2

"SIT": Nova Doença Social...


Numa breve viagem efectuada em serviço profissional, não pude deixar de constatar o mundo que me rodeia, desde o embarque no avião, a viagem, o desembarque, enfim as múltiplas acções e reacções das pessoas na sua interacção social.
Confesso que fiquei preocupado ao aperceber-me de uma nova doença que afecta a sociedade ocidental: chama-se SIT.
Curiosamente, ao ler "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, verdadeira pérola da literatura mundial, onde está confinada a parte filosófica da Doutrina Espírita (que não é mais uma religião nem mais uma seita, mas sim ciência, filosofia e moral), no seu capítulo VII intitulado "Lei de Sociedade", podemos encontrar questões interessantes:
"766 A vida social está na Natureza?
“Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.”
767. É contrário à lei da Natureza o isolamento absoluto?
“Sem dúvida, pois que por instinto os homens buscam a sociedade e todos devem concorrer para o progresso, auxiliando-se mutuamente.”
768.Procurando a sociedade, não fará o homem mais do que obedecer a um sentimento pessoal, ou há nesse sentimento algum providencial objectivo de ordem mais geral?
“O homem tem que progredir. Isolado, não lhe é isso possível, por não dispor de todas as faculdades. Falta-lhe o contacto com os outros homens. No isolamento, ele se embrutece e estiola.”
Homem nenhum possui faculdades completas. Mediante a união social é que elas umas às outras se completam, para lhe assegurarem o bem-estar e o progresso. Por isso é que, precisando uns dos outros, os homens foram feitos para viver em sociedade e não isolados."
O ser humano estimulando a sua inteligência, vai criando e modificando a matéria e o mundo material, tornando-o mais agradável para a sua vida no quotidiano, que por sua vez se torna mais confortável e mais feliz.

“O homem tem que progredir. Isolado, não lhe é isso possível, por não dispor de todas as faculdades. Falta-lhe o contacto com os outros homens. No isolamento, ele se embrutece e estiola.” (Allan Kardec)

Vemos ao longo destes últimos 100 anos, um incremento fantástico ao nível tecnológico, contribuindo sobremaneira para uma maior e melhor qualidade de vida do ser humano. Curiosamente, esta tecnologia ao invés de contribuir para uma partilha saudável  de vivências entre os seres humanos, tem contribuído para um uso desajustado, levando-o ao isolamento.
Paradoxalmente, nestes tempos que deveriam ser de alegria, face ao incremento da tecnologia, a sociedade sofre de grave doença mortal, a solidão, mesmo quando rodeados de uma imensidão de pessoas.
Naquele avião potente, com 200 pessoas a bordo, meditava fascinado no avanço da tecnologia, naquele grande pássaro de ferro rasgando o ar, tranquilamente e, verificava com alguma tristeza, que naquela hora e meia de viagem as 200 pessoas iam, cada uma delas, imersas no seu mundo (com auriculares ouvindo música ou outra coisa qualquer, com computadores trabalhando ou jogando, agarrados interminavelmente aos seus telemóveis e/ou agendas electrónicas, dormindo ou descansando de olhos fechados), ao invés de aproveitarem o tempo para conversarem, fazerem novos conhecimentos, trocarem ideias, partilharem opiniões, enfim, sociabilizarem-se.
Foi aí que me apercebi da grave doença, que se vai instalando silenciosamente, que nos afecta nos dias de hoje: a "SIT" (Solidão, Isolamento e Tecnologia).
Se as novas tecnologias são uma bênção para a humanidade, o seu uso deve ser efectuado com parcimónia, de modo a que o rumo orientador de sociabilização apontado em "O Livro dos Espíritos", nos itens acima referidos, não venham a ser postos em causa por este flagelo que associa a tecnologia ao isolamento e à solidão do ser humano.  

1

BALEAL: ESPÍRITAS LIMPAM NATUREZA


Sábado, 8 de Outubro de 2011, foi um dia especial para 18 crianças e jovens do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha e para outros tantos adultos (pais e encarregados de educação).
O dia começou bem cedo com o ponto de encontro pelas 09H30 no "Bar do Bruno", no Baleal, Peniche. De seguida o grupo de crianças e Jovens rumou à praia da Almagreira, com o objectivo de a limpar de toda a gama de detritos que ali são deixados e outros trazidos pelo mar. A esta actividade juntou-se a "Surf Riders Foundation" (movimento europeu de surfistas, amigos da Natureza), estando presente a Anna que, em inglês, com tradução da Catarina, ia passando lições de sensibilização para a defesa da Natureza aos mais novos e adultos, que estiveram integrados nesta actividade. O material de limpeza foi oferecido por esta entidade, bem como pelo "Baleal Surf Camp".
12H30 foi a hora do ponto de encontro no pinhal de Ferrel, para se poderem retemperar as forças e onde o Sr. Presidente da Câmara de Peniche (António José Correia) teve a gentileza de se deslocar, dando os parabéns pelo evento, após ter tido conhecimento do mesmo, facto que surpreendeu e animou os presentes.
Mas o melhor estava para vir: uma iniciação ao Surf pelas 15H30, numa oferta do "Baleal Surf Camp" que funciona no edifício do "Bar do Bruno".
Como ainda faltava algum tempo, as crianças e adultos aproveitaram e limparam também o pinhal de Ferrel, que apesar de estar bem servido de caixotes do lixo, os seus utentes teimam em deixar o local miseravelmente sujo. Ficou um brinquinho. Todos ficaram muito contentes após a limpeza do mesmo, que com o auxílio de todos fez-se rapidamente.
Pelas 15H30 a excitação era grande, afinal era a 1ª aula de surf.
Correu muito bem, a equipe do "Baleal Surf Camp" foram simpaticíssimos e de um profissionalismo a toda a prova. Os miúdos lá vestiram os fatos de surf, pegaram nas pranchas e foram aprendendo na areia, com os professores, todos os movimentos essenciais para uma prática desportiva segura.
Raquel Henriques, Leonor Leal e Manuela Alves, responsáveis pelos grupos de crianças e jovens do Centro de Cultura Espírita, referiram que esta actividade inseria-se no estudo e sensibilização que está a ser feito junto dos mesmo, sobre a "Lei de Conservação " de "O Livro dos Espíritos" de Allan Kardec. Após a aprendizagem teórica, após perceberem a estreita ligação entre a espiritualidade e a Natureza, consideraram importante que as crianças e jovens sentissem o problema "in loco".
Após o baptismo de Surf, foi hora de retemperar as forças com o lanche trazido de casa e, voltar cada um ao seu lar com a alma cheia de ânimo e vontade de efectuar mais eventos em defesa da Natureza.
Com a Doutrina Espírita, sabemos que voltaremos noutras vidas ao planeta Terra, através da reencarnação, pelo que ainda se torna mais premente o cuidado com a Natureza, já que ela é e será o palco de outras existências corporais, em busca da evolução do ser humano, imortal, almejando a felicidade.
De realçar que entre todas as entidades intervenientes, nunca se colocou a questão da identificação ou não com a doutrina espírita, já que estavam todos irmanados no mesmo ideal: limpar e defender a Natureza, deixando aqui, todas as entidades presentes,  preciosa lição de compreensão, tolerância, entendimento, na certeza de que não é preciso as pessoas pensarem da mesma maneira para poderem interagir fraternalmente e terem objectivos comuns. 

