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O poder da Oração



Orar, rezar, sempre fez parte da tradição religiosa da nossa cultura. Aprendemos com os nossos pais, com as nossa religiões, mas será que a oração faz mesmo bem à saúde? Um grupo de pesquisadores diz que sim! Venha saber também a opinião da doutrina espírita sobre o assunto. 

O poder da oração sempre andou de mãos dadas com a fé religiosa. Acreditava-se, para quem tinha fé, que a oração tinha o condão de aliviar os sofrimentos alheios, principalmente daqueles que já tivessem partido do mundo terreno para o mundo espiritual, pelo processo natural da morte do corpo físico. 
As religiões tradicionais têm as suas orações preferidas, ensinando-as aos seus prosélitos.
Com o aparecimento do espiritismo, em 1857, com o lançamento da obra magistral «O Livro dos Espíritos», apareceu uma nova ideia, uma filosofia nova que nos apresentava a espiritualidade despida de todo e qualquer adorno, culto acessório, ritual.
Vieram ensinar-nos os espíritos que a oração nada mais é do que um acto de telepatia entre nós, seres no corpo de carne, e os seres que já estão no mundo espiritual, a que vulgarmente apelidamos de espíritos. Assim sendo, não faz qualquer sentido a declamação repetida de preces feitas, ditas umas após as outras, pois o que conta é a fonte geradora da energia mental que podemos direccionar com o nosso pensamento.

A oração é um acto de telepatia entre nós e os seres espirituais
numa permuta de energias que nos fortalece

Com a descoberta das leis que regem o intercâmbio entre o mundo espiritual e o mundo corpóreo, vemos que tudo deriva da nossa mente e que nada mais além do que o nosso pensamento tem importância para as coisas do espírito. Assim, uma oração muito bonita, com lindas palavras, ou muito demorada não sortirá qualquer efeito, se o pensamento de quem a efectua estiver nesse momento direccionado para outras situações, como por exemplo um problema familiar, um problema comercial, etc.
A oração, para surtir efeito, terá de ser sincera, brotar do íntimo de cada um, ser sentida profundamente, num acto de concentração da pessoa, em que a nossa mente liberta-se temporariamente do nosso mundo corpóreo, adentrando-se no mundo espiritual, onde vai buscar essas energias que a fortalecem. A pessoa que consegue esse estado de alma, entra em sintonia vibratória com seres do mundo espiritual superior, enviando os seus pensamentos e recebendo deles uma energia que fortalece, intui e orienta.
Daí a doutrina espírita alertar-nos sempre para a necessidade da nossa reforma íntima, procurando desenvolver as potencialidades do pensamento, dentro de uma directriz de disciplina interior, de consciencialização espiritual, procurando sempre ir mais além em busca de novos estados de espiritualidade.
«De acordo com os resultados de uma investigação realizada num hospital da cidade de Kansas, nos EUA, vários doentes na unidade dos problemas coronários melhoraram depois de um grupo de cristãos ter rezado por eles – mesmo sem os conhecer.
O estudo foi organizado pelo médico William Harris que, por precaução, não deu conhecimento do seu trabalho aos pacientes em causa e aos outros médicos. A partir do número dos seus registos clínicos, Harris seleccionou 466 doentes e forneceu os seus nomes próprios a um grupo de cristãos que se voluntariou para rezar por cada um deles, todos os dias, durante quatro semanas. A sua evolução clínica foi depois seguida por uma equipa de dez médicos que, tendo em conta um determinado número de parâmetros e sintomas, verificou que estes doentes registaram melhoras bastante mais acentuadas que os restantes 524 pacientes internados pelos quais ninguém rezou.
O estudo foi conduzido ao longo de um ano e veio confirmar as conclusões obtidas num teste similar, realizado em 1988...» (In Jornal “Expresso”, de 27 de Novembro de 1999, Portugal).
Em «O Livro do Espíritos» e nas restantes obras de Allan Kardec, podemos encontrar assuntos preciosos, relacionados com este tema, que nos ajudarão a fazer um pouco mais de luz acerca dos mesmos.
Na Internet poderá encontrar mais informação em http://www.adeportugal.org/.

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Pena de morte


Para grandes males, grandes remédios, dizem uns. Para outros, é apenas sinónimo da animalidade que ainda impera no íntimo do homem. Certo, certo, é o facto de que quer países desenvolvidos quer países sub-desenvolvidos continuam a aplicar a pena capital, pensando ingenuamente resolver assim os problemas sociais. Ainda um acto polémico, nos dias que correm, recentemente lembrado pelo enforcamento da portuguesa Angel Puipeng, em Singapura.

Segundo o boletim da Amnistia Internacional, três pessoas foram executadas no Estado do Arkansas, EUA, em Agosto de 1994, o que aconteceu pela segunda vez em poucos meses. A justificação oficial para as execuções múltiplas (que não se realizavam no país desde 1976), é que estas, provocariam menos stress profissional nos carrascos e seriam muito mais baratas. O custo estimado duma condenação à morte situa-se entre os dois e os três milhões de dólares, aproximadamente o triplo do que custaria manter vivo cada condenado durante quarenta anos!!!
Mais recentemente tivemos o caso da portuguesa enforcada em Singapura - Angel Puipeng - por tráfico de droga. Curioso é notar as disparidades comportamentais que existem no nosso planeta, delineando o facto de entre todos nós, uns estarem em níveis evolutivos - moral e intelectualmente falando - mais ou menos próximos dos outros.
As opiniões chovem de todos os lados, desde os acérrimos defensores da pena de morte aos mais lutadores pela sua abolição. Alega-se que perante tamanhas barbaridades, tais seres não merecem a consideração alheia, são irrecuperáveis, mas, será que eles existem, os irrecuperáveis?
A doutrina espírita ensina-nos que a vida é eterna, ora manifestando-se no palco terreno ora continuando nos mais variados planos evolutivos da espiritualidade, bem como em outros planetas. Se aliarmos as provas da imortalidade da alma fornecidas pelo espiritismo, ao facto de, por exemplo, um condenado a prisão perpétua ter-se tornado num famoso ornitólogo mundial, os dados começam a ficar baralhados.
Sendo a Terra uma escola para todos nós - espíritos imortais - a permanência nela, tem uma função altamente educativa, na evolução que se nos impôe com o decurso dos anos. Assim sendo, e como o homem não é detentor da vida, não a tendo criado, parece ser um paradoxo pretender assumir a responsabilidade pela vida de outros homens, nomeadamente pelo seu limite temporal.
Sendo a reencarnação uma bendita oportunidade que é dada a todos nós, para evoluirmos e resgatarmos os nossos desvarios de vidas passadas, apenas a Deus é concedido o direito de decisão acerca do término ou não da vida deste exemplar ou odiado cidadão.
Com a pena de morte, julga o homem, na sua ignorância das leis da vida espiritual, ter solucionado o problema. O que acontece é bem diferente, pois o condenado irá forçado para o plano espiritual mas, voltará inevitavelmente à Terra, para prosseguir o seu plano de ascenção espiritual. Fácil é deduzir que rencarnará completamente desajustado - em virtude dos enormes desajustes provocados na vida anterior - sendo inserido novamente numa sociedade que outrora o condenou à pena capital. A solução, parece obviamente não passar pela violência da pena de morte - solução cómoda - mas sim pelo esforço educativo, inserindo novos padrões de vida e novos objectivos pedagógicos nas prisões, nomeadamente nos casos mais recalcitrantes. Aí sim, o homem estará cumprindo a sua finalidade, auxiliando o próximo no seu caminho doloroso da evolução.
Na pergunta 761 de "O Livro dos Espíritos", acerca da pena de morte, questionando se o homem tem o direito de matar, eliminando assim da sociedade um membro perigoso, os espíritos superiores respondem:
"Há outros meios de ele (o homem) se preservar do perigo, que não matamdo. Demais, é preciso abrir e não fechar ao criminosos a porta do arrependimento."
Divaldo Pereira Franco, o maior orador espírita mundial, afirma ser inadmissível encontrar motivos de excepção (como o fez a Igreja Católica) para legalizar o crime de matar. "Matar, jamais! Não sendo o homem o autor da vida, ele não pode interrompê-la sem infringir o código "Não matarás". O espiritismo considera a morte legal e moral, apenas quando uma grávida está em risco de vida, e o médico coloca-lhe a seguinte conjuntura: a gestante ou a criança em formação. É compreensível que se deve interromper a vida da criança em formação, para preservar a matriz, isto porque, aquela vida poderá refazer-se enquanto a da mãe, já concluida, não pode mais recompor-se."
Sabendo que a violência gera violência, a educação continua a apresentar-se como solução para os problemas sociais, sem que tenhamos de retroceder a práticas primitivas que de há muito deveriam fazer parte dos arquivos da história da humanidade.

Portugal, 1994

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Possessão espiritual?



Muitas vezes se fala em possessão espiritual, situação em que alguém é possuído por um espírito mau e tem atitudes das mais díspares. Mas, será mesmo assim? Venha saber o que pensa a Doutrina Espírita (ou Espiritismo) acerca deste assunto. 

É muito comum ouvir dizer-se que alguém foi possuído espiritualmente. Geralmente descreve-se a possessão espiritual como a entrada de um espírito no corpo de uma pessoa, obrigando-o a fazer coisas que ele não deseja. De tal modo tais episódios existem, que deram origem a um ritual católico: o exorcismo, cujo objectivo seria expulsar o demónio do corpo dessa pessoa.
Entretanto, com o advento do Espiritismo, nas suas componentes científica, filosófica e moral, o assunto ganhou novos dados, e acabou por ser desmistificado.
Se consultarmos «O Livro dos Espíritos» bem como «O Livro dos Médiuns», ambos de Allan Kardec podemos encontrar novos conceitos acerca do assunto.
Com o Espiritismo, através da observação, repetição dos factos e comprovação dos fenómenos, concluiu-se experimentalmente que é possível comunicar com aqueles que já estão no mundo espiritual, isto é, cujos corpos físicos já morreram. Assim, descobriu-se que nas sessões de exorcismo não era o diabo que se comunicava, mas sim, espíritos perturbados que mais não eram do que as almas de pessoas que viveram na Terra e que continuavam em estado de perturbação. Nesse sentido, numa sessão espírita não se expulsa o “diabo” (já que este não existe) mas doutrinam-se aquelas pessoas que por desconhecimento da vida espiritual andam em perturbação nesse mesmo plano.

Os Espíritos interferem positiva ou negativamente na nossa vida,
conforme as afinidades que têm connosco

A obsessão espiritual caracteriza-se pela acção de seres espirituais inferiores (em evolução moral) sobre o psiquismo humano.
Allan Kardec distinguiu nas suas pesquisas, três tipos de obsessão: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação.
Na obsessão simples, a interferência espiritual atinge a mente causando algumas perturbações. Na fascinação, essa interferência é mais profunda, afectando a consciência da pessoa, desencadeando processos alucinatórios. Na subjugação a interferência amplia-se aos centros da afectividade e da vontade, afectando os sentimentos e o sistema psicomotor, levando o obsidiado (a pessoa que sofre o assédio espiritual) a atitudes e gestos estranhos.
Nesse sentido é errado falar-se em termos de possessão espiritual, já que os espíritos não entram no corpo da pessoa, antes o envolvem procurando intuir ideias que eles querem que a pessoa ponha em prática.
Assim, todos nós, sofremos a influência positiva ou negativa dos espíritos, conforme as nossas afinidades mentais.
A pessoa correcta, que respeita o ser humano, que é digna, entra em sintonia (vibratória) mental com espíritos, isto é, pessoas já falecidas, que também são equilibradas e pensam de igual modo.

Quem sofre de perturbação espiritual, deve estudar o assunto
e pedir auxílio numa associação espírita idónea

Aquela pessoa cujo objectivo é apenas satisfazer o seu próprio egoísmo, a sua vaidade, o seu orgulho, a sua maldade, essa entra em afinidade mental com seres de igual natureza, seja neste mundo seja no mundo dos espíritos.
Nesse sentido, cada um de nós é senhor do seu destino, colhendo os frutos do seu agir no quotidiano.
Quando a problemática da obsessão espiritual aparece, é fundamental que a pessoa peça auxílio numa associação espírita idónea (onde não se cobre nem se aceite dinheiro pelas suas actividades) para que nas sessões espíritas se possa esclarecer não só o espírito necessitado que está a interferir com a pessoa no corpo de carne, como também que essa mesma pessoa seja esclarecida do processo que está a viver e comece a mudar a sua maneira de agir no sentido de alterar essa situação indesejada: a interferência espiritual.
Aconselhamos vivamente a leitura dos livros acima referidos, de Allan Kardec, para mais esclarecimentos acerca deste assunto.

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Reencarnação: evidências sucedem-se



A reencarnação pressupõe a volta do espírito a novos corpos de carne continuando assim na sua escalda evolutiva. Dá-se apenas no reino hominal, sendo falsa a crença na possibilidade de nascer como animal. Até então uma crença milenar, as evidências da realidade da reencarnação começam a avolumar-se em catadupa. Ora veja!

Já no tempo dos primeiros cristãos se acreditava na reencarnação, só que como este termo não existia chamava-se a essa crença «ressurreição». Em essência acreditava-se na volta das almas a novos corpos, em novas vidas, facto este largamente documentável no novo testamento.
Quando apareceu o termo reencarnação ele pressupunha isso mesmo, re + encarnar + acção, isto é, a acção de voltar à carne.
Segundo outras teorias o ser teria inclusive a hipótese de voltar com um corpo de animal, numa crença chamada metempsicose, mas que o espiritismo demonstra não ser possível já que seria um retrocesso evolutivo.
Estudando a teoria da reencarnação, hoje aceite por cerca de 2/3 da população mundial, de acordo com as estatísticas (embora em moldes diferentes), o homem começa a entender melhor o porquê da vida, de onde vem, para onde vai, qual o seu posicionamento no concerto universal, e qual a causa da dissemelhança da sorte das pessoas. Com a unicidade das vidas Deus afigura-se como um crápula que dá a saúde a uns e a doença a outros, que privilegia uns dando-lhes riqueza e a outros a pobreza, que dá a oportunidade a uns de nascerem em países civilizados, relegando outros para locais de miséria e guerra. Onde a justiça divina perante tanta dissemelhança? Com o estudo da reencarnação, a ideia de justiça, de equidade divina aparece, deixando ao homem dentro do livre-arbítrio, a capacidade de evoluir mais depressa ou mais devagar, ao longo das variadas existências corporais. Assim, cada um colhe na vida presente o somatório das experiências ocorridas no passado, daí a dissemelhança de carácteres, de inteligências, de moralidade existente no nosso planeta. Aquele que procurou a sua evolução moral e intelectual, obrando no bem, voltará como um ser sereno, tranquilo, em busca de novas experiências iluminativas; o que viveu egoisticamente, espezinhando tudo e todos, voltará como um ser intranquilo, com vontade de rectificar tudo aquilo que fez de errado numa perspectiva pedagógica, auxiliando assim o homem a evoluir.

«Estas crianças lembram-se e fornecem informações pormenorizadas,
exaustivas e rigorosas, sobre pessoas que morreram antes de elas terem nascido.»

