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A morte morreu...


No 1º de Novembro, data em que se recordam os “mortos”, facilmente podemos concluir que a morte é uma quimera. Mais! A morte morreu e quem a matou, foi a lucidez, a fé raciocinada e o espírito científico, que o espiritismo veio trazer ao homem em 1857.

Estamos habituados a fazer o culto da morte, de tal modo este culto faz parte das nossas raízes culturais. Para muitos, é algo em que não se quer pensar, de tão tenebroso se afigura. Almeja-se viver o máximo possível, mesmo que sofrendo muito no corpo de carne. A morte apresenta-se como essa madrasta cruel que aparece quando menos se espera. Não poupa ninguém, e é menos compreendida quando engrossa o seu pecúlio com vidas na flor da idade. O desespero e a incompreensão apoderam-se então das pessoas, revoltando-se muitas vezes contra a Lei da Vida. Tais atitudes encontram justificação no desconhecimento das leis do mundo espiritual, descobertas, estudadas e evidenciadas desde há 140 anos, altura em que o espiritismo (ou doutrina espírita) as revelou, utilizando para tal o método científico. Acontece que, encontramo-nos de tal modo embrenhados na luta do quotidiano, que quase sempre não arranjamos tempo ou disposição para investigar ou interessarmo-nos pelo local que todos nós, indubitavelmente um dia reencontraremos - o mundo espiritual.

A vida continua, e é possível contactar os falecidos

Vivemos pois quais cegos, recusando-nos a ver aquilo que se torna evidente aos nossos olhos. Posteriormente, é o remorso do tempo perdido, e quase sempre, o desespero, aquando da perca de algum familiar.
Mas, que tem a ver com tudo isto o espiritismo, e o 1º de Novembro? É que o espiritismo prova-nos a continuidade da vida para além da morte do corpo físico, mostra-nos as evidências da realidade da reencarnação, bem como as regras de segurança para se poder comunicar com o mundo espiritual, sem sobressaltos. Os familiares que outrora se encontravam perdidos para sempre, em algum recanto do céu ou do purgatório, vem agora confabular connosco, dizer de suas alegrias ou tristezas de acordo com a sua postura interior, resultado das atitudes que teve na Terra, enquanto cá andava. Não mais aquelas perspectivas medonhas do céu beatífico ou do inferno eterno. Novas leis, racionais, compreensíveis e investigáveis se revelam agora, perante todos aqueles que as quiserem estudar. Vêm dizer-nos que a vida continua no “lado de lá”, tal como por aqui, com uma estrutura social, com cidades, com escolas, hospitais, oportunidades de crescimento intelectual e moral, onde novas perspectivas de realização terrena se vão conjecturando para futuras reencarnações. Nesse sentido, o espiritismo é o grande Consolador dos seres humanos, dando uma nova noção da vida, ampliando seus horizontes, fazendo com que as pessoas a entendam com perspectivas futuras radiosas e felizes, baseadas em factos palpáveis.
Por isso mesmo, não faz grande sentido a romaria anual aos cemitérios, nem tão pouco o alimentar das vaidades mundanas à custa dos falecidos, que se concretizam muitas vezes na maneira como os cemitérios são utilizados. Sabemos hoje que os falecidos apenas respondem aos nossos pensamentos, e com eles se afinizam no mal ou no bem. Sabemos que eles preferem que os recordemos em casa ou noutro local menos tétrico que o cemitério. Que ficam felizes quando nos lembramos deles com carinho e amor, independentemente de ser o 1º de Novembro ou outro dia qualquer. E que ficam tristes quando os esquecemos, sabendo avaliar muitas vezes da hipocrisia com que frequentemente os relembramos em público (para cumprir preceitos mundanos).

O espiritismo matou a morte

Nesse sentido, urge desvalorizar o ritual da morte, encarando-a como o despir (apenas isso) do corpo físico, em demanda de outras paragens, outros planos vibratórios em que a vida se manifesta, outras dimensões existenciais, tal como nós, na Terra abandonamos um casaco velho que usámos durante muito tempo e sem qualquer tipo de nostalgia, pois outro mais moderno e consentâneo com a época foi por nós adquirido.
É tempo de interiorização, arranjarmos tempo para nos esclarecermos um pouco acerca da grande viagem que todos encetaremos. Aliás, quem se aventura a viajar sem conhecer minimamente o roteiro, o percurso que passará?
Esse roteiro seguro está bem calcado nas obras de Allan Kardec - “O Livro dos Espíritos”, “O Livro dos Médiuns” e outros, bem como nos livros de André Luiz, em especial o intitulado “E a vida continua”, livros esses que poderá adquirir em qualquer associação espírita, ou nas livrarias.

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A política e o espiritismo


É muito comum encontrarmos uma ideia pré-estabelecida entre os espíritas, a ideia de que estão muito bem se distanciados da política que se faz um pouco por todo o mundo.

A razão parece ser simples, a de uma certa incompatibilidade entre a vivência dos postulados espíritas, dentro da moral que Jesus de Nazaré deixou, e a prática política corrente.
Embora saibamos que existem políticos honestos, é inegável hoje em dia a má imagem que as classes políticas têm um pouco por todo o mundo, onde a imagem do egoísmo, do compadrio, da corrupção se vai generalizando, criando uma certa aversão para com esta classe de dirigentes.
O espírita, sendo um ser social, não pode abstrair-se dessa realidade, não devendo portanto ignorá-la como se ela não existisse.
O espírita sincero, convicto, que procura no seu quotidiano viver em consonância com os seus ideais, deve procurar dar o seu contributo à sociedade, sendo interventivo, colaborando, procurando auxiliar para que a organização social melhor, e a qualidade de vida das pessoas aumente.
Assim, o espírita não pode nem deve demitir-se da sua intervenção política na sociedade. Deve, isso sim, dar o exemplo de honestidade, não pactuando com compadrios, desonestidades, procurando servir, sempre, cada vez mais, a população que o elegeu, que em si acreditou.
São graves as consequências espirituais daqueles que abusam do seu poder para o utilizarem benefício próprio, ao invés de o colocar ao serviço do povo. Geralmente são pessoas que se comprometeram antes da reencarnação com tal tarefa, muitos deles, procurando rectificar erros antigos, de vidas passadas, onde o egoísmo suplantou o espírito de serviço à comunidade.
Voltam pois cheios de projectos pessoais, interiores, de melhoria moral, de vontade de auxiliar a comunidade e quando mergulhados no corpo de carne, pelo processo da reencarnação, rapidamente esquecem os seus propósitos mais nobres, para enveredarem em roteiros materialistas, nada consentâneos com o espírito que preside ao dever do poder político.
Lembrando Jesus de Nazaré, «a semeadura é livre mas a colheita é obrigatória» e perante este axioma que se aplica a todos nós, questionamo-nos sobre como se encontrarão no mundo espiritual aqueles que usaram e abusaram do poder político apenas para alimentarem os seus caprichos pessoais.
Sabemos que a evolução é lenta e que o Espírito se vai burilando passo a passo, vida após vida, mas não deixa de se interessante o estudo de «O Livro dos Espíritos» de Allan Kardec como uma autêntica pérola para a humanidade e que pode muito bem ser a referência moral para um comportamento mais ético, mais nobre, no trabalho em prol da comunidade.
O espírita tem assim duplo trabalho, quando se enquadra nos meandros políticos, o trabalho de ser coerente com os seus ideais, dando o exemplo de espírito de serviço, de honestidade, e o trabalho de não se deixar corromper pelos apelos do êxito fácil e a qualquer preço.
Demitirmo-nos das nossas responsabilidades perante a comunidade não é certamente o caminho certo.
Bezerra de Menezes (na fotografia), médico, espírita, deputado brasileiro, foi o exemplo de como deve ser o espírita na sociedade. Foi representante político, mas nunca se deixou inebriar pelo perfume do êxito fácil. Continuou no seu quotidiano auxiliando os mais desfavorecidos, consultando-os gratuitamente quando não podiam pagar os seus serviços de médico, pagando ele próprio do seu bolso, inúmeras vezes, os medicamentos que receitava aos mais desfavorecidos, que viam nele, o homem, o político, o irmão na sociedade.

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Ah ! Se eles soubessem...


Liguei a televisão, estava a dar o noticiário, havia algo de diferente, apesar dos tradicionais exageros das desgraças alheias a que estamos habituados. O caso era mais sério, dramático mesmo. O fogo, na maioria das vezes posto criminosamente, segundo opinião abalizada nos “media”, tinha destruído vasto património nacional bem como os bens de muitos particulares, incluindo casas, pertences e mesmo vidas humanas.