0

Músico espírita nas Caldas da Rainha


Chama-se Moacyr Camargo e é brasileiro. Profissionalmente, é músico. Adepto da Doutrina Espírita (que não é mais uma seita nem mais uma religião), dedica os seus tempos livres a esta filosofia universalista. No Brasil, ajuda a dinamizar a Escola (espírita) Eurípedes Barsanulfo, na cidade de Sacramento. Chegou a Portugal a 7 de Setembro de 2011, a convite da Associação Cultural e Beneficente Mudança Interior (Vale de Cambra), e encerrou este périplo em Caldas da Rainha, nos dias 30 de Setembro e 1 de Outubro.

O dinâmico Centro de Cultura Espírita desta cidade mobilizou-se para proporcionar aos seus frequentadores mais uma palestra e um colóquio inesquecíveis. Os temas andaram à volta da Arte e da Espiritualidade, e interessaram adeptos do Espiritismo e pessoas de outros credos, que encheram o auditório da associação.
Na sexta-feira à noite a palestra foi embelezada pela voz serena e pela magnífica viola do Moacyr. O seu acervo de composições originais, todas de conteúdo intensamente positivo e espiritual, está registado em vários discos, com orquestrações cuidadas. O seu estilo lembra todos aqueles nomes do Brasil que nos habituámos a ouvir na rádio, nas novelas de TV e em concertos, tais como Milton Nascimento, Ivan Lins ou Djavan. Moacyr não lhes fica atrás.
A religião/espiritualidade – frisou – vão deixando de ser “coisa de crianças e velhinhos”, como antigamente se usava. A consciência da Humanidade vai-se ampliando, e a par com os tempos difíceis que se vivem, já se sente pulsar um novo tempo de união de esforços, para combater todos os problemas que ainda afligem a Humanidade terrena.
A Arte sempre teve o condão de antecipar mudanças e novidades. Os pintores flamengos do século XVII, por exemplo, manifestavam um enorme interesse pela representação dos pormenores mais ínfimos da Natureza; e o microscópio aparecia, anos depois. Nos nossos dias são muitos os espíritos criativos que entrevêem uma era de novos valores morais e espirituais. Nos cantos da Terra onde reina a paz, florescem por exemplo as obras cinematográficas que nos apresentam versões pessoais, mas todas elas interessantes, do mundo espiritual. Pessoas recalcitrantes ao tema, absorvidas que estão pelas lutas da vida ou pelas ambições materiais, vão sendo assim tocadas para uma realidade nova, que se habituaram a associar a conceitos religiosos decrépitos. Tudo se renova, sempre.

Tecnologicamente temos "banda larga", mas no íntimo "mente estreita".
Precisamos colocar em prática os ensinamentos de Jesus de Nazaré:
"fazer ao próximo o que desejamos para nós".

Para a doutrina espírita, não haverá nem apocalipse nem segunda vinda de Jesus-Cristo. Nova vinda não haverá porque Jesus não nos deixou jamais, e em vez de um apocalipse de catástrofe e destruição, o que já se verifica é uma saudável crise de crescimento, que prenuncia tempos melhores. Moacyr fez notar que de tempos a tempos nascem na Terra homens e mulheres como Jesus de Nazaré, Ghandi, Madre Teresa, Francisco de Assis, Irmã Dulce, e tantos outros, materialmente pobres, ricos de amor ao próximo, que exemplificam essa doação, que nem sistemas religiosos nem políticos ainda lograram atingir, e que se pede aos seres humanos. Falta cumprir-se o Cristianismo, na sua acepção mais ampla e universal. Na Espiritualidade, nas Ciências, nas tecnologias, nas Artes, há espíritos missionários que impulsionam o progresso da Ideias.
Moacyr chamou a atenção para a possibilidade que todos temos de seleccionar as nossas leituras, os espectáculos a que assistimos, as manifestações de criatividade de que desfrutamos, e que esses alimentos da alma contribuem para a nossa saúde espiritual, tal como acontece com os alimentos do corpo. Espiritualmente amadurecida, a Humanidade de hoje depende de Deus e de si mesma, é capaz de pensar por si em vez de se deixar simplesmente conduzir, de forma acrítica. Notava o filósofo espírita Leon Denis que os passarinhos, em tempos de frio e fome, se unem e ajudam mutuamente, ao passo que em tempos mais amenos e de abundância, estalam escaramuças e é “cada um por si”. Com cérebros bem maiores do que os dos passarinhos (que, não obstante, se prodigalizam tocantes manifestações de afecto), está ao alcance da Humanidade de hoje respeitar diferenças, banir hostilidades, enterrar egoísmos, e, acicatada pelas dificuldades, caminhar definitivamente para uma era de paz, prosperidade e entendimento.
Disse este palestrante brasileiro referindo-se às novas tecnologias, que não podemos continuar a ter “banda larga e mente estreita”. Temos capacidade de fazer muito mais e melhor. Foi essa, em suma, a mensagem do colóquio de sábado, que marcou as últimas horas desta estada de Moacyr Camargo em terras lusas. Levou com ele aplausos carinhosos, um belo ramo de rosas, e a gratidão dos que o foram escutar, nestes dias de Verão tardio. Foram momentos de suave partilha, com a simplicidade da Doutrina Espírita, que é fé raciocinada e prescinde de aparatos e manifestações ruidosas.

Mário Correia

0

O meu filho vê Espíritos...

