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Zé maneta


O Zé maneta
É por todos gozado
Queres saber
O porquê do passado?

Nesta vida
Teve um acidente
A mão decepou
Faz pena à gente!

Homem trabalhador
Honesto, leal,
Porquê ele?
Porque aconteceu tal?

Deus não é justo
Diz o povão
O Zé maneta
Tem bom coração.

Esquece o povo
A lei da reencarnação
O passado volta
A pedir revisão.

Vou então deslindar
Esta situação.
Que terá acontecido
Para perder a mão?

Nos idos de 1600
Era navegador
E nas caravelas
Gerou muita dor.

Homem prepotente
Por todos temido
À mínima coisa
Alguém ficava ferido.

À custa da maldade
Fez-se respeitado
Mas no fundo
Era muito odiado.

Um dia morreu
Em noite de tempestade
Para o Além partiu
Como uma majestade.

Estranha recepção
Apupos, urros, gritos,
Mas que se passa afinal
Porque estou com os aflitos?

Sua vida viu
Como num cinema
Tanta maldade junta
Exigia quarentena.

Passados anos
À Terra voltou
Em vida simples
Aos poucos expiou.

Mas faltava uma “factura”
Na sua expiação
Nasceu como Zé
E ficou sem a mão.

Foi ele que escolheu
Tal situação
Para com a dificuldade
Aprender bem a lição.

A mão que feria
Matava, aturdia,
Fora decepada
No fatídico dia.

É assim, meus amigos
A lei divina
Mais cedo ou mais tarde
Altera-nos a rotina.

A vida é sinfonia
Que temos de tocar
Tornando-a mais bela
Com o nosso amar.

E assim aos poucos
O sofrimento se vai
Aprendendo afinal
O amor que leva ao Pai.

Sabes agora
A história do Zé
Aprende com ela
Estimula a tua fé.

Fazer o bem
Sem cessar
É tarefa urgente
E muito amar.

O Zé perdeu a mão
Nesta vida
Aproveitou a reencarnação
Tornou-a mais florida.

Largado o corpo
Pela morte natural
Ao Além voltou
Mais feliz, afinal.

Esse é o desiderato
Que nos espera
Semear agora
Viver a primavera.

Amanhã estaremos
Bem mais felizes
Se tivermos sido
Bons aprendizes.

Quem semeia colhe
Lá diz o ditado
Não há quem colha
Em lugar errado.

Poeta alegre
Psicografia recebida nas Caldas da da Rainha, Portugal, em 25 de Julho de 2004

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Zé Malaquias

Zé Malaquias
Vivia bem
Tinha família
E a todos desdém

Rico fazendeiro
Tudo possuía
Até as mulheres
Que ele queria

Foi assim, que um dia
Sua vida mudou
A mulher descobriu um caso
O casamento estragou

Malaquias sofria
Com amor no coração
O amor da mulher
Procurava em vão

Com tanta frustração
No bordel entrou
E nunca mais saiu
Até que a morte o levou.

Malaquias voltou
De novo à vida
Encontrou a esposa
Para nova “corrida”

Reparando o passado
Busca a solução
Sexo ainda é problema
Numa ou noutra situação

E é com esse sofrer
Que o casal aprenderá
A não desbaratar
Oportunidades que a vida dá

Malaquias e Conchita
Irão vencer?
Certamente! Mas quando?
Só deles vai depender.
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Sexo bem usado
É fonte de paz
Se mal usado
A inquietação traz

Não busques no sexo
A ventura da vida
Pois podes ficar
Com a alma dorida

Sexo, sexo, sexo
Palavra vilipendiada
Põe em acção a ética
Leva vida mais regrada

Quem usa o sexo
Com rectidão, honestidade
Vive tranquilo
Por toda a eternidade.

Poeta alegre



Psicografia recebida em Caldas da Rainha, Portugal.

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Zé tirano



Zé tirano
Era a alcunha
Onde podia
Metia a unha.

Esperto, capaz
Tudo queria
Aqui e acolá
Fazia razia.

Rico, poderoso,
Todos manipulava
Sem se importar
Se errado estava.

De tal modo
Era o seu agir
Que “tirano” ficou
Para o porvir.

Todos o receavam
Com ódio ou medo
Ele, o tirano
Caía no degredo...

No degredo espiritual
Apesar da opulência
Ganhando inimigos
Com a sua vivência

Zé, o tirano
Voltou agora
Pobre, enfesado,
Filho do Zé da nora.

Trabalha no campo
De sol a sol
Fraco de corpo
A alma num redol.

Diz quem vê
Que sofre pesadelos
Coitado do jovem
Amigos? Nem vê-los

Porque será
Tanto sofrer?
O Zé da nora
Pergunta à mulher.

São coisas de Deus
Vá-se lá saber
Ele lá sabe
Porquê o sofrer

Mas nosso filho
Que mal realizou
Para nascer assim
Porque Deus o marcou?

Só a reencarnação
Explica tal
Que ninguém espere o bem
Se praticou o mal.

Zé tirano sonha
Com opulência, grandeza,
Mas nesta vida
Só terá a pobreza.

Assim aprenderá
O preço da fraternidade
A ser simples, humilde
E útil à humanidade.

Reencarnação, imortalidade,
Ensina o espiritismo
E a imortal comunicabilidade
Revivendo o cristianismo.

A Doutrina Espírita
Kardec codificou
Observando, pesquisando,
Essas leis nos deixou.

Se queres conhecer
O mundo espiritual
Estuda Kardec
É esse o manual.

Poeta alegre
Psicografia recebida em Caldas da Rainha, Portugal, em 18 de Janeiro de 2004

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Divaldo Franco: clonagem à luz do espiritismo



A clonagem é um tema em foco nos dias que correm. Muito se especula sobre a possibilidade ou não de se conseguir um dia clonar ser humanos. Vejamos a opinião de Divaldo Franco o maior conferencista espírita a nível mundial, sobre este assunto.

Sobre este assunto, a clonagem humana, vejamos a opinião de Divaldo Pereira Franco, espírita, pedagogo, conferencista e médium muito respeitado mundialmente, doutor Honoris Cause por várias universidades:
«A clonagem humana ainda é muito remota. Não nos deixemos empolgar com as notícias sensacionalistas que nos dão resultados de experiências muito válidas e respeitáveis, mas que ainda demorarão muito. É necessário que a nossa contribuição, do ponto de vista da confiança, esteja alicerçada na razão, e o espírita em particular, com respeito aos demais, religiosos ou não, deve estudar bem «O Livro dos Espíritos», para não se deixar perturbar com facilidade por quaisquer ideias absurdas.
A problemática da clonagem vem sendo estudada há mais de 50 anos. Agora, uma experiência que nos trouxe "Dolly" (a ovelha clonada), demonstra a possibilidade de um animal clonado, de uma célula retirada da glândula mamária de um ser e fecundada com o DNA de outro. Mas há, ainda, muito espaço a percorrer, especialmente quando se constatou que a mãe de "Dolly" morreu.
Assim sendo, não se pode verificar se ela é uma cópia absolutamente igual, porque não se tem como fazer a comparação. Ademais, desde o momento dessa clonagem até chegarmos às experiências humanas, teremos um longo caminho a percorrer.
Em 1960, nos EUA, um experiente estudioso apresentou a seguinte questão: "Se deixarmos que os seres deficientes vivam, iremos ter uma decadência genética. Se interrompermos a vida dos seres deficientes, já teremos uma decadência ética".
Para Theodosius Dobzhansky, que assim se expressou, a questão estava nestes dois termos: deixar viver o deficiente ou eliminá-lo? Mas faltava uma base essencial para o raciocínio dele (a ética).

Toda a vez que um indivíduo violenta uma Lei natural, sofre-lhe o efeito.
Aí está o ecosistema completamente comprometido e a Terra
sofrendo as consequências climáticas.

A ética, naturalmente será apresentada para a genética.
A clonagem é um fenómeno natural. Na salamandra, quando se lhe amputa a cauda, ela se reconstrói completamente igual. Em determinados répteis, repete-se o fenómeno por automatismo da natureza. "Clone" significa ramo. Toda a vez que retiramos um ramo de uma árvore, ela repete a imagem inicial.
Portanto, a clonagem é uma experiência muito digna, do ponto de vista genético.
Até chegarmos à construção de um homem "clonado", com personalidade, raciocínio, lucidez, devemos apenas aguardar, e não nos preocuparmos em demasia.

Perguntarão: E onde fica o Espírito?
Quando a ciência conseguir meios que facultem a reencarnação, ele se fará presente. A fecundação "In Vitro" não substituiu perfeitamente o organismo humano? Então, devemos considerá-la como um avanço.
Todavia, a ciência, através dos seus mais ilustres paladinos e governos, deverão estar vigilantes para o uso que se vai fazer da clonagem.
Na moderna proposta da clonagem, o delírio faz com que algumas pessoas pensem na possibilidade de se criarem indivíduos descerebrados, que serão desenvolvidos até aos 15,16 anos, e depois armazenados para transplantes de órgãos. É um delírio! Isso não nos deve preocupar. Outros acreditam que podem interferir no gene, no DNA e retirar a sensibilidade para fazerem indivíduos totalmente imunes à dor. Criarem um exército de homens e mulheres indiferentes ao sofrimento. Mas, tudo isso não passa de "ciência-ficção". 
E se um dia se tornar realidade? Criaremos monstros que nos irão destruir, como é natural.
Toda a vez que um indivíduo violenta uma Lei natural, sofre-lhe o efeito. Aí está o ecosistema completamente comprometido e a Terra sofrendo as consequências climáticas.

Quando a ciência conseguir meios que facultem a reencarnação,
ele (o Espírito) se fará presente

Aguardemos! Qualquer tentativa de se antecipar o facto é uma elucubração.
O Espiritismo é a ciência dos factos. Allan Kardec disse textualmente: " À ciência cabe a tarefa dos fenómenos científicos. O Espiritismo não se envolverá nessa pesquisa científica. O Espiritismo aceita tudo o que a ciência comprova, mas não se detém onde a ciência pára. O Espiritismo estuda as causas, enquanto a ciência estuda os efeitos. No dia em que a ciência provar que os espíritos estão errados num ponto que seja, abandonaremos esse ponto e seguiremos a ciência".
É uma doutrina, portanto, profundamente vinculada à pesquisa, à investigação, à ciência através do seu trabalho intérmino para o processo da evolução.
Quando vimos a bomba atómica sobre Hiroshima e Nagasaki, sofremos o terror da fissão nuclear. E no entanto aí estão os átomos para a paz.
Sabemos que o veneno mata, mas, quantas vidas o veneno cura? Está tudo no direccionamento da criatura humana. Dessa forma, tranquilizemo-nos e aguardemos as investigações da ciência.
Pessoalmente, e os Espíritos que por mim se comunicam, não acreditamos que se possa clonar um ser humano, dando-lhe personalidade, lucidez, inteligência. Vamos aguardar...

Portugal, 2004

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A invasão da mediunidade


Mediunidade ou percepção extrasensorial é quase a mesma coisa. Nomes diferentes para a mesma situação: capacidade de percepcionar o mundo dos Espíritos. Ela aí está, presente na casa de ricos, pobres, cultos, incultos, como que a alertar para uma realidade que teimamos em ignorar. Como lidar com esta situação?

Muitos são os casos de pessoas com sintomas estranhos, sensações esquisitas que lhes causam mal-estar físico e psíquico. Procuram nos gabinetes médicos a solução para os seus males, sem conseguirem, na grande maioria dos casos, atinarem com as causas de tais males. Geralmente, depois de grande peregrinação pelos gabinetes médicos acabam por pedirem ajuda numa associação espírita. Muitas vezes adentram estas associações contra vontade, forçados pelas circunstâncias. Após orientação doutrinária, estudo, aprendizagem, apoio espiritual e muita paciência, a pessoa aprende a lidar com essa nova situação para a qual não estava preparada. Muitas buscam a solução dos seus “males” em charlatães, que a cobro de muito dinheiro prometem a cura de tudo e mais alguma coisa. Desenganem-se os incautos, pois a mediunidade ou percepção extrasensorial ... não tem cura, pois não é nenhuma doença.
Recordamos uma entrevista que o Prof. Dr. Mário Simões, médico, psiquiatra, professor universitário, concedeu à revista Notícias Magazine, em Março de 1998, Portugal, onde afirmava que as associações espíritas desempenhavam grande serviço junto da comunidade pois conseguiam lidar com situações para as quais a comunidade científica não estava preparada. Foi um reconhecimento corajoso, o deste médico, que não sendo espírita decerto se depara todos os dias com clientes com sintomatologia desse género.
A mediunidade é pois uma faculdade humana, uma espécie de sexto sentido, que todos possuímos. Uns têm-no em estado latente, adormecido, outros têm essa faculdade bem desabrochada (são os chamados médiuns) e outros têm essa faculdade numa fase inicial em que desponta.

Temos pois o espiritismo, como precioso auxiliar da medicina
na compreensão do homem integral, bem como no entendimento
de todas as intercorrências relacionadas com a sua saúde mental e física

