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História do sexo...


A história do sexo
É algo dramática
Mais complicada
Que a Matemática

Mal usado desde sempre
Tem trazido sofrimento
A homens e mulheres
Doutro e deste tempo

O sexo em si
Nada tem de mal
O que mal está
É torná-lo banal

Sexo com Amor
É de origem divina
Faz bem ao coração
E o casal ilumina

O homem ainda sofre
Por o ter mal usado
Usou-o como ferramenta
Como usa um machado

Nos tempos de hoje
Com mais espiritualidade
O sexo já é usado
Com mais probidade

No futuro será
Fonte de emoções puras
Quando as almas unidas
O usarem sem agruras

Se Freud aqui estivesse
Diria que tudo está mal
Tudo deriva do sexo
E nada do espiritual

Hoje sabemos
Que é o contrário
O Espírito em si
É o próprio sicário

Dia virá em que
A humanidade
O utilizará
Com naturalidade

Não sendo
Fonte de paixões
Despertará no espírito
As melhores emoções

Esses tempos
Estão perto
Estejam atentos
De olho bem aberto

Para não caírem
Nas tentações
Em que escorregam
Milhões e milhões.

Poeta alegre
Psicografia recebida em 24 de Janeiro de 2012, por JC na reunião mediúnica do CCE, Caldas da Rainha, Portugal.

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O Padre...


Venho de longe
Para contar
O meu caso
Que é de pasmar!

Fui Padre
Dava penitências
Perdoava pecados
Tinha reverências

O Poder ofuscou-me
E a matéria também
quando dei por ela
só queria vintém, vintém

Com grande oratória
E porte esbelto
Era por uns admirado
Por outros tido como esperto

Ouvindo em confissão
Damas frustradas
Muitas vezes as orientei
Comigo deitadas

Quando dei por ela
Era Padre sem o ser
Mas já estava viciado
No que me havia de perder

Fui envelhecendo
Perdendo a beleza
Agora somente o Poder
Era a minha realeza

"Bom dia, Sr. Padre"
Cumprimentava o Sr. Zé
"Deus o abençoe, irmão"
Falava eu sem fé.

Nem sei se acreditava
Na vida imortal
Ser Padre era profissão
Não se ganhava mal

Quando a morte veio
Fiquei em aflição
Agora o que vai ser?
O fim, o inferno, o perdão?

Dei por mim vivo
Ao lado do caixão
Todos me elogiavam
O "nobre" coração

Oh, quanta dor
Ao ouvir tanto elogio
Afinal fora fingido
Enganando de fio a pavio

Inquieto fiquei
Adveio escuridão
Pensei: estou vivo
Que fazer na imensidão?

Fazia o sinal da cruz
Ritual da liturgia
Vozes galhofeiras
Ouvia noite e dia

Orei sem orar
Pensando ter o Poder
Do pobre Padre
Q' agora não sabia que fazer

Risos e mais risos,
Empurrões, palavrões,
Mostrei o crucifixo
Pensando em soluções

Senti-me um verme
Sem qualquer Poder
Duvidei de Deus
Queria morrer

Todas as minhas faltas,
Erros, abusos, omissões,
via repetidamente
como alucinações

Só aí me apercebi
Do quanto errara
Tinha sido Ministro de Deus
E a ninguém amara

Chorei copiosamente
Pedi ajuda divina
Meu choro foi sincero
Aliviou a alma minha

Ténue luz ao fundo
Fez-me correr com emoção
Espírito nobre me buscava
"Vem: está na hora meu irmão."

Não imaginam a vergonha
Que senti quando recolhido
Pelos samaritanos de Jesus
que me livraram do perigo

Era Padre e já não era
Eu não era ninguém
Ao ver a real humildade
Chorei, vezes cem...