Liguei a televisão, estava a dar o noticiário, havia algo de diferente, apesar dos tradicionais exageros das desgraças alheias a que estamos habituados. O caso era mais sério, dramático mesmo. O fogo, na maioria das vezes posto criminosamente, segundo opinião abalizada nos “”, tinha destruído vasto património nacional bem como os bens de muitos particulares, incluindo casas, pertences e mesmo vidas humanas. Temos aprendido com a Doutrina Espírita (ou Espiritismo) as magnas leis da vida, entre as quais se encontra a lei de causa e efeito, que nos diz resumidamente que todos somos herdeiros do nosso destino e que a toda a acção corresponde uma reacção de sentido idêntico. Nesse sentido vemos aqui a assertiva ensinada por Jesus, quando dizia que «A semeadura é livre mas a colheita é obrigatória» ou «A cada um segundo as sua obras».

Toda a acção positiva repercutir-se-á na nossa vida
bem como toda a atitude negativa nos afectará inapelavelmente,
pela lei de causa e efeito

Temos aprendido que a dissemelhança entre a felicidade e o sofrimento, a calma e a agitação, o bom e o mau, não são mais do que reflexos da aprendizagem que cada um já conseguiu na sua esteira evolutiva ao longo das vidas sucessivas. Assim sendo, toda a acção positiva repercutir-se-á na nossa vida bem como toda a atitude negativa nos afectará inapelavelmente, pela lei de causa e efeito. Interrogamo-nos muitas vezes porque uns sofrem mais do que outros, porque a uns acontecem tantas desgraças e a outros não, e mesmo não descartando a responsabilidade humana alheia que é sempre um factor a ponderar, não podemos deixar de ver aí a lei de causa e efeito em acção.
Meditando em torno dos tristes acontecimentos não pudemos deixar de sentir um arrepio ao pensar na responsabilidade que os incendiários têm, bem como na semeadura que estão a fazer para o seu futuro próximo e remoto. Se conseguem ludibriar as leis humanas, hoje, nunca conseguirão enganar a sua consciência, onde ficarão inapelavelmente marcados todos os crimes cometidos, nem tão pouco conseguirão fugir da lei de causa e efeito. Mais tarde ou mais cedo, esses seres, hoje iludidos com os valores efémeros da vida ou pela loucura, terão de se confrontar com os seus próprios crimes, com as suas próprias vítimas no mundo espiritual, e terão de resgatar todos os erros cometidos nesta reencarnação. Já no mundo espiritual, depois do falecimento do presente corpo físico, chorarão amargamente ao verificarem o erro de cálculo em que caíram quando pensavam que a vida se limitava aos curtos horizontes da existência terrestre. Rogarão voltar à Terra em nova reencarnação, para fugirem de si próprios, das sua reminiscências, para que assim possam recomeçar. Terão novas oportunidades reencarnatórias onde mais tarde ou mais cedo começarão a reparar os erros agora cometidos e que tanta desgraça atraíram. Como será esse resgaste doloroso? Não o sabemos, já que a divina providência dispõe de inúmeros meios para auxiliar o homem a libertar-se do seu passado delituoso.

«Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar tal é a lei»

Somente após o resgate desses erros, essas pessoas poderão estar de bem com a sua consciência continuando assim a sua evolução mas agora já sem o peso dos débitos contraídos com tão horroroso acto, como o de atear fogo às matas.
Não pudemos deixar de sentir também profunda pena desses seres, agora verdugos da humanidade, agora carrascos das actuais vítimas, mas amanhã vítimas deles próprios.
Não pudemos deixar de sentir profunda pena por atitudes tão infantis, de alguém que desconhece ainda as leis que regem a vida no planeta Terra.
Se eles soubessem da realidade da reencarnação (hoje uma evidência científica mundial), decerto não fariam o mesmo, teriam outros horizontes existenciais mais fraternos, mais humanistas, mais holísticos. Se eles soubessem que somos todos imortais, que somos donos do nosso destino, que carregamos na alma os acertos e os erros como bagagem intransferível, se eles soubessem que voltamos ao palco da vida (reencarnação) quantas vezes for necessário até que atinjamos o estado de pureza,... Ah! Se eles soubessem...!!!
Um dia saberão...

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Bruxo por um dia


Para quem não conhece o espiritismo é fácil confundi-lo com práticas estranhas e absurdas. Para quem o conhece, absurdo é confundi-lo com essas mesmas práticas. Venha ver connosco um caso curioso que nos mostra como a informação é importante para a vida das pessoas.

O dia era normal como um outro qualquer. Tínhamos sido convidados para um programa na rádio abordando o espiritismo ou doutrina dos espíritos, numa cidade a sul do Tejo. A expectativa era grande, pois estavam a fazer publicidade em spots radiofónicos frequentes, com o objectivo de aumentar a audiência. Aceitámos o convite, já que o espiritismo, nos seus aspectos científico, filosófico e ético/moral, afigura-se-nos como a doutrina mais completa que conhecemos, a nível de informação holística sobre a vida, mostrando-a em todos os seus matizes, seja deste lado da existência seja no mundo espiritual. Daí a vontade e a alegria de falar sobre estes assuntos, ao verificar da sede de saber, de conhecimento, que as pessoas têm de um modo geral, acerca deste tipo de matérias, como a vida para além da morte e as relações existentes entre o mundo espiritual e o mundo corporal.
O programa era de grande audiência pois um dos locutores é bastante conhecido no panorama radiofónico nacional. A outra locutora era desconhecida e estava bastante receosa (segundo informação do seu colega de realização) acerca do assunto e da pessoa que viria falar de espiritismo. Quem seria ela? Como apareceria? Como correria o programa? Que perguntas teria de lhe fazer? Enfim um rol de questões que se lhe colocavam perante uma actividade inédita para ela, neste caso em pauta.

Falámos da imortalidade da alma, tantas vezes cantada pelas religiões
mas nunca provada, até ao momento em que o espiritismo aparece
em 1857, provando experimentalmente a imortalidade do ser

Chegámos, fomos recebidos com cortesia e simpatia e não pudemos deixar de sorrir quando amigavelmente o nosso amigo locutor nos informa com um sorriso nos lábios que na rádio havia um certo frenesim, onde inclusive a directora da mesma já tinha perguntado várias vezes pelo bruxo, se ele já tinha chegado. Rimos a valer com tal expressão, sabendo das confusões que geralmente as pessoas fazem. Como o tema ia ser «O espiritismo» as pessoas que o desconheciam, pensavam que iria aparecer um bruxo, especial, com certos paramentos ou roupas esquisitas e com um ar superior. Quando viram que o «bruxo» esperado era apenas um ser humano normal houve de momento uma pequena desilusão seguida de um sentimento de espanto e de alegria: afinal os espíritas são gente normal, gente como eles, pessoas que sentem, riem, choram. Rimos com a situação, e esta pequena história pitoresca não deixou de ser um rico ingrediente para a entrevista que se seguiria.
Começámos a entrevista radiofónica e as perguntas sucediam-se a tal ritmo, os telefonemas surgiam em catadupa que a hora reservada ao evento pareceu encolher para quinze minutos. Falámos da imortalidade da alma, tantas vezes cantada pelas religiões mas nunca provada, até ao momento em que o espiritismo aparece em 1857, provando experimentalmente a imortalidade do ser. Falámos da comunicabilidade dos Espíritos, da esperança que a vida encerra, das provas dessa comunicabilidade, falámos da reencarnação e de como a moderna psiquiatria está a descobri-la em laboratório, da pluralidade dos mundos habitados e da existência de Deus. Falou-se ainda da mediunidade ou percepção extrasensorial que vai aparecendo um pouco por todo o lado como que a chamar o homem para novas realidades que terá de valorizar. Pessoas que telefonavam colocaram as suas questões e experiências próprias e ficou no ar uma sede enorme de saber que é preciso saciar.

O espiritismo ou doutrina espírita, que é algo de muito sério,
um movimento cultural muito amplo e que só a má fé ou desconhecimento
pode emparelhá-lo com a superstição, crendice e quejandos.