Como é lógico, o homem que se encontra imerso nos problemas do quotidiano, não cogitando da sua condição espiritual, não sabe lidar com esta situação nova e como tal isso reflecte-se no seu bem-estar psicofísico. Há pois a necessidade da aprendizagem para que aos poucos essa faculdade nova deixe de ser um elemento perturbador para passar a ser mais um sentido que a pessoa possui e que pode ser muito útil para a sua evolução espiritual, bem como para o auxílio ao próximo.
Sendo uma faculdade normal, ela tem despontado em todos os lares, de ricos e pobres, de pessoas cultas e com menos cultura, como um alerta que o mundo espiritual manda constantemente para todos nós para que assim abramos a nossa mente para outro estilo de vida mais condizente com a nossa condição de seres eternos. Com a mediunidade, a espiritualidade alerta a humanidade para a continuidade da vida após a morte do corpo físico, alertando-a para várias leis que regem o intercâmbio entre o mundo corporal e o mundo espiritual, alertando o homem para a necessidade da sua renovação interior, na busca da felicidade própria e alheia.
Vários casos curiosos têm acontecido connosco, na nossa associação, nas Caldas da Rainha, como em tantas outras por esse mundo fora. Pessoas aparentemente desequilibradas por algo que não dominam e facilmente catalogadas de “doentes dos nervos” tornam-se pessoas “normais” após aprenderem a lidar com essa nova situação na sua vida. Temos pois o espiritismo, como precioso auxiliar da medicina na compreensão do homem integral bem como no entendimento de todas as intercorrências relacionadas com a sua saúde mental e física.
Há tempos uma senhora entrou de urgência no hospital da nossa cidade. Alertados por um familiar de que essa pessoa iria ser transferida para Coimbra com informação de patologia psiquiátrica, e sabendo que essa pessoa não possuía nenhum desses problemas, estando apenas de momento a passar por desequilíbrio decorrente de situações conflituosas na sua vida, demandámos em direcção ao hospital. Felizmente, estava presente, de serviço, médica nossa conhecida que era sensível a estas situações pois já tivera ocorrências na família em que seres falecidos comunicavam com a sua avó, que era portadora de faculdade mediúnica (era médium, sem saber). Pedimos-lhe se podíamos ficar breves momentos com a “doente”, num corredor contíguo à urgência e passados breves momentos a “doente psiquiátrica” estava boa, perante o espanto dos restantes clínicos. Teve alta e regressou a casa.

Cientistas continuam a pesquisar a mediunidade,
como uma faculdade perfeitamente normal,
tal como outras que o ser humano possui

Posteriormente, falando com médica estagiária, ela referia, ao contarmos esta situação, que de facto acontecem coisas muito esquisitas nas urgências e que seria bom ter alguém das associações espíritas presente para auxiliar. Sorrimos perante a inevitabilidade que bate à porta dos médicos hoje: a necessidade de estudarem a mediunidade para melhor poderem entender os seus doentes.
Felizmente existem já vários médicos (alguns nas Caldas da Rainha) em Portugal que conhecem a mediunidade, que sabem da possibilidade do contacto com o mundo espiritual e que acabam por orientar as pessoas portadoras dessa perturbação passageira, para associações espíritas idóneas, onde não exista comércio nem aceitação de pagamentos.
Como curiosidade, e a corroborar o que aqui afirmamos, a Fundação Bial tem financiado várias bolsas de estudo para pesquisa científica na área da paranormalidade. De realçar que uma médica psiquiatra da capital, ganhou precisamente uma bolsa de investigação científica na área da mediunidade, onde vários médiuns serão analisados, investigados, no sentido de se procurar entender esta faculdade que cada vez mais vai adentrando as casas de todos nós.
Uma sugestão para os interessados: a leitura de dois livros fantásticos: «O Livro dos Espíritos» e «O Livro dos Médiuns», ambos de Allan Kardec, duas obras essenciais para o entendimento da mediunidade.

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A minha filha ouve vozes...



O dia corria célere como habitualmente. No meio de alguns afazeres, o telemóvel toca. Uma pessoa que desconhecíamos, mas com quem nos correspondíamos via Internet, dado que nos contactara com várias questões acerca da Doutrina Espírita (ou Espiritismo), estava um pouco aflita. A sua filha, com 8 anos de idade, era considerada sobredotada, mas isso não era problema, pois que já se habituara à ideia e às necessidades de acompanhamento especial por causa dessa característica. Ultimamente, a filha ouvia vozes e tinha percepções espirituais. Uma psicóloga amiga da família tem acompanhado a jovem, chegando por fim ao veredicto: não sei mais que fazer com ela: levem-na a um psiquiatra pois deve estar a precisar de acompanhamento psiquiátrico.
A mãe ficou preocupada pois não desejava que a filha começasse tão cedo a tomar medicação, para além de a saber perfeitamente normal e sem transtornos aparentes do foro psiquiátrico.
Solicitou-nos uma opinião. Não sendo médico, apenas poderíamos falar da nossa experiência pessoal, que também numa outra altura da vida isso teria acontecido connosco e que felizmente tinha contactado com um médico psiquiatra espírita e que ele nos afirmara que se fosse consultar outro psiquiatra que não conhecesse o mecanismo da mediunidade (ou percepção extra-sensorial) provavelmente ter-me-iam receitado anti-psicóticos ou algo no género.
A mãe agradeceu, tomou nota do nº de telefone do médico psiquiatra que conhece o Espiritismo bem como a mediunidade, e marcou uma consulta para a filha.

Porque é que eu não encontrei o Espiritismo antes?
Ele responde às mais sérias questões da vida...

Este facto, tão banal, levou-nos a pensar de como uma coisa tão simples quanto complexa – o conhecimento de uma doutrina filosófica – pode interferir no bem-estar ou não dos pacientes. Ficamos a reflectir na grande necessidade que existe de os médicos estudarem a Doutrina Espírita, no sentido de assim melhor poderem fazer o diagnóstico desta ou daquela situação que não estão contempladas nos cânones universitários.
Desconhecendo que somos um ser eminentemente energético, imortal, temporariamente num corpo de carne, como podemos interpretar distúrbios e ou situações que se relacionem com o eu profundo do ser, com traumas de vidas passadas, com a percepção extra-sensorial (ou mediunidade), com interferências espirituais que muitas vezes mascaram hipotéticas patologias orgânicas?
Curiosamente há tempos, tivemos conhecimento de um médico que se inscreveu no Curso Básico de Espiritismo via Internet, disponível na página da ADEP – Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal, em www.adeportugal.org – mas na sua inscrição escondeu a sua condição de médico, afirmando-se como técnico de saúde. Passadas umas semanas, apercebendo-se de que estava a lidar com pessoas sérias, com uma doutrina séria e profunda, identificou-se, passou a frequentar uma associação espírita e está a estudar aprofundadamente a Doutrina Espírita, exclamando: «Porque é que eu não encontrei o Espiritismo antes? Ele responde às mais sérias questões da vida...».

A Doutrina Espírita é precioso auxiliar da medicina
no entendimento do homem integral: urge estudá-la
para melhor entender o ser humano

Por isso é importante a divulgação da Doutrina Espírita, não no sentido de arranjar prosélitos, mas sim no sentido de auxiliar as pessoas a entenderem melhor quem são, de onde vêm, para onde vão, e o porquê da vida, as suas dissemelhanças, alegrias, tristezas, entre outras questões existenciais.
«O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec, é uma monumental obra filosófica que tem abanado as estruturas materialistas do pensamento actual, abrindo novos horizontes existenciais à humanidade.
A Doutrina Espírita é precioso auxiliar da medicina no entendimento do homem integral: urge estudá-la para melhor entender o ser humano.

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A morte morreu...


No 1º de Novembro, data em que se recordam os “mortos”, facilmente podemos concluir que a morte é uma quimera. Mais! A morte morreu e quem a matou, foi a lucidez, a fé raciocinada e o espírito científico, que o espiritismo veio trazer ao homem em 1857.