Joana tem 15 anos. Apareceu no Centro Espírita onde colaboro. Vinha nervosa, afinal era a 1ª vez que ia a um Centro Espírita e, nem o facto de ir com uma amiga mais velha a tranquilizava. Assistiu à palestra da noite, sentiu-se mais à vontade pois o ambiente era alegre, brincalhão embora sério e, tratavam-se os assuntos do quotidiano à luz da Doutrina Espírita (que não é mais uma seita nem mais uma religião). No fim da palestra foi ao passe espírita (tratamento fluídico com imposição das mãos) e sentiu-se melhor. Posteriormente, quis falar connosco em privado. Expôs o seu assunto. Tinha visões já desde pequena, mas ultimamente essa visões têm sido mais recorrentes. Via Espíritos, isto é, pessoas que já tinham largado o corpo de carne pelo fenómeno natural da morte e que estão tão vivos quanto nós, só que noutra dimensão existencial. Queria saber como resolver o "problema". O irmão, com quatro anos de idade, também vê os mesmos Espíritos, ao que a mãe retruca dizendo que é tudo mentira. Confusão total na cabeça do miúdo: por um lado vê uma realidade, por outro a mãe diz que não existe.
Lá explicámos à Joana que a percepção extra-sensorial (ou mediunidade) é apenas um 6º sentido que todos possuímos. Na maioria das pessoas, está adormecido. Noutras, esse sentido está a desabrochar e, em algumas pessoas esse 6º sentido está desenvolvido (os chamados médiuns). Explicámos que ter mediunidade é como ter visão, olfacto, tacto, audição e gosto. Fizemos um paralelismo: se porventura fosse cega de nascença e, aos 15 anos, de repente, começasse a ver no meio da rua, essa nova característica (visão) normal para quase todos nós, seria um problema pois não saberia quais as cores, como lidar com a luz do sol etc. Diria que ver era um problema, enquanto que os demais, habituados a ver desde pequenos, diriam o oposto: "que não, que ver é óptimo e é muito fácil".
Assim se passa com a mediunidade: quando começa a desabrochar, não sabemos lidar com ela, ficamos intrigados e por vezes com alguns contratempos. Mas, após a aprendizagem, o médium (pessoa que capta o mundo extra-físico) leva uma vida perfeitamente normal.
A solução passa por aprender a lidar com essa nova faculdade, e na nossa óptica não conhecemos melhor caminho do que começar a frequentar um Centro Espírita, integrar-se num grupo de estudo (Curso Básico de Espiritismo ou outros), ler e estudar os livros de Allan Kardec (o pesquisador dos factos espíritas), entre outros hábitos, como a leitura diária de um livro espírita, meditação e oração.
Joana ficou mais aliviada, sentia-se normal, afinal havia outras pessoas como ela, que tinham a mesma percepção. Foi um alívio: "Afinal não estou maluca..." .

A mediunidade (ou percepção extra-sensorial)
é uma faculdade tão natural como ver, ouvir, falar,
e carece de ser orientada num Centro Espírita.

Ficou de voltar e frequentar o Centro Espírita (que é uma escola do Espírito), aprender.
A moderna Psiquiatria já alerta os médicos para este facto, para que as pessoas que apareçam nos consultórios com visões, audição de vozes que mais ninguém houve, não sejam taxadas de loucas (como outrora), mas que isso pode reflectir um estado cultural (é a admissão antropológica da mediunidade por parte da ciência médica).
Allan Kardec, no livro "A Génese" referia as crianças da Nova Era (o prelúdio da transição do planeta Terra para um grau superior) que voltariam para dar um novo impulso evolutivo à Terra.
No Novo Testamento, em Actos, 2:17, podemos encontrar a referência de que no fim dos tempos (não significa o fim do mundo, mas sim o fim de um ciclo, uma fase de transição para melhor) "...E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos terão sonhos".
A mediunidade (ou percepção extra-sensorial) é uma faculdade do ser humano que cada vez mais adentra a casa do rico, do pobre, do branco, do negro, do instruído e do pouco instruído, para que assim a espiritualidade se torne perceptível a toda a humanidade e, não seja apenas pertença de um grupo de iniciados, de um grupo de padres ou dirigentes.
O Centro Espírita continua a ser esse portal para o entendimento de uma nova realidade, que catapultará inevitavelmente o ser humano de um nível existencial egóico para uma dimensão existencial mais fraterna, compreensiva, tolerante, nesta fase de transição, para que um dia se instale na Terra o "reino de Deus", isto é, que sejamos um mundo mais evoluído, onde não haja mais fome nem guerras e, onde todos se auxiliarão e amarão como irmãos universais. 

Bibliografia:

Kardec, Allan:
O Livro dos Espíritos,  O Evangelho Segundo o Espiritismo,  A Génese, O Céu e o Inferno, "O Livro dos Médiuns"

1

Vale a pena viver...


Vivemos tempos difíceis, ouve-se um pouco por todo o lado.
Vivemos uma crise financeira mundial, onde as economias vacilam ao sabor do egoísmo humano que tudo quer para si sem cogitar do bem-estar alheio.
Falta trabalho, falta pão, falta paz, falta solidariedade, falta bom senso, falta amizade, falta solidariedade, falta, falta...
O espectro social parece negro, irremediável, situação esta derivada também da capacidade manipuladora dos órgãos de comunicação social que apenas destacam o mal, o erro, o crime, raramente dando espaço aos aspectos mais positivos, que por não serem escandalosos deixam de ser notícia, nos seus conceitos primitivos de "notícia", neste mundo ainda essencialmente materialista.
Os mais distraídos deixam-se levar na onda do pessimismo, sintonizam com essas ondas mentais destrutivas, inquietantes, paralisantes, que conduzem à revolta, ao ódio, à inquietação, à morte, muitas vezes ao suicídio .
O homem, perdida a noção de Deus, nesta sociedade materialista que nos consome, onde valorizamos mais o ter do que o ser pessoa, estertora, agonizando lentamente os mais nobres ideais, deixando-se corromper, partindo para excessos de toda a ordem, e acabando finalmente por se sentir insatisfeito, não realizado, frustrado, enrolando-se em última instância nos liames do suicídio.
No passado mês de Julho de 2011, encontrei pessoa conhecida que não via há anos. Pessoa culta, conhecedora de múltiplos afazeres, já foi muito rica num país estrangeiro, tendo regressado a Portugal e tendo aos poucos perdido toda a sua riqueza, ao ponto de agora sobreviver com 300 € pagando 200 € por um quarto. Todos os dias vai comer à Misericórdia local.
Sensibilizei-me com a sua situação, procurando vê-la como normal, mas o que mais me desconcertou foi a serenidade dessa pessoa, que com um olhar lúcido e penetrante me dizia: «Sabes, já tentei o suicídio uma vez. Felizmente não o consegui. Somente agora conhecendo a Doutrina Espírita vejo o enorme disparate que ia cometer, pois agora sei que a vida continua. Sabes, apesar de viver com muito pouco, hoje sou feliz, tenho um quarto, tenho comida, tenho apoio social, que mais quero?».