A jornalista inicialmente receosa com o tema e com o «bruxo», estava desejosa de continuar com a entrevista mas o tempo estava a finalizar. Ficou a promessa de novos programas em novos moldes, quiçá sob a forma de debate público, aproveitámos o ensejo para oferecer um exemplar da obra magistral de Allan Kardec «O Livro dos Espíritos» e afinal tinha terminado o meu reinado de «bruxo» por um dia.
Pudemos constatar que entre o público ficou a ideia real do que é o espiritismo ou doutrina espírita, que é algo de muito sério, um movimento cultural muito amplo e que só a má fé ou desconhecimento pode emparelhá-lo com a superstição, crendice e quejandos.
Ficou bem esclarecido que o espiritismo nada tem a ver com anúncios em jornais prometendo a cura de tudo e mais alguma coisa a troco de dinheiro, e que quem assim se afirma espírita, no jornal, prometendo curas e soluções de todos os problemas, não é espírita e como tal é charlatão ao afirmar-se como tal.
Terminado o evento pude regressar a Caldas da Rainha, tinha terminado o meu curto reinado de «bruxo» na mente daquelas pessoas e tinha voltado à condição normal de ser humano, igual aos demais, com um emprego, com família, com alegrias e tristezas, mas com uma diferença: a de gostar de estudar, praticar e divulgar, sempre gratuitamente, a doutrina espírita como uma ideia altamente consoladora que ajuda-nos a entender a vida e que nos diz quem somos, de onde vimos e para onde vamos.

Bibliografia:
«O Livro dos Espíritos», Allan Kardec;
Sítio na Internet: www.adeportugal.org

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Católicos falam com os Espíritos


Falar com os espíritos, através de médiuns, sempre foi uma atitude banal ao longo da história da humanidade. Allan Kardec (o codificador do Espiritismo) descobriu as leis que regem esse tipo de comunicações. Agora é a vez dos católicos dizerem que afinal é possível falar com os familiares já falecidos. Ora veja!

O Padre Gino Concetti, comentador do «Observatore Romano», fala acerca Mais Além de uma nova maneira.
O Padre Gino Concetti, é irmão da Ordem dos Franciscanos Menores, um dos teólogos mais competentes do Vaticano, e comentarista do «Observatore Romano», o diário oficial do Vaticano.
A intervenção do padre Concetti, publicado num artigo desse jornal, é muito importante, porque, aqui se vêem as novas tendências da Igreja a respeito do paranormal, sobre o qual, até agora, as autoridades eclesiásticas haviam formulado opiniões diferentes. Sustenta ele que, para a Igreja Católica, os contactos com o Mais Além são possíveis, e aquele que dialoga com o mundo dos defuntos não comete pecado se o faz sob inspiração da fé.
Vejamos pois alguns extractos da entrevista, publicada no Jornal Ansa, em Itália, em Novembro de 1996.

Resposta - «Segundo o catecismo moderno, Deus permite aos nossos caros defuntos, que vivem na dimensão ultraterrestre, enviar mensagens para nos guiar em certos momentos de nossa vida. Após as novas descobertas no domínio da psicologia sobre o paranormal a Igreja decidiu não mais proibir as experiências do diálogo com os trespassados, na condição de que elas sejam levadas com uma finalidade séria, religiosa, científica.»

P - Segundo a doutrina católica, como se produzem os contactos?
R - «As mensagens podem chegar-nos, não através das palavras e dos sons, quer dizer, pelos meios normais dos seres humanos, mas através de sinais diversos; por exemplo, pelos sonhos, que às vezes são premonitórios, ou através de impulsos espirituais que penetram em nosso espírito. Impulsos que se podem transformar em visões e em conceitos.»

P - Todos podem ter essas percepções?
R - «Aqueles que captam mais frequentemente esses fenómenos são as pessoas sensitivas, isto é, pessoas que têm uma sensibilidade superior em relação a esses sinais ultraterrestres. Eu refiro-me aos clarividentes e aos médiuns. Mas as pessoas normais podem ter algumas percepções extraordinárias, um sinal estranho, uma iluminação repentina. Ao contrário das pessoas sensitivas podem raramente conseguir interpretar o que se passa com elas no seu foro íntimo.»

«O Diálogo com os mortos não deve ser interrompido, pois na realidade, a vida não está limitada pelos horizontes do mundo.»
                                                                                                                            João Paulo II
                                                                (2 Nov 1983, perante mais de 20.000 pessoas)

P - Para interpretar esses fenómenos a Igreja permite-lhes recorrer aos chamados sensitivos e aos médiuns?
R - «Sim, a Igreja permite recorrer a essas pessoas particulares, mas com uma grande prudência e em certas condições. Os sensitivos aos quais se pode pedir assistência, devem ser pessoas que levam as suas experiências, mesmo aquelas com técnicas modernas, inspiradas na fé. Se essas últimas forem padres é ainda melhor. A Igreja interdita todos os contactos dos fiéis com aqueles que se comunicam com o Mais Além, praticando a idolatria, a evocação dos mortos, a necromancia, a superstição e o esoterismo; todas as práticas ocultas que incitem à negação de Deus e dos sacramentos»

P - Com que motivações um fiel pode encetar um diálogo com os trespassados?
R - «É necessário não se aproximar muito do diálogo com os defuntos, a não ser nas situações de grande necessidade. Alguém que perdeu em circunstâncias trágicas, seu pai ou sua mãe, ou então seu filho, ou ainda seu marido e não se resigna com a ideia do seu desaparecimento, ter um contacto com a alma do caro defunto pode aliviar-lhe o espírito perturbado por esse drama. Pode-se igualmente endereçar aos defuntos se se tem necessidade de resolver um grave problema de vida. Nossos antepassados, em geral, ajudam-nos e nunca nos enviarão mensagens nem contra nós mesmos nem contra Deus.»

P - Que atitudes convém evitar durante contactos mediúnicos?
R - «Não se pode brincar com as almas dos trespassados. Não se pode evocá-las por motivos fúteis, para obter por exemplo um nº do Loto. Convém também ter um grande discernimento a respeito dos sinais do Mais Além e não muito enfatizá-los. Arriscar-se-ia a cair na mais suspeita e excessiva credulidade. Antes de mais nada não se pode abordar o fenómeno da mediunidade sem a força da fé.»

(Extracto da entrevista publicada na revista “Presença Espírita” do Instituto de Pesquisas Psíquicas (IPP) de Salvador - Bahia - Brasil)

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Manifestações espontâneas de Espíritos



O dia corria normalmente como os demais. Era dia de reunião mediúnica. Para quem não sabe, uma reunião mediúnica, num centro espírita, é uma reunião privada, onde um grupo de pessoas preparadas para o efeito, mantém o contacto com o mundo espiritual, numa permuta muito frutífera e que acontece sempre fora do campo da futilidade, da curiosidade vã. Estas reuniões objectivam sempre fins nobres, auxiliar alguém e é um trabalho efectuado gratuitamente, por carolice, com o único propósito de tentar ser útil a algumas pessoas que nos pedem auxílio.
Quase no fim da reunião (no Centro de Cultura Espírita, nas Caldas da Rainha, Portugal), que decorrera como as demais até então, salvaguardando as nuances de cada uma que são obviamente sempre diferentes, antes da mesma terminar, aconteceu uma manifestação espontânea através de um dos médiuns presentes, em que uma pessoa já falecida, conhecida de alguns membros da nossa reunião, veio deixar um recado misterioso (para nós) para um seu familiar. O recado dizia mais ou menos assim. «Digam ao meu irmão que não se preocupe, que vai tudo correr bem» e assinou com o seu nome.
No fim da reunião ficámos com o papel, com a incumbência de o entregar ao familiar a quem se destinava tão estranho recado.
No entanto, com os afazeres da vida, acabamos por nos esquecer e somente cerca de quinze dias depois tivemos o ensejo de o entregar ao interessado.
Qual não foi o nosso espanto quando o irmão dessa pessoa que nos mandara o recado do mundo espiritual se emociona e refere que, de facto, naquela data, ele fizera uma cirurgia cardíaca (uma semana depois da recepção da mensagem) pelo que a “misteriosa” mensagem só o era para nós que desconhecíamos que aquela pessoa iria ser intervencionada cirurgicamente, pois raramente vemos essa pessoa.
De realçar que nenhum dos elementos da reunião tem contactos com essa pessoa e sequer sabia que ela tinha problemas cardíacos quanto mais que seria operada ao coração.

A morte não existe, a vida continua, é possível dentro de certas condições,
comunicar com aqueles que estão do outro lado da vida,
e a reencarnação é uma realidade.