Estamos habituados a fazer o culto da morte, de tal modo este culto faz parte das nossas raízes culturais. Para muitos, é algo em que não se quer pensar, de tão tenebroso se afigura. Almeja-se viver o máximo possível, mesmo que sofrendo muito no corpo de carne. A morte apresenta-se como essa madrasta cruel que aparece quando menos se espera. Não poupa ninguém, e é menos compreendida quando engrossa o seu pecúlio com vidas na flor da idade. O desespero e a incompreensão apoderam-se então das pessoas, revoltando-se muitas vezes contra a Lei da Vida. Tais atitudes encontram justificação no desconhecimento das leis do mundo espiritual, descobertas, estudadas e evidenciadas desde há 140 anos, altura em que o espiritismo (ou doutrina espírita) as revelou, utilizando para tal o método científico. Acontece que, encontramo-nos de tal modo embrenhados na luta do quotidiano, que quase sempre não arranjamos tempo ou disposição para investigar ou interessarmo-nos pelo local que todos nós, indubitavelmente um dia reencontraremos - o mundo espiritual.

A vida continua, e é possível contactar os falecidos

Vivemos pois quais cegos, recusando-nos a ver aquilo que se torna evidente aos nossos olhos. Posteriormente, é o remorso do tempo perdido, e quase sempre, o desespero, aquando da perca de algum familiar.
Mas, que tem a ver com tudo isto o espiritismo, e o 1º de Novembro? É que o espiritismo prova-nos a continuidade da vida para além da morte do corpo físico, mostra-nos as evidências da realidade da reencarnação, bem como as regras de segurança para se poder comunicar com o mundo espiritual, sem sobressaltos. Os familiares que outrora se encontravam perdidos para sempre, em algum recanto do céu ou do purgatório, vem agora confabular connosco, dizer de suas alegrias ou tristezas de acordo com a sua postura interior, resultado das atitudes que teve na Terra, enquanto cá andava. Não mais aquelas perspectivas medonhas do céu beatífico ou do inferno eterno. Novas leis, racionais, compreensíveis e investigáveis se revelam agora, perante todos aqueles que as quiserem estudar. Vêm dizer-nos que a vida continua no “lado de lá”, tal como por aqui, com uma estrutura social, com cidades, com escolas, hospitais, oportunidades de crescimento intelectual e moral, onde novas perspectivas de realização terrena se vão conjecturando para futuras reencarnações. Nesse sentido, o espiritismo é o grande Consolador dos seres humanos, dando uma nova noção da vida, ampliando seus horizontes, fazendo com que as pessoas a entendam com perspectivas futuras radiosas e felizes, baseadas em factos palpáveis.
Por isso mesmo, não faz grande sentido a romaria anual aos cemitérios, nem tão pouco o alimentar das vaidades mundanas à custa dos falecidos, que se concretizam muitas vezes na maneira como os cemitérios são utilizados. Sabemos hoje que os falecidos apenas respondem aos nossos pensamentos, e com eles se afinizam no mal ou no bem. Sabemos que eles preferem que os recordemos em casa ou noutro local menos tétrico que o cemitério. Que ficam felizes quando nos lembramos deles com carinho e amor, independentemente de ser o 1º de Novembro ou outro dia qualquer. E que ficam tristes quando os esquecemos, sabendo avaliar muitas vezes da hipocrisia com que frequentemente os relembramos em público (para cumprir preceitos mundanos).

O espiritismo matou a morte

Nesse sentido, urge desvalorizar o ritual da morte, encarando-a como o despir (apenas isso) do corpo físico, em demanda de outras paragens, outros planos vibratórios em que a vida se manifesta, outras dimensões existenciais, tal como nós, na Terra abandonamos um casaco velho que usámos durante muito tempo e sem qualquer tipo de nostalgia, pois outro mais moderno e consentâneo com a época foi por nós adquirido.
É tempo de interiorização, arranjarmos tempo para nos esclarecermos um pouco acerca da grande viagem que todos encetaremos. Aliás, quem se aventura a viajar sem conhecer minimamente o roteiro, o percurso que passará?
Esse roteiro seguro está bem calcado nas obras de Allan Kardec - “O Livro dos Espíritos”, “O Livro dos Médiuns” e outros, bem como nos livros de André Luiz, em especial o intitulado “E a vida continua”, livros esses que poderá adquirir em qualquer associação espírita, ou nas livrarias.

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A política e o espiritismo


É muito comum encontrarmos uma ideia pré-estabelecida entre os espíritas, a ideia de que estão muito bem se distanciados da política que se faz um pouco por todo o mundo.

A razão parece ser simples, a de uma certa incompatibilidade entre a vivência dos postulados espíritas, dentro da moral que Jesus de Nazaré deixou, e a prática política corrente.
Embora saibamos que existem políticos honestos, é inegável hoje em dia a má imagem que as classes políticas têm um pouco por todo o mundo, onde a imagem do egoísmo, do compadrio, da corrupção se vai generalizando, criando uma certa aversão para com esta classe de dirigentes.
O espírita, sendo um ser social, não pode abstrair-se dessa realidade, não devendo portanto ignorá-la como se ela não existisse.
O espírita sincero, convicto, que procura no seu quotidiano viver em consonância com os seus ideais, deve procurar dar o seu contributo à sociedade, sendo interventivo, colaborando, procurando auxiliar para que a organização social melhor, e a qualidade de vida das pessoas aumente.
Assim, o espírita não pode nem deve demitir-se da sua intervenção política na sociedade. Deve, isso sim, dar o exemplo de honestidade, não pactuando com compadrios, desonestidades, procurando servir, sempre, cada vez mais, a população que o elegeu, que em si acreditou.
São graves as consequências espirituais daqueles que abusam do seu poder para o utilizarem benefício próprio, ao invés de o colocar ao serviço do povo. Geralmente são pessoas que se comprometeram antes da reencarnação com tal tarefa, muitos deles, procurando rectificar erros antigos, de vidas passadas, onde o egoísmo suplantou o espírito de serviço à comunidade.
Voltam pois cheios de projectos pessoais, interiores, de melhoria moral, de vontade de auxiliar a comunidade e quando mergulhados no corpo de carne, pelo processo da reencarnação, rapidamente esquecem os seus propósitos mais nobres, para enveredarem em roteiros materialistas, nada consentâneos com o espírito que preside ao dever do poder político.
Lembrando Jesus de Nazaré, «a semeadura é livre mas a colheita é obrigatória» e perante este axioma que se aplica a todos nós, questionamo-nos sobre como se encontrarão no mundo espiritual aqueles que usaram e abusaram do poder político apenas para alimentarem os seus caprichos pessoais.
Sabemos que a evolução é lenta e que o Espírito se vai burilando passo a passo, vida após vida, mas não deixa de se interessante o estudo de «O Livro dos Espíritos» de Allan Kardec como uma autêntica pérola para a humanidade e que pode muito bem ser a referência moral para um comportamento mais ético, mais nobre, no trabalho em prol da comunidade.
O espírita tem assim duplo trabalho, quando se enquadra nos meandros políticos, o trabalho de ser coerente com os seus ideais, dando o exemplo de espírito de serviço, de honestidade, e o trabalho de não se deixar corromper pelos apelos do êxito fácil e a qualquer preço.
Demitirmo-nos das nossas responsabilidades perante a comunidade não é certamente o caminho certo.
Bezerra de Menezes (na fotografia), médico, espírita, deputado brasileiro, foi o exemplo de como deve ser o espírita na sociedade. Foi representante político, mas nunca se deixou inebriar pelo perfume do êxito fácil. Continuou no seu quotidiano auxiliando os mais desfavorecidos, consultando-os gratuitamente quando não podiam pagar os seus serviços de médico, pagando ele próprio do seu bolso, inúmeras vezes, os medicamentos que receitava aos mais desfavorecidos, que viam nele, o homem, o político, o irmão na sociedade.

