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Espiritismo invade cinemas...



"O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações. O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como das suas relações com o mundo corporal".  (Allan Kardec, in "O que é o Espiritismo")

Para quem tivesse dúvidas sobre o que é o Espiritismo (ou Doutrina Espírita), fica agora mais claro. A Doutrina Espírita tem 5 pontos básicos: a existência de deus, a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos Espíritos, a pluralidade das existências (reencarnação) e a pluralidade dos mundos habitados.
Para se conhecer bem o que é o Espiritismo, deve o leitor começar por ler "O Livro dos Espíritos", "O Evangelho Segundo o Espiritismo", "A Génese", "O Céu e o Inferno", "O Livro dos Médiuns" (de preferência por esta ordem). Os livros "O que é o Espiritismo" bem como "Obras Póstumas", todos de Allan Kardec, também são de considerar.
Através da Doutrina Espírita (que não é mais uma religião nem mais uma seita, mas uma doutrina, um conjunto de ideias que contribui para o aumento da religiosidade, da espiritualidade do ser humano, aproximando-o assim mais rapidamente de Deus), as pessoas encontram respostas para as questões essenciais da vida: quem sou, de onde venho, para onde vou após a morte do corpo de carne, porque sofremos de forma dissemelhante, porque somos felizes de forma diferente?
Baseada em factos, a Doutrina Espírita providencia uma fé raciocinada, esclarecendo e consolando as pessoas, que assim encontram uma lógica para a vida na Terra e suas assimetrias.
A Doutrina Espírita apareceu em 1857, em Paris, com o lançamento de "O Livro dos Espíritos" de Allan Kardec, na sequência dos estudos deste sábio francês, que pesquisou acuradamente os fenómenos mediúnicos (contactos com o mundo espiritual), comparando-os, experimentando, repetindo, aplicando o método experimental como ainda hoje se conhece.
Doutrina ainda muito jovem, tem despertado de tal modo o interesse junto das populações pelo mundo inteiro, que desde 2008 que a 7ª Arte se tem voltado para a temática espírita.

Baseada em factos, a Doutrina Espírita providencia
uma fé raciocinada, esclarecendo e consolando.

No Brasil foi lançado um 1º filme de grande impacto, sobre a vida do médico, político, espírita, Adolfo Bezerra de Menezes, apelidado de médico dos pobres, figura nobre da sociedade brasileira, agora retratado no filme "Bezerra de Menezes: o diário de um Espírito", que foi um verdadeiro êxito de bilheteira.
Em 2010, o filme "Chico Xavier" sobre a vida de um dos maiores médiuns na Terra, um homem bom cuja vida foi um hino ao Amor ao próximo, teve mais de 3 milhões de espectadores em salas de cinema brasileiras. Ainda em 2010, seguiu-se o filme "Nosso Lar", que traz para o cinema a história de uma cidade no mundo espiritual, do livro "Nosso Lar", ditado pelo Espírito André Luiz através do médium Chico Xavier, que teve mais de 4 milhões de espectadores nas salas de cinema brasileiras.
Em 2011, Hollywood rendeu-se à temática com o filme de Clint Eastwood, "Hereafter - Outra Vida", e em breve estreará no Brasil novo filme intitulado "As Mães de Chico Xavier", que abordará as comunicações espíritas através deste famoso médium, onde milhares de mães encontraram provas inequívocas de que os seus filhos, falecidos precocemente, voltavam do Além para as consolar, provando a sua imortalidade.
Já nos idos do século XIX Allan Kardec preconizara a importância da arte na divulgação do Espiritismo, doutrina esta que esclarece e consola quem busca conhecer um pouco mais da Vida, e quem busca espiritualizar-se.
Curiosamente, nos dias que correm, múltiplos cientistas vão-se adentrando em áreas fronteiriças do Espírito, comprovando em laboratório as teses espíritas, compiladas por Allan Kardec, em meados do século XIX.

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Vida Além da Morte...na EXPOESTE



Em 24, 25 e 26 de Fevereiro debateu-se a imortalidade do Espírito, nas Caldas da Rainha. Iniciativa do Grupo "Mais Oeste", contou com o apoio das duas associações espíritas locais, englobando uma entrevista, um debate, um seminário e uma sessão de pintura mediúnica. 

Correspondendo às expectativas dos ouvintes e leitores do grupo "Mais Oeste", foi organizado um fim-de-semana cultural onde se debateu a imortalidade do ser humano e a possibilidade ou não da vida para além da morte. 
No dia 24 de Fevereiro, 5ª feira, José Lucas, membro do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha e da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), concedeu uma entrevista à Mais Oeste Rádio 94.2 FM, onde com a acutilância de João Carlos Costa como entrevistador se debateram temas fronteiriços com a imortalidade. 
Questionado acerca da imortalidade, José Lucas apontou experiências científicas que vêm sendo efectuadas desde meados do século XIX que indiciam a imortalidade do ser humano. Foram ainda referidos os médiuns comerciantes, charlatães e outras instituições que comercializam os dons espirituais, tendo sido referido que numa associação espírita nunca se cobra um cêntimo que seja por qualquer actividade, nem tão pouco se aceita dinheiro em troco de alguma actividade, sendo essas associações suportadas pelos seus associados. José Lucas referiu ainda, que nas Caldas da Rainha apenas existem 2 associações espíritas, o Centro de Cultura Espírita (Bº Morenas) e a Associação Cultural Espírita  (Bº Ponte). 
No dia seguinte, 6ª feira, dia 25 de Fevereiro de 2011, teve lugar um debate no auditório da EXPOESTE, promovido pelo Grupo Mais Oeste, com o apoio da Câmara Municipal de Caldas da Rainha. Na abertura do evento, o Sr. António Marques da ADIO, entidade gestora do espaço físico onde decorria o evento, realçou perante as cerca de 130 pessoas presentes, a importância de se discutirem ideias, mesmo que não se concordem com elas, e que era importante ouvir a opinião do Espiritismo, como movimento cultural da sociedade. João Carlos Costa, com a sua acutilância habitual, moderou o debate que durou entre as 21H00 e as 23H00, incluindo a participação do público. Presentes na mesa, a Profª Amélia Reis e José Lucas (Militar), ambos do Centro de Cultura Espírita, responderam às muitas questões colocadas pelo jornalista moderador do debate. Amélia Reis contagiou a audiência com a sua simplicidade e serenidade, ao referir como conhecera a Doutrina Espírita, na sequência da morte do seu filho, vítima de acidente de viação, realçando casos concretos em que o seu filho se teria manifestado posteriormente, através de médiuns, no centro espírita onde colaborava. Hoje, feliz, apesar das dificuldades da vida, tem como meta esclarecer e consolar os corações aflitos dos demais. 

                          Florêncio Anton, em transe, pintou, de olhos fechados,
com as mãos borratadas de tinta, lindíssimos quadros a óleo,
assinados por pintores falecidos, cujos estilos e luminosidades
seriam idênticos aos dos referidos pintores aquando na Terra. 

