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Culpa



Porque sentes culpa
De algum proceder?
Não percas tempo
Põe-te a mexer...

Há tanto a fazer
Junto do teu irmão
Que não é justo
Alimentares a desilusão...

Se culpa sentes,
Muda o proceder.
O íntimo melhorará
Com a alma a crescer…

…Em busca de luz
Paz e harmonia
Que conseguirás
Com esforço, um dia

A dúvida
É má conselheira
Para quem quer progredir
Na divina sementeira

Ir sempre adiante
Jamais temer
Quem segue Jesus
Não teme sofrer

Espírita consciente
Sente a segurança
Do roteiro a seguir
Aliado à esperança


Psicografia recebida na reunião mediúnica do CCE, C. Rainha, Portugal, a 17 de Julho de 2007.

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José Lucas - Jornal "A Voz de Cambra"



Voz de Cambra (V.C.): O que é o espiritismo?
José Lucas (J.L.):
O Espiritismo é uma ciência filosófica de consequências morais; como ciência investiga os factos espíritas; como filosofia explica-os, e como moral traça um roteiro moral para a humanidade, assente nos ensinamentos morais que Jesus de Nazaré deixou na Terra.

V.C: O espiritismo é, muitas vezes, associado a rituais e superstições. Então, o que não é o espiritismo?
J.L: O Espiritismo não é mais uma religião, nem mais uma seita; não tem nada a ver com bruxarias, magias, rituais, médiuns comerciantes que colocam anúncios em jornais, superstições, crendices. O Espiritismo (ou Doutrina Espírita) é um amplo movimento cultural.

V.C: O espiritismo é também visto, muitas vezes, como uma religião nova que está a difundir-se em Portugal e que veio do Brasil. É assim?
J.L: É completamente errado.
A Doutrina Espírita (conjunto de ideias que explicam a origem, natureza e destino dos Espíritos, bem como as relações existentes entre o mundo corpóreo e o mundo espiritual) apareceu em França (Paris) em 1857, com as pesquisas do eminente sábio (à época) Allan Kardec, pessoas respeitabilíssima na sociedade parisience.
O Espiritismo não é mais uma religião nem mais uma seita, mas uma doutrina que aumenta a espiritualidade do ser humano.
Muitos espíritas, nomeadamente no Brasil, confundem espiritualidade com religião, e fazem do espiritismo mais uma religião, o que é profundamente contra a essência do Espiritismo (estude-se as obras de Allan Kardec, "O que é o Espiritismo?" e outras).

V.C: Acha que a doutrina espírita é uma ideia bem aceite pelo povo português?
J.L: Cada vez mais.
Isso nota-se pela busca que as pessoas fazem pelo espiritismo, como doutrina que esclarece e consola, respondendo às perquirições mais íntimas que nos assolam: quem somos, de onde viemos, para onde vamos? Qual a causa de tantas dissemelhanças entre as pessoas e dissemelhança de oportunidades? Curiosamente duas classes que tradicionalmente se interessam muito pelo espiritismo são os professores e os médicos.

V.C: Como é que o espiritismo pode ser útil à sociedade?
J.L: O Espiritismo explica o porquê da vida, porque somos felizes, porque sofremos. As pessoas ao entenderem o porquê da vida, a lógica e profunda justiça de Deus, assente na lógica da reencarnação (hoje uma evidência científica adquirida), tornam-se mais calmas, mais fraternas, mais compreensivas, mais tolerantes. Entendendo o espiritismo, o racismo, xenofobia, diferenças de género e diferenças sociais, desaparecem, pois o homem entende que todo o homem é nosso irmão e está naquela condição temporariamente e que amanhã, noutra vida podemos ser nós a estar na mesma condição. Com o espiritismo aumenta a consciência ecológica, com profundo respeito pela Natureza. O Espiritismo é ainda o melhor e maior preservativo contra o suicídio, demonstrando a inutilidade deste acto, pois que a vida continua.
  
V.C: Com a crise que assola o país de várias formas, tem havido uma maior procura desta doutrina espírita?
J.L: Pensamos que não, pois acima da crise financeira, existe uma crise de valores.
O actual sistema social está esgotado, as pessoas estão cansadas de procurar em vão a felicidade no materialismo.
O Espiritismo apresenta a mensagem de Jesus de Nazaré, como única estratégia de paz possível, que podemos colocar em prática, já hoje, melhorando o nosso íntimo, e auxiliando os que nos cercam a serem melhores.
Com o Espiritismo a mensagem de Jesus é melhor entendida, sem os dogmas criados pelas várias igrejas, regressando assim à sua simplicidade inicial.

V.C: O espiritismo mostra a morte como uma passagem. Qual a vossa posição da vida para além da morte?
J.L: O Espiritismo demonstrou experimentalmente que a morte é uma quimera, o espiritismo matou a morte. Provou que a vida continua, através dos contactos com o mundo espiritual, por meio de médiuns. Todos esses factos estudados em 1857, estão agora a ser comprovados por cientistas (não espíritas) de vários países, demonstrando assim a imortalidade do Espírito. Poderá haver noção mais reconfortante?

V.C: Diz a doutrina espírita se baseia na comunicabilidade dos espíritos. Explique de que forma se processa e qual a experiência que mais o impressionou?
J.L: Isso daria para um curso básico de espiritismo, que as pessoas podem fazer gratuitamente através da Internet em www.adeportugal.org. Ninguém morre, continuando a viver no mundo espiritual com um corpo espiritual, energético, tão real como o nosso só que noutro estado da matéria. A comunicação espiritual dá-se mente a mente, em que o médium capta o pensamento e a mensagem do espírito (pessoa já falecida, mas tão viva quanto nós). O médium, pela concentração, capta a ideia que o espírito quer transmitir e transmite-a através da escrita, da fala, da vidência, da audiência, conforme seja o seu tipo de mediunidade (ou percepção extra-sensorial).
São inúmeras as experiências vivenciadas que atestam a imortalidade do espírito. Num dos casos que me recorde, um miúdo falecido com 13 anos, 7 anos mais tarde comunicou-se através de um médium numa reunião num centro espírita, pedindo para dizer à mãe que não se esquecesse da latinha. Não conhecíamos a família e aquilo nada nos dizia. Dado o recado à mãe, esta chorou de alegria, identificando de imediato tratar-se do filho, que na altura que faleceu num acidente de automóvel, usava um mealheiro em forma de lata de coca-cola onde ele metia as moedas que lhe davam, e chamava-a de latinha. Nenhum de nós conhecia a família, nem o caso, nem onde moravam, nada.

