0

Jogo do copo: vamos fazer?


A espiritualidade vai despertando cada vez com mais força junto dos jovens. A vontade de falar com os espíritos é grande e por vezes metem-se em aventuras que podem ser perigosas, como o jogo do copo. Ora veja porquê.

05h10 da manhã. O telefone tocou! Alvoroço em casa, pensa-se logo o pior! Quem terá morrido? Quem terá tido um acidente? Ou seria alguma chamada urgente do trabalho? Ou alguma brincadeira de mau gosto por parte de quem tem insónias? Não, não era brincadeira. O telefonema era a sério.
Uma amiga nossa, de 15 anos de idade, de uma cidade vizinha, estava do outro lado da linha, num descontrole nervoso por demais evidente. A história conta-se em breves pinceladas.
Sofia, de 15 anos de idade, tinha feito uma sessão mediúnica para tentar falar com os espíritos, e assim tentar saber notícias do seu primo, há cerca de dois anos desencarnado (falecido) num desastre de moto. Juntou-se mais uns amigos e já não era a primeira vez que o faziam. À volta de uma mesa utilizavam o jogo do copo, com um abecedário em volta, a palavra sim e não, números de 0 a 9 e invocavam a presença de pessoas já falecidas. Nessa noite, Sofia vira o copo a mexer, (como aliás das outras vezes) e ao perguntarem quem estava presente a resposta fora: “Satanás”. Entre outras “revelações” chocantes, acabaram por terminar o jogo.
Ela, Sofia, ficou assustadíssima, não conseguia dormir, pois acreditava que tinha comunicado com o Satanás.

O Espiritismo precisa ser estudado... como aliás, qualquer outra ciência
 
Lá lhe explicámos que o Satanás não existe, que diabos somos nós quando praticamos o mal, quando odiamos, matamos, etc. Foi-lhe igualmente explicado que não acreditasse no que fora dito pois eram espíritos galhofeiros, que pretendiam assim explorar a credulidade alheia para se divertirem com a inexperiência desses jovens. Com um pouco de tempo, a jovem lá se acalmou sob juras de nunca mais voltar a fazer tal brincadeira.
Temos recebido na associação onde colaboramos, nas Caldas da Rainha, muitos reportes de jovens que aparecem perturbados depois de fazerem o jogo do copo.
Aconselhamos vivamente a que não o façam, pois podem correr sérios riscos de perturbação espiritual.
O contacto com o mundo espiritual é perfeitamente natural e normal, mas, como tudo na vida, obedece a certas normas de segurança que urge conhecer. Não pegamos num automóvel sem aprender a conduzir, não nos submetemos a um exame escolar sem estudar previamente. Também assim, quem pretende comunicar com o mundo espiritual pode fazê-lo, mas deve estudar primeiro, informar-se e depois, dentro de certas condições de segurança então poderá efectuar esses contactos normalmente.
Aconselhamos seriamente as pessoas a estudarem os livros de Allan Kardec, nomeadamente «O Livro dos Médiuns» que explica todas as nuanças desta actividade. Igualmente se aconselha que as pessoas interessadas neste intercâmbio, se dirijam a uma associação espírita, se informem, e apenas pratiquem a mediunidade dentro da associação espírita, onde o podem fazer em segurança, se aí não houver qualquer tipo de interesse e / ou comércio.

O contacto com o mundo espiritual é perfeitamente natural e normal,
mas, como tudo na vida, obedece a certas normas
de segurança que urge conhecer.
 
O Espiritismo é uma doutrina universalista, e como tal, qualquer pessoa pode dentro dos parâmetros de segurança que Allan Kardec estabeleceu em «O Livro dos Médiuns», comunicar com o mundo espiritual, o que lhe confere a autenticidade do fenómeno, já que não depende da crença no espiritismo ou em outra corrente filosófica e / ou religiosa para que se obtenham resultados.
No entanto, reforçamos, não o devem fazer nas escolas, em casa, por curiosidade ou divertimento (cujas consequências podem ser perigosas) mas sim devem contactar uma associação espírita, estudarem, e aí sim, quando tiverem oportunidade, integrarem-se nas suas actividades (não correndo assim qualquer risco).
O Espiritismo é uma doutrina muito lógica, que corresponde às expectativas de todos nós, explicando o porquê da vida, das suas dissemelhanças bem como abrindo novos horizontes para o porvir do homem. No entanto, como qualquer outra ciência, ele tem de ser... estudado. E, para isso, não há nada melhor do que começar pelo «O Livro dos Espíritos», «O Evangelho segundo o Espiritismo», «O Livro dos Médiuns», «A Génese» e «O Céu e o Inferno», todos eles de Allan Kardec.



0

Pinochet morreu?


A notícia correu mundo: Augusto Pinochet, antigo ditador chileno, morrera no dia 10 de Dezembro de 2006, para gáudio de muitos e tristeza de outros. Ao lermos um dos jornais, não pudemos deixar de reparar num dos títulos: «O ditador que morreu sem prestar contas», facto este que se analisado à luz do espiritismo, não é bem assim! Ora veja.

Diz-nos a História recente que Pinochet foi um carrasco para o seu povo, matando e provocando sofrimento em quem não pensava como ele. O tempo acabou por revelar as suas fragilidades humanas, no entanto, conseguiu ludibriar a justiça humana, fugindo assim a um julgamento público e a uma possível prisão.
A maioria das pessoas revolta-se com tal facto, libertando ondas mentais de ódio para com esta pessoa, que assim ficou impune.
Ora, tal seria verdade se a vida terminasse com a morte do corpo de carne, mas, desde que Allan Kardec (o pesquisador que deu origem à doutrina espírita ou espiritismo) em meados do século XIX, comprovou a imortalidade da alma, tão apregoada pelas religiões tradicionais (factos estes corroborados por inúmeras pesquisas até aos dias de hoje por outros tantos cientistas), que teremos de reger a vida por esse novo paradigma: somos seres imortais, temporariamente num corpo de carne, onde temos uma oportunidade evolutiva durante certo tempo, até que regressemos de novo ao mundo dos espíritos, voltando mais tarde ao planeta Terra (reencarnação), e assim sucessivamente, até que um dia sejamos espíritos puros e não mais necessitemos de reencarnar neste ou em outros planetas.
Temos assim dois tipos de justiça: a dos homens e a de Deus.
Pinochet fugiu à justiça dos homens, mas não poderá nunca fugir à justiça de Deus que se patenteia na sua própria consciência, que agora, no mundo espiritual, não mais poderá escudar-se no seu posto de General, não mais poderá alegar insanidade mental, já que a sua consciência será qual ferida sangrante, recordando-lhe os gritos, os choros, os sofrimentos de todos aqueles a quem prejudicou, e que muitos deles, ainda no mundo espiritual, persegui-lo-ão em busca de ajuste de contas.
Pinochet, ser humano, eterno como todos nós, é pois mais digno de pena do que qualquer outro sentimento que possamos nutrir, imaginando os séculos de resgate que terá pela frente até que a sua consciência se sinta ilibada de todos os crimes cometidos. Quantas reencarnações dolorosas terá de enfrentar? Quantas doenças, limitações, dificuldades, sofrimentos, terá de encarar dentro da lei de causa e efeito que rege todo o Universo?
Sem dúvida que é caso para acuradas meditações, o facto de que nunca poderemos iludir a nossa consciência nem escudarmo-nos em falsos conceitos de poder, no mundo espiritual, onde cada um se desnudará de acordo com as atitudes tomadas neste mundo terreno. Os que tiveram vida digna e honesta estarão num ambiente vibratório de tranquilidade, compatível com o seu estado de alma, calmo e sereno, e aqueles que viveram prejudicando o próximo, herdarão de si próprios a intranquilidade, intrínseca às pessoas que não estão em paz consigo próprias, fruto dos desatinos cometidos na Terra.
Assim sendo, o ditador não morreu sem prestar contas, como referia uma jornalista portuguesa, mas, isso sim, mudou de plano existencial, forçado pelas circunstâncias de um corpo doente, continuando a viver no mais além, desconhecendo nós quantas dezenas ou até centenas de anos demorará o julgamento dentro de si próprio, colhendo o sofrimento gerado nos compatriotas torturados e mortos.
«A cada de acordo com as suas obras», já nos advertira Jesus de Nazaré, deixando-nos uma ética e uma moral que são o único caminho para a nossa felicidade.
Que possamos todos nós, tirar fundas ilações deste ser, que mais do que ser odiado é digno de compaixão, na certeza de que sendo imortais, o nosso amanhã será mais radioso e feliz de acordo com as nossas atitudes de agora.
É, pois, tempo de semeadura… no bem!

Bibliografia:
Kardec, Allan - “O Livro dos Espíritos”
ADEP – Curso Básico de Espiritismo, http://www.adeportugal.org/

0

Sem alívio...


Suharto desencarnou (faleceu)! O antigo presidente indonésio governou o país durante mais de 30 anos. Considerado um dos líderes mundiais mais corruptos do mundo, foi responsável pela morte de 200 mil timorenses, sem contar os outros muitos milhares de mortos, aquando da sua chegada ao poder na década de 60. Voltou ao mundo espiritual, pelo fenómeno natural da morte do corpo físico. Sem alívio…

Há dias, em conversa com uma pessoa conhecida, esta afirmava que os políticos corruptos levam uma bela vida na Terra, e que depois morrem e acabou-se «safaram-se à grande e à francesa» afirmava o meu interlocutor.
Assim à primeira vista, este parece ter razão, e cegos a uma realidade que permanece à nossa volta – a realidade espiritual - o homem julga que a vida se confina apenas a esta existência. Embrenhado numa visão materialista, busca a todo o custo o seu bem-estar, sem cogitar do bem-estar alheio e da sua génese espiritual.
Com o advento da Doutrina Espírita (ou Espiritismo), que não é mais uma religião nem mais uma seita, o homem descobriu experimentalmente a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos Espíritos, a Lei de Causa e Efeito, a Reencarnação e a Pluralidade dos Mundos Habitados.
Inúmeros cientistas e pesquisadores conceituados a nível mundial, desde meados do século XIX, vêm confirmando as assertivas da Doutrina Espírita, demonstrando a veracidade dos postulados então pesquisados por Allan Kardec, o eminente discípulo de Pestalozzi, que compilou a doutrina dos Espíritos, ditada por eles mesmos e pesquisada à saciedade.
O Homem, é apenas um viajante cósmico em busca da sua evolução espiritual e intelectual, sendo que cada vida corpórea se afigura como uma estação ferroviária, onde ele aporta, no comboio da vida eterna.
Assim sendo, facilmente é de depreender que havendo uma justiça divina, cada um terá de ser responsável pelos seus actos, não numa perspectiva castigadora, castradora, mas sim numa visão educativa, pedagógica, onde colhemos na Vida aquilo que semearmos, sejam afectos ou inimizades.
Com as colheitas de outrora, voltamos a novas existências corporais, carregados das nossas alegrias e tristezas, da nossa carga energética, da qual teremos mais cedo ou mais tarde de nos livrar, para nos podermos sentir em paz com a nossa consciência. É aquilo a que os espíritas denominam de Lei de Causa e Efeito (ou Lei de causalidade), que fica bem retratada no ensinamento de Jesus de Nazaré quando referia «a semeadura é livre mas a colheita é obrigatória».
Ficamos a meditar neste ser humano agora falecido, Suharto, e nos milhares de seres que provavelmente ainda envoltos nas ondas da revolta e do ódio, o esperavam pacientemente, para ajuste de contas pessoais, no mundo espiritual.

A Terra permanece como imensa escola de almas atribuladas
que ainda não aprenderam que o Amor é a antecâmara da felicidade
 
Não poderemos aquilatar dos sofrimentos inenarráveis por que terá de passar, pelas expiações difíceis que provavelmente terá na Terra ou noutros orbes, até que um dia, liberto da consciência culpada pelos crimes cometidos, enverede por uma nova trajectória, na sua ascensão em busca da felicidade, à qual todos, inevitavelmente estamos fadados, dependendo apenas do “timming” de cada um, atingirmos essa felicidade mais cedo ou mais tarde no grande concerto da Vida.
Ramos-Horta, presidente timorense deixa uma mensagem de esperança para o mundo atribulado, ao aconselhar «Não devemos guardar rancor», lembrando os sábios conselhos de Jesus de Nazaré deixados há dois mil anos, e que a humanidade teima em ignorar.
Ana Gomes, eurodeputada, fala em «Alívio».
No entanto, conhecendo as leis que regem o mundo espiritual, a Doutrina Espírita ensina-nos que esse alívio é apenas ilusório, já que o Espírito não morre, permanece vivo e activo no mundo espiritual, interagindo e influenciando o mundo terreno, voltando mais tarde, para resgatar os seus crimes, seja pelo sofrimento seja por acções em prol da humanidade.
A Terra, essa, permanece como imensa escola de almas atribuladas que ainda não aprenderam que o Amor é a antecâmara da felicidade pessoal e que nada tem a ver com posses materiais.
Por isso a morte de Suharto, não é um alívio para a humanidade, mas sim um belo ensinamento de como o ser humano não deve interagir no seu estágio terreno. Quanto ao que o espera, só Deus sabe…

Janeiro de 2008


0

Cientistas à procura do Espírito


Pois é! Aquilo a que outrora se dizia ser obra do diabo, falar com os mortos, hoje é cada vez mais uma evidência, que nos mostra a imortalidade da alma. De realçar apenas o interesse cada vez maior por parte de investigadores e cientistas, em busca da prova final da existência do espírito. Ora veja!

Encontrámos excelente dossier intitulado «Viagem ao Mundo dos Espíritos», na revista Notícias Magazine (do Diário de Notícias e Jornal de Notícias), de 8 de Março de 1998, dossier este da autoria do jornalista Eugénio Pinto. Com linguagem clara, concisa e precisa, denotando um espírito crítico e postura séria perante assuntos desconhecidos, este tema foi muito bem escalpelizado pela Notícias Magazