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Surpreendidos


Enlevados com a mensagem de Jesus, empolgaram-se em múltiplas actividades preparatórias para a reencarnação, aprofundando conhecimentos de ordem geral, estudando Kardec, especializando-se em áreas mais condizentes com a sua maneira de ser, no campo filosófico, científico, religioso, artístico, caritativo.
Assemelhavam-se a forte contingente de combatentes do Cristo, envoltos nas Suas doces vibrações, determinados em voltarem ao planeta Terra para aí zurzirem o materialismo com a chama da fé, com a prática do Amor.
Foram cenas edificantes, emocionantes, e são-no quase sempre, as despedidas dos comprometidos com o Cristo, voltando ao campo de luta, buscando semear o bem e assim libertarem-se do passado delituoso. Compromissos efectuados, promessas de apoio espiritual contínuo, vão quais falanges de homens e mulheres determinados a mudarem o mundo, usando apenas o bastão do Amor.
Mergulhados na carne, quase sempre adormecem à sombra do materialismo, das circunstâncias mundanas, até que um dia, os benfeitores da retaguarda proporcionam um despertar para a realidade com que se comprometeram: casas de oração são erigidas, propósitos nobres são depositados nas consciências, mas o homem, ainda invigilante, não se apercebe que a seara espírita é apenas oportunidade de trabalho, jamais campo de bajulação ou catapulta para o estrelato.
Com a caridade nos lábios, quantas vezes agimos ao contrário!
Quantas vezes mostramos caridade material para nos valorizarmos socialmente, esquecendo a caridade do silêncio perante o erro alheio, a caridade do entendimento, da compreensão.
Mergulhado mais uma vez no círculo vicioso da vaidade, o homem, apesar dos apelos constantes da retaguarda espiritual, bem como dos alertas durante o desprendimento do veículo somático, permanece envolto no seu ego, personalizando a doutrina que se quer universal, universalista e despersonalizada.
Pensando agir no bem, alimenta-se na vaidade.
Pensando cumprir com os compromissos assumidos, encarcera-se nos vícios pretéritos, onde o ego funciona quais algemas que o manietam.
Mais tarde, desencarnam almejando o país da luz, as recepções felizes ao som de trombetas, com músicas suaves, e deparam-se apenas… consigo próprios.
São os espíritas surpreendidos… até que um dia aprendam que o Amor é o caminho que nos levará aos estados de alma felizes, Amor esse que passa pelo trabalho por todos, para todos, sem qualquer tipo de prurido ou de vaidade ou ainda de vontade de destaque.
Enquanto não nos consciencializarmos de que nada mais conta do que o Amor, continuaremos a ser surpreendidos no mais Além, encontrando-nos tal qual somos e não tal qual desejaríamos em virtude de relatos de outrem, encontrados na bibliografia espírita.
Que os espíritas se consciencializem de que o seu agir deve ser coerente com a doutrina que defendem.

Amélia Cardia
Psicografia recebida nas Caldas da Rainha, Portugal, em 2 de Dezembro de 2003 

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Prece de Natal


A Terra bramia
Na escuridão espiritual
Quando veio do mais Além
O salvador, afinal!

Nasceu o menino
Sem pompas nem circunstância
Nasceu pequenino
Mas grande era a esperança!

Anjos no Além
O nimbavam de luz
Protegendo o menino
O menino Jesus

Trouxe ao homem
A mensagem final
Deus é o Pai
De todos por igual

A bondade em pessoa
Sofreu a humana maldade
Falou, praticou, ensinou
Exemplificando à humanidade

Jesus o Nazareno
Ridicularizado, incompreendido,
Foi morto e pregado
Tendo muito sofrido.

Quando os homens julgaram
Que a morte O levara
Ele alçava-se a nova aurora
Que ali começara

Seriam momentos de luta
De difícil apostolado
Divulgar a sua doutrina
Por todo o lado.

Ser cristão era crime
Punido sem igual
Ser carne para leão
Era sentença fatal.