O espiritismo é o melhor preservativo contra o suicídio
pois explica ao homem o porquê das suas dores e alegrias,
a dissemelhança de oportunidades, quem somos,
de onde viemos e para onde vamos.

Confesso que engoli em seco, eu que estou habituado a reclamar de injustiças que julgo serem grandes ou de situações com as quais não concordo.
Acabara de receber a maior e mais nobre lição de simplicidade, de humildade lúcida de que me lembro na minha vida.
Ainda hoje a estou a mastigar lentamente, para que ela fique bem presente em mim, para que aprenda que a Vida é muito mais do que ter casas, carros, dinheiro no banco, ter coisas. Viver bem, afinal, ensinou-me aquele conhecido que não via há muito, viver bem, é afinal... um estado de alma, de alguém que está de bem com a vida, procurando lutar, estar sempre melhor, mas sem se embrenhar nos campos lodosos da revolta, da passividade.
Comecei a relembrar os conceitos vertidos em "O Livro dos Espíritos", "O Evangelho Segundo o Espiritismo", "A Génese", "O Céu e o Inferno" e "O Livro dos Médiuns", todos eles de Allan Kardec, e que formam a base da Doutrina Espírita (que não é mais uma seita nem mais uma religião, mas sim uma doutrina de tríplice aspecto: ciência, filosofia, moral).
Ah, quando todos souberem que afinal a vida é apenas uma, a desdobrar-se em infinitas oportunidades existenciais, neste e noutros planetas, bem como em diversos planos existenciais no mundo espiritual, as pessoas jamais se suicidarão por terem problemas, pois saberão que a morte do corpo de carne será apenas uma mudança brusca de "casa", com consequências terríveis para quem o faz, muitas vezes a repercutirem-se em vidas posteriores.
O estudo da doutrina espírita (poderá fazê-lo gratuitamente em qualquer centro espírita idóneo ou em www.adeportugal.org) é o melhor preservativo contra o suicídio, pois explica ao homem o porquê das suas dores e alegrias, a dissemelhança de oportunidades, quem somos, de onde viemos e para onde vamos.
Com o espiritismo aprendi que vale a pena viver, custe o que custar, mas mais aprendi com a força notável do meu conhecido, que desceu do "muito rico" ao "paupérrimo", e que graças ao conhecimento espírita mantém uma serenidade e um bem-estar contagiantes, baseados na fé raciocinada que move montanhas... 

4

Carol Bowman: a reencarnação é real...


O Jornal de Espiritismo encontrou Carol Bowman no 6º Congresso Espírita Mundial, em Valência, Espanha, em 2010. Não é espírita. è uma pesquisadora de crianças e adultos em torno da reencarnação. A sua abertura de espírito fê-la aceitar o convite de partilhar as suas pesquisas num congresso espírita.

Jornal de Espiritismo: Costumamos estranhar o facto dos americanos acreditarem na reencarnação, pois temos a ideia de serem muito optimistas e de não terem crenças, que são mais virados para a matéria e, possivelmente, é uma ideia errada.
Carol Bowman: É uma ideia errada. São como em qualquer outro lugar no mundo, uns são inclinados para a espiritualidade e outros são muito materialistas e que não acreditam em nada para além da matéria. Mas pela minha experiência, enquanto crescia nos Estados Unidos e principalmente tendo sido estudante nos anos 60, havia uma grande revolução espiritual entre nós na faixa etária daquele grupo onde estava inserida. Procurávamos e buscávamos a religião eastern e espiritualidade. Há milhões de pessoas nos Estados Unidos que são muito devotas ao caminho espiritual.

JDE: Ian Stevenson é uma referência para todo o mundo, mas Carol Bowman é muito conhecida em Portugal pelos livros que podemos encontrar em todo o lado…
CB: Interessante, não sabia.

JDE: Mas sabemos que pesquisou e escreveu devido ao facto dos seus filhos…
CB: Sim, se tiver lido o meu primeiro livro refiro que ambos os meus filhos tiveram memórias de vidas passadas, ainda não tive tempo de falar das memórias da minha filha.

JDE: Era católica, qual é a sua religião?
CB: Judia.

JDE: E foi-lhe muito difícil de compatibilizar a religião com a reencarnação?
CB: Não, de todo.

JDE: Mas os judeus não acreditam na reencarnação.
CB: Alguns acreditam, porque está na Cabala. Na realidade o meu avô era cabalista, embora ele nunca se referisse à tradição cabalística, que remonta ao século XII, pelo menos, quando começaram a escrever acerca dos ensinamentos místicos em Espanha e acreditavam na reencarnação.

JDE: Então decidiu pesquisar e agora acredita com base em factos reais, e não numa crença cega.
CB: Sim, acho que foi quando eu era estudante, há muitos anos, passei a acreditar na continuação de uma consciência após a morte. Sabia que a reencarnação era real mas foi quando tive um episódio de regressão a uma vida passada, quando estive doente, que ficou mais real. Compreendi. E tem resultados práticos no processo de cura interior. Então, um ano antes dos meus filhos terem tido as suas memórias já eu tinha feito uma regressão a uma vida passada e fui curada, pelo que entendi até que ponto a reencarnação é um facto. Então, foi principalmente quando o meu filho teve a sua memória e a cura que pude verificar o potencial e observar as suas implicações reais.

JDE: A Carol é judia, acredita na reencarnação, pesquisa e tem vários factos comprovativos. Acredito que nos Estados Unidos, mas julgo que um pouco por esse mundo fora, de uma maneira geral, as pessoas não sabem o que é o Espiritismo, por o confundirem com superstições, entre outros. No entanto, Espiritismo é muito mais do que mera superstição. Então, não receia que a conotem como bruxa ou com má índole, uma vez que se encontra num congresso espírita?
CB: Não, de todo! Não há nada a recear, tenho imensa curiosidade até porque sei da existência de outras dimensões da realidade onde se encontram os espíritos, as energias. Por ter estudado a reencarnação, sei que quando morremos existe uma consciência, uma energia que continua, e que inclusivamente mantém as suas memórias, pois quando reencarnamos trazemos connosco essas mesmas memórias. Há continuidade. Parece-me assim ser muito estimulante e não assustador.
JDE: Já leu alguns livros de Allan Kardec?
CB: Li "O Livro dos Espíritos"  já há muito tempo.

