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Novos rumos para a humanidade...

O amor é utopia
Aproveita o "agora"
Não te iludas,
Que a vida só piora.

Come, bebe, goza,
Vive o melhor possível.
É o que se leva da vida,
Depois vem a morte terrível.

Assim fala o ateu,
Que vive na ilusão,
De que tudo é matéria,
E depois, só escuridão.

Mas, desde tempos imemoriais,
Os profetas de outrora,
Disseram o contrário:
Existe uma nova aurora.

Cada um deles,
Em diferentes postulados,
Falaram do Além,
Com ânimos redobrados.

Pitonisas, profetas,
Oráculos e os demais,
Cantaram a imortalidade,
Dos médiuns actuais.

Os espíritos confirmaram,
A vida para além da morte,
Dando provas irrefutáveis,
Dessa nova sorte.

Hoje, a Física quântica
Matou o materialismo
Afinal tudo é energia
Como dissera o espiritismo

Novos rumos para a humanidade
Apareceram com Kardec
Estudando a mediunidade
Abrindo-a como um leque

A vida para além da morte
Outrora uma quimera
É vista agora
Como afirmação vera

O amor não é utopia
Como dizem os materialistas
É o combustível do universo
É a mola dos espiritualistas

Amar hoje e amanhã
É trabalho intransferível
Para sair da inércia
Que torna a vida horrível

Não desperdices a existência
Buscando os gozos mundanos
Aproveita-a com espiritualidade
Amando todos os seres humanos.

Poeta alegre
Psicografia recebida no ENL, por JC, Óbidos, Portugal, em 25 de Outubro de 2010

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Suave transição....

Era Fevereiro, 27
Dor súbita apareceu
Fui de urgência
Para hospital plebeu

Tratado como mais um
Nem numeração tinha
Esperei horas a fio
Q' aparecesse uma "alminha"

Lá veio o médico
Com cara de cansado
Olhou para mim
Como quem olha pr'ó lado

Dores fortes, abomináveis,
Faziam-me alagado em suor
"Doutor, tenha dó,
Quero ficar melhor!"

A maca corria, corria,
Vá para onde for,
Entre a dor e a maca
Orava com fervor

Pouco mais me lembro
Após entrar nas urgências
Suave paz adveio
Em que perdia as referências

Dormi, dormi profundamente
Até que na enfermaria acordei
Estava tudo tão diferente
Que de alegria chorei

Estava vivo afinal
Não tinha morrido
Talvez fosse visitado
Por um ente querido

Quando assim pensava
Vi minha mãe entrar
Esfreguei bem os olhos:
"Devo estar a delirar"

Afinal ela está morta
E eu vivo estou
Como a ver assim?
A anestesia me abalou...

"Sejas bem-vindo, filhinho
Ao novo hospital
Estás agora entre amigos
Mas no mundo espiritual"

Fiquei confuso no momento
Com aquela realidade
Se a morte era má,
Porquê tanta felicidade?

O sorriso materno m'acalmou
"Tranquiliza-te filhinho,
Todos terminamos um dia
Na terra, o nosso caminho"

Foi assim a minha partida
Do mundo terreno
A pancreatite atrevida
Foi fatal veneno

Soube depois no Além
Que o bem que fizera
Fora luminoso passaporte
Para a nova esfera

Ter sido correcto, honesto,
Granjeou a simpatia
Dos bons espíritos, amigos
Dos colegas e da minha tia

Não se turve teu coração
Com este novo mundo
Aos poucos reaprenderás
Algo mais profundo

"Dorme agora, querido filho
Refaz tuas energias
Amanhã quando acordares
Verás as tuas tias"

"Oh, mãe querida
Mil vezes obrigado
Por me teres auxiliado
A passar p'ra este lado"

E sozinho, no suave leito,
Entrei em meditação,
Afinal a morte temida,
Fora suave transição !

Poeta alegre
Psicografia recebida no ENL por JC, em 23 de Agosto de 2010, em Óbidos, Portugal, referente ao desenlace do espírito André Dias.

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Que grandes exemplos....


O caso dos 33 mineiros chilenos soterrados que se salvaram, bem como um outro caso de grande honestidade, reportado nos "media", são focos de luz nesta noite sombria por que passa o planeta Terra, a caminho de melhores dias que virão, de acordo com as opiniões dos Espíritos Superiores. 
Há meses, o mundo condoeu-se com a "sorte" dos 33 mineiros chilenos, soterrados. A morte era a mais provável solução para o caso, de tal modo era difícil a situação dos mesmos, e as parcas possibilidades de salvamento.
No entanto, passado pouco tempo, todos eles saíram das profundezas da Terra, como heróis, levando-nos a profundas reflexões.
O Homem, quando colocado perante a dor, o sofrimento, e quando consegue sair do casulo do seu egoísmo, (seja à escala pessoal, grupal, nacional, etc.), conjugando esforços, partilhando saberes, experiências, consegue levar por diante tarefas grandiosas e cheias de êxito, como a do resgate dos felizes mineiros.
Que grande lição deram ao mundo, todos aqueles homens que estiveram integrados no processo de resgate, à escala mundial, dos 33 mineiros chilenos.
Afinal a felicidade é possível, afinal é possível erradicar a fome, a miséria, acabar com as guerras no mundo e construir um mundo melhor, assente nos alicerces da fraternidade, da amizade, do Amor, estratégia esta apresentada há 2 mil anos por Jesus de Nazaré, e estupidamente ignorada pela humanidade, que persiste no egoísmo, no ódio, no orgulho, resumindo, no sofrimento que todos esses vícios morais acarretam (leia-se "O Livro dos Espíritos" de Allan Kardec).
Há dias (em Outubro de 2010, Portugal), folheando o jornal diário enquanto saboreava um café, deparei-me com rara notícia: um emigrante português a trabalhar na Suíça, perdera a carteira na estação ferroviária de Campanhã, no Porto, Portugal, carteira esta que continha 5.900 francos suíços. Alguém a encontrou e devolveu-a, entregando-a na bilheteira. Depois de entregue ao seu dono, este tentou, sem êxito, descobrir a alma nobre que anonimamente tivera tal acto de honestidade. Tentou dar uma gorjeta ao empregado da bilheteira, como forma de agradecimento, mas este negou.
Fiquei a pensar com os meus botões, como é bela a vida quando vista pelo prisma da honestidade, da correcção e de como ela nos abre novos horizontes existenciais.