Alma feminina, bondosa
Me acarinhou o coração
Acalma-te, tudo passa,
Vida nova, meu irmão

Só aí me apercebi
Que ser "grande" na Terra
É meio caminho andado
Para ser o que muito erra

Seres luminosos eu via
Que miseráveis tinham sido.
Sorriam com amizade
Ao Padre mal agradecido

Tanta vergonha tive
Que só tinha uma solução
Prometer reerguer-me
Entreguei-me à oração

Aprendi posteriormente
Que cada um é o que faz
E que perante Deus
Ser duque ou terno, tanto faz

Somos cartas
Do divino baralho
E depois de tanto erro
Voltamos ao trabalho

Voltarei à Terra
novamente como prior
Para ver se desta vez
No fim levo a melhor.

A posição social
Nada vale meu irmão
Aumenta a vaidade
E ajuda-te no trambolhão

Se puderes, passa despercebido
Amando, servindo na rectaguarda
Pois mesmo que ninguém note
No céu Deus te guarda!

Um Padre vosso amigo.
Poeta alegre
Psicografia no ENL, em Óbidos, Portugal, por JC, em 10 de Outubro de 2011

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A roda da vida...


Diz o religioso
Ao ateu
"Só vais p’ro céu
Se fores como eu"

Diz o adepto
Desta religião
"Se não for como eu
Não terá salvação"

Diz o ateu
No quotidiano
"São uns pobres diabos
Do católico ao muçulmano"

Todos eles
Muito orgulhosos
Vivem à grande
Com futuros dolorosos

Que virão depois
Do corpo morrer
Ao verem então
O erro do seu ser

Mas a roda da vida
Gira sem cessar
Uns desencarnam,
Outros a reencarnar

Assim, aos poucos
A Terra vai mudando
Com novas gentes
No seu comando

Por isso, irmão,
Não desanimes
Quando diariamente
Vês muitos crimes

Jesus, irmão maior
Permanece no leme
Deste planeta
Em evolução perene

Pugna pois
Por não perderes
A roda da vida
Nos teus afazeres

Faz sempre o bem
Seja a quem for
E a roda da vida
Trará muito Amor

Nessa altura
Não haverá religião
Apenas o Amor
De irmão para irmão

Poeta alegre
Psicografia recebida por JC, no ENL, em Óbidos, Portugal, em 27 de Fevereiro de 2012.

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Ser mãe...


Oh mãe, tarefa nobre
Por Deus abençoada
Trazes no ventre
Um’alma necessitada

Tarefa atrás de tarefa
Para que o rebento cresça
E um dia seja gente
Sem que nunca esmoreça

Mas, nem sempre
Assim acontece
Por vezes a ingratidão
Recebes como prece

Ainda assim, servidora,
Pedes ao meigo Jesus
Pelo filho perdido
Nos caminhos sem luz

As lágrimas de mãe
Têm especial condão
Vão direitas ao céu
E resposta com prontidão

Mesmo que a dor
Demore muito tempo
O amor de mãe
Não esquece seu rebento

E muitas vezes é ele
O suporte final
Que permite o amparo
Ao filho boçal

Aprendamos com as mães
A amar sem condições
Senão, um dia, a vida
Nos exigirá mil perdões

A Amor é o caminho
De todos por igual
Mas o Amor de mãe
É um Amor “especial”.
  
Poeta alegre
Psicografia recebida por JC, em Óbidos, Portugal, em 20 de Agosto de 2012 

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O Melindre...


O João falou
O outro não gostou
Ficou amuado
Logo se melindrou

Foi p’ra casa pensar
Qual seria a reacção
Pensou, pensou,
E passou à aversão

Cada dia que passava
Mais se melindrava
E não se apercebia
A causa fora uma palavra

De tanto magicar
Ficou acabrunhado
Triste, carrancudo,
Com ar de cansado

As células corporais
Lutavam sem glória
Contra os tóxicos mentais
Que exalavam da “história”

Até que um dia
Acordou adoentado
Sem vontade de comer
E muito irritado

“Doutor, estou doente,
Não sei o que comi,
Dê-me um remédio
Pois peso já perdi”

O médico, psicólogo,
E espírita de ideal,
Identificou o melindre
Como causa do mal

Receitou-lhe o Evangelho
Como leitura obrigatória
Que orasse pelos inimigos
E pela sua vitória

