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Um mundo melhor...


Era um dia soalheiro, por sinal feriado. O telemóvel tocou. Quem seria, logo de manhã? Que chatice. Lá atendi o telefone. Do outro lado da linha estava uma voz enérgica e bem disposta. «A lenha que me encomendou posso levá-la hoje, apesar de ser feriado?»

Disse que sim e meia hora mais tarde lá descarregamos uma tonelada de lenha, qual formiga a preparar-se para o Inverno que teima em não vir.
Enquanto descarregávamos os toros de madeira íamos conversando e ia apreciando aquele homem forte, de meia-idade e com cara de quem está bem calejado pela vida. De roupa suja (típica do seu trabalho) e suor a cair em bica, mantinha um sorriso admirável, uma energia contagiante.
A meio da conversa dei por mim a filosofarmos em torno da ecologia. O meu desconhecido companheiro de conversa a quem encomendara uma tonelada de lenha, referiu-se à seca e dizia (com a característica típica de quem andou na universidade da vida e tirou as disciplinas do suor, do trabalho contínuo e mal remunerado): «Sabe? Isto está mau! Até os eucaliptos estão a secar! As pessoas não fazem ideia da gravidade da situação!!!»
Lá concordei com o meu interlocutor e daí passamos para a economia do país, da justiça social, finanças, enfim, naquela tendência bem típica do português de sobre tudo querer opinar e logo ali no momento apresentar soluções para todos os problemas nacionais.
Mas houve uma coisa que me tocou fundo. De repente, aquele homem forte, que fazia dois de mim, parou de atirar a lenha pela camioneta fora e com uma segurança perturbadora deixou escapar esta afirmação: «Sabe uma coisa Sr.? Não é justo haver gente que trabalha tanto e ganhe 80 e outros ganham 800 e até 8 mil. Isto tem de mudar um dia, não sei bem como, mas tem de mudar. Há muita injustiça…»
Eu, espírita, fiquei a meditar naquelas palavras simples, mas directas e sábias. 
Sem dúvida que o meu interlocutor tinha razão. Isto tem de mudar um dia.
De acordo com a Doutrina Espírita (ou Espiritismo), dizem-nos os bons espíritos que o planeta Terra está a passar neste milénio, de planeta de expiação e provas para planeta de regeneração, onde haverá mais sede de justiça social, onde o forte não oprimirá o fraco, antes pelo contrário apoiá-lo-á, onde a fraternidade dará lugar à guerra e à fome que campeiam pelo mundo fora.
Tal processo depurativo que os antigos atribuíam ser “o fim dos tempos”, acontecerá naturalmente, pela desencarnação (morte do corpo de carne) das pessoas e pela reencarnação de seres mais pacificados e que não sejam elementos perturbadores à sociedade, indo os seres menos evoluídos, rebeldes e belicosos, reencarnar em mundos mais de acordo com o seu estado de alma, ou mundos primitivos ou então ao nível do planeta Terra, actualmente.
A sede de justiça social é um anseio do homem imortal, que volta vida após vida, buscando aperfeiçoar-se intelectual e espiritualmente em busca da felicidade que um dia atingirá quando for espírito puro. 
Acabada de descarregar a tonelada de lenha, fomos cada um para o seu lugar, cada um com as suas ideias, mas com um ideal comum: o de uma maior justiça social.
É essa justiça social, a fraternidade, a solidariedade, que a Doutrina Espírita nos convida a encetar desde já, nesta vida, seja perdoando, seja fazendo ao próximo o que desejamos para nós, tendo uma postura ética perante a vida na certeza de que o nosso amanhã será mais ou menos feliz de acordo com a nossa postura mental, dentro da assertiva de Jesus de que «a semeadura é livre mas a colheita é obrigatória». 

Bibliografia:
«O Livro dos Espíritos» de Allan Kardec ; http://www.adeportugal.org/

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O exemplo

D. Mariana frequenta um Centro Espírita.
Desde nova que sentia “certas coisas” que a medicina oficial não conseguia identificar.
Frequentando o Centro Espírita, acabou por verificar que afinal a “estranheza” de que se dizia possuidora não era nada mais do que uma capacidade, um sexto sentido, que milhões de pessoas possuem: a mediunidade (ou percepção extra-sensorial), capacidade que permite às pessoas aperceberem-se do mundo espiritual.
A D. Mariana começou a ser assídua no Centro Espírita.
Na primeira oportunidade, inscreveu-se num Curso Básico de Espiritismo, gratuito (como aliás todas as actividades de um Centro Espírita que se preze), e posteriormente acabou por efectuar um outro, de educação da mediunidade.
O conhecimento adquirido trouxe-lhe outra postura perante a vida.
Começou a ser mais calma, menos irritadiça e a entender melhor os mecanismos da vida, agora vistos pelo prisma da Doutrina Espírita.
Passou a integrar uma actividade de fluidoterapia (doava as suas energias em prol do próximo, em reuniões próprias para o efeito, o chamado “passe espírita”) e tem conseguido granjear o carinho de todos aqueles que a conhecem.
Pessoa bondosa e dedicada, todos a estimam.
Há dias, falando com ela, Mariana contou um caso, que pela sua singeleza e grandeza espiritual me chamou a atenção, levando-me por novos atalhos meditativos, em tentativa de interiorizar tal situação.
Tudo acontecera no ano passado, faltavam alguns dias para o Natal de 2006, quando assistia a uma palestra espírita. A certa altura, a pessoa que estava a explicar um tema à luz da Doutrina Espírita (ou Espiritismo), exortava as pessoas a, ao invés de enveredarem pela mera troca comercial de presentes, que dessem um presente diferente, por exemplo, um bom livrou ou até apenas um aperto de mão, um abraço.
O tempo passou…
Falando com Mariana, um mês antes do Natal deste ano, 2007, esta contou-me a sua história: «Sabe, aquela palestra do ano passado… mexeu muito comigo, e tinha uma colega de trabalho que me prejudicara muito, e não falávamos uma com a outra, mais por orgulho das duas. Depois de ouvir a palestra, lembrei-me e fui ter com ela. Acercando-me do seu local de trabalho, ela ficou espantada com a minha presença, ao que lhe disse que tinha algo para lhe oferecer. Ela ficou atónita, sem saber o que dizer, e nem reagiu. Eu ganhei coragem - referiu Mariana – e disse-lhe: “Venho dar-te um abraço como presente de Natal”. 
Não imagina a enorme alegria que se apoderou de mim, a leveza de espírito com que fiquei, para além de termos ficado amigas, pondo as duas, o respectivo orgulho de parte».
Fiquei a meditar nesta situação ocorrida com a D. Mariana, e confesso que não me sai da cabeça.
Como é impressionante a força do querer, o impacto que tem a Doutrina Espírita na vida das pessoas, e como o exemplo (neste caso da D. Mariana) tem uma força incrível, não deixando, quem conhece o caso, indiferente perante a sua própria vida.
Este é o objectivo da Doutrina Espírita, esclarecer as pessoas acerca do real sentido da vida, e se aplicada no dia-a-dia, contribuir para que o mundo seja cada vez melhor… começando por melhorar o seu próprio “mundo”…
Confesso que nas múltiplas situações do quotidiano, relembro com frequência o caso da Mariana, qual farol a indicar-me o caminho do reerguimento moral, que todos nós precisamos encetar, em busca da nossa própria felicidade.

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Mediunidade não é doença


A mediunidade é uma faculdade humana que permite aos homens comunicar com o mundo espiritual. Muitas pessoas confundem-na com patologias. Veja porquê e como resolver a situação.

