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Divaldo - questões diferentes - 1ª parte


A DOUTRINA ESPÍRITA



ADEP/JDE – Como é que se deve dar o auto-passe, por exemplo, se eu estou necessitado, estou obsidiado, ou perturbado, se eu vou dar o auto-passe eu não me vou auto-perturbar na mesma?
Divaldo – Não, porque vai criar a condição necessária mediante a oração. Para você poder aplicar-se o auto-passe, irá concentrar-se, orar, e enquanto realiza esse mister desvincula-se do psiquismo negativo e, nesse momento revigora-se. As suas energias, como numa auto-hemoterapia, irão auxiliá-lo no refazimento. No meu caso, porque estou sempre junto a muitas pessoas, quando me sinto indisposto, recorro a esse maravilhoso expediente autoterapêutico. Noutras ocasiões, solicito a Nilson que me aplique a bioenergia, quando nos encontramos juntos, ocorrendo com ele o mesmo, o que nos ajuda a manter o equilíbrio e o bem-estar.

ADEP/JDE – (…) é no sentido dos ponteiros do relógio ou ao contrário?
Divaldo – No sentido dos ponteiros do relógico. Após o que eu denominaria, embora com imprecisão, como sendo uma limpesa psíquica, concentro-me nos plexo coronário e cardíaco, logo conseguindo a recuperação anelada.

ADEP/JDE – Olhe Divaldo, se os espíritas são a minoria porque é que sofrem tanto o assédio dos Espíritos inferiores?
Divaldo – Porque aqueles Espíritos inimigos foram nossas vítimas, e vendo hoje o nosso esforço para melhorarmos moralmente, agridem-nos a fim de manter-nos na retaguarda onde se encontram. Um número expressivo de espíritas, é constituído de cristãos que falimos e que gerámos situações embaraçosas, infelicitando muitas vidas, de forma que essas vítimas tornaram-se nossos adversários e não nos desculpam o mal que lhes fizemos.

ADEP/JDE – Então não é pela grandeza, vá lá, da Doutrina Espírita mas sim por uma perseguição pessoal?
Divaldo – Exactamente. Porque eles vêm para a cobrança e sabem que o Espiritismo representa tudo de libertador, e que, se nos afeiçoarmos à doutrina, servindo-a com abnegação eles nos perdem, entregando-se, desse modo ao infeliz tentame de prejudicar-nos.

ADEP/JDE – Com o avanço tecnológico destes últimos cem anos é esperado que a tecnologia no Além pelo menos esteja igual, ou superior, não é? Se assim for, podemos dizer que as obsessões deixaram de ser pessoais, isto é, o obsessor andar atrás de outro e passar a haver obsessões electrónicas?
Divaldo – Eles usam muitas técnicas e utilizam de recursos que antes não conhecíamos, portanto, não sabendo precatar-nos. Desse modo, já os utilizavam, só que os ignorávamos, porque nos faltavam esclarecimentos próprios. Muitos casos, por exemplo, de auto-obsessão decorrem de chips colocados no cérebro perispiritual, , resultando na hipnose por uma voz monótona, repetitiva, levando o indivíduo a certos estados psicopatológicos com o tempo; outras vezes, eles utilisam a ressonância magnética. Ao invés de ficarem ao lado, enviam ondas mentais sucessivas. As mesmas vêm em nossa direção e se encontram resistência não nos afetam, mas isso raramente ocorre. Com o tempo, porém, a sua insistência como que vai gastando o campo defensivo até sermos alcançados, passando a sentir-lhes as idéias infelizes, assim estabelecendo-se o vínculo que abre espaço ao intercâmbio doentio.

ADEP/JDE – E como é que os trabalhadores espíritas se podem preparar para combater essas obsessões, esses trabalhos? É só confiar na equipe espiritual?
Divaldo – Não. Têm que fazer o esforço de deter-se numa auto-análise a respeito da própria conduta. Encontramos essa diretriz na resposta que os Mentores deram à questão de n° 919, conforme exarada em O Livro dos Espíritos, lutando, sem cessar para superar as más inclinações e fazer todo o bem possível. Se, por exemplo, me dou conta de que estou muito interessado numa coisa que não me é normal e que me pode trazer danos, eu reflexiono que essa ocorrência pode ser uma inspiração negativa. Então eu procuro diluí-la, substituindo esse tipo de pensamento por um outro edificante. Os cuidados com a mente, as palavras e os atos devem ser constantes.

ADEP/JDE – Vigilância.
Divaldo – Vigilância, sim, sem cessar.

ADEP/JDE – Uma pergunta, Divaldo, Infante D. Henrique é o guia de Portugal, não é? Porque é que ele se chama Helil?
Divaldo – Eu tenho a impressão que o nome procede de uma tradição do mundo espiritual, na condição de membro dos primeiros colaboradores de Jesus na construção das sociedades terrestres, sendo uma designação muito especial, e que não foi física, a ele dada, talvez, pelos Espíritos nobres.

ADEP/JDE – E o Infante D. Henrique não reencarnou desde que foi Infante D. Henrique?
Divaldo – Acredito que não. Ele veio com a missão especial de alargar os horizontes do mundo e de desenhar para Portugal a missão do país dos navegantes mais notáveis de todos os tempos...

ADEP/JDE – Então era um Espírito muito evoluído.
Divaldo – Sem qualquer dúvida, sim.

ADEP/JDE – A Rainha Santa Isabel, desde que foi rainha também não voltou a encarnar?
Divaldo – Segundo a informação que tenho do mundo espiritual, não, porque ela atingiu um estado de completude. A sua vida foi tão notável, que não deixou débitos morais para futuros resgates. As emoções nobilitantes foram-lhe tão superiores que ela não precisou mais de retornar. Espíritos desse nível podem retornar nestes ou nos dias do futuro, no período de regeneração, para promover a sociedade de maneira mais rápida, digamos que num salto quântico.

ADEP/JDE – Ela é o guia do movimento espírita?
Divaldo – Acredito que sim, mas não apenas do movimento espírita...

ADEP/JDE – Lá na organização do mundo espiritual cada país tem um guia? São subordinados de quem? É tipo presidente da república e cada cidade tem um governador?
Divaldo – Seria mais um conselho de administradores dos povos. Cada um deles estaria vinculado a um povo sob a presidência de Jesus, como numa grande empresa, em que Jesus é o presidente e os outros são chefes de departamentos...

ADEP/JDE – Os Apóstolos estão reencarnados na Terra ou estão “santificados”?
Divaldo – Os Apóstolos continuam trabalhando. Daquilo que sabemos, Judas teve a sua última reencarnação como Joana d’Arc, João Evangelista como Francisco d’Assis. De alguns outros não temos informações confiáveis, porém eles continuam no Colégio Apostólico trabalhando pela construção do mundo novo sob a égide de Jesus.

ADEP/JDE – 2012 é um ano mágico? Segundo as tradições Maias e outras, parece que vão acontecer muitas coisas, terramotos, tsunamis.
Divaldo – Eu confesso que não acredito. Porque é provável que os Maias hajam parado o seu calendário por qualquer circunstância que nos escapa. A humanidade gosta muito de tragédias, de fenómenos físicos dolorosos, de apocalipses e desgraças. Os Espíritos nobres afirmam que essas profecias não podem ter data fixa, porque dependem muito do livre-arbítrio da sociedade. Se nós prosseguirmos em determinadas circunstâncias acontecerão tais ou quais ocorrências, mas se mudarmos para melhor acontecerão outras. Então, o ano 2012 talvez esteja dentro desse cômputo das transformações naturais lentas, porque em todas as épocas temos tido maremotos, tisunamis e outros fenômenos sísmicos tão graves quanto esses que ora se encontram anunciados.

ADEP/JDE – A ciência vai descobrir o Espírito?
Divaldo – Já o descobriu em diversas ocasiões através de diversos cientistas, que optaram porém, em dar-lhe outra denominação. Por exemplo, o dr. Firsoff, inglês, declarou: «O espírito, para mim, é um ser de interacção universal, semelhante à electricidade e à gravidade, que pensa.» Utilizando-se da palavra inglesa Mind, afirmou que o mesmo é constituído de mindons, de corpúsculos. Portanto, um astrofísicodessa talha fazer tal afirmação, é a constatação da descobverta do Espírito. O dr. Rupert Scheldrak, que é um notável biólogo, autor dos campos "morfogenéticos", muito criticado na época (o que não lhe tira o valor de pesquisador honesto e respeitado por outros), quando apresentou a sua tese, também conseguiu constatar que existe no universo uma força oculta. .De igual maneira, diversos outros estudiosos lograram encontrar o Espírito.

ADEP/JDE – A transcomunicação instrumental praticamente não evoluiu desde os anos sessenta. Quer dizer, há assim uns factos, mas vá lá, não há uma coisa mais aprofundada. Isto deve-se a quê? À falta de condições ético-morais da humanidade ou estão à espera de novas oportunidades?
Divaldo – Não, eu acredito que não. Se bem observarmos, o fenómeno espírita veio até à TCI, só que usando os instrumentos da época: a mesinha, a ardósia, a cesta de vime. Com o advento dos gravadores, da televisão, acreditou-se que se poderia mais facilmente detectar essa realidade nessa área, assim como na virtual. Mas os passos até então conseguidos não foram muito expressivos. Que eu saiba hoje são poucos os grupos que estão trabalhando em TCI com os resultados desejáveis, salvadas algumas nobres exceções.

ADEP/JDE – Divaldo, há tempos, se não me falha a memória, o Divaldo tinha apontado que por volta mais ou menos de 2050 poderia iniciar-se a época da Regeneração…
Divaldo – Sim, é verdade. Nessa época já estaremos em um período avançado na condição de mundo de regeneração. Penso, que esse, é também o conceito defendido pelo Espírito Emmanuel através de Francisco Cândido Xavier.

ADEP/JDE – A grande maioria da população não é espiritualista, ou se o é, é boca para fora, não é? A guerra, compadrio, tráfico de armas, tráfico de pessoas, tráfico de drogas, será a sensação que está tudo num caos. Falta tão pouco tempo, os espíritas são tão pouquinhos, não vivem um bocado à margem da realidade? Será que Deus tem outros planos mais assertivos para mudar?
Divaldo – Acredito que sim. Tenho certeza que as reencarnações, conforme vem ocorrendo, serão massivas e o número de Espíritos nobres que se reencarnarão é muito grande. Teremos uma espécie de Renascença da beleza, do amor e da verdade...

ADEP/JDE – Nessa altura, não é?
Divaldo – Nessa altura, sim, nesses anos próximos. A partir de 2025 a 2050 teremos o momento da grande transição e, como os Espíritos maus, segundo as tradições, não encontrarão campo vibratório para reencarnar na Terra, irão para planos inferiores. Haverá uma mudança em breve, graças às gerações que formarão a Era Nova.

ADEP/JDE – A Igreja Católica vai acabar?
Divaldo – Não acredito. Como organização acredito que se adaptará aos novos métodos como vem acontecendo através da História.

ADEP/JDE – Emmanuel estará com nove anos, segundo dizem. Ele vai ser espírita? Tem uma missão fora do Espiritismo?
Divaldo – Confesso que, a esse respeito, tenho poucas ou quase nenhumas informações que mereçam confiança. A considerar-se como verdadeiras, acredito que o nobre Espírito desempenhará um papel de alta relevância na sociedade do porvir.

ADEP/JDE - A Joanna d’Ângelis segundo lhe disse vai reencarnar por volta de 2015. Vai ser no Brasil?
Divaldo – Na oportunidade em que abordou o tema, ela não estabeleceu uma data, informando-me que estava sendo programada para renascer no Brasil. Esclareceu que, terminada a tarefa que desenhou para realizar orientando-me, logo que ocorra a minha desencarnação, ela estará de retorno...

ADEP/JDE – Ela disse que vinha ser espírita?
Divaldo – Ela foi religiosa católica, nas próximas anteriores reencarnações, no entanto, nos últimos duzentos anos no Além estudou muito o Espiritismo, fez parte da equipe de o Consolador, e pretende vir na condição de espírita.

ADEP/JDE – (risos). Olhe, não sente um friozinho na barriga por ela estar voltando e você ter de partir primeiro?
Divaldo – Não, pelo contrário, sinto-me jubiloso, porque ela constatará como é difícil a existência na Terra... (risos)

ADEP/JDE – Tem conhecimento de outros Espíritos nobres que estejam voltando, para além dela?
Divaldo – Os Espíritos amigos me esclarecem que várias Entidades superiores que estiveram na Terra nos períodos passados estão preparando-se para retornar, quais estrelas do Céu que cairão sobre o planeta, para fazerem a grande mudança para mundo de regeneração, adoptando o comportamento espírita.

ADEP/JDE – Quem é que o vai substituir na condição de “Paulo de Tarso” da actualidade ? Raul Teixeira?
Divaldo – José Raul Teixeira é um grande trabalhador, um verdadeiro missionário da seara espírita. Eu acredito, porém, que cada um de nós tem um tipo de tarefa. Desse modo, cada qual encerra o seu ciclo de atividades e a Divindade envia novos trabalhadores bem equipados para darem prosseguimento à construção do Bem.

ADEP/JDE – O que é que os Espíritos lhe dizem sobre a cura do cancro, do sida, do Alzheimer? Estão aí com a genética?
Divaldo – Informam-me que, por enquanto, essas doenças ainda são uma necessidade para o nosso processo de autoiluminação.

ADEP/JDE – Porque é que as pessoas têm ansiedade sem a querer ter, e sem ter razões para isso?
Divaldo – Muitas dessas aflições procedem de existências pretéritas que se impõem como necessidade de libertação. Desse modo, a culpa, ínsita no inconsciente do indivíduo, produz-lhe reacções emocionais, que impulsionam aos distúrbios de ansiedade, assim como de outras denominações.

ADEP/JDE – Quem foi Maria, Mãe de Jesus? Ela voltou a encarnar?
Divaldo – A Mãe de Jesus é um Espírito de alta estirpe, que foi elegida para recebê-lO na Terra. Não acredito que ela haja retornado ao proscênio terrestre, reencarnando-se.

ADEP/JDE – Ela é endeusada pelas religiões ou é mesmo um Espírito muito evoluído?
Divaldo – O endeusamento é fruto da ignorância, das superstições das massas. Nada obstante, trata-se de um Espírito muito elevado. Eu estive na Turquia, na casa onde ela teria vivido os seus últimos dias, e confesso que foi um dos ambientes psíquicos mais agradáveis que eu já vivenciei. Oportunamente, eu visitei a Gruta da Natividade, o local do Calvário, a Cave de Lázaro, conforme asseveram as tradições, mas em nenhum desses recintos eu experimentei as emoções dulçurosas que senti naquele recanto de paz...Aquela região impressionou-me profundamente, como se permanecesse impregnada pelos fluidos dos antigos tempos... Para ser elegida como a mãe de Jesus não podia ser um Espírito qualquer, e que veio nessa missão única, não mais tendo retornado em corpo físico.

ADEP/JDE – E o Pai de Jesus?
Divaldo – Também foi um homem extraordinário, isso eu sei. E o tenho em alto conceito, em razão da sua renúncia e humildade, apagando-se, quanto possível, como enunciou João Baptista: «É necessário que eu diminua para que Ele cresça».

ADEP/JDE – Mas também terá deixado de reencarnar na Terra?
Divaldo – Penso, que sim.

ADEP/JDE – As notícias veiculadas nos meios de comunicação (eu não sabia disto) informam que, na América, já se faz uma operação que consiste numa pequena rede num cabo perto da axila, debaixo da pele, isto sobre a depressão. Depois uma nova incisão no cérebro onde é colocado um arame que irá provocar um estímulo eléctrico ao nervo vago. Mediante este tratamento a depressão desaparece. A questão é a seguinte: como é que se pode analisar à luz da Doutrina Espírita se está ligada a processos obsessivos ou a espíritos?
Divaldo – Caso isso seja verdade, porque eu também desconheço a técnica, ocorre que, no problema cármico a pessoa já merece a libertação do transtorno, conforme sucede com tantas outras enfermidades. Todavia, se o paciente ainda não possua créditos morais para a libertação, o processo terapêutico poderá produzir estímulos para a produção da serotonina, da noradrenalina, o que ajudará na melhora da depressão, mas não, penso, na conquista da saúde integral. Passará a apresentar outros distúrbios de conduta, outros tipos de problemáticas afligentes, porque, para as Divinas Leis não importa como a pessoa resgate os seus débitos, mas que os resgate.

ADEP/JDE – Duas últimas: Barack Obama é um enviado de Deus?
Divaldo – Eu diria que ele veio numa grande missão para resgatar o seu povo que se encontrava equivocado, politicamente, acreditando-se senhores do mundo, como ocorrera no passado com os romanos... Tornou-se necessário que viesse um Espírito sereno e não belicoso para colocar certos limites e favorecer com a humildade de reconhecer os limites a que todos estamos submetidos.

ADEP/JDE – Está no nosso carma passarmos por uma guerra mundial, com tanto armamento militar?
Divaldo – Por incrível que pareça, o excesso de armas inibe a guerra, porque todos têm medo de iniciá-la, face aos danosos resultados que podem advir.. O Professor Pietro Ubaldi disse-me, faz muitos anos, quando estivemos juntos, que uma 3ª guerra mundial não seria factível, porque o vencedor tombaria sobre o vencido. As armas de destruição em massa seriam de tal forma desastrosas, que os ventos contaminariam toda a Terra, e ninguém seria vencedor... Desse modo, pessoalmente não creio numa 3ª guerra mundial, mas acredito que muitas dessas armas, quando superadas, são utilizadas em movimentos destrutivos locais, guerrilhas, terrorismo, agressividade...

ADEP/JDE – Uma última mensagem?
Divaldo – Está na hora de todos nos abraçarmos e construirmos uma socidade saudável, caracteriza pelo ideal que dignifique a presença do homem novo, do cristão autêntico; que esqueçamos mágoas e ressentimentos e nos recordemos que o amor é a única solução, conforme recomendaram Allan Kardec e Jesus.
Deveremos, nós, os espíritas, olhar o futuro com otimismo e trabalharmos para que o bem e a verdade sejam os sinais defluentes do amor na edificação da felicidade humana.


Entrevista concedida ao Jornal de Espiritismo (ADEP), em Portugal, 05/10/2009.

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Surpreendidos


Enlevados com a mensagem de Jesus, empolgaram-se em múltiplas actividades preparatórias para a reencarnação, aprofundando conhecimentos de ordem geral, estudando Kardec, especializando-se em áreas mais condizentes com a sua maneira de ser, no campo filosófico, científico, religioso, artístico, caritativo.
Assemelhavam-se a forte contingente de combatentes do Cristo, envoltos nas Suas doces vibrações, determinados em voltarem ao planeta Terra para aí zurzirem o materialismo com a chama da fé, com a prática do Amor.
Foram cenas edificantes, emocionantes, e são-no quase sempre, as despedidas dos comprometidos com o Cristo, voltando ao campo de luta, buscando semear o bem e assim libertarem-se do passado delituoso. Compromissos efectuados, promessas de apoio espiritual contínuo, vão quais falanges de homens e mulheres determinados a mudarem o mundo, usando apenas o bastão do Amor.
Mergulhados na carne, quase sempre adormecem à sombra do materialismo, das circunstâncias mundanas, até que um dia, os benfeitores da retaguarda proporcionam um despertar para a realidade com que se comprometeram: casas de oração são erigidas, propósitos nobres são depositados nas consciências, mas o homem, ainda invigilante, não se apercebe que a seara espírita é apenas oportunidade de trabalho, jamais campo de bajulação ou catapulta para o estrelato.
Com a caridade nos lábios, quantas vezes agimos ao contrário!
Quantas vezes mostramos caridade material para nos valorizarmos socialmente, esquecendo a caridade do silêncio perante o erro alheio, a caridade do entendimento, da compreensão.
Mergulhado mais uma vez no círculo vicioso da vaidade, o homem, apesar dos apelos constantes da retaguarda espiritual, bem como dos alertas durante o desprendimento do veículo somático, permanece envolto no seu ego, personalizando a doutrina que se quer universal, universalista e despersonalizada.
Pensando agir no bem, alimenta-se na vaidade.
Pensando cumprir com os compromissos assumidos, encarcera-se nos vícios pretéritos, onde o ego funciona quais algemas que o manietam.
Mais tarde, desencarnam almejando o país da luz, as recepções felizes ao som de trombetas, com músicas suaves, e deparam-se apenas… consigo próprios.
São os espíritas surpreendidos… até que um dia aprendam que o Amor é o caminho que nos levará aos estados de alma felizes, Amor esse que passa pelo trabalho por todos, para todos, sem qualquer tipo de prurido ou de vaidade ou ainda de vontade de destaque.
Enquanto não nos consciencializarmos de que nada mais conta do que o Amor, continuaremos a ser surpreendidos no mais Além, encontrando-nos tal qual somos e não tal qual desejaríamos em virtude de relatos de outrem, encontrados na bibliografia espírita.
Que os espíritas se consciencializem de que o seu agir deve ser coerente com a doutrina que defendem.

Amélia Cardia
Psicografia recebida nas Caldas da Rainha, Portugal, em 2 de Dezembro de 2003 

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Prece de Natal


A Terra bramia
Na escuridão espiritual
Quando veio do mais Além
O salvador, afinal!

Nasceu o menino
Sem pompas nem circunstância
Nasceu pequenino
Mas grande era a esperança!

Anjos no Além
O nimbavam de luz
Protegendo o menino
O menino Jesus

Trouxe ao homem
A mensagem final
Deus é o Pai
De todos por igual

A bondade em pessoa
Sofreu a humana maldade
Falou, praticou, ensinou
Exemplificando à humanidade

Jesus o Nazareno
Ridicularizado, incompreendido,
Foi morto e pregado
Tendo muito sofrido.

Quando os homens julgaram
Que a morte O levara
Ele alçava-se a nova aurora
Que ali começara

Seriam momentos de luta
De difícil apostolado
Divulgar a sua doutrina
Por todo o lado.

Ser cristão era crime
Punido sem igual
Ser carne para leão
Era sentença fatal.

Novos tempos novas lutas
Se deparam agora.
Ser cristão é difícil:
Fazer a íntima melhora.

Pensa em Jesus
Não só no Natal
Segue-O no quotidiano
Até ao dia final.

Faz da vida
Um Natal em permanência
Iluminando-te a vida
Nesta tua existência.

Se assim procederes,
Na hora final
Largarás o corpo
Com êxito total.

Jesus, bondade e Amor
Toca-nos o coração
Num mundo de dor
Ampara o teu irmão.

Só assim será Natal
Pondo o Amor em acção
Caridade não é palavra vã
Não te iludas meu irmão.

Amélia
Psicografia recebida nas Caldas da Rainha, Portugal, em 22 de Dezembro de 2003 

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Estrelas que Brilham...



Somos estrelas que brilham
Com mais ou menos luz
Cada um carregando
Suave ou pesada cruz.

Não te apoquentes, amigo
Com tamanhas dificuldades
Vai em frente na labuta
Criando muitas amizades

Para quê a revolta
Contra as coisas da vida?
Perdes tempo que não volta
E ficas com a alma dorida.

Aceita o que Deus te dá
Com um sorriso na face
Luta sempre por te melhorares
Procurando por dentro ter classe.

O Amor é eterna solução
Para todas as nossas aflições
Perdoem, perdoem sempre amigos
E assim desanuviarão os corações.

Poeta alegre
Psicografia recebida em Caldas da Rainha, Portugal. 

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Tolerar ou não...



Tolerar, não tolerar
Porquê tanta questão?
Se eu não tolerar
Como amar o meu irmão?

Tolerância é palavra vã
Nos lábios desatentos
Pô-la em prática no dia-a-dia
Acaba com muitos tormentos.

Ah! Se tolerância houvesse
Neste mundo sofredor
Depressa se debelaria
A miséria e tanta dor.

Tolerem sempre amigos
Mesmo o mais desequilibrado
Sem pactuar com o erro
Caminhemos lado a lado.

Tolerar cada vez mais
É roteiro seguro
Faz-nos bem ao coração
Torna o Espírito mais maduro.

E assim um dia
Feliz te sentirás
Ao ver a alegria
Que a tolerância te traz!

Poeta alegre
Psicografia recebida nas Caldas da Rainha, Portugal

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A Caravela da Vida



Lá vai a caravela
No meio da tormenta
Oh timoneiro
Vê lá se ela aguenta

Ai, meu Capitão
Ela dá cada safanão…
Não vejo a hora de
Pisar firme chão…

Cala-te Homem de Deus
Com tamanha desilusão
Arriba-me esse ânimo
Hás-de pisar firme chão.

Nunca um marinheiro
Perde a confiança
em dobrar com êxito
O Cabo da Boa-Esperança
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Assim é na vida
Somos naus no mar
Sofrendo ventos e tormentas
Mas temos de continuar

O nosso objectivo
É o porto de abrigo
Após a jornada
Após tanto perigo

Mas a jornada,
tem seus encantos
As ondas, as nuvens,
Os peixes, os recantos…

Pega pois no leme
E segue, Caravela,
Imune a toda dificuldade
Ergue a tua vela

O vento da esperança
Logo a encherá
Levando-te com alegria
Ao porto que te receberá

Após deitar as amarras
Alegre ancião t’interroga:
Que trazes marinheiro?
Nessa grande piroga?

Sou marinheiro de Deus
Trago alegrias, sofrimentos,
Passei por mil mares,
E pelo Cabo dos Tormentos

Trago-te a mais bela notícia
Que pude aprender:
Marinheiro que não ame
Não pára de sofrer…

Por isso estou feliz
Por ao porto chegar
Sofri, lutei na vida
Mas consegui amar…

Sejas então bem-vindo
Descansa um pouco, irmão
Chegaste à Pátria de Deus
Que t’aconchega o coração.

Um navegante da vida
Psicografia recebida na reunião mediúnica do CCE, Caldas da Rainha, Portugal, em 9 de Junho de 2009. 

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Culpa



Porque sentes culpa
De algum proceder?
Não percas tempo
Põe-te a mexer...

Há tanto a fazer
Junto do teu irmão
Que não é justo
Alimentares a desilusão...

Se culpa sentes,
Muda o proceder.
O íntimo melhorará
Com a alma a crescer…

…Em busca de luz
Paz e harmonia
Que conseguirás
Com esforço, um dia

A dúvida
É má conselheira
Para quem quer progredir
Na divina sementeira

Ir sempre adiante
Jamais temer
Quem segue Jesus
Não teme sofrer

Espírita consciente
Sente a segurança
Do roteiro a seguir
Aliado à esperança


Psicografia recebida na reunião mediúnica do CCE, C. Rainha, Portugal, a 17 de Julho de 2007.

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José Lucas - Jornal "A Voz de Cambra"



Voz de Cambra (V.C.): O que é o espiritismo?
José Lucas (J.L.):
O Espiritismo é uma ciência filosófica de consequências morais; como ciência investiga os factos espíritas; como filosofia explica-os, e como moral traça um roteiro moral para a humanidade, assente nos ensinamentos morais que Jesus de Nazaré deixou na Terra.

V.C: O espiritismo é, muitas vezes, associado a rituais e superstições. Então, o que não é o espiritismo?
J.L: O Espiritismo não é mais uma religião, nem mais uma seita; não tem nada a ver com bruxarias, magias, rituais, médiuns comerciantes que colocam anúncios em jornais, superstições, crendices. O Espiritismo (ou Doutrina Espírita) é um amplo movimento cultural.

V.C: O espiritismo é também visto, muitas vezes, como uma religião nova que está a difundir-se em Portugal e que veio do Brasil. É assim?
J.L: É completamente errado.
A Doutrina Espírita (conjunto de ideias que explicam a origem, natureza e destino dos Espíritos, bem como as relações existentes entre o mundo corpóreo e o mundo espiritual) apareceu em França (Paris) em 1857, com as pesquisas do eminente sábio (à época) Allan Kardec, pessoas respeitabilíssima na sociedade parisience.
O Espiritismo não é mais uma religião nem mais uma seita, mas uma doutrina que aumenta a espiritualidade do ser humano.
Muitos espíritas, nomeadamente no Brasil, confundem espiritualidade com religião, e fazem do espiritismo mais uma religião, o que é profundamente contra a essência do Espiritismo (estude-se as obras de Allan Kardec, "O que é o Espiritismo?" e outras).

V.C: Acha que a doutrina espírita é uma ideia bem aceite pelo povo português?
J.L: Cada vez mais.
Isso nota-se pela busca que as pessoas fazem pelo espiritismo, como doutrina que esclarece e consola, respondendo às perquirições mais íntimas que nos assolam: quem somos, de onde viemos, para onde vamos? Qual a causa de tantas dissemelhanças entre as pessoas e dissemelhança de oportunidades? Curiosamente duas classes que tradicionalmente se interessam muito pelo espiritismo são os professores e os médicos.

V.C: Como é que o espiritismo pode ser útil à sociedade?
J.L: O Espiritismo explica o porquê da vida, porque somos felizes, porque sofremos. As pessoas ao entenderem o porquê da vida, a lógica e profunda justiça de Deus, assente na lógica da reencarnação (hoje uma evidência científica adquirida), tornam-se mais calmas, mais fraternas, mais compreensivas, mais tolerantes. Entendendo o espiritismo, o racismo, xenofobia, diferenças de género e diferenças sociais, desaparecem, pois o homem entende que todo o homem é nosso irmão e está naquela condição temporariamente e que amanhã, noutra vida podemos ser nós a estar na mesma condição. Com o espiritismo aumenta a consciência ecológica, com profundo respeito pela Natureza. O Espiritismo é ainda o melhor e maior preservativo contra o suicídio, demonstrando a inutilidade deste acto, pois que a vida continua.
  
V.C: Com a crise que assola o país de várias formas, tem havido uma maior procura desta doutrina espírita?
J.L: Pensamos que não, pois acima da crise financeira, existe uma crise de valores.
O actual sistema social está esgotado, as pessoas estão cansadas de procurar em vão a felicidade no materialismo.
O Espiritismo apresenta a mensagem de Jesus de Nazaré, como única estratégia de paz possível, que podemos colocar em prática, já hoje, melhorando o nosso íntimo, e auxiliando os que nos cercam a serem melhores.
Com o Espiritismo a mensagem de Jesus é melhor entendida, sem os dogmas criados pelas várias igrejas, regressando assim à sua simplicidade inicial.

V.C: O espiritismo mostra a morte como uma passagem. Qual a vossa posição da vida para além da morte?
J.L: O Espiritismo demonstrou experimentalmente que a morte é uma quimera, o espiritismo matou a morte. Provou que a vida continua, através dos contactos com o mundo espiritual, por meio de médiuns. Todos esses factos estudados em 1857, estão agora a ser comprovados por cientistas (não espíritas) de vários países, demonstrando assim a imortalidade do Espírito. Poderá haver noção mais reconfortante?

V.C: Diz a doutrina espírita se baseia na comunicabilidade dos espíritos. Explique de que forma se processa e qual a experiência que mais o impressionou?
J.L: Isso daria para um curso básico de espiritismo, que as pessoas podem fazer gratuitamente através da Internet em www.adeportugal.org. Ninguém morre, continuando a viver no mundo espiritual com um corpo espiritual, energético, tão real como o nosso só que noutro estado da matéria. A comunicação espiritual dá-se mente a mente, em que o médium capta o pensamento e a mensagem do espírito (pessoa já falecida, mas tão viva quanto nós). O médium, pela concentração, capta a ideia que o espírito quer transmitir e transmite-a através da escrita, da fala, da vidência, da audiência, conforme seja o seu tipo de mediunidade (ou percepção extra-sensorial).
São inúmeras as experiências vivenciadas que atestam a imortalidade do espírito. Num dos casos que me recorde, um miúdo falecido com 13 anos, 7 anos mais tarde comunicou-se através de um médium numa reunião num centro espírita, pedindo para dizer à mãe que não se esquecesse da latinha. Não conhecíamos a família e aquilo nada nos dizia. Dado o recado à mãe, esta chorou de alegria, identificando de imediato tratar-se do filho, que na altura que faleceu num acidente de automóvel, usava um mealheiro em forma de lata de coca-cola onde ele metia as moedas que lhe davam, e chamava-a de latinha. Nenhum de nós conhecia a família, nem o caso, nem onde moravam, nada.

V.C: O que é a Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) e quem a constitui?
J.L:
É uma associação, que pretende divulgar correctamente a Doutrina Espírita, a nível nacional, auxiliando assim a informar as pessoas de que o espiritismo é cultura, nada tem a ver com crendices, com superstições, com médiuns charlatães que vivem à custa do sofrimento alheio. Repare que no próximo 17 e 18 de Abril vão decorrer as VII Jornadas de Cultura Espírita, em Óbidos, um evento ao nível nacional que tem esgotado sempre, onde temos tido a presença de médicos, psicólogos, investigadores entre outros.
Quem constitui a ADEP são cerca de 20 dirigentes espíritas a nível nacional, de Norte a Sul do país, que sentiram a necessidade de a constituir com esse fim. São professores, jornalistas, cientistas, empregados administrativos, médicos, técnicos, militares, entre outras profissões existentes na sociedade.

V.C: Que tipos de ajuda dá uma associação espírita?
J.L: Esclarece acerca da vida e esclarecendo consola.
Paralelamente ajuda ao nível espiritual, com a terapia espírita: estudo, oração, passe espírita (transmissão de fluídos energéticos), e desobsessão espiritual (intercâmbio com o mundo espiritual em benefício do necessitado)

V.C: Em Vale de Cambra está sedeado um centro espírita (Associação Cultural e Beneficente Mudança Interior. Que contributo tem dado à população?
J.L: Isso vai ter de questionar os dirigentes locais. Mas enquadra-se certamente no que respondi na pergunta anterior.

V.C: Quem são na realidade os espíritas e os médiuns? Qualquer pessoa o pode ser? Cobram dinheiro?
J.L: O espírita é o adepto da ideia espírita.
O médium é a pessoa portadora de mediunidade (percepção extra-sensorial).
Qualquer pessoa pode ser espírita, bastando para isso simpatizar com os seus princípios e querer aprender e estudar espiritismo.
Qualquer pessoa pode ser médium, já que em essência todos somos mais ou menos médiuns.
Ser médium não é sinónimo de ser espírita. Existem católicos que são médiuns, budistas que são médiuns, ateus, evangélicos, etc, etc, é da condição humana.
Existem médiuns que também são espíritas, e existem espíritas que não são médiuns.
Do que conheço o Espiritismo é a Doutrina que melhor utiliza a mediunidade, com rigor, com seriedade e com total desinteresse.
Um centro espírita jamais pode cobrar um cêntimo que seja pelas suas actividades, nem tão pouco aceitar dinheiro em troca, nem qualquer outro tipo de favores. É um crime de simonia (comércio das coisas de Deus). A prática espírita centra-se no amor ao próximo, desinteressadamente. Onde houver comércio, aceitação monetária, aí não está o espiritismo, de certeza absoluta.

(In Jornal “A Voz de Cambra”, de 25 de Fevereiro de 2010, Vale de Cambra, Portugal)

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Divaldo Franco - a Doutrina (1ª parte)

A

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Vozes do Além...

João Dominador
Vivia como queria
Pensava que o poder
Só lhe dava alegria.

Era mau, déspota,
A todos dominava
Com o seu dinheiro
Usava e explorava.

Não fazia o bem
Pensando ser imortal
Até que chegou a vez
De largar o corpo carnal.

No Além penetrou
Em extrema perturbação
Só pensava na vida
Que levara na devassidão.

Encontrou Zé Traquinas
Comparsa da má vida.
Sintonizou com ele
Perseguindo-o na sua lida.

Zé Traquinas cambaleou;
Será que estou doente?
Falou com a avó
Que o mandou à vidente.

Óh senhora, oiço vozes
Que me mandam estouvar
Ando perturbado,
Até m’apetece matar.

“Xi!!! É um espírito escuro
Que está aí colado
Diz que é o Dominador
Que te quer ao seu lado.”

Será que estou louco?
O Dominado já morreu…
Será mesmo ele 
Que voltou p’ra mal meu?

“Tens de rezar por ele
E a vida mudar
Pois se não o fizeres
Ele vai mesmo ficar.”

Ora bolas, Deus meu
Dava tudo p’ra não ouvir
Eu quero ser melhor
Para melhor poder dormir.

E assim Dominador
O obsessor audiente
Ajudou o Zé Traquinas
A deixar de ser “doente”.

Mudou de vida, com medo
Do espírito Dominador.
Passou a respeitar o próximo
A sentir um pouco de amor.

As vozes do Além
São bem reais.
Falam como as nossas falam,
Quando são mortais.

Não te assustes
Com vozes do Além.
Reza por elas,
E faz sempre o bem.

Deus manda as vozes
Para tua instrução.
Aprende pois com elas
E ama o teu irmão.

Poeta alegre
Psicografia recebida na reunião pública do CCE, nas caldas da Rainha, Portugal, em 11 de Julho de 2008, durante a palestra subordinada ao tema «Oiço vozes: que fazer?»

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Velho rezingão...

Vociferava diariamente
O velho rezingão
Só ele sabia
Só ele tinha razão

Dono de terras
E fortuna pessoal
Julgava-se superior
Julgava-se mal

Pois um dia,
Dor ferina o atingiu
O peito dorido
E o coração faliu.

O velho rezingão
Entrou no Além
Onde encontrou
muito desdém! 

Ajudem, ajudem
Gritava o rezingão
Os outros gargalhavam
Ao som de palavrão

Aqueles odiados
Pelo rezingão
Pediam contas
Cobrando ao tostão

Clemência, clemência
Rogava o rezingão
Fugindo espavorido
Pelo espaço, em vão!

Maldita consciência
Que me faz lembrar
Os erros cometidos
Quando julgava mandar

Cansado, destruído
Com fervor, orou
O velho rezingão
De Deus se lembrou.

Oh, milgare
Será mesmo assim?
Dois anjos luminosos
Vestidos de cetim...

Vem, amigo
Chegou a tua hora
Vais voltar à Terra
Voltar sem demora

E assim o rezingão
Voltou a reencarnar
Com mediunidade ostensiva
Cedo a despontar

Chorava, gritava
Não conseguia dormir
Chegado aos dezasseis
Via os sonhos ruir.

Filho de gente humilde
Rezingão aprendeu
Que se aprende melhor
Quando se é plebeu.

Foi médium toda a vida
Ajudando quem podia
Fê-lo tão bem
Que a morte foi alegria.

Desencarnado novamente
Rezingão já não era.
Aquela reencarnação
Fora para ele primavera

Semear e colher
É lei natural
Se queres colher o bem
Nunca semeies o mal

Poeta alegre
Psicografia recebida, em Óbidos, Portugal, em 20 de Abril de 2009