No sábado, dia 26 de Fevereiro, teve lugar, na parte da tarde, um seminário subordinado ao tema "Saúde e Espiritualidade", onde Florêncio Anton, médium de efeitos físicos, pedagogo, licenciado em enfermagem e terapeuta, estudante de psicologia, interagiu com as cerca de 130 pessoas presentes, provenientes de várias cidades do país. Uma tarde agradável, onde saúde, espiritualidade e ciência estiveram de mãos dadas. 
Pelas 21H00, Florêncio Anton, em transe, pintou, de olhos fechados, com as mãos borratadas de tinta, lindíssimos quadros a óleo, assinados por pintores falecidos, cujos estilos e luminosidades seriam idênticos aos dos referidos pintores aquando na Terra, segundo algumas pessoas interessadas em arte e conhecedoras de pintura. Uma conhecida pintora caldense, que estava presente na sala, afirmou publicamente que aquelas 2 horas foram a mais bela aula de pintura a que jamais tinha assistido. 
A sala do auditório da EXPOESTE foi pequena para as cerca de 230 pessoas presentes, que não arredaram pé até cerca das 23h30. 
Estes eventos tiveram o apoio da Associação Cultural Espírita e do Centro de Cultura Espíritas, as duas únicas associações espíritas da zona. 
Haverá vida para além da morte? 
Para os espíritas, sim, dizem que as evidências e as provas são tantas que não é possível não querer ver. 
Para os cépticos, há que esperar novas comprovações da ciência terrena. 
Para os organizadores do evento, mais importante do que chegar a conclusões, foi, isso sim, o debate de ideias, de modo saudável, despretensioso e respeitável, entre todos. 
Foi opinião unânime que foram momentos bem passados. 
O Sr. António Marques, da ADIO, referia perante o público, que mesmo não conhecendo a Doutrina Espírita, era respeitável a sua postura séria e cultural dentro da sociedade. 
João Carlos Costa, com a sua vivacidade contagiante, foi o motor destes eventos, onde a discussão foi envolta num ambiente são e amigável entre todos, quer concordassem ou não com as matérias em pauta. 
Ficou a promessa de novos eventos. 

(in Jornal das Caldas de 03 de Março de 2011, Portugal)

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Ser e ter...



No mundo moderno, o homem busca desenfreadamente a felicidade onde ela não está: fora de si, nos bens materiais, no gozos externos, a manifestarem-se sob a forma de vários matizes, e que após serem fruídos levam à frustração. 
No mundo moderno, o homem perdeu o Norte de Deus, da sua espiritualidade, e julgando-se matéria que um dia ficará inerte, dá vazão ao seu egoísmo, procurando cada vez mais ter  coisas, pouco se preocupando em ser pessoa de bem. 
No mundo moderno, após todas as frustrações sentidas, o homem revolta-se sem saber bem do quê e porquê, amalgamando-se em turbas descontentes que originam turbulentas transformações sociais, como as que temos visto nomeadamente nos países árabes. Tal situação é transversal a todo o planeta, onde o homem, imerso no seu egoísmo, ainda não conseguiu descortinar a sua componente espiritual, eterna, que o faria mudar de paradigma, de atitude, em face ao devir. 

                              Fazer ao próximo o que gostaríamos que nos fizessem,
é a chave da felicidade, que o homem teima em não querer usar 

A Doutrina espírita (ou Espiritismo) explica-nos que somos seres imortais, temporariamente num corpo de carne, que existe uma força superior que tudo governa (a quem convencionámos apelidar de Deus), que é possível comunicar, dentro de certas condições, com aqueles que se encontram no mundo espiritual, através  de pessoas que tenham características especiais para tal (os médiuns), que a reencarnação é uma realidade evolutiva sem a qual não haveria justiça divina, pois que não haveria tratamento igual de Deus perante os seres que criou, que existem múltiplos mundos habitados por seres inteligentes, embora com corpos diferenciados, de acordo com a natureza dos mundos em pauta. 
A felicidade só será possível quando largarmos o casulo do egoísmo e nos abrirmos à sociedade, interagindo com ela de um modo fraterno, holístico, humanista, dentro da assertiva espírita "Fora da caridade não há salvação", querendo com isso realçar que a caridade, nas sua múltiplas facetas, é o caminho mais seguro e rápido para a espiritualidade superior do homem. 
Compete ao homem, perante esse desiderato inevitável, escolher dentro do seu livre-arbítrio, ser feliz mais rápida ou mais lentamente, conforme o seu esforço pessoal. 
Quanto à felicidade, ela encontra-se mesmo ao nosso lado, basta... querer vê-la e mudar de atitude mental perante o quotidiano que se nos depara, realçando sempre as situações pelo lado optimista, útil, procurando fazer ao próximo o que gostaríamos que nos fizessem, conforme aconselhava sabiamente Jesus de Nazaré. 

Bibligrafia: Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos 

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Raul Teixeira: Chico Xavier não foi Kardec


JL - O Dr. Raul Teixeira é físico, é doutorado na área da Educação, foi Professor da Universidade Federal Fluminense, de Niterói, Rio de Janeiro. Ainda é, ou já está reformado?
Dr. Raul Teixeira - Estou reformado há dois anos.


JL – Sei que orienta «O Remanso Fraterno», que é uma instituição que apoia crianças.
RT – Sou um dos directores, sim. Crianças socialmente carentes e as famílias dessas crianças. Fazemos um trabalho de escolarização das crianças. Elas entram às 7H30 da manhã, saem às 17H00, nós temos transporte, para ir buscá-las e devolvê-las aos mesmos lugares. Os pais vão deixá-las e vão buscá-las aos mesmos lugares.

JL – Porque é que se meteu com uma trabalheira dessas, quando podia levar uma vida tão boa como professor universitário?
RT – O que ocorre é que eu sou um professor universitário espírita, e sempre, desde jovem, fazendo palestras espíritas e pregando a fraternidade e a caridade como bandeira. E os bons espíritos entenderam que era importante que o meu falar tivesse o respaldo da minha prática. A minha prática de vida pessoal era uma prática já vivida por mim, ainda que com esforços, mas a minha prática social precisava de ser desenvolvida. Então em 1978 reuni um grupo de companheiros, começámos a atender numa das favelas da minha cidade. Durante 2 anos atendemos ali, fundámos, em função disso, a sociedade espírita, logo o nosso trabalho social começou antes da fundação do Centro Espírita da Sociedade Vida Fraternidade. Depois dessa sociedade fundada nós não pudemos mais manter os trabalhos sociais na mesma favela, porque ela foi urbanizada pelo Governo e não nos permitiram mais qualquer espaço físico e como nós tínhamos o trabalho de reforço escolar, de aulas de costura com as mães, etc., precisávamos de espaço físico. Daí saímos para adquirir um terreno de 50 mil m2 onde instalámos há 22 anos o «Remanso Fraterno» e dessa maneira o Remanso vem sendo o braço social da sociedade espírita Fraternidade, embora a sociedade tenha nascido a partir desse trabalho social na favela.

JL – O Raul seguiu um chamamento, uma opção interior, ou foram os espíritos que lhe propuseram essa tarefa?
RT- Não, eu não tive nenhum desejo pessoal de começar alguma coisa, de fazer alguma coisa. Desde criança fui chamado pelo mundo dos espíritos. Até onde a minha memória alcança, tinha dois anos e meio de idade quando comecei a registar os espíritos e digo até onde a minha memória alcança porque comecei a registar os espíritos atravessando as paredes, descendo o tecto, conversando com a minha mãe, a minha mãe ainda era encarnada e era médium, vidente, audiente, médium de efeitos físicos. Eu nasci num lar de médiuns, eles não eram espíritas, eram médiuns, a minha mãe e a minha irmã mais velha, até que eu perguntava à minha mãe, muito criancinha, o que era aquilo que eu estava vendo, quem eram aquelas pessoas que atravessavam paredes e ela dizia-me naturalmente, para acatar a minha mentalidade infantil, que eram os nossos irmãos de luz e eu fiquei com essa frase na minha cabeça.
A minha mãe desencarnou quando eu tinha apenas 4 anos de idade, logo, as memórias que eu tenho dela foram até essa data e depois disso envolvi-me com trabalhos da igreja católica, o meu pai colocou-me junto à igreja católica porque naquela época as famílias, mesmo que tivessem mediunidade, que fossem médiuns, todo o mundo se dizia católico, porque não se conhecia na nossa região nenhum centro espírita. Onde eu vivia não havia centro espírita e depois dos meus 17 anos, continuando aqueles registos é que eu pude conhecer o Espiritismo. Conversando com um amigo meu de infância que há muito não via a respeito das coisas que eu sentia, dos registos, a minha conversa com o sacerdote e ele sempre me orientava para ler a Bíblia e aos 14 anos para 15 eu tinha lido a Bíblia cinco vezes de ponta a ponta e ele me dizia que o que eu via era o Satanás e eu dizia-lhe que via a minha mãe e ele dizia que era o Satanás que se fazia passar por minha mãe e eu dizia que eles me davam bons conselhos e ele afirmava-me que o Satanás também dá bons conselhos e então foi-me criando uma confusão na cabeça. Então se Deus dá bons conselhos e Satanás também, é difícil a gente optar com quem fica. Conversando com esse amigo, José Luís Vilaça, ele disse-me que frequentava um grupo de jovens espíritas e que se eu quisesse ir lá visitar, ele me levaria. E de facto, eu fui, atendendo ao seu convite, conhecer um grupo de jovens espíritas e desde 1967 eu conheci esse grupo de jovens ao qual me vinculei porque eu, que eu tinha uma suposição bastante equivocada a respeito do que fosse o Espiritismo e um grupo de jovens espíritas para mim parecia-me uma coisa muito surreal, acabei por me encantar porque achei jovens da minha faixa de idade alegres, joviais, estudando, conversando, cantando e com muita seriedade e toda uma mensagem que eu vim a saber que era a doutrina espírita. Estudei, li avidamente os livros da codificação espírita, os livros que me caíram na mão. O primeiro livro que eu li, antes de estudar Kardec, foi o livro de Leon Denis, «O Problema do Ser, do Destino e da Dor» que me causou viva impressão, uma paixão imensa até hoje e só depois de Leon Denis é que eu comecei a estudar os livros de Allan Kardec. Recebi outro impacto muito forte ao perceber que as ideias de Allan Kardec eram exactamente as coisas que eu pensava e que eu não imaginava que estivesse aquilo devidamente escrito, codificado, organizado. E nesse primeiro dia que conheci um centro espírita na actual encarnação, por ser muito tímido, eu vi a aula daquele dia muito bem ministrada pela professora, até que ela me perguntou, para me tirar com certeza do silêncio, o que é que eu sabia sobre o tema tratado. Naquela tarde estudava-se sobre a 1ª. Revelação de Deus ao Ocidente, falava sobre Moisés e quando eu ouvia falar de Moisés a minha alma fervia, porque eu tinha lido a Bíblia 5 vezes, eu tinha tudo de Moisés na cabeça, até que ela me perguntou o que é que eu sabia sobre Moisés. Nesse momento tive uma sensação muito estranha porque a língua pareceu-me crescida dentro da boca, o peito cresceu-me e eu falei durante vinte minutos sem respirar, sem parar, sem pôr vírgulas, sem pontos, sem nada. Falei num estado de semi-transe, sem raciocinar o que eu falava. Falei 20 minutos e quando parei de falar ela me anunciou, e à classe, que não tinha mais aula para dar, porque eu tinha falado tudo o que ela programara para a aula da tarde. E ficámos a conversar sobre o que eu tinha falado. Pela 1ª vez que entrei num centro espírita realizei a minha 1ª palestra e nunca mais parei.

JL – Até hoje...
RT – Até hoje. E com isso já se vão 44 anos e tenho essa felicidade de ter conhecido o Espiritismo através do Espiritismo. Não conheci o Espiritismo através de médiuns de mediunidade famosa, eu não me cerquei dessas coisas, eu apaixonei-me pelo Espiritismo, pela ideia, pela proposta, pela mensagem. E daí até hoje tenho muita dificuldade em admitir que um movimento espírita possa enraizar-se quando ele nasce em redor de  médiuns e de  mediunidade, porque na medida em que os médiuns falham, em que os médiuns se equivocam, uma vez que são seres humanos, tudo o que foi criado em cima deles desaba junto.

JL – Claro.
RT – Quando você torna-se espírita em torno da doutrina espírita, quem quiser pode cair, quem quiser pode levantar-se, você está com o espiritismo. Essa tem sido a minha felicidade até hoje de ter começado pelo espiritismo e ter tido muita resistência por aceitar a mediunidade em mim, resisti muito e quem me ajudou sobremodo nessa minha fase inicial do espiritismo para que eu aceitasse a mediunidade, admitisse a mediunidade, foi Divaldo Franco. Devo-lhe os diálogos pacientíssimos comigo, devo-lhe as orientações que me deu nesse capítulo, as oportunidades que ele me deu de exercitar a minha mediunidade no grupo espírita, no centro espírita Caminho da Redenção, nas suas reuniões mediúnicas a convite dele. Tive essa segurança de saber que qualquer deslize, qualquer coisa, ele me orientaria e me falaria. Foi só depois dessas orientações de Divaldo Franco que eu tive coragem de me apresentar como médium publicamente. Eu trabalhava a mediunidade num centro espírita.

JL - Eu não sabia que  tinha frequentado o Centro do Divaldo.
RT – Não, eu não frequentei, mas cada vez que eu ia a Salvador ele colocava-me nas reuniões e dava-me muito apoio e, vendo-me muito jovem e inexperiente, certamente ele se apiedava da minha ingenuidade e deu-me muito respaldo. Devo-lhe essa segurança mediúnica que tenho hoje, graças a Deus. Então foi assim que eu comecei na tarefa espírita. Conheci Divaldo Franco 3 anos depois de me ter tornado espírita e 4 anos depois conheci Chico Xavier e dessa maneira fui desenvolvendo o meu início espírita em muito boas bases, porque fui observando Divaldo Franco, fui observando Chico Xavier, D. Ivone Pereira tornou-se uma grande amiga minha, eu frequentava a sua casa e falávamos pelo telefone e as minhas dúvidas em relação à minha vida como espírita, eu conversava com essas criaturas e tive a oportunidade de ter um entrosamento com Deolindo Amorim, no Rio de Janeiro, que se me tornou um grande amigo, um excelente conselheiro, ele e a sua esposa. Eu tive uma formação da qual não me posso queixar. Se eu cometer algum deslize, se cometer algum desatino no trabalho espírita, isso deve-se à minha irresponsabilidade, não à falta da orientação, da formação que eu tive. Graças a Deus tenho procurado manter-me nessas bases, procurando o Espiritismo segundo a codificação espírita num tempo de muitos modismos, num tempo em que muita gente quer colocar os seus pontos e as suas vírgulas na codificação, numa época em que muita gente já quer «consertar» a codificação espírita, que ainda nem é conhecida. Neste mundo de muitos novidadeiros, felizmente tenho-me procurado manter na pauta da fidelidade ao conhecimento espírita, ampliando, desenvolvendo, discutindo, hoje com os meus companheiros da Sociedade Espírita Fraternidade a respeito da verdade que a doutrina espírita traz e da capacidade que ela tem de nos fazer entender a nós próprios, o nosso momento histórico, o nosso estado psicológico, psico-espiritual, de tal modo que nós saibamos viver neste mundo, sem que nos deixemos arrojar por este mundo, no chão das frustrações. Sabemos das dificuldades de viver num planeta como o nosso, o momento que estamos vivendo de muita necessidade e muito cuidado, de muita vigilância e isso tudo vai-nos levar a procurar ser pessoas inseridas no seu tempo com os pés fincados no chão da realidade mas com os olhos voltados para as estrelas.

Chico Xavier não foi Kardec, 
ele próprio me disse

JL - O Raul Teixeira é solteiro?
RT – Sou solteiro, sou.

JL – O Raul conduz automóveis?
RT – Sim, eu dirijo já há 20 anos. Durante muito tempo relutei mas hoje eu dirijo.

JL – E quem compra a sua roupa, é você ou tem alguém?
RT – Sou eu mesmo, eu não tenho secretário, não tenho empregados, tenho um faxineiro quinzenal.

JL – É o Raul que vai comprar esta camisa, aquelas calças?
RT – Sou eu é que compro, as minhas compras de casa, que pago as minhas contas, eu sou um homem normal, um homem no mundo, sou eu que vou ao Banco, pago as minhas contas, faço as minhas reservas de viagens, faço a minha agenda de viagens, não tenho secretários, conduzo a minha vida, regulo-a da mesma forma que toda a gente.

JL - Qual é a sua bebida alcoólica preferida, se é que bebe álcool?
RT – A minha bebida alcoólica preferida é H2O sem gás.

JL – Que tipo de música gosta mais?
RT – Olhe, eu gosto de todos os tipos de música desde que ela se enquadre bem nos momentos. Sendo brasileiro, gosto muito de samba, dos ritmos que nasceram do « afro» e no Brasil temos sambas muito bonitos, mas eu gosto de música clássica, gosto de bossa nova, do rock and roll, não do rock barulhento, do rock bate-estaca, isso não faz a minha cabeça porque eu não gosto de barulho, gosto de um rock balada, um rock romântico, e isso faz-me muito bem. Eu sou da geração da década de 1950/60, então  aprendi a gostar dessas músicas que eram a música típica da minha época.

JL – Raul Teixeira, qual é a sua comida preferida?
RT – Eu não tenho um prato preferido, eu gosto de comidas caseiras, eu gosto de coisas simples. Sou de uma família muito simples e aprendi a gostar de coisas simples, eu sou um homem do feijão com arroz, do legumezinho guisado e não tenho muitas exigências alimentares.

JL – Não sei se fuma ou não.
RT – Não, nunca fumei.

JL – Que tipo de filmes é que gosta?
RT – Gosto muito de filmes épicos, gosto muito de filmes históricos e encantam-me muito os filmes donde saímos levando uma mensagem, levando uma aprendizagem. Eu não gosto de filmes de melodrama. Não gosto nada que as pessoas saiam a chorar, não tenho um temperamento de muito chorar, sou de um temperamento de pensar e a minha formação académica ajuda-me muito nisso, porque nós vemos às vezes, no meio espírita, o povo que se acostuma muito a chorar e pensa pouco, e eu gostaria que o povo pensasse mais e chorasse menos. Estudando física ou matemática choramos de emoção quando vemos uma grande descoberta, a aplicação de um grande invento em prol da humanidade, o cientista também se comove. Mas não é esse choro barato de quem, por qualquer coisa chora, porque isso demonstra um desequilíbrio emocional.

JL – Existe algum planeamento no sentido de levar os cientistas a descobrir Deus, a descobrir o espírito, a curto prazo, ou será a médio ou longo prazo, ao longo deste milénio?
RT – Vejamos. Eu aprendi com os bons espíritos que as leis de Deus funcionam sempre rigorosamente. Do mesmo modo que ninguém fez planos de trazer à Terra o Espiritismo e no momento certo ele chegou, a despeito do que pensassem os outros, não existe nenhum trabalho nosso, no sentido de levar os cientistas a aceitar o Espírito, o Espiritismo, isso era uma pretensão muito grande, como se nós tivéssemos uma argumentação capaz de convencer o cientista. Então acredito que os cientistas, realizando o trabalho honesto que eles vêm realizando, não têm outra saída senão encontrar Deus. Como já vem acontecendo com muitos deles, individualmente.

JL – Estava a referir-me especificamente a eles descobrirem, por exemplo, a essência do perispírito, a vibração.
RT – Gradativamente eles estão chegando lá. Na área da Física, nós temos a área das micro-partículas e os físicos cada vez que mergulham nas micro-partículas descobrem partículas ainda menores. Estamos a encaminhar-nos para o campo das energias puras e ao chegarmos ao campo das energias puras não haverá saída para a admissão de um mundo de energias puras, chame-lhe a ciência como lhe chamar, nós chamamos-lhe mundo normal primitivo, ou mundo dos espíritos. Os cientistas já se dão conta há muitos anos que há possibilidade (a ciência tem esse cuidado), de haver vida noutros mundos, noutros planetas, já estão a instalar antenas de captação de sinais de rádio para essa tentativa de registar alguma coisa cósmica. De maneira que os cientistas dotados desse amor pela humanidade, de querer descobrir coisas novas, de inventar coisas novas, eles certamente são bem inspirados pelos guias que guiam o nosso planeta. Não precisamos, nós os espíritas de ter nenhuma ansiedade, vamos cumprindo o nosso trabalho. Enquanto nós estivermos com qualquer pensamento de convencer o cientista, ou a quem quer que seja, estaremos deixando de lado a nossa vivência espírita, que é mais fundamental. De modo que cada um vai ter a sua época de chegar, do mesmo modo que nós demorámos o tempo x, y, z para chegar e aceitar o espiritismo, ainda que, nas proporções que o fazemos, chegará o dia em que cada cientista, cada filósofo, cada pensador, cada materialista, cada ateu vai encontrar seu caminho de Damasco.

JL – Também usa telemóvel?
RT – Ah, sim, uso telemóvel, insiro-me no progresso possível aos meus tempos.

JL – Dentro do conhecimento que tem, viu o filme «O Nosso Lar». Aquilo está próximo da realidade, retrata mais ou menos a realidade no mundo espiritual?
RT
– Tendo em vista que o filme foi orientado e teve a participação de muitos espíritas que opinaram, os factos ali mostrados estão muito próximos da realidade. Naturalmente que o mundo espiritual é muito mais intenso, muito mais rico, as cenas que nós registamos do mundo espiritual umbralino, das regiões de sofrimento, são muito mais intensas do que se pode fazer num filme. Até porque, no mundo dos espíritos, na medida em que os espíritos vão pensando nos seus tormentos, esses tormentos vão-se expressando como se fossem "materialmente", e naturalmente isso o filme não podia mostrar e cada coisa que eles pensam aparece em volta deles e tudo isso. Mas está muito próximo da realidade. Eu lamento que sempre que assistimos a um filme desse teor, não tenhamos a oportunidade de fazer um debate em torno dele, para que extraiamos do filme o que a massa do público não consegue extrair. Nós vemos mas não entendemos, ninguém sabe porque é que aquilo foi posto no filme.


JL – Mas  Raul, como físico que é, o André Luiz ditou isto na década de 40.
RT – Na década de 30.

JL – Já lá vão 80 anos. Quer dizer que nesta altura já está desactualizado? O mundo espiritual já deve ter evoluído?
RT – Não, não, a Terra é que evoluiu para chegar ao que o mundo espiritual era há 80 anos...

JL – O mundo espiritual não evolui tecnologicamente?
RT – Sim, mas acontece que esses conhecimentos que o mundo espiritual tem hoje, nós só vamos obter daqui a muito tempo, porque estamos hoje a materializar o que no mundo espiritual já era facto corriqueiro há muito tempo. Nós não temos esse imediatismo, nós não conseguimos captar imediatamente o que o mundo espiritual já produz. Eu recordo-me que há quase 40 anos, vivi um desdobramento espiritual, em que fui levado por entidades benfeitoras a penetrar um antro de espíritos obsessores que planeavam obsidiar um grupo de criaturas terrestres; fui usado como uma isco para que eles ao verem-me, corressem atrás de mim e pudessem manifestar-se nas reuniões mediúnicas, como aconteceu. O facto é que, ao entrar numa das salas daquele contraforte, à beira do mar, vi uma série de televisõezinhas sobre as mesas, nas quais passavam os nomes das pessoas com as respectivas imagens. Não se falava de microcomputador ainda no Brasil, aquilo já era um microcomputador, quando eu narrei aos meus companheiros as televisõezinhas diferentes, que marcavam o nome das pessoas. E depois, quando eu vi o primeiro microcomputador da minha vida, reparei que era isso que eu tinha visto no desdobramento. Então o mundo dos espíritos tem coisas que nós ainda nem sonhamos ter na Terra, porque precisam que aqueles espíritos reencarnem ou inspirem os indivíduos que estão na área da pesquisa tecnológica, para que eles então comecem a trazer para cá. Há muitos anos tive oportunidade de ver, no mundo dos espíritos, uma exposição de livros destinados a crianças, livros infantis, livros espíritas infantis onde as imagens saltavam das páginas. Nós estamos longe ainda disso e no mundo espiritual isso já é corriqueiro. Não é facto que, na hora em que o mundo espiritual apresenta um desenvolvimento, a Terra já o assimile imediatamente. Porque, aquele indivíduo que preparou aquilo, que aprendeu aquilo no Além, tem de reencarnar, chegar à idade da razão, entrar na idade da pesquisa, e só então, com a dificuldade limite do planeta, ele consegue exteriorizar aquilo. De modo que o mundo espiritual está sempre muito à frente de nós, e nós, com a nossa mentalidade muito conservadora, ainda demoramos a assimilar as coisas novas do Além.

JL – Porque é que há tanto mistério em torno de Allan Kardec? Nas «Obras Póstumas», que não faz parte da codificação, diz que ele voltaria para completar a sua obra. Uns dizem que o Allan Kardec poderia ter sido o Chico, outros dizem que podia ser o Divaldo Franco porque tem todo o perfil de educador, a obra, outros dizem que podia ser o Raul, outros dizem que ele estará no mundo espiritual, se está porque é que ele não se comunica, se ele se comunica, se  usa pseudónimos ou não usa, porquê tanto mistério quando as coisas são tão simples?
RT – Existem nessas suas abordagens algumas questões equivocadas. Há muitos anos, Chico Xavier disse-me, pessoalmente, numa conversa que tivémos em Uberaba, que a mensagem mais autêntica de Allan Kardec que ele tinha lido, tinha sido recebida pela médium brasileira D. Zilda Gama, professora, que se achava num livro chamado «Diário dos Invisíveis». Eu procurei esse livro, que está esgotado, encontrei-o e estava lá a mensagem de Allan Kardec. Depois disso, nós tivemos uma mensagem de Allan Kardec recebida por vários médiuns na França, no Brasil. Como é que nós podemos dizer que o Chico Xavier é Allan Kardec se ele dizia que a D. Zilda Gama recebera a mais autêntica mensagem? Se enquanto Chico estava encarnado outros médiuns receberam mensagens de Allan Kardec? O «Reformador» publicou essas mensagens. Então, não é que nós queiramos fazer complexidade, é que as pessoas ficam tirando proveito da ignorância alheia. Quanto menos o povo sabe, eu posso dizer as minhas tolices. Agora as pessoas dizem isso, alegam que era por ele ser humilde; então ele enganou-me, porque podia ser humilde e não dizer nada. Mas se ele me disse aquela mensagem, ele era merecedor de crédito, eu não podia duvidar do que falava. Se ele diz a outras pessoas a mesma coisa, ele não podia estar a fingir, senão eu perco o crédito que eu dava à mediunidade de Chico Xavier e ao homem que ele era. De modo que não existe confusão, existem exploradores. O Chico estando desencarnado, toda a gente fala dele o que bem entende, o que bem deseja, e ele não está aí para defender-se, de modo que nós, os espíritas é que temos de ter bom-senso, e bom-senso e água fluidificada não nos fazem mal jamais. Eu não posso acreditar em tudo o que dizem, eu tenho que ver aquilo que tem senso, que tem nexo, e se Allan Kardec estivesse aqui reencarnado, qual seria a vantagem disso para nós? O nosso problema é viver o Espiritismo e não Allan Kardec. Porque também já dizem que Jesus Cristo está aqui reencarnado, e no Brasil há um que diz ser Jesus Cristo.

JL – Tem algum tipo de  informação de que Kardec estará ainda no mundo espiritual?
RT – Para mim, ele está no mundo espiritual.

(Entrevista concedida pelo Dr. José Raul Teixeira ao Jornal de Espiritismo, da ADEP, Portugal, aquando do 6º Congresso Espírita Mundial, Valência, Espanha, Outubro 2010)
Transcrito do áudio por Conceição Venâncio. Fotografia de Jorge Gomes, 1996.

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E para onde vão os políticos?...


A conversa seguia animada, em saudável debate de ideias, após mais uma aula do Curso Básico de Espiritismo (gratuito, como qualquer actividade numa associação espírita). Falava-se da Lei de Causa e Efeito, onde cada um de nós, espíritos eternos, colhemos nesta vida e após a morte do corpo de carne, de acordo com aquilo que semearmos no passado e no nosso hoje.
Já há 2 mil anos atrás Jesus de Nazaré ensinara à humanidade tal Lei, ao referir que "A semeadura é livre mas a colheita é obrigatória", ensinando-nos que cada um de nós colherá, quer no mundo espiritual, quer em vidas futuras, de acordo com aquilo que tiver semeado no seu passado.
Na perspectiva da continuidade da vida para além da morte do corpo físico, aliás conforme as evidências científicas de hoje apontam, é justo e lógico que assim seja, pois sendo espíritos eternos, nós somos hoje o que fomos ontem e assim sucessivamente, já que a Natureza não dá saltos evolutivos. A evolução faz-se gradativamente, paulatinamente, daí a necessidade de trabalharmos o nosso mundo íntimo, de modo a que quando a Vida nos chamar para novo plano existencial (o plano espiritual), possamos fazer essa transição o mais serenamente possível, no que concerne ao nosso estado de alma, ao nosso íntimo.
A meio da conversa, a pergunta estalou: 
"E os políticos para onde vão no mundo espiritual, aqueles que roubam o povo, que enganam, que recebem reformas chorudas?"
Rimo-nos pela espontaneidade da pergunta sem maldade, bem como da sua actualidade.
Lembrámo-nos de um facto passado com o Prof. Dr. Raul Teixeira, Físico, professor universitário, espírita, conferencista de alto nível e médium de grande recursos. Certo dia ia efectuar uma conferência numa cidade importante do Brasil, e ao dirigir-se para almoçar num restaurante, com os seus anfitriões, enquanto esperavam que o semáforo abrisse para atravessarem larga avenida, ele via uma mulher andrajosa ali ao lado, no caixote do lixo a procurar comida e a separar o lixo mais limpo do mais sujo. Tal cena causou-lhe tamanha impressão, que perdeu a vontade de almoçar, pese embora a necessidade de o fazer. Enquanto se tentava recompor mentalmente, já no restaurante, pensando naquele ser que nada tinha, e ele ali num restaurante com os seus amigos, apareceu-lhe, através do fenómeno da vidência espiritual, um espírito amigo que o acompanha na sua tarefa doutrinária, que o acalmou, referindo que mesmo que fosse dar comida limpa àquela senhora ela recusaria. E o Espírito, em breves pinceladas contou a história daquela mulher, que nesta vida era a reencarnação de um famoso político brasileiro, ainda hoje muito conceituado, e que por ter prejudicado tanto o povo, tinha reencarnado numa condição miserável, devido ao mecanismo do complexo de culpa que fez, após a morte do corpo de carne, no mundo espiritual (onde não conseguimos esconder nada, nem de nós, nem dos outros), voltando numa condição miserável para aprender a valorizar aquilo que ele tanto desprezara na vida anterior: as dificuldades financeiras do próximo. Curiosamente, o nome desse famoso político estava afixado nesse local, dando nome à avenida, e essa mulher, por um mecanismo de fixação inconsciente, não largava aquele local onde outrora lhe prestaram grandes homenagens.  Não era um castigo divino, mas sim uma decorrência da Lei de Causa e Efeito, onde cada um colhe de acordo com os seus actos, pensamentos e sentimentos. 

No mundo espiritual, e em futuras reencarnações, cada um colhe 
de acordo com o que semeou no seu passado. Assim se justificam as dissemelhanças de sofrimentos morais entre os homens. 

Sendo o Espiritismo uma ciência de observação e uma filosofia de consequências morais, cujos princípios têm vindo a ser confirmados por muitos cientistas que se dedicam à pesquisa do Espírito, como seria bem diferente o nosso planeta se todos aqueles que roubam, que enganam, que se aproveitam do poder que têm, que exploram os empregados, se conhecessem a reencarnação (hoje uma evidência científica), a imortalidade do espírito e a comunicabilidade dos espíritos. 
Esse conhecimento dar-lhes-ia um novo rumo existencial, na certeza de que todos os nossos actos se repercutirão inevitavelmente sobre nós, para o bem ou para o mal, conforme a qualidade dos mesmos, nesta vida, no mundo espiritual e em vidas futuras.
Estudando e pesquisando o Espiritismo, qualquer pessoa pode aferir das mesmas descobertas, demonstrando assim a universalidade dos ensinamentos que os Espíritos deram.
Tentar escamotear a situação com um simples "eu não acredito nisso", não vai alterar a responsabilidade que cada um de nós tem sobre os seus pensamentos, sentimentos e atitudes.
Gostaríamos de poder responder a quem nos questionou, que os políticos e todos os homens de poder no nosso planeta Terra, se sentiriam felizes no mundo espiritual, ao sentirem o seu dever cumprido, em prol do povo que lideraram, com justiça, com lealdade. Mas, infelizmente, essa ainda não é a nossa realidade e também não será, com profunda pena nossa, a realidade futura dos actores políticos que nos governam na Terra, em futuras reencarnações, onde terão de reparar os seus erros e abusos com dolorosas expiações.

Bibliografia: 
Kardec, Allan - "O Livro dos Espíritos"

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Momentos actuais...


Queridos amigos, 

Perante as indefinições socioeconómicas, experimentas a angústia do porvir desconhecido, o receio do futuro dos filhos, a ansiedade do devir. 

São tempos de turbulência, sem dúvida, e a nau terrestre parece navegar à deriva, sob a batuta de timoneiros envoltos no lodaçal das paixões terrenas, da corrupção, de jogos de interesse. 

Os esforços ético-morais das religiões, e dos religiosos em geral, parecem fadados ao fracasso, perante o pungente domínio do materialismo anestesiante e avassalador. 

Tudo aponta para o abismo, para saídas sem retorno. 

No entanto, aos espíritas compete temperar o desespero alheio, com o sal da Boa Nova, com o sal da esperança, com a certeza de que a Terra, ao invés de navegar à deriva dos interesses escusos da política dominante, permanece sendo guiada na retaguarda, por Jesus de Nazaré. 

Porfia no bem! Nunca desesperes nem desanimes. 

A tua migalha não matará a fome do mundo, mas poderá aconchegar o estômago do irmão que vive junto de ti. Permanece esparzindo a tua luz em redor, sem cogitar com o futuro, sem questionar a vitória, inquestionável, do Bem. 

Jesus está no leme e só espera de nós o exemplo sadio, que façamos a nossa parte, para que assim, amanhã, o conjunto se afigure luminoso, quais miríades de luzinhas acesas nos caminhos da vida, representando cada uma delas, um sentimento nobre, uma atitude correcta, uma emoção equilibrada, em prol do bem comum. 

Sois os trabalhadores da última hora. Estamos convosco. 

Humberto 

Psicografia recebida no Evangelho no Lar, por JC, em 5 de Julho de 2010, Óbidos, Portugal

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Novos rumos para a humanidade...

O amor é utopia
Aproveita o "agora"
Não te iludas,
Que a vida só piora.

Come, bebe, goza,
Vive o melhor possível.
É o que se leva da vida,
Depois vem a morte terrível.

Assim fala o ateu,
Que vive na ilusão,
De que tudo é matéria,
E depois, só escuridão.

Mas, desde tempos imemoriais,
Os profetas de outrora,
Disseram o contrário:
Existe uma nova aurora.

Cada um deles,
Em diferentes postulados,
Falaram do Além,
Com ânimos redobrados.

Pitonisas, profetas,
Oráculos e os demais,
Cantaram a imortalidade,
Dos médiuns actuais.

Os espíritos confirmaram,
A vida para além da morte,
Dando provas irrefutáveis,
Dessa nova sorte.

Hoje, a Física quântica
Matou o materialismo
Afinal tudo é energia
Como dissera o espiritismo

Novos rumos para a humanidade
Apareceram com Kardec
Estudando a mediunidade
Abrindo-a como um leque

A vida para além da morte
Outrora uma quimera
É vista agora
Como afirmação vera

O amor não é utopia
Como dizem os materialistas
É o combustível do universo
É a mola dos espiritualistas

Amar hoje e amanhã
É trabalho intransferível
Para sair da inércia
Que torna a vida horrível

Não desperdices a existência
Buscando os gozos mundanos
Aproveita-a com espiritualidade
Amando todos os seres humanos.

Poeta alegre
Psicografia recebida no ENL, por JC, Óbidos, Portugal, em 25 de Outubro de 2010

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Suave transição....

Era Fevereiro, 27
Dor súbita apareceu
Fui de urgência
Para hospital plebeu

Tratado como mais um
Nem numeração tinha
Esperei horas a fio
Q' aparecesse uma "alminha"

Lá veio o médico
Com cara de cansado
Olhou para mim
Como quem olha pr'ó lado

Dores fortes, abomináveis,
Faziam-me alagado em suor
"Doutor, tenha dó,
Quero ficar melhor!"

A maca corria, corria,
Vá para onde for,
Entre a dor e a maca
Orava com fervor

Pouco mais me lembro
Após entrar nas urgências
Suave paz adveio
Em que perdia as referências

Dormi, dormi profundamente
Até que na enfermaria acordei
Estava tudo tão diferente
Que de alegria chorei

Estava vivo afinal
Não tinha morrido
Talvez fosse visitado
Por um ente querido

Quando assim pensava
Vi minha mãe entrar
Esfreguei bem os olhos:
"Devo estar a delirar"

Afinal ela está morta
E eu vivo estou
Como a ver assim?
A anestesia me abalou...

"Sejas bem-vindo, filhinho
Ao novo hospital
Estás agora entre amigos
Mas no mundo espiritual"

Fiquei confuso no momento
Com aquela realidade
Se a morte era má,
Porquê tanta felicidade?

O sorriso materno m'acalmou
"Tranquiliza-te filhinho,
Todos terminamos um dia
Na terra, o nosso caminho"

Foi assim a minha partida
Do mundo terreno
A pancreatite atrevida
Foi fatal veneno

Soube depois no Além
Que o bem que fizera
Fora luminoso passaporte
Para a nova esfera

Ter sido correcto, honesto,
Granjeou a simpatia
Dos bons espíritos, amigos
Dos colegas e da minha tia

Não se turve teu coração
Com este novo mundo
Aos poucos reaprenderás
Algo mais profundo

"Dorme agora, querido filho
Refaz tuas energias
Amanhã quando acordares
Verás as tuas tias"

"Oh, mãe querida
Mil vezes obrigado
Por me teres auxiliado
A passar p'ra este lado"

E sozinho, no suave leito,
Entrei em meditação,
Afinal a morte temida,
Fora suave transição !

Poeta alegre
Psicografia recebida no ENL por JC, em 23 de Agosto de 2010, em Óbidos, Portugal, referente ao desenlace do espírito André Dias.

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Que grandes exemplos....


O caso dos 33 mineiros chilenos soterrados que se salvaram, bem como um outro caso de grande honestidade, reportado nos "media", são focos de luz nesta noite sombria por que passa o planeta Terra, a caminho de melhores dias que virão, de acordo com as opiniões dos Espíritos Superiores. 
Há meses, o mundo condoeu-se com a "sorte" dos 33 mineiros chilenos, soterrados. A morte era a mais provável solução para o caso, de tal modo era difícil a situação dos mesmos, e as parcas possibilidades de salvamento.
No entanto, passado pouco tempo, todos eles saíram das profundezas da Terra, como heróis, levando-nos a profundas reflexões.
O Homem, quando colocado perante a dor, o sofrimento, e quando consegue sair do casulo do seu egoísmo, (seja à escala pessoal, grupal, nacional, etc.), conjugando esforços, partilhando saberes, experiências, consegue levar por diante tarefas grandiosas e cheias de êxito, como a do resgate dos felizes mineiros.
Que grande lição deram ao mundo, todos aqueles homens que estiveram integrados no processo de resgate, à escala mundial, dos 33 mineiros chilenos.
Afinal a felicidade é possível, afinal é possível erradicar a fome, a miséria, acabar com as guerras no mundo e construir um mundo melhor, assente nos alicerces da fraternidade, da amizade, do Amor, estratégia esta apresentada há 2 mil anos por Jesus de Nazaré, e estupidamente ignorada pela humanidade, que persiste no egoísmo, no ódio, no orgulho, resumindo, no sofrimento que todos esses vícios morais acarretam (leia-se "O Livro dos Espíritos" de Allan Kardec).
Há dias (em Outubro de 2010, Portugal), folheando o jornal diário enquanto saboreava um café, deparei-me com rara notícia: um emigrante português a trabalhar na Suíça, perdera a carteira na estação ferroviária de Campanhã, no Porto, Portugal, carteira esta que continha 5.900 francos suíços. Alguém a encontrou e devolveu-a, entregando-a na bilheteira. Depois de entregue ao seu dono, este tentou, sem êxito, descobrir a alma nobre que anonimamente tivera tal acto de honestidade. Tentou dar uma gorjeta ao empregado da bilheteira, como forma de agradecimento, mas este negou.
Fiquei a pensar com os meus botões, como é bela a vida quando vista pelo prisma da honestidade, da correcção e de como ela nos abre novos horizontes existenciais.

Afinal a felicidade é possível, afinal é possível erradicar a fome,
a miséria, acabar com as guerras no mundo e construir um mundo melhor

A Doutrina Espírita alerta a humanidade para a necessidade do auto-burilamento, da reforma íntima, do exemplo, ao invés de exigirmos aos demais os actos que no quotidiano não fazem parte do nosso dia-a-dia: honestidade, correcção, dignidade.
Nesse dia, senti orgulho de ser português, orgulho daqueles exemplos vivos e anónimos de honestidade.
No caso dos 33 mineiros, senti orgulho de pertencer, nesta existência carnal, à humanidade passageira do planeta Terra.
Folheando "O Livro dos Espíritos" bem como "O Evangelho Segundo o Espiritismo" (ambos de Allan Kardec), encontramos as directrizes seguras para uma existência mais feliz, mais justa, mais coerente, com normas bem delineadas, para que se consiga de uma vez por todas, ultrapassar a grande chaga que envolve a humanidade: o egoísmo.
Que grandes exemplos de espiritualidade, de humanidade, de rectidão de carácter podemos encontrar nestes 2 casos, um deles mediático e o outro sem grande realce.
Serão religiosos os intervenientes nestes 2 casos? Serão seguidores de alguma religião ou doutrina espiritualista?
Não sabemos, mas também, que importa, perante a grandeza de tais exemplos?
"A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória", esclareceu-nos Jesus de Nazaré, explicando-nos assim, em termos simples, que, amanhã, quer no mundo espiritual quer no mundo carnal, cada um colherá o que houver semeado no seu coração.
Cumpre-nos introspeccionar e meditar sobre o que temos feito pela paz íntima, pela paz social, pela paz na família, pela paz no país e pela paz no mundo.
Afinal, começa e acaba tudo no nosso íntimo, seja a semeadura seja a colheita, sobre a forma de aflições ou bem-estar, conforme as nossas atitudes, pensamentos, sentimentos.

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Rogativa do Amor...

- Oh, Senhor, tanto quero trabalhar, mas ninguém me quer empregar! Busco abrir corações, atenuar tensões, evitar guerras entre nações, mas, poucos são os que ouvem as minhas opiniões. Valerá a pena, Senhor, investir mais no Amor?

Não será perda de tempo, porfiar junto da humanidade que insiste na maldade?

- Oh, Amor, não te deixes levar pela ilusão que te abala o coração. Se te mandei para a Terra, para o imo do humano coração, é porque um dia, ele germinará na população! 

- Mas, te rogo, Senhor pela humanidade que parece ter perdido a sanidade. Vivo escondido no seu interior, tento “explodir” com fervor, mas em vão! A matéria, a razão superam sempre o coração!

- Tens falta de fé, Amor! Porfia no teu labor, pois a cada momento, levedarás como o fermento, e aparecerás a seu tempo, iluminando o coração que agora teima em viver na cegueira espiritual, na ilusão, na escuridão.

Tua rogativa, Amor, não ficará sem resposta, e para que não desfaleças, a partir de hoje enviarei para a Terra a irmã solidão, o irmão desilusão, o primo tentação, o tio ambição. Quando o homem, sem Norte, parecer inerte no lodaçal da frustração, então aí entrarás tu, o Amor, acompanharás o solitário, acalentarás o desiludido, frearás o tentado, acalmarás o ambicioso, orientarás o perdido.

Nessa altura, farás parte da Terra, de tal modo que jamais rogarás apoio ao teu Senhor, nem gemerás de dor, mas, feliz por estares disseminado na sociedade, enfim, deixarás de ser novidade!

Aí, Amor, eu e tu, estaremos para sempre, juntos da Humanidade.


Amélia Rodrigues

Psicografia recebida por J. C., no ENL, em 16 de Agosto de 2010, em Óbidos, Portugal

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Hidrocefalia...

Dia feliz, naquele lar
Ouviam-se os vagidos
De Joana que nascera
Pr’alegria dos entes queridos

O Amor dos pais
As lágrimas de alegria
Faziam-na querida
Naquele maravilhoso dia

Estava para chegar
O golpe fatal
A menina sofria
De doença cerebral

Joana, a bebé querida
Tinha hidrocefalia
A cabeça era grande
Crescia, crescia

Tamanho desalento
Alcançou os seus pais
Que viveram doravante
Em aflitivos “ais”

“Que fizera a menina
Para sofrer tal sorte? 
Maldito seja Deus
Antes preferia a sua morte”

“Oh homem, não blasfemes
dizia a esposa dedicada. 
Deus sabe o que faz
Na nossa jornada.”

Foram ao Centro Espírita
Pedir auxílio divino
E a resposta veio
Pelo médium Paulino

Joana, a bebé,
Outrora orgulhosa,
Não aceitara que o marido
A trocasse pela Rosa

Em dia cinzento
Esperara o trem
Ao entrar na curva
Atirou-se com desdém

Esfacelada na cabeça
Espavorida verificou
Que largara o corpo físico
Mas a morte falhou...

Sofrendo no Além
Tamanha desdita
Pedira para voltar
Pr’o colo da Rita

Os pais de agora
Resgatam o passado
São cúmplices d’outrora
No acto desgraçado

Como ela não se perdoou
Voltou em perturbação
Colhendo no corpo
A falta do auto-perdão

As marcas do trem
No ser espiritual
Aparecem agora
No corpo carnal

Ela viverá pouco
Nesta reencarnação
Queimando o fluído
Da outra vida, então.

Os pais aprenderão
O Amor espiritual
Resgatando com a filha
O Amor carnal

Mais tarde, no Além
Os três recuperados
Abraçaram-se chorando
Pelos erros do passado

Em prece jubilosa
Agradeceram a Jesus
O ensejo da luta
A vitória da sua cruz

Compreenderam então
Que o sofrimento na Terra
É apenas o fruto
Daquele que antes erra.

Com este caso singelo,
Deixo o meu conselho amigo:
Amem-se uns aos outros
E assim não correm perigo.

Amanhã jubilosos
Entrarão no Além
Com os corações ditosos
Pela prática do bem !


O vosso amigo de sempre,
Poeta alegre

Psicografia recebida por J. C., em 19 de Julho de 2010, em Óbidos, Portugal