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Ah ! Se eles soubessem...


Liguei a televisão, estava a dar o noticiário, havia algo de diferente, apesar dos tradicionais exageros das desgraças alheias a que estamos habituados. O caso era mais sério, dramático mesmo. O fogo, na maioria das vezes posto criminosamente, segundo opinião abalizada nos “media”, tinha destruído vasto património nacional bem como os bens de muitos particulares, incluindo casas, pertences e mesmo vidas humanas.

Liguei a televisão, estava a dar o noticiário, havia algo de diferente, apesar dos tradicionais exageros das desgraças alheias a que estamos habituados. O caso era mais sério, dramático mesmo. O fogo, na maioria das vezes posto criminosamente, segundo opinião abalizada nos “”, tinha destruído vasto património nacional bem como os bens de muitos particulares, incluindo casas, pertences e mesmo vidas humanas. Temos aprendido com a Doutrina Espírita (ou Espiritismo) as magnas leis da vida, entre as quais se encontra a lei de causa e efeito, que nos diz resumidamente que todos somos herdeiros do nosso destino e que a toda a acção corresponde uma reacção de sentido idêntico. Nesse sentido vemos aqui a assertiva ensinada por Jesus, quando dizia que «A semeadura é livre mas a colheita é obrigatória» ou «A cada um segundo as sua obras».

Toda a acção positiva repercutir-se-á na nossa vida
bem como toda a atitude negativa nos afectará inapelavelmente,
pela lei de causa e efeito

Temos aprendido que a dissemelhança entre a felicidade e o sofrimento, a calma e a agitação, o bom e o mau, não são mais do que reflexos da aprendizagem que cada um já conseguiu na sua esteira evolutiva ao longo das vidas sucessivas. Assim sendo, toda a acção positiva repercutir-se-á na nossa vida bem como toda a atitude negativa nos afectará inapelavelmente, pela lei de causa e efeito. Interrogamo-nos muitas vezes porque uns sofrem mais do que outros, porque a uns acontecem tantas desgraças e a outros não, e mesmo não descartando a responsabilidade humana alheia que é sempre um factor a ponderar, não podemos deixar de ver aí a lei de causa e efeito em acção.
Meditando em torno dos tristes acontecimentos não pudemos deixar de sentir um arrepio ao pensar na responsabilidade que os incendiários têm, bem como na semeadura que estão a fazer para o seu futuro próximo e remoto. Se conseguem ludibriar as leis humanas, hoje, nunca conseguirão enganar a sua consciência, onde ficarão inapelavelmente marcados todos os crimes cometidos, nem tão pouco conseguirão fugir da lei de causa e efeito. Mais tarde ou mais cedo, esses seres, hoje iludidos com os valores efémeros da vida ou pela loucura, terão de se confrontar com os seus próprios crimes, com as suas próprias vítimas no mundo espiritual, e terão de resgatar todos os erros cometidos nesta reencarnação. Já no mundo espiritual, depois do falecimento do presente corpo físico, chorarão amargamente ao verificarem o erro de cálculo em que caíram quando pensavam que a vida se limitava aos curtos horizontes da existência terrestre. Rogarão voltar à Terra em nova reencarnação, para fugirem de si próprios, das sua reminiscências, para que assim possam recomeçar. Terão novas oportunidades reencarnatórias onde mais tarde ou mais cedo começarão a reparar os erros agora cometidos e que tanta desgraça atraíram. Como será esse resgaste doloroso? Não o sabemos, já que a divina providência dispõe de inúmeros meios para auxiliar o homem a libertar-se do seu passado delituoso.

«Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar tal é a lei»

Somente após o resgate desses erros, essas pessoas poderão estar de bem com a sua consciência continuando assim a sua evolução mas agora já sem o peso dos débitos contraídos com tão horroroso acto, como o de atear fogo às matas.
Não pudemos deixar de sentir também profunda pena desses seres, agora verdugos da humanidade, agora carrascos das actuais vítimas, mas amanhã vítimas deles próprios.
Não pudemos deixar de sentir profunda pena por atitudes tão infantis, de alguém que desconhece ainda as leis que regem a vida no planeta Terra.
Se eles soubessem da realidade da reencarnação (hoje uma evidência científica mundial), decerto não fariam o mesmo, teriam outros horizontes existenciais mais fraternos, mais humanistas, mais holísticos. Se eles soubessem que somos todos imortais, que somos donos do nosso destino, que carregamos na alma os acertos e os erros como bagagem intransferível, se eles soubessem que voltamos ao palco da vida (reencarnação) quantas vezes for necessário até que atinjamos o estado de pureza,... Ah! Se eles soubessem...!!!
Um dia saberão...

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Bruxo por um dia


Para quem não conhece o espiritismo é fácil confundi-lo com práticas estranhas e absurdas. Para quem o conhece, absurdo é confundi-lo com essas mesmas práticas. Venha ver connosco um caso curioso que nos mostra como a informação é importante para a vida das pessoas.

O dia era normal como um outro qualquer. Tínhamos sido convidados para um programa na rádio abordando o espiritismo ou doutrina dos espíritos, numa cidade a sul do Tejo. A expectativa era grande, pois estavam a fazer publicidade em spots radiofónicos frequentes, com o objectivo de aumentar a audiência. Aceitámos o convite, já que o espiritismo, nos seus aspectos científico, filosófico e ético/moral, afigura-se-nos como a doutrina mais completa que conhecemos, a nível de informação holística sobre a vida, mostrando-a em todos os seus matizes, seja deste lado da existência seja no mundo espiritual. Daí a vontade e a alegria de falar sobre estes assuntos, ao verificar da sede de saber, de conhecimento, que as pessoas têm de um modo geral, acerca deste tipo de matérias, como a vida para além da morte e as relações existentes entre o mundo espiritual e o mundo corporal.
O programa era de grande audiência pois um dos locutores é bastante conhecido no panorama radiofónico nacional. A outra locutora era desconhecida e estava bastante receosa (segundo informação do seu colega de realização) acerca do assunto e da pessoa que viria falar de espiritismo. Quem seria ela? Como apareceria? Como correria o programa? Que perguntas teria de lhe fazer? Enfim um rol de questões que se lhe colocavam perante uma actividade inédita para ela, neste caso em pauta.