Receitou ainda
O passe espirita
Que é remédio santo
Para quem se irrita

Aos poucos melhorou
Com a nova medicação
E logo identificou
O porquê da aflição

Melindre é tóxico
P’ró corpo e p’rá alma
E tem como solução
Muita calma, muita calma

Com o espiritismo
Aprendeu a perdoar
Pois caso contrário
O corpo iria intoxicar

Refugia-te na oração
Quando o melindre aparecer
Segue na tua direcção
Sem nunca esmorecer

Quem caminha com Jesus
Torna-se mais saudável
Com a mente em paz
Sem o melindre detestável.

Poeta alegre
Psicografia recebida no ENL, por JC, em Óbidos, Portugal, em 1 de Março de 2012

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Exemplos a seguir...


O cumprimento do dever não é somente um dever militar. É um dever de todos. Mas que tem isto a ver com o Espiritismo? E com a GNR? E com a sociedade em geral? Ora venha daí, e façamos uma incursão pelo Portugal profundo, ao Portugal dos “pequeninos”…

Allan Kardec, o eminente sábio parisiense, que em meados do século XIX compilou a Doutrina Espírita (ou Espiritismo – que não é mais uma seita nem mais um religião), lançando “O Livro dos Espíritos” em 18 de Abril de 1857, refere na questão 918 do referido livro, a propósito do “homem de bem”: “O verdadeiro homem de bem… é bom, humano e benevolente para com todos, porque vê irmãos em todos os homens, sem distinção de raças nem de crenças…”.
A notícia surgiu no “Facebook” (uma rede social na Internet), que pude confirmar no “Facebook” da Guarda Nacional Republicana (GNR), em 11 de Agosto de 2012:
Três militares do Posto da GNR de Serpa, depois de terem conhecimento por parte de um guarda estagiário, que um idoso de 79 anos vivia em condições degradantes, tomaram a iniciativa e apoiaram todo o percurso de restabelecimento do idoso, zelando pela sua alimentação, higiene e saúde, para que este encontrasse de novo o seu bem-estar. O idoso encontra-se agora estável e entregue a entregue aos cuidados de um Lar.”
Não pude deixar de pensar nesta belíssima passagem de “O Livro dos Espíritos”, e de sentir que, o bem não tem rosto, nem hora, nem local, nem raça. O bem é sempre o bem, e nunca deve deixar de ser colocado em prática, independentemente de ser levado a público ou não.
Este acto de humanismo por parte dos militares da GNR, encarna a postura normal da sociedade do futuro, onde o homem, cônscio dos seus deveres ético-morais, da sua imortalidade, da reencarnação, fará todo o bem sem olhar a quem, na certeza de que, somente fazendo ao próximo o que desejamos para nós próprios, conforme nos ensina a Doutrina Espírita, estaremos trilhando o caminho do bem-estar interior e da evolução moral, que é inevitável na nossa vida, ao longo das várias reencarnações (volta do mesmo Espírito em corpos diferentes).

O verdadeiro homem de bem é bom, humano e benevolente
para com todos, porque vê irmãos em todos os homens,
sem distinção de raças nem de crenças…

