhos-problema
Que provocam desordem

Falem-lhe de Jesus
"Amoleçam" seu coração
Para que cresça fortalecido
Na prática da oração

Poeta alegre
Psicografia recebida na reunião mediúnica do CCE, C. Rainha, Portugal, em 21 de Dezembro de 2005

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História do sexo...


A história do sexo
É algo dramática
Mais complicada
Que a Matemática

Mal usado desde sempre
Tem trazido sofrimento
A homens e mulheres
Doutro e deste tempo

O sexo em si
Nada tem de mal
O que mal está
É torná-lo banal

Sexo com Amor
É de origem divina
Faz bem ao coração
E o casal ilumina

O homem ainda sofre
Por o ter mal usado
Usou-o como ferramenta
Como usa um machado

Nos tempos de hoje
Com mais espiritualidade
O sexo já é usado
Com mais probidade

No futuro será
Fonte de emoções puras
Quando as almas unidas
O usarem sem agruras

Se Freud aqui estivesse
Diria que tudo está mal
Tudo deriva do sexo
E nada do espiritual

Hoje sabemos
Que é o contrário
O Espírito em si
É o próprio sicário

Dia virá em que
A humanidade
O utilizará
Com naturalidade

Não sendo
Fonte de paixões
Despertará no espírito
As melhores emoções

Esses tempos
Estão perto
Estejam atentos
De olho bem aberto

Para não caírem
Nas tentações
Em que escorregam
Milhões e milhões.

Poeta alegre
Psicografia recebida em 24 de Janeiro de 2012, por JC na reunião mediúnica do CCE, Caldas da Rainha, Portugal.

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O Padre...


Venho de longe
Para contar
O meu caso
Que é de pasmar!

Fui Padre
Dava penitências
Perdoava pecados
Tinha reverências

O Poder ofuscou-me
E a matéria também
quando dei por ela
só queria vintém, vintém

Com grande oratória
E porte esbelto
Era por uns admirado
Por outros tido como esperto

Ouvindo em confissão
Damas frustradas
Muitas vezes as orientei
Comigo deitadas

Quando dei por ela
Era Padre sem o ser
Mas já estava viciado
No que me havia de perder

Fui envelhecendo
Perdendo a beleza
Agora somente o Poder
Era a minha realeza

"Bom dia, Sr. Padre"
Cumprimentava o Sr. Zé
"Deus o abençoe, irmão"
Falava eu sem fé.

Nem sei se acreditava
Na vida imortal
Ser Padre era profissão
Não se ganhava mal

Quando a morte veio
Fiquei em aflição
Agora o que vai ser?
O fim, o inferno, o perdão?

Dei por mim vivo
Ao lado do caixão
Todos me elogiavam
O "nobre" coração

Oh, quanta dor
Ao ouvir tanto elogio
Afinal fora fingido
Enganando de fio a pavio

Inquieto fiquei
Adveio escuridão
Pensei: estou vivo
Que fazer na imensidão?

Fazia o sinal da cruz
Ritual da liturgia
Vozes galhofeiras
Ouvia noite e dia

Orei sem orar
Pensando ter o Poder
Do pobre Padre
Q' agora não sabia que fazer

Risos e mais risos,
Empurrões, palavrões,
Mostrei o crucifixo
Pensando em soluções

Senti-me um verme
Sem qualquer Poder
Duvidei de Deus
Queria morrer

Todas as minhas faltas,
Erros, abusos, omissões,
via repetidamente
como alucinações

Só aí me apercebi
Do quanto errara
Tinha sido Ministro de Deus
E a ninguém amara

Chorei copiosamente
Pedi ajuda divina
Meu choro foi sincero
Aliviou a alma minha

Ténue luz ao fundo
Fez-me correr com emoção
Espírito nobre me buscava
"Vem: está na hora meu irmão."

Não imaginam a vergonha
Que senti quando recolhido
Pelos samaritanos de Jesus
que me livraram do perigo

Era Padre e já não era
Eu não era ninguém
Ao ver a real humildade
Chorei, vezes cem...

Alma feminina, bondosa
Me acarinhou o coração
Acalma-te, tudo passa,
Vida nova, meu irmão

Só aí me apercebi
Que ser "grande" na Terra
É meio caminho andado
Para ser o que muito erra

Seres luminosos eu via
Que miseráveis tinham sido.
Sorriam com amizade
Ao Padre mal agradecido

Tanta vergonha tive
Que só tinha uma solução
Prometer reerguer-me
Entreguei-me à oração

Aprendi posteriormente
Que cada um é o que faz
E que perante Deus
Ser duque ou terno, tanto faz

Somos cartas
Do divino baralho
E depois de tanto erro
Voltamos ao trabalho

Voltarei à Terra
novamente como prior
Para ver se desta vez
No fim levo a melhor.