JDE: E qual a sua opinião? Achou um livro estranho, com uma filosofia estranha?...
CB: Bem, achei muito século dezanove em algumas coisas… conheço muitos médiuns nos Estados Unidos, alguns mesmo muito bons, e acho que o seu entendimento é envolvente e modificador, não é que seja desactualizado, mas pessoalmente tenho um entendimento mais simplista da vida após a morte.

JDE: Alguns espíritas e muitas pessoas pensam que o Espiritismo é mais uma religião, mas não é. Tem uma vertente filosófica e moral. Eu estava curioso por ser a primeira vez que conheço alguém não espírita num congresso e gostava de saber como se sente em relação às pessoas e ao ambiente?
CB: Adoro as pessoas! (risos) São espectaculares. No ano passado palestrei num congresso espírita em Boston. Conheci lá a Vanessa e ela convidou-me a vir a este congresso. Perguntou-me se o meu livro tinha sido traduzido para espanhol, mas nem por isso. Foi traduzido para dezasseis línguas a nenhuma foi o espanhol. Então ela tratou disso. Sinto-me como se estivesse em casa, não me parece minimamente estranho.

JDE: É uma pessoal muito simples.
CB: Nalgumas coisas sim, mas noutras sou muito complexa.

JDE: A Carol é casada, tem dois filhos…
CB: Sou casada há 37 anos com a mesma pessoa…(risos)

JDE: E o que pensa o seu marido sobre isto?
CB: Bem, ele viu as provas, as evidências.

JDE: Ele acha que a esposa é doida ou acompanha-a e dá-lhe apoio?
CB: Apoia-me, até porque presenciou com os nossos filhos, vivenciou os factos e ele sempre teve a crença da existência de algo para além da matéria e no entanto é uma pessoa ponderada, um homem de negócios.

JDE: Sinto que é uma pessoa muito bondosa e simples. Uma última pergunta, o que sente que deveria fazer em termos futuros no mundo, no que diz respeito ao seu trabalho?
CB: Como já disse, para mim é muito difícil esperar, e eu não canalizo isto assim, em primeiro lugar tenho que organizar ideias e meditar verdadeiramente no que vejo. É provável que venha aí mais um livro a caminho, o que dizer que quando escrevo é mesmo isso que faço. Tenho que me isolar, ir ao computador diariamente e é tudo o que consigo fazer. Por isso não o faço de ânimo leve, quando escrevo é com toda a seriedade e um compromisso de, pelo menos, uns dois anos. É provável que haja mais um livro a caminho, sobre como nos afectam as memórias de vidas passadas, desde o nascimento à fase adulta, e tratará das memórias de crianças nos padrões que aparecem na meninice resultantes provavelmente de vidas anteriores e que nos vão afectando sistematicamente até à fase adulta. Utilizarei alguns exemplos da terapia regressiva que faço a adultos.

JDE: Pois, faz terapia de regressão a adultos. E continuará a pesquisar?...
CB: Sim, seguramente. É isso que eu faço. É como diz o meu marido, ninguém me iria contratar, sou “não contratável” pois não consigo ter qualquer outro emprego que não este. (risos)

JDE: Podemos falar de outros como Edith Fiore, Ian Stevenson…
CB: Bem, eu faço algo diferente, penso que alcanço uma audiência diferente, um grupo muito sofisticado, pois os espíritas são muito educados, estudam o espiritismo, a reencarnação.

JDE: Mas somos pessoas simples.
CB: Sim, em algumas coisas, mas são sofisticados e compreendem estes assuntos.
Sinto que nasci nos Estados Unidos provavelmente por apresentar este conteúdo enquanto mãe a quem aconteceu tal situação e com quem as pessoas se podem identificar, e não como sendo uma filosofia de vida, mas sim algo observável. Se os nossos filhos nos dizem isto, então é porque estão a ter memórias, memórias de vidas passadas.

JDE: Todas as crianças têm sonhos e recordações de vidas passadas?
CB: Sim. Então eu acho que estando nos Estados Unidos consigo chegar a muitas pessoas pois é internacional. Se uma pessoa ou criança que esteja a passar por este fenómeno aceder a esta informação, através da internet, poderá identificar o que se passa com ela e obter ajuda, a confirmação de que não há nada de mal com ela, são memórias de vidas passadas. É isso que se faz, conversar e compreender que é real, perceber que é uma experiência verdadeira. É muito simples.  

(Entrevista a Carol Bowman, concedida a José Lucas, no 6º Congresso Espírita Mundial, em Valência, Espanha, 2010)

1

Espiritismo: remédio para a violência...



O retrato social parece estar mais violento que nunca. Desde a violência infantil nos lares, a violência doméstica sobre mulheres, violência nas escolas, gangs, assaltos, violência entre países, violência social generalizada, terrorismo, enfim, tudo parece apontar para estarmos a viver num autêntico barril de pólvora, numa espécie de guerra não declarada, sempre à espera do primeiro estilhaço.
Todos são unânimes que este cenário não pode continuar, todos nos sentimos inseguros, os "media" destacam apenas o mal, na ânsia do dinheiro fácil, sanguinolento, rematando para o lixo notícias que apontem no sentido do bem, no sentido da paz.
Mudemos de cenário!
Domingo à tarde, Caldas da Rainha, Portugal. Tinha-me deslocado com a esposa e os 2 filhotes pequenos a uma superfície comercial. Ao sair, com pouco carros no parque de estacionamento, circulava a uns 20 kms/h, ainda a arrumar um papel ou outro. Uma buzinadela sonora, na rectaguarda, lembrou-me que alguém tinha mais pressa. Encostei-me à direita. O condutor apressado, ao passar pela nossa viatura, ainda soltou um sonoro (sai daí óh lesma), ele também na presença da esposa e de duas crianças. Mas o que mais me fez reflectir não foi a atitude mal educada, o mau exemplo que deu aos seus filhos, mas sim o olhar do condutor, colérico, parecendo deitar chamas de ódio.
Fiquei estupefacto!
Num fim de tarde de um domingo, na presença de crianças, qual seria a causa daquela atitude intempestiva, seguida daquele olhar "mortal"?
Decerto, aquele condutor quando chegasse a casa e ligasse a TV seria o primeiro a insurgir-se contra a violência no mundo, contra a corrupção, contra o roubo, enfim contra os males sociais.
De imediato centrei-me em mim próprio, desligando-me do tal "olhar mortífero", e fiquei a meditar como sou imensamente feliz por ser espírita. Não que eu seja melhor que o outro condutor, (ele até podia estar num "dia mau", a que todos têm direito), mas porque o conhecimento da doutrina espírita dá-nos outra visão da vida, menos imediatista, mais global, o que se repercute inevitavelmente, pela positiva, na nossa maneira de viver no dia-a-dia.