Ultimamente muitos cientistas se têm dedicado ao estudo dos casos sugestivos de reencarnação, como os meninos-prodígio, comunicações espirituais de seres dizendo que vão nascer nesta família ou naquela, com este ou aquele traço característico, regressões de memória que ajudam a identificar factos desconhecidos da pessoa nesta existência, e por último as crianças que se lembram de vidas anteriores e que dão dados impressionantes da sua vida passada, muitas vezes ainda pesquisáveis, identificáveis, sem que ela tivesse como saber nesta vida ainda tão precoce.
É precisamente nesta área, a das crianças que se lembram de vidas passadas, que o Dr. Ian Stevenson, psiquiatra americano, respeitadíssimo do ponto de vista de rigor científico e credibilidade a nível mundial, tem vindo a dedicar praticamente toda a sua vida. Quase 40 anos ao serviço da pesquisa científica com milhares de casos identificados em todos o mundo de crianças que se lembram da sua vida passada. Não sendo espírita nem crente na reencarnação, os factos começaram a despertar nele a curiosidade e vontade de pesquisar.
Hoje, aos 83 anos de idade, esteve recentemente no 4º Simpósio «Aquém e Além do Cérebro» organizado pela Fundação Bial e que decorreu na «Casa do Médico» no Porto, Portugal, tendo concedido preciosa entrevista à revista «Notícias Magazine», que sai juntamente com os jornais «Diário de Notícias» e «Jornal de Notícias». Stevenson acha que se pode acreditar na reencarnação com base em provas. Com mais de meia vida à procura de crianças que recordam vidas anteriores, coleccionou perto de 3 mil casos, alguns impressionantes.

«Uma pessoa racional pode acreditar na reencarnação com base em provas»

Stevenson sabe que é ignorado por alguns dos seus pares, mas o seu trabalho é espantoso. Dos 14 livros publicados, as demonstrações para que os mais racionais acreditem na reencarnação são fantásticas.
Um dia, quando as pessoas se consciencializarem desta realidade haverá profunda alteração no tecido social do planeta, já que o homem sabendo que o seu futuro dependerá do seu agir de agora, não mais fará a guerra, deixará de ser xenófobo, racista, deixará de desprezar o pobre ou o marginal ou a pessoa do outro sexo, deixará de poluir a natureza, pois saberá que na próxima existência ele poderá passar pelas situações até então desprezadas para aprender a valorizá-las dentro da vida como experiências importantes para todos nós.

Bibliografia:
- Notícias Magazine, 02 Junho 2002, Portugal, «A reencarnação com base em provas»
- Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal, www.adeportugal.org, Curso Básico de
  Espiritismo, «Caderno 6»

Portugal, 2002

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Quem foi Allan Kardec?




Nascido em 1804, homem de grande saber e figura eminente à sua época, dedica-se aos 50 anos de idade a estudar os factos espíritas. Céptico, a princípio, descobre ali as leis que regem o mundo dos espíritos. Por muitos considerado o pai do espiritismo, não o foi, mas sim, o codificador da doutrina espírita ( ou espiritismo). Deixou obra feita e depois do seu desenlace ninguém pode conhecer bem o espiritismo sem conhecer essa figura inesquecível que foi Allan Kardec.


Muitas pessoas confundem Allan Kardec, o codificador do espiritismo, com o pai religioso da doutrina espírita, como se esta fosse uma religião e tivesse um iniciador. Com o espiritismo, as coisas foram bem diferentes. Os factos espíritas espalharam-se por todo o mundo e os ensinos que os espíritos davam, por intermédio de numerosíssimos médiuns, eram conformes, sem que os médiuns se conhecessem ou se tivessem contactado. Nasce assim a doutrina espírita ou doutrina dos espíritos mais propriamente, pois foram estes que a trouxeram aos homens. Daí, o espiritismo não ter paternidade terrena. Ninguém é seu autor, mas sim a falange de espíritos superiores que vieram trazer à Terra o Consolador prometido por Jesus, hà dois mil anos.

Mas quem foi Allan Kardec?

Nascido em Lyon, França, a 3 de Outubro de 1804, filho único de uma família antiga que se distinguiu na magistratura e na advocacia, Hippolyte Léon Denizard Rivail, (Allan Kardec) desde cedo se sente inclinado ao estudo das ciências e da flosofia.
"Educado na Escola de Pestalozzi, em Yverdun (Suiça), cedo se tornou um dos mais eminentes discípulos desse célebre professor e um dos zelosos propagandistas do seu sistema de educação, que tão grande influência exerceu sobre a reforma do ensino na França e na Alemanha."(1)
"Nascido sob a religião católica, mas educado num país protestante, os actos de intolerância que por isso teve de suportar, no tocante a essa circunstância, cedo o levaram a conceber a ideia de uma reforma religiosa, na qual trabalhou em silêncio durante longos anos com o intuito de alcançar a unificação das crenças."(1)
Voltou a França após concluir os seus estudos. Falando o alemão, françês, espanhol, italiano e holandês, traduziu para o alemão várias obras de educação e de moral, bem como as obras de Fénelon.
Foi membro de várias sociedades sábias, tendo sido premiado pela Academia Real de Arras, em 1831 pelo notável trabalho abordando o tema "Qual o sistema de estudos mais de harmonia com as necessidades da época?". Paralelamente, entre 1835 e 1840 deu cursos gratuitos de Física, Anatomia comparada, Química, Astronomia, entre outros. Inventou um método de ensinar a contar e um quadro mnemónico da História de França. Escreveu muitos livros didáticos, investigador sério e prudente, pensador, filósofo, pedagogo, percursor da moderna parapsicologia, tinha conhecimento do magnetismo humano.(2)
"Antes que o Espiritismo lhe popularizasse o pseudónimo de Allan Kardec, já ele se ilustrara, como se vê, por meio de trabalhos de natureza muito diferente, porém tendo todos, como objectivo, esclarecer as massas e prendê-las melhor às respectivas famílias e países:"

Espiritismo: ciência, filosofia e moral

Aos 50 anos de idade começou a investigar os factos espíritas, utilizando os métodos experimental e indutivo. Nascia assim a ciência espírita. É impossível pois, falar de espiritismo sem se falar de Allan Kardec.
Sendo senhor de grande posição intelectual e de respeito social, adopta o pseudónimo de Allan Kardec, nome que teria tido numa reencarnação anterior, para que a doutrina espírita não fosse aceite em função do seu verdadeiro nome e consequente respeito social, mas sim pela pureza e lógica das suas ideias.
Codificou a doutrina espírita, depois de investigar exaustivamente. Assim aparece a sua obra - O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo O Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Génese -, obra essa proveniente da espiritualidade superior, ditada epelos espíritos através de médiuns, por ele investigada em cerca de 1000 grupos espíritas, e que passou pelo crivo da razão, pela lógia e pelo raciocínio frio e calculista do homem de ciência que foi Allan Kardec, a quem chamaram " o bom senso encarnado (no corpo de carne)".
Foi um lutador e um trabalhador até desencarnar (largar o corpo de carne, falecer), não tendo retirado nenhum provento pecuniário para si próprio, antes pelo contrário. Explica-nos que "O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabeleçem entre nós e os espíritos; como filosofia, comprreende todas as consequências que dimanam dessas mesmas relações.
Podemos defini-lo assim: o Espiritismo é uma ciência que trata da origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal".
Em 31 de março de 1995, contaram-se 126 anos da desencarnação de Kardec e a obra que ele codificou aí está, perene, espalhada pelos quatro cantos, a ser alvo do interesse quer dos adeptos espíritas, quer dos cépticos e mesmo dos seus opositores, resistindo sem mácula à tentativa de banalização da sua figura, por parte daqueles que perseguem o espiritismo, mesmo ignorando o que estão a dizer e sem se saber bem porquê. Mas, que importa essas atitudes de pseudo-sábios? O que é, é , e não será a presunção deste ou daquele acérrimo perseguidor que alterará a verdade dos factos. O tempo é sempre o melhor conselheiro e relembrando palavras sábias de Emmanuel, não exijamos que os outros pensem como nós, na certeza de que como a árvore de fruto necessita de tempo para que o homem dela se possa servir, também os opositores de hoje serão os amigos de amanhã, iniludivelmente, quando a grande ponte da fraternidade destruir as barreiras do orgulho e da presunção humana, geradores de múltiplos conflitos.Caso esteja interessado em conhecer os livros fundamentais para a compreensão do espiritismo, poderá encontrá-los em qualquer centro espírita. 


Bibliografia:
(1) - Kardec, Allan, "Obras Póstumas", FEB, 18ª edição, Biografia de Allan Kardec
(2) - Sausse, Henri, "Biografia de Allan Kardec"(citação retirada de separata da revista "Estudos Psíquicos" intitulada "Allan Kardec - sua vida e obra", de André Dumas).