Novos tempos novas lutas
Se deparam agora.
Ser cristão é difícil:
Fazer a íntima melhora.

Pensa em Jesus
Não só no Natal
Segue-O no quotidiano
Até ao dia final.

Faz da vida
Um Natal em permanência
Iluminando-te a vida
Nesta tua existência.

Se assim procederes,
Na hora final
Largarás o corpo
Com êxito total.

Jesus, bondade e Amor
Toca-nos o coração
Num mundo de dor
Ampara o teu irmão.

Só assim será Natal
Pondo o Amor em acção
Caridade não é palavra vã
Não te iludas meu irmão.

Amélia
Psicografia recebida nas Caldas da Rainha, Portugal, em 22 de Dezembro de 2003 

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Estrelas que Brilham...



Somos estrelas que brilham
Com mais ou menos luz
Cada um carregando
Suave ou pesada cruz.

Não te apoquentes, amigo
Com tamanhas dificuldades
Vai em frente na labuta
Criando muitas amizades

Para quê a revolta
Contra as coisas da vida?
Perdes tempo que não volta
E ficas com a alma dorida.

Aceita o que Deus te dá
Com um sorriso na face
Luta sempre por te melhorares
Procurando por dentro ter classe.

O Amor é eterna solução
Para todas as nossas aflições
Perdoem, perdoem sempre amigos
E assim desanuviarão os corações.

Poeta alegre
Psicografia recebida em Caldas da Rainha, Portugal. 

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Tolerar ou não...



Tolerar, não tolerar
Porquê tanta questão?
Se eu não tolerar
Como amar o meu irmão?

Tolerância é palavra vã
Nos lábios desatentos
Pô-la em prática no dia-a-dia
Acaba com muitos tormentos.

Ah! Se tolerância houvesse
Neste mundo sofredor
Depressa se debelaria
A miséria e tanta dor.

Tolerem sempre amigos
Mesmo o mais desequilibrado
Sem pactuar com o erro
Caminhemos lado a lado.

Tolerar cada vez mais
É roteiro seguro
Faz-nos bem ao coração
Torna o Espírito mais maduro.

E assim um dia
Feliz te sentirás
Ao ver a alegria
Que a tolerância te traz!

Poeta alegre
Psicografia recebida nas Caldas da Rainha, Portugal

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A Caravela da Vida



Lá vai a caravela
No meio da tormenta
Oh timoneiro
Vê lá se ela aguenta

Ai, meu Capitão
Ela dá cada safanão…
Não vejo a hora de
Pisar firme chão…

Cala-te Homem de Deus
Com tamanha desilusão
Arriba-me esse ânimo
Hás-de pisar firme chão.

Nunca um marinheiro
Perde a confiança
em dobrar com êxito
O Cabo da Boa-Esperança
-------------------------------------
Assim é na vida
Somos naus no mar
Sofrendo ventos e tormentas
Mas temos de continuar

O nosso objectivo
É o porto de abrigo
Após a jornada
Após tanto perigo

Mas a jornada,
tem seus encantos
As ondas, as nuvens,
Os peixes, os recantos…

Pega pois no leme
E segue, Caravela,
Imune a toda dificuldade
Ergue a tua vela

O vento da esperança
Logo a encherá
Levando-te com alegria
Ao porto que te receberá

Após deitar as amarras
Alegre ancião t’interroga:
Que trazes marinheiro?
Nessa grande piroga?

Sou marinheiro de Deus
Trago alegrias, sofrimentos,
Passei por mil mares,
E pelo Cabo dos Tormentos

Trago-te a mais bela notícia
Que pude aprender:
Marinheiro que não ame
Não pára de sofrer…

Por isso estou feliz
Por ao porto chegar
Sofri, lutei na vida
Mas consegui amar…

Sejas então bem-vindo
Descansa um pouco, irmão
Chegaste à Pátria de Deus
Que t’aconchega o coração.

Um navegante da vida
Psicografia recebida na reunião mediúnica do CCE, Caldas da Rainha, Portugal, em 9 de Junho de 2009. 

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Culpa



Porque sentes culpa
De algum proceder?
Não percas tempo
Põe-te a mexer...

Há tanto a fazer
Junto do teu irmão
Que não é justo
Alimentares a desilusão...

Se culpa sentes,
Muda o proceder.
O íntimo melhorará
Com a alma a crescer…

…Em busca de luz
Paz e harmonia
Que conseguirás
Com esforço, um dia

A dúvida
É má conselheira
Para quem quer progredir
Na divina sementeira

Ir sempre adiante
Jamais temer
Quem segue Jesus
Não teme sofrer

Espírita consciente
Sente a segurança
Do roteiro a seguir
Aliado à esperança


Psicografia recebida na reunião mediúnica do CCE, C. Rainha, Portugal, a 17 de Julho de 2007.

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José Lucas - Jornal "A Voz de Cambra"



Voz de Cambra (V.C.): O que é o espiritismo?
José Lucas (J.L.):
O Espiritismo é uma ciência filosófica de consequências morais; como ciência investiga os factos espíritas; como filosofia explica-os, e como moral traça um roteiro moral para a humanidade, assente nos ensinamentos morais que Jesus de Nazaré deixou na Terra.

V.C: O espiritismo é, muitas vezes, associado a rituais e superstições. Então, o que não é o espiritismo?
J.L: O Espiritismo não é mais uma religião, nem mais uma seita; não tem nada a ver com bruxarias, magias, rituais, médiuns comerciantes que colocam anúncios em jornais, superstições, crendices. O Espiritismo (ou Doutrina Espírita) é um amplo movimento cultural.

V.C: O espiritismo é também visto, muitas vezes, como uma religião nova que está a difundir-se em Portugal e que veio do Brasil. É assim?
J.L: É completamente errado.
A Doutrina Espírita (conjunto de ideias que explicam a origem, natureza e destino dos Espíritos, bem como as relações existentes entre o mundo corpóreo e o mundo espiritual) apareceu em França (Paris) em 1857, com as pesquisas do eminente sábio (à época) Allan Kardec, pessoas respeitabilíssima na sociedade parisience.
O Espiritismo não é mais uma religião nem mais uma seita, mas uma doutrina que aumenta a espiritualidade do ser humano.
Muitos espíritas, nomeadamente no Brasil, confundem espiritualidade com religião, e fazem do espiritismo mais uma religião, o que é profundamente contra a essência do Espiritismo (estude-se as obras de Allan Kardec, "O que é o Espiritismo?" e outras).

V.C: Acha que a doutrina espírita é uma ideia bem aceite pelo povo português?
J.L: Cada vez mais.
Isso nota-se pela busca que as pessoas fazem pelo espiritismo, como doutrina que esclarece e consola, respondendo às perquirições mais íntimas que nos assolam: quem somos, de onde viemos, para onde vamos? Qual a causa de tantas dissemelhanças entre as pessoas e dissemelhança de oportunidades? Curiosamente duas classes que tradicionalmente se interessam muito pelo espiritismo são os professores e os médicos.

V.C: Como é que o espiritismo pode ser útil à sociedade?
J.L: O Espiritismo explica o porquê da vida, porque somos felizes, porque sofremos. As pessoas ao entenderem o porquê da vida, a lógica e profunda justiça de Deus, assente na lógica da reencarnação (hoje uma evidência científica adquirida), tornam-se mais calmas, mais fraternas, mais compreensivas, mais tolerantes. Entendendo o espiritismo, o racismo, xenofobia, diferenças de género e diferenças sociais, desaparecem, pois o homem entende que todo o homem é nosso irmão e está naquela condição temporariamente e que amanhã, noutra vida podemos ser nós a estar na mesma condição. Com o espiritismo aumenta a consciência ecológica, com profundo respeito pela Natureza. O Espiritismo é ainda o melhor e maior preservativo contra o suicídio, demonstrando a inutilidade deste acto, pois que a vida continua.
  
V.C: Com a crise que assola o país de várias formas, tem havido uma maior procura desta doutrina espírita?
J.L: Pensamos que não, pois acima da crise financeira, existe uma crise de valores.
O actual sistema social está esgotado, as pessoas estão cansadas de procurar em vão a felicidade no materialismo.
O Espiritismo apresenta a mensagem de Jesus de Nazaré, como única estratégia de paz possível, que podemos colocar em prática, já hoje, melhorando o nosso íntimo, e auxiliando os que nos cercam a serem melhores.
Com o Espiritismo a mensagem de Jesus é melhor entendida, sem os dogmas criados pelas várias igrejas, regressando assim à sua simplicidade inicial.

V.C: O espiritismo mostra a morte como uma passagem. Qual a vossa posição da vida para além da morte?
J.L: O Espiritismo demonstrou experimentalmente que a morte é uma quimera, o espiritismo matou a morte. Provou que a vida continua, através dos contactos com o mundo espiritual, por meio de médiuns. Todos esses factos estudados em 1857, estão agora a ser comprovados por cientistas (não espíritas) de vários países, demonstrando assim a imortalidade do Espírito. Poderá haver noção mais reconfortante?

V.C: Diz a doutrina espírita se baseia na comunicabilidade dos espíritos. Explique de que forma se processa e qual a experiência que mais o impressionou?
J.L: Isso daria para um curso básico de espiritismo, que as pessoas podem fazer gratuitamente através da Internet em www.adeportugal.org. Ninguém morre, continuando a viver no mundo espiritual com um corpo espiritual, energético, tão real como o nosso só que noutro estado da matéria. A comunicação espiritual dá-se mente a mente, em que o médium capta o pensamento e a mensagem do espírito (pessoa já falecida, mas tão viva quanto nós). O médium, pela concentração, capta a ideia que o espírito quer transmitir e transmite-a através da escrita, da fala, da vidência, da audiência, conforme seja o seu tipo de mediunidade (ou percepção extra-sensorial).
São inúmeras as experiências vivenciadas que atestam a imortalidade do espírito. Num dos casos que me recorde, um miúdo falecido com 13 anos, 7 anos mais tarde comunicou-se através de um médium numa reunião num centro espírita, pedindo para dizer à mãe que não se esquecesse da latinha. Não conhecíamos a família e aquilo nada nos dizia. Dado o recado à mãe, esta chorou de alegria, identificando de imediato tratar-se do filho, que na altura que faleceu num acidente de automóvel, usava um mealheiro em forma de lata de coca-cola onde ele metia as moedas que lhe davam, e chamava-a de latinha. Nenhum de nós conhecia a família, nem o caso, nem onde moravam, nada.

V.C: O que é a Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) e quem a constitui?
J.L:
É uma associação, que pretende divulgar correctamente a Doutrina Espírita, a nível nacional, auxiliando assim a informar as pessoas de que o espiritismo é cultura, nada tem a ver com crendices, com superstições, com médiuns charlatães que vivem à custa do sofrimento alheio. Repare que no próximo 17 e 18 de Abril vão decorrer as VII Jornadas de Cultura Espírita, em Óbidos, um evento ao nível nacional que tem esgotado sempre, onde temos tido a presença de médicos, psicólogos, investigadores entre outros.
Quem constitui a ADEP são cerca de 20 dirigentes espíritas a nível nacional, de Norte a Sul do país, que sentiram a necessidade de a constituir com esse fim. São professores, jornalistas, cientistas, empregados administrativos, médicos, técnicos, militares, entre outras profissões existentes na sociedade.

V.C: Que tipos de ajuda dá uma associação espírita?
J.L: Esclarece acerca da vida e esclarecendo consola.
Paralelamente ajuda ao nível espiritual, com a terapia espírita: estudo, oração, passe espírita (transmissão de fluídos energéticos), e desobsessão espiritual (intercâmbio com o mundo espiritual em benefício do necessitado)

V.C: Em Vale de Cambra está sedeado um centro espírita (Associação Cultural e Beneficente Mudança Interior. Que contributo tem dado à população?
J.L: Isso vai ter de questionar os dirigentes locais. Mas enquadra-se certamente no que respondi na pergunta anterior.

V.C: Quem são na realidade os espíritas e os médiuns? Qualquer pessoa o pode ser? Cobram dinheiro?
J.L: O espírita é o adepto da ideia espírita.
O médium é a pessoa portadora de mediunidade (percepção extra-sensorial).
Qualquer pessoa pode ser espírita, bastando para isso simpatizar com os seus princípios e querer aprender e estudar espiritismo.
Qualquer pessoa pode ser médium, já que em essência todos somos mais ou menos médiuns.
Ser médium não é sinónimo de ser espírita. Existem católicos que são médiuns, budistas que são médiuns, ateus, evangélicos, etc, etc, é da condição humana.
Existem médiuns que também são espíritas, e existem espíritas que não são médiuns.
Do que conheço o Espiritismo é a Doutrina que melhor utiliza a mediunidade, com rigor, com seriedade e com total desinteresse.
Um centro espírita jamais pode cobrar um cêntimo que seja pelas suas actividades, nem tão pouco aceitar dinheiro em troca, nem qualquer outro tipo de favores. É um crime de simonia (comércio das coisas de Deus). A prática espírita centra-se no amor ao próximo, desinteressadamente. Onde houver comércio, aceitação monetária, aí não está o espiritismo, de certeza absoluta.

(In Jornal “A Voz de Cambra”, de 25 de Fevereiro de 2010, Vale de Cambra, Portugal)

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Divaldo Franco - a Doutrina (1ª parte)

A

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Vozes do Além...

João Dominador
Vivia como queria
Pensava que o poder
Só lhe dava alegria.

Era mau, déspota,
A todos dominava
Com o seu dinheiro
Usava e explorava.

Não fazia o bem
Pensando ser imortal
Até que chegou a vez
De largar o corpo carnal.

No Além penetrou
Em extrema perturbação
Só pensava na vida
Que levara na devassidão.

Encontrou Zé Traquinas
Comparsa da má vida.
Sintonizou com ele
Perseguindo-o na sua lida.

Zé Traquinas cambaleou;
Será que estou doente?
Falou com a avó
Que o mandou à vidente.

Óh senhora, oiço vozes
Que me mandam estouvar
Ando perturbado,
Até m’apetece matar.

“Xi!!! É um espírito escuro
Que está aí colado
Diz que é o Dominador
Que te quer ao seu lado.”

Será que estou louco?
O Dominado já morreu…
Será mesmo ele 
Que voltou p’ra mal meu?

“Tens de rezar por ele
E a vida mudar
Pois se não o fizeres
Ele vai mesmo ficar.”

Ora bolas, Deus meu
Dava tudo p’ra não ouvir
Eu quero ser melhor
Para melhor poder dormir.

E assim Dominador
O obsessor audiente
Ajudou o Zé Traquinas
A deixar de ser “doente”.

Mudou de vida, com medo
Do espírito Dominador.
Passou a respeitar o próximo
A sentir um pouco de amor.

As vozes do Além
São bem reais.
Falam como as nossas falam,
Quando são mortais.

Não te assustes
Com vozes do Além.
Reza por elas,
E faz sempre o bem.

Deus manda as vozes
Para tua instrução.
Aprende pois com elas
E ama o teu irmão.

Poeta alegre
Psicografia recebida na reunião pública do CCE, nas caldas da Rainha, Portugal, em 11 de Julho de 2008, durante a palestra subordinada ao tema «Oiço vozes: que fazer?»

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Velho rezingão...

Vociferava diariamente
O velho rezingão
Só ele sabia
Só ele tinha razão

Dono de terras
E fortuna pessoal
Julgava-se superior
Julgava-se mal

Pois um dia,
Dor ferina o atingiu
O peito dorido
E o coração faliu.

O velho rezingão
Entrou no Além
Onde encontrou
muito desdém! 

Ajudem, ajudem
Gritava o rezingão
Os outros gargalhavam
Ao som de palavrão

Aqueles odiados
Pelo rezingão
Pediam contas
Cobrando ao tostão

Clemência, clemência
Rogava o rezingão
Fugindo espavorido
Pelo espaço, em vão!

Maldita consciência
Que me faz lembrar
Os erros cometidos
Quando julgava mandar

Cansado, destruído
Com fervor, orou
O velho rezingão
De Deus se lembrou.

Oh, milgare
Será mesmo assim?
Dois anjos luminosos
Vestidos de cetim...

Vem, amigo
Chegou a tua hora
Vais voltar à Terra
Voltar sem demora

E assim o rezingão
Voltou a reencarnar
Com mediunidade ostensiva
Cedo a despontar

Chorava, gritava
Não conseguia dormir
Chegado aos dezasseis
Via os sonhos ruir.

Filho de gente humilde
Rezingão aprendeu
Que se aprende melhor
Quando se é plebeu.

Foi médium toda a vida
Ajudando quem podia
Fê-lo tão bem
Que a morte foi alegria.

Desencarnado novamente
Rezingão já não era.
Aquela reencarnação
Fora para ele primavera

Semear e colher
É lei natural
Se queres colher o bem
Nunca semeies o mal

Poeta alegre
Psicografia recebida, em Óbidos, Portugal, em 20 de Abril de 2009

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Xico Mendes... o galã


Xico Mendes vem de longe
Com estranha mania
Gostava de toda a mulher
Fosse Joana, Teresa ou Maria

Xico Mendes era D. Juan
Dentro do rico paletó
Apanhou a sífilis
E ficou que metia dó.

Saíu do corpo em desalento
Ah!, Xico Mendes, que sofrimento...!
Onde aquele corpo formoso?
Aquele corpo corpulento?

Era invejado pelas mulheres
Que lhe disputavam a malícia
Agora tornou-se em pó
E foge de si como da polícia.

Chora lágrimas amargas.
Porquê logo eu...
E não aquele fedorento,
O aleijado, o Peiroteu?

No mais Além encontrou-o
Em paz e cheio de luz
Mas tu? És o Peiroteu?
Aquele que deitava pus?

Sim, sou eu, meu irmão
O desgraçado, o repudiado
Também fui vilão
Noutra vida, no passado

Permitiu Deus que voltasse
Como um enjeitado
Para não cair na armadilha
De por todas ser amado.

Mas será que também eu
Terei de ser um Peiroteu?
Irei sofrer tanto assim?
Meu Deus! Que destino o meu!...

E apareceu um anjo de luz
Que o sossegou um momento
Descanse amigo, voltará em breve
Apenas com um ou outro tormento

Não será mais o belo
O admirável Xico Mendes
Voltará com aspecto normal
Que às mulheres parecerá banal.

Terá mulher e filhos
Vida digna e produtiva
E um dia se porfiar
Deixará de amargar.

O Xico Mendes voltou
Com corpo e nome diferente
Mas quando vê mulher bonita
Fica logo a dar ao dente.

Mas lá dentro no coração
Algo lhe diz para parar
É como se ele soubesse
Que só colhe o que semear.

A evolução é assim
No báratro da vida
Semeamos e colhemos
À nossa medida.

Xico Mendes aprendeu
Com a história do Peiroteu
Quem usa o próximo
Aleija o que é seu.

Sexo e sexualidade
Andam de braço dado
São caminho de perdição
Ou ensejo para corrigir o passado.

Não queiras ser Xico Mendes
Nesta reencarnação
Pois terás de rectificar
O abalroado coração.

Ser correcto é roteiro
É caminho para a felicidade
Faz da vida uma canção
Que te traga serenidade.

Poeta alegre
Psicografia recebida em Caldas da Rainha, Portugal

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Carnaval...


É tempo de folia
Diz o povão
Vive com “alegria”
Até à exaustão

É Carnaval
Faz o que apetecer
Ninguém leva a mal
Dormir, comer, beber

Não imaginas
Quanto mal
É gerado
No Carnaval

Alegrias forçadas
Pelo calendário
Levam o Homem
À felicidade d’ “aviário”

Quanto Karma
É agora gerado
Pelos exageros
Do povo alucinado

Liberdade mal-entendida
Conduzindo ao desatino
Sexo, drogas, crimes
Alterando o teu destino

Gerando dor, sofrimento
Que virá posteriormente
Quando após a loucura
O homem voltar a ser gente

Carnaval, Carnaval
Quanta falta de conhecimento!
Evoluindo a parte espiritual
Deixará de ser evento

Aos poucos a humanidade
Descobrirá a vera alegria
Que não se compraz c’o erro
Nem com a hora vazia

O Homem espiritualizado
Fará novos cortejos
Enaltecendo a felicidade
Dos seres benfazejos

É tudo questão de tempo
Mudar hábitos sociais
O que hoje é normal
Fará parte dos anais

Se procuras a alegria
Não a busques no prazer vão
No sexo, droga, álcool
Que te trazem desilusão

No Evangelho de Jesus
Tens roteiro sem igual
A meta para seres feliz
Muito mais que no Carnaval

Poeta alegre
Psicografia recebida na reunião mediúnica do CCE, Portugal, em 29 de Janeiro de 2008.

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O canto das sereias


Navega o homem
No oceano da Vida
Buscando um rumo
Para a alma perdida.

Mar chão, mar cavado,
Lá vai a navegar.
Iça a vela, pega no leme,
Para novos mundos alcançar.

O marinheiro distraído,
Ouve a sereia cantar.
Meu Deus, que linda música.
Para que lado me virar?

Vem, marinheiro meu,
Aconchega-te no meu regaço,
Venho dar-te prazer,
Não sintas embaraço.

E o marinheiro, desatento,
Lá se atirou ao mar.
Tanto procurou a sereia,
Que acabou por se afogar.

Toma atenção, amigo,
Com os cantos enganadores,
Pois muito do que brilha,
Só te traz dissabores.

Sereias existem,
Com grande fartura.
É o apelo da matéria,
Que te leva à “tortura”.

Onde julgas o bem,
Encontras o mal.
E não vês ninguém,
Que te tire do lodaçal.

Toma cuidado, marinheiro,
Com as ratoeiras do mar.
Mune-te do Evangelho
Se a alma queres salvar.

Por muito cantem as sereias,
Não te deixes ludibriar.
Segue firme, o roteiro,
Amar, sempre Amar.

E assim agindo,
No fim da jornada,
Apreciarás deliciado,
Que ela durou quase “nada”.

O mar é o mar,
Nem bom nem mau.
Mas quem anda no mar,
Tem de se pôr a pau.

Se não conheces as leis,
De bem marear,
És levado na onda,
Dos que te querem enganar.

Ódio, orgulho, maldade,
Alcoolismo, sexo desenfreado,
São ondas que te enrolam,
No mar alterado.

Sê firme, marinheiro,
De sextante em riste.
Segue Jesus, o timoneiro,
E não ficarás triste.

Chegado a terra firme,
Serás recebido com alegria.
Sê bem-vindo, marinheiro,
Nasce agora novo dia!

Agora é a tua vez,
De aos outros ensinar.
Cuidado c’o canto das sereias,
Não te deixes enganar.

Marinheiro atento,
Aprende a arte de marear,
E jamais cai no logro,
Das sereias de encantar.

As sereias são os vícios,
Que te cabe extirpar.
O Evangelho, o roteiro,
Que te leva a bom lugar.


Psicografia recebida em Óbidos, Portugal, em 20 de Julho de 2009.

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O espírita desanimado


Espírita desanimado
É projecto adiado
Qualquer contrariedade
O põe chateado

Alegria com equilíbrio
É receita certa
Para que obres no bem
Com a mente aberta

Espírita sem optimismo
É jardim sem flor
Prega com a boca
E não exerce o Amor

O espírita é alegre
Não tem ar sisudo
Sabe que Deus o ampara
No problema mais bicudo

Alegria e responsabilidade
Com doses certas e seguras
São os toques de magia
Que te evitam as agruras 

Se alegre é agora
alegre morrerá
Quem assim adentra o Além
Jamais chorará

Poeta alegre
Psicografia recebida em 6 de Fevereiro de 2007, Caldas da Rainha, Portugal

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Amigo secreto


Em época de Natal, os almoços e jantares de confraternização abundam, onde as pessoas trocam prendas simbólicas utilizando um jogo chamado «o amigo secreto». Leva-se uma prendinha de muito baixo custo, embrulha-se e depois coloca-se tudo num saco de molde a que haja trocas de prendas. É um hábito que vai ganhando espaço, daí que em 2006, numa escola secundária do Cacém, os alunos do 12º ano de uma turma de uma amiga minha, resolveram fazer essa troca de prendinhas simbólicas no último dia de aulas.

Havia alvoroço na sala, um certo frenesim típico da juventude, tão irreverente quanto generosa, e não podiam quase esperar pelo momento mágico do fim da aula de Biologia para quer a troca se efectuasse.
Chegado o momento mágico, houve uma explosão de alegria, misturada com as surpresas, risos, trocas de olhar cúmplices ou não, enquanto se iam desembrulhando as prendinhas e trocando ideias acerca da sorte deste ou daquele.
Acabado o evento e quando se preparavam para sair da sala, a minha amiga, professora, espiritualista e grande estudiosa da psique humana, tendo-se apercebido de que esse evento ir-se-ia realizar, lembrou-se de comprar umas caixas de bombons e no fim fez-lhes uma dedicatória, desejou-lhe um bom Natal, no meio de algumas sugestões humanistas e eis que começou em silêncio a distribuir os bombons pela sala, carteira a carteira, num silêncio que começou a ficar incomodativo para os alunos, que gostando muito da sua professora, aperceberam-se naquele momento de que… se tinham esquecido dela e de a incluir no “seu” jogo de troca de prendinhas. De repente, em menos de um minuto, aquela turma fantástica teve o engenho, de sem que a professora se apercebesse, combinarem, passarem palavra através de gestos, e quando ela menos esperava, rodearam-na e todos abraçados deram-lhe um forte abraço como prenda de Natal.
A Luísa, assim se chama essa amiga, ficou estupefacta e sensibilizada até às lágrimas de emoção, pela atitude que esses jovens, foram capazes de tomar, repentinamente, escolhendo a melhor prenda que ela poderia receber neste Natal de 2006: um abraço…!!!
Ficámos a meditar no valor do abraço, dos milhares e milhares de pessoas que nunca abraçaram ninguém, da solidão, do afecto, da falta de afecto, e da generosidade que o ser humano é capaz de patentear.
Ficámos a pensar no dia de amanhã, quando no Planeta Terra apenas estiverem reencarnados Espíritos sedentos de paz, e não pudemos deixar de concluir que afinal eles aí estão, os novos Espíritos que já reencarnados, trazem novos horizontes existenciais, novas perspectivas da vida, mais holísticas e universalistas, que amanhã empurrarão a sociedade para práticas cada vez menos egóicas e mais fraternas.
Ao ouvir esta história da boca da minha amiga, fiquei com a certeza de que afinal o nosso amanhã vai ser bem melhor, e de que vale a pena semearmos amor, paz, harmonia e amizade, pois que a colheita sendo obrigatória, dentro da lei de causalidade, é já sem sombra de dúvidas uma colheita muito boa.
Uma brincadeira tão simples, como a do «amigo secreto», acabou por descortinar àquela turma um amigo nada secreto, que abre as portas ao mundo da felicidade: o abraço sincero, espontâneo, amigo.
Continuemos na semeadura…