O espírita avança no sentido da pacificação interior, da alteração
de atitudes no seu quotidiano, pacificando os que o rodeiam,
 num contágio incessante que abraça todo o planeta.

Fiquei a pensar como seria bom que as pessoas conhecessem a ideia espírita (ciência, filosofia e moral), que não é mais uma seita nem mais uma religião, que soubessem, sentissem a certeza de que somos seres imortais, temporariamente num corpo de carne. Como seria bom que soubessem que a vida continua após a morte do corpo físico, como quem muda de casa, que é possível a comunicabilidade com aqueles que já nos precederam na grande viagem, que conhecessem o mecanismo da reencarnação, única explicação plausível para as dissemelhanças sociais, dissemelhanças de oportunidades de alegrias, de dores. Como seria bom que se embrenhassem na essência da doutrina espírita, assente na moral de Jesus de Nazaré (fazer ao próximo o que desejamos para nós próprios).
Fiquei a pensar numa pessoa que há dias me dizia: "vocês espíritas são diferentes", ao que eu rematei - "mas nem sempre somos melhores, mas esforçamo-nos para isso".
O conhecimento da doutrina espírita (começando pelo "O Livro dos Espíritos", "O Evangelho Segundo o Espiritismo" e outros livros, todos de Allan Kardec) leva o homem a tornar-se mais fraterno, a ter vontade de servir, de ser útil, desinteressadamente. Ao sentir essa mudança íntima, avança no sentido da pacificação interior, da alteração de atitudes no seu quotidiano, e pacificando-se, pacifica os que o rodeiam, com as suas atitudes, num contágio incessante que abraça todo o planeta.
Fiquei a pensar como seria bom que todo o planeta tivesse acesso a este tesouro espiritual (a doutrina espírita), e da enorme responsabilidade do espíritas em divulgá-lo o mais e melhor possível, não no afã de arrebanhar adeptos, mas sim no sentido de contribuir para a pacificação das consciências, dos países e do mundo.
Ou não fosse o poderoso deserto composto de minúsculos e "desprezíveis" grãos de areia...

4

Bin Laden está vivo...

O telemóvel tocou. Mais um SMS. Pachorrentamente, num gesto mecânico, lá fui ver a mensagem. Ao ler, não pude deixar de sentir um espanto pelo inesperado da notícia: “Mataram o Bin Laden, finalmente”.
O texto era de alegria e de alívio! Puxando dos conhecimentos que a Doutrina Espírita me deu, fiquei a pensar com os meus botões: será que o mataram mesmo?
Não é nosso propósito fazer algum tipo de análise acerca do ataque às torres gémeas nos EUA, aos 10 anos de guerra no Afeganistão, à captura e morte do líder da Al-Qaeda, nem opinar acerca da justiça ou não justiça de tais actos.
Bin Laden atacou os EUA em 2001, utilizando aviões comerciais, matando cerca de 3 mil pessoas.
Os EUA ripostaram, juntamente com os seus aliados, contabilizando nestes últimos 10 anos de guerra, vários milhares de mortos e feridos entre militares e civis.
Fez-se justiça”, ouve-se um pouco por todo o mundo quando se fala da morte de Bin Laden. “Resolveu-se um problema maior”, dizem uns, enquanto outros já antevêem o princípio do fim do terrorismo da Al-Qaeda.
Ora, tal seria verdade se a vida terminasse com a morte do corpo de carne, mas, desde que Allan Kardec (o pesquisador que deu origem à doutrina espírita ou espiritismo) em meados do século XIX, comprovou a imortalidade da alma, tão apregoada pelas religiões tradicionais (factos estes corroborados por inúmeras pesquisas até aos dias de hoje por outros tantos cientistas), que teremos de reger a vida por esse novo paradigma: somos seres imortais, temporariamente num corpo de carne, onde temos uma oportunidade evolutiva durante certo tempo, até que regressemos de novo ao mundo dos espíritos, voltando mais tarde ao planeta Terra (reencarnação), e assim sucessivamente, até que um dia sejamos espíritos puros e não mais necessitemos de reencarnar neste ou em outros planetas.


Demonstrada a imortalidade do Espírito,
a guerra, a morte, a pena de morte deixam
de fazer sentido, na visão holística da Vida.


Temos assim, dois tipos de justiça: a dos homens e a de Deus.
Bin Laden foi morto pelos homens, mas, sendo espírito imortal, como todos nós, continua vivo no mundo espiritual, onde, se lhe for permitido, dentro das leis espirituais de causa e efeito, poderá ainda continuar nas suas actividades, interferindo e influenciando na Terra aqueles que sintonizam com o tipo de pensamentos que ele tinha aquando dentro do corpo de carne.
Bin Laden, ser humano, eterno como todos nós, é pois mais digno de pena do que qualquer outro sentimento que possamos nutrir, imaginando os séculos de resgate que terá pela frente até que a sua consciência se sinta ilibada de todos os crimes cometidos. Quantas reencarnações dolorosas terá de enfrentar? Quantas doenças, limitações, dificuldades, sofrimentos, terá de encarar dentro da lei de causa e efeito que rege todo o Universo?

É caso para acuradas meditações, o facto de nunca poderemos iludir a nossa consciência nem escudarmo-nos em falsos conceitos de poder, no mundo espiritual, onde cada um se desnudará de acordo com as atitudes tomadas neste mundo terreno.
Os que tiveram vida digna e honesta estarão num ambiente vibratório de tranquilidade, compatível com o seu estado de alma, calmo e sereno, e aqueles que viveram prejudicando o próximo, herdarão de si próprios a intranquilidade, intrínseca às pessoas que não estão em paz consigo próprias, fruto dos desatinos cometidos na Terra.
Assim sendo, Bin Laden não morreu, mas, isso sim, mudou de plano existencial, forçado pelas circunstâncias, continuando a viver no mais além, desconhecendo nós quantas dezenas ou até centenas de anos demorará o julgamento dentro de si próprio, colhendo o sofrimento gerado nos seres torturados e mortos.
«A cada um de acordo com as suas obras», já nos advertira Jesus de Nazaré, deixando-nos uma ética e uma moral que são o único caminho para a nossa felicidade.
Que possamos todos nós, tirar profundas ilações deste ser, que mais do que ser odiado, é digno de compaixão, na certeza de que sendo imortais, o nosso amanhã será tão mais radioso e feliz quanto melhores forem as nossas atitudes de agora.
É, pois, tempo de semeadura… no bem!
 
Bibliografia:
Kardec, Allan – “O Livro dos Espíritos”

3

O Maluco...



Mais um dia de trabalho. Após os cumprimentos da praxe, cada um ia relatando, como de costume, algo mais inusitado que tivesse acontecido  recentemente.
Um colega, que vem todos os dias de longe, utilizando vários meios de transporte, vinha alegre, sorridente, passando a explicar: "Oh pá, hoje no autocarro vinha um cromo do caraças; o gajo entrou no autocarro a falar alto e imagina... cumprimentou todas as pessoas do autocarro, uma a uma e depois foi um fartote de rir com as anedotas dele... Há cada cromo neste mundo...!!!".
Depois de ter repetido algumas anedotas, alegres e sem malícia, fiquei a pensar com os meus botões: "então fulano é maluco, é conhecido pelo maluco, mas... quando o "maluco" não aparece, os "normais" vão de cara cerrada, cada um com os seus auscultadores na cabeça, cada um no seu mundo, ninguém se fala, chegam ao trabalho cansados... e o outro, o tal que cumprimenta toda a gente, o tal que distribui alegria e bem-estar, o tal que faz com que as pessoas cheguem sorridentes ao trabalho, esse é que é "maluco"?"
Na minha simples lógica algo não batia muito bem...
Afinal quem são os "malucos" e os "normais"?
Dir-me-ão que não é "normal" um adulto entrar num autocarro pejado de gente e começar a distribuir cumprimentos e alegria a toda a gente... e eu pergunto: porquê?
Dir-me-ão que se ainda fosse uma criança, as pessoas achavam graça, agora um adulto... parece mal... e eu pergunto: porquê?
Dir-me-ão que a sociedade tem regras, tem expectativas, que não é expectável um adulto comportar-se assim... e eu pergunto: porquê?
Dir-me-ão que o "normal" é sermos recatados e não falarmos por dá cá aquela palha com gente desconhecida... e eu pergunto: porquê?
Em "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, podemos encontrar  na 3ª parte, as "Leis Morais", sendo que uma delas é a "Lei de Sociedade", que aborda dentro da óptica espírita a necessidade da vida social, fala sobre a vida de isolamento, sobre o voto de silêncio e os laços de família. Se adentrarmos pelas restantes Leis Morais, verificamos que um dos objectivos da nossa vida em sociedade é precisamente a nossa interacção, a aprendizagem e auxílio mútuo, no sentido da evolução intelectual e moral do ser humano, como espírito eterno que é ao longo das suas múltiplas reencarnações (vidas sucessivas).
No meio da nossa sociedade, egoísta, triste, ansiosa, queixosa, a Doutrina Espírita (ou Espiritismo) mostra-nos que a vida é bela, que é um conjunto de oportunidades que temos para sermos mais felizes, passo a passo, vida após vida, e que vivemos uma vida de relação precisamente para que possamos evoluir, aprender uns com os outros, apoiarmo-nos mutuamente, fraternalmente, procurando contribuir para uma sociedade mais feliz, mais justa, mais pacífica.
Nesse ínterim, fico cá a pensar com os meus botões quem será o "maluco" e quem serão os "normais", no caso em pauta.
Por mim, preferia partilhar todos os dias a presença do "maluco" do que partilhar um autocarro cheio de gente triste, com "headphones" na cabeça, onde cada um finge que os outros seres humanos que o rodeiam não existem ou não têm nada para conversar, para partilhar...

1

Espiritismo invade cinemas...



"O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações. O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como das suas relações com o mundo corporal".  (Allan Kardec, in "O que é o Espiritismo")

Para quem tivesse dúvidas sobre o que é o Espiritismo (ou Doutrina Espírita), fica agora mais claro. A Doutrina Espírita tem 5 pontos básicos: a existência de deus, a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos Espíritos, a pluralidade das existências (reencarnação) e a pluralidade dos mundos habitados.
Para se conhecer bem o que é o Espiritismo, deve o leitor começar por ler "O Livro dos Espíritos", "O Evangelho Segundo o Espiritismo", "A Génese", "O Céu e o Inferno", "O Livro dos Médiuns" (de preferência por esta ordem). Os livros "O que é o Espiritismo" bem como "Obras Póstumas", todos de Allan Kardec, também são de considerar.
Através da Doutrina Espírita (que não é mais uma religião nem mais uma seita, mas uma doutrina, um conjunto de ideias que contribui para o aumento da religiosidade, da espiritualidade do ser humano, aproximando-o assim mais rapidamente de Deus), as pessoas encontram respostas para as questões essenciais da vida: quem sou, de onde venho, para onde vou após a morte do corpo de carne, porque sofremos de forma dissemelhante, porque somos felizes de forma diferente?
Baseada em factos, a Doutrina Espírita providencia uma fé raciocinada, esclarecendo e consolando as pessoas, que assim encontram uma lógica para a vida na Terra e suas assimetrias.
A Doutrina Espírita apareceu em 1857, em Paris, com o lançamento de "O Livro dos Espíritos" de Allan Kardec, na sequência dos estudos deste sábio francês, que pesquisou acuradamente os fenómenos mediúnicos (contactos com o mundo espiritual), comparando-os, experimentando, repetindo, aplicando o método experimental como ainda hoje se conhece.
Doutrina ainda muito jovem, tem despertado de tal modo o interesse junto das populações pelo mundo inteiro, que desde 2008 que a 7ª Arte se tem voltado para a temática espírita.

Baseada em factos, a Doutrina Espírita providencia
uma fé raciocinada, esclarecendo e consolando.