Estas manifestações espirituais espontâneas são mais comuns do que pensamos e são sem sombra de dúvidas uma das grandes evidências da imortalidade da alma que Allan Kardec tão bem estudou, pesquisou e que estampou em «O Livro dos Médiuns» onde se encontra a parte experimental da doutrina espírita (ou espiritismo).
Para nós espíritas, estes factos são banais, correntes e acontecem diariamente pelo mundo fora, o que estranhamos é ainda ouvir pessoas dizerem que «nunca ninguém veio do lado de lá dizer nada», como se fossem senhoras de todo o conhecimento, que por sinal desconhecem.
É que não podemos confundir saber de algo, com ter ou não ter interesse nesta ou naquela matéria.

Hoje em dia só desconhece quem quer ou quem não se interessa por esta temática, de tal modo é grande e profunda a bibliografia espírita, bem como as experiências que se vão repetindo desde meados do século XIX e que assim vão confirmando a veracidade do que o Espiritismo afirma há cerca de 153 anos: que a morte não existe, que a vida continua, que é possível dentro de certas condições, comunicar com aqueles que estão do outro lado da vida, e que a reencarnação é uma realidade.

Bibliografia:
«O Livro dos Espíritos»;
«O Livro dos Médiuns», ambos de Allan Kardec.

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Cremação: sim ou não?


A cremação está em voga nos dias de hoje. Hábito já enraizado em alguns países, começa a despontar em Portugal. Tem a anuência de uns e a forte oposição de outros. Quanto ao Espiritismo, o que ele nos poderá trazer de novo em relação a este tema?

A cremação não é mais do que a redução dos cadáveres a cinzas. Tem vindo a ganhar adeptos um pouco por todo o mundo e consequentemente também em Portugal. Tem apoiantes e combatentes da ideia, como geralmente acontece com todas as novidades.
Habituámo-nos à ideia através dos filmes americanos e, mais recentemente, com as novelas brasileiras, onde vemos os familiares do desencarnado (espírito liberto da carne pelo processo da morte física) a espalharem as cinzas num determinado local, ou pura e simplesmente a guardá-las religiosamente num jazigo familiar.
Para outros, poderá ser apenas uma moda, e se alguns admitem razões mais ou menos válidas para o acto da cremação (por exemplo, falta de espaço nos cemitérios, mais higiénico, mais prático, etc., etc.,) outros querem-na pura e simplesmente por modismo. Hoje em dia é chique ser cremado, é quase uma questão de “status”. Outros alegam que a cremação é uma falta de respeito para com o familiar falecido e que há que dar um pouco de dignidade à sua memória. Outros ainda, acreditando na ressurreição dos corpos físicos em decomposição, opõem-se fortemente a esta prática, não vá ela contrariar suas crenças.
As opiniões são múltiplas, e respeitáveis, como não podia deixar de ser.

Não somos corpos, mas sim espíritos imortais,
que habitam temporariamente um corpo

O Espiritismo não faz a apologia do corpo físico, não o idolatra nem o despreza, dando-lhe apenas a importância que ele tem e só essa, despindo-se de todas as excentricidades que entretanto a humanidade foi criando em volta dos cadáveres.
Para o espiritismo, não somos corpos com espíritos dentro, somos isso sim, espíritos eternos temporariamente num corpo físico, com um objectivo nobre - a evolução moral e intelectual. Quando esse corpo físico se deteriora, o espírito abandona-o, retornando à pátria espiritual, para logo que possível voltar à gleba terrestre revestido de um novo corpo físico que lhe dará o ensejo de novas experiências no planeta, novas oportunidades de evolução, bem como de terminar ou completar aquilo que porventura não conseguiu na existência carnal anterior.
Nesse sentido, o corpo físico é como uma peça de roupa que adquirimos. É importante pelo seu preço e qualidade, há que preservá-lo ao máximo para que nos dure e seja útil o maior número de dias possível. Quando a peça de vestuário se deteriora é posta de parte e logo substituída por outra em melhores condições. Ora, o corpo físico não é mais do que a roupagem que o espírito utiliza para se poder manifestar e viver neste planeta. Nesse sentido, a partir do momento em que o espírito se desprende do corpo físico, deixa de ser importante a finalidade que lhe é atribuída, se ser enterrado ou cremado. As razões pró e contra são mais de ordem social e humana do que propriamente de ordem espiritual.
Acontece que a pessoa desencarnada (falecida) se foi correcta e aproveitou bem a existência física, para ela é-lhe indiferente o destino do cadáver, já que outros horizontes mais felizes se lhe descerram, estando desprendido da vida terrena e sendo amparado quer por familiares quer por amigos espirituais que a orientam na nova vida que então começa, no plano espiritual. Se a pessoa está demasiado agarrada à vida material, seja no campo da avareza, seja na dependência de tudo aquilo que nos prende à matéria, certamente ao desencarnar ser-lhe-á mais difícil desprender-se daquilo pelo qual a sua mente está obcecada - a matéria, os bens materiais, etc., etc.,. Muitos deles demoram-se por longos períodos junto à crosta terrestre até que se apercebam da sua real situação e se disponham a objectivar novos valores existenciais.

A cremação pode suscitar ecos de sensibilidade
ao espírito mais ligado à matéria

Neste sentido, os espíritos aconselham a que as cremações sejam efectuadas cerca de 3 a 4 dias depois do desenlace físico, dando assim oportunidade para que a desencarnação (saída do corpo de carne devido ao fenómeno da morte física) tenha mais possibilidade de se completar, já que no caso do espírito estar muito materializado e ainda ligado ao corpo, poderá sentir os horrores da cremação.
Questionado sobre se o Espírito desencarnado pode sofrer com a cremação dos elementos cadavéricos, Emmanuel, um espírito que se comunica regularmente através do médium Francisco Cândido Xavier opina: «Na cremação, faz-se mister exercer a piedade com os cadáveres, procrastinando por mais horas o acto da destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o “tónus vital”, nas primeiras horas sequentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material.»
É claro que nada disto é taxativo, pois se uns se desprendem rapidamente do corpo, outros poderão demorar-se bastante tempo ainda com sensações corporais, como acontece com alguns suicidas.
A cremação será uma questão de opção tendo em conta as vantagens e inconvenientes sociais, já que o cadáver nenhum valor tem como tal.
O Espiritismo preocupa-se isso sim em dar um roteiro de aprimoramento e felicidade para os locatários dos corpos físicos, isto é, para todos nós, espíritos imortais que nos encontrajos em viagem de aprendizado no roteiro terrestre.

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Deu boleia a um Espírito



«Um facto extraordinário ocorrido na região do mar Adriático, na Itália, entre as cidades de Ancona e Senigallia, movimentou a opinião pública italiana, chamando a atenção especialmente aos interessados na fenomenologia espírita.

O caso foi minuciosamente relatado pelo pesquisador Giuseppe Lenzi, num artigo publicado no jornal italiano “L’Aurora”.
O Dr. Lenzi, que também é autor de vários livros sobre fenómenos mediúnicos ocorridos dentro e fora de Itália, conta que um jovem de nome Carlo, regressava a casa de carro, já de madrugada, quando avistou à beira da mesma uma jovem acenando. Gentilmente o rapaz encostou o veículo e deu boleia à moça e, como ela dizia estará com muito frio, ele emprestou-lhe o seu casaco de cabedal.
Ao chegar a casa, no vilarejo de Ostra, perto do local do encontro, disse-lhe a moça que não se preocupasse pois iria devolver-lhe o casaco quando ele passasse por ali novamente, já que eram da mesma província.
Dois dias depois, acompanhado pela sua mãe, o jovem dirigiu-se à casa da rapariga, como combinado. Foi então que um senhor sisudo os recebeu à porta e ouvindo o relato disse tal ser impossível pois que a sua filha, de nome Serena, tinha morrido há quatro meses. Para prová-lo, o senhor mostrou-lhes um retrato da rapariga que foi imediatamente reconhecida pelo jovem.
Sem qualquer dúvida, Carlo insistiu na história.
Buscando clarear o assunto, o Senhor Mário – o rapaz sabia o seu nome pois a jovem o havia informado – convidou-os a irem ao cemitério. Chegando lá, abriu com a chave que somente ele possuía a capela mortuária da família onde repousavam os restos mortais da filha. Para surpresa dos três, lá estava também, sobre a campa, o casaco de cabedal do rapaz.