Joana é trabalhadora numa fábrica, onde, fruto da sua competência e assiduidade, foi-lhe atribuído pela entidade patronal, um prémio de produtividade, a repercutir-se com carácter permanente no seu vencimento mensal. A Joana é espírita, tenta cumprir o seu dever e fazer o seu melhor, conforme lhe ensina a Doutrina Espírita.
Há meses recebeu uma informação da entidade patronal que o prémio de produtividade iria ser retirado, por causa da “crise”, com acções intimidatórias, próprias de quem não entende que ser patrão é uma função de alta responsabilidade espiritual na Terra, e que cada um de nós será chamado perante a própria consciência, ao respectivo acerto de contas. Após a morte do corpo de carne, e em futuras reencarnações, repararemos os erros até então cometidos, dentro do ensinamento de Jesus de Nazaré de que “a semeadura é livre mas a colheita é obrigatória”.
Joana, de uma forma pedagógica e sem rancor ou ódios desnecessários e perigosos, meteu uma acção em tribunal contra o acto abusivo da entidade patronal, tendo ganho a acção. Quando receber as verbas em falta, Joana, numa atitude de carácter nobre e pedagogicamente, vai doar a referida verba para instituições de caridade.
Em “O Livro dos Espíritos”, na sua questão 684 “O que pensar daqueles que abusam da sua autoridade, impondo aos seus inferiores um excesso de trabalho? , os Espíritos superiores respondem: “É uma das piores acções. Todo o homem que tem o poder de comandar, é responsável pelo excesso de trabalho que impõe aos seus inferiores, porque transgride a lei de Deus”.
Dizem-nos os Espíritos amigos, que o planeta Terra está a passar por um processo de transição, em que passará de um mundo de expiação e provas, para um mundo de regeneração (ver “O Evangelho Segundo o Espiritismo”), deixando de ser um planeta onde o mal domina (actualmente), para passar a ser um local onde o bem se sobreporá ao mal.
A Doutrina Espírita aponta-nos sempre a mudança íntima, em busca dos valores ético-morais que Jesus de Nazaré nos deixou, quando esteve encarnado (no copo de carne) na Terra.
Ao vermos esta atitude nobre da GNR de Serpa, e ao vermos esta atitude de serenidade em busca da justiça por parte de Joana, para que não existam outras Joanas no futuro naquela empresa, vamos vislumbrando uma mudança nas aspirações das pessoas, uma mudança na sua coragem moral, de dar o exemplo de fraternidade e sede de justiça, na certeza de que o mundo será tão mais rapidamente um local melhor, quanto mais rapidamente, todos nós, seres humanos, fizermos por isso.
A cada um de acordo com as suas obras”, referia Jesus de Nazaré!
Que cada um faça a sua parte, sem cogitar com a dos demais, e todos viveremos melhor e mais felizes. 

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Amor e... Tecnologia !!!


Nesta era
Do computador
Se pudesse
Digitava: Amor

Nesta era
Da tecnologia
Se pudesse
Dava alegria

Nesta era
Da automação
Se pudesse
Acabava a solidão

Nesta era
Da comunicação
Se pudesse
Dava a mão

Nesta era
Da televisão
Se pudesse
Desligava o botão

Nesta era
Fascinante
O homem vive
Com’um ruminante

Engole, engole
Tanta informação
Que demora tempo
A dar-lhe vazão

E de tanta
Informação ter
Esquece-se
Que é um Ser

Nesta era
De evolução
Não esqueças
O teu irmão

O ser humano
Está primeiro
Pese embora
Tanto aparelho

Tecnologia
Com Amor
É porta aberta
Ao fim da dor

Tecnologia
Com isolamento
É caminho
Para tormento

Os tempos são outros
As vidas também
Mas o Evangelho de Jesus
Actualizado se mantém
  
Poeta alegre
Psicografia recebida por JC, no ENL, em Óbidos, Portugal, em 12 de Abril de 2012

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António, o desconfiado...


António, o desconfiado
Estava sempre carrancudo
Se alguém o saudava
Respondia com’ um mudo

Tão desconfiado era
Que não confiava em ninguém
Se alguém lhe sorria
Respondia com desdém

Juntou ouro e mais ouro
Sem que alguém soubesse
Pois desconfiava que
Um familiar o quisesse

António, o desconfiado,
Como era chamado
Não tinha amigos
Em qualquer lado

Um dia, o desconfiado,
Sentiu no peito uma dor
Partiu para o Além
Com grande temor

Temia o coitado
Que lhe roubassem o tesouro
E o pobre desconfiado
Eternizou-se junto ao ouro

Tão bem enterrado estava
A sua preciosidade
Que ninguém o encontrou
Por toda a eternidade

António, o desconfiado,
Ao lado dele ficou
Anos e mais anos
E durante anos penou

Estava perto de casa
Junto ao galinheiro
Mas não via ninguém
Só queria o seu dinheiro

Dezenas de anos depois
Sua mãe por ele orou
E António, o desconfiado
Voltou à Terra, reencarnou

É agora um petiz
Que brinca junto da avó
Na casa onde viveu
E onde sempre esteve só

Num dia de mudança
Um armazém se erigiu
No sítio do galinheiro
O ouro surgiu

Dia de grande festa
Para a família do petiz
Que nem desconfiava
Donde vinha o ouro feliz

Se és desconfiado
Aprende esta lição
Pois quem é egoísta
Sofre sempre desilusão

Sê aberto, sincero
Amigo de tod’a gente
Seja um familiar
Ou um indigente

O apego à matéria
E a desconfiança interior
Só te trazem na vida
Momentos de temor

Se queres ser feliz
Sorri para a Vida
Confia, ama e serve
Ao longo da tua lida

Poeta alegre
Psicografia recebida por JC, na reunião mediúnica do CCE, C. Rainha, Portugal, em 13 Setembro 2011 

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Medicina: comércio ou missão?...


Muito se tem falado em saúde, Serviço Nacional de Saúde, cuidados de saúde aos mais variados níveis, clínicas, hospitais privados, acordos, prestação de serviços etc, etc… Pouco se tem falado da essência de tudo isto: das pessoas, dos seres humanos, doentes.

Roberta é minha amiga. Pessoa simples, leva vida difícil e sofrida, trabalhando no duro, no seu dia-a-dia, em limpezas. Apesar de viver com dificuldades, sempre lhe vejo um sorriso na cara, e ainda tem tempo para tomar conta da mãe acamada, fazer a lida da casa e fazer voluntariado. Teve um problema num joelho. Foi fazer um RX: fractura no joelho. “Vá ao hospital para marcar uma operação ao joelho”. Já se passaram 18 meses e ainda não foi chamada!
Filomena é pediatra. Trabalhava num Hospital do Oeste e queria cá ficar. A política encetada pelo anterior governo não o permitiu; ninguém é contratado, pois há que trabalhar para as estatísticas. Filomena, contrariada, foi viver para Lisboa, ficando a trabalhar num Hospital da capital. Passado um mês, estava a ser convidada por uma empresa de angariação de médicos, para ir fazer urgências ao Hospital do Oeste de onde tinha vindo, pois havia falta de pediatras; foi ganhar o dobro do que ganhava aquando no referido Hospital, e ainda por cima sem a responsabilidade de ser chefe de serviço (para além do que a empresa que a contratou ganhou)!
Joaquim foi enterrado ontem (28 Julho 2012). Com 45 anos e 2 filhos jovens, teve um leve mal-estar. Foi-lhe diagnosticado um tumor no baço. Operado numa famosa clínica privada de Lisboa, passados 2 meses em consulta de rotina, o médico apercebe-se que após apalpação, o doente começava a desfalecer à sua frente. Enviado para as urgências, tinha de ser operado urgentemente, com uma hemorragia interna, mas faltava um cheque. Enquanto um familiar foi a casa e voltou com o cheque, após 6 horas, o doente faleceu.
Tudo isto aconteceu em Portugal, não é ficção.
Sabendo que todos os médicos fazem o juramento de Hipócrates, é natural que haja bons e maus médicos, como em todas as profissões.
Numa sociedade ainda eminentemente materialista, os seres humanos desconhecendo a sua componente espiritual, a sua imortalidade, a reencarnação como lei inevitável no carrossel da evolução do ser humano, vivem como se não houvesse vida para além da morte e, depositam todos os objectivos da vida no dinheiro, no ter coisas, ao invés do ser pessoa, das atitudes, dos sentimentos, dos pensamentos.
Nós, espíritos eternos, reencarnamos para evoluir moral e intelectualmente, essas duas asas da vida que nos levarão um dia à sabedoria. Reencarnamos também, para resgatar erros de vidas passadas, que nos pesam na consciência, em que voltando “ao local do crime”, passando por dificuldades similares (ou não, conforme as circunstâncias necessárias) àquelas por nós criadas em vidas anteriores, o Espírito liberta-se do complexo de culpa, criando assim condições para aceder a novos patamares evolutivos.
Dizem os Espíritos (pessoas como nós que largaram o corpo de carne pelo fenómeno natural da morte do corpo físico) que o sentimento mais comum no mundo espiritual, é o de imensa perda de tempo na Terra, de nostalgia por essa situação, em que têm de voltar para recomeçar as mesmas provas (entre outras), tal como o aluno preguiçoso que não estudou tem de repetir o ano escolar, estudando as mesmas matérias.
  