No Brasil foi lançado um 1º filme de grande impacto, sobre a vida do médico, político, espírita, Adolfo Bezerra de Menezes, apelidado de médico dos pobres, figura nobre da sociedade brasileira, agora retratado no filme "Bezerra de Menezes: o diário de um Espírito", que foi um verdadeiro êxito de bilheteira.
Em 2010, o filme "Chico Xavier" sobre a vida de um dos maiores médiuns na Terra, um homem bom cuja vida foi um hino ao Amor ao próximo, teve mais de 3 milhões de espectadores em salas de cinema brasileiras. Ainda em 2010, seguiu-se o filme "Nosso Lar", que traz para o cinema a história de uma cidade no mundo espiritual, do livro "Nosso Lar", ditado pelo Espírito André Luiz através do médium Chico Xavier, que teve mais de 4 milhões de espectadores nas salas de cinema brasileiras.
Em 2011, Hollywood rendeu-se à temática com o filme de Clint Eastwood, "Hereafter - Outra Vida", e em breve estreará no Brasil novo filme intitulado "As Mães de Chico Xavier", que abordará as comunicações espíritas através deste famoso médium, onde milhares de mães encontraram provas inequívocas de que os seus filhos, falecidos precocemente, voltavam do Além para as consolar, provando a sua imortalidade.
Já nos idos do século XIX Allan Kardec preconizara a importância da arte na divulgação do Espiritismo, doutrina esta que esclarece e consola quem busca conhecer um pouco mais da Vida, e quem busca espiritualizar-se.
Curiosamente, nos dias que correm, múltiplos cientistas vão-se adentrando em áreas fronteiriças do Espírito, comprovando em laboratório as teses espíritas, compiladas por Allan Kardec, em meados do século XIX.

0

Vida Além da Morte...na EXPOESTE



Em 24, 25 e 26 de Fevereiro debateu-se a imortalidade do Espírito, nas Caldas da Rainha. Iniciativa do Grupo "Mais Oeste", contou com o apoio das duas associações espíritas locais, englobando uma entrevista, um debate, um seminário e uma sessão de pintura mediúnica. 

Correspondendo às expectativas dos ouvintes e leitores do grupo "Mais Oeste", foi organizado um fim-de-semana cultural onde se debateu a imortalidade do ser humano e a possibilidade ou não da vida para além da morte. 
No dia 24 de Fevereiro, 5ª feira, José Lucas, membro do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha e da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), concedeu uma entrevista à Mais Oeste Rádio 94.2 FM, onde com a acutilância de João Carlos Costa como entrevistador se debateram temas fronteiriços com a imortalidade. 
Questionado acerca da imortalidade, José Lucas apontou experiências científicas que vêm sendo efectuadas desde meados do século XIX que indiciam a imortalidade do ser humano. Foram ainda referidos os médiuns comerciantes, charlatães e outras instituições que comercializam os dons espirituais, tendo sido referido que numa associação espírita nunca se cobra um cêntimo que seja por qualquer actividade, nem tão pouco se aceita dinheiro em troco de alguma actividade, sendo essas associações suportadas pelos seus associados. José Lucas referiu ainda, que nas Caldas da Rainha apenas existem 2 associações espíritas, o Centro de Cultura Espírita (Bº Morenas) e a Associação Cultural Espírita  (Bº Ponte). 
No dia seguinte, 6ª feira, dia 25 de Fevereiro de 2011, teve lugar um debate no auditório da EXPOESTE, promovido pelo Grupo Mais Oeste, com o apoio da Câmara Municipal de Caldas da Rainha. Na abertura do evento, o Sr. António Marques da ADIO, entidade gestora do espaço físico onde decorria o evento, realçou perante as cerca de 130 pessoas presentes, a importância de se discutirem ideias, mesmo que não se concordem com elas, e que era importante ouvir a opinião do Espiritismo, como movimento cultural da sociedade. João Carlos Costa, com a sua acutilância habitual, moderou o debate que durou entre as 21H00 e as 23H00, incluindo a participação do público. Presentes na mesa, a Profª Amélia Reis e José Lucas (Militar), ambos do Centro de Cultura Espírita, responderam às muitas questões colocadas pelo jornalista moderador do debate. Amélia Reis contagiou a audiência com a sua simplicidade e serenidade, ao referir como conhecera a Doutrina Espírita, na sequência da morte do seu filho, vítima de acidente de viação, realçando casos concretos em que o seu filho se teria manifestado posteriormente, através de médiuns, no centro espírita onde colaborava. Hoje, feliz, apesar das dificuldades da vida, tem como meta esclarecer e consolar os corações aflitos dos demais. 

                          Florêncio Anton, em transe, pintou, de olhos fechados,
com as mãos borratadas de tinta, lindíssimos quadros a óleo,
assinados por pintores falecidos, cujos estilos e luminosidades
seriam idênticos aos dos referidos pintores aquando na Terra. 

No sábado, dia 26 de Fevereiro, teve lugar, na parte da tarde, um seminário subordinado ao tema "Saúde e Espiritualidade", onde Florêncio Anton, médium de efeitos físicos, pedagogo, licenciado em enfermagem e terapeuta, estudante de psicologia, interagiu com as cerca de 130 pessoas presentes, provenientes de várias cidades do país. Uma tarde agradável, onde saúde, espiritualidade e ciência estiveram de mãos dadas. 
Pelas 21H00, Florêncio Anton, em transe, pintou, de olhos fechados, com as mãos borratadas de tinta, lindíssimos quadros a óleo, assinados por pintores falecidos, cujos estilos e luminosidades seriam idênticos aos dos referidos pintores aquando na Terra, segundo algumas pessoas interessadas em arte e conhecedoras de pintura. Uma conhecida pintora caldense, que estava presente na sala, afirmou publicamente que aquelas 2 horas foram a mais bela aula de pintura a que jamais tinha assistido. 
A sala do auditório da EXPOESTE foi pequena para as cerca de 230 pessoas presentes, que não arredaram pé até cerca das 23h30. 
Estes eventos tiveram o apoio da Associação Cultural Espírita e do Centro de Cultura Espíritas, as duas únicas associações espíritas da zona. 
Haverá vida para além da morte? 
Para os espíritas, sim, dizem que as evidências e as provas são tantas que não é possível não querer ver. 
Para os cépticos, há que esperar novas comprovações da ciência terrena. 
Para os organizadores do evento, mais importante do que chegar a conclusões, foi, isso sim, o debate de ideias, de modo saudável, despretensioso e respeitável, entre todos. 
Foi opinião unânime que foram momentos bem passados. 
O Sr. António Marques, da ADIO, referia perante o público, que mesmo não conhecendo a Doutrina Espírita, era respeitável a sua postura séria e cultural dentro da sociedade. 
João Carlos Costa, com a sua vivacidade contagiante, foi o motor destes eventos, onde a discussão foi envolta num ambiente são e amigável entre todos, quer concordassem ou não com as matérias em pauta. 
Ficou a promessa de novos eventos. 

(in Jornal das Caldas de 03 de Março de 2011, Portugal)