A jovem a quem dera boleia, tinha morrido quatro meses antes…

Como ocorre em localidades pequenas, o facto logo se tornou público, chegando às páginas dos jornais até à TV local, que efectuou uma reportagem detalhada a respeito.
Ao relatar o acontecido, o Dr. Lenzi revelou também o resultado de algumas investigações que fez a respeito. Constatou que o jovem Carlo, protagonista do episódio, é um excelente filho e respeitado cidadão onde reside; que Serena, a jovem, quando encarnada (isto é, no corpo de carne = viva) possuía faculdades mediúnicas de audiência, vidência, chegando em certas ocasiões a dialogar com a sua falecida mãe. Esta, revelara-lhe algo muito forte: que ela desencarnaria (faleceria) ainda jovem, em morte violenta, o que, de facto aconteceu nas proximidades da sua casa, ocasião em que, junto com o irmão, foi vítima de um acidente automóvel.

Casos como este, de factos mediúnicos comprovados,
vividos por pessoas alheias ao Espiritismo,
enriquecem as fontes informativas da doutrina espírita

Serena, desligada da matéria há quatro meses, encontra recursos que lhe possibilitam não só tornar-se visível ao jovem Carlo como também transportar o seu agasalho, o que vem afirmar a continuidade da vida, contribuindo assim para diminuir a descrença e o cepticismo de alguns, que, diante desses factos haverão de reflectir sobre a pujança da alma imortal.
Este caso relatado pelo Dr. Lenzi, intitulado “Gli chiese un passaggio fino a casa, poi lui seppe che era defunta” (E foi-lhe pedida uma boleia até casa, depois ele soube que ela era falecida), pode ser lido na íntegra na edição do número 517 do jornal “L’Aurora”, cujo endereço é Largo Pietà, 9 – 62032 Camerino – Macerata – Itália, telefone 0737-632401.»

Nota – artigo extraído do Boletim SEI, nº 1929, de 19 de Março de 2005, www.lfc.org.br/sei

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A droga e o depois...



Há dias, falando com uma adolescente, ela confirmava-me que quase todos os seus colegas já tinham experimentado um “charro”. Um outro jovem, de 17 anos, igualmente utilizador do “charro”, dizia à sua mãe que quando quisesse pararia de se drogar (afirmação que quase todos os toxicodependentes já falecidos fizeram quando ainda estavam na Terra).

Questionamo-nos do porquê deste vício que destrói vidas, cada vez mais novas.
Olhamos para o mundo e vemos uma sociedade consumista, imediatista, onde o conceito do “self-service”, o conceito do “fast” parece tomar conta das nossas vidas. Nesse sentido, os jovens começam desde muito cedo a experimentar de tudo um pouco, e, sem alicerces morais bem fortes, facilmente se cansam da vida, ficando sem horizontes para a mesma, para o seu futuro. Alguns embrenham-se ainda mais fortemente no vício da toxicodependência, outros adentram-se pelo suicídio, todos eles buscando aquilo que ainda não encontraram na vida ou até buscando fugir dela.
Se os efeitos sobre o corpo físico são por demais evidentes, (hoje é ponto assente que as drogas destroem o cérebro, limitam enormemente a vida e matam), poucos cogitam dos efeitos nefastos que as drogas têm sobre o ser espiritual, sobre o Espírito eterno que está temporariamente neste corpo de carne e sobre o perispírito (corpo espiritual que acompanha o Espírito ao logo da eternidade, permitindo-nos assim sermos uma individualidade).
É cada vez mais urgente informar acerca de quem somos, de onde viemos e para onde vamos.

O uso de drogas para além de destruir o corpo físico,
afecta o corpo espiritual, com consequências nefastas
para a próxima reencarnação

A Doutrina Espírita (ou espiritismo) demonstra que somos imortais, mostra-nos a reencarnação, a comunicabilidade dos espíritos e, assim sendo, todos os paradigmas existenciais mudam, se formos conscientes.
Conscientes e alertados de que afinal somo seres imortais, que estamos temporariamente num corpo de carne e que voltaremos a este mundo com um novo corpo de carne após a morte (factos estes sobejamente pesquisados por vários cientistas em todos o mundo desde meados do século XIX até aos dias de hoje), o homem olhará para a sua vida de outra maneira, não tão imediatista, não tão materialista, mas verá sim, nas dificuldades, nas alegrias, nas tristezas, oportunidades existenciais de sermos ainda mais felizes, de ultrapassarmos provas e expiações que nos empurrarão para novas experiências e assim sucessivamente, até que um dia sejamos seres burilados espiritualmente, evoluídos, espiritualizados o suficiente, para já não mais precisarmos de reencarnar.
A droga é um dos maiores flagelos sociais. Quem nela entra dificilmente sai, desperdiçando uma oportunidade de vida. Sai desta vida destroçado, perdido, voltando à Terra com inúmeros problemas orgânicos, mais a tendência inata para a droga, quando os problemas surgirem. Quando intoxicamos o nosso corpo, destruindo-o com o uso de drogas, acabamos por afectar o nosso corpo espiritual (perispírito), corpo espiritual esse que será o molde energético do futuro corpo de carne em futura reencarnação.
Drogando-se, o ser humano sofre um embotamento da razão, perde faculdades, perde o seu projecto evolutivo que fizera antes de reencarnar, e que vai ter de repetir em futura reencarnação, com a agravante de vir em piores condições físicas, derivado das doenças consequentes do uso de drogas. Sofre assim uma estagnação intelectual e espiritual, perde tempo, sofre no mundo espiritual (pois aí se adentra na qualidade de um suicida) e também no mundo físico em futura vida, comprometendo a sua futura reencarnação. Quem se droga sofre quase sempre de influência espiritual perniciosa (obsessão), com espíritos que lhe são afins nos seus gostos.

Conhecendo a sua realidade espiritual, o homem consciente muda de atitude.

A Doutrina Espírita, se estudada e bem compreendida, é um dos maiores preservativos contra o suicídio e o uso de drogas, já que o homem, consciente da sua condição espiritual, tudo fará para sair com êxito da vida, para evoluir intelectual e moralmente, até que um dia pela lei natural da vida o seu corpo perca a vitalidade e morra.
É por isso urgente evangelizar os adolescentes e os jovens, esclarecendo as pessoas da sua condição de espíritos eternos, não como crenças mas sim como factos inquestionáveis perante as observações que o mundo nos presenteia, apontando para a imortalidade do ser.
“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar tal é a lei” é sem dúvida nenhuma um paradigma que não mais se poderá ignorar, sob pena de atrasarmos a nossa evolução espiritual, adentrando os charcos do sofrimento na vida terrena, até que um dia assumajos a nossa condição de seres espirituais, eternos, e vivamos em consonância com esta realidade. 
A leitura e estudo de «O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec, bem como restante bibliografia deste autor, são fundamentais para o entendimento da vida para além da morte. Conhecendo esta realidade, o vazio da vida que muitas vezes nos atira para o charco das drogas, desaparece, perante novos horizontes existenciais mais ricos de oportunidades e mais felizes.

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Ela voltou do Além?


Quem já não ouviu falar de mortes aparentes? Isso mesmo, aquelas pessoas que são dadas como mortas, clinicamente, e que depois voltam ao corpo relatando todo um conjunto de factos passados, por vezes, em sítios fora da sala onde o corpo se encontra e, que pôem os médicos perplexos.

Em Portugal há muitos casos desses. A maioria escuda-se no silêncio com medo de ser apelidado de louco. Encontrámos uma senhora que teve uma situação parecida com uma morte aparente.
Com 39 anos de idade (em 2000), a Teresa é natural de Lisboa. Teve a coragem de nos contar o seu caso, aliás muito parecido às já famosas Esperiências de Quase-Morte (EQM's), largamente estudados por muitos cientistas, médicos e outros, e que tiveram maior repercussão com os mundialmente famosos casos do Dr. Raymond Moody Jr. consignados no best-seller "Vida depois da Vida" e "Reflexões sobre Vida depois da Vida", ambos editados pela editora caravela e à disposição em qualquer livraria do país.
Vamos pois ao relato:
" Quando tinha 34 anos fiz uma tentativa de suicídio, em virtude do estado de perturbação em que me encontrava e que se misturou a uma situação difícil da minha vida. Digamos que foi uma tentativa de suicídio não muito consciente. Não me lembro de quase nada... Da cidade onde vivo presentemente, fui mandada para Lisboa para ficar ligada ao ventilador, no Hospital de Stª Maria. Na zona de Alverca, a caminho do hospital, o médico e o enfermeiro que me acompanhavam deram-me como morta, mas como já estavam à espera em Stª Maria, o condutor insistiu para que continuassem, pois tanto valia entrar morta num lado, como noutro. Em Stª Maria, tentaram reanimar-me com choques eléctricos para depois ser ventilada, pois já não levava vestígios de vida, segundo me contaram. A determinada altura, começo como num género de acordar, começei a ver-me assim como que acima do meu eu, eu via o que se estava a passar. Vi ligarem-me à máquina (ao ventilador), começo a ver os médicos todos e toda aquela azáfama de tentativa de salvação da vida e fiquei como que suspensa no ar a ver toda aquela atrapalhação.