Quando o homem conhecer a sua componente espiritual
e a reencarnação, a medicina deixará de ser um comércio
para passar a ser uma missão sagrada.

André Luiz, que foi médico na Terra, e que ditou vários livros através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier, ao adentrar o além-túmulo, ficou estupefacto com o tão pouco que sabia, se comparado com os meros auxiliares que trabalhavam em hospitais no mundo espiritual, ele que fora médico de renome na Terra, no Brasil.
O Espiritismo vem alertar para a enorme responsabilidade dos nossos actos, pensamentos e sentimentos nas relações interpessoais, a repercutirem-se na nossa vida sob a forma de paz ou agitação, de acordo com a génese dos sentimentos que lhes deram origem.
O Espiritismo, pegando no ensinamento de Jesus “Não fazer ao próximo o que não desejamos que nos façam” vai mais adiante, dizendo, “Fora da caridade não há salvação”, e que como tal, devemos “fazer ao próximo aquilo que desejaríamos para nós próprios”.
É natural que, quiçá, aqueles que hoje utilizam a medicina, não para curar mas para enriquecer à custa do sofrimento alheio, possam reencarnar em situações sociais pobres, a fim de, experimentando no futuro aquilo que semearam no passado, assim aprendam que os laços de fraternidade entre todos os seres humanos são o nosso tesouro existencial.
Quando um dia o homem tiver a consciência de que “Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei”, então a medicina dos homens deixará de ser uma negócio, para passar a ser uma missão sagrada, onde o focus existencial não estará mais no lucro, mas sim no ser humano.
Até lá, façamos a nossa parte, dando o exemplo que arrasta multidões…
  
Bibliografia:
Kardec, Allan: O Livro dos Espíritos; O Céu e o Inferno;
Luiz, André: Nosso Lar;

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Resistir ao suicídio...