Maria era uma mãe e esposa como todas as outras. Um dia, começou a sentir sensações esquisitas e desconhecidas, sintomas estes que não controlava bem, desconhecendo suas causas. De sintoma em sintoma, procurou o clínico de sua confiança. O cansaço diagnosticado foi prontamente medicado, mas, sem efeito. De médico em médico, foi andando até que um dia alguém lhe disse: «Já foi a um centro espírita? Por que não vai? Pior não fica!». Maria acabou por bater à porta de uma associação espírita, onde lhe explicaram que aquelas vozes que ouvia, aquelas visões que tinha e que eram diagnosticadas como patologias pelo psiquiatra desconhecedor das realidades espirituais, não eram mais do que factos perfeitamente normais e que a ciência oficial desconhece. Integrada nos trabalhos da associação, após estudo do espiritismo, Maria hoje é uma mulher normal, controlando perfeitamente a faculdade que outrora estava descontrolada.
Esta história, repete-se aos milhares por esse país fora. 
A mediunidade é uma faculdade que permite ao ser humano captar o mundo espiritual. O médium é aquele que tem uma característica - a mediunidade - que lhe permite estar no meio, isto é, entre dois planos, o físico e o espiritual.
A mediunidade não é pois uma doença, algo de anormal, mas sim uma característica inerente ao ser humano. Nuns, na maioria, está em estado lactente, noutros está a desabrochar e, em alguns está já desabrochada (os chamados médiuns).
Quando estas características despoletam de repente, sem que a pessoa tenha alguns conhecimentos da vida espiritual, poderão provocar alguns dissabores, já que a pessoa se vê envolta numa situação que não domina e que desconhece. Fácil é ser-lhe diagnosticada uma doença qualquer do foro nervoso, e infelizmente muitas pessoas são internadas em hospitais psiquiátricos, quando na verdade têm problemas de ordem obsessiva espiritual, isto é, influência perniciosa de um espírito (pessoa que já largou o corpo de carne pelo fenómeno natural da morte) sobre o psiquismo do encarnado (o que ainda está no corpo de carne).
Muitas pessoas chegam inclusive a ficar num estado de perturbação, duvidando por vezes de sua própria sanidade mental. No entanto, tais situações são perfeitamente explicáveis e torneadas com a acção espírita, numa associação espírita idónea.
Não se deve recorrer a médiuns que trabalhem sozinhos, e muito menos a locais onde se cobre ou se aceite uma determinada quantia pelo tratamento. A mediunidade deve ser utilizada gratuitamente, de acordo com os preceitos do Evangelho (Dai de graça o que de graça recebestes).

A mediunidade é uma faculdade perfeitamente normal,
que permite ao ser humano percepcionar o mundo espiritual.
 
A mediunidade é neutra, tal como outras faculdades que possuímos (capacidade de falar, de ouvir, ver, etc.) e pode aparecer em qualquer estrato social e cultural. Não escolhe pois o meio onde se manifesta. Nesse sentido todos somos mais ou menos médiuns, como nos diz Allan Kardec no seu memorável livro «O Livro dos Médiuns», autêntico roteiro seguro de como trabalhar na mediunidade. Poderemos, pois, encontrar pessoas com mediunidade dentro de qualquer religião, filosofia ou corrente de opinião, quer acredite, ou não, na existência dessa faculdade.
Quando ela despoleta, a única solução é render-se à evidência e ao invés de lutar contra ela (autêntico desperdício de tempo) devemos tentar compreendê-la.
Mas como?
A pessoa que manifesta esse sintomas, deve procurar uma associação espírita idónea, onde receberá orientação segura para o seu caso. Invariavelmente, a pessoa deve frequentar estudos básicos sobre espiritismo, familiarizando-se com esta doutrina consoladora e esclarecedora, frequentando também a palestra pública e beneficiando-se com o passe magnético (fluidoterapia através da bioenergia). Numa fase posterior, a pessoa necessitada deve então integrar um estudo prático da mediunidade onde aprenderá a controlar essa faculdade sublime, autêntico motor de evolução quando aproveitada e direccionada na prática do bem e gratuitamente.
A pessoa necessitada não deve sob pretexto algum participar de imediato em reuniões de intercâmbio com o mundo espiritual, já que tem uma faculdade que não está adestrada. Seria como colocarmos alguém a trabalhar com uma ferramenta que desconhecesse o seu funcionamento. O risco seria bem grande.
Relembramos um caso interessante.
Certo dia, comunicaram-nos que a senhora X teria dado entrada na urgência do hospital das Caldas da Rainha, com sintomas de perda de consciência. Não sabia quem era, não se recordava do marido, do filho, afirmando que estava no ano tal, uns quinze anos atrás. Estava em observações e com indicação para ser internada em Psiquiatria em Coimbra. Conhecedores que éramos da mediunidade pouco orientada da referida senhora, fomos (quatro pessoas) ao hospital, a pedido de um familiar, onde explicámos a uma médica de serviço o que se estaria a passar com essa pessoa, do nosso ponto de vista, que ela estaria num processo de auto-regressão de memória, onde havia interferências espirituais. A médica um pouco constrangida, naturalmente desconfiando da nossa sanidade mental, lá acedeu a que num canto estivéssemos juntos da doente. Discretamente, fizemos uma prece e dando passe magnético conseguimos que a doente voltasse ao estado normal. Passados poucos minutos, a médium deseducada, saiu do estado de transe mediúnico e estava tão normal como de costume, para espanto geral dos clínicos que não entendiam como tal se processara.

A associação espírita é o lugar certo para a pessoa
que pretenda controlar e conhecer essa faculdade (a mediunidade),
 tornando-a numa poderosa alavanca de crescimento espiritual.

Felizmente já temos em Portugal vários médicos e psicólogos espíritas que poderão orientar com muito mais segurança as pessoas que pensem ter "doenças fantasmas", e que muitas vezes apenas são detentores de faculdades até então desconhecidas.
Seria interessante que os clínicos se interessassem pela componente científica e filosófica do espiritismo, sem descurar a parte moral, na certeza de que assim possuiriam um cabedal bem maior de conhecimentos que poderiam usar em benefício dos seus pacientes.
Sabemos que está em curso a constituição da Associação de Médicos Espíritas Portugueses.
Para os interessados seria fundamental uma leitura atenta de «O Livro dos Médiuns» de Allan Kardec, depois de lerem «O Livro dos Espíritos» também do mesmo autor.
Como diria o famoso e respeitado filósofo brasileiro, José Herculano Pires, um dia todos os homens serão seres Psi, onde a mediunidade será uma faculdade tão banal como banal é hoje ver, ouvir, e falar.

Dezembro 1997

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Medicina e Espiritismo de mãos dadas


Raymond Moody Jr, médico, psiquiatra, filósofo e Divaldo Franco, conferencista espírita, médium, estiveram lado a lado, nos EUA, em evento que abordou o tema “Do luto à esperança”. Dois grandes nomes a nível mundial falando dos problemas que assolam a intimidade humana. Ora veja!