Um caso interessante

Lembro-me muito bem de ver o meu corpo numa maca, eu inclusivamente estava toda nua, só tinha um lençol por cima; lembro-me de que estava muito inchada, totalmente deformada, pode-se dizer que não reconheci as minhas feições; tinha muitos tubos, lembro-me deles no nariz, na boca. Depois de ligada ao ventilador, fiquei em coma profundo. Puseram-me soro, já não era aquela correria do princípio... Uma das coisa de que ainda me recordo foi um comentário feito em relação ao cheiro da urina, que era bastante desagradável e com uma cor muito esquisita. O cheiro metia impressão à própria enfermeira. Estive três dias em coma profundo e mais três em semicoma. Eu tenho um problema que é o facto de ser muito difícil de encontrar as minhas veias e de ser muito difícil aguentar o soro. Há uma altura em que a enfermeira vem para me colocar o soro no braço, estava a tentar picar e eu respondo-lhe que ela escusava de pôr soro ali porque a veia ia rebentar."
Nesta altura, em que situação estava?
"Estava em coma profundo, sentia-me fora do corpo e a assistir a tudo. O corpo respondeu aquilo, porque eu sabia que aquela veia ia rebentar, pois ela sempre rebentou quando era necessário picar. Quando a enfermeira ouviu o corpo a falar, deve ter-se assustado, pois largou tudo e desatou a correr.

Sentia-me fora do corpo e a assistir a tudo

Passado um pouco regressou com a médica, mas não lhe deve ter contado nada, pois vinha a dizer-lhe que não tinha conseguido encontrar a veia. Eles picaram a referida veia, e quando o soro começou a correr a veia rebentou. Essa enfermeira nunca mais ficou sozinha comigo. Não sei porquê. Talvez tivesse medo, depois do que aconteceu. Outro aspecto importante é o facto de o meu organismo regeitar o leite. Eu estava entubada, vinha a empregada com uma caneca de leite que me seria ministrado pelo tubo. Lembro-me que a caneca não era de vidro e apercebi-me do que continha em virtude de estar a ver o panorama "de cima". Eu sabia que o meu corpo ia regeitar o leite e que ia vomitar. Ao ser-me ministrado o leite, ao saber que ia vomitar, o corpo voltou-se de lado, eu própria o fiz, com medo de ficar engasgada (estava de barriga para o ar). As enfermeiras amarraram-me, possivelmente pensando que estaria a reagir e a querer saltar do local onde estava. Estava ainda fora do corpo, em estado de coma profundo. A explicação que eles me deram é que eu estava a começar a agitar-me e que queria saltar da maca. Por isso amarraram-me. Lembro-me muito bem de ter voltado ao corpo. Já estava na enfermaria. Comecei a sentir o corpo mais pesado e comecei a tentar movimentar-me."
Que sentiu quando estava fora do corpo?
"Parecia que estava a acordar de um sonho, sentia-me muito, muito leve, muito liberta, mas ao mesmo tempo com um sentimento de culpa muito grande. Parecia que estava a acordar de qualquer coisa. Quando voltei ao corpo foi com a sensação de que tinha de regressar, porque tinha de continuar a minha vida na Terra. Estava com um sentimento de culpa pelo que tinha feito e estava consciente de que queria voltar e continuar o que já tinha começado na minha vida."
Ela voltou do Além? Todas as evidências relativas a casos destes e de outro género, bem mais acutilantes, indiciam que sim, demonstrando a sobrevivência do espírito e a sua independência em relação ao corpo físico. Para os mais interessados recomendamos os livros acima citados, do médico e filósofo Dr.Raymond Moody Jr., bem como "O Livro dos Médiuns", de Allan Kardec, que explica todos esses casos e muitos mais, bem como o que eles significam.

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Eles morreram e voltaram


Dannion Brinkley já morreu duas vezes. Não! Não é ficção. Ele teve duas experiências de quase morte (EQM) e relata o que viu e sentiu do "lado de lá". Foi pesquisado pelo Dr. Raymond Moody Jr - uma sumidade mundial no que respeita a este tema - e hoje é seu assistente. Também Divaldo Pereira Franco, orador espírita mundialmente respeitado e conhecido, teve um caso de morte aparente. Aqui ficam os relatos.

Dannion Brinkley (na fotografia), um homem de negócios de Charleston, EUA, tinha 25 anos quando em 17 de Setembro de 1975, estando em casa com a família, quando telefonava, foi atingido por um raio, fruto de forte tempestade. "Era como se um comboio de carga a alta velocidade, rugindo através da janela, tivesse chocado comigo, no lado esquerdo do meu pescoço..."A dor era insuportável, sentiu como se o seu corpo inteiro estivesse em fogo. Nesses momentos terríveis algo aconteceu." Lembro-me que estava numa área cinza-azulada calma e tranquila, tépida e nebulosa. Era como se tudo estivesse bem. Podia mover-me, tinha liberdade, vi um túnel com uma luz vinda do seu interior e comecei a mover-me através dele... Encontrei um ser luminoso e toda a minha vida passou diante de mim, como que um filme. Cada pensamento, sentimento, eu vi-os. Não existem segredos, você vê tudo... Estive numa cidade desconhecida, feita de luz.... Encontrei-me com 12 seres luminosos que me sugeriam acções para quando voltasse...De repente, vi-me no hospital, flutuando sobre o corpo que estava a ser observado pelos médicos. Taparam-no (o corpo) com um lençol, disseram "não vale a pena" e levaram-no para um hall...Quando o pessoal auxiliar ia levar a maca para a morgue, voltei para o corpo, logo imediatamente abaixo do lençol. Não podia falar, mas, consegui soprar. Viram o lençol mexer, chamaram os médicos de novo e reanimaram-me." Esteve cerca de 29 minutos neste estado e levou dois anos a recuperar-se totalmente.

Isto mudou a minha vida em 100%

Em 1989 teve um grave problema cardíaco. Foi anestesiado e operado ao coração. De repente vê-se a flutuar sobre o corpo, vê o médico a abri-lo, a tirar o coração e a implantar uma válvula."É uma visão muito estranha ver o seu próprio corpo aberto."Nesse estado, relata Brinkley, voltou tudo a passar-se como da primeira vez, com a diferença de que agora a "tela da sua vida" (tipo filme) tinha mais 15 anos (o tempo que decorrera da primeira EQM até então).
Dannion Brinkley foi assistente do Dr. Raymond Moody Jr acompanhou cerca de 250 casos de experiências de quase morte (EQM) e pesquisou mais de 3.000 casos. Afirma que tais situações por que passou eliminam totalmente o mêdo da morte, tamanha é a certeza da imortalidade do ser humano. Dá agora mais valor às pequenas coisas, para ele, um simples gesto de gentileza tem muito mais valor do que muitas coisas que valorizamos em geral e conclui:"O Amor é a coisa mais importante do mundo, a minha vida modificou-se 100%".
Em entrevista concedida à "Revista de Espiritismo", Divaldo Franco - orador espírita, médium, fundador (aos 20 anos de idade) de uma instituição que recolhe meninos da rua e por onde já passaram mais de 40.000 crianças que actualmente são adultos perfeitamente inseridos na sociedade brasileira, Doutor Honoris Causa pelo Faculdade do Quebec-Canadá entre outros do seu vastíssimo currículum - afirma: "Essas mortes aparentes sempre ocorreram, principalmente no passado quando os estados catalépticos eram dificilmente diagnosticados. A técnica de diagnóstico da morte era muito empírica, normalmente através da respiração e dos batimentos cardíacos. Hoje, graças ao electroencefalógrafo, pode-se detectar com maior profundidade o momento da paragem cardíaca definitiva e da morte real. No entanto, mesmo nesses casos, estudados por Edith Fiore, Elizabeth Kubler-Ross ou Raymond Moody Jr, há sempre o retorno à actividade do coração e consequentemente do cérebro, oferecendo evidências de que no momento da aparente morte da consciência, o ser consciente continua pensando. É dentre as muitas evidências da sobrevivência da alma uma das mais fascinantes, mesmo porque as experiências do Dr Moody Jr, psiquiatra e filósofo, que vem estudando o assunto há mais de 25 anos, ofereceram documentação valiosíssima, variadíssima, toda calcada na imortalidade da alma."