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Tolerância religiosa



Fazendo breve visita a um horto municipal, facilmente te deparas e deleitas com vários tipos de árvores, de plantas, de flores.
Cada uma delas tem um ritmo próprio, um tempo certo para a semeadura, exala um odor característico, tem momentos de esplendor e momentos de crescimento.
Se assim não fosse, esse jardim não teria beleza, não seria apetitoso para os visitantes.
Essa beleza deriva da variedade, da diferença na diversidade.
A mais minúscula flor não discute níveis de grandeza com a centenária árvore, guardando cada uma delas função intransferível no reino da natureza.
Também assim na vida tal acontece com os seres humanos.
Transportando tal analogia para a área da religiosidade, não nos é lícito julgarmo-nos superiores a esta ou aquela confissão religiosa.
O homem espiritualizado, verá em cada ser humano, um elemento desse imenso jardim que é a vida, valorizando inclusive a erva daninha que mesmo assim confere cor ao solo onde se instala.
O homem espiritualizado saberá aceitar, compreender, tolerar todos e cada seu irmão, independentemente da sua convicção religiosa, com a certeza de que irmandade espiritual é independente da coincidência de concepção existencial.
Assim como fruis imensa alegria ao contemplar desde a simples flor silvestre até à planta mais elaborada, extasiando-te com o perfume do conjunto, és convidado ao grande concerto da harmonia universal, onde te é dado o instrumento da tolerância, do entendimento, da fraternidade, para que o toques, sem o qual estagnarás em processos de ilusão.
Valorizando as diferenças aprenderemos a união.
Valorizando a variedade, estimularemos a fraternidade, e assim estaremos inevitavelmente a colaborar com Jesus para a implantação do bem no Planeta Terra.

Psicografia recebida nas Caldas da Rainha, em 14 de Novembro de 2004 e ditada pelo Espírito Alcina

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Mediunidade: comunicação espiritual ou patologia?



As II Jornadas de Cultura Espírita do Oeste que decorreram nos passados dias 20 e 21 de Maior de 2005, em Óbidos, no Auditório “A Casa da Música”, trouxeram até ao Oeste vários pesquisadores e cientistas que buscam uma resposta para o tema “A vida para além da morte”.  Um dos temas quentes foi “Mediunidade: comunicabilidade ou patologia?” tratado com mestria por uma médica psiquiatra da capital. Ora veja!

Gláucia Lima, médica psiquiatra, especialista em regressão de memória, docente na Faculdade de Medicina em regressão de memória, membro da ALUBRAT (Associação Luso-Brasileira de Transpessoal), cientista, bolseira da Fundação Bial onde desenvolveu pesquisa científica em torno das capacidades paranormais do ser humano, veio a Óbidos abordar uma temática muito pertinente: “Mediunidade: comunicabilidade ou patologia?”. 
Ainda há bem poucos anos atrás, os homens de ciência viam os médiuns como se de loucos se tratassem e ainda há aqueles médicos que desconhecendo a vertente espiritual do homem vêm-no apenas como um amontoado de células.
Com o passar dos anos, muitos cientistas de mente aberta, nos quatro cantos do mundo, têm vindo a questionar a mediunidade ou paranormalidade, ou ainda capacidade que alguém tem de percepcionar o mundo extra-físico, dito de mundo espiritual.
De investigação em investigação, hoje em dia só quem estiver bem desactualizado é que insiste nas premissas atrás referidas, já que é ponto assente entre os académicos, que a mediunidade afinal não é uma patologia mas que pode reflectir uma vivência pessoal dentro de um determinado contexto social ou religioso.
Com a sala do Auditório “A Casa da Música”, em Óbidos a abarrotar de pessoas, apesar de um longo dia de actividades, pelas 19 horas, Gláucia Lima dissertou sobre a mediunidade, fazendo um bosquejo histórico até chegar às suas pesquisas de hoje que vêm assim comprovar as assertivas de Allan Kardec, o eminente discípulo de Pestalozzi que investigou, pesquisou e experimentou os factos espíritas, codificando assim a doutrina espírita em cinco livros por ele gizados, fruto das suas observações, utilizando o método experimental.
Gláucia Lima questionou o público:
- “Podemos estabelecer uma correlação entre fenómenos mediúnicos e fenomenologia psiquiátrica?
- “Existe uma relação entre fenómenos de transe mediúnico, transtornos de personalidade e fenómenos dissociativos?”

A mediunidade constitui uma forte evidência
da vida para além da morte.

- Têm os médiuns uma personalidade e um funcionamento neurofisiológico normal?

Perante questões tão prementes Gláucia Lima foi respondendo com base nas suas pesquisas, experiências com médiuns, para além de muitos anos de observação de fenómenos mediúnicos que lhe conferem um conhecimento invejável nesta área.
Citando Michael Lambek (1989, p. 48), refere que o “transe mediúnico” é um fenómeno natural, como o sexo, comer, falar, estando a espécie humana capaz de desempenhá-lo, quando em determinados contextos e sob determinados estímulos. Numa referência a Stirrat (1977), a faculdade mediúnica seria mediada pôr um modelo cultural, uma realidade social, havendo uma conjunção entre factores psicológicos, fisiológicos e pessoais.
Para o Espiritismo, “O médium é um intermediário, uma antena capaz de captar e transmitir as comunicações do além.”
Para o Dr. Sérgio Filipe, Psiquiatra, professor da Universidade de São Paulo, Brasil, o fenómeno mediúnico é a acção de ondas electromagnéticas sobre o cérebro (epífise), que por sua vez transforma o impulso em estímulos neuroquímicos.
Gláucia Lima referiu-se ainda a Francisco Cândido Xavier, um dos maiores médiuns do mundo, que Herculano Pires identificava como “…alguém capaz de experimentar, ao mesmo tempo, duas vidas: a de vigília e a hipnótica”. Francisco Cândido Xavier, psicografou 412 livros, vendeu mais de 20 milhões de exemplares e doou todo o dinheiro a instituições beneficentes.
Em jeito de conclusão, Gláucia Lima afirma que “não existe um padrão anormal de personalidade nos indivíduos médiuns”, e que “a mediunidade não é sinónimo de patologia física ou mental”.
Terminando a sua comunicação, que encerrou as II Jornadas Espíritas do Oeste, Gláucia Lima afirma sem titubear que “a mediunidade constitui uma forte evidência da vida para além da morte.”

Portugal, 2005

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Raul Teixeira: ciência e espiritismo




Físico, é espírita, e também é médium. Destaca-se pelo seu papel de divulgador do espiritismo pelos quatro cantos do mundo, onde tem conferenciado. Chama-se José Raul Teixeira, professor universitário, esteve entre nós aquando do II Congresso Nacional de Espiritismo, como convidado especial da Federação Espírita Portuguesa (FEP).Tem vários livros psicografados (ditados pelos espíritos). Deixou-nos importante depoimento. Ora vejamos!

José Lucas - Porque é que o espiritismo é uma ciência?
Raul Teixeira - O espiritismo é uma ciência, em função da metodologia adoptada por Allan Kardec. Sempre que alguém trabalha um conceito, estruturado sobre uma metodologia científica qualquer, esse trabalho tem basicamente estrutura científica. Allan Kardec através do tipo de questões que levantou, tipo de análise que apresentou, observação que desenvolveu, deu ao espiritismo um carácter eminentemente científico. Não como ela (ciência) é entendida hoje, dentro de uma visão eminentemente laboratorial, mas, o laboratório de que ele se utilizou foram as reuniões de carácter mediúnico, com o seu poder profundo de observação - era um homem acostumado às reflexões da ciência e aos seus processos - deu à proposta espírita uma dinâmica de carácter científico.

JL - O método da ciência oficial é o único aceitável para a busca do conhecimento?
RT - Hoje em dia, não. Inclusive, não são poucos os filósofos, os cientistas, que estão discutindo essa questão. Não se pode falar de uma metodologia que sirva a todas as ciências. Existem várias metodologias conforme as propostas científicas que estejam em causa.