João estava desesperado. Fora despedido. A empresa falira, engolida no egoísmo de quem a geria. A esposa, empregada fabril, tinha sido despedida há 2 meses. João pensava nos 2 filhos que tinha para criar, de 15 e 17 anos. Almejava dar-lhes um curso superior, que agora ia pelo cano abaixo. Faltavam 10 anos para acabar de pagar o empréstimo da casa, e agora não tinha como. O futuro tinha fugido, de repente. Não tinha saída.
A solução estava ali à mão de semear.
Vivia perto da linha de comboio, perto de uma curva, seria uma morte rápida e sem grande dor, pensava no seu íntimo.
Nessa noite, deitou-se pela última vez ao lado da esposa, carcomida pelas dificuldades da vida, tal como ele. Olhou para ela, dormindo, cansada, e uma lágrima de tristeza misturada com ternura rolou pela face.
Não podia fraquejar!
Levaria o seu plano por diante, após a rotina diária de desempregado, após o café diário, no café do Sr. Joaquim. Assim não daria nas vistas.
Ajeitou-se nas mantas, e sem saber como nem porquê, lembrou-se da sua falecida mãe, que lhe falava do seu anjo da guarda ou guia espiritual. Nunca fora dado a essas coisas da espiritualidade. Ela morrera, e era apenas uma leve recordação.
Adormeceu.
Teve um sonho muito nítido, onde se via lado a lado com um ser luminoso, que o levava a visitar um local sinistro, sombrio, onde a dor não tem palavras para ser relatada. Olhou para uma tabuleta que encimava a entrada: “Vale dos suicidas”. O seu companheiro de viagem durante o sono (o seu guia espiritual), mostrava-lhe ali o estado de inúmeras pessoas, que pensando tudo acabar com a morte do corpo de carne, ali sofriam os horrores da desilusão, até que um dia, por mérito próprio, sejam resgatadas pelos espíritos benfeitores, levando-as para um local mais calmo, em preparação para nova reencarnação.
Gritos, tiros, apitos de comboios, gemidos de dores, de tudo um pouco ouvia, e aquilo perturbou-o imenso. Pediu para voltar. De repente, acordou alagado em suor.
5 da manhã! A esposa dormia tranquila…
Que raio de sonho!”, pensou… Deviam ser preocupações devido ao que planeava.
Mas, aquilo tinha sido tão nítido, que não conseguiu dormir mais, e continuou até de manhã, a matutar naquele sonho, que para ele, parecia realidade. Se fosse daqueles que acreditavam nas coisas da espiritualidade, iria jurar que tinha sido real. Mas não, a vida para além da morte não existe, cogitava ele, enquanto se procurava acalmar.
No dia seguinte, levantou-se fez a rotina diária, e enquanto tomava o café no Café do seu bairro e lia as notícias do dia, antes do fatídico momento que tinha preparado, apareceu-lhe o Victor, amigo de sempre. “Pobre coitado, o filho fora assassinado no bairro, faz quase um mês, sem ter culpa nenhuma, e o homem, mesmo assim aguentou-se”, pensava com os seus botões.
Depois dos cumprimentos da praxe, Victor mandou vir um café, pousando um livro sobre a mesa.
“Que andas a ler, perguntou o João?”
Ah, é um livro que me tem ajudado muito”, disse o Victor. “Imagina que o André, o nosso vizinho é espírita, faz parte daquelas reuniões todas as 4ªs feiras, naquele grupo espírita ali à beira da mercearia do António. Nunca acreditei nessas coisas. Ele convidou-me a lá ir, e destroçado com a morte do meu filho, lá fui”.

O espiritismo, provando a vida para além da morte,
demonstra que o suicídio não faz sentido,
sendo uma fonte de sofrimentos inenarráveis

Oh homem, vim de lá novo. Este livro, “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, abriu-me os horizontes da vida, tenho ido às reuniões, e venho sempre de lá melhor. Até tenho esperança de um dia receber uma mensagem do meu filho”.
João estava atónito, pois desconhecia a fé daquele homem, a quem tinham morto o seu único filho e esperança para o fim da sua vida.
“Queres ir lá um dia comigo, perguntou o Victor?
Bem sei que não acreditas em Deus, mas vais ver que é diferente”.
João irrompeu num pranto, soluçou, para espanto do seu colega de mesa e dos restantes que estavam nas mesas ao lado. Depois de se acalmar, João lá lhe contou do seu projecto para dali a minutos quando o comboio passasse, contou-lhe o sonho vívido que tivera, a lembrança repentina da sua mãe antes de adormecer, e agora aquele encontro inopinado, e ainda as mais inopinadas revelações da frequência do seu amigo às reuniões espíritas.
Seria um sinal para que não se matasse? ... cogitava agora em voz alta!
Victor pegou-lhe pela mão. Foram ao centro espírita.
João pôde ali lavar a alma, com um dos dirigentes presentes, que lhe falou das inúmeras provas da imortalidade do espírito, da comunicabilidade dos espíritos, da reencarnação, e da esperança num dia melhor.
O comboio acabou por passar, apitando na dita curva, enquanto eles iam falando da espiritualidade e da imortalidade.
Ali, naquele momento, João apanhou o comboio da vida de novo, e ainda hoje pensa que se não fosse o espiritismo, talvez estivesse naquele lugar do seu sonho, a carpir as mágoas, próprias de quem tenta em vão fugir da Vida e das leis sábias de Deus.
A esperança estava de novo ali, pois havia a perspectiva de ir trabalhar como jardineiro para a casa de um dos frequentadores do grupo espírita onde fora socorrido.
Pensava com os seus botões: nos momentos difíceis é fundamental… resistir ao suicídio…