Falámos da imortalidade da alma, tantas vezes cantada pelas religiões
mas nunca provada, até ao momento em que o espiritismo aparece
em 1857, provando experimentalmente a imortalidade do ser

Chegámos, fomos recebidos com cortesia e simpatia e não pudemos deixar de sorrir quando amigavelmente o nosso amigo locutor nos informa com um sorriso nos lábios que na rádio havia um certo frenesim, onde inclusive a directora da mesma já tinha perguntado várias vezes pelo bruxo, se ele já tinha chegado. Rimos a valer com tal expressão, sabendo das confusões que geralmente as pessoas fazem. Como o tema ia ser «O espiritismo» as pessoas que o desconheciam, pensavam que iria aparecer um bruxo, especial, com certos paramentos ou roupas esquisitas e com um ar superior. Quando viram que o «bruxo» esperado era apenas um ser humano normal houve de momento uma pequena desilusão seguida de um sentimento de espanto e de alegria: afinal os espíritas são gente normal, gente como eles, pessoas que sentem, riem, choram. Rimos com a situação, e esta pequena história pitoresca não deixou de ser um rico ingrediente para a entrevista que se seguiria.
Começámos a entrevista radiofónica e as perguntas sucediam-se a tal ritmo, os telefonemas surgiam em catadupa que a hora reservada ao evento pareceu encolher para quinze minutos. Falámos da imortalidade da alma, tantas vezes cantada pelas religiões mas nunca provada, até ao momento em que o espiritismo aparece em 1857, provando experimentalmente a imortalidade do ser. Falámos da comunicabilidade dos Espíritos, da esperança que a vida encerra, das provas dessa comunicabilidade, falámos da reencarnação e de como a moderna psiquiatria está a descobri-la em laboratório, da pluralidade dos mundos habitados e da existência de Deus. Falou-se ainda da mediunidade ou percepção extrasensorial que vai aparecendo um pouco por todo o lado como que a chamar o homem para novas realidades que terá de valorizar. Pessoas que telefonavam colocaram as suas questões e experiências próprias e ficou no ar uma sede enorme de saber que é preciso saciar.

O espiritismo ou doutrina espírita, que é algo de muito sério,
um movimento cultural muito amplo e que só a má fé ou desconhecimento
pode emparelhá-lo com a superstição, crendice e quejandos.

A jornalista inicialmente receosa com o tema e com o «bruxo», estava desejosa de continuar com a entrevista mas o tempo estava a finalizar. Ficou a promessa de novos programas em novos moldes, quiçá sob a forma de debate público, aproveitámos o ensejo para oferecer um exemplar da obra magistral de Allan Kardec «O Livro dos Espíritos» e afinal tinha terminado o meu reinado de «bruxo» por um dia.
Pudemos constatar que entre o público ficou a ideia real do que é o espiritismo ou doutrina espírita, que é algo de muito sério, um movimento cultural muito amplo e que só a má fé ou desconhecimento pode emparelhá-lo com a superstição, crendice e quejandos.
Ficou bem esclarecido que o espiritismo nada tem a ver com anúncios em jornais prometendo a cura de tudo e mais alguma coisa a troco de dinheiro, e que quem assim se afirma espírita, no jornal, prometendo curas e soluções de todos os problemas, não é espírita e como tal é charlatão ao afirmar-se como tal.
Terminado o evento pude regressar a Caldas da Rainha, tinha terminado o meu curto reinado de «bruxo» na mente daquelas pessoas e tinha voltado à condição normal de ser humano, igual aos demais, com um emprego, com família, com alegrias e tristezas, mas com uma diferença: a de gostar de estudar, praticar e divulgar, sempre gratuitamente, a doutrina espírita como uma ideia altamente consoladora que ajuda-nos a entender a vida e que nos diz quem somos, de onde vimos e para onde vamos.

Bibliografia:
«O Livro dos Espíritos», Allan Kardec;
Sítio na Internet: www.adeportugal.org

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Católicos falam com os Espíritos


Falar com os espíritos, através de médiuns, sempre foi uma atitude banal ao longo da história da humanidade. Allan Kardec (o codificador do Espiritismo) descobriu as leis que regem esse tipo de comunicações. Agora é a vez dos católicos dizerem que afinal é possível falar com os familiares já falecidos. Ora veja!

O Padre Gino Concetti, comentador do «Observatore Romano», fala acerca Mais Além de uma nova maneira.
O Padre Gino Concetti, é irmão da Ordem dos Franciscanos Menores, um dos teólogos mais competentes do Vaticano, e comentarista do «Observatore Romano», o diário oficial do Vaticano.
A intervenção do padre Concetti, publicado num artigo desse jornal, é muito importante, porque, aqui se vêem as novas tendências da Igreja a respeito do paranormal, sobre o qual, até agora, as autoridades eclesiásticas haviam formulado opiniões diferentes. Sustenta ele que, para a Igreja Católica, os contactos com o Mais Além são possíveis, e aquele que dialoga com o mundo dos defuntos não comete pecado se o faz sob inspiração da fé.
Vejamos pois alguns extractos da entrevista, publicada no Jornal Ansa, em Itália, em Novembro de 1996.

Resposta - «Segundo o catecismo moderno, Deus permite aos nossos caros defuntos, que vivem na dimensão ultraterrestre, enviar mensagens para nos guiar em certos momentos de nossa vida. Após as novas descobertas no domínio da psicologia sobre o paranormal a Igreja decidiu não mais proibir as experiências do diálogo com os trespassados, na condição de que elas sejam levadas com uma finalidade séria, religiosa, científica.»

P - Segundo a doutrina católica, como se produzem os contactos?
R - «As mensagens podem chegar-nos, não através das palavras e dos sons, quer dizer, pelos meios normais dos seres humanos, mas através de sinais diversos; por exemplo, pelos sonhos, que às vezes são premonitórios, ou através de impulsos espirituais que penetram em nosso espírito. Impulsos que se podem transformar em visões e em conceitos.»

P - Todos podem ter essas percepções?
R - «Aqueles que captam mais frequentemente esses fenómenos são as pessoas sensitivas, isto é, pessoas que têm uma sensibilidade superior em relação a esses sinais ultraterrestres. Eu refiro-me aos clarividentes e aos médiuns. Mas as pessoas normais podem ter algumas percepções extraordinárias, um sinal estranho, uma iluminação repentina. Ao contrário das pessoas sensitivas podem raramente conseguir interpretar o que se passa com elas no seu foro íntimo.»

«O Diálogo com os mortos não deve ser interrompido, pois na realidade, a vida não está limitada pelos horizontes do mundo.»
                                                                                                                            João Paulo II
                                                                (2 Nov 1983, perante mais de 20.000 pessoas)

P - Para interpretar esses fenómenos a Igreja permite-lhes recorrer aos chamados sensitivos e aos médiuns?
R - «Sim, a Igreja permite recorrer a essas pessoas particulares, mas com uma grande prudência e em certas condições. Os sensitivos aos quais se pode pedir assistência, devem ser pessoas que levam as suas experiências, mesmo aquelas com técnicas modernas, inspiradas na fé. Se essas últimas forem padres é ainda melhor. A Igreja interdita todos os contactos dos fiéis com aqueles que se comunicam com o Mais Além, praticando a idolatria, a evocação dos mortos, a necromancia, a superstição e o esoterismo; todas as práticas ocultas que incitem à negação de Deus e dos sacramentos»

P - Com que motivações um fiel pode encetar um diálogo com os trespassados?
R - «É necessário não se aproximar muito do diálogo com os defuntos, a não ser nas situações de grande necessidade. Alguém que perdeu em circunstâncias trágicas, seu pai ou sua mãe, ou então seu filho, ou ainda seu marido e não se resigna com a ideia do seu desaparecimento, ter um contacto com a alma do caro defunto pode aliviar-lhe o espírito perturbado por esse drama. Pode-se igualmente endereçar aos defuntos se se tem necessidade de resolver um grave problema de vida. Nossos antepassados, em geral, ajudam-nos e nunca nos enviarão mensagens nem contra nós mesmos nem contra Deus.»

P - Que atitudes convém evitar durante contactos mediúnicos?
R - «Não se pode brincar com as almas dos trespassados. Não se pode evocá-las por motivos fúteis, para obter por exemplo um nº do Loto. Convém também ter um grande discernimento a respeito dos sinais do Mais Além e não muito enfatizá-los. Arriscar-se-ia a cair na mais suspeita e excessiva credulidade. Antes de mais nada não se pode abordar o fenómeno da mediunidade sem a força da fé.»

(Extracto da entrevista publicada na revista “Presença Espírita” do Instituto de Pesquisas Psíquicas (IPP) de Salvador - Bahia - Brasil)

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Manifestações espontâneas de Espíritos



O dia corria normalmente como os demais. Era dia de reunião mediúnica. Para quem não sabe, uma reunião mediúnica, num centro espírita, é uma reunião privada, onde um grupo de pessoas preparadas para o efeito, mantém o contacto com o mundo espiritual, numa permuta muito frutífera e que acontece sempre fora do campo da futilidade, da curiosidade vã. Estas reuniões objectivam sempre fins nobres, auxiliar alguém e é um trabalho efectuado gratuitamente, por carolice, com o único propósito de tentar ser útil a algumas pessoas que nos pedem auxílio.
Quase no fim da reunião (no Centro de Cultura Espírita, nas Caldas da Rainha, Portugal), que decorrera como as demais até então, salvaguardando as nuances de cada uma que são obviamente sempre diferentes, antes da mesma terminar, aconteceu uma manifestação espontânea através de um dos médiuns presentes, em que uma pessoa já falecida, conhecida de alguns membros da nossa reunião, veio deixar um recado misterioso (para nós) para um seu familiar. O recado dizia mais ou menos assim. «Digam ao meu irmão que não se preocupe, que vai tudo correr bem» e assinou com o seu nome.
No fim da reunião ficámos com o papel, com a incumbência de o entregar ao familiar a quem se destinava tão estranho recado.
No entanto, com os afazeres da vida, acabamos por nos esquecer e somente cerca de quinze dias depois tivemos o ensejo de o entregar ao interessado.
Qual não foi o nosso espanto quando o irmão dessa pessoa que nos mandara o recado do mundo espiritual se emociona e refere que, de facto, naquela data, ele fizera uma cirurgia cardíaca (uma semana depois da recepção da mensagem) pelo que a “misteriosa” mensagem só o era para nós que desconhecíamos que aquela pessoa iria ser intervencionada cirurgicamente, pois raramente vemos essa pessoa.
De realçar que nenhum dos elementos da reunião tem contactos com essa pessoa e sequer sabia que ela tinha problemas cardíacos quanto mais que seria operada ao coração.

A morte não existe, a vida continua, é possível dentro de certas condições,
comunicar com aqueles que estão do outro lado da vida,
e a reencarnação é uma realidade.

Estas manifestações espirituais espontâneas são mais comuns do que pensamos e são sem sombra de dúvidas uma das grandes evidências da imortalidade da alma que Allan Kardec tão bem estudou, pesquisou e que estampou em «O Livro dos Médiuns» onde se encontra a parte experimental da doutrina espírita (ou espiritismo).
Para nós espíritas, estes factos são banais, correntes e acontecem diariamente pelo mundo fora, o que estranhamos é ainda ouvir pessoas dizerem que «nunca ninguém veio do lado de lá dizer nada», como se fossem senhoras de todo o conhecimento, que por sinal desconhecem.
É que não podemos confundir saber de algo, com ter ou não ter interesse nesta ou naquela matéria.

Hoje em dia só desconhece quem quer ou quem não se interessa por esta temática, de tal modo é grande e profunda a bibliografia espírita, bem como as experiências que se vão repetindo desde meados do século XIX e que assim vão confirmando a veracidade do que o Espiritismo afirma há cerca de 153 anos: que a morte não existe, que a vida continua, que é possível dentro de certas condições, comunicar com aqueles que estão do outro lado da vida, e que a reencarnação é uma realidade.

Bibliografia:
«O Livro dos Espíritos»;
«O Livro dos Médiuns», ambos de Allan Kardec.

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Cremação: sim ou não?


A cremação está em voga nos dias de hoje. Hábito já enraizado em alguns países, começa a despontar em Portugal. Tem a anuência de uns e a forte oposição de outros. Quanto ao Espiritismo, o que ele nos poderá trazer de novo em relação a este tema?

A cremação não é mais do que a redução dos cadáveres a cinzas. Tem vindo a ganhar adeptos um pouco por todo o mundo e consequentemente também em Portugal. Tem apoiantes e combatentes da ideia, como geralmente acontece com todas as novidades.
Habituámo-nos à ideia através dos filmes americanos e, mais recentemente, com as novelas brasileiras, onde vemos os familiares do desencarnado (espírito liberto da carne pelo processo da morte física) a espalharem as cinzas num determinado local, ou pura e simplesmente a guardá-las religiosamente num jazigo familiar.
Para outros, poderá ser apenas uma moda, e se alguns admitem razões mais ou menos válidas para o acto da cremação (por exemplo, falta de espaço nos cemitérios, mais higiénico, mais prático, etc., etc.,) outros querem-na pura e simplesmente por modismo. Hoje em dia é chique ser cremado, é quase uma questão de “status”. Outros alegam que a cremação é uma falta de respeito para com o familiar falecido e que há que dar um pouco de dignidade à sua memória. Outros ainda, acreditando na ressurreição dos corpos físicos em decomposição, opõem-se fortemente a esta prática, não vá ela contrariar suas crenças.
As opiniões são múltiplas, e respeitáveis, como não podia deixar de ser.

Não somos corpos, mas sim espíritos imortais,
que habitam temporariamente um corpo

O Espiritismo não faz a apologia do corpo físico, não o idolatra nem o despreza, dando-lhe apenas a importância que ele tem e só essa, despindo-se de todas as excentricidades que entretanto a humanidade foi criando em volta dos cadáveres.
Para o espiritismo, não somos corpos com espíritos dentro, somos isso sim, espíritos eternos temporariamente num corpo físico, com um objectivo nobre - a evolução moral e intelectual. Quando esse corpo físico se deteriora, o espírito abandona-o, retornando à pátria espiritual, para logo que possível voltar à gleba terrestre revestido de um novo corpo físico que lhe dará o ensejo de novas experiências no planeta, novas oportunidades de evolução, bem como de terminar ou completar aquilo que porventura não conseguiu na existência carnal anterior.
Nesse sentido, o corpo físico é como uma peça de roupa que adquirimos. É importante pelo seu preço e qualidade, há que preservá-lo ao máximo para que nos dure e seja útil o maior número de dias possível. Quando a peça de vestuário se deteriora é posta de parte e logo substituída por outra em melhores condições. Ora, o corpo físico não é mais do que a roupagem que o espírito utiliza para se poder manifestar e viver neste planeta. Nesse sentido, a partir do momento em que o espírito se desprende do corpo físico, deixa de ser importante a finalidade que lhe é atribuída, se ser enterrado ou cremado. As razões pró e contra são mais de ordem social e humana do que propriamente de ordem espiritual.
Acontece que a pessoa desencarnada (falecida) se foi correcta e aproveitou bem a existência física, para ela é-lhe indiferente o destino do cadáver, já que outros horizontes mais felizes se lhe descerram, estando desprendido da vida terrena e sendo amparado quer por familiares quer por amigos espirituais que a orientam na nova vida que então começa, no plano espiritual. Se a pessoa está demasiado agarrada à vida material, seja no campo da avareza, seja na dependência de tudo aquilo que nos prende à matéria, certamente ao desencarnar ser-lhe-á mais difícil desprender-se daquilo pelo qual a sua mente está obcecada - a matéria, os bens materiais, etc., etc.,. Muitos deles demoram-se por longos períodos junto à crosta terrestre até que se apercebam da sua real situação e se disponham a objectivar novos valores existenciais.

A cremação pode suscitar ecos de sensibilidade
ao espírito mais ligado à matéria

Neste sentido, os espíritos aconselham a que as cremações sejam efectuadas cerca de 3 a 4 dias depois do desenlace físico, dando assim oportunidade para que a desencarnação (saída do corpo de carne devido ao fenómeno da morte física) tenha mais possibilidade de se completar, já que no caso do espírito estar muito materializado e ainda ligado ao corpo, poderá sentir os horrores da cremação.
Questionado sobre se o Espírito desencarnado pode sofrer com a cremação dos elementos cadavéricos, Emmanuel, um espírito que se comunica regularmente através do médium Francisco Cândido Xavier opina: «Na cremação, faz-se mister exercer a piedade com os cadáveres, procrastinando por mais horas o acto da destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o “tónus vital”, nas primeiras horas sequentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material.»
É claro que nada disto é taxativo, pois se uns se desprendem rapidamente do corpo, outros poderão demorar-se bastante tempo ainda com sensações corporais, como acontece com alguns suicidas.
A cremação será uma questão de opção tendo em conta as vantagens e inconvenientes sociais, já que o cadáver nenhum valor tem como tal.
O Espiritismo preocupa-se isso sim em dar um roteiro de aprimoramento e felicidade para os locatários dos corpos físicos, isto é, para todos nós, espíritos imortais que nos encontrajos em viagem de aprendizado no roteiro terrestre.

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Deu boleia a um Espírito



«Um facto extraordinário ocorrido na região do mar Adriático, na Itália, entre as cidades de Ancona e Senigallia, movimentou a opinião pública italiana, chamando a atenção especialmente aos interessados na fenomenologia espírita.

O caso foi minuciosamente relatado pelo pesquisador Giuseppe Lenzi, num artigo publicado no jornal italiano “L’Aurora”.
O Dr. Lenzi, que também é autor de vários livros sobre fenómenos mediúnicos ocorridos dentro e fora de Itália, conta que um jovem de nome Carlo, regressava a casa de carro, já de madrugada, quando avistou à beira da mesma uma jovem acenando. Gentilmente o rapaz encostou o veículo e deu boleia à moça e, como ela dizia estará com muito frio, ele emprestou-lhe o seu casaco de cabedal.
Ao chegar a casa, no vilarejo de Ostra, perto do local do encontro, disse-lhe a moça que não se preocupasse pois iria devolver-lhe o casaco quando ele passasse por ali novamente, já que eram da mesma província.
Dois dias depois, acompanhado pela sua mãe, o jovem dirigiu-se à casa da rapariga, como combinado. Foi então que um senhor sisudo os recebeu à porta e ouvindo o relato disse tal ser impossível pois que a sua filha, de nome Serena, tinha morrido há quatro meses. Para prová-lo, o senhor mostrou-lhes um retrato da rapariga que foi imediatamente reconhecida pelo jovem.
Sem qualquer dúvida, Carlo insistiu na história.
Buscando clarear o assunto, o Senhor Mário – o rapaz sabia o seu nome pois a jovem o havia informado – convidou-os a irem ao cemitério. Chegando lá, abriu com a chave que somente ele possuía a capela mortuária da família onde repousavam os restos mortais da filha. Para surpresa dos três, lá estava também, sobre a campa, o casaco de cabedal do rapaz.

A jovem a quem dera boleia, tinha morrido quatro meses antes…

Como ocorre em localidades pequenas, o facto logo se tornou público, chegando às páginas dos jornais até à TV local, que efectuou uma reportagem detalhada a respeito.
Ao relatar o acontecido, o Dr. Lenzi revelou também o resultado de algumas investigações que fez a respeito. Constatou que o jovem Carlo, protagonista do episódio, é um excelente filho e respeitado cidadão onde reside; que Serena, a jovem, quando encarnada (isto é, no corpo de carne = viva) possuía faculdades mediúnicas de audiência, vidência, chegando em certas ocasiões a dialogar com a sua falecida mãe. Esta, revelara-lhe algo muito forte: que ela desencarnaria (faleceria) ainda jovem, em morte violenta, o que, de facto aconteceu nas proximidades da sua casa, ocasião em que, junto com o irmão, foi vítima de um acidente automóvel.

Casos como este, de factos mediúnicos comprovados,
vividos por pessoas alheias ao Espiritismo,
enriquecem as fontes informativas da doutrina espírita

Serena, desligada da matéria há quatro meses, encontra recursos que lhe possibilitam não só tornar-se visível ao jovem Carlo como também transportar o seu agasalho, o que vem afirmar a continuidade da vida, contribuindo assim para diminuir a descrença e o cepticismo de alguns, que, diante desses factos haverão de reflectir sobre a pujança da alma imortal.
Este caso relatado pelo Dr. Lenzi, intitulado “Gli chiese un passaggio fino a casa, poi lui seppe che era defunta” (E foi-lhe pedida uma boleia até casa, depois ele soube que ela era falecida), pode ser lido na íntegra na edição do número 517 do jornal “L’Aurora”, cujo endereço é Largo Pietà, 9 – 62032 Camerino – Macerata – Itália, telefone 0737-632401.»

Nota – artigo extraído do Boletim SEI, nº 1929, de 19 de Março de 2005, www.lfc.org.br/sei