V.C: O que é a Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) e quem a constitui?
J.L:
É uma associação, que pretende divulgar correctamente a Doutrina Espírita, a nível nacional, auxiliando assim a informar as pessoas de que o espiritismo é cultura, nada tem a ver com crendices, com superstições, com médiuns charlatães que vivem à custa do sofrimento alheio. Repare que no próximo 17 e 18 de Abril vão decorrer as VII Jornadas de Cultura Espírita, em Óbidos, um evento ao nível nacional que tem esgotado sempre, onde temos tido a presença de médicos, psicólogos, investigadores entre outros.
Quem constitui a ADEP são cerca de 20 dirigentes espíritas a nível nacional, de Norte a Sul do país, que sentiram a necessidade de a constituir com esse fim. São professores, jornalistas, cientistas, empregados administrativos, médicos, técnicos, militares, entre outras profissões existentes na sociedade.

V.C: Que tipos de ajuda dá uma associação espírita?
J.L: Esclarece acerca da vida e esclarecendo consola.
Paralelamente ajuda ao nível espiritual, com a terapia espírita: estudo, oração, passe espírita (transmissão de fluídos energéticos), e desobsessão espiritual (intercâmbio com o mundo espiritual em benefício do necessitado)

V.C: Em Vale de Cambra está sedeado um centro espírita (Associação Cultural e Beneficente Mudança Interior. Que contributo tem dado à população?
J.L: Isso vai ter de questionar os dirigentes locais. Mas enquadra-se certamente no que respondi na pergunta anterior.

V.C: Quem são na realidade os espíritas e os médiuns? Qualquer pessoa o pode ser? Cobram dinheiro?
J.L: O espírita é o adepto da ideia espírita.
O médium é a pessoa portadora de mediunidade (percepção extra-sensorial).
Qualquer pessoa pode ser espírita, bastando para isso simpatizar com os seus princípios e querer aprender e estudar espiritismo.
Qualquer pessoa pode ser médium, já que em essência todos somos mais ou menos médiuns.
Ser médium não é sinónimo de ser espírita. Existem católicos que são médiuns, budistas que são médiuns, ateus, evangélicos, etc, etc, é da condição humana.
Existem médiuns que também são espíritas, e existem espíritas que não são médiuns.
Do que conheço o Espiritismo é a Doutrina que melhor utiliza a mediunidade, com rigor, com seriedade e com total desinteresse.
Um centro espírita jamais pode cobrar um cêntimo que seja pelas suas actividades, nem tão pouco aceitar dinheiro em troca, nem qualquer outro tipo de favores. É um crime de simonia (comércio das coisas de Deus). A prática espírita centra-se no amor ao próximo, desinteressadamente. Onde houver comércio, aceitação monetária, aí não está o espiritismo, de certeza absoluta.

(In Jornal “A Voz de Cambra”, de 25 de Fevereiro de 2010, Vale de Cambra, Portugal)

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Divaldo Franco - a Doutrina (1ª parte)

A

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Vozes do Além...

João Dominador
Vivia como queria
Pensava que o poder
Só lhe dava alegria.

Era mau, déspota,
A todos dominava
Com o seu dinheiro
Usava e explorava.

Não fazia o bem
Pensando ser imortal
Até que chegou a vez
De largar o corpo carnal.

No Além penetrou
Em extrema perturbação
Só pensava na vida
Que levara na devassidão.

Encontrou Zé Traquinas
Comparsa da má vida.
Sintonizou com ele
Perseguindo-o na sua lida.

Zé Traquinas cambaleou;
Será que estou doente?
Falou com a avó
Que o mandou à vidente.

Óh senhora, oiço vozes
Que me mandam estouvar
Ando perturbado,
Até m’apetece matar.

“Xi!!! É um espírito escuro
Que está aí colado
Diz que é o Dominador
Que te quer ao seu lado.”

Será que estou louco?
O Dominado já morreu…
Será mesmo ele 
Que voltou p’ra mal meu?

“Tens de rezar por ele
E a vida mudar
Pois se não o fizeres
Ele vai mesmo ficar.”

Ora bolas, Deus meu
Dava tudo p’ra não ouvir
Eu quero ser melhor
Para melhor poder dormir.

E assim Dominador
O obsessor audiente
Ajudou o Zé Traquinas
A deixar de ser “doente”.

Mudou de vida, com medo
Do espírito Dominador.
Passou a respeitar o próximo
A sentir um pouco de amor.

As vozes do Além
São bem reais.
Falam como as nossas falam,
Quando são mortais.

Não te assustes
Com vozes do Além.
Reza por elas,
E faz sempre o bem.

Deus manda as vozes
Para tua instrução.
Aprende pois com elas
E ama o teu irmão.

Poeta alegre
Psicografia recebida na reunião pública do CCE, nas caldas da Rainha, Portugal, em 11 de Julho de 2008, durante a palestra subordinada ao tema «Oiço vozes: que fazer?»

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Velho rezingão...

Vociferava diariamente
O velho rezingão
Só ele sabia
Só ele tinha razão

Dono de terras
E fortuna pessoal
Julgava-se superior
Julgava-se mal

Pois um dia,
Dor ferina o atingiu
O peito dorido
E o coração faliu.

O velho rezingão
Entrou no Além
Onde encontrou
muito desdém! 

Ajudem, ajudem
Gritava o rezingão
Os outros gargalhavam
Ao som de palavrão

Aqueles odiados
Pelo rezingão
Pediam contas
Cobrando ao tostão

Clemência, clemência
Rogava o rezingão
Fugindo espavorido
Pelo espaço, em vão!

Maldita consciência
Que me faz lembrar
Os erros cometidos
Quando julgava mandar

Cansado, destruído
Com fervor, orou
O velho rezingão
De Deus se lembrou.

Oh, milgare
Será mesmo assim?
Dois anjos luminosos
Vestidos de cetim...

Vem, amigo
Chegou a tua hora
Vais voltar à Terra
Voltar sem demora

E assim o rezingão
Voltou a reencarnar
Com mediunidade ostensiva
Cedo a despontar

Chorava, gritava
Não conseguia dormir
Chegado aos dezasseis
Via os sonhos ruir.

Filho de gente humilde
Rezingão aprendeu
Que se aprende melhor
Quando se é plebeu.

Foi médium toda a vida
Ajudando quem podia
Fê-lo tão bem
Que a morte foi alegria.

Desencarnado novamente
Rezingão já não era.
Aquela reencarnação
Fora para ele primavera

Semear e colher
É lei natural
Se queres colher o bem
Nunca semeies o mal

Poeta alegre
Psicografia recebida, em Óbidos, Portugal, em 20 de Abril de 2009

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Xico Mendes... o galã


Xico Mendes vem de longe
Com estranha mania
Gostava de toda a mulher
Fosse Joana, Teresa ou Maria

Xico Mendes era D. Juan
Dentro do rico paletó
Apanhou a sífilis
E ficou que metia dó.

Saíu do corpo em desalento
Ah!, Xico Mendes, que sofrimento...!
Onde aquele corpo formoso?
Aquele corpo corpulento?

Era invejado pelas mulheres
Que lhe disputavam a malícia
Agora tornou-se em pó
E foge de si como da polícia.

Chora lágrimas amargas.
Porquê logo eu...
E não aquele fedorento,
O aleijado, o Peiroteu?

No mais Além encontrou-o
Em paz e cheio de luz
Mas tu? És o Peiroteu?
Aquele que deitava pus?

Sim, sou eu, meu irmão
O desgraçado, o repudiado
Também fui vilão
Noutra vida, no passado

Permitiu Deus que voltasse
Como um enjeitado
Para não cair na armadilha
De por todas ser amado.

Mas será que também eu
Terei de ser um Peiroteu?
Irei sofrer tanto assim?
Meu Deus! Que destino o meu!...

E apareceu um anjo de luz
Que o sossegou um momento
Descanse amigo, voltará em breve
Apenas com um ou outro tormento

Não será mais o belo
O admirável Xico Mendes
Voltará com aspecto normal
Que às mulheres parecerá banal.

Terá mulher e filhos
Vida digna e produtiva
E um dia se porfiar
Deixará de amargar.

O Xico Mendes voltou
Com corpo e nome diferente
Mas quando vê mulher bonita
Fica logo a dar ao dente.

Mas lá dentro no coração
Algo lhe diz para parar
É como se ele soubesse
Que só colhe o que semear.

A evolução é assim
No báratro da vida
Semeamos e colhemos
À nossa medida.

Xico Mendes aprendeu
Com a história do Peiroteu
Quem usa o próximo
Aleija o que é seu.

Sexo e sexualidade
Andam de braço dado
São caminho de perdição
Ou ensejo para corrigir o passado.

Não queiras ser Xico Mendes
Nesta reencarnação
Pois terás de rectificar
O abalroado coração.

Ser correcto é roteiro
É caminho para a felicidade
Faz da vida uma canção
Que te traga serenidade.

Poeta alegre
Psicografia recebida em Caldas da Rainha, Portugal

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Carnaval...


É tempo de folia
Diz o povão
Vive com “alegria”
Até à exaustão

É Carnaval
Faz o que apetecer
Ninguém leva a mal
Dormir, comer, beber

Não imaginas
Quanto mal
É gerado
No Carnaval

Alegrias forçadas
Pelo calendário
Levam o Homem
À felicidade d’ “aviário”

Quanto Karma
É agora gerado
Pelos exageros
Do povo alucinado

Liberdade mal-entendida
Conduzindo ao desatino
Sexo, drogas, crimes
Alterando o teu destino

Gerando dor, sofrimento
Que virá posteriormente
Quando após a loucura
O homem voltar a ser gente

Carnaval, Carnaval
Quanta falta de conhecimento!
Evoluindo a parte espiritual
Deixará de ser evento

Aos poucos a humanidade
Descobrirá a vera alegria
Que não se compraz c’o erro
Nem com a hora vazia

O Homem espiritualizado
Fará novos cortejos
Enaltecendo a felicidade
Dos seres benfazejos

É tudo questão de tempo
Mudar hábitos sociais
O que hoje é normal
Fará parte dos anais

Se procuras a alegria
Não a busques no prazer vão
No sexo, droga, álcool
Que te trazem desilusão

No Evangelho de Jesus
Tens roteiro sem igual
A meta para seres feliz
Muito mais que no Carnaval

Poeta alegre
Psicografia recebida na reunião mediúnica do CCE, Portugal, em 29 de Janeiro de 2008.

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O canto das sereias


Navega o homem
No oceano da Vida
Buscando um rumo
Para a alma perdida.

Mar chão, mar cavado,
Lá vai a navegar.
Iça a vela, pega no leme,
Para novos mundos alcançar.

O marinheiro distraído,
Ouve a sereia cantar.
Meu Deus, que linda música.
Para que lado me virar?

Vem, marinheiro meu,
Aconchega-te no meu regaço,
Venho dar-te prazer,
Não sintas embaraço.

E o marinheiro, desatento,
Lá se atirou ao mar.
Tanto procurou a sereia,
Que acabou por se afogar.

Toma atenção, amigo,
Com os cantos enganadores,
Pois muito do que brilha,
Só te traz dissabores.

Sereias existem,
Com grande fartura.
É o apelo da matéria,
Que te leva à “tortura”.

Onde julgas o bem,
Encontras o mal.
E não vês ninguém,
Que te tire do lodaçal.

Toma cuidado, marinheiro,
Com as ratoeiras do mar.
Mune-te do Evangelho
Se a alma queres salvar.

Por muito cantem as sereias,
Não te deixes ludibriar.
Segue firme, o roteiro,
Amar, sempre Amar.

E assim agindo,
No fim da jornada,
Apreciarás deliciado,
Que ela durou quase “nada”.

O mar é o mar,
Nem bom nem mau.
Mas quem anda no mar,
Tem de se pôr a pau.

Se não conheces as leis,
De bem marear,
És levado na onda,
Dos que te querem enganar.

Ódio, orgulho, maldade,
Alcoolismo, sexo desenfreado,
São ondas que te enrolam,
No mar alterado.

Sê firme, marinheiro,
De sextante em riste.
Segue Jesus, o timoneiro,
E não ficarás triste.

Chegado a terra firme,
Serás recebido com alegria.
Sê bem-vindo, marinheiro,
Nasce agora novo dia!

Agora é a tua vez,
De aos outros ensinar.
Cuidado c’o canto das sereias,
Não te deixes enganar.

Marinheiro atento,
Aprende a arte de marear,
E jamais cai no logro,
Das sereias de encantar.

As sereias são os vícios,
Que te cabe extirpar.
O Evangelho, o roteiro,
Que te leva a bom lugar.


Psicografia recebida em Óbidos, Portugal, em 20 de Julho de 2009.

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O espírita desanimado


Espírita desanimado
É projecto adiado
Qualquer contrariedade
O põe chateado

Alegria com equilíbrio
É receita certa
Para que obres no bem
Com a mente aberta

Espírita sem optimismo
É jardim sem flor
Prega com a boca
E não exerce o Amor

O espírita é alegre
Não tem ar sisudo
Sabe que Deus o ampara
No problema mais bicudo

Alegria e responsabilidade
Com doses certas e seguras
São os toques de magia
Que te evitam as agruras 

Se alegre é agora
alegre morrerá
Quem assim adentra o Além
Jamais chorará

Poeta alegre
Psicografia recebida em 6 de Fevereiro de 2007, Caldas da Rainha, Portugal

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Amigo secreto


Em época de Natal, os almoços e jantares de confraternização abundam, onde as pessoas trocam prendas simbólicas utilizando um jogo chamado «o amigo secreto». Leva-se uma prendinha de muito baixo custo, embrulha-se e depois coloca-se tudo num saco de molde a que haja trocas de prendas. É um hábito que vai ganhando espaço, daí que em 2006, numa escola secundária do Cacém, os alunos do 12º ano de uma turma de uma amiga minha, resolveram fazer essa troca de prendinhas simbólicas no último dia de aulas.

Havia alvoroço na sala, um certo frenesim típico da juventude, tão irreverente quanto generosa, e não podiam quase esperar pelo momento mágico do fim da aula de Biologia para quer a troca se efectuasse.
Chegado o momento mágico, houve uma explosão de alegria, misturada com as surpresas, risos, trocas de olhar cúmplices ou não, enquanto se iam desembrulhando as prendinhas e trocando ideias acerca da sorte deste ou daquele.
Acabado o evento e quando se preparavam para sair da sala, a minha amiga, professora, espiritualista e grande estudiosa da psique humana, tendo-se apercebido de que esse evento ir-se-ia realizar, lembrou-se de comprar umas caixas de bombons e no fim fez-lhes uma dedicatória, desejou-lhe um bom Natal, no meio de algumas sugestões humanistas e eis que começou em silêncio a distribuir os bombons pela sala, carteira a carteira, num silêncio que começou a ficar incomodativo para os alunos, que gostando muito da sua professora, aperceberam-se naquele momento de que… se tinham esquecido dela e de a incluir no “seu” jogo de troca de prendinhas. De repente, em menos de um minuto, aquela turma fantástica teve o engenho, de sem que a professora se apercebesse, combinarem, passarem palavra através de gestos, e quando ela menos esperava, rodearam-na e todos abraçados deram-lhe um forte abraço como prenda de Natal.
A Luísa, assim se chama essa amiga, ficou estupefacta e sensibilizada até às lágrimas de emoção, pela atitude que esses jovens, foram capazes de tomar, repentinamente, escolhendo a melhor prenda que ela poderia receber neste Natal de 2006: um abraço…!!!
Ficámos a meditar no valor do abraço, dos milhares e milhares de pessoas que nunca abraçaram ninguém, da solidão, do afecto, da falta de afecto, e da generosidade que o ser humano é capaz de patentear.
Ficámos a pensar no dia de amanhã, quando no Planeta Terra apenas estiverem reencarnados Espíritos sedentos de paz, e não pudemos deixar de concluir que afinal eles aí estão, os novos Espíritos que já reencarnados, trazem novos horizontes existenciais, novas perspectivas da vida, mais holísticas e universalistas, que amanhã empurrarão a sociedade para práticas cada vez menos egóicas e mais fraternas.
Ao ouvir esta história da boca da minha amiga, fiquei com a certeza de que afinal o nosso amanhã vai ser bem melhor, e de que vale a pena semearmos amor, paz, harmonia e amizade, pois que a colheita sendo obrigatória, dentro da lei de causalidade, é já sem sombra de dúvidas uma colheita muito boa.
Uma brincadeira tão simples, como a do «amigo secreto», acabou por descortinar àquela turma um amigo nada secreto, que abre as portas ao mundo da felicidade: o abraço sincero, espontâneo, amigo.
Continuemos na semeadura… 

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Um mundo melhor...


Era um dia soalheiro, por sinal feriado. O telemóvel tocou. Quem seria, logo de manhã? Que chatice. Lá atendi o telefone. Do outro lado da linha estava uma voz enérgica e bem disposta. «A lenha que me encomendou posso levá-la hoje, apesar de ser feriado?»

Disse que sim e meia hora mais tarde lá descarregamos uma tonelada de lenha, qual formiga a preparar-se para o Inverno que teima em não vir.
Enquanto descarregávamos os toros de madeira íamos conversando e ia apreciando aquele homem forte, de meia-idade e com cara de quem está bem calejado pela vida. De roupa suja (típica do seu trabalho) e suor a cair em bica, mantinha um sorriso admirável, uma energia contagiante.
A meio da conversa dei por mim a filosofarmos em torno da ecologia. O meu desconhecido companheiro de conversa a quem encomendara uma tonelada de lenha, referiu-se à seca e dizia (com a característica típica de quem andou na universidade da vida e tirou as disciplinas do suor, do trabalho contínuo e mal remunerado): «Sabe? Isto está mau! Até os eucaliptos estão a secar! As pessoas não fazem ideia da gravidade da situação!!!»
Lá concordei com o meu interlocutor e daí passamos para a economia do país, da justiça social, finanças, enfim, naquela tendência bem típica do português de sobre tudo querer opinar e logo ali no momento apresentar soluções para todos os problemas nacionais.
Mas houve uma coisa que me tocou fundo. De repente, aquele homem forte, que fazia dois de mim, parou de atirar a lenha pela camioneta fora e com uma segurança perturbadora deixou escapar esta afirmação: «Sabe uma coisa Sr.? Não é justo haver gente que trabalha tanto e ganhe 80 e outros ganham 800 e até 8 mil. Isto tem de mudar um dia, não sei bem como, mas tem de mudar. Há muita injustiça…»
Eu, espírita, fiquei a meditar naquelas palavras simples, mas directas e sábias. 
Sem dúvida que o meu interlocutor tinha razão. Isto tem de mudar um dia.
De acordo com a Doutrina Espírita (ou Espiritismo), dizem-nos os bons espíritos que o planeta Terra está a passar neste milénio, de planeta de expiação e provas para planeta de regeneração, onde haverá mais sede de justiça social, onde o forte não oprimirá o fraco, antes pelo contrário apoiá-lo-á, onde a fraternidade dará lugar à guerra e à fome que campeiam pelo mundo fora.
Tal processo depurativo que os antigos atribuíam ser “o fim dos tempos”, acontecerá naturalmente, pela desencarnação (morte do corpo de carne) das pessoas e pela reencarnação de seres mais pacificados e que não sejam elementos perturbadores à sociedade, indo os seres menos evoluídos, rebeldes e belicosos, reencarnar em mundos mais de acordo com o seu estado de alma, ou mundos primitivos ou então ao nível do planeta Terra, actualmente.
A sede de justiça social é um anseio do homem imortal, que volta vida após vida, buscando aperfeiçoar-se intelectual e espiritualmente em busca da felicidade que um dia atingirá quando for espírito puro. 
Acabada de descarregar a tonelada de lenha, fomos cada um para o seu lugar, cada um com as suas ideias, mas com um ideal comum: o de uma maior justiça social.
É essa justiça social, a fraternidade, a solidariedade, que a Doutrina Espírita nos convida a encetar desde já, nesta vida, seja perdoando, seja fazendo ao próximo o que desejamos para nós, tendo uma postura ética perante a vida na certeza de que o nosso amanhã será mais ou menos feliz de acordo com a nossa postura mental, dentro da assertiva de Jesus de que «a semeadura é livre mas a colheita é obrigatória». 

Bibliografia:
«O Livro dos Espíritos» de Allan Kardec ; http://www.adeportugal.org/

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O exemplo

D. Mariana frequenta um Centro Espírita.
Desde nova que sentia “certas coisas” que a medicina oficial não conseguia identificar.
Frequentando o Centro Espírita, acabou por verificar que afinal a “estranheza” de que se dizia possuidora não era nada mais do que uma capacidade, um sexto sentido, que milhões de pessoas possuem: a mediunidade (ou percepção extra-sensorial), capacidade que permite às pessoas aperceberem-se do mundo espiritual.
A D. Mariana começou a ser assídua no Centro Espírita.
Na primeira oportunidade, inscreveu-se num Curso Básico de Espiritismo, gratuito (como aliás todas as actividades de um Centro Espírita que se preze), e posteriormente acabou por efectuar um outro, de educação da mediunidade.
O conhecimento adquirido trouxe-lhe outra postura perante a vida.
Começou a ser mais calma, menos irritadiça e a entender melhor os mecanismos da vida, agora vistos pelo prisma da Doutrina Espírita.
Passou a integrar uma actividade de fluidoterapia (doava as suas energias em prol do próximo, em reuniões próprias para o efeito, o chamado “passe espírita”) e tem conseguido granjear o carinho de todos aqueles que a conhecem.
Pessoa bondosa e dedicada, todos a estimam.
Há dias, falando com ela, Mariana contou um caso, que pela sua singeleza e grandeza espiritual me chamou a atenção, levando-me por novos atalhos meditativos, em tentativa de interiorizar tal situação.
Tudo acontecera no ano passado, faltavam alguns dias para o Natal de 2006, quando assistia a uma palestra espírita. A certa altura, a pessoa que estava a explicar um tema à luz da Doutrina Espírita (ou Espiritismo), exortava as pessoas a, ao invés de enveredarem pela mera troca comercial de presentes, que dessem um presente diferente, por exemplo, um bom livrou ou até apenas um aperto de mão, um abraço.
O tempo passou…
Falando com Mariana, um mês antes do Natal deste ano, 2007, esta contou-me a sua história: «Sabe, aquela palestra do ano passado… mexeu muito comigo, e tinha uma colega de trabalho que me prejudicara muito, e não falávamos uma com a outra, mais por orgulho das duas. Depois de ouvir a palestra, lembrei-me e fui ter com ela. Acercando-me do seu local de trabalho, ela ficou espantada com a minha presença, ao que lhe disse que tinha algo para lhe oferecer. Ela ficou atónita, sem saber o que dizer, e nem reagiu. Eu ganhei coragem - referiu Mariana – e disse-lhe: “Venho dar-te um abraço como presente de Natal”. 
Não imagina a enorme alegria que se apoderou de mim, a leveza de espírito com que fiquei, para além de termos ficado amigas, pondo as duas, o respectivo orgulho de parte».
Fiquei a meditar nesta situação ocorrida com a D. Mariana, e confesso que não me sai da cabeça.
Como é impressionante a força do querer, o impacto que tem a Doutrina Espírita na vida das pessoas, e como o exemplo (neste caso da D. Mariana) tem uma força incrível, não deixando, quem conhece o caso, indiferente perante a sua própria vida.
Este é o objectivo da Doutrina Espírita, esclarecer as pessoas acerca do real sentido da vida, e se aplicada no dia-a-dia, contribuir para que o mundo seja cada vez melhor… começando por melhorar o seu próprio “mundo”…
Confesso que nas múltiplas situações do quotidiano, relembro com frequência o caso da Mariana, qual farol a indicar-me o caminho do reerguimento moral, que todos nós precisamos encetar, em busca da nossa própria felicidade.

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Mediunidade não é doença


A mediunidade é uma faculdade humana que permite aos homens comunicar com o mundo espiritual. Muitas pessoas confundem-na com patologias. Veja porquê e como resolver a situação.

Maria era uma mãe e esposa como todas as outras. Um dia, começou a sentir sensações esquisitas e desconhecidas, sintomas estes que não controlava bem, desconhecendo suas causas. De sintoma em sintoma, procurou o clínico de sua confiança. O cansaço diagnosticado foi prontamente medicado, mas, sem efeito. De médico em médico, foi andando até que um dia alguém lhe disse: «Já foi a um centro espírita? Por que não vai? Pior não fica!». Maria acabou por bater à porta de uma associação espírita, onde lhe explicaram que aquelas vozes que ouvia, aquelas visões que tinha e que eram diagnosticadas como patologias pelo psiquiatra desconhecedor das realidades espirituais, não eram mais do que factos perfeitamente normais e que a ciência oficial desconhece. Integrada nos trabalhos da associação, após estudo do espiritismo, Maria hoje é uma mulher normal, controlando perfeitamente a faculdade que outrora estava descontrolada.
Esta história, repete-se aos milhares por esse país fora. 
A mediunidade é uma faculdade que permite ao ser humano captar o mundo espiritual. O médium é aquele que tem uma característica - a mediunidade - que lhe permite estar no meio, isto é, entre dois planos, o físico e o espiritual.
A mediunidade não é pois uma doença, algo de anormal, mas sim uma característica inerente ao ser humano. Nuns, na maioria, está em estado lactente, noutros está a desabrochar e, em alguns está já desabrochada (os chamados médiuns).
Quando estas características despoletam de repente, sem que a pessoa tenha alguns conhecimentos da vida espiritual, poderão provocar alguns dissabores, já que a pessoa se vê envolta numa situação que não domina e que desconhece. Fácil é ser-lhe diagnosticada uma doença qualquer do foro nervoso, e infelizmente muitas pessoas são internadas em hospitais psiquiátricos, quando na verdade têm problemas de ordem obsessiva espiritual, isto é, influência perniciosa de um espírito (pessoa que já largou o corpo de carne pelo fenómeno natural da morte) sobre o psiquismo do encarnado (o que ainda está no corpo de carne).
Muitas pessoas chegam inclusive a ficar num estado de perturbação, duvidando por vezes de sua própria sanidade mental. No entanto, tais situações são perfeitamente explicáveis e torneadas com a acção espírita, numa associação espírita idónea.
Não se deve recorrer a médiuns que trabalhem sozinhos, e muito menos a locais onde se cobre ou se aceite uma determinada quantia pelo tratamento. A mediunidade deve ser utilizada gratuitamente, de acordo com os preceitos do Evangelho (Dai de graça o que de graça recebestes).

A mediunidade é uma faculdade perfeitamente normal,
que permite ao ser humano percepcionar o mundo espiritual.
 
A mediunidade é neutra, tal como outras faculdades que possuímos (capacidade de falar, de ouvir, ver, etc.) e pode aparecer em qualquer estrato social e cultural. Não escolhe pois o meio onde se manifesta. Nesse sentido todos somos mais ou menos médiuns, como nos diz Allan Kardec no seu memorável livro «O Livro dos Médiuns», autêntico roteiro seguro de como trabalhar na mediunidade. Poderemos, pois, encontrar pessoas com mediunidade dentro de qualquer religião, filosofia ou corrente de opinião, quer acredite, ou não, na existência dessa faculdade.
Quando ela despoleta, a única solução é render-se à evidência e ao invés de lutar contra ela (autêntico desperdício de tempo) devemos tentar compreendê-la.
Mas como?
A pessoa que manifesta esse sintomas, deve procurar uma associação espírita idónea, onde receberá orientação segura para o seu caso. Invariavelmente, a pessoa deve frequentar estudos básicos sobre espiritismo, familiarizando-se com esta doutrina consoladora e esclarecedora, frequentando também a palestra pública e beneficiando-se com o passe magnético (fluidoterapia através da bioenergia). Numa fase posterior, a pessoa necessitada deve então integrar um estudo prático da mediunidade onde aprenderá a controlar essa faculdade sublime, autêntico motor de evolução quando aproveitada e direccionada na prática do bem e gratuitamente.
A pessoa necessitada não deve sob pretexto algum participar de imediato em reuniões de intercâmbio com o mundo espiritual, já que tem uma faculdade que não está adestrada. Seria como colocarmos alguém a trabalhar com uma ferramenta que desconhecesse o seu funcionamento. O risco seria bem grande.
Relembramos um caso interessante.
Certo dia, comunicaram-nos que a senhora X teria dado entrada na urgência do hospital das Caldas da Rainha, com sintomas de perda de consciência. Não sabia quem era, não se recordava do marido, do filho, afirmando que estava no ano tal, uns quinze anos atrás. Estava em observações e com indicação para ser internada em Psiquiatria em Coimbra. Conhecedores que éramos da mediunidade pouco orientada da referida senhora, fomos (quatro pessoas) ao hospital, a pedido de um familiar, onde explicámos a uma médica de serviço o que se estaria a passar com essa pessoa, do nosso ponto de vista, que ela estaria num processo de auto-regressão de memória, onde havia interferências espirituais. A médica um pouco constrangida, naturalmente desconfiando da nossa sanidade mental, lá acedeu a que num canto estivéssemos juntos da doente. Discretamente, fizemos uma prece e dando passe magnético conseguimos que a doente voltasse ao estado normal. Passados poucos minutos, a médium deseducada, saiu do estado de transe mediúnico e estava tão normal como de costume, para espanto geral dos clínicos que não entendiam como tal se processara.

A associação espírita é o lugar certo para a pessoa
que pretenda controlar e conhecer essa faculdade (a mediunidade),
 tornando-a numa poderosa alavanca de crescimento espiritual.

Felizmente já temos em Portugal vários médicos e psicólogos espíritas que poderão orientar com muito mais segurança as pessoas que pensem ter "doenças fantasmas", e que muitas vezes apenas são detentores de faculdades até então desconhecidas.
Seria interessante que os clínicos se interessassem pela componente científica e filosófica do espiritismo, sem descurar a parte moral, na certeza de que assim possuiriam um cabedal bem maior de conhecimentos que poderiam usar em benefício dos seus pacientes.
Sabemos que está em curso a constituição da Associação de Médicos Espíritas Portugueses.
Para os interessados seria fundamental uma leitura atenta de «O Livro dos Médiuns» de Allan Kardec, depois de lerem «O Livro dos Espíritos» também do mesmo autor.
Como diria o famoso e respeitado filósofo brasileiro, José Herculano Pires, um dia todos os homens serão seres Psi, onde a mediunidade será uma faculdade tão banal como banal é hoje ver, ouvir, e falar.

Dezembro 1997

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Medicina e Espiritismo de mãos dadas


Raymond Moody Jr, médico, psiquiatra, filósofo e Divaldo Franco, conferencista espírita, médium, estiveram lado a lado, nos EUA, em evento que abordou o tema “Do luto à esperança”. Dois grandes nomes a nível mundial falando dos problemas que assolam a intimidade humana. Ora veja!

Na noite de 16 de Março de 2006, o aclamado pesquisador, psiquiatra e filósofo Dr. Raymond Moody Jr. proferiu uma palestra juntamente com Divaldo Pereira Franco na cidade de Baltimore, Estado de Maryland, EUA. O tema geral do evento era “Do Luto à Esperança”, em que o Dr. Raymond Moody discursou sobre o seu livro "Reencontros com entes queridos que partiram", enquanto que Divaldo Franco tratou da "Terapia espírita para os que ficaram", numa organização da Sociedade Espírita de Baltimore.
O Dr. Raymond Moody Jr., a maior sumidade a nível mundial no que concerne às pesquisas dos casos de mortes aparentes (EQM’s – Experiências de Quase Morte), iniciou a sua palestra destacando a importância do pensamento crítico na avaliação das grandes questões da vida. Dr. Moody Jr. contou que havia reproduzido a metodologia grega através de uma sala de espelhos, que montou no seu Instituto, como uma proposta de metodologia de investigação do fenómeno de comunicação com os mortos. Nas suas pesquisas, o Dr. Moody surpreendeu-se ao verificar que a maioria dos indivíduos estudados relatavam ter tido algum tipo de experiência (que consideraram real) de comunicação com entes queridos que partiram. O próprio Moody Jr. contou a sua experiência pessoal com a sua avó paterna.
Nos seus 30 anos de pesquisas, finalizou a sua palestra num clima optimista, afirmando acreditar que “no século XXI, teremos definitivamente avanços genuínos na direcção de comprovações científicas sobre as questões essenciais humanas, entre elas a da continuidade da vida após a morte".
Em seguida, o brilhante médium e orador Divaldo Pereira Franco, discursou sobre as questões da continuidade da vida desde tempos remotos da humanidade, do período do homem primitivo, através dos desenhos em rochas no período paleolítico. Divaldo trouxe a terapia espírita para os que sofrem a partida dos entes queridos pela morte, recomendando cinco passos:
1 - Enquanto ao lado dos entes queridos, diga-lhes que os ama. Nunca será demasiado dizer quanto a pessoa querida é importante. (...)
2 - Pense na sua morte, não na morte do vizinho. Porque o vizinho está pensando na sua. (...)
3 - Resolva os seus problemas afectivos antes da morte. (...)
4 - Quando alguém querido morrer, não lamente. Agradeça o período em que conviveu ao seu lado. Recorde os momentos felizes que teve com o ser querido. Eles receberão a sua mensagem mental e sentir-se-ão felizes, acercando-se de si. Faça silêncio interior para poder ouvi-los numa voz intracraniana. E, lentamente, poderá ouvi-los directamente. (...)
5 - Ore por eles. Peça a Deus por eles. E tenha a certeza de que, quando chegar o momento de sua partida, você os encontrará. (...)
“A terapia espírita para a dor da separação é de esperança”, acrescentou Divaldo, que prosseguiu com jovialidade, carisma e linguagem universalista, relatando casos de pessoas que eram cépticas e que, após a comunicação dos entes queridos, através da mediunidade, obtiveram o consolo e a certeza de que a vida continua. Um dos pontos culminantes da sua palestra foi o relato da história verídica do jovem que foi morto acidentalmente pelo amigo, e que se comunicou pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, a fim de testemunhar em tribunal, pelo réu, seu amigo, afirmando que este não era culpado da sua morte. Tal testemunho foi aceite pelo juiz, que libertou o réu.
Aproximadamente setenta por cento das cerca de 200 pessoas presentes eram americanas e ficaram encantadas com a abordagem sábia de Divaldo Franco e a sua eloquente e consoladora mensagem espírita.
Certamente este encontro de grande expressão, foi um marco histórico para o início de uma nova era na divulgação mundial do Espiritismo, em que se expandiu o diálogo da ciência espírita com a ciência material.

Nota: adaptado do artigo original da autoria de Vanessa Anseloni, Presidente da Spiritist Society of Baltimore, Inc., uma das pioneiras em palestras e workshops espíritas em língua inglesa no movimento espírita nos EUA. Vanessa Anseloni é neurocientista e psicóloga, actualmente professora e pesquisadora da Universidade de Maryland em Baltimore, nos EUA. www.ssbaltimore.org/Fotos-Brasil.html

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Porquê, meu Deus?


A pergunta apresentava-se dorida. A vida corre e escorre-nos das mãos sem que nos apercebamos. Um dia, a dor bate à porta sob mil formas diferenciadas, e nós questionamo-nos: porquê, meu Deus? 

O caso do Paulo é apenas mais um, que vem retratar a falência das religiões tradicionais para responder aos graves ditames da vida.
Criança esperta, inteligente, bom aluno, distingue-se dos demais nos seus 11 anitos. Filho único, mais que motivo para que as múltiplas alegrias ocupem o coração amoroso dos seus progenitores.
Repentinamente, o mundo desmorona… O choque afigura-se irreversível: um, dois, três acidentes vasculares cerebrais, colocam o Paulo, outrora poço de vida e de inteligência, ligado a uma máquina, em morte cerebral. O desespero toma conta dos familiares, que de porta em porta buscam o milagre, a salvação, a explicação que ninguém lhe dá.
A pergunta mantém-se inalterada: porquê, meu Deus?
Mariana apresenta-me a situação, em conversa do quotidiano. Tomou conhecimento do caso através de um amigo, familiar do pai do Paulo. Outra questão: como ajudar estes pais destroçados pela vida?
Puxando por meia dúzia de conceitos que a Doutrina Espírita (ou Espiritismo) me ensinou, faço-lhe ver que eles não estão destroçados pela vida, mas sim pelo desconhecimento dos mecanismos que envolvem a vida.
Habituados que fomos a termos uma espiritualidade de superfície, quase sempre alicerçada em rituais herdados nas religiões tradicionais, estas não respondem aos reais problemas existenciais.
Falámos dos conceitos espíritas, lógicos, evidentes, compreensíveis, pesquisáveis, demonstráveis e, somente com o conhecimento e entendimento da reencarnação (vidas sucessivas) podemos enquadrar semelhante situação.
Colhendo hoje o semeado outrora, conforme os ensinamentos de Jesus de Nazaré, a moderna psiquiatria vem nos dias que correm, corroborar tais assertivas, através da terapia de regressão de memórias a vivências passadas (desta e de outras vidas), demonstrando de modo irretorquível a realidade da reencarnação.
Homens ontem, crianças hoje em novos corpos, vimos reparar erros de outrora e reaprender, adquirir novos saberes, nessa busca incessante pela nossa felicidade e bem-estar interior.

A Doutrina Espírita explica ao homem de onde vem, para onde vai,
do porquê da vida, porque sofre e é feliz de modo dissemelhante.
 
Sendo a morte uma quimera, o Espírito eterno jamais se despersonaliza, adentrando o mundo espiritual com o acervo de conhecimentos conquistados ao longo das múltiplas existências. Nesse sentido, aquilo que agora se nos afigura como uma tragédia, não é mais do que um degrau na escalada evolutiva do ser, desprendendo-se das peias do passado em busca de melhores condições no futuro, na próxima vida no mundo físico. Dentro da divina bondade e equidade, cada um de nós encontra no palco da vida tudo aquilo que lhe é mais útil para a sua existência, para a sua libertação espiritual, mesmo que isso possa parecer, a curto prazo, algo de muito terrível.
Sabendo que a vida continua, que o Espírito tem múltiplas existências físicas e que voltará com nova oportunidade de vida longa, onde aprenda novos saberes em busca da evolução, entendendo a lógica da Lei de Causa e Efeito onde não existem privilégios perante Deus, e onde cada um encontra o fruto das suas atitudes no passado mais ou menos recente, a Doutrina Espírita explica ao homem de onde vem, para onde vai, do porquê da vida, porque sofre e é feliz de modo dissemelhante.
Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar tal é a lei. Com o conhecimento do Espiritismo como filosofia de vida, o desespero dá lugar ao entendimento, a revolta à aceitação, a irreversibilidade dá lugar à certeza do reencontro com os seres amados.
Entender a vida é procedimento que urge (vida esta que se desdobra em dois palcos – terreno e espiritual) sem o qual a existência torna-se muito difícil de compreender e aceitar, levando aos caminhos sempre penosos e estéreis da revolta.
A questão inicial “Porquê, meu Deus?” encontra a resposta na Doutrina Espírita…
Como referia o eminente Allan Kardec, em meados do século XIX, na cidade luz, em França, uma das maiores caridades que podemos fazer, é a divulgação do Espiritismo, dentro do ensinamento cristão “não colocar a luz sob o alqueire…”

Bibliografia:
Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos
http://www.adeportugal.org/ - Curso Básico de Espiritismo