Afinal a felicidade é possível, afinal é possível erradicar a fome,
a miséria, acabar com as guerras no mundo e construir um mundo melhor

A Doutrina Espírita alerta a humanidade para a necessidade do auto-burilamento, da reforma íntima, do exemplo, ao invés de exigirmos aos demais os actos que no quotidiano não fazem parte do nosso dia-a-dia: honestidade, correcção, dignidade.
Nesse dia, senti orgulho de ser português, orgulho daqueles exemplos vivos e anónimos de honestidade.
No caso dos 33 mineiros, senti orgulho de pertencer, nesta existência carnal, à humanidade passageira do planeta Terra.
Folheando "O Livro dos Espíritos" bem como "O Evangelho Segundo o Espiritismo" (ambos de Allan Kardec), encontramos as directrizes seguras para uma existência mais feliz, mais justa, mais coerente, com normas bem delineadas, para que se consiga de uma vez por todas, ultrapassar a grande chaga que envolve a humanidade: o egoísmo.
Que grandes exemplos de espiritualidade, de humanidade, de rectidão de carácter podemos encontrar nestes 2 casos, um deles mediático e o outro sem grande realce.
Serão religiosos os intervenientes nestes 2 casos? Serão seguidores de alguma religião ou doutrina espiritualista?
Não sabemos, mas também, que importa, perante a grandeza de tais exemplos?
"A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória", esclareceu-nos Jesus de Nazaré, explicando-nos assim, em termos simples, que, amanhã, quer no mundo espiritual quer no mundo carnal, cada um colherá o que houver semeado no seu coração.
Cumpre-nos introspeccionar e meditar sobre o que temos feito pela paz íntima, pela paz social, pela paz na família, pela paz no país e pela paz no mundo.
Afinal, começa e acaba tudo no nosso íntimo, seja a semeadura seja a colheita, sobre a forma de aflições ou bem-estar, conforme as nossas atitudes, pensamentos, sentimentos.

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Rogativa do Amor...

- Oh, Senhor, tanto quero trabalhar, mas ninguém me quer empregar! Busco abrir corações, atenuar tensões, evitar guerras entre nações, mas, poucos são os que ouvem as minhas opiniões. Valerá a pena, Senhor, investir mais no Amor?

Não será perda de tempo, porfiar junto da humanidade que insiste na maldade?

- Oh, Amor, não te deixes levar pela ilusão que te abala o coração. Se te mandei para a Terra, para o imo do humano coração, é porque um dia, ele germinará na população! 

- Mas, te rogo, Senhor pela humanidade que parece ter perdido a sanidade. Vivo escondido no seu interior, tento “explodir” com fervor, mas em vão! A matéria, a razão superam sempre o coração!

- Tens falta de fé, Amor! Porfia no teu labor, pois a cada momento, levedarás como o fermento, e aparecerás a seu tempo, iluminando o coração que agora teima em viver na cegueira espiritual, na ilusão, na escuridão.

Tua rogativa, Amor, não ficará sem resposta, e para que não desfaleças, a partir de hoje enviarei para a Terra a irmã solidão, o irmão desilusão, o primo tentação, o tio ambição. Quando o homem, sem Norte, parecer inerte no lodaçal da frustração, então aí entrarás tu, o Amor, acompanharás o solitário, acalentarás o desiludido, frearás o tentado, acalmarás o ambicioso, orientarás o perdido.

Nessa altura, farás parte da Terra, de tal modo que jamais rogarás apoio ao teu Senhor, nem gemerás de dor, mas, feliz por estares disseminado na sociedade, enfim, deixarás de ser novidade!

Aí, Amor, eu e tu, estaremos para sempre, juntos da Humanidade.


Amélia Rodrigues

Psicografia recebida por J. C., no ENL, em 16 de Agosto de 2010, em Óbidos, Portugal

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Hidrocefalia...

Dia feliz, naquele lar
Ouviam-se os vagidos
De Joana que nascera
Pr’alegria dos entes queridos

O Amor dos pais
As lágrimas de alegria
Faziam-na querida
Naquele maravilhoso dia

Estava para chegar
O golpe fatal
A menina sofria
De doença cerebral

Joana, a bebé querida
Tinha hidrocefalia
A cabeça era grande
Crescia, crescia

Tamanho desalento
Alcançou os seus pais
Que viveram doravante
Em aflitivos “ais”

“Que fizera a menina
Para sofrer tal sorte? 
Maldito seja Deus
Antes preferia a sua morte”

“Oh homem, não blasfemes
dizia a esposa dedicada. 
Deus sabe o que faz
Na nossa jornada.”

Foram ao Centro Espírita
Pedir auxílio divino
E a resposta veio
Pelo médium Paulino

Joana, a bebé,
Outrora orgulhosa,
Não aceitara que o marido
A trocasse pela Rosa

Em dia cinzento
Esperara o trem
Ao entrar na curva
Atirou-se com desdém

Esfacelada na cabeça
Espavorida verificou
Que largara o corpo físico
Mas a morte falhou...

Sofrendo no Além
Tamanha desdita
Pedira para voltar
Pr’o colo da Rita

Os pais de agora
Resgatam o passado
São cúmplices d’outrora
No acto desgraçado

Como ela não se perdoou
Voltou em perturbação
Colhendo no corpo
A falta do auto-perdão

As marcas do trem
No ser espiritual
Aparecem agora
No corpo carnal

Ela viverá pouco
Nesta reencarnação
Queimando o fluído
Da outra vida, então.

Os pais aprenderão
O Amor espiritual
Resgatando com a filha
O Amor carnal

Mais tarde, no Além
Os três recuperados
Abraçaram-se chorando
Pelos erros do passado

Em prece jubilosa
Agradeceram a Jesus
O ensejo da luta
A vitória da sua cruz

Compreenderam então
Que o sofrimento na Terra
É apenas o fruto
Daquele que antes erra.

Com este caso singelo,
Deixo o meu conselho amigo:
Amem-se uns aos outros
E assim não correm perigo.

Amanhã jubilosos
Entrarão no Além
Com os corações ditosos
Pela prática do bem !


O vosso amigo de sempre,
Poeta alegre

Psicografia recebida por J. C., em 19 de Julho de 2010, em Óbidos, Portugal

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Prece...

Senhor da Vida,

Quando a minha alma estiver em ferida, que eu possa lembrar-me de Ti.

Quando a dor penetrar no meu lar, que eu jamais me esqueça de orar.

Quando o sofrimento, seja ele qual for, me desafiar a existência, que eu possa, Senhor, escorar-me na paciência.

Divino Amigo, que eu possa ser o candeeiro que alumia, o cobertor que agasalha, a palavra que consola, a comida que sacia, a água que dessedenta.
Mas, acima de tudo, Mestre amado, que jamais eu olhe para o lado ou me sinta alquebrado por qualquer aflição ou situação, e, mesmo sofrendo, chorando ou morrendo, eu possa sentir dentro de mim, a certeza do porvir, a certeza do meu sentir, entrando no mais Além com a alma em paz, com o coração leve e sem mágoa por ninguém!
Obrigado Senhor, pela lucidez deste momento, que me faz ter alento, obrigado pelo discernimento sobre a vida, para que nela não perca a minha “corrida”.
Que eu possa, querido amigo, manter a alegria de servir, mesmo com o coração ferido, na certeza de que amanhã, no porvir, eu poderei dizer e sentir que valeu a pena viver, sofrer, sorrir, partilhar, lutar, para atingir a paz, a harmonia que são agora o meu lugar!

Obrigado Senhor!


Amélia Rodrigues

Psicografia recebida por JC, no ENL, em 9 de Agosto de 2010, em Óbidos, Portugal.

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O Espiritismo e as touradas...

Agosto, geralmente é sinónimo de férias, animação, emigrantes, turistas, sol, alegria, cultura, eventos musicais entre outras actividades. Na nossa cidade, Caldas da Rainha, Portugal, tal como em outras cidades, as touradas são também uma tradição. Mas o que é que o Espiritismo tem a ver com isto?

Ao longo dos milénios vamos assistindo ao evoluir da humanidade, ao refinar dos seus gostos, das sua tradições, dos seus hábitos. A tal ponto que, as guerras, outrora cruéis, tornaram-se hoje mais sofisticadas, já não sendo o soldado que espeta a baioneta no inimigo, mas o simples "click" num botão, que permite matar com mais "humanidade", de uma maneira aparentemente "menos" cruel.
No que concerne às tradições, umas vão desaparecendo e outras vão ficando, até que um dia desapareçam por sua vez e dêem lugar a outras, novas, que aparecerão. Faz parte da dinâmica das sociedades, da evolução grupal e individual.
Com a Doutrina Espírita (ou Espiritismo), que não é mais uma seita nem mais uma religião, aprendemos que o princípio espiritual, criado por Deus, evolui ao longo dos milénios, no reino vegetal, transitando para o reino animal, culminado este "estágio" milenar no reino hominal, onde aí, o princípio espiritual torna-se um Espírito, adquire a sua personalidade, e começa então as suas primeiras vidas em planetas primitivos, evoluindo por sua vez, ao longo dos milénios, intelectual e espiritualmente, até que um dia atinja a angelitude (ver "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec).
Neste sentido, o Espiritismo vê os animais como nossos irmãos menores, seres vivos, seres orgânicos, apenas noutro estado evolutivo, no reino animal, digamos que num degrau abaixo do nosso actual estado evolutivo. Os animais merecem-nos o maior respeito, acompanhamento, auxílio, e devemos contribuir para o seu bem-estar, para que a sua evolução se faça também o melhor possível, sem sofrimento, tal como faríamos a um ser humano.
Invocar em defesa das touradas, (espectáculo público que apresenta reminiscências dos circos romanos, e que trazemos essas lembranças nas nossa memórias, de outras vidas) que são uma tradição, seria o mesmo que adoptarmos em pleno século XXI, a tradição do duelo, costas com costas, 10 passos em frente, e quem disparar primeiro e acertar no outro, safa-se, e o outro morre. Era tradição, servia para lavar a honra perante uma ofensa, homem que fosse homem, perante a mínima ofensa teria de pedir um duelo, mostrando assim a sua masculinidade. Hoje, esse procedimento afigurar-se-ia um disparate rematado, caso fosse invocada a sua reedição por motivos culturais, por ter sido uma tradição da nossa história, entre outros pontos a favor.

O Espiritismo considera os animais nossos irmãos,
num reino evolutivo inferior, competindo-nos apoiá-los e amá-los
 
Na nossa condição de espíritas, não é paradigma criar conflitos, acusar o próximo, pois certamente existem muitos argumentos a favor e outros contra, e todos eles certamente serão válidos para quem os defende. No entanto, embora sejamos apologistas da compreensão mútua, da tolerância, do amor ao próximo, do entendimento, de sermos pontes de entendimento ao invés de sermos vales de discórdia, é nosso dever como espíritas, intervir tranquilamente, opinar sem ferir, sem magoar, sem agredir.
Jesus aconselhava que não puséssemos a luz sob o alqueire, e como tal, seria no mínimo desonesto que nos abstivéssemos de opinar por questões de "marketing".
A Terra é a nossa casa temporária, nesta vida, como já foi em muitas outras e continuará a ser ainda por muito tempo em vidas futuras, e, os seres vegetais e animais, merecem todo o nosso respeito, admiração, carinho e Amor, como nossos irmãos em reinos inferiores da evolução, não nos sendo lícito utilizá-los para pretensas festividades, onde o sofrimento dos animais é motivo de alegria daqueles que supostamente deveriam ser mais evoluídos: os humanos.

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Ser pessoa... nos dias de hoje !

Numa altura em que a palavra "crise" entra nas nossas casas, rapidamente a associamos ao movimento das Bolsas de Valores, economia, finanças.
Vivemos num mundo essencialmente materialista, onde o homem, mortal (fisicamente), vive como se fosse imortal, enganando, roubando, matando, entre outras atitudes menos nobres, sem cogitar do seu futuro espiritual.
Perdido o Norte de Deus ("inteligência suprema, causa primária de todas as coisas ", in "O Livro dos Espíritos", Allan Kardec), o homem agita-se, agonizante, em busca da felicidade que não tem, busca-a freneticamente no prazer físico passageiro, frustra-se, suicida-se, mata, rouba.
Os valores, outrora referências ético-morais, são agora desprezados, esquecidos.
Ser moderno é, trilhar o caminho da má-educação em nome da frontalidade, ter sem se preocupar como e porquê, atingir os objectivos sem olhar a meios.
O sucesso mede-se pelas contas bancárias, pelos actos de violência física e psíquica, pela libertinagem a todo o nível, confundida com liberdade.
Por isso, o homem estertora, agoniza, vive sem Viver, arrasta-se no mundo sem perspectivas de vida, atolado que está no pântano do egocentrismo.
No capítulo V do livro "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Allan Kardec, encontramos referência a um tema muito actual: causas das aflições.

O Homem, na sua miopia espiritual, continua a insistir
na estratégia do egoísmo, do orgulho, do ódio
 
Identificadas as causas, a Doutrina Espírita (ou Espiritismo) propõe alternativas, lógicas, lúcidas, em que a fé é raciocinada, e não mais imposta pelo fanatismo dogmático.
As propostas são antigas, foram apresentadas à humanidade por Jesus de Nazaré, no entanto, o Homem, na sua miopia espiritual, continua a insistir na estratégia do egoísmo, do orgulho, do ódio.
Somente re-orientando vidas, re-orientando alicerces, objectivos ético-morais em sintonia com os objectivos materiais, poderemos colocar em prática o roteiro que, será a antecâmara da nossa felicidade: fazer ao próximo o que desejaríamos que ele nos fizesse, e não fazer ao próximo aquilo que não gostaríamos que nos fizessem.
Parece igreijeiro, lamecha, fora da realidade, mas, somente aplicando estas indicações de Jesus aos modernos modelos sociais, económico-financeiros, políticos, conseguiremos vislumbrar um futuro mais feliz para todos, mais risonho, mais justo e mais fraterno.
Esse futuro, dizem os bons Espíritos, repetidamente, através de inúmeros médiuns pelo mundo fora, está para muito breve, após grandes alterações geológicas e sociais que catapultarão a humanidade para uma nova realidade existencial, mudança esta em curso com a reencarnação de novos seres, devotados à paz, que vêm à Terra, dar novo vigor, um empurrão em todas as áreas do conhecimento, em direcção ao desiderato traçado por Jesus de Nazaré há cerca de dois mil anos.
Estaremos a entrar então numa época em que o planeta Terra se transformará em Planeta de regeneração, onde o bem se sobreporá ao mal, transformação essa derivada da aplicação da máxima colocada no túmulo de Allan Kardec, "Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a lei".

Bibliografia: "O que é o Espiritismo?"; "O Livro dos Espíritos", "O Evangelho Segundo o Espiritismo", "A Génese", "O Céu e o Inferno", "O Livro dos Médiuns", todos de Allan Kardec.

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Espíritas tristes...?


O telefone tocou, o número era desconhecido. Lá o atendi no meio de meia dúzia de papeis, dizendo aquilo que não sentia, que não incomodava, quando de facto estava assoberbado de trabalho. Nutria a esperança de um telefonema rápido. Era um senhor de Lisboa, católico praticante. Tinha entrado na página da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), na Internet, e vira lá o meu nº de telefone. Já lera muita coisa sobre reencarnação. Esse conceito falava-lhe alto no íntimo, embora o catolicismo o negue. Seguiu a sua consciência, precisava saber mais. Assim de momento, tinha em mente o nome de dois centros espíritas de Lisboa, remetendo-o para a página da ADEP na Internet, onde existem outros endereços. Ao referir o nome de um deles, o meu interlocutor atalhou: «Sabe? Vou confessar-lhe uma coisa, mas não leve a mal! Um dia passei em frente a esse centro espírita que me falou, e estive tentado a entrar mas, ao chegar à porta, vi as pessoas que lá estavam, com uma cara tão triste que pensei: isto não é para mim, eu quero é alegria.» O senhor poderia indicar-me um centro que fosse mais alegre?
Confesso que engoli em seco...
Uns tempos antes, estávamos numa conferência pública, no centro onde colaboramos, nas Caldas da Rainha, no Centro de Cultura Espírita. O palestrante, Mário Correia, professor de profissão, fez brilhante conferência espírita que nos deleitou a todos, mesmo àqueles que já conhecemos a Doutrina Espírita (ou Espiritismo), utilizando não só os seus vastos conhecimentos, como um requintado espírito de humor que deixou boa disposição e alegria no ar. No fim da palestra, no meio de uma troca de impressões que geralmente acontece entre os presentes, dentro de um ambiente alegre e sadio, um senhor, nosso desconhecido, aproximou-se do palestrante dizendo: «Sabe, eu também sou palestrante espírita, num centro espírita em Lisboa. Estou aqui de férias, pois como é Verão costumo vir até aqui, e quis conhecer o vosso centro, mas vou desiludido». Mário Correia, na sua simplicidade, lá o ouviu, procurando assim melhorar o seu desempenho no futuro. E o nosso visitante, espírita, palestrante e dirigente de um centro espírita da capital, lá continuou: «Sabe, nós dirigentes e palestrantes, devemos falar e orar de modo a levar as pessoas às lágrimas, comovê-las até elas chorarem, e aqui não vi nada disso. Onde já se viu contar histórias numa palestra e pôr as pessoas a rir? Isto é um local sério. Nunca mais cá volto, confesso a minha desilusão.»
E nunca mais voltou...

O Centro Espírita, não precisa de toalhas brancas rendadas nas mesas,
a imitar os altares das igrejas, não precisa de fotografias na paredes,
de espíritas de referência, a imitar os santos das igrejas.

Léon Denis, o célebre filósofo espírita francês, referiu com muita propriedade que, uma coisa é o Espiritismo, na sua grandiosidade como ciência, filosofia e moral, e outra coisa são os movimentos espíritas, aquilo que os homens fazem do espiritismo.
Fiquei a meditar: e se eu me interessasse pelo espiritismo e entrasse no centro triste ou no centro onde saísse lavado em lágrimas de tanta emoção? Certamente, se fosse mais desatento, não voltaria a interessar-me pelo assunto.
Urge pois, conforme lembrava e muito bem Herculano Pires, despir a prática espírita dos atavismos que trazemos do passado, quer de vidas anteriores onde militámos em religiões tradicionais, quer desta vida onde vivenciámos práticas com rituais nessas mesmas religiões. O Centro Espírita, não precisa de toalhas brancas rendadas nas mesas, a imitar os altares das igrejas, não precisa de fotografias na paredes de espíritas de referência, a imitar os santos das igrejas.
O Centro Espírita, é um local onde a simplicidade contagiante da sua mensagem deve extravasar para o local, simples, acolhedor, onde a mensagem de optimismo, alegria, esclarecimento e consolo, não se coaduna com uma postura de reverência ao sofrimento. Não existem espiritismo triste, embora alguns espíritas o possam ser, por ainda não terem conseguido assimilar a alegria, dinamismo, optimismo e força que é característica da Doutrina Espírita.

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Reencarnação: o caso do piloto James Houston

A reencarnação, outrora uma crença de cerca de 2/3 da população mundial é hoje uma evidência científica insofismável, sustentada pela enorme pesquisa efectuada a nível mundial, principalmente nos últimos 60 anos. Hoje, vamos abordar um caso investigado nos EUA, onde, uma criança lembra-se de uma vida passada, onde teria sido um piloto de guerra americano, abatido pelos japoneses.

Estado do Lousiana, EUA. a família Leininger acredita que o seu filho, James, hoje com 11 anos, é a reencarnação de um piloto de avião de combate que participou da II guerra mundial.
Desde os 2 anos de idade que James começou a vivenciar lembranças que seriam do tenente James McCready Houston, que aos 21 anos, em 1945, foi abatido na batalha de Iwo Jima. Aos 2,5 anos, ele e a mãe foram comprar um brinquedo. Um avião, claro. A mãe, Andrea, pegou um modelo e disse-lhe que na parte inferior havia uma bomba.  Para surpresa da mãe, o menino afirmou que não era uma bomba, mas um pequeno tanque de combustível. A família nunca teve militares entre os seus e, até então, nenhuma ligação com aviões. O pequeno James, que sempre teve um interesse extraordinário por aviões, começou a ter estas recordações depois de visitar o Museu de Aviões Kavanaugh, em Dallas, no Texas. Alguns meses depois da visita, James começou a ter pesadelos com a queda de um avião e fogo. E gritava que o piloto não conseguia deixar a aeronave. James continuava a dar indicações sobre uma vida anterior. Quando a mãe serviu bolo de carne, que ele nunca tinha visto ou comido, disse que não comia aquele prato desde Natoma. O menino ainda disse que chamava-se James Houston e citou o nome de um colega da tropa. 
O pai do miúdo, Bruce, começou a pesquisar e descobriu o nome de um navio chamado Natoma Bay, que lutou  na batalha de Iwo Jima. Um de seus tripulantes era James Houston. Bruce também descobriu que o avião de Houston fora abatido pelos japoneses em 3 de Março de 1945. Tais informações foram confirmadas por outro piloto, que voava ao lado do falecido James Houston Jr. durante uma incursão perto de Iwo Jima, em 3 de Março de 1945.
Os Leiningers encontraram uma parente e conhecidos de James McCready Houston. 

No dia em que a humanidade tiver consciência 
da realidade da reencarnação, operar-se-á na Terra
 uma revolução, superior à revolução industrial. 

Esta história, recheada de ricos detalhes, encontra-se relatada no livro “Soul Survivor: The Reincarnation of a World War II Fighter Pilot", algo como "A alma sobrevivente: A reencarnação de um piloto de combate da II Guerra Mundial", que foi traduzida para o português, no Brasil, com o título "A Volta", da editora Best Seller. 
Este caso foi amplamente debatido na TV ABC nos EUA. 
Este e milhares de outros casos, estudados nestes últimos 60 anos, vêm ao encontro da crença na reencarnação da grande maioria da população do planeta Terra, crença esta baseada em factos, de tal ordem  insofismáveis, que levaram o notável cientista, recentemente falecido, o médico psiquiatra americano, Ian Stevenson afirmar numa entrevista à Notícias Magazine, em Portugal: "Hoje em dia, qualquer pessoa pode acreditar na reencarnação, com base em provas". 
No dia em que a humanidade tiver consciência da realidade da reencarnação operar-se-á na Terra uma revolução superior à revolução industrial, vaticinou o eminente cientista, vindo assim ao encontro dos postulados da Doutrina Espírita (ou Espiritismo). 
Nessa altura deixará de fazer sentido o racismo, a xenofobia, a diferença de classes ou de género, já que o ser humano entenderá que o Espírito nasce no corpo, no país, na condição social, na polaridade sexual que lhe é mais útil para a sua evolução espiritual.
"Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a lei".

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Até já... "Toni" Feio

Acabo de receber a notícia da desencarnação (saída do corpo pelo fenómeno natural da morte física), do actor António Feio, o famoso “Toni”, da célebre “Conversa da Treta” que tanto nos fez rir e reflectir. Um cancro no pâncreas ditou a morte física, e o actor voltou assim, à pátria espiritual, aos 55 anos de idade, no dia 29 de Julho de 2010.

Era impossível ficar indiferente ao personagem “Toni”, que conjuntamente com José Pedro Gomes (Zézé), faziam a dupla maravilhosa em “Conversa da treta”, programa de rádio e de televisão portuguesa, que tanto nos fizeram rir e reflectir, sobre a nossa vida e sobre os hábitos dos portugueses.
António Feio (Toni), foi um actor conhecido e activo nos meandros do teatro, e dizia com boa disposição, que “só queria matar o bicho a rir”, referindo-se ao seu cancro no pâncreas. Um homem notável, que deixou obra feita, que jamais esquecerei, no que respeita a como lidar com a vida, e com os problemas que ela encerra.
Na rádio, após a notícia da sua desencarnação (saída do corpo pelo fenómeno natural da morte física), alguns colegas e amigos, manifestavam-se “chocados”, falava-se em “enorme perda”, “morte injusta”, entre outras expressões manifestamente carregadas de carinho e ternura pelo “Toni” Feio.
Não pude deixar de sentir enorme bem-estar, de enviar um pensamento de carinho e ternura em direcção ao actor, agora no mundo espiritual, agradecendo-lhe as inúmeras gargalhadas, os programas (que gravei meticulosamente, para que não perdesse um único), a sua postura perante a vida, a sua simplicidade e humildade. Dei por mim, feliz, a enviar-lhe os parabéns, pelo facto de ele ter cumprido os objectivos desta sua reencarnação, ter terminado o seu trabalho nesta existência terrena. Dei por mim, a sentir enorme ternura por aquele homem, que só conheci dos écrãns, e agradeci a Deus a oportunidade que tive de conhecer o “Toni”, e de tantas vezes ter descomprimido do “stress” da vida com as suas piadas. Pedi a Deus, que os bons Espíritos o possam auxiliar nesta “passagem para a outra margem” da vida, na certeza de que em breve estará a contribuir para o bem-estar e alegria dos familiares, amigos, conhecidos e desconhecidos, que encontrará no mundo espiritual, neste novo interregno, até que volte, de novo, à Terra para nova existência corporal.

“Nascer, morrer, renascer ainda,
progredir sem cessar, tal é a Lei”

Envolto naquela sensação de profundo bem-estar e carinho, que fluíam de mim cada vez que relembrava o “Toni”, seria ingratidão minha não agradecer a Deus, a oportunidade que tive em conhecer a Filosofia Espírita (ou Espiritismo), que me permite, hoje, vivenciar a “morte” como facto natural da vida, e já não ter uma visão materialista da mesma.
Para os materialistas, a desencarnação afigura-se como perda irremediável, grande injustiça, desgraça irreparável.
Para nós, espíritas, a desencarnação afigura-se como acto normal da vida, mudança natural de “casa”, na certeza imorredoura de que a morte é uma quimera, evidenciada que está, à saciedade, a imortalidade do Espírito.
“Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei”, frase esculpida no túmulo de Allan Kardec, reflecte bem o pensamento da Doutrina Espírita (ciência, filosofia e moral).
Hoje em dia, a imortalidade já não é uma crença, mas sim uma evidência científica, de tal modo aos nossos olhos, que causa espanto como ainda não se tornou alvo da atenção de toda a gente.
“As grandes verdades começam por ser grandes blasfémias”, referia um pensador antigo.
Quanto a ti, “Toni”, que possas continuar, no mundo espiritual a ser o paradigma da alegria, da boa disposição.

Até já...

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Como voar? (o pardalito)


As contingências da vida fizeram com que tivesse de dormir num hotel. No dia seguinte, de manhã, enquanto tomava o pequeno-almoço, ia apreciando pequeno pardalito, bebé, que saltitava com esforço, no lado de fora do vidro da sala de refeições.
Que se passaria com ele?
Após rápida inspecção visual, deu para perceber que não estava aleijado e, quiçá, teria caído do ninho. Talvez nunca tivesse tido o ensejo de voar, talvez estivesse à espera de algum impulso natural para bater as lindas asitas que possuía, e que se calhar, nem sabia para que serviam.
De salto em salto, ia piando, como que a pedir ajuda.
Fiquei a pensar que, rapidamente morreria de sede e fome, mas depressa alterei o rumo do pensamento: afinal a natureza é sábia e, decerto ele vai sobreviver e perpetuar a espécie, um dia mais tarde.
Envolto neste emaranhado de elucubrações, vejo o pardalito a olhar para o céu, para o horizonte, como que a medir as distâncias que teria de ultrapassar para poder ir mais além.
Dei comigo a fazer uma analogia com os humanos.
Afinal não somos assim tão diferentes do pardalito.
Senão vejamos:
- Tal como ele, estamos na infância espiritual;
- Tal como ele, olhamos o horizonte desconfiados, não acreditando que é possível atingi-lo;
- Tal como ele, demoramo-nos na baixeza dos instintos, deixando os altos voos para mais tarde;
- Tal como ele, só em último caso arriscamo-nos a encetar novos voos em busca de novos rumos existenciais, que nos permitam sobreviver;
- Tal como ele, desconhecemos que as leis de Deus, leis naturais, protegem-nos e fazem tudo para que tenhamos êxito na vida;
- Tal como ele, somos observados de perto por alguém, que deseja o nosso êxito, e não hesita em dar-nos a mão, assim nós precisemos;
Após breves meditações, dei por mim a pensar que, afinal sou mero pardalito da espiritualidade, saltitando de situação em situação na sociedade, no afã de aprender a solidariedade, a fraternidade, e a o amor ao próximo, como únicos caminhos seguros para a minha felicidade.
Tal como ele, o pardalito, também eu, um dia terei a coragem de voar sem saber bem para onde, na certeza de que a Vida nunca me abandona.
Tenho uma vantagem: o pardalito não sabe que a vida continua, e que todo o bem que façamos, reverte sempre em nosso benefício.
Um dia, o pardalito há-de descobrir isso, no decurso dos milénios, recordando a célebre frase depositada no túmulo de Allan Kardec, o insígne estudioso e codificador da Doutrina Espírita: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei”. 

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Divaldo - questões diferentes - 2ª parte

DIVALDO – O HOMEM

ADEP/JDE - Como é o seu dia-a-dia no Brasil?
Divaldo – Quando me encontro na Mansão do Caminho, levanto-me às 07 horas da manhã para o pequeno-almoço, às 08 horas dou início às actividades habituais para atender à nossa comunidade. Mais ou menos às 10 horas, dedico-me à correspondência, tanto por e-mail como convencional. Após o almoço deito-me por aproximadamente 15 minutos, após o que volto ao trabalho, nesse momento com a comunidade. Seis vezes por semana temos reuniões espíritas em nosso Centro: quatro doutrinárias e duas mediúnicas. Quando retorno ao lar, após as reuniões, dedico-me à psicografia, uma média de duas, três horas, até às 03 ou 04 da manhã, a depender do trabalho que está sendo executado pelos Espíritos.

ADEP/JDE – E quando está no estrangeiro, como é o vosso dia-a-dia?
Divaldo – Obedecendo a uma programação antes estabelecida, evito fazer qualquer tipo de visita, de modo a poder atender os compromissos em clima de alegria e de bem-estar. Não realizo turismo em absoluto, e, terminadas as palestras, mesmo estando em hotel, prossigo no labor psicográfico, de acordo com as diretrizes estabelecidas pela benfeitora espiritual Joanna de Ângelis, que sempre convida algum amigo espiritual para escrever.

ADEP/JDE – Olhe, isto é uma pergunta muito primitiva, como é viver sozinho? Não sente a falta de uma esposa, de um filho? Foi um hábito? É uma missão? Foi uma opção?
Divaldo – Naturalmente, à medida que as actividades multiplicaram-se, ao largo dos anos, eu fui sendo absorvido de tal forma que não me dei conta dessas ocorrências, tais como solidão, angústia, ansiedades, faltas ou desconforto... Os fenómenos sociais, as actividades abraçadas foram-me conduzindo de um lugar para o outro e, como tenho muita vida interior, consegui manter o equilíbrio interno, preservando em paz. Naturalmente, se houvesse encontrado uma esposa companheira teria sido, talvez, mais fácil para a própria tarefa, mas por outro lado, Deus mandou-me tantos corações afetuosos voluntários para acompanhar-me em nossa casa, que passamos a ter uma vida em família, normalmente uma média de vinte pessoas na casa da administração e na comunidade uma média de quatrocentos cooperadores... além dos funcionários remunerados, quase trezentos.

ADEP/JDE – Os Espíritos atrapalham muito a sua vida? Por exemplo, sei lá, andar por exemplo em casa, nos seus afazeres, aparecerem-lhe assim Espíritos de repente, ou não?
Divaldo – Aparecem-me, sim, os Espíritos, a todo momento. Como sou possuidor de uma espécie de segunda vista, consigo alcançar ocorrências fora do mundo convencional. A princípio assustava-me, porém com o tempo acostumei-me tanto que já não me inquieto. É como alguém que está na rua e retornando ao lar, se é interrogado: «Quem é que você viu na rua hoje? – Ninguém – é a resposta natural.». Mas, de facto, a pessoa viu muita gente, somente que não se deteve na observação. Quando se trata, porém, de um Espírito conhecido, quase sempre se estabelece um breve diálogo. Os Espíritos inferiores, às vezes, tentam criar-me problemas no entorno, lançar pessoas desprevenidas contra mim, criar situações embaraçosas que, de alguma forma, eu consigo administrar bem.

ADEP/JDE – O Divaldo vê os Espíritos apenas quando se concentra, quando quer, ou só quando eles lhe aparecem?
Divaldo – É um fenómeno quase normal. É como estarmos vendo aqui na sala cadeiras e móveis, sem que nos chamem a atenção, como resultado do hábito, da mesma forma adquiri uma espécie de técnica, que seria uma forma de ver sem enxergar, exceto quando há algum interesse de minha parte, ocorrendo uma fixação mais demorada e complexa em relação aos desencarnados que se me apresentam.

ADEP/JDE – O Divaldo também sofre de problemas obsessivos?
Divaldo – Penso, que não. No começo da mediunidade convivi com uma Entidade amiga que afirmava odiar-me e buscava perturbar-me, o que se prolongou por um longo período, tornando-se, por fim, com o meu esforço de transformação moral e espiritual para melhor um grande amigo, e hoje praticamente um benfeitor. Está preparando-se para reencarnar. Mas alguns adversários da Causa espírita, em decorrência do meu passado, muitas vezes procuram afigir-me, projetando-me pensamentos perturbadores, criando-me situações mais difíceis no relacionamento social, na internet, mas, graças a Deus, eu não lhes atribuo qualquer importância, compreendendo que isso é natural em relação a todas as pessoas que se dedicam ao Bem.

ADEP/JDE – O Divaldo tem consciência se alguma vez foi mistificado, se isso aconteceu?
Divaldo – Logo no começo, a benfeitora Joanna d’Ângelis na área da psicografia, depois de reunir muitas mensagens sugeriu-me que as destruísse, porque todas eram treinamento e muitas procediam de Entidades de vários níveis evolutivos. Publiquei raríssimas por ela consideradas credoras de divulgação. A partir de 1964, ela selecionou diversas que lhe pareceram próprias e reuniu-as no livro intitulado “Messe de Amor”, iniciando uma fase nova. Algumas Entidades que se faziam passar como letradas, foram discretamente sendo recusadas, embora contribuíssem para o treinamento mediúnico, dando lugar à presença de Espíritos generosos e amigos.
Sob o aspecto doutrinário, é bem provável que haja ocorrido alguma mistificação de que não me dei conta, considerando-se as minhas próprias imperfeições.

ADEP/JDE – Mas isso é propriamente uma mistificação?
Divaldo – Em verdade, não, porque eu podia identificar aqueles que eram levianos através dos fluidos de que se faziam portadores. Mesmo quando escreviam com beleza, faltava-lhes o conteúdo moral e espiritual relevante. Todo médium percebe, através de cuidadosa observação, quando está sendo mistificado, porque os desencarnados podem fingir mas não modificar as qualidades dos fluidos de que são portadores...

ADEP/JDE – Mas no seu dia-a-dia nunca se apercebeu assim de alguma mistificação, ou a sua experiência já lhe permite dar…
Divaldo – Às vezes, os comunicantes dão informações que eu sei que não correspondem à realidade, facultando-me manter muito cuidado quando estou diante de alguém necessitado, que me pede auxílio, de modo a filtrar as mensagens e somente transmitir aquelas que o podem ajudar. Quando as pessoas vêm ter comigo, às vezes estão acompanhadas, e esses Espíritos dão-me notícias que não correspondem à verdade. Como já os conheço, não as transmito. Somente quando se trata de um Espírito confiável, em particular sob a supervisão de Joanna de Ângelis que, normalmente está comigo, dentro do seu esquema de compromissos espirituais, é que me faculto liberar as informações.

ADEP/JDE – O Divaldo é endeusado por muita gente. Como é que lida com isso? Como é que reage?
Divaldo – É uma coisa desagradável, porque as pessoas elaboram uma imagem que não corresponde à realidade, e em algumas ocasiões querem obrigar-me a vestir esse uniforme, que aparenta um indivíduo fora da realidade. Felizmente, pela minha forma de ser, eu me posso permitir uma vida autêntica e desmistifico essas imagens irreais, decorrentes da ingenuidade ou da ignorância doutrinária dos menos atentos. Graças a Deus não tenho necessidade de holofotes, sou pessoa simples, jovial e sempre me encontro de bom humor, sem aparências de autoridade ou de alguém irretocável. Sou uma pessoa com problemas, com necessidades evolutivas... Bem sei que as mãos que aplaudem são as mesmas que apedrejam, assim como os lábios que beijam também mordem... Na condição de divulgador do Espiritismo, procuro diminuir-me para que a Mensagem se engrandeça...

ADEP/JDE – Outra pergunta assim mais terra a terra, O Divaldo tem carro, conduz?
Divaldo – Não, não aprendi a conduzir, porque à época da mediunidade muito estuante eu via acidentes, pessoas a atirarem-se à frente do carro em que eu me encontrava, assim como de outros veículos, o que me produzia muita angústia. Então, Nilson que sempre dirigia, nunca me ensinou, e confesso que não me faz falta. (risos).

ADEP/JDE – Divaldo, bebe vinho? Vinho do Porto, de vez em quando um whisky, ou não?
Divaldo – Não, whisky nunca! E vinho do Porto, sim, especialmente quando venho a Portugal. Uma vez experimentei-o, gostei do seu sabor adocicado, mas por incrível que pareça, me ataca o fígado. Dá-me indisposição, porque é muito forte, o que eu considero um bom mecanismo de defesa, e mesmo que seja tentado pelo gosto, não vou adiante.

ADEP/JDE – Come carne?
Divaldo – Sim, não preferencialmente.Viajando muito e quase sem cessar, não me posso permitir o luxo de manter determinadas dietas constrangedoras àqueles que me hospedam. Imagine chegar-se a numa residência, e os anfitriões tiveram a gentileza de preparar uma alimentação com base carnívora e dizermos que seguimos outro regime... Além de descortesia é também exibicionismo. Desse modo, não tenho preconceito com nada, sempre aberto à aprendizagem em tudo...

ADEP/JDE – Quem é que lhe compra a sua roupa, o seu calçado?
Divaldo – Sou eu próprio.

ADEP/JDE – Vai às compras, como os outros?
Divaldo – Sim, mas raramente, porque o “Irmão Tempo” de que disponho é muito escasso. Mas há uma coisa curiosa…

ADEP/JDE – Isto é um à parte, estou a perguntar isto que é para passar aquela imagem do homem normal, não é?
Divaldo – Mas periodicamente, mesmo sem o desejar ou insinuar, alguns poucos amigos me presenteiam. Tenho procurado manter o pudor de não explorar as pessoas amigas, aproveitando-me da sua amizade. Muitos médiuns dizem que não cobram nada, mas aceitam presentes de alto preço, o que eu denomino como “a indústria dos presentes”. Recebem jóias, roupas de griffe, sapatos de alto luxo, e isto não é compatível com o bom tom doutrinário. Algumas vezes, quando pessoas estranhas me trazem esses mimos, eu lhes solicito: «Por favor, me desculpe, mas eu não posso receber», e essa atitude causa choques, desagrados... É claro que temos amigos e afetos que nos homenageiam com sua bondade, o que é diferente. Porém, pessoas sem nenhum vínculo emocional, invariavelmente levam esses descuidados á prática da simonia. Conheço exemplos de alguns confrades que exigem viagens em vôos de primeira classe, hospedagem em hotéis 5 estrelas... Confesso que, comigo, isso não ocorre. Deus me permitiu trabalhar trinta e cinco anos, aposentar-me, dispor de salário que não é muito alto, mas é digno, facultando-me manter a existência dentro dos padrões que me caracterizam. Resido na Mansão do Caminho, dou uma quota como contribuição para o bem geral, para não viver da caridade, embora eu me dedique vinte e quatro horas à sua assistência, e ainda disponho de algumas moedas que me permitem auxiliar o meu próximo quando necessário...

ADEP/JDE – Tem momentos de tristeza na sua vida?
Divaldo – Sim, certo dia a benfeitora Joanna de Ângelis me esclareceu: Uma pessoa normal entristece-se vez que outra. A pessoa que não tem a emoção da tristeza, está em trânsito para a esquizofrenia, alienando-se. Tenho, porém, muito cuidado para que a tristeza não se transforme em melancolia, tentando estabelecer morada nos meus sentimentos. Como tenho uma vida mental muito activa, e na Mansão do Caminho é tudo muito variável, quando se me acerca a núvem da tristeza, do desencanto resultante de alguma decepção, procuro uma outra alternativa para superar e, felizmente, libero-me da situação.

ADEP/JDE – O homem Divaldo tem dúvidas existenciais?
Divaldo – Supreendo-me com as dúvidas que pairam em muitas pessoas e, que felizmente não me ocorrem. Como procedo da religião católica, e tive a fé natural, transferi-me para o Espiritismo, que é portador da fé racional com tranquilidade e sem conflitos de qualquer natureza, mantendo segurança doutrinária e certeza, sem a presença de inquietações. Realmente, não tenho dúvidas existenciais.

ADEP/JDE – Existem pessoas que não gostam de si, obviamente.
Divaldo – Lógico. Confesso que as compreendo...

ADEP/JDE – Como é que se apercebe? Pela aura? Há uma projecção de dardos mentais? Como é que se protege?
Divaldo – Muitas vezes, nas palestras, eu capto as reações de antipatia de uma ou mais pessoas, a vibração negativa, e procuro não as focalizar, evitando perturbar-me, sintonizar com a onda dissonante. No dia-a-dia eu noto as animosidades pela maneira como sou tratado. Às vezes, a pessoa é formal comigo, e nada obstante eu sinto a onda de inimizade, permitindo-me não devolver o sentimento e facultando-me o esforço para demonstrar à pessoa, o que sou, não me deixando, porém, impressionar. Eu lamento a ocorrência, e concluo que a mesma se dá porque não me conhecendo o indivíduo projeta a autoimagem de que não gosta... Desse modo, não me intranquilizo. Afirma-me a benfeitora espiritual Joanna d’Ângelis, que ninguém se encontra no mundo sem inimigos, mas que isso não tem importância. O importante, isto sim, é não ser inimigo de ninguém.