A posição social
Nada vale meu irmão
Aumenta a vaidade
E ajuda-te no trambolhão

Se puderes, passa despercebido
Amando, servindo na rectaguarda
Pois mesmo que ninguém note
No céu Deus te guarda!

Um Padre vosso amigo.
Poeta alegre
Psicografia no ENL, em Óbidos, Portugal, por JC, em 10 de Outubro de 2011

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A roda da vida...


Diz o religioso
Ao ateu
"Só vais p’ro céu
Se fores como eu"

Diz o adepto
Desta religião
"Se não for como eu
Não terá salvação"

Diz o ateu
No quotidiano
"São uns pobres diabos
Do católico ao muçulmano"

Todos eles
Muito orgulhosos
Vivem à grande
Com futuros dolorosos

Que virão depois
Do corpo morrer
Ao verem então
O erro do seu ser

Mas a roda da vida
Gira sem cessar
Uns desencarnam,
Outros a reencarnar

Assim, aos poucos
A Terra vai mudando
Com novas gentes
No seu comando

Por isso, irmão,
Não desanimes
Quando diariamente
Vês muitos crimes

Jesus, irmão maior
Permanece no leme
Deste planeta
Em evolução perene

Pugna pois
Por não perderes
A roda da vida
Nos teus afazeres

Faz sempre o bem
Seja a quem for
E a roda da vida
Trará muito Amor

Nessa altura
Não haverá religião
Apenas o Amor
De irmão para irmão

Poeta alegre
Psicografia recebida por JC, no ENL, em Óbidos, Portugal, em 27 de Fevereiro de 2012.

1

Ser mãe...


Oh mãe, tarefa nobre
Por Deus abençoada
Trazes no ventre
Um’alma necessitada

Tarefa atrás de tarefa
Para que o rebento cresça
E um dia seja gente
Sem que nunca esmoreça

Mas, nem sempre
Assim acontece
Por vezes a ingratidão
Recebes como prece

Ainda assim, servidora,
Pedes ao meigo Jesus
Pelo filho perdido
Nos caminhos sem luz

As lágrimas de mãe
Têm especial condão
Vão direitas ao céu
E resposta com prontidão

Mesmo que a dor
Demore muito tempo
O amor de mãe
Não esquece seu rebento

E muitas vezes é ele
O suporte final
Que permite o amparo
Ao filho boçal

Aprendamos com as mães
A amar sem condições
Senão, um dia, a vida
Nos exigirá mil perdões

A Amor é o caminho
De todos por igual
Mas o Amor de mãe
É um Amor “especial”.
  
Poeta alegre
Psicografia recebida por JC, em Óbidos, Portugal, em 20 de Agosto de 2012 

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O Melindre...


O João falou
O outro não gostou
Ficou amuado
Logo se melindrou

Foi p’ra casa pensar
Qual seria a reacção
Pensou, pensou,
E passou à aversão

Cada dia que passava
Mais se melindrava
E não se apercebia
A causa fora uma palavra

De tanto magicar
Ficou acabrunhado
Triste, carrancudo,
Com ar de cansado

As células corporais
Lutavam sem glória
Contra os tóxicos mentais
Que exalavam da “história”

Até que um dia
Acordou adoentado
Sem vontade de comer
E muito irritado

“Doutor, estou doente,
Não sei o que comi,
Dê-me um remédio
Pois peso já perdi”

O médico, psicólogo,
E espírita de ideal,
Identificou o melindre
Como causa do mal

Receitou-lhe o Evangelho
Como leitura obrigatória
Que orasse pelos inimigos
E pela sua vitória

Receitou ainda
O passe espirita
Que é remédio santo
Para quem se irrita

Aos poucos melhorou
Com a nova medicação
E logo identificou
O porquê da aflição

Melindre é tóxico
P’ró corpo e p’rá alma
E tem como solução
Muita calma, muita calma

Com o espiritismo
Aprendeu a perdoar
Pois caso contrário
O corpo iria intoxicar

Refugia-te na oração
Quando o melindre aparecer
Segue na tua direcção
Sem nunca esmorecer

Quem caminha com Jesus
Torna-se mais saudável
Com a mente em paz
Sem o melindre detestável.

Poeta alegre
Psicografia recebida no ENL, por JC, em Óbidos, Portugal, em 1 de Março de 2012