JL - A reencarnação e a pluralidade dos mundos habitados são dogmas?
RT - Se penetrarmos um pouco na filosofia, entendemos que a palavra dogma aparece no sentido técnico do termo. Dogma é um ponto de fé ou de referência de alguma doutrina, é um ponto base, de apoio de uma doutrina, seja ela filosófica, científica ou religiosa. A ciência tem os seus dogmas, os mais variados. As filosofias têm os seus dogmas, porque partem de certos pontos que por mais que sejam discutidos não são derrubados. Assim também a doutrina espírita tem os seus dogmas. A reencarnação é um dogma, mas não um dogma teológico, não é um dogma que não se possa discutir, não é um dogma que seja palavra acabada, fechada, concluida. A reencarnação é um dogma espírita porque é um dos seus pontos base, é um dos seus fundamentos. Mas, o espiritismo não é de maneira nenhuma uma doutrina dogmática, no sentido que esta palavra passou a tomar com o surgimento do dogmatismo no século IV. Não se pode confundir um dogma - princípio de uma doutrina, filosofia ou ciência - com o dogmatismo, que é um sistema teológico a partir do qual os indivíduos não podem discutir aquilo que os seus superiores hierárquicos estabelecem. A Santíssima Trindade, por mais que ninguém entenda o que significa ou como se dá, isso é um dogma, porque não se pode discutir. Quando se estabelece, por exemplo o dogma da transubstanciação, o corpo de Deus na hóstia consagrada, por mais que isso se torne aberrante para a lucidez de uma criatura, para o intelecto dos indivíduos, isso não se pode discutir, porque é um dogma. Bem diferente da reencarnação, que pelo contrário, a doutrina espírita e os espíritos abrem à discussão, propondo que seja discutida, trazendo novas questões para serem abordadas. Não podemos misturar o dogma - estrutura básica - com o dogmatismo, que é um contexto eminentemente clerical, que não pode ser discutido.

JL - E no que respeita à pluralidade dos mundos habitados?
RT - Basta que leiamos o notável livro do Dr. Fred Hoyle astrofísico e biólogo inglês, “O Universo Inteligente”. Ele estuda os dados colhidos para além do nosso planeta Terra e, através das mais variadas análises chega à conclusão da existência de substâncias orgânicas para além do nosso sistema solar. Ele chama a essa molécula, descoberta para além do nosso sistema, molécula de cianotriacetileno. Ele afirma que ela tem uma estrutura da molécula da proteína.O Dr Fred Hoyle - que não é espírita - afirma que ao encontrar-se essa porção orgânica para além do nosso sitema solar, não se pode discutir ou duvidar da existência ou da possibilidade de existência de vida organizada para além do nosso sistema solar. Quando encontramos diversas academias a mandar construir uma gigantesca antena parabólica para captar sinais de outras constelações, de outros pontos do universo conhecido, naturalmente essa questão extrapola o capítulo da fé e vai para as áreas da ciência. A questão da pluralidade dos mundos habitados, hoje em dia, é investigada pela ciência, cujas conclusões ou respostas definitivas a ciência há-de apresentar um dia.

Existe uma ciência espírita, com uma metodologia de ciência,
calcada nas questões espirituais

JL - Em que aspecto é que a Física actual se entrosa com o espiritismo?
RT - Ao demonstrar o mundo das energias, ao levar-nos à conclusão de que vivemos num mundo energético e não num mundo de matéria, no sentido grosseiro do termo, a Física tem dado ao mundo espírita uma das maiores contribuições que nós podemos admitir. Cada dia que passa, quando os físicos mergulham na micro-física e vão descobrindo partículas cada vez menores e que cabem milhares de vezes dentro de outras que nós supunhamos já indivisíveis, vamos marchando para o encontro da energia espiritual, da energia do espírito propriamente dito. Aliás, já tinha sido dada a Allan Kardec a resposta, em “O Livro dos Espíritos”, de que a matéria ainda seria encontrada em estágios e em estados completamente ignorados pelo homem do século passado. Começamos com o notável William Crookes descobrindo o quarto estado da matéria, o estado radiante, e marchamos para a decomposição, cada dia maior, cada dia mais intensa, da matéria em si mesma e, por isso, descobrindo estados dos mais variados dessa mesma matéria. Dizer que nós vivemos num mundo material, hoje em dia é simplesmente uma força de expressão, pois vivemos num mundo eminentemente energético, já o dizia Einstein, e hoje nós estamos a obter comprovações bastante importantes por parte dos cientistas contemporâneos. A Física tem dado ao espiritismo, ainda que os físicos de tal não se apercebam, uma contribuição gigantesca na confirmação dos postulados espíritas, que de maneira nenhuma nós, os espíritas, poderemos subestimar.

Portugal, 2002

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Divaldo Franco: Doação de Órgãos



Que os transplantes salvam vidas, já todos sabemos. Que a doação de órgãos é um acto de altruísmo, também. Abordámos na semana passada esta temática. Vamos ver pois, o que pensa deste assunto uma personalidade do movimento espírita mundial, Divaldo Pereira Franco, conferencista de renome.

Divaldo Franco, conferencista de renome mundial, um dos maiores divulgadores do espiritismo pelos quatro cantos do mundo, e internacionalmente respeitado, esteve entre nós em Dezembro passado (1994). Aproveitámos para uma pequena conversa de onde ressaltaram comentários relativos à doação de órgãos. Vejamos pois a sua opinião, dentro dos horizontes que o espiritismo nos abre.

José Lucas - No que respeita à doação de órgãos, existe incompatibilidade perispiritual, isto é, entre o corpo espiritual do falecido e o daquele que recebe o órgão?
Divaldo Franco - Na realidade não, porque o perispírito (corpo espiritual) receptor consegue adaptar as futuras células à sua própria organização. Muitas vezes, quando ocorre a rejeição, estamos diante da Lei do Carma, que funciona biologicamente, pois, se assim não fosse, a continuidadde dos transplantes daria ao indivíduo a vida imortal na Terra, o que não é possível.

JL - Então a rejeição que existe é apenas física?
DF - Exactamente, é física, graças à necessidade da desencarnação (falecimento) do paciente, já que ninguém consegue ludibriar as leis divinas. O êxito, neste campo, invariavelmente, trata-se de uma moratória que a divindade permite seja dada ao receptor, a fim de prolongar a existência com finalidades nobres.

JL - O espírito desencarnado (falecido) que ainda está ligado ao corpo (cadáver), sofre com a extracção dos órgãos, poderá ficar ressentido por fazerem isso ao “seu” corpo e envidar por uma perseguição?
DF - Na realidade não, porque aí entram as leis soberanas da misericórdia divina. Consideremos no passado, os cadáveres de mendigos que eram levados para as faculdades de medicina, a fim de facultarem aos estudantes o conhecimento dos órgãos e as melhores técnicas cirúrgicas para o prolongamento da vida. Aqueles cadáveres, eram de pessoas desconhecidas, invariavelmente, que se transformavam sem quererem, em benfeitores da humanidade. No caso da pessoa ser forçada a doar os órgãos, isto pode produzir-lhe um choque emocional, não contra quem vai receber, mas, contra as leis, entrando inevitavelmente num bloqueio de consciência, e, pelo bem que vai fazer, mesmo sem o querer, recebe os frutos sempre que necessite desses benefícios que se transformam, para ele, em verdadeira graça de Deus. Só o facto de oferecer órgão saudáveis a pessoas que estariam a encerrar a sua jornada terrena, já os faz dignos do amparo divino.
Quanto a sentir dores, a acompanhar o processo de sofrimento, é inevitável, tal como aconteceria também na inumação cadavérica, em que ficaria a acompanhar a disjunção molecular, ou na cremação, com o pavor, porque as sensações permanecem. É o que Kardec examina em “O Livro dos Espíritos” quando aborda a perturbação espiritual.

JL - No caso das autópsias, o espírito também sofre?
DF - Muitos sofrem. Os sensualistas, os escravos dos prazeres terrestres, sentindo ainda os fluidos materiais, acompanham com horror as cenas, especialmente quando as autópsias são feitas num clima de ironia, de ridículo, de desrespeito pelo ser, por consequência, de desrespeito pelo cadáver. Os espíritos a eles vinculados, agridem-se e agridem, desesperam-se e enlouquecem de dor, o que lhes aumenta por consequência o sofrimento.