ADEP/JDE - Que livro é que anda a ler agora?
Divaldo – No momento eu ando a ler vários livros, porque as pessoas muito gentilmente mos oferecem, alguns deles excelentes, e como o tempo não me permite uma leitura mais tranquila e contínua, eu estou lendo três, quatro…Estive lendo recentemente um admirável, da Dr.ª Elizabete Lukas. Ela foi discípula de Viktor Frankl, que propôs a Logoterapia, a terapia do sentido existencial.
Chama-se “Histórias que Curam”. Ao invés de fazer a terapia convencional, ela conta factos ao paciente e estimula-o a encontrar um sentido para a sua vida...

ADEP/JDE – Como é que se chama essa doutora, Elizabete Lucas? Só pode ser boa pessoa! (risos)
Divaldo – Mas é Lukas com “K”!...(risos)

ADEP/JDE – Qual é o seu programa de televisão favorito? Se é que tem um.
Divaldo – Não, não tenho nenhum. Normalmente, quando eu estou muito cansado assisto o Discovery, mas é pela madrugada, ou às vezes Animal Planet porque eu gosto muito de ver os nossos irmãos... A alma se enriquece de sabedoria, acompanhando-lhes a trajetória e as sábias disposições da Vida que os mantêm, os seus fenômenos sociológicos, a cadeia alimentar, etc.

ADEP/JDE – O Divaldo psicografa quando os Espíritos lhe aparecem e dizem: «-Olha, ó Divaldo, agora vamos escrever», ou têm um horário próprio e eles depois esperam?
Divaldo – Em face das viagens, a mentora Joanna de Ângelis informa-me que irá convidar algum amigo espiritual da cidade ou da sua equipe com o objetivo de escrever algo sobre o tema que foi abordado na conferência, ou algo especial... Quando, porém, se trata de romances de Victor Hugo, Manoel Philomeno de Miranda e outros, eles propoem-me, com muita antecedência, que não assuma compromissos fora de Salvador, e então escrevem por 14 a 16 horas, num período de 18 a 25 dias, com os intervalos necessários, a obra que desejam divulgar.

ADEP/JDE – E aguenta?
Divaldo – Aguento, sim. É muito interessante, Lucas, porque eu fico dentro da esfera psíquica do comunicante, tendo a mente enriquecida pelas imagens que eles me projetam, como se eu fosse ao teatro ou ao cinema e descortinasse paisagens desconhecidas, informações felicitadoras. Esse fenômeno é fascinante porque me envolve, mantendo-me numa psicosfera muito especial.

ADEP/JDE – E então não fica desgastado?
Divaldo – Não, porque, em razão de entrar em transe profundo, quando desperto, apesar de algum cansaço físico, pouco tempo de sono fisiologico me faze recuperar o bem-estar. Normalmente durmo pouco, e algum tempo é-me suficiente para a recuperação.

ADEP/JDE – Usa telemóvel?
Divaldo – Não. Quando estou em viagem, utilizo-me de um aparelho, que me foi oferecido por um amigo português, somente para comunicar-me com a Mansão do Caminho ou para alguma outra urgência, e o faço apenas nos momentos de necessidade. Por incrível que pareça, ainda não memorizei o número do telemóvel. (Risos)

ADEP/JDE – Vou-lhe fazer uma pergunta, que se calhar é redundante, é redundante não, é despropositada. Olhe, qual é o seu pior vício como ser humano, se é que tem algum?
Divaldo – Ah, eu acho que é comer. Eu adoro comer (risos). Como durmo pouco, raramente faço passeios, exercícios físicos, a alimentação muito me atrai, mas sou comedido e supero a tentação de comer um pouco mais, especialmente durante as viagens, pois receio qualquer problema digestivo, desse modo, cuido de dar-me atenção.

ADEP/JDE – E a sua maior virtude?
Divaldo – A maior virtude…se assim a posso chamar é o prazer de servir, de ser útil, porque aprendi com a benfeitora Joanna que me informou oportunamente: Aquele que não aprendeu a servir ainda não aprendeu a viver e noutra oportunidade, há muitos anos, ensinou-me: Nunca deixes ninguém afastar-se de ti sem que leve qualquer coisa boa que tenhas, e, quando não tenhas nada para oferecer-lhe emite uma onda mental generosa, um sorriso, um bom pensamento. Oferta algo de ti mesmo, não deixando que ninguém se afaste de ti sem que leve uma contribuição feliz, por menor que seja... porque as pessoas vêm ter comigo, e saem magoadas quando querem uma resposta que não é compatível com a verdade, em relação aos seus problemas, e nem sempre me é lícito concordar com tudo, porque seria falta de coerência doutrinária. Assim sendo, eu procuro dar respostas suaves mas verdadeiras, e por fim sorrio, peço desculpas, seguindo adiante.

ADEP/JDE – Quem é que foi o Divaldo Franco numa vida anterior? Lembra-se de alguma vida anterior ou foi-lhe relatado algum personagem que queira partilhar connosco?
Divaldo – Eu tenho alguns flashes, algumas lembranças, de existências passadas. Quando fui a Paris pela primeira vez, em 1967, tive uma (re)vivência muito característica, identificando-me com determinado sacerdote católico que criou uma ordem religiosa por volta de 1625, durante o período do cardeal Richelieu... Eu estive no monastério naquela ocasião, mantive contacto com a abadessa, que foi muito simpática e estabelecemos um contato episolar até a sua desencarnação em Bruxelas, alguns anos depois. Dessa existência tenho lembranças muito claras, assim como de outra existência na qual exerci a mediunidade...

ADEP/JDE – Era Daniel Dunglas Home?
Divaldo – Não posso afirmar nem negar, para ser leal com a nossa amizade.

ADEP/JDE – É que uma altura recebi um mail que alguém me disse que teria sido o médium Daniel D. Home.
Divaldo – É, eu também recebi esse mail na internet, mas eu, para ser honesto, não o posso confirmar.

ADEP/JDE – Já esteve com Chico Xavier, no lado de cá ou no lado de lá?
Divaldo – Mais de uma vez.

ADEP/JDE – Como foi o encontro?
Divaldo – Muito confortador. Chico Xavier sempre foi na Terra um Espírito nobre e gentil. Acima de tudo, bondoso. Nosso encontro deu-se fora do meu corpo físico, no estado de espírito, porque assim que ele desencarnou eu psicografei uma mensagem de Joanna de Ângelis, dizendo que ele foi recebido por Jesus. A página foi publicada pela Revista Reformador. Naquela semana eu tive um encontro psíquico com ele mas nunca o divulguei, evitando interferência em algumas mensagens que têm sido publicadas, e a ele atribuída a autoria...

Entrevista concedida ao Jornal de Espiritismo (ADEP) em Portugal, em 5 Outubro 2009.