Na noite de 16 de Março de 2006, o aclamado pesquisador, psiquiatra e filósofo Dr. Raymond Moody Jr. proferiu uma palestra juntamente com Divaldo Pereira Franco na cidade de Baltimore, Estado de Maryland, EUA. O tema geral do evento era “Do Luto à Esperança”, em que o Dr. Raymond Moody discursou sobre o seu livro "Reencontros com entes queridos que partiram", enquanto que Divaldo Franco tratou da "Terapia espírita para os que ficaram", numa organização da Sociedade Espírita de Baltimore.
O Dr. Raymond Moody Jr., a maior sumidade a nível mundial no que concerne às pesquisas dos casos de mortes aparentes (EQM’s – Experiências de Quase Morte), iniciou a sua palestra destacando a importância do pensamento crítico na avaliação das grandes questões da vida. Dr. Moody Jr. contou que havia reproduzido a metodologia grega através de uma sala de espelhos, que montou no seu Instituto, como uma proposta de metodologia de investigação do fenómeno de comunicação com os mortos. Nas suas pesquisas, o Dr. Moody surpreendeu-se ao verificar que a maioria dos indivíduos estudados relatavam ter tido algum tipo de experiência (que consideraram real) de comunicação com entes queridos que partiram. O próprio Moody Jr. contou a sua experiência pessoal com a sua avó paterna.
Nos seus 30 anos de pesquisas, finalizou a sua palestra num clima optimista, afirmando acreditar que “no século XXI, teremos definitivamente avanços genuínos na direcção de comprovações científicas sobre as questões essenciais humanas, entre elas a da continuidade da vida após a morte".
Em seguida, o brilhante médium e orador Divaldo Pereira Franco, discursou sobre as questões da continuidade da vida desde tempos remotos da humanidade, do período do homem primitivo, através dos desenhos em rochas no período paleolítico. Divaldo trouxe a terapia espírita para os que sofrem a partida dos entes queridos pela morte, recomendando cinco passos:
1 - Enquanto ao lado dos entes queridos, diga-lhes que os ama. Nunca será demasiado dizer quanto a pessoa querida é importante. (...)
2 - Pense na sua morte, não na morte do vizinho. Porque o vizinho está pensando na sua. (...)
3 - Resolva os seus problemas afectivos antes da morte. (...)
4 - Quando alguém querido morrer, não lamente. Agradeça o período em que conviveu ao seu lado. Recorde os momentos felizes que teve com o ser querido. Eles receberão a sua mensagem mental e sentir-se-ão felizes, acercando-se de si. Faça silêncio interior para poder ouvi-los numa voz intracraniana. E, lentamente, poderá ouvi-los directamente. (...)
5 - Ore por eles. Peça a Deus por eles. E tenha a certeza de que, quando chegar o momento de sua partida, você os encontrará. (...)
“A terapia espírita para a dor da separação é de esperança”, acrescentou Divaldo, que prosseguiu com jovialidade, carisma e linguagem universalista, relatando casos de pessoas que eram cépticas e que, após a comunicação dos entes queridos, através da mediunidade, obtiveram o consolo e a certeza de que a vida continua. Um dos pontos culminantes da sua palestra foi o relato da história verídica do jovem que foi morto acidentalmente pelo amigo, e que se comunicou pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, a fim de testemunhar em tribunal, pelo réu, seu amigo, afirmando que este não era culpado da sua morte. Tal testemunho foi aceite pelo juiz, que libertou o réu.
Aproximadamente setenta por cento das cerca de 200 pessoas presentes eram americanas e ficaram encantadas com a abordagem sábia de Divaldo Franco e a sua eloquente e consoladora mensagem espírita.
Certamente este encontro de grande expressão, foi um marco histórico para o início de uma nova era na divulgação mundial do Espiritismo, em que se expandiu o diálogo da ciência espírita com a ciência material.

Nota: adaptado do artigo original da autoria de Vanessa Anseloni, Presidente da Spiritist Society of Baltimore, Inc., uma das pioneiras em palestras e workshops espíritas em língua inglesa no movimento espírita nos EUA. Vanessa Anseloni é neurocientista e psicóloga, actualmente professora e pesquisadora da Universidade de Maryland em Baltimore, nos EUA. www.ssbaltimore.org/Fotos-Brasil.html

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Porquê, meu Deus?


A pergunta apresentava-se dorida. A vida corre e escorre-nos das mãos sem que nos apercebamos. Um dia, a dor bate à porta sob mil formas diferenciadas, e nós questionamo-nos: porquê, meu Deus? 

O caso do Paulo é apenas mais um, que vem retratar a falência das religiões tradicionais para responder aos graves ditames da vida.
Criança esperta, inteligente, bom aluno, distingue-se dos demais nos seus 11 anitos. Filho único, mais que motivo para que as múltiplas alegrias ocupem o coração amoroso dos seus progenitores.
Repentinamente, o mundo desmorona… O choque afigura-se irreversível: um, dois, três acidentes vasculares cerebrais, colocam o Paulo, outrora poço de vida e de inteligência, ligado a uma máquina, em morte cerebral. O desespero toma conta dos familiares, que de porta em porta buscam o milagre, a salvação, a explicação que ninguém lhe dá.
A pergunta mantém-se inalterada: porquê, meu Deus?
Mariana apresenta-me a situação, em conversa do quotidiano. Tomou conhecimento do caso através de um amigo, familiar do pai do Paulo. Outra questão: como ajudar estes pais destroçados pela vida?
Puxando por meia dúzia de conceitos que a Doutrina Espírita (ou Espiritismo) me ensinou, faço-lhe ver que eles não estão destroçados pela vida, mas sim pelo desconhecimento dos mecanismos que envolvem a vida.
Habituados que fomos a termos uma espiritualidade de superfície, quase sempre alicerçada em rituais herdados nas religiões tradicionais, estas não respondem aos reais problemas existenciais.
Falámos dos conceitos espíritas, lógicos, evidentes, compreensíveis, pesquisáveis, demonstráveis e, somente com o conhecimento e entendimento da reencarnação (vidas sucessivas) podemos enquadrar semelhante situação.
Colhendo hoje o semeado outrora, conforme os ensinamentos de Jesus de Nazaré, a moderna psiquiatria vem nos dias que correm, corroborar tais assertivas, através da terapia de regressão de memórias a vivências passadas (desta e de outras vidas), demonstrando de modo irretorquível a realidade da reencarnação.
Homens ontem, crianças hoje em novos corpos, vimos reparar erros de outrora e reaprender, adquirir novos saberes, nessa busca incessante pela nossa felicidade e bem-estar interior.

A Doutrina Espírita explica ao homem de onde vem, para onde vai,
do porquê da vida, porque sofre e é feliz de modo dissemelhante.
 
Sendo a morte uma quimera, o Espírito eterno jamais se despersonaliza, adentrando o mundo espiritual com o acervo de conhecimentos conquistados ao longo das múltiplas existências. Nesse sentido, aquilo que agora se nos afigura como uma tragédia, não é mais do que um degrau na escalada evolutiva do ser, desprendendo-se das peias do passado em busca de melhores condições no futuro, na próxima vida no mundo físico. Dentro da divina bondade e equidade, cada um de nós encontra no palco da vida tudo aquilo que lhe é mais útil para a sua existência, para a sua libertação espiritual, mesmo que isso possa parecer, a curto prazo, algo de muito terrível.
Sabendo que a vida continua, que o Espírito tem múltiplas existências físicas e que voltará com nova oportunidade de vida longa, onde aprenda novos saberes em busca da evolução, entendendo a lógica da Lei de Causa e Efeito onde não existem privilégios perante Deus, e onde cada um encontra o fruto das suas atitudes no passado mais ou menos recente, a Doutrina Espírita explica ao homem de onde vem, para onde vai, do porquê da vida, porque sofre e é feliz de modo dissemelhante.
Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar tal é a lei. Com o conhecimento do Espiritismo como filosofia de vida, o desespero dá lugar ao entendimento, a revolta à aceitação, a irreversibilidade dá lugar à certeza do reencontro com os seres amados.
Entender a vida é procedimento que urge (vida esta que se desdobra em dois palcos – terreno e espiritual) sem o qual a existência torna-se muito difícil de compreender e aceitar, levando aos caminhos sempre penosos e estéreis da revolta.
A questão inicial “Porquê, meu Deus?” encontra a resposta na Doutrina Espírita…
Como referia o eminente Allan Kardec, em meados do século XIX, na cidade luz, em França, uma das maiores caridades que podemos fazer, é a divulgação do Espiritismo, dentro do ensinamento cristão “não colocar a luz sob o alqueire…”

Bibliografia:
Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos
http://www.adeportugal.org/ - Curso Básico de Espiritismo


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Jogo do copo: vamos fazer?


A espiritualidade vai despertando cada vez com mais força junto dos jovens. A vontade de falar com os espíritos é grande e por vezes metem-se em aventuras que podem ser perigosas, como o jogo do copo. Ora veja porquê.