Muito mais havria a dizer sobre esta temática. No entanto, para uma melhor compreensão deste assunto remetemos o leitor para “O Livro dos Espíritos” e “O Céu e o Inferno” , ambos de Allan Kardec, que poderão encontrar nas principais livrarias do país.


Portugal, 1994

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Física, Matemática e Espiritismo de mãos dadas



Matemática, Física e Pedagoga, Heloísa Pires, espírita mundialmente conhecida, esteve em Portugal em 1999, onde proferiu várias palestras. Por onde passou deixou um rasto da cultura espírita, encantando quem a ouviu. 

Heloísa Pires seria mais uma mulher, incógnita, e não seria notícia no meio espírita (e não só), se não fosse um dos grandes vultos do espiritismo mundial e licenciada em Matemática, em Física, em Pedagogia. Espírita convicta, é um dos elementos chave do movimento espírita brasileiro. Trabalha por opção com deficientes profundos, no campo da pedagogia. Seu pai, José Herculano Pires, foi de tal maneira marcante para o espiritismo, a nível mundial, que foi referido como sendo o metro que melhor mediu Allan Kardec (o codificador do espiritismo). Herculano Pires, escritor, filósofo, deixou uma obra literária impressionante, que ainda hoje é desconhecida da maioria dos espíritas. De realçar “O Espírito e o Tempo” e “Mediunidade”, se é que é possível destacar estas duas obras das restantes. 
Heloísa Pires esteve em Portugal, a convite do Centro Espírita Perdão e Caridade, de Lisboa, durante 8 dias. Conferenciou em Lisboa, no referido centro espírita, em Lagos, em Leiria, em Viseu, no Porto, de novo em Lisboa no Centro Espírita Amor e Caridade e ainda na Federação Espírita Portuguesa. Concedeu ainda três entrevistas, na Rádio Nova (com Rui Castelar), no Tal e Qual (Paulo Emereciano) e à Revista de Espiritismo. Aproveitando o ensejo da sua presença colocámos-lhe algumas questões:

José Lucas - Deve haver planeamento familiar ou a mulher é uma máquina de ter filhos?
Heloísa Pires - Se dissermos “Tenha os filhos que Deus mandar” estamos a repetir o que a igreja católica e outras correntes defendem. Não somos coelhos nem gatos. O homem obra com conhecimento de causa. Há que planear ter os filhos que possam ser educados para que eles saiam vitoriosos da vida. Ter onze filhos e deixá-los ao Deus dará é inconsciência criminosa. O planeamento familiar é uma necessidade no momento actual da terra. É indispensável, para melhorar as condições de vida na Terra. Não somos coelhos nem gatos. O planeamento familiar é uma necessidade no momento actual da Terra.

J.L. - Há quem diga que a eutanásia pode ser um acto de caridade. Que pensa disto?
H.P. - É um crime, desnecessário. Vemos agora, na Bélgica, o Dr. Morte. Horrível. Um homem, médico a matar outros homens. Não somos Deus. Devemos ficar na Terra o tempo que for necessário. À luz do espiritismo, se alguém tem uma doença prolongada é porque necessita de passar por essa situação, dentro das leis de causa e feito, para que os seus fluidos vitais se desgastem. Aí, a pessoa parte para o mundo espiritual em boas condições. Provocar essa situação (eutanásia) é provocar sofrimento no espírito, que fica envolvido em fluidos vitais que o ligam ao corpo. Temos de aceitar a vontade divina. Fatal, só o nascimento e a morte. Tudo o resto depende do nosso livre-arbítrio.

J. L. - E o aborto?
H.P. - O aborto é um crime. É fruto da ignorância, daqueles que não entendem a vida. No entanto, temos de explicar que tudo é considerado a partir do momento do conhecimento. Depois de entendermos que o aborto é um crime, não podemos praticá-lo. Antes de o sabermos, se o praticámos temos atenuantes. Mas, não há justificação para o aborto. É desnecessário.

J.L. - Como é que uma mulher de ciência é espírita, fala com os espíritos, e acredita em Deus?
H.P. - Einstein, que intelectualmente estava a anos luz de nós, dizia: “Deus existe”. Através do raciocínio temos de entender que existe uma inteligência suprema. Porque a desordem não cria nada e a ordem revela uma inteligência maior que criou tudo e que nos criou. Os físicos actuais, a cada dia que passa, convencem-se mais da existência de Deus. Eles apenas não gostam do rótulo de “Deus”, dizem “Inteligência”, “Força Criadora”. A nossa capacidade de raciocínio, a procura de organização do Mundo, as fórmulas matemáticas, são uma prova evidente de uma inteligência maior que criou inteligências menores.»

Sobre este e outros assuntos aconselhamos ainda a leitura indispensável de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec.

Portugal, 1999

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Materializações de Espíritos




Uma das evidências irrefutáveis da realidade da comunicabilidade dos espíritos (pessoas falecidas) é o facto de em determinadas circunstâncias eles poderem materializar-se, tornarem-se visíveis, tangíveis, ponderáveis, e até com eles confabular. Foram muitos os cientistas do século passado que provaram a veracidade dos factos espíritas por este método. Actualmente (1995) ouvimos um físico, Dr Raul Teixeira que nos contou casos de ectoplasmias (conhecidos por materializações de espíritos e objectos, provocadas pelos espíritos) passados recentemente.

José Carlos Lucas - Tem conhecimento de que haja sessões de ectoplasmia ou de materializaçõesl?
José Raul Teixeira - No Brasil existem ainda, em grupos reduzidos, trabalhos de ectoplasmia e, particularmente podemos citar, em Vitória, no Espírito Santo, um médium - Júlio César Grande Ribeiro - que mantém um trabalho de ectoplasmia com o objectivo de atender à saúde, quando os benfeitores assim o detrminam. Fui testemunha de vários trabalhos com ele, sobre ectoplasmia, vendo a materialização de espíritos, a materialização de instrumentos cirúrgicos para atender aos doentes, fenómenos de voz directa, de escrita directa ,exactamente dentro dos parâmetros que encontramos dentro da literatura espírita.

JCL - Pode descrever o que viu?
JRT - Na ectoplasmia encontramos uma gama muito grande de fenómenos, mas, os mais comuns que os espíritos gostam de fazer, na obscuridade total dessas reuniões, é o trabalho com parafina, onde existe uma vasilha com parafina a ferver, sobre um fogareiro, herméticamente fechado para que a claridade não contagie o ambiente, e um balde com água fria. Os espíritos trabalham essa parafina fervente, construindo flores, diversos objectos, e mergulhando na água, para que ela se resfrie, o que nenhum ser humano seria capaz de fazer, isto é, pôr as mãos dentro da parafina a ferver e de seguida na água gelada para esfriar o material. Outra coisa que os espíritos fazem, é desenhar em plena obscuridade, com os materiais que são postos sobre a mesa, com uma velocidade espantosa, ou, sem nenhum material presente, o que indica que eles trazem de uma outra dimensão energética, de uma outra dimensão fluídica, esses produtos, essas tintas, com os quais eles realizam essses trabalhos. Outra linha de actividade que os espíritos realizam nessas reuniões de ectoplasmia, é o transporte de objectos, de um lugar herméticamente fechado para a sala onde essas coisas acontecem. Nesse tipo de ectoplasmia, vemos trabalhos tanto com Júlio César Grande Ribeiro como com Divaldo Franco, onde existe a produção de perfumes, isto é, um fenómeno mediúnico sómente passível de acontecer quando estão presentes médiuns com a características de efeitos físicos. Aromas de rosas, de outras flores, de éter, aparecem sem mais nem menos. Para além disso, os próprios espíritos formam uma garganta ectoplásmica, como eles chamam, e falam do alto do tecto, movimemtam-se pela sala e as pessoas acompanham as suas vozes, no alto, no baixo, como se fosse um altifalante que estivesse a ser conduzido para diversos lugares da sala, onde a reunião tem lugar. Eles tocam instrumentos, trazem instrumentos, conversam com as pessoas... Eles sugerem que se leia, que se discuta, enquanto não é iniciada a reunião, textos do evangelho, da doutrina espírita e, depois de se apagarem as luzes, eles desafiam as pessoas a continuarem a comentar os textos lidos, para que as mentes se mantenham unidas no mesmo diapasão.Os espíritos realizam muitas coisas com ectoplasmia, até chegarem ao nível da metrialização, como vulgarmente se chamam, que é quando eles se corporificam. Já tive a experiência de estar junto de um espírito materializado, em que ele pediu-me autorização para se pôr em cima dos meus pés e, com isto, ele calcava sobre a minha cabeça para dar algum tipo de demonstração. Pelas dimensões da entidade espiritual, eu imaginei que ela me fosse magoar nos pés, ao subir sobre eles, pois estava calçada com botas. Qual não foi a minha surpresa, quando ao subir sobre os meus pés e ao apoiar as suas mãos sobre a aminha cabeça, esse corpo enorme de uma criatura humana, não tinha peso. Então, era como se fosse uma grande caixa de ar ou de papelão que estivesse a subir sobre os meus pés. Eu senti o calcar das suas mãos sobre a minha cabeça, fortemente, mas não senti o seu peso.

JCL - No entanto, era tacteável?
JRT - Sim, o espírito estava diante de mim, eu abraçei-o pela cintura.Foi uma demonstração de que estas coisa também podem ocorrer em trabalhos de ectoplasmia. São experiências muito interessantes, muito curiosas, da ectoplasmia mediúnica. Acontece, que à medida em que o espiritismo mergulha, como lembram os benfeitores, no seu período de entendimento, a necessidade dos fenómenos físicos, dos fenómenos materiais, vai diminuindo. Nós, não estamos mais na época de crer por ter visto, mas, na época de crer por entender, racionalmente. A visão é muito traiçoeira. De repente alguém dirá que nós estamos sofrendo uma ilusão visual. Mas, quando nós estudamos uma coisa, analisamos essa coisa, e a entendemos, não há ilusão possível no campo intelectual, nesse particular. No Brasil há poucos médiuns desses, que no passado eram abundantes quer no Brasil, quer na Europa, na América, e, hoje em dia, eles vão diminuindo, exactamente porque o objectivo do mundo espiritual não é mais a de produzir fenómenos para o encantamento das pessoas, mas, produzir o que o espírito de Viana de Carvalho, através de Divaldo Franco, diz: que o maior fenómeno pelo qual Jesus Cristo se acha interessado, é o fenómeno da transformação dos carácteres e esse, tem sido de muito difícil realização.
Estes factos fazem-nos lembrar aqueles ocorridos em 1872 e que chocaram a comunidade científica, à época, quando Sir William Crookes (um dos maiores sábios e inventores da sua época) e o seu assistente engenheiro Sir Cromwell Varley conseguiram materializações de espíritos com quem conversavam, tiravam a pulsação, peso, verificavam a respiração e a completa diferença entre os espíritos materializados e os médiuns de efeitos físicos presentes nas sessões, tendo concluindo em favor da realidade dos factos espíritas com aquela célebre frase que fez com que a comunidade científica contemporânea o fosse marginalizando. Dizia Crookes. “Já não digo que os fenómenos são possíveis, mas sim que eles são reais”. Para quem começou a investigá-los com o objectivo de provar a sua falsidade, temos de verificar a enorme coragem que este célebre cientista teve. Mas, para compreender o fenómeno é preciso estudá-lo com muita profundidade e não deter-se na periferia das aparências.

Portugal, 1995

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Cientista confirma: a morte não existe!


David Fontana, psicólogo inglês, um dos mais conceituados cientistas em Inglaterra e no mundo, professor universitário, fez pesquisas com médiuns ingleses e confirma: A vida continua depois da morte do corpo físico. O Prof. Fontana, que assistiu à materialização de seres espirituais, deu uma entrevista ao Jornal de Espiritismo nº 6 (Set / Out) da qual retiramos algumas partes. Ora veja!

Jornal de Espiritismo - O Senhor é o Vice-Presidente da Society for Physical Research, (Sociedade de Pesquisas Psíquicas, de Londres) ?
David Fontana - Sim, com efeito fui o Presidente Fundador da Society, agora sou o Vice-Presidente e sou também o Presidente do Survival Research Commitee, que se dedica à pesquisa da sobrevivência.

JDE- Falando sobre as suas experiências, onde é que elas ocorreram? Em Inglaterra?
DF- Sim decorreram em Inglaterra. Estamos a falar das investigações levadas a cabo pelo Grupo Scole, acerca da produção de fenómenos físicos, num compartimento especificamente preparado para os cientistas, pois situava-se debaixo do solo, isolado com paredes de tijolos, de modo a que não pudesse haver interferência do exterior. Dois anos de investigação com este grupo, inicialmente um vez por mês, durante cerca de três horas, em que tivemos oportunidade de verificar toda uma vasta gama de fenómenos, em condições em que não seria possível haver fraude.

JDE- Onde se passou isso?
DF- Em Scole, Norfolk.

JDE- Quando, exactamente?
DF- Publicámos os nossos relatórios em 1999, tendo a investigação terminado no início desse ano.

JDE- O que pensa ser necessário fazer, actualmente, para alterar os veredictos científicos, no que respeita à sobrevivência do espírito como sendo uma realidade comprovada?
DF- Penso que não há dúvidas, temos evidências suficientes para demonstrar que esses acontecimentos paranormais acontecem. Demonstrámos isso em condições inequívocas. O próximo passo é o de demonstrar, para satisfação dos cientistas cépticos, que parecem ser muito difíceis de convencer, que não se trata apenas de possíveis capacidades psíquicas, mas sim que a vida continua após a morte. Aliás, não devemos chamá-los de mortos, porque, na verdade, eles estão bem vivos, uma vez que têm o poder de produzir tais fenómenos. Em complemento, é certo que obtivemos determinadas informações que nenhum dos vivos sabia. Obtivemos comunicações de pessoas que nem sequer conhecíamos, tendo pesquisado e chegado à conclusão que tinham existido e que os detalhes que nos tinham sido fornecidos estavam correctos. Vejamos, nenhum “vivo” possui necessidades emocionais de produzir essa espécie de informação detalhada. Eles não conhecem as pessoas, nem quem são, nada conhecem do seu passado, não têm qualquer ligação com elas, ou qualquer coisa do género e, mesmo assim, a informação é totalmente verdadeira.

JDE - Haverá uma revolução no nosso mundo? Acredita que a Ciência criará algum instrumento para detectar as vibrações dos espíritos?
DF- Bem, os cientistas estão sempre a mudar e o desenvolvimento, agora com a TCI (Transcomunicação Instrumental – comunicação com o mundo espiritual através de aparelhos electrónicos), sugere, mas sugere fortemente mesmo que, da maneira como estes instrumentos se desenvolvem, poderão ser abertas novas “avenidas” para as comunicações. Estou, na verdade, muito optimista acerca do que pode vir a acontecer com todo este trabalho no âmbito da TCI. A Electrónica move forças tão rapidamente, que poderemos descobrir, acidentalmente, algum equipamento novo capaz de provocar efeitos muito melhores do que os conseguidos através da gravação em cassete, por fax, computador, etc., através dos quais temos vindo a obter mensagens há tanto tempo!

JDE - Bem, mais uma ou duas questões, se me permite: que outras espécies de pesquisas se estão a desenvolver na procura de outras vidas ou de outros mundos espirituais?
DF- Há muito trabalho em curso, na Inglaterra, na área da mediunidade. Existe uma grande rede de pesquisas acerca da mediunidade mental e física, mas a TCI está muito mais avançada aqui, na parte continental da Europa, do que na Inglaterra. Por exemplo, em França, na Espanha e, em particular, na Itália, está muito mais desenvolvida. Na Inglaterra, a TCI tem sido um pouco relegada para segundo plano mas, por outro lado, a mediunidade tem muito mais aceitação do que na Europa continental e a verdade é que muitos dos grandes médiuns eram ingleses ou americanos.