O caso Divaldo Franco


Perguntámos se tinha alguma experiência deste género, ao que Divaldo Franco respondeu: " No ano de 1985 tive uma lipotímia. Estava a proferir uma conferência, na nossa associação espírita, em Salvador (Brasil), quando um espírito muito amigo disse-me para sair dali porque ia desmaiar e era provável que morresse. Pareceu-me anedótico. Terminei a palestra e dirigi-me a uma das nossas salas, na nossa sede. No momento em que me acercava de um divâ, tive uma estranha sensação de paragem cardíaca, a princípio a lipotímia e depois a paragem cardíaca, e senti-me fora do corpo. Então, um filho médico, a nossa enfermeira universitária e mais dois médicos que estavam presentes na reunião, acorreram para darem-me assistência. Curiosamente, eu sentia um grande bem-estar. Vi-me fora do corpo e recordei-me de uma afirmação do meu guia espiritual - Joanna de Ângelis - de que no dia em que eu perdesse a consciência e a visse, havia acontecido o fenómeno biológico da morte. Eu olhei à minha volta e não a vi. Vi então a minha mãe (já falecida) que se aproximou de mim. Perguntei-lhe: "Mãe, eu já morri?" e ela disse-me: "Ainda não".Dentro de alguns minutos eu comecei a preocupar-me, pois se passasse muito tempo poderia a ter morte cerebral e ficar apenas em vida vegetativa. Mas, minha mãe voltou e disse-me: "Seus amigos espirituais dão-te uma moratória, tu viverás um pouco mais." E eu perguntei-lhe: "Quanto tempo?" Ela respondeu-me: "Não sei". Então voltei ao corpo e recuperei a consciência no corpo físico."

Estas experiências de quase morte, exaustivamente estudadas pelo mundo académico, são mais uma achega ao vasto rol de evidências da imortalidade do espírito, afirmada pelo espiritismo desde 1857. O livro "Vida depois da Vida" do Dr. Raymond Moody Jr. (psiquiatra e filósofo de educação religiosa presbiteriana) é de leitura obrigatória, sendo já um ponto de referência sem igual no mundo científico. Uma pesquisa séria e impressionante do fenómeno da sobrevivência à morte física, desta feita editada pela editora Caravela e à venda em qualquer livraria do mundo.

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Os novos escravos



O caso conta-se em poucas palavras. Uma nossa amiga desempregada anda de porta em porta à procura de trabalho (não de emprego) mas com muita dificuldade. De tal modo que foi a uma superfície comercial procurar emprego num supermercado: as condições eram apenas estas: entrada às 08h00, sem horário de saída (podendo ser até às 22h ou 24 horas), incluindo sábados, domingos e feriados, com dois dias de folga quando a administração decidir, tudo isto a troco de um ordenado mensal de cerca de 400 euros, para os que lá estão há mais tempo, sem horas extras, mesmo que as façam regularmente.
Falando com outro amigo, este bancário, caldense, referiu-me que no banco onde trabalho é prática corrente serem obrigados a trabalhar fora de horas e caso tenham o azar de serem multados pela inspecção do trabalho, as multas em vez de serem pagas pelo banco, são deduzidas ao fim do ano nos prémios de produtividade. Um outro amigo, também bancário, este na capital, afirma ter colegas de trabalho a ganharem cerca de 500 euros por mês, sem contrato e a terem de se sujeitar a tudo o que a administração decidir.
Dizia-me essa amiga, do primeiro caso, de que adiantou as pessoas terem lutado pelas liberdades após o 25 de Abril, pelo direito ao trabalho, direito à greve se agora tudo foi por água abaixo, estando as pessoas cada vez mais escravizadas por patrões sem escrúpulos que não olham a meios para objectivarem o lucro fácil?
Em «O Livro do Espíritos», de Allan Kardec, na terceira parte, aborda as Leis Morais, que são as leis de Deus, leis da natureza que não devemos violar sob pena de ficarmos sujeitos à reparação, tendo em conta a lei de causa e efeito ou de causalidade.

Na questão nº 682, Allan Kardec pergunta aos Espíritos:
«Sendo uma necessidade para todo aquele que trabalha, o repouso não é também uma Lei da Natureza?»
“Sem dúvida. O repouso serve para a reparação das forças do corpo e também é necessário para dar um pouco mais de liberdade à inteligência, a fim de que se eleve acima da matéria.”

683. Qual o limite do trabalho?
“O das forças. Em suma, a esse respeito Deus deixa inteiramente livre o homem.” 

684. Que se deve pensar dos que abusam de sua autoridade, impondo aos seus inferiores excessivo trabalho?
“Isso é uma das piores acções. Todo aquele que tem o poder de mandar é responsável pelo excesso de trabalho que imponha a seus inferiores, porquanto, assim fazendo, transgride a lei de Deus.” (273)

A consciencialização da reencarnação levará o homem a um novo conceito de vida mais integral, holística.
A Doutrina Espírita alerta-nos para a necessidade do respeito mútuo, da defesa dos direitos humanos, do direito à vida, da obrigação moral da fraternidade e da entreajuda desinteressada, no sentido de melhorar o tecido social.
O homem inebriado no seu egoísmo vive como se esta vida corporal fosse a única, desprezando aqueles companheiros de jornadas que vieram numa condição social mais humilde. Uns e outros trazem provas diferentes: a riqueza e a pobreza, que lhes servirão de catapulta para o êxito, para a felicidade se souberem aproveitar bem o ensejo que a vida lhes proporcionou, ou para o inêxito e a infelicidade que o ser sentirá depois de largar o corpo de carne pelo fenómeno da morte, sentindo assim o remorso, o sentimento de culpa pela exploração egoísta do próximo.
Se o homem soubesse que a vida funciona como actos de uma peça de teatro, onde em cada reencarnação ele “incorpora” um novo personagem, olharia para o desgraçado, para o sem abrigo, para o necessitado, como um ser humano, seu irmão na criação divina e quiçá algum familiar ou amigo de vidas passadas ou em futuras existências.
A consciencialização da reencarnação (hoje comprovada pelas pesquisas científicas em torno da mesma um pouco por todo o mundo) levará o homem a um novo conceito de vida mais integral, holística, e assim ele passará a despir-se do seu orgulho, entendendo que a actual situação de poder, de comando, foi apenas mais uma oportunidade que a divindade lhe concedeu para ele evoluir e não para espezinhar ou explorar o próximo.
Recordemos as palavras sábias de Jesus de Nazaré: «A semeadura é livre mas a colheita é obrigatória», ou ainda, «A cada um segundo as suas obras».

Bibliografia:
Kardec, Allan: O LIVRO DOS ESPÍRITOS
http://www.adeportugal.org/ – curso básico de espiritismo

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Espiritismo: antídoto para a violência



A violência é a imagem de marca do nosso século. Espraia-se em todos os níveis da sociedade, manifestando-se em diferentes intensidades. O homem, violento, esqueceu o Norte da divindade e procura na violência uma saída para a procura da sua felicidade. Um paradoxo, que o espiritismo vem ajudar a resolver.

A cena não podia ser mais comovente, com a jovem mãe a falar do seu pequeno filho, projectando junto de uma amiga sua, o futuro do pequerrucho que brincava nos baloiços com outros pequenotes. Dizia ela que gostava muito que o filhote fosse médico pois era uma profissão que lhe garantiria o sustento. Não pudemos deixar de sorrir, pois os pais são assim mesmo, procurando sempre aquilo que eles acham ser o melhor para os seus filhos. Olhei para o lado e lá estava o pequeno João na gritaria com outro pequenote. A páginas tantas, porque o Rui entendesse que não lhe devia dar o baloiço, o pequeno João deu-lhe um forte murro, projectando-o para fora do baloiço, com os inevitáveis choros e consequente companhia dos pais até então com um olhar protector à distância. Pensei que a mãe ralharia com ele pela atitude menos digna, mas não. Com um carinho, uma meiguice e tentando disfarçar uma pequena censura, lá terminou aquela cena típica entre miúdos... e adultos! Fiquei a pensar como será o pequeno João quando for médico, já que cresceu num ambiente violento, onde pôde dar vazão à sua violência e sem que alguém o educasse convenientemente.

Quem estuda o espiritismo vê-se melhor apetrechado
para a vida em sociedade, neste tempos atribulados,
encontrando conceitos lógicos e racionais
para o entendimento da vida
numa visão holística da mesma.

Ligamos a televisão e ela entra-nos pela porta dentro, seja pelos noticiários pelos documentários seja pelos filmes. No quotidiano reagimos violentamente, muitas vezes, perante os reveses da vida ou perante as contrariedades. Condenamos a violência alheia, seja particular, seja entre estados, mas no nosso dia-a-dia, ao invés de agirmos de forma pacífica, civilizada e fraterna, somos como que autómatos, reagindo sempre de acordo com o que motivou a nossa reacção. Somos autómatos sem nos apercebermos.
A violência é uma das maiores chagas sociais, que se vai acumulando dentro de nós na medida em que nos afastamos da divindade. O homem perdeu o Norte de Deus, esqueceu a sua moralização, automatizou-se e hoje vê-se prisioneiro de um conjunto de normas sociais (anti-sociais) que o empurram para atitudes cada vez mais egoístas e violentas.
Desde há dois mil anos que Jesus de Nazaré trouxe à humanidade um código de conduta que traria ao homem a felicidade. Esse código de conduta, esses ensinamentos ético-morais que Jesus deixou na Terra, são a garantia da paz, da felicidade, do bem-estar interior. Mais uma vez o homem perdeu-se no meio das suas lutas, do egoísmo, do orgulho, da violência, ignorou tais códigos e hoje confronta-se consigo próprio numa mistura explosiva de intranquilidade interior. Esse homem velho, que carrega dentro de si ao longo das várias reencarnações, experiências violentas, vê-se hoje a braços com uma dualidade muito grande: os hábitos enraizados no passado, nas vidas anteriores, onde semeou essa violência, colhendo-a hoje na sua vida, já que somos o somatório das nossas vidas anteriores (“A semeadura é livre mas a colheita é obrigatória”. Jesus de Nazaré), e o desejo actual de ser diferente, de romper com o passado, de sair desse estado de alma atormentador que é a violência interior.
O espiritismo ou doutrina espírita, não sendo mais uma religião nem mais uma seita, apresenta-se como uma ciência filosófica de consequências morais. Mostrando-nos a imortalidade da alma, através dos contactos com a espiritualidade, por intermédio dos médiuns (seres com capacidade de percepcionar o mundo extra-físico), o espiritismo mostra-nos também que existe uma lógica para a vida e que cada um colhe dela aquilo que semeou outrora, dentro da lei de causa e efeito, onde cada atitude nossa, positiva ou negativa, irá repercutir-se obrigatoriamente em nós, trazendo-nos paz ou intranquilidade interior. Nesse interim, quem estuda o espiritismo vê-se melhor apetrechado para a vida em sociedade, nestes tempos atribulados, encontrando conceitos lógicos e racionais para o entendimento da vida numa visão holística da mesma.

O espiritismo é um dos grandes antídotos para a violência...
Aquele que conhece o espiritismo, sabe que terá de se modificar
interiormente, se quiser ser mais feliz.

Assim sendo, o espiritismo é um dos grandes antídotos para a violência, na medida em que quem o conhece jamais se poderá eximir das suas responsabilidades sociais, sabendo que o seu futuro será uma decorrência do presente. Aquele que conhece o espiritismo sabe que terá de se modificar interiormente, se quiser ser mais feliz.
O espiritismo, na sua componente ético-moral nada vem acrescentar aos ensinamentos de Jesus mas vem aclarar o raciocínio em volta deles, explicando-os com mais lógica e racionalidade dentro dos horizontes da reencarnação que cada vez mais vai sendo uma realidade nos laboratórios de pesquisas em torno da personalidade humana.
Esperamos que outras crianças tenham mais sorte que o João, que os seus pais os levem às reuniões dos grupos de crianças e grupos de jovens, nas associações espíritas, onde eles possam adquirir uma formação ético-moral sólida que os apetreche melhor a lidarem com a violência social vigente, num processo de responsabilização pessoal e social.

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Espiritismo... caminho para a paz!



Faz um ano (Setembro de 2002) que o mundo se sobressaltou com os ataques terroristas do 11 de Setembro contra as torres gémeas em Nova Iorque. O mundo parece estar cada vez mais violento, sem solução à vista. O mundo está sedento de paz. Veja qual o contributo que o espiritismo pode dar nesta área.

Somos cerca de 6 biliões de seres a viverem neste planeta Terra, onde existe espaço para todos, comida para todos, condições para que todos possam viver em paz e um pouco melhor. No entanto a realidade é oposta, as guerras são uma constante, o ódio espalha-se qual erva daninha a proliferar nos corações humanos, os ímpetos de vingança sobre quem não pensa como nós ou nos contraria as ideias mantêm-se, a miséria moral e material vai cavando sulcos de sofrimento generalizado.
O panorama afigura-se aterrador, aparentemente, já que a massificação da informação poderá estar a dar uma ideia distorcida da realidade, na medida em que somente veicula desgraças e atitudes negativas, calando as acções nobres, amigas, de retaguarda, já que estas não são “notícia”.
No entanto temos consciência que o mundo está em mudança onde os entrechoques evolutivos se notam com mais rigor.
De acordo com a doutrina espírita (ou espiritismo) vivemos num planeta que seria catalogado de “provas e expiações”, isto é, um planeta onde a população que nele habita, pela sua pouca evolução ético-moral, ainda precisa de passar por muitas provas e de expiar muitas acções negativas executadas no passado, quer em vidas anteriores quer nesta existência carnal, isto de acordo com a Lei de Causa e Efeito (também conhecida com Lei do Carma, dos orientais). Um planeta de provas e expiações é um planeta onde o mal predomina sobre o bem, onde os seres humanos ainda não despertos para a sua realidade espiritual buscam na matéria toda a sua felicidade, todos os seus gozos, acabando por entrar em labirintos de frustração, buscando a felicidade interior onde ela não está: na matéria.

Modificando o campo mental, a atitude no lar, no trabalho, na rua,
o homem modificará o mundo, gradualmente, pacificando-se primeiro
para poder à posteriori pacificar o mundo que o rodeia

Os espíritos evoluídos dizem, nas suas comunicações através de médiuns, que o nosso planeta está numa fase de mudança neste 3º milénio, em que gradualmente pela lei natural da reencarnação (que brevemente poderá vir a ser mais uma lei reconhecida pela biologia) uns seres partem e outros voltam, e em que os seres desequilibrados e violentos reencarnarão em outros planetas que estejam mais de acordo com a sua postura interior, de violência, agressividade, voltando à Terra, naturalmente, seres comprometidos com a paz, com a ecologia, com o amor desinteressado, com a fraternidade. Serão estes os chamados “fins dos tempos”, isto é, o fim dos tempos de iniquidade, de miséria moral e material. Então o planeta Terra passará a ser um planeta de regeneração, onde os seres que aí nascerem evoluirão pelo amor e já não tanto pelo sofrimento que agora nos mina.
É neste sentido que o espiritismo concita todos à prática do bem, ao respeito mútuo, à fraternidade, procurando cada um trabalhar o seu íntimo no sentido de se tornar mais equilibrado, mais em sintonia com o equilíbrio universal, com Deus.
Numa época em que o terrorismo de todos os tipos impera (terrorismo social, terrorismo religioso, político, desportivo, verbal, mesmo a nível do pensamento...) é urgente que o homem se modifique, amplie os seus horizontes existenciais. Quando o homem entender que a reencarnação é uma realidade e que o seu futuro feliz ou infeliz dependerá das suas atitudes no seu presente, então o homem entendendo as leis de Deus, começará a ter uma postura mais humanista, mais fraterna pondo em prática os ensinamentos ético – morais que o cristianismo nos deixou e que são a solução para todas as dificuldades existenciais que o mundo atravessa.
Modificando o campo mental, a atitude no lar, no trabalho, na rua, o homem modificará o mundo, gradualmente, pacificando-se primeiro para poder à posteriori pacificar o mundo que o rodeia.
O espiritismo é pois um forte contributo para a paz social, aliás bem retratado no tema central do XIX Encontro Nacional de Jovens Espíritas, que por sinal decorreu este ano nas Caldas da Rainha, precisamente sob o lema ESPIRITISMO.... CAMINHO PARA A PAZ.

Bibliografia:
«O Evangelho Segundo o Espiritismo», Allan Kardec;
www.adeportugal.org ;

Portugal, 2002