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Raul Teixeira: Chico Xavier não foi Kardec


JL - O Dr. Raul Teixeira é físico, é doutorado na área da Educação, foi Professor da Universidade Federal Fluminense, de Niterói, Rio de Janeiro. Ainda é, ou já está reformado?
Dr. Raul Teixeira - Estou reformado há dois anos.


JL – Sei que orienta «O Remanso Fraterno», que é uma instituição que apoia crianças.
RT – Sou um dos directores, sim. Crianças socialmente carentes e as famílias dessas crianças. Fazemos um trabalho de escolarização das crianças. Elas entram às 7H30 da manhã, saem às 17H00, nós temos transporte, para ir buscá-las e devolvê-las aos mesmos lugares. Os pais vão deixá-las e vão buscá-las aos mesmos lugares.

JL – Porque é que se meteu com uma trabalheira dessas, quando podia levar uma vida tão boa como professor universitário?
RT – O que ocorre é que eu sou um professor universitário espírita, e sempre, desde jovem, fazendo palestras espíritas e pregando a fraternidade e a caridade como bandeira. E os bons espíritos entenderam que era importante que o meu falar tivesse o respaldo da minha prática. A minha prática de vida pessoal era uma prática já vivida por mim, ainda que com esforços, mas a minha prática social precisava de ser desenvolvida. Então em 1978 reuni um grupo de companheiros, começámos a atender numa das favelas da minha cidade. Durante 2 anos atendemos ali, fundámos, em função disso, a sociedade espírita, logo o nosso trabalho social começou antes da fundação do Centro Espírita da Sociedade Vida Fraternidade. Depois dessa sociedade fundada nós não pudemos mais manter os trabalhos sociais na mesma favela, porque ela foi urbanizada pelo Governo e não nos permitiram mais qualquer espaço físico e como nós tínhamos o trabalho de reforço escolar, de aulas de costura com as mães, etc., precisávamos de espaço físico. Daí saímos para adquirir um terreno de 50 mil m2 onde instalámos há 22 anos o «Remanso Fraterno» e dessa maneira o Remanso vem sendo o braço social da sociedade espírita Fraternidade, embora a sociedade tenha nascido a partir desse trabalho social na favela.

JL – O Raul seguiu um chamamento, uma opção interior, ou foram os espíritos que lhe propuseram essa tarefa?
RT- Não, eu não tive nenhum desejo pessoal de começar alguma coisa, de fazer alguma coisa. Desde criança fui chamado pelo mundo dos espíritos. Até onde a minha memória alcança, tinha dois anos e meio de idade quando comecei a registar os espíritos e digo até onde a minha memória alcança porque comecei a registar os espíritos atravessando as paredes, descendo o tecto, conversando com a minha mãe, a minha mãe ainda era encarnada e era médium, vidente, audiente, médium de efeitos físicos. Eu nasci num lar de médiuns, eles não eram espíritas, eram médiuns, a minha mãe e a minha irmã mais velha, até que eu perguntava à minha mãe, muito criancinha, o que era aquilo que eu estava vendo, quem eram aquelas pessoas que atravessavam paredes e ela dizia-me naturalmente, para acatar a minha mentalidade infantil, que eram os nossos irmãos de luz e eu fiquei com essa frase na minha cabeça.
A minha mãe desencarnou quando eu tinha apenas 4 anos de idade, logo, as memórias que eu tenho dela foram até essa data e depois disso envolvi-me com trabalhos da igreja católica, o meu pai colocou-me junto à igreja católica porque naquela época as famílias, mesmo que tivessem mediunidade, que fossem médiuns, todo o mundo se dizia católico, porque não se conhecia na nossa região nenhum centro espírita. Onde eu vivia não havia centro espírita e depois dos meus 17 anos, continuando aqueles registos é que eu pude conhecer o Espiritismo. Conversando com um amigo meu de infância que há muito não via a respeito das coisas que eu sentia, dos registos, a minha conversa com o sacerdote e ele sempre me orientava para ler a Bíblia e aos 14 anos para 15 eu tinha lido a Bíblia cinco vezes de ponta a ponta e ele me dizia que o que eu via era o Satanás e eu dizia-lhe que via a minha mãe e ele dizia que era o Satanás que se fazia passar por minha mãe e eu dizia que eles me davam bons conselhos e ele afirmava-me que o Satanás também dá bons conselhos e então foi-me criando uma confusão na cabeça. Então se Deus dá bons conselhos e Satanás também, é difícil a gente optar com quem fica. Conversando com esse amigo, José Luís Vilaça, ele disse-me que frequentava um grupo de jovens espíritas e que se eu quisesse ir lá visitar, ele me levaria. E de facto, eu fui, atendendo ao seu convite, conhecer um grupo de jovens espíritas e desde 1967 eu conheci esse grupo de jovens ao qual me vinculei porque eu, que eu tinha uma suposição bastante equivocada a respeito do que fosse o Espiritismo e um grupo de jovens espíritas para mim parecia-me uma coisa muito surreal, acabei por me encantar porque achei jovens da minha faixa de idade alegres, joviais, estudando, conversando, cantando e com muita seriedade e toda uma mensagem que eu vim a saber que era a doutrina espírita. Estudei, li avidamente os livros da codificação espírita, os livros que me caíram na mão. O primeiro livro que eu li, antes de estudar Kardec, foi o livro de Leon Denis, «O Problema do Ser, do Destino e da Dor» que me causou viva impressão, uma paixão imensa até hoje e só depois de Leon Denis é que eu comecei a estudar os livros de Allan Kardec. Recebi outro impacto muito forte ao perceber que as ideias de Allan Kardec eram exactamente as coisas que eu pensava e que eu não imaginava que estivesse aquilo devidamente escrito, codificado, organizado. E nesse primeiro dia que conheci um centro espírita na actual encarnação, por ser muito tímido, eu vi a aula daquele dia muito bem ministrada pela professora, até que ela me perguntou, para me tirar com certeza do silêncio, o que é que eu sabia sobre o tema tratado. Naquela tarde estudava-se sobre a 1ª. Revelação de Deus ao Ocidente, falava sobre Moisés e quando eu ouvia falar de Moisés a minha alma fervia, porque eu tinha lido a Bíblia 5 vezes, eu tinha tudo de Moisés na cabeça, até que ela me perguntou o que é que eu sabia sobre Moisés. Nesse momento tive uma sensação muito estranha porque a língua pareceu-me crescida dentro da boca, o peito cresceu-me e eu falei durante vinte minutos sem respirar, sem parar, sem pôr vírgulas, sem pontos, sem nada. Falei num estado de semi-transe, sem raciocinar o que eu falava. Falei 20 minutos e quando parei de falar ela me anunciou, e à classe, que não tinha mais aula para dar, porque eu tinha falado tudo o que ela programara para a aula da tarde. E ficámos a conversar sobre o que eu tinha falado. Pela 1ª vez que entrei num centro espírita realizei a minha 1ª palestra e nunca mais parei.

JL – Até hoje...
RT – Até hoje. E com isso já se vão 44 anos e tenho essa felicidade de ter conhecido o Espiritismo através do Espiritismo. Não conheci o Espiritismo através de médiuns de mediunidade famosa, eu não me cerquei dessas coisas, eu apaixonei-me pelo Espiritismo, pela ideia, pela proposta, pela mensagem. E daí até hoje tenho muita dificuldade em admitir que um movimento espírita possa enraizar-se quando ele nasce em redor de  médiuns e de  mediunidade, porque na medida em que os médiuns falham, em que os médiuns se equivocam, uma vez que são seres humanos, tudo o que foi criado em cima deles desaba junto.

JL – Claro.
RT – Quando você torna-se espírita em torno da doutrina espírita, quem quiser pode cair, quem quiser pode levantar-se, você está com o espiritismo. Essa tem sido a minha felicidade até hoje de ter começado pelo espiritismo e ter tido muita resistência por aceitar a mediunidade em mim, resisti muito e quem me ajudou sobremodo nessa minha fase inicial do espiritismo para que eu aceitasse a mediunidade, admitisse a mediunidade, foi Divaldo Franco. Devo-lhe os diálogos pacientíssimos comigo, devo-lhe as orientações que me deu nesse capítulo, as oportunidades que ele me deu de exercitar a minha mediunidade no grupo espírita, no centro espírita Caminho da Redenção, nas suas reuniões mediúnicas a convite dele. Tive essa segurança de saber que qualquer deslize, qualquer coisa, ele me orientaria e me falaria. Foi só depois dessas orientações de Divaldo Franco que eu tive coragem de me apresentar como médium publicamente. Eu trabalhava a mediunidade num centro espírita.

JL - Eu não sabia que  tinha frequentado o Centro do Divaldo.
RT – Não, eu não frequentei, mas cada vez que eu ia a Salvador ele colocava-me nas reuniões e dava-me muito apoio e, vendo-me muito jovem e inexperiente, certamente ele se apiedava da minha ingenuidade e deu-me muito respaldo. Devo-lhe essa segurança mediúnica que tenho hoje, graças a Deus. Então foi assim que eu comecei na tarefa espírita. Conheci Divaldo Franco 3 anos depois de me ter tornado espírita e 4 anos depois conheci Chico Xavier e dessa maneira fui desenvolvendo o meu início espírita em muito boas bases, porque fui observando Divaldo Franco, fui observando Chico Xavier, D. Ivone Pereira tornou-se uma grande amiga minha, eu frequentava a sua casa e falávamos pelo telefone e as minhas dúvidas em relação à minha vida como espírita, eu conversava com essas criaturas e tive a oportunidade de ter um entrosamento com Deolindo Amorim, no Rio de Janeiro, que se me tornou um grande amigo, um excelente conselheiro, ele e a sua esposa. Eu tive uma formação da qual não me posso queixar. Se eu cometer algum deslize, se cometer algum desatino no trabalho espírita, isso deve-se à minha irresponsabilidade, não à falta da orientação, da formação que eu tive. Graças a Deus tenho procurado manter-me nessas bases, procurando o Espiritismo segundo a codificação espírita num tempo de muitos modismos, num tempo em que muita gente quer colocar os seus pontos e as suas vírgulas na codificação, numa época em que muita gente já quer «consertar» a codificação espírita, que ainda nem é conhecida. Neste mundo de muitos novidadeiros, felizmente tenho-me procurado manter na pauta da fidelidade ao conhecimento espírita, ampliando, desenvolvendo, discutindo, hoje com os meus companheiros da Sociedade Espírita Fraternidade a respeito da verdade que a doutrina espírita traz e da capacidade que ela tem de nos fazer entender a nós próprios, o nosso momento histórico, o nosso estado psicológico, psico-espiritual, de tal modo que nós saibamos viver neste mundo, sem que nos deixemos arrojar por este mundo, no chão das frustrações. Sabemos das dificuldades de viver num planeta como o nosso, o momento que estamos vivendo de muita necessidade e muito cuidado, de muita vigilância e isso tudo vai-nos levar a procurar ser pessoas inseridas no seu tempo com os pés fincados no chão da realidade mas com os olhos voltados para as estrelas.

Chico Xavier não foi Kardec, 
ele próprio me disse

JL - O Raul Teixeira é solteiro?
RT – Sou solteiro, sou.

JL – O Raul conduz automóveis?
RT – Sim, eu dirijo já há 20 anos. Durante muito tempo relutei mas hoje eu dirijo.

JL – E quem compra a sua roupa, é você ou tem alguém?
RT – Sou eu mesmo, eu não tenho secretário, não tenho empregados, tenho um faxineiro quinzenal.

JL – É o Raul que vai comprar esta camisa, aquelas calças?
RT – Sou eu é que compro, as minhas compras de casa, que pago as minhas contas, eu sou um homem normal, um homem no mundo, sou eu que vou ao Banco, pago as minhas contas, faço as minhas reservas de viagens, faço a minha agenda de viagens, não tenho secretários, conduzo a minha vida, regulo-a da mesma forma que toda a gente.

JL - Qual é a sua bebida alcoólica preferida, se é que bebe álcool?
RT – A minha bebida alcoólica preferida é H2O sem gás.

JL – Que tipo de música gosta mais?
RT – Olhe, eu gosto de todos os tipos de música desde que ela se enquadre bem nos momentos. Sendo brasileiro, gosto muito de samba, dos ritmos que nasceram do « afro» e no Brasil temos sambas muito bonitos, mas eu gosto de música clássica, gosto de bossa nova, do rock and roll, não do rock barulhento, do rock bate-estaca, isso não faz a minha cabeça porque eu não gosto de barulho, gosto de um rock balada, um rock romântico, e isso faz-me muito bem. Eu sou da geração da década de 1950/60, então  aprendi a gostar dessas músicas que eram a música típica da minha época.

JL – Raul Teixeira, qual é a sua comida preferida?
RT – Eu não tenho um prato preferido, eu gosto de comidas caseiras, eu gosto de coisas simples. Sou de uma família muito simples e aprendi a gostar de coisas simples, eu sou um homem do feijão com arroz, do legumezinho guisado e não tenho muitas exigências alimentares.

JL – Não sei se fuma ou não.
RT – Não, nunca fumei.

JL – Que tipo de filmes é que gosta?
RT – Gosto muito de filmes épicos, gosto muito de filmes históricos e encantam-me muito os filmes donde saímos levando uma mensagem, levando uma aprendizagem. Eu não gosto de filmes de melodrama. Não gosto nada que as pessoas saiam a chorar, não tenho um temperamento de muito chorar, sou de um temperamento de pensar e a minha formação académica ajuda-me muito nisso, porque nós vemos às vezes, no meio espírita, o povo que se acostuma muito a chorar e pensa pouco, e eu gostaria que o povo pensasse mais e chorasse menos. Estudando física ou matemática choramos de emoção quando vemos uma grande descoberta, a aplicação de um grande invento em prol da humanidade, o cientista também se comove. Mas não é esse choro barato de quem, por qualquer coisa chora, porque isso demonstra um desequilíbrio emocional.

JL – Existe algum planeamento no sentido de levar os cientistas a descobrir Deus, a descobrir o espírito, a curto prazo, ou será a médio ou longo prazo, ao longo deste milénio?
RT – Vejamos. Eu aprendi com os bons espíritos que as leis de Deus funcionam sempre rigorosamente. Do mesmo modo que ninguém fez planos de trazer à Terra o Espiritismo e no momento certo ele chegou, a despeito do que pensassem os outros, não existe nenhum trabalho nosso, no sentido de levar os cientistas a aceitar o Espírito, o Espiritismo, isso era uma pretensão muito grande, como se nós tivéssemos uma argumentação capaz de convencer o cientista. Então acredito que os cientistas, realizando o trabalho honesto que eles vêm realizando, não têm outra saída senão encontrar Deus. Como já vem acontecendo com muitos deles, individualmente.

JL – Estava a referir-me especificamente a eles descobrirem, por exemplo, a essência do perispírito, a vibração.
RT – Gradativamente eles estão chegando lá. Na área da Física, nós temos a área das micro-partículas e os físicos cada vez que mergulham nas micro-partículas descobrem partículas ainda menores. Estamos a encaminhar-nos para o campo das energias puras e ao chegarmos ao campo das energias puras não haverá saída para a admissão de um mundo de energias puras, chame-lhe a ciência como lhe chamar, nós chamamos-lhe mundo normal primitivo, ou mundo dos espíritos. Os cientistas já se dão conta há muitos anos que há possibilidade (a ciência tem esse cuidado), de haver vida noutros mundos, noutros planetas, já estão a instalar antenas de captação de sinais de rádio para essa tentativa de registar alguma coisa cósmica. De maneira que os cientistas dotados desse amor pela humanidade, de querer descobrir coisas novas, de inventar coisas novas, eles certamente são bem inspirados pelos guias que guiam o nosso planeta. Não precisamos, nós os espíritas de ter nenhuma ansiedade, vamos cumprindo o nosso trabalho. Enquanto nós estivermos com qualquer pensamento de convencer o cientista, ou a quem quer que seja, estaremos deixando de lado a nossa vivência espírita, que é mais fundamental. De modo que cada um vai ter a sua época de chegar, do mesmo modo que nós demorámos o tempo x, y, z para chegar e aceitar o espiritismo, ainda que, nas proporções que o fazemos, chegará o dia em que cada cientista, cada filósofo, cada pensador, cada materialista, cada ateu vai encontrar seu caminho de Damasco.

JL – Também usa telemóvel?
RT – Ah, sim, uso telemóvel, insiro-me no progresso possível aos meus tempos.

JL – Dentro do conhecimento que tem, viu o filme «O Nosso Lar». Aquilo está próximo da realidade, retrata mais ou menos a realidade no mundo espiritual?
RT
– Tendo em vista que o filme foi orientado e teve a participação de muitos espíritas que opinaram, os factos ali mostrados estão muito próximos da realidade. Naturalmente que o mundo espiritual é muito mais intenso, muito mais rico, as cenas que nós registamos do mundo espiritual umbralino, das regiões de sofrimento, são muito mais intensas do que se pode fazer num filme. Até porque, no mundo dos espíritos, na medida em que os espíritos vão pensando nos seus tormentos, esses tormentos vão-se expressando como se fossem "materialmente", e naturalmente isso o filme não podia mostrar e cada coisa que eles pensam aparece em volta deles e tudo isso. Mas está muito próximo da realidade. Eu lamento que sempre que assistimos a um filme desse teor, não tenhamos a oportunidade de fazer um debate em torno dele, para que extraiamos do filme o que a massa do público não consegue extrair. Nós vemos mas não entendemos, ninguém sabe porque é que aquilo foi posto no filme.


JL – Mas  Raul, como físico que é, o André Luiz ditou isto na década de 40.
RT – Na década de 30.

JL – Já lá vão 80 anos. Quer dizer que nesta altura já está desactualizado? O mundo espiritual já deve ter evoluído?
RT – Não, não, a Terra é que evoluiu para chegar ao que o mundo espiritual era há 80 anos...

JL – O mundo espiritual não evolui tecnologicamente?
RT – Sim, mas acontece que esses conhecimentos que o mundo espiritual tem hoje, nós só vamos obter daqui a muito tempo, porque estamos hoje a materializar o que no mundo espiritual já era facto corriqueiro há muito tempo. Nós não temos esse imediatismo, nós não conseguimos captar imediatamente o que o mundo espiritual já produz. Eu recordo-me que há quase 40 anos, vivi um desdobramento espiritual, em que fui levado por entidades benfeitoras a penetrar um antro de espíritos obsessores que planeavam obsidiar um grupo de criaturas terrestres; fui usado como uma isco para que eles ao verem-me, corressem atrás de mim e pudessem manifestar-se nas reuniões mediúnicas, como aconteceu. O facto é que, ao entrar numa das salas daquele contraforte, à beira do mar, vi uma série de televisõezinhas sobre as mesas, nas quais passavam os nomes das pessoas com as respectivas imagens. Não se falava de microcomputador ainda no Brasil, aquilo já era um microcomputador, quando eu narrei aos meus companheiros as televisõezinhas diferentes, que marcavam o nome das pessoas. E depois, quando eu vi o primeiro microcomputador da minha vida, reparei que era isso que eu tinha visto no desdobramento. Então o mundo dos espíritos tem coisas que nós ainda nem sonhamos ter na Terra, porque precisam que aqueles espíritos reencarnem ou inspirem os indivíduos que estão na área da pesquisa tecnológica, para que eles então comecem a trazer para cá. Há muitos anos tive oportunidade de ver, no mundo dos espíritos, uma exposição de livros destinados a crianças, livros infantis, livros espíritas infantis onde as imagens saltavam das páginas. Nós estamos longe ainda disso e no mundo espiritual isso já é corriqueiro. Não é facto que, na hora em que o mundo espiritual apresenta um desenvolvimento, a Terra já o assimile imediatamente. Porque, aquele indivíduo que preparou aquilo, que aprendeu aquilo no Além, tem de reencarnar, chegar à idade da razão, entrar na idade da pesquisa, e só então, com a dificuldade limite do planeta, ele consegue exteriorizar aquilo. De modo que o mundo espiritual está sempre muito à frente de nós, e nós, com a nossa mentalidade muito conservadora, ainda demoramos a assimilar as coisas novas do Além.

JL – Porque é que há tanto mistério em torno de Allan Kardec? Nas «Obras Póstumas», que não faz parte da codificação, diz que ele voltaria para completar a sua obra. Uns dizem que o Allan Kardec poderia ter sido o Chico, outros dizem que podia ser o Divaldo Franco porque tem todo o perfil de educador, a obra, outros dizem que podia ser o Raul, outros dizem que ele estará no mundo espiritual, se está porque é que ele não se comunica, se ele se comunica, se  usa pseudónimos ou não usa, porquê tanto mistério quando as coisas são tão simples?
RT – Existem nessas suas abordagens algumas questões equivocadas. Há muitos anos, Chico Xavier disse-me, pessoalmente, numa conversa que tivémos em Uberaba, que a mensagem mais autêntica de Allan Kardec que ele tinha lido, tinha sido recebida pela médium brasileira D. Zilda Gama, professora, que se achava num livro chamado «Diário dos Invisíveis». Eu procurei esse livro, que está esgotado, encontrei-o e estava lá a mensagem de Allan Kardec. Depois disso, nós tivemos uma mensagem de Allan Kardec recebida por vários médiuns na França, no Brasil. Como é que nós podemos dizer que o Chico Xavier é Allan Kardec se ele dizia que a D. Zilda Gama recebera a mais autêntica mensagem? Se enquanto Chico estava encarnado outros médiuns receberam mensagens de Allan Kardec? O «Reformador» publicou essas mensagens. Então, não é que nós queiramos fazer complexidade, é que as pessoas ficam tirando proveito da ignorância alheia. Quanto menos o povo sabe, eu posso dizer as minhas tolices. Agora as pessoas dizem isso, alegam que era por ele ser humilde; então ele enganou-me, porque podia ser humilde e não dizer nada. Mas se ele me disse aquela mensagem, ele era merecedor de crédito, eu não podia duvidar do que falava. Se ele diz a outras pessoas a mesma coisa, ele não podia estar a fingir, senão eu perco o crédito que eu dava à mediunidade de Chico Xavier e ao homem que ele era. De modo que não existe confusão, existem exploradores. O Chico estando desencarnado, toda a gente fala dele o que bem entende, o que bem deseja, e ele não está aí para defender-se, de modo que nós, os espíritas é que temos de ter bom-senso, e bom-senso e água fluidificada não nos fazem mal jamais. Eu não posso acreditar em tudo o que dizem, eu tenho que ver aquilo que tem senso, que tem nexo, e se Allan Kardec estivesse aqui reencarnado, qual seria a vantagem disso para nós? O nosso problema é viver o Espiritismo e não Allan Kardec. Porque também já dizem que Jesus Cristo está aqui reencarnado, e no Brasil há um que diz ser Jesus Cristo.

JL – Tem algum tipo de  informação de que Kardec estará ainda no mundo espiritual?
RT – Para mim, ele está no mundo espiritual.

(Entrevista concedida pelo Dr. José Raul Teixeira ao Jornal de Espiritismo, da ADEP, Portugal, aquando do 6º Congresso Espírita Mundial, Valência, Espanha, Outubro 2010)
Transcrito do áudio por Conceição Venâncio. Fotografia de Jorge Gomes, 1996.

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E para onde vão os políticos?...


A conversa seguia animada, em saudável debate de ideias, após mais uma aula do Curso Básico de Espiritismo (gratuito, como qualquer actividade numa associação espírita). Falava-se da Lei de Causa e Efeito, onde cada um de nós, espíritos eternos, colhemos nesta vida e após a morte do corpo de carne, de acordo com aquilo que semearmos no passado e no nosso hoje.
Já há 2 mil anos atrás Jesus de Nazaré ensinara à humanidade tal Lei, ao referir que "A semeadura é livre mas a colheita é obrigatória", ensinando-nos que cada um de nós colherá, quer no mundo espiritual, quer em vidas futuras, de acordo com aquilo que tiver semeado no seu passado.
Na perspectiva da continuidade da vida para além da morte do corpo físico, aliás conforme as evidências científicas de hoje apontam, é justo e lógico que assim seja, pois sendo espíritos eternos, nós somos hoje o que fomos ontem e assim sucessivamente, já que a Natureza não dá saltos evolutivos. A evolução faz-se gradativamente, paulatinamente, daí a necessidade de trabalharmos o nosso mundo íntimo, de modo a que quando a Vida nos chamar para novo plano existencial (o plano espiritual), possamos fazer essa transição o mais serenamente possível, no que concerne ao nosso estado de alma, ao nosso íntimo.
A meio da conversa, a pergunta estalou: 
"E os políticos para onde vão no mundo espiritual, aqueles que roubam o povo, que enganam, que recebem reformas chorudas?"
Rimo-nos pela espontaneidade da pergunta sem maldade, bem como da sua actualidade.
Lembrámo-nos de um facto passado com o Prof. Dr. Raul Teixeira, Físico, professor universitário, espírita, conferencista de alto nível e médium de grande recursos. Certo dia ia efectuar uma conferência numa cidade importante do Brasil, e ao dirigir-se para almoçar num restaurante, com os seus anfitriões, enquanto esperavam que o semáforo abrisse para atravessarem larga avenida, ele via uma mulher andrajosa ali ao lado, no caixote do lixo a procurar comida e a separar o lixo mais limpo do mais sujo. Tal cena causou-lhe tamanha impressão, que perdeu a vontade de almoçar, pese embora a necessidade de o fazer. Enquanto se tentava recompor mentalmente, já no restaurante, pensando naquele ser que nada tinha, e ele ali num restaurante com os seus amigos, apareceu-lhe, através do fenómeno da vidência espiritual, um espírito amigo que o acompanha na sua tarefa doutrinária, que o acalmou, referindo que mesmo que fosse dar comida limpa àquela senhora ela recusaria. E o Espírito, em breves pinceladas contou a história daquela mulher, que nesta vida era a reencarnação de um famoso político brasileiro, ainda hoje muito conceituado, e que por ter prejudicado tanto o povo, tinha reencarnado numa condição miserável, devido ao mecanismo do complexo de culpa que fez, após a morte do corpo de carne, no mundo espiritual (onde não conseguimos esconder nada, nem de nós, nem dos outros), voltando numa condição miserável para aprender a valorizar aquilo que ele tanto desprezara na vida anterior: as dificuldades financeiras do próximo. Curiosamente, o nome desse famoso político estava afixado nesse local, dando nome à avenida, e essa mulher, por um mecanismo de fixação inconsciente, não largava aquele local onde outrora lhe prestaram grandes homenagens.  Não era um castigo divino, mas sim uma decorrência da Lei de Causa e Efeito, onde cada um colhe de acordo com os seus actos, pensamentos e sentimentos. 

No mundo espiritual, e em futuras reencarnações, cada um colhe 
de acordo com o que semeou no seu passado. Assim se justificam as dissemelhanças de sofrimentos morais entre os homens. 

Sendo o Espiritismo uma ciência de observação e uma filosofia de consequências morais, cujos princípios têm vindo a ser confirmados por muitos cientistas que se dedicam à pesquisa do Espírito, como seria bem diferente o nosso planeta se todos aqueles que roubam, que enganam, que se aproveitam do poder que têm, que exploram os empregados, se conhecessem a reencarnação (hoje uma evidência científica), a imortalidade do espírito e a comunicabilidade dos espíritos. 
Esse conhecimento dar-lhes-ia um novo rumo existencial, na certeza de que todos os nossos actos se repercutirão inevitavelmente sobre nós, para o bem ou para o mal, conforme a qualidade dos mesmos, nesta vida, no mundo espiritual e em vidas futuras.
Estudando e pesquisando o Espiritismo, qualquer pessoa pode aferir das mesmas descobertas, demonstrando assim a universalidade dos ensinamentos que os Espíritos deram.
Tentar escamotear a situação com um simples "eu não acredito nisso", não vai alterar a responsabilidade que cada um de nós tem sobre os seus pensamentos, sentimentos e atitudes.
Gostaríamos de poder responder a quem nos questionou, que os políticos e todos os homens de poder no nosso planeta Terra, se sentiriam felizes no mundo espiritual, ao sentirem o seu dever cumprido, em prol do povo que lideraram, com justiça, com lealdade. Mas, infelizmente, essa ainda não é a nossa realidade e também não será, com profunda pena nossa, a realidade futura dos actores políticos que nos governam na Terra, em futuras reencarnações, onde terão de reparar os seus erros e abusos com dolorosas expiações.

Bibliografia: 
Kardec, Allan - "O Livro dos Espíritos"

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Momentos actuais...


Queridos amigos, 

Perante as indefinições socioeconómicas, experimentas a angústia do porvir desconhecido, o receio do futuro dos filhos, a ansiedade do devir. 

São tempos de turbulência, sem dúvida, e a nau terrestre parece navegar à deriva, sob a batuta de timoneiros envoltos no lodaçal das paixões terrenas, da corrupção, de jogos de interesse. 

Os esforços ético-morais das religiões, e dos religiosos em geral, parecem fadados ao fracasso, perante o pungente domínio do materialismo anestesiante e avassalador. 

Tudo aponta para o abismo, para saídas sem retorno. 

No entanto, aos espíritas compete temperar o desespero alheio, com o sal da Boa Nova, com o sal da esperança, com a certeza de que a Terra, ao invés de navegar à deriva dos interesses escusos da política dominante, permanece sendo guiada na retaguarda, por Jesus de Nazaré. 

Porfia no bem! Nunca desesperes nem desanimes. 

A tua migalha não matará a fome do mundo, mas poderá aconchegar o estômago do irmão que vive junto de ti. Permanece esparzindo a tua luz em redor, sem cogitar com o futuro, sem questionar a vitória, inquestionável, do Bem. 

Jesus está no leme e só espera de nós o exemplo sadio, que façamos a nossa parte, para que assim, amanhã, o conjunto se afigure luminoso, quais miríades de luzinhas acesas nos caminhos da vida, representando cada uma delas, um sentimento nobre, uma atitude correcta, uma emoção equilibrada, em prol do bem comum. 

Sois os trabalhadores da última hora. Estamos convosco. 

Humberto 

Psicografia recebida no Evangelho no Lar, por JC, em 5 de Julho de 2010, Óbidos, Portugal

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Novos rumos para a humanidade...

O amor é utopia
Aproveita o "agora"
Não te iludas,
Que a vida só piora.

Come, bebe, goza,
Vive o melhor possível.
É o que se leva da vida,
Depois vem a morte terrível.

Assim fala o ateu,
Que vive na ilusão,
De que tudo é matéria,
E depois, só escuridão.

Mas, desde tempos imemoriais,
Os profetas de outrora,
Disseram o contrário:
Existe uma nova aurora.

Cada um deles,
Em diferentes postulados,
Falaram do Além,
Com ânimos redobrados.

Pitonisas, profetas,
Oráculos e os demais,
Cantaram a imortalidade,
Dos médiuns actuais.

Os espíritos confirmaram,
A vida para além da morte,
Dando provas irrefutáveis,
Dessa nova sorte.

Hoje, a Física quântica
Matou o materialismo
Afinal tudo é energia
Como dissera o espiritismo

Novos rumos para a humanidade
Apareceram com Kardec
Estudando a mediunidade
Abrindo-a como um leque

A vida para além da morte
Outrora uma quimera
É vista agora
Como afirmação vera

O amor não é utopia
Como dizem os materialistas
É o combustível do universo
É a mola dos espiritualistas

Amar hoje e amanhã
É trabalho intransferível
Para sair da inércia
Que torna a vida horrível

Não desperdices a existência
Buscando os gozos mundanos
Aproveita-a com espiritualidade
Amando todos os seres humanos.

Poeta alegre
Psicografia recebida no ENL, por JC, Óbidos, Portugal, em 25 de Outubro de 2010

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Suave transição....

Era Fevereiro, 27
Dor súbita apareceu
Fui de urgência
Para hospital plebeu

Tratado como mais um
Nem numeração tinha
Esperei horas a fio
Q' aparecesse uma "alminha"

Lá veio o médico
Com cara de cansado
Olhou para mim
Como quem olha pr'ó lado

Dores fortes, abomináveis,
Faziam-me alagado em suor
"Doutor, tenha dó,
Quero ficar melhor!"

A maca corria, corria,
Vá para onde for,
Entre a dor e a maca
Orava com fervor

Pouco mais me lembro
Após entrar nas urgências
Suave paz adveio
Em que perdia as referências

Dormi, dormi profundamente
Até que na enfermaria acordei
Estava tudo tão diferente
Que de alegria chorei

Estava vivo afinal
Não tinha morrido
Talvez fosse visitado
Por um ente querido

Quando assim pensava
Vi minha mãe entrar
Esfreguei bem os olhos:
"Devo estar a delirar"

Afinal ela está morta
E eu vivo estou
Como a ver assim?
A anestesia me abalou...

"Sejas bem-vindo, filhinho
Ao novo hospital
Estás agora entre amigos
Mas no mundo espiritual"

Fiquei confuso no momento
Com aquela realidade
Se a morte era má,
Porquê tanta felicidade?

O sorriso materno m'acalmou
"Tranquiliza-te filhinho,
Todos terminamos um dia
Na terra, o nosso caminho"

Foi assim a minha partida
Do mundo terreno
A pancreatite atrevida
Foi fatal veneno

Soube depois no Além
Que o bem que fizera
Fora luminoso passaporte
Para a nova esfera

Ter sido correcto, honesto,
Granjeou a simpatia
Dos bons espíritos, amigos
Dos colegas e da minha tia

Não se turve teu coração
Com este novo mundo
Aos poucos reaprenderás
Algo mais profundo

"Dorme agora, querido filho
Refaz tuas energias
Amanhã quando acordares
Verás as tuas tias"

"Oh, mãe querida
Mil vezes obrigado
Por me teres auxiliado
A passar p'ra este lado"

E sozinho, no suave leito,
Entrei em meditação,
Afinal a morte temida,
Fora suave transição !

Poeta alegre
Psicografia recebida no ENL por JC, em 23 de Agosto de 2010, em Óbidos, Portugal, referente ao desenlace do espírito André Dias.

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Que grandes exemplos....


O caso dos 33 mineiros chilenos soterrados que se salvaram, bem como um outro caso de grande honestidade, reportado nos "media", são focos de luz nesta noite sombria por que passa o planeta Terra, a caminho de melhores dias que virão, de acordo com as opiniões dos Espíritos Superiores. 
Há meses, o mundo condoeu-se com a "sorte" dos 33 mineiros chilenos, soterrados. A morte era a mais provável solução para o caso, de tal modo era difícil a situação dos mesmos, e as parcas possibilidades de salvamento.
No entanto, passado pouco tempo, todos eles saíram das profundezas da Terra, como heróis, levando-nos a profundas reflexões.
O Homem, quando colocado perante a dor, o sofrimento, e quando consegue sair do casulo do seu egoísmo, (seja à escala pessoal, grupal, nacional, etc.), conjugando esforços, partilhando saberes, experiências, consegue levar por diante tarefas grandiosas e cheias de êxito, como a do resgate dos felizes mineiros.
Que grande lição deram ao mundo, todos aqueles homens que estiveram integrados no processo de resgate, à escala mundial, dos 33 mineiros chilenos.
Afinal a felicidade é possível, afinal é possível erradicar a fome, a miséria, acabar com as guerras no mundo e construir um mundo melhor, assente nos alicerces da fraternidade, da amizade, do Amor, estratégia esta apresentada há 2 mil anos por Jesus de Nazaré, e estupidamente ignorada pela humanidade, que persiste no egoísmo, no ódio, no orgulho, resumindo, no sofrimento que todos esses vícios morais acarretam (leia-se "O Livro dos Espíritos" de Allan Kardec).
Há dias (em Outubro de 2010, Portugal), folheando o jornal diário enquanto saboreava um café, deparei-me com rara notícia: um emigrante português a trabalhar na Suíça, perdera a carteira na estação ferroviária de Campanhã, no Porto, Portugal, carteira esta que continha 5.900 francos suíços. Alguém a encontrou e devolveu-a, entregando-a na bilheteira. Depois de entregue ao seu dono, este tentou, sem êxito, descobrir a alma nobre que anonimamente tivera tal acto de honestidade. Tentou dar uma gorjeta ao empregado da bilheteira, como forma de agradecimento, mas este negou.
Fiquei a pensar com os meus botões, como é bela a vida quando vista pelo prisma da honestidade, da correcção e de como ela nos abre novos horizontes existenciais.

Afinal a felicidade é possível, afinal é possível erradicar a fome,
a miséria, acabar com as guerras no mundo e construir um mundo melhor

A Doutrina Espírita alerta a humanidade para a necessidade do auto-burilamento, da reforma íntima, do exemplo, ao invés de exigirmos aos demais os actos que no quotidiano não fazem parte do nosso dia-a-dia: honestidade, correcção, dignidade.
Nesse dia, senti orgulho de ser português, orgulho daqueles exemplos vivos e anónimos de honestidade.
No caso dos 33 mineiros, senti orgulho de pertencer, nesta existência carnal, à humanidade passageira do planeta Terra.
Folheando "O Livro dos Espíritos" bem como "O Evangelho Segundo o Espiritismo" (ambos de Allan Kardec), encontramos as directrizes seguras para uma existência mais feliz, mais justa, mais coerente, com normas bem delineadas, para que se consiga de uma vez por todas, ultrapassar a grande chaga que envolve a humanidade: o egoísmo.
Que grandes exemplos de espiritualidade, de humanidade, de rectidão de carácter podemos encontrar nestes 2 casos, um deles mediático e o outro sem grande realce.
Serão religiosos os intervenientes nestes 2 casos? Serão seguidores de alguma religião ou doutrina espiritualista?
Não sabemos, mas também, que importa, perante a grandeza de tais exemplos?
"A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória", esclareceu-nos Jesus de Nazaré, explicando-nos assim, em termos simples, que, amanhã, quer no mundo espiritual quer no mundo carnal, cada um colherá o que houver semeado no seu coração.
Cumpre-nos introspeccionar e meditar sobre o que temos feito pela paz íntima, pela paz social, pela paz na família, pela paz no país e pela paz no mundo.
Afinal, começa e acaba tudo no nosso íntimo, seja a semeadura seja a colheita, sobre a forma de aflições ou bem-estar, conforme as nossas atitudes, pensamentos, sentimentos.

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Rogativa do Amor...

- Oh, Senhor, tanto quero trabalhar, mas ninguém me quer empregar! Busco abrir corações, atenuar tensões, evitar guerras entre nações, mas, poucos são os que ouvem as minhas opiniões. Valerá a pena, Senhor, investir mais no Amor?

Não será perda de tempo, porfiar junto da humanidade que insiste na maldade?

- Oh, Amor, não te deixes levar pela ilusão que te abala o coração. Se te mandei para a Terra, para o imo do humano coração, é porque um dia, ele germinará na população! 

- Mas, te rogo, Senhor pela humanidade que parece ter perdido a sanidade. Vivo escondido no seu interior, tento “explodir” com fervor, mas em vão! A matéria, a razão superam sempre o coração!

- Tens falta de fé, Amor! Porfia no teu labor, pois a cada momento, levedarás como o fermento, e aparecerás a seu tempo, iluminando o coração que agora teima em viver na cegueira espiritual, na ilusão, na escuridão.

Tua rogativa, Amor, não ficará sem resposta, e para que não desfaleças, a partir de hoje enviarei para a Terra a irmã solidão, o irmão desilusão, o primo tentação, o tio ambição. Quando o homem, sem Norte, parecer inerte no lodaçal da frustração, então aí entrarás tu, o Amor, acompanharás o solitário, acalentarás o desiludido, frearás o tentado, acalmarás o ambicioso, orientarás o perdido.

Nessa altura, farás parte da Terra, de tal modo que jamais rogarás apoio ao teu Senhor, nem gemerás de dor, mas, feliz por estares disseminado na sociedade, enfim, deixarás de ser novidade!

Aí, Amor, eu e tu, estaremos para sempre, juntos da Humanidade.


Amélia Rodrigues

Psicografia recebida por J. C., no ENL, em 16 de Agosto de 2010, em Óbidos, Portugal

3

Hidrocefalia...

Dia feliz, naquele lar
Ouviam-se os vagidos
De Joana que nascera
Pr’alegria dos entes queridos

O Amor dos pais
As lágrimas de alegria
Faziam-na querida
Naquele maravilhoso dia

Estava para chegar
O golpe fatal
A menina sofria
De doença cerebral

Joana, a bebé querida
Tinha hidrocefalia
A cabeça era grande
Crescia, crescia

Tamanho desalento
Alcançou os seus pais
Que viveram doravante
Em aflitivos “ais”

“Que fizera a menina
Para sofrer tal sorte? 
Maldito seja Deus
Antes preferia a sua morte”

“Oh homem, não blasfemes
dizia a esposa dedicada. 
Deus sabe o que faz
Na nossa jornada.”

Foram ao Centro Espírita
Pedir auxílio divino
E a resposta veio
Pelo médium Paulino

Joana, a bebé,
Outrora orgulhosa,
Não aceitara que o marido
A trocasse pela Rosa

Em dia cinzento
Esperara o trem
Ao entrar na curva
Atirou-se com desdém

Esfacelada na cabeça
Espavorida verificou
Que largara o corpo físico
Mas a morte falhou...

Sofrendo no Além
Tamanha desdita
Pedira para voltar
Pr’o colo da Rita

Os pais de agora
Resgatam o passado
São cúmplices d’outrora
No acto desgraçado

Como ela não se perdoou
Voltou em perturbação
Colhendo no corpo
A falta do auto-perdão

As marcas do trem
No ser espiritual
Aparecem agora
No corpo carnal

Ela viverá pouco
Nesta reencarnação
Queimando o fluído
Da outra vida, então.

Os pais aprenderão
O Amor espiritual
Resgatando com a filha
O Amor carnal

Mais tarde, no Além
Os três recuperados
Abraçaram-se chorando
Pelos erros do passado

Em prece jubilosa
Agradeceram a Jesus
O ensejo da luta
A vitória da sua cruz

Compreenderam então
Que o sofrimento na Terra
É apenas o fruto
Daquele que antes erra.

Com este caso singelo,
Deixo o meu conselho amigo:
Amem-se uns aos outros
E assim não correm perigo.

Amanhã jubilosos
Entrarão no Além
Com os corações ditosos
Pela prática do bem !


O vosso amigo de sempre,
Poeta alegre

Psicografia recebida por J. C., em 19 de Julho de 2010, em Óbidos, Portugal

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Prece...

Senhor da Vida,

Quando a minha alma estiver em ferida, que eu possa lembrar-me de Ti.

Quando a dor penetrar no meu lar, que eu jamais me esqueça de orar.

Quando o sofrimento, seja ele qual for, me desafiar a existência, que eu possa, Senhor, escorar-me na paciência.

Divino Amigo, que eu possa ser o candeeiro que alumia, o cobertor que agasalha, a palavra que consola, a comida que sacia, a água que dessedenta.
Mas, acima de tudo, Mestre amado, que jamais eu olhe para o lado ou me sinta alquebrado por qualquer aflição ou situação, e, mesmo sofrendo, chorando ou morrendo, eu possa sentir dentro de mim, a certeza do porvir, a certeza do meu sentir, entrando no mais Além com a alma em paz, com o coração leve e sem mágoa por ninguém!
Obrigado Senhor, pela lucidez deste momento, que me faz ter alento, obrigado pelo discernimento sobre a vida, para que nela não perca a minha “corrida”.
Que eu possa, querido amigo, manter a alegria de servir, mesmo com o coração ferido, na certeza de que amanhã, no porvir, eu poderei dizer e sentir que valeu a pena viver, sofrer, sorrir, partilhar, lutar, para atingir a paz, a harmonia que são agora o meu lugar!

Obrigado Senhor!


Amélia Rodrigues

Psicografia recebida por JC, no ENL, em 9 de Agosto de 2010, em Óbidos, Portugal.

3

O Espiritismo e as touradas...

Agosto, geralmente é sinónimo de férias, animação, emigrantes, turistas, sol, alegria, cultura, eventos musicais entre outras actividades. Na nossa cidade, Caldas da Rainha, Portugal, tal como em outras cidades, as touradas são também uma tradição. Mas o que é que o Espiritismo tem a ver com isto?

Ao longo dos milénios vamos assistindo ao evoluir da humanidade, ao refinar dos seus gostos, das sua tradições, dos seus hábitos. A tal ponto que, as guerras, outrora cruéis, tornaram-se hoje mais sofisticadas, já não sendo o soldado que espeta a baioneta no inimigo, mas o simples "click" num botão, que permite matar com mais "humanidade", de uma maneira aparentemente "menos" cruel.
No que concerne às tradições, umas vão desaparecendo e outras vão ficando, até que um dia desapareçam por sua vez e dêem lugar a outras, novas, que aparecerão. Faz parte da dinâmica das sociedades, da evolução grupal e individual.
Com a Doutrina Espírita (ou Espiritismo), que não é mais uma seita nem mais uma religião, aprendemos que o princípio espiritual, criado por Deus, evolui ao longo dos milénios, no reino vegetal, transitando para o reino animal, culminado este "estágio" milenar no reino hominal, onde aí, o princípio espiritual torna-se um Espírito, adquire a sua personalidade, e começa então as suas primeiras vidas em planetas primitivos, evoluindo por sua vez, ao longo dos milénios, intelectual e espiritualmente, até que um dia atinja a angelitude (ver "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec).
Neste sentido, o Espiritismo vê os animais como nossos irmãos menores, seres vivos, seres orgânicos, apenas noutro estado evolutivo, no reino animal, digamos que num degrau abaixo do nosso actual estado evolutivo. Os animais merecem-nos o maior respeito, acompanhamento, auxílio, e devemos contribuir para o seu bem-estar, para que a sua evolução se faça também o melhor possível, sem sofrimento, tal como faríamos a um ser humano.
Invocar em defesa das touradas, (espectáculo público que apresenta reminiscências dos circos romanos, e que trazemos essas lembranças nas nossa memórias, de outras vidas) que são uma tradição, seria o mesmo que adoptarmos em pleno século XXI, a tradição do duelo, costas com costas, 10 passos em frente, e quem disparar primeiro e acertar no outro, safa-se, e o outro morre. Era tradição, servia para lavar a honra perante uma ofensa, homem que fosse homem, perante a mínima ofensa teria de pedir um duelo, mostrando assim a sua masculinidade. Hoje, esse procedimento afigurar-se-ia um disparate rematado, caso fosse invocada a sua reedição por motivos culturais, por ter sido uma tradição da nossa história, entre outros pontos a favor.

O Espiritismo considera os animais nossos irmãos,
num reino evolutivo inferior, competindo-nos apoiá-los e amá-los
 
Na nossa condição de espíritas, não é paradigma criar conflitos, acusar o próximo, pois certamente existem muitos argumentos a favor e outros contra, e todos eles certamente serão válidos para quem os defende. No entanto, embora sejamos apologistas da compreensão mútua, da tolerância, do amor ao próximo, do entendimento, de sermos pontes de entendimento ao invés de sermos vales de discórdia, é nosso dever como espíritas, intervir tranquilamente, opinar sem ferir, sem magoar, sem agredir.
Jesus aconselhava que não puséssemos a luz sob o alqueire, e como tal, seria no mínimo desonesto que nos abstivéssemos de opinar por questões de "marketing".
A Terra é a nossa casa temporária, nesta vida, como já foi em muitas outras e continuará a ser ainda por muito tempo em vidas futuras, e, os seres vegetais e animais, merecem todo o nosso respeito, admiração, carinho e Amor, como nossos irmãos em reinos inferiores da evolução, não nos sendo lícito utilizá-los para pretensas festividades, onde o sofrimento dos animais é motivo de alegria daqueles que supostamente deveriam ser mais evoluídos: os humanos.

1

Ser pessoa... nos dias de hoje !

Numa altura em que a palavra "crise" entra nas nossas casas, rapidamente a associamos ao movimento das Bolsas de Valores, economia, finanças.
Vivemos num mundo essencialmente materialista, onde o homem, mortal (fisicamente), vive como se fosse imortal, enganando, roubando, matando, entre outras atitudes menos nobres, sem cogitar do seu futuro espiritual.
Perdido o Norte de Deus ("inteligência suprema, causa primária de todas as coisas ", in "O Livro dos Espíritos", Allan Kardec), o homem agita-se, agonizante, em busca da felicidade que não tem, busca-a freneticamente no prazer físico passageiro, frustra-se, suicida-se, mata, rouba.
Os valores, outrora referências ético-morais, são agora desprezados, esquecidos.
Ser moderno é, trilhar o caminho da má-educação em nome da frontalidade, ter sem se preocupar como e porquê, atingir os objectivos sem olhar a meios.
O sucesso mede-se pelas contas bancárias, pelos actos de violência física e psíquica, pela libertinagem a todo o nível, confundida com liberdade.
Por isso, o homem estertora, agoniza, vive sem Viver, arrasta-se no mundo sem perspectivas de vida, atolado que está no pântano do egocentrismo.
No capítulo V do livro "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Allan Kardec, encontramos referência a um tema muito actual: causas das aflições.

O Homem, na sua miopia espiritual, continua a insistir
na estratégia do egoísmo, do orgulho, do ódio
 
Identificadas as causas, a Doutrina Espírita (ou Espiritismo) propõe alternativas, lógicas, lúcidas, em que a fé é raciocinada, e não mais imposta pelo fanatismo dogmático.
As propostas são antigas, foram apresentadas à humanidade por Jesus de Nazaré, no entanto, o Homem, na sua miopia espiritual, continua a insistir na estratégia do egoísmo, do orgulho, do ódio.
Somente re-orientando vidas, re-orientando alicerces, objectivos ético-morais em sintonia com os objectivos materiais, poderemos colocar em prática o roteiro que, será a antecâmara da nossa felicidade: fazer ao próximo o que desejaríamos que ele nos fizesse, e não fazer ao próximo aquilo que não gostaríamos que nos fizessem.
Parece igreijeiro, lamecha, fora da realidade, mas, somente aplicando estas indicações de Jesus aos modernos modelos sociais, económico-financeiros, políticos, conseguiremos vislumbrar um futuro mais feliz para todos, mais risonho, mais justo e mais fraterno.
Esse futuro, dizem os bons Espíritos, repetidamente, através de inúmeros médiuns pelo mundo fora, está para muito breve, após grandes alterações geológicas e sociais que catapultarão a humanidade para uma nova realidade existencial, mudança esta em curso com a reencarnação de novos seres, devotados à paz, que vêm à Terra, dar novo vigor, um empurrão em todas as áreas do conhecimento, em direcção ao desiderato traçado por Jesus de Nazaré há cerca de dois mil anos.
Estaremos a entrar então numa época em que o planeta Terra se transformará em Planeta de regeneração, onde o bem se sobreporá ao mal, transformação essa derivada da aplicação da máxima colocada no túmulo de Allan Kardec, "Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a lei".

Bibliografia: "O que é o Espiritismo?"; "O Livro dos Espíritos", "O Evangelho Segundo o Espiritismo", "A Génese", "O Céu e o Inferno", "O Livro dos Médiuns", todos de Allan Kardec.

7

Espíritas tristes...?


O telefone tocou, o número era desconhecido. Lá o atendi no meio de meia dúzia de papeis, dizendo aquilo que não sentia, que não incomodava, quando de facto estava assoberbado de trabalho. Nutria a esperança de um telefonema rápido. Era um senhor de Lisboa, católico praticante. Tinha entrado na página da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), na Internet, e vira lá o meu nº de telefone. Já lera muita coisa sobre reencarnação. Esse conceito falava-lhe alto no íntimo, embora o catolicismo o negue. Seguiu a sua consciência, precisava saber mais. Assim de momento, tinha em mente o nome de dois centros espíritas de Lisboa, remetendo-o para a página da ADEP na Internet, onde existem outros endereços. Ao referir o nome de um deles, o meu interlocutor atalhou: «Sabe? Vou confessar-lhe uma coisa, mas não leve a mal! Um dia passei em frente a esse centro espírita que me falou, e estive tentado a entrar mas, ao chegar à porta, vi as pessoas que lá estavam, com uma cara tão triste que pensei: isto não é para mim, eu quero é alegria.» O senhor poderia indicar-me um centro que fosse mais alegre?
Confesso que engoli em seco...
Uns tempos antes, estávamos numa conferência pública, no centro onde colaboramos, nas Caldas da Rainha, no Centro de Cultura Espírita. O palestrante, Mário Correia, professor de profissão, fez brilhante conferência espírita que nos deleitou a todos, mesmo àqueles que já conhecemos a Doutrina Espírita (ou Espiritismo), utilizando não só os seus vastos conhecimentos, como um requintado espírito de humor que deixou boa disposição e alegria no ar. No fim da palestra, no meio de uma troca de impressões que geralmente acontece entre os presentes, dentro de um ambiente alegre e sadio, um senhor, nosso desconhecido, aproximou-se do palestrante dizendo: «Sabe, eu também sou palestrante espírita, num centro espírita em Lisboa. Estou aqui de férias, pois como é Verão costumo vir até aqui, e quis conhecer o vosso centro, mas vou desiludido». Mário Correia, na sua simplicidade, lá o ouviu, procurando assim melhorar o seu desempenho no futuro. E o nosso visitante, espírita, palestrante e dirigente de um centro espírita da capital, lá continuou: «Sabe, nós dirigentes e palestrantes, devemos falar e orar de modo a levar as pessoas às lágrimas, comovê-las até elas chorarem, e aqui não vi nada disso. Onde já se viu contar histórias numa palestra e pôr as pessoas a rir? Isto é um local sério. Nunca mais cá volto, confesso a minha desilusão.»
E nunca mais voltou...

O Centro Espírita, não precisa de toalhas brancas rendadas nas mesas,
a imitar os altares das igrejas, não precisa de fotografias na paredes,
de espíritas de referência, a imitar os santos das igrejas.

Léon Denis, o célebre filósofo espírita francês, referiu com muita propriedade que, uma coisa é o Espiritismo, na sua grandiosidade como ciência, filosofia e moral, e outra coisa são os movimentos espíritas, aquilo que os homens fazem do espiritismo.
Fiquei a meditar: e se eu me interessasse pelo espiritismo e entrasse no centro triste ou no centro onde saísse lavado em lágrimas de tanta emoção? Certamente, se fosse mais desatento, não voltaria a interessar-me pelo assunto.
Urge pois, conforme lembrava e muito bem Herculano Pires, despir a prática espírita dos atavismos que trazemos do passado, quer de vidas anteriores onde militámos em religiões tradicionais, quer desta vida onde vivenciámos práticas com rituais nessas mesmas religiões. O Centro Espírita, não precisa de toalhas brancas rendadas nas mesas, a imitar os altares das igrejas, não precisa de fotografias na paredes de espíritas de referência, a imitar os santos das igrejas.
O Centro Espírita, é um local onde a simplicidade contagiante da sua mensagem deve extravasar para o local, simples, acolhedor, onde a mensagem de optimismo, alegria, esclarecimento e consolo, não se coaduna com uma postura de reverência ao sofrimento. Não existem espiritismo triste, embora alguns espíritas o possam ser, por ainda não terem conseguido assimilar a alegria, dinamismo, optimismo e força que é característica da Doutrina Espírita.

15

Reencarnação: o caso do piloto James Houston

A reencarnação, outrora uma crença de cerca de 2/3 da população mundial é hoje uma evidência científica insofismável, sustentada pela enorme pesquisa efectuada a nível mundial, principalmente nos últimos 60 anos. Hoje, vamos abordar um caso investigado nos EUA, onde, uma criança lembra-se de uma vida passada, onde teria sido um piloto de guerra americano, abatido pelos japoneses.

Estado do Lousiana, EUA. a família Leininger acredita que o seu filho, James, hoje com 11 anos, é a reencarnação de um piloto de avião de combate que participou da II guerra mundial.
Desde os 2 anos de idade que James começou a vivenciar lembranças que seriam do tenente James McCready Houston, que aos 21 anos, em 1945, foi abatido na batalha de Iwo Jima. Aos 2,5 anos, ele e a mãe foram comprar um brinquedo. Um avião, claro. A mãe, Andrea, pegou um modelo e disse-lhe que na parte inferior havia uma bomba.  Para surpresa da mãe, o menino afirmou que não era uma bomba, mas um pequeno tanque de combustível. A família nunca teve militares entre os seus e, até então, nenhuma ligação com aviões. O pequeno James, que sempre teve um interesse extraordinário por aviões, começou a ter estas recordações depois de visitar o Museu de Aviões Kavanaugh, em Dallas, no Texas. Alguns meses depois da visita, James começou a ter pesadelos com a queda de um avião e fogo. E gritava que o piloto não conseguia deixar a aeronave. James continuava a dar indicações sobre uma vida anterior. Quando a mãe serviu bolo de carne, que ele nunca tinha visto ou comido, disse que não comia aquele prato desde Natoma. O menino ainda disse que chamava-se James Houston e citou o nome de um colega da tropa. 
O pai do miúdo, Bruce, começou a pesquisar e descobriu o nome de um navio chamado Natoma Bay, que lutou  na batalha de Iwo Jima. Um de seus tripulantes era James Houston. Bruce também descobriu que o avião de Houston fora abatido pelos japoneses em 3 de Março de 1945. Tais informações foram confirmadas por outro piloto, que voava ao lado do falecido James Houston Jr. durante uma incursão perto de Iwo Jima, em 3 de Março de 1945.
Os Leiningers encontraram uma parente e conhecidos de James McCready Houston. 

No dia em que a humanidade tiver consciência 
da realidade da reencarnação, operar-se-á na Terra
 uma revolução, superior à revolução industrial. 

Esta história, recheada de ricos detalhes, encontra-se relatada no livro “Soul Survivor: The Reincarnation of a World War II Fighter Pilot", algo como "A alma sobrevivente: A reencarnação de um piloto de combate da II Guerra Mundial", que foi traduzida para o português, no Brasil, com o título "A Volta", da editora Best Seller. 
Este caso foi amplamente debatido na TV ABC nos EUA. 
Este e milhares de outros casos, estudados nestes últimos 60 anos, vêm ao encontro da crença na reencarnação da grande maioria da população do planeta Terra, crença esta baseada em factos, de tal ordem  insofismáveis, que levaram o notável cientista, recentemente falecido, o médico psiquiatra americano, Ian Stevenson afirmar numa entrevista à Notícias Magazine, em Portugal: "Hoje em dia, qualquer pessoa pode acreditar na reencarnação, com base em provas". 
No dia em que a humanidade tiver consciência da realidade da reencarnação operar-se-á na Terra uma revolução superior à revolução industrial, vaticinou o eminente cientista, vindo assim ao encontro dos postulados da Doutrina Espírita (ou Espiritismo). 
Nessa altura deixará de fazer sentido o racismo, a xenofobia, a diferença de classes ou de género, já que o ser humano entenderá que o Espírito nasce no corpo, no país, na condição social, na polaridade sexual que lhe é mais útil para a sua evolução espiritual.
"Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a lei".

3

Até já... "Toni" Feio

Acabo de receber a notícia da desencarnação (saída do corpo pelo fenómeno natural da morte física), do actor António Feio, o famoso “Toni”, da célebre “Conversa da Treta” que tanto nos fez rir e reflectir. Um cancro no pâncreas ditou a morte física, e o actor voltou assim, à pátria espiritual, aos 55 anos de idade, no dia 29 de Julho de 2010.

Era impossível ficar indiferente ao personagem “Toni”, que conjuntamente com José Pedro Gomes (Zézé), faziam a dupla maravilhosa em “Conversa da treta”, programa de rádio e de televisão portuguesa, que tanto nos fizeram rir e reflectir, sobre a nossa vida e sobre os hábitos dos portugueses.
António Feio (Toni), foi um actor conhecido e activo nos meandros do teatro, e dizia com boa disposição, que “só queria matar o bicho a rir”, referindo-se ao seu cancro no pâncreas. Um homem notável, que deixou obra feita, que jamais esquecerei, no que respeita a como lidar com a vida, e com os problemas que ela encerra.
Na rádio, após a notícia da sua desencarnação (saída do corpo pelo fenómeno natural da morte física), alguns colegas e amigos, manifestavam-se “chocados”, falava-se em “enorme perda”, “morte injusta”, entre outras expressões manifestamente carregadas de carinho e ternura pelo “Toni” Feio.
Não pude deixar de sentir enorme bem-estar, de enviar um pensamento de carinho e ternura em direcção ao actor, agora no mundo espiritual, agradecendo-lhe as inúmeras gargalhadas, os programas (que gravei meticulosamente, para que não perdesse um único), a sua postura perante a vida, a sua simplicidade e humildade. Dei por mim, feliz, a enviar-lhe os parabéns, pelo facto de ele ter cumprido os objectivos desta sua reencarnação, ter terminado o seu trabalho nesta existência terrena. Dei por mim, a sentir enorme ternura por aquele homem, que só conheci dos écrãns, e agradeci a Deus a oportunidade que tive de conhecer o “Toni”, e de tantas vezes ter descomprimido do “stress” da vida com as suas piadas. Pedi a Deus, que os bons Espíritos o possam auxiliar nesta “passagem para a outra margem” da vida, na certeza de que em breve estará a contribuir para o bem-estar e alegria dos familiares, amigos, conhecidos e desconhecidos, que encontrará no mundo espiritual, neste novo interregno, até que volte, de novo, à Terra para nova existência corporal.

“Nascer, morrer, renascer ainda,
progredir sem cessar, tal é a Lei”

Envolto naquela sensação de profundo bem-estar e carinho, que fluíam de mim cada vez que relembrava o “Toni”, seria ingratidão minha não agradecer a Deus, a oportunidade que tive em conhecer a Filosofia Espírita (ou Espiritismo), que me permite, hoje, vivenciar a “morte” como facto natural da vida, e já não ter uma visão materialista da mesma.
Para os materialistas, a desencarnação afigura-se como perda irremediável, grande injustiça, desgraça irreparável.
Para nós, espíritas, a desencarnação afigura-se como acto normal da vida, mudança natural de “casa”, na certeza imorredoura de que a morte é uma quimera, evidenciada que está, à saciedade, a imortalidade do Espírito.
“Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei”, frase esculpida no túmulo de Allan Kardec, reflecte bem o pensamento da Doutrina Espírita (ciência, filosofia e moral).
Hoje em dia, a imortalidade já não é uma crença, mas sim uma evidência científica, de tal modo aos nossos olhos, que causa espanto como ainda não se tornou alvo da atenção de toda a gente.
“As grandes verdades começam por ser grandes blasfémias”, referia um pensador antigo.
Quanto a ti, “Toni”, que possas continuar, no mundo espiritual a ser o paradigma da alegria, da boa disposição.

Até já...

3

Como voar? (o pardalito)


As contingências da vida fizeram com que tivesse de dormir num hotel. No dia seguinte, de manhã, enquanto tomava o pequeno-almoço, ia apreciando pequeno pardalito, bebé, que saltitava com esforço, no lado de fora do vidro da sala de refeições.
Que se passaria com ele?
Após rápida inspecção visual, deu para perceber que não estava aleijado e, quiçá, teria caído do ninho. Talvez nunca tivesse tido o ensejo de voar, talvez estivesse à espera de algum impulso natural para bater as lindas asitas que possuía, e que se calhar, nem sabia para que serviam.
De salto em salto, ia piando, como que a pedir ajuda.
Fiquei a pensar que, rapidamente morreria de sede e fome, mas depressa alterei o rumo do pensamento: afinal a natureza é sábia e, decerto ele vai sobreviver e perpetuar a espécie, um dia mais tarde.
Envolto neste emaranhado de elucubrações, vejo o pardalito a olhar para o céu, para o horizonte, como que a medir as distâncias que teria de ultrapassar para poder ir mais além.
Dei comigo a fazer uma analogia com os humanos.
Afinal não somos assim tão diferentes do pardalito.
Senão vejamos:
- Tal como ele, estamos na infância espiritual;
- Tal como ele, olhamos o horizonte desconfiados, não acreditando que é possível atingi-lo;
- Tal como ele, demoramo-nos na baixeza dos instintos, deixando os altos voos para mais tarde;
- Tal como ele, só em último caso arriscamo-nos a encetar novos voos em busca de novos rumos existenciais, que nos permitam sobreviver;
- Tal como ele, desconhecemos que as leis de Deus, leis naturais, protegem-nos e fazem tudo para que tenhamos êxito na vida;
- Tal como ele, somos observados de perto por alguém, que deseja o nosso êxito, e não hesita em dar-nos a mão, assim nós precisemos;
Após breves meditações, dei por mim a pensar que, afinal sou mero pardalito da espiritualidade, saltitando de situação em situação na sociedade, no afã de aprender a solidariedade, a fraternidade, e a o amor ao próximo, como únicos caminhos seguros para a minha felicidade.
Tal como ele, o pardalito, também eu, um dia terei a coragem de voar sem saber bem para onde, na certeza de que a Vida nunca me abandona.
Tenho uma vantagem: o pardalito não sabe que a vida continua, e que todo o bem que façamos, reverte sempre em nosso benefício.
Um dia, o pardalito há-de descobrir isso, no decurso dos milénios, recordando a célebre frase depositada no túmulo de Allan Kardec, o insígne estudioso e codificador da Doutrina Espírita: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei”.