JDE - Pensa que a Física pode ajudar a compreender tudo de que temos estado a falar?
DF- Sim, penso que a Física é uma ajuda, pelo menos a Física Quântica, porque é uma ciência que estuda a parte mais pequena do mundo, o mundo subatómico; ela reconhece que não existe matéria do modo como sempre a temos compreendido, mas sim que é composta por energia. No pequeno mundo subatómico, o tempo e o espaço agem de forma diferente, por isso as nossas leis físicas, aplicadas a esse mundo, até resultam, se pensarmos num mundo no interior dos átomos ou fora do espaço. Olhando para a astrofísica, encontraremos, de novo, as leis físicas, essas leis que não podem ser quebradas. Assim, há uma linha limite aplicada ao mundo material, mas não ao mundo subatómico e nem ao mundo astral. Há Físicos que já têm a mente aberta a estas ideias e que nos ajudam a reconhecer que a matéria não é aquilo que pensávamos.

JDE - Professor, está a fazer alguma pesquisa, actualmente?
DF- Sobre a mediunidade? Sim, estamos a trabalhar com a mediunidade mental e física, na Inglaterra, onde se podem encontrar médiuns muitos bons, pode ter a certeza.

JDE - Sabemos que está a preparar um novo livro…. Podemos saber o título?
DF- Bem, temos um título ainda provisório… O livro sairá no próximo Outono, está na editora. Ainda não decidimos o título final, mas poderá ser: Is there an After Life? (Há uma Vida Depois da Morte?)
O objectivo do livro é a demonstração das evidências de que há vida após a morte.

Fonte: Jornal de Espiritismo nº 6, Set / Out 2004, Portugal

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Divaldo Franco: homossexualidade em foco


Divaldo Pereira Franco, o maior orador espírita contemporâneo, é figura de destaque a nível mundial, seja no meio espírita, seja fora dele. A sua cultura, o seu saber, bem como a sua mediunidade (tem mais de cem livros psicografados - ditados pelos espíritos - cujas receitas revertem integralmente para auxiliar os meninos da rua) são os cartões de visita que lhe granjeiam respeito e credibilidade. Mais de 40 anos ao serviço do próximo fazem dele um foco de atenção, mesmo por parte dos cépticos. Em entrevista que nos concedeu, aborda questões cruciais.

José Carlos Lucas - Há quem defenda a tese de que a telecinésia, os poltergeists, são fruto de mentes desequilibradas (os epicentros) presentes nos locais em que tal acontece, mesmo que desconheçam a sua contribuição para os fenómenos. Tem alguma validade científica esta tese?
Divaldo Pereira Franco - De maneira nenhuma. Seria transformar o fenómeno paranormal em anomalia psíquica ou histérica, conforme ocorreu a partir de 1889 onde o Prof. Pièrre Janet, ao publicar o seu livro "Automatismo Psicológico", pretendeu reduzir todos os fenómenos para-psíquicos, naquela época, metapsíquicos, e mais tarde parapsicológicos e psicobiofísicos, ao estado de patologia histérica ou de desdobramento da personalidade. Naturalmente, os factos da anomalia estão abaixo do nível do equilíbrio.
Desde que eles transcendem a esfera da normalidade para cima eles são portanto paranormais. Acontece que observadores apressados, para negarem a interferência dos espíritos, as comunicações mediúnicas, preferem apelar para os estados patológicos, porque de uma vez crêem anular a realidade dos factos que constituem as evidências demonstrativas da sua realidade.

JCL - A precognição, como funciona o conhecimento do futuro? E o livre-arbítrio, neste caso, como fica?
DPF - Muitos pontos capitais, estão a ser determinados. As nossas atitudes actuais programam os acontecimentos futuros. A melhor imagem de que disponho para dar uma ideia da precognição é esta: imaginemos alguém no cume de uma montanha, que se atinge através de uma estrada que vai circulando o rochedo. Alguém, lá em cima, observando um automóvel que vai subindo, pode ver o futuro daquela viagem, o lugar em que a estrada esteja interrompida, alguma ponte caída, algumas pedras que ruíram, impedindo, ou a estrada completamente livre, e poderá dizer que ele vai ter este ou aquele obstáculo. Isto, porque ele está a ter uma visão global além do tempo, que é limitado para quem está dentro do automóvel e dispõe apenas do horizonte visual, enquanto o outro dispõe de um horizonte relativamente infinito. Esse observador poderá dizer, com acerto, o tempo que o automóvel vai demorar a lá chegar, examinando a probabilidade de uma avaria mecânica. Na precognição, a mente, que não é física, entra no campo das percepções dos acontecimentos que as nossas atitudes actuais já elaboraram, como uma sementeira, que nos permite antever o momento da colheita. E, por isso mesmo, nem sempre os fenómenos proféticos e precognitivos ocorrem exactamente como estabelecidos. Devido às variações do comportamento, do livre-arbítrio do indivíduo, das massas ou dos países.

JCL - Quais as causas da homossexualidade? Físicas ou espirituais? É considerada uma patologia?
DPF - Os geneticistas têm tentado encontrar genes que explicariam o problema da homossexualidade, como sendo um desvio de comportamento sexual. Outra corrente, na área da psiquiatria, tenta encontrar enzimas cerebrais, que influenciariam no comportamento sexual. Os espíritos, no entanto, dizem-nos que o próprio ser realiza experiências em quatro áreas da sexualidade: na assexualidade, em que um indivíduo tem anatomia, mas a sua psicologia é tranquila, vive em muita paz e não sente a presença da libido; na heterossexualidade, que tem a finalidade precípua de preservar a vida, de multiplicá-la, de perpetuá-la; na homossexualidade, em que um indivíduo elege um parceiro do seu próprio sexo, ou na bissexualidade, que, de alguma forma, não tem o carácter fisiológico. Enquanto que na homossexualidade o indivíduo tem uma anatomia que não corresponde à sua psicologia, na bissexualidade não encontraremos o indivíduo dotado dos dois sexos. No caso do hermafroditismo, estaremos contemplando uma anomalia biológica. Seja porém, em que faixa se movimente o espírito, estamos diante de um processo de evolução. O que o espiritismo considera negativo para o espírito é o seu comportamento nesta ou naquela área: uma vida promíscua, a pederastia, a entrega sem nenhum respeito por si mesmo nem pelo próximo, mas não apenas no homossexual mas também no heterossexual. Um indivíduo promíscuo na heterossexualidade não passa de alguém que está indo contra a sua própria constituição física e psíquica. O homossexualismo, portanto, não é uma doença, não é uma patologia. Dizem os melhores sexólogos, que é uma preferência sexual. No entanto, sabemos que é uma experiência a que o espírito se impõe, ou que vai imposto, por causa de uma conduta anterior na qual não soube manter o seu equilíbrio. Imaginemos uma mulher que vive exclusivamente para o sexo, sem emoções, que perverte homens, que destrói lares. Numa próxima reencarnação retornará com a anatomia masculina e, no entanto, com as tendências psicológicas femininas. Veremos um homossexual, um homem que de alguma forma se utilizou do sexo para o prazer, para perverter, para levar à corrupção, reencarna-se com tendências femininas e uma anatomia masculina. O oposto, portanto, da mulher que se reencarna com uma anatomia feminina e tendências masculinas. Cabe ao espírito reencarnando-se, respeitar o “vaso”, o corpo físico. Então, pergunta-se se esse ser tem o direito de experimentar o amor, de experimentar o sexo. É um problema de consciência.
O espiritismo não estabelece normas de conduta para os outros. Cada um responde pelo comportamento que tem, no entanto, uma lei é incontestável: temos o dever de nos respeitarmos e de respeitarmos o nosso próximo. Não se trata, portanto, de uma patologia, mas, de uma experiência.

JCL - Quer dizer que não é moralmente reprovável?
DPF - Não! A atitude mental e o comportamento sexual é que irão estabelecer a moralidade ou a imoralidade da experiência pessoal.

Portugal, 2005