05h10 da manhã. O telefone tocou! Alvoroço em casa, pensa-se logo o pior! Quem terá morrido? Quem terá tido um acidente? Ou seria alguma chamada urgente do trabalho? Ou alguma brincadeira de mau gosto por parte de quem tem insónias? Não, não era brincadeira. O telefonema era a sério.
Uma amiga nossa, de 15 anos de idade, de uma cidade vizinha, estava do outro lado da linha, num descontrole nervoso por demais evidente. A história conta-se em breves pinceladas.
Sofia, de 15 anos de idade, tinha feito uma sessão mediúnica para tentar falar com os espíritos, e assim tentar saber notícias do seu primo, há cerca de dois anos desencarnado (falecido) num desastre de moto. Juntou-se mais uns amigos e já não era a primeira vez que o faziam. À volta de uma mesa utilizavam o jogo do copo, com um abecedário em volta, a palavra sim e não, números de 0 a 9 e invocavam a presença de pessoas já falecidas. Nessa noite, Sofia vira o copo a mexer, (como aliás das outras vezes) e ao perguntarem quem estava presente a resposta fora: “Satanás”. Entre outras “revelações” chocantes, acabaram por terminar o jogo.
Ela, Sofia, ficou assustadíssima, não conseguia dormir, pois acreditava que tinha comunicado com o Satanás.

O Espiritismo precisa ser estudado... como aliás, qualquer outra ciência
 
Lá lhe explicámos que o Satanás não existe, que diabos somos nós quando praticamos o mal, quando odiamos, matamos, etc. Foi-lhe igualmente explicado que não acreditasse no que fora dito pois eram espíritos galhofeiros, que pretendiam assim explorar a credulidade alheia para se divertirem com a inexperiência desses jovens. Com um pouco de tempo, a jovem lá se acalmou sob juras de nunca mais voltar a fazer tal brincadeira.
Temos recebido na associação onde colaboramos, nas Caldas da Rainha, muitos reportes de jovens que aparecem perturbados depois de fazerem o jogo do copo.
Aconselhamos vivamente a que não o façam, pois podem correr sérios riscos de perturbação espiritual.
O contacto com o mundo espiritual é perfeitamente natural e normal, mas, como tudo na vida, obedece a certas normas de segurança que urge conhecer. Não pegamos num automóvel sem aprender a conduzir, não nos submetemos a um exame escolar sem estudar previamente. Também assim, quem pretende comunicar com o mundo espiritual pode fazê-lo, mas deve estudar primeiro, informar-se e depois, dentro de certas condições de segurança então poderá efectuar esses contactos normalmente.
Aconselhamos seriamente as pessoas a estudarem os livros de Allan Kardec, nomeadamente «O Livro dos Médiuns» que explica todas as nuanças desta actividade. Igualmente se aconselha que as pessoas interessadas neste intercâmbio, se dirijam a uma associação espírita, se informem, e apenas pratiquem a mediunidade dentro da associação espírita, onde o podem fazer em segurança, se aí não houver qualquer tipo de interesse e / ou comércio.

O contacto com o mundo espiritual é perfeitamente natural e normal,
mas, como tudo na vida, obedece a certas normas
de segurança que urge conhecer.
 
O Espiritismo é uma doutrina universalista, e como tal, qualquer pessoa pode dentro dos parâmetros de segurança que Allan Kardec estabeleceu em «O Livro dos Médiuns», comunicar com o mundo espiritual, o que lhe confere a autenticidade do fenómeno, já que não depende da crença no espiritismo ou em outra corrente filosófica e / ou religiosa para que se obtenham resultados.
No entanto, reforçamos, não o devem fazer nas escolas, em casa, por curiosidade ou divertimento (cujas consequências podem ser perigosas) mas sim devem contactar uma associação espírita, estudarem, e aí sim, quando tiverem oportunidade, integrarem-se nas suas actividades (não correndo assim qualquer risco).
O Espiritismo é uma doutrina muito lógica, que corresponde às expectativas de todos nós, explicando o porquê da vida, das suas dissemelhanças bem como abrindo novos horizontes para o porvir do homem. No entanto, como qualquer outra ciência, ele tem de ser... estudado. E, para isso, não há nada melhor do que começar pelo «O Livro dos Espíritos», «O Evangelho segundo o Espiritismo», «O Livro dos Médiuns», «A Génese» e «O Céu e o Inferno», todos eles de Allan Kardec.



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Pinochet morreu?


A notícia correu mundo: Augusto Pinochet, antigo ditador chileno, morrera no dia 10 de Dezembro de 2006, para gáudio de muitos e tristeza de outros. Ao lermos um dos jornais, não pudemos deixar de reparar num dos títulos: «O ditador que morreu sem prestar contas», facto este que se analisado à luz do espiritismo, não é bem assim! Ora veja.

Diz-nos a História recente que Pinochet foi um carrasco para o seu povo, matando e provocando sofrimento em quem não pensava como ele. O tempo acabou por revelar as suas fragilidades humanas, no entanto, conseguiu ludibriar a justiça humana, fugindo assim a um julgamento público e a uma possível prisão.
A maioria das pessoas revolta-se com tal facto, libertando ondas mentais de ódio para com esta pessoa, que assim ficou impune.
Ora, tal seria verdade se a vida terminasse com a morte do corpo de carne, mas, desde que Allan Kardec (o pesquisador que deu origem à doutrina espírita ou espiritismo) em meados do século XIX, comprovou a imortalidade da alma, tão apregoada pelas religiões tradicionais (factos estes corroborados por inúmeras pesquisas até aos dias de hoje por outros tantos cientistas), que teremos de reger a vida por esse novo paradigma: somos seres imortais, temporariamente num corpo de carne, onde temos uma oportunidade evolutiva durante certo tempo, até que regressemos de novo ao mundo dos espíritos, voltando mais tarde ao planeta Terra (reencarnação), e assim sucessivamente, até que um dia sejamos espíritos puros e não mais necessitemos de reencarnar neste ou em outros planetas.
Temos assim dois tipos de justiça: a dos homens e a de Deus.
Pinochet fugiu à justiça dos homens, mas não poderá nunca fugir à justiça de Deus que se patenteia na sua própria consciência, que agora, no mundo espiritual, não mais poderá escudar-se no seu posto de General, não mais poderá alegar insanidade mental, já que a sua consciência será qual ferida sangrante, recordando-lhe os gritos, os choros, os sofrimentos de todos aqueles a quem prejudicou, e que muitos deles, ainda no mundo espiritual, persegui-lo-ão em busca de ajuste de contas.
Pinochet, ser humano, eterno como todos nós, é pois mais digno de pena do que qualquer outro sentimento que possamos nutrir, imaginando os séculos de resgate que terá pela frente até que a sua consciência se sinta ilibada de todos os crimes cometidos. Quantas reencarnações dolorosas terá de enfrentar? Quantas doenças, limitações, dificuldades, sofrimentos, terá de encarar dentro da lei de causa e efeito que rege todo o Universo?
Sem dúvida que é caso para acuradas meditações, o facto de que nunca poderemos iludir a nossa consciência nem escudarmo-nos em falsos conceitos de poder, no mundo espiritual, onde cada um se desnudará de acordo com as atitudes tomadas neste mundo terreno. Os que tiveram vida digna e honesta estarão num ambiente vibratório de tranquilidade, compatível com o seu estado de alma, calmo e sereno, e aqueles que viveram prejudicando o próximo, herdarão de si próprios a intranquilidade, intrínseca às pessoas que não estão em paz consigo próprias, fruto dos desatinos cometidos na Terra.
Assim sendo, o ditador não morreu sem prestar contas, como referia uma jornalista portuguesa, mas, isso sim, mudou de plano existencial, forçado pelas circunstâncias de um corpo doente, continuando a viver no mais além, desconhecendo nós quantas dezenas ou até centenas de anos demorará o julgamento dentro de si próprio, colhendo o sofrimento gerado nos compatriotas torturados e mortos.
«A cada de acordo com as suas obras», já nos advertira Jesus de Nazaré, deixando-nos uma ética e uma moral que são o único caminho para a nossa felicidade.
Que possamos todos nós, tirar fundas ilações deste ser, que mais do que ser odiado é digno de compaixão, na certeza de que sendo imortais, o nosso amanhã será mais radioso e feliz de acordo com as nossas atitudes de agora.
É, pois, tempo de semeadura… no bem!

Bibliografia:
Kardec, Allan - “O Livro dos Espíritos”
ADEP – Curso Básico de Espiritismo, http://www.adeportugal.org/

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Sem alívio...


Suharto desencarnou (faleceu)! O antigo presidente indonésio governou o país durante mais de 30 anos. Considerado um dos líderes mundiais mais corruptos do mundo, foi responsável pela morte de 200 mil timorenses, sem contar os outros muitos milhares de mortos, aquando da sua chegada ao poder na década de 60. Voltou ao mundo espiritual, pelo fenómeno natural da morte do corpo físico. Sem alívio…

Há dias, em conversa com uma pessoa conhecida, esta afirmava que os políticos corruptos levam uma bela vida na Terra, e que depois morrem e acabou-se «safaram-se à grande e à francesa» afirmava o meu interlocutor.
Assim à primeira vista, este parece ter razão, e cegos a uma realidade que permanece à nossa volta – a realidade espiritual - o homem julga que a vida se confina apenas a esta existência. Embrenhado numa visão materialista, busca a todo o custo o seu bem-estar, sem cogitar do bem-estar alheio e da sua génese espiritual.
Com o advento da Doutrina Espírita (ou Espiritismo), que não é mais uma religião nem mais uma seita, o homem descobriu experimentalmente a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos Espíritos, a Lei de Causa e Efeito, a Reencarnação e a Pluralidade dos Mundos Habitados.
Inúmeros cientistas e pesquisadores conceituados a nível mundial, desde meados do século XIX, vêm confirmando as assertivas da Doutrina Espírita, demonstrando a veracidade dos postulados então pesquisados por Allan Kardec, o eminente discípulo de Pestalozzi, que compilou a doutrina dos Espíritos, ditada por eles mesmos e pesquisada à saciedade.
O Homem, é apenas um viajante cósmico em busca da sua evolução espiritual e intelectual, sendo que cada vida corpórea se afigura como uma estação ferroviária, onde ele aporta, no comboio da vida eterna.
Assim sendo, facilmente é de depreender que havendo uma justiça divina, cada um terá de ser responsável pelos seus actos, não numa perspectiva castigadora, castradora, mas sim numa visão educativa, pedagógica, onde colhemos na Vida aquilo que semearmos, sejam afectos ou inimizades.
Com as colheitas de outrora, voltamos a novas existências corporais, carregados das nossas alegrias e tristezas, da nossa carga energética, da qual teremos mais cedo ou mais tarde de nos livrar, para nos podermos sentir em paz com a nossa consciência. É aquilo a que os espíritas denominam de Lei de Causa e Efeito (ou Lei de causalidade), que fica bem retratada no ensinamento de Jesus de Nazaré quando referia «a semeadura é livre mas a colheita é obrigatória».
Ficamos a meditar neste ser humano agora falecido, Suharto, e nos milhares de seres que provavelmente ainda envoltos nas ondas da revolta e do ódio, o esperavam pacientemente, para ajuste de contas pessoais, no mundo espiritual.

A Terra permanece como imensa escola de almas atribuladas
que ainda não aprenderam que o Amor é a antecâmara da felicidade
 
Não poderemos aquilatar dos sofrimentos inenarráveis por que terá de passar, pelas expiações difíceis que provavelmente terá na Terra ou noutros orbes, até que um dia, liberto da consciência culpada pelos crimes cometidos, enverede por uma nova trajectória, na sua ascensão em busca da felicidade, à qual todos, inevitavelmente estamos fadados, dependendo apenas do “timming” de cada um, atingirmos essa felicidade mais cedo ou mais tarde no grande concerto da Vida.
Ramos-Horta, presidente timorense deixa uma mensagem de esperança para o mundo atribulado, ao aconselhar «Não devemos guardar rancor», lembrando os sábios conselhos de Jesus de Nazaré deixados há dois mil anos, e que a humanidade teima em ignorar.
Ana Gomes, eurodeputada, fala em «Alívio».
No entanto, conhecendo as leis que regem o mundo espiritual, a Doutrina Espírita ensina-nos que esse alívio é apenas ilusório, já que o Espírito não morre, permanece vivo e activo no mundo espiritual, interagindo e influenciando o mundo terreno, voltando mais tarde, para resgatar os seus crimes, seja pelo sofrimento seja por acções em prol da humanidade.
A Terra, essa, permanece como imensa escola de almas atribuladas que ainda não aprenderam que o Amor é a antecâmara da felicidade pessoal e que nada tem a ver com posses materiais.
Por isso a morte de Suharto, não é um alívio para a humanidade, mas sim um belo ensinamento de como o ser humano não deve interagir no seu estágio terreno. Quanto ao que o espera, só Deus sabe…

Janeiro de 2008


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Cientistas à procura do Espírito


Pois é! Aquilo a que outrora se dizia ser obra do diabo, falar com os mortos, hoje é cada vez mais uma evidência, que nos mostra a imortalidade da alma. De realçar apenas o interesse cada vez maior por parte de investigadores e cientistas, em busca da prova final da existência do espírito. Ora veja!

Encontrámos excelente dossier intitulado «Viagem ao Mundo dos Espíritos», na revista Notícias Magazine (do Diário de Notícias e Jornal de Notícias), de 8 de Março de 1998, dossier este da autoria do jornalista Eugénio Pinto. Com linguagem clara, concisa e precisa, denotando um espírito crítico e postura séria perante assuntos desconhecidos, este tema foi muito bem escalpelizado pela Notícias Magazine. O jornalista relata uma reunião espírita, num centro espírita do Norte, cujo objectivo seria auxiliar pessoas falecidas que ainda andem em sofrimento. Conta os diálogos encontrados, as sensações fruídas pelos médiuns em causa, relata casos vividos pelos intervenientes, deixando-nos um panorama muito bem descrito, que quer parecer-nos visa informar e questionar tudo aquilo em que ainda não pensámos muito bem – a continuidade da vida após a vida no corpo físico.
Assunto tabu para muitos e inclusive perseguido pelo preconceito, a comunicabilidade dos espíritos aparece cada vez mais como uma evidência que vai tendo as atenções do mundo científico.

«Não considero a mediunidade como doença.
Posso encarar o fenómeno mediúnico, de um ponto de vista científico,
como um estado modificado de consciência. Mais nada.»
 
Allan Kardec, sábio, investigador de uma cultura acima da média, em meados do século XIX, em França, investigou minuciosamente e codificou o Espiritismo, ou doutrina espírita, realçando o seu carácter eminentemente racional, referindo a propósito, que o Espiritismo marcha ao lado da ciência, mas não se detém onde esta pára, vai mais além, referindo igualmente que no dia em que a ciência oficial provar que um único postulado do espiritismo está errado, então os espíritas abandonarão esse postulado e seguirão a ciência oficial. Allan Kardec descobriu assim as leis que regem o mundo espiritual bem como o inter-relacionamento entre o mundo espiritual e o mundo corpóreo. Com a explicação dessa leis (leia-se «O Livro dos Médiuns») o maravilhoso, o sobrenatural, veio dar lugar, irremediavelmente, ao natural, a factos comuns e explicados, à luz do espiritismo.
Ainda neste dossier, na Notícias Magazine, encontramos a peça «À Luz da Ciência» onde o jornalista analisa o transe mediúnico (comunicação com os espíritos) dentro da perspectiva de cientistas e investigadores, que em Portugal viram os seus créditos validados pela atribuição de uma bolsa de estudos pela prestigiada Fundação Bial.
José Correia, psicólogo, faz parte de um grupo de trabalho que está a investigar «Aspectos psicofisiológicos do transe mediúnico», sendo bolseiro da Bial. O Professor Doutor Mário Simões (na fotografia), psiquiatra e antropólogo, professor universitário e investigador, é um dos cientistas que mais se tem dedicado ao estudo dos estados modificados de consciência, referindo: «Não considero a mediunidade como doença. Posso encarar o fenómeno mediúnico, de um ponto de vista científico, como um estado modificado de consciência. Mais nada.», referindo igualmente que existem evidências científicas da existência do espírito. Para Mário Simões, as associações espíritas «desempenham o seu papel, não só do ponto de vista psicoterapêutico imediato, mas também porque compreendem e integram o fenómeno, não ostracizam, não põem de lado, são capazes de apoiar as pessoas. Fora do contexto onde este tipo de fenómeno ocorre são pessoas sem patologia.»

Para Mário Simões, as associações espíritas «desempenham o seu papel,
não só do ponto de vista psicoterapêutico imediato, mas também
porque compreendem e integram o fenómeno, não ostracizam,
não põem de lado, são capazes de apoiar as pessoas.
Fora do contexto onde este tipo de fenómeno
ocorre são pessoas sem patologia.»
 
Vítor Rodrigues, psicólogo, está envolvido num projecto de investigação em torno de «As Vozes do Médium», procurando relacionar os espectros de voz dos falecidos e investigá-los. O Espiritismo explica-nos, desde há 140 anos, com fundamento científico, a imortalidade da alma, a comunicabilidade dos espíritos, realçando também a lei de causa e efeito, a pluralidade dos mundos habitados e a pluralidade das existências (reencarnação).
Cabe agora á ciência oficial confirmar ou não as assertivas espíritas. Aí estão os cientistas à procura do espírito, ao fim e ao cabo uma inevitabilidade!

Bibliografia:
«Notícias Magazine» (revista dos jornais Diário de Notícias e Jornal de Notícias), n.º 302, 8 Março 1998, Portugal



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CIÊNCIA E REENCARNAÇÃO


Renomado professor de física da Universidade de Oregon e pesquisador do Institute of Noetic Sciences, o indiano Amit Goswami mostra porque a reencarnação é um fenómeno que merece ser investigado pela ciência. Para sustentar a sua tese, ele reúne dados que indicam a sobrevivência da nossa consciência depois da morte e explica-os à luz da física quântica. Editou o livro “A janela visionária – Um guia para a iluminação por um físico quântico”, publicado no Brasil pela Editora Cultrix.

A ideia da reencarnação remonta desde a antiguidade, onde embora não existisse o termo reencarnação, as pessoas tinham a ideia de que o ser humano podia voltar à vida com novo corpo de carne, mais ou menos como quando passamos de um dia para o outro, utilizamos roupas diferentes, sem deixarmos de ser quem somos.
Para a mentalidade moderna, a reencarnação parece um tanto absurda. Sob implacável pressão da ciência materialista, identificamo-nos quase totalmente com o corpo físico, de modo que a ideia de que uma parte de nós sobrevive à morte do corpo físico é difícil de engolir. Ainda mais difícil é imaginar um renascimento dessa parte num novo corpo físico. A imagem de uma alma deixando o corpo que morre e entrando num feto prestes a nascer parece particularmente incómoda, porque pressupõe uma alma existindo independentemente do corpo. E nós tentamos com tanto afinco erradicar o dualismo de nossa visão de mundo!
A reencarnação é elevada à categoria de fenómeno merecedor de investigação científica, pois a melhor prova científica da existência do corpo subtil, imortal, seria um indício de sua sobrevivência e reencarnação.
De acordo com este cientista, existem três tipos de indícios em favor da teoria da sobrevivência e reencarnação:
• Experiências relativas ao estado alterado de consciência no momento da morte
• Dados sobre reencarnação
• Dados sobre seres desencarnados (pessoas falecidas)
As experiências de visões comunicadas psiquicamente a parentes e amigos por pessoas à beira da morte vêm sendo registadas desde 1889, quando Henry Sidgwick e os seus colaboradores iniciaram cinco anos de compilação de um Censo das Alucinações, sob os auspícios da British Society for Psychical Research. Sidgwick descobriu que um número significativo das alucinações relatadas envolvia pessoas que estavam morrendo a uma distância considerável do indivíduo que alucinava, e ocorria num prazo de 12 horas da morte. 

A Física quântica explica vida após a morte,
confirmando as pesquisas espíritas em meados do século XIX

Mais conhecidas, evidentemente, são chamadas mortes aparentes ou experiências de quase-morte (EQMs), nas quais o indivíduo sobrevive e recorda-se da sua experiência.
Tanto nas visões no leito de morte quanto nas experiências de quase-morte, o indivíduo parece transcender a situação de morrer, que, afinal, é frequentemente dolorosa e desconcertante. O indivíduo parece experimentar um domínio de consciência “feliz”, diferente do domínio físico da experiência comum. Para além disso, quase sempre, após uma EQM, o ser é levado a uma profunda transformação no seu modo de vida. Muitos deles, por exemplo, deixam de sentir o medo da morte que assombra a maior parte da humanidade.
Os indícios em favor da memória reencarnacionista são obtidos principalmente a partir dos relatos de crianças que se lembram das suas vidas passadas com detalhes passíveis de comprovação. O psiquiatra Ian Stevenson acumulou uma base de dados de mais de duas mil recordações de reencarnações comprovadas. Em alguns casos, ele chegou a levar as crianças aos lugares das vidas passadas de que se lembravam para comprovarem as suas histórias. Mesmo sem jamais terem estado nesses lugares, as crianças reconheciam-nos e conseguiam identificar as casas em que tinham vivido. Às vezes reconheciam até mesmo os membros das suas famílias anteriores. Num caso, a criança lembrou-se onde havia algum dinheiro escondido, e, de fato, encontrou-se dinheiro ali. Os detalhes sobre esses dados podem ser encontrados nos livros e artigos de renomado cientista, Ian Stevenson.
Até aqui, falamos sobre dados que envolvem experiências de pessoas na realidade manifesta. Mas existem outros dados, a respeito da sobrevivência depois da morte nos quais uma pessoa viva (normalmente um médium em estado de transe) alega comunicar com uma pessoa, e falar por ela, que já morreu há algum tempo e aparentemente habita um domínio além do tempo e do espaço. Isso sugere não apenas a sobrevivência da consciência depois da morte como também a existência de uma mônada quântica sem corpo físico, refere Amit Goswami.

Nota – adaptado do artigo publicado na Revista Planeta, nº 402, Brasil.

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Médicos: um caso para pensar !!!





A Rita é uma jovem como outra qualquer. Tem uma característica diferente de outras miúdas: tem percepção extra-sensorial, aquilo que os espíritas denominam de mediunidade. Passou por uma situação no mínimo caricata, num dos hospitais portugueses. Ora veja!

O dia decorria com naturalidade. De repente, uma crise de ansiedade e taquicardia levou-a às urgências de um Hospital da zona centro de Portugal. Nas urgências, deitada numa maca, os médicos eram unânimes: não tinha qualquer patologia. Ficou em observações.
Passado algum tempo, vê uma senhora a chorar, o que a sensibilizou. Breves momentos depois, a Rita, tendo mediunidade (capacidade de aperceber-se do mundo espiritual), viu um senhor de idade, ali ao lado, que lhe dizia com insistência: «Vai dizer à minha filha que não chore que eu estou bem». Aí, ela apercebeu-se que a causa do choro da senhora, entretanto chamada pelos enfermeiros, teria sido a morte do seu pai, que entretanto aparecera espiritualmente à médium Rita.
Rita, no seu ar simples e sincero, levantou-se da maca e foi ter com a senhora que chorava a morte do pai: «Senhora, senhora, não chore, o seu pai não morreu, ele está vivo e está aqui ao lado a dizer que está bem para a senhora não chorar.»
Uma das médicas de serviço nas Urgências do Hospital, veio pregar um raspanete à Rita, pois não tinha nada que sair da sua maca. Inquirida da razão por que saíra, esta na sua simplicidade, explicou com naturalidade, aquilo que para ela era natural: o contacto com o mundo espiritual. A médica, estupefacta, chamou a sua colega, chefe de equipa, que sabendo do óbito do senhor (facto que a médium desconhecia) inquiriu-a acerca da fisionomia do defunto. Rita foi explicando à médica como era o defunto, tal como lhe tinha aparecido. A médica, atónita, apressou-se a escrever uma carta para o clínico de psiquiatria, em Leiria, para onde Rita foi enviada a contra gosto, de ambulância.
Em Leiria, no hospital local, o psiquiatra tentava a todo o custo internar a Rita, que pelo canto do olho viu o que a médica das urgências tinha escrito: «Diz que vê espíritos».
Pedindo ao médico para ir ao WC, aproveitou e fugiu do Hospital, telefonando de imediato ao namorado para a ir buscar.
Regressou a casa voltando à sua vida normal.
Este caso, aparentemente caricato, passou-se em Portugal, em 2001, e provavelmente ainda se passa um pouco por todo o país.

Cada vez mais médicos estudam o Espiritismo (ou Doutrina Espírita),
procurando assim, entender o homem como um ser integral, holístico.

Felizmente, hoje em dia já existem muitos médicos que conhecem o espiritismo em Portugal, e que conseguem identificar que determinadas situações não se enquadram na área das patologias médicas, encaminhando os seus pacientes para as associações espíritas, onde eles podem fruir de orientação e aprendizagem, para que assim lidem naturalmente com essa nova faculdade, cada vez mais generalizada em todo o mundo.
Se a Rita não tivesse tido uma aprendizagem numa associação espírita, sabendo o que se passava com ela, como lidar com a sua nova faculdade (uma espécie de sexto sentido, que todos possuímos), a esta hora, provavelmente estaria a engrossar o número de doentes mentais que fazem parte das estatísticas dos hospitais psiquiátricos do país, em vez de estar, como agora, a levar uma vida normal e natural, com a sua faculdade controlada, utilizando-a inclusive, em benefício (gratuitamente) do próximo.
Esta situação de que tivemos conhecimento, faz-nos pensar na enorme responsabilidade da actividade médica, da necessidade dos médicos adquirirem novos conhecimentos (espíritas) que lhes permitam ver o ser humano como um ser holístico, integral e não apenas um amontoado de células.
De repente, lembrámo-nos dos médiuns de outrora que apelidados de bruxos eram queimados nas fogueiras. Hoje, com o evoluir dos tempos, ainda são internados em hospitais psiquiátricos, fruto do desconhecimento por parte de quem deveria fazer tudo para se esclarecer no sentido de ser útil à humanidade.
Um assunto à consideração dos médicos portugueses, que felizmente já vão estudando a Doutrina Espírita (que não é mais uma religião nem mais uma seita), e já estão organizados em três associações médico-espíritas em Portugal.

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Físico russo: a morte não existe!!!



O cartaz não enganava. O Dr. Konstantin Korotkov, físico e cientista russo, iria estar em Portugal em Abril de 2004, para um evento de ordem cultural. Tendo conhecido este cientista via Internet e conhecedores do seu trabalho não hesitamos em fazer-lhe uma entrevista que sairá no próximo “Jornal de Espiritismo”.

Aproveitamos o ensejo para falar com este físico que se tem notabilizado pelas suas pesquisas nos campos energéticos do ser humano, entre outras que tem levado a cabo. Todos os anos, o Dr. Korotkov organiza um evento internacional em S. Petersburg, na Rússia, onde acorrem pesquisadores e cientistas de todo o mundo.
O Dr. Konstantin Korotkov, físico russo, é professor na Universidade Técnica do Estado de S. Petersburg. Publicou mais de 70 artigos científicos em jornais de ponta em Física e Biologia e possui 12 patentes de invenções em biofísica. Desenvolve investigação científica há 25 anos. Tem sido convidado para efectuar conferências e workshops em vários países, é autor de 5 livros, alguns traduzidos para o inglês como “Light after Life”. É editor associado do jornal “Consciousness and Physical Reality”, com artigos publicados em russo e em inglês.
Tendo inventado uma técnica para medir os campos energéticos humanos, o GDV (Gas Discharger Visualization), através de softwares próprios, pode-se verificar do estado de saúde da pessoa, do seu campo energético bem como de qualquer ser vivo. Esta técnica já é aceite pelo Ministério da Saúde Russo, sendo utilizado em vários hospitais, havendo inclusive vários cursos neste país, nas universidades, bem como nos EUA, sobre esta temática, registando-se já cerca de 100 organizações em todo o mundo que utilizam o GDV.

Físico russo refere que as suas experiências demonstram
que a vida continua, que o Espírito sobrevive à morte do corpo de carne
e que é possível dentro de certas circunstâncias
comunicar com os chamados “mortos”.

Korotkov tem ainda experiências interessantes com invisuais ou pessoas dotadas de perda de acuidade visual, e experiências efectuadas com cadáveres, analisando os seus campos energéticos logo após a morte do corpo físico. Korotkov refere que estamos no limiar de novos conhecimentos e não há como não avançar, explicando que de acordo com as suas pesquisas é possível demonstrar a imortalidade da alma bem como a interacção entre os falecidos e os vivos, em determinadas condições, experiências estas efectuadas com Shamans da Sibéria. Korotkov tem inúmeras experiências efectuadas com médiuns em que demonstra que as energias curativas dos médiuns alteram as características da água, bem como podem contribuir para o restabelecimento da saúde dos doentes.
Inicialmente efectuou várias experiências com o Sr. Allan Chumak, que magnetizando uma determinada porção de água, impondo as suas mãos sobre ela, o campo energético da água aumentava cerca de 300% em relação à mesma quantidade de água não magnetizada pelo ser humano.
Questionado sobre se conhecia as pesquisas de Allan Kardec, Korotkov afirmou peremptoriamente que sim, referindo «O Livro dos Espíritos» e «O Livro dos Médiuns» afirmando já os ter estudado. Korotkov defende que todas as suas experiências demonstram que a vida continua, que a consciência ou o Espírito sobrevive à morte do corpo de carne e que é possível dentro de certas circunstâncias comunicar com os chamados “mortos”.
Para os interessados poderão procurar mais informação na sua página na Internet em www.korotkov.org estando já a ser organizado mais um evento científico em S. Petersburg, na Rússia no início de Julho de 2004.
Entre outros livros poderá adquirir «Light After Life» onde Korotkov descreve várias das suas experiências. A não perder.
Quem desejar assinar o “Jornal de Espiritismo” poderá fazê-lo para adep@adeportugal.org onde encontrará importante entrevista com este cientista, já no próximo número.

(artigo publicado no Jornal das Caldas, Portugal, 2004)

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Era bom que fosse verdade...


A notícia caíra abruptamente, qual raio fulminante: o primo falecera, repentinamente e na flor da idade. Foi como um soco no estômago, que num reflexo psicossomático pareceu encolher, causando mal-estar e náuseas.

Assim nos confidenciava pessoa amiga, acerca da morte de um familiar.
Notava-se-lhe o desencanto com a vida, a revolta contra Deus, a mágoa por esta partida que a vida lhe pregara, sem prévio aviso. O seu aspecto facial não deixava margem para dúvidas: a dor, o desespero, a mágoa, a impotência, estavam ali patenteadas sem qualquer margem para dúvidas.
No meio de um abraço amigo, que em silêncio diz coisas mil, o choro rebentou qual dique a necessitar de ser vazado.
Depois da catarse, conversamos longamente acerca da vida, da imortalidade da alma. O meu interlocutor referiu o seu cepticismo acerca do céu, inferno e purgatório tão prometido aos crentes católicos.
Abordamos calmamente a lógica da existência de Deus, falamos da imortalidade do espírito, da comunicabilidade dos espíritos, da reencarnação onde cada um colhe de acordo com o que semeou em vidas passadas, falamos ainda da pluralidade dos mundos habitados.
Referimos as inúmeras experiências científicas levadas a cabo desde meados do século XIX até aos dias de hoje, onde conceituados cientistas pesquisaram e pesquisam as manifestações espíritas, demonstrando-as, evidenciando-as, mesmo que com outra nomenclatura, próprio de quem não quer ser identificado com esta ou aquela corrente filosófica.
Conversamos sobre experiências pessoais e grupais, onde a imortalidade do ser se patenteia a cada dia, e aos poucos o nosso amigo ia serenando. O desespero deu lugar à curiosidade, as perguntas cederam lugar ao choro, a dialéctica em torno do assunto ia comendo os minutos à guisa de alguém esfomeado perante suculento prato bem confeccionado.
O nosso amigo já ouvira falar de Espiritismo (ou Doutrina Espírita) mas julgava-a mais uma religião, como as demais, procurando prosélitos a todo o custo. Somente agora, com novo esclarecimento, os seus horizontes se alargaram. O cepticismo baseado na crença cega dera lugar à dúvida raciocinada.
Ficou prometida uma visita ao Centro de Cultura Espírita, nas Caldas da Rainha (http://www.ccespirita.org/) para poder melhor avaliar o que a doutrina espírita tem para oferecer ao ser humano. Emprestamos-lhe «O Livro dos Espíritos» essa obra fenomenal de filosofia, com 1019 perguntas e repostas, que se afigura qual fonte cristalina perante o viajante da vida, sedento de matar a sede. Ficou a promessa da leitura crítica desta obra de Allan Kardec. Perante os múltiplos afazeres da vida, acabamos por nos esquecer de tal episódio, até que um dia vimos o nosso amigo numa das conferências semanais que este Centro Espírita proporciona todas as sextas-feiras à população.
Terminada a conferência, que curiosamente tinha sido subordinada ao tema «A vida para além da morte», o nosso amigo, num nervoso miudinho, pediu-nos uns 5 minutos de conversa, que rapidamente se transformaram em mais de uma hora de amena cavaqueira, onde as questões choviam em catadupa.
Propusemos-lhe que estudasse espiritismo, que lesse, que frequentasse caso desejasse as conferências espíritas, mas que fosse crítico, aceitando apenas o que a sua razão sancionasse. Quando nos abraçamos, despedindo-nos devido ao avanço inexorável das horas, notava-se-lhe no semblante um ar sereno, tranquilo.
Antes de partir, e relembrando o seu familiar recentemente falecido, teve tempo para dizer: «Era bom que fosse verdade…», no seu anseio de imortalidade, comum a toda a humanidade, abrindo-se-lhe assim uma porta de esperança para que um dia pudesse reencontrar o familiar querido.
Ficamos a pensar no papel do Centro Espírita na sociedade contemporânea: esclarecer e consolar, e não pudemos deixar de sentir uma enorme gratidão pela espiritualidade que a todos acompanha diariamente, bem como nas imensas provas da imortalidade do ser que diariamente acontecem em todos os centros espíritas do mundo, como que a alertar a humanidade para a vacuidade dos seus anseios materialistas, perante a inevitabilidade da sua morte corporal e imortalidade espiritual.

Bibliografia:
Kardec, Allan, «O Livro dos Espíritos»;

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Haiti: o terramoto da alma...


Janeiro de 2010. O ano novo começa com um terrível terramoto no Haiti, que nesta altura contabiliza cerca de 200 mil mortos (previsão) e outros tantos feridos. O mundo entra em choque, perante a brutalidade do fenómeno. E o mundo questiona-se: porquê?

Nas ocasiões mais tenebrosas e difíceis, a humanidade entra em choque, e acaba por meditar na fragilidade da vida humana no planeta Terra. Numa catástrofe deste género, o inimaginável torna-se real, e conscientes de que vivemos numa aldeia global, o íntimo treme, pois o Haiti é já ali, vizinhos que somos nesta imensa nave espacial, a Terra. E se fosse aqui? E se for aqui? E? E?....
Quantas interrogações se colocam no espírito de milhões de seres humanos, como que a tentar entender os ditames da vida, procurando lógica para os desígnios da Natureza.
Como explicar tais fenómenos? Porque acontece àquela gente e não a outros? Onde está esse Deus de misericórdia que dá a uns tudo e a outros nada?
Somente a lógica da reencarnação, e a clareza da Doutrina Espírita, podem esclarecer tão grave questão, como a da existência da humanidade. 
Allan Kardec, o insigne pesquisador dos fenómenos espíritas, em meados do século XIX, questionava os Espíritos superiores sobre estas questões, em "O Livro dos Espíritos" fenomenal obra de filosofia, hoje em dia estudada em algumas Universidades do Mundo, a par de outros filósofos:
731. Por que, ao lado dos meios de conservação, colocou a Natureza os agentes de destruição?
“É o remédio ao lado do mal. Já dissemos: para manter o equilíbrio e servir de contrapeso.” 733. Entre os homens da Terra existirá sempre a necessidade da destruição?
“Essa necessidade se enfraquece no homem, à medida que o Espírito sobrepuja a matéria. Assim é que, como podeis observar, o horror à destruição cresce com o desenvolvimento intelectual e moral.”
737. Com que fim fere Deus a Humanidade por meio de flagelos destruidores?
“Para fazê-la progredir mais depressa. Já não dissemos ser a destruição uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento? Preciso é que se veja o objectivo, para que os resultados possam ser apreciados. Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos causam. Essas subversões, porém, são frequentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos.”

Somente a lógica da reencarnação, e a clareza da Doutrina Espírita,
podem esclarecer tão grave questão, como a da existência da humanidade.
 
b) - Mas, nem por isso as vítimas desses flagelos deixam de o ser.
“Se considerásseis a vida qual ela é e quão pouca coisa representa com relação ao infinito, menos importância lhe daríeis. Em outra vida, essas vítimas acharão ampla compensação aos seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem murmurar.” Venha por um flagelo a morte, ou por uma causa comum, ninguém deixa por isso de morrer, desde que haja soado a hora da partida. A única diferença, em caso de flagelo, é que maior número parte ao mesmo tempo. Se, pelo pensamento, pudéssemos elevar-nos de maneira a dominar a Humanidade e abrangê-la em seu conjunto, esses tão terríveis flagelos não nos pareceriam mais do que passageiras tempestades no destino do mundo.
739. Têm os flagelos destruidores utilidade, do ponto de vista físico, não obstante os males que ocasionam?
“Têm. Muitas vezes mudam as condições de uma região. Mas, o bem que deles resulta só as gerações vindouras o experimentam.”
740. Não serão os flagelos, igualmente, provas morais para o homem, por porem-no a braços com as mais aflitivas necessidades?
“Os flagelos são provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se o não domina o egoísmo.”
Diz-nos a Doutrina Espírita, que todos nós, Espíritos imortais, passamos pelas dificuldades que nos são necessárias à nossa evolução espiritual, neste mundo de expiação (de erros de vidas passadas) e provas (nesta vida terrena), objectivando sempre o bem, que nem sempre vislumbramos, por vermos a Vida apenas num escasso período de uma existência, quando ela se espraia pelo infinito.
Para além do terramoto físico no Haiti, certamente não deixou de haver um terramoto íntimo em grande parte de nós, questionando-nos sobre o real valor da Vida, que valor têm as ridículas questiúnculas que nos fazem perder tanto tempo, e sobre a importância da nossa renovação interior.
Nestes momentos de dor, em que a alma se engrandece na prática da caridade, outros valores ético-morais vão despertando, em direcção ao roteiro moral que Jesus preconizou para a implantação da felicidade no planeta Terra: o Amor ao próximo!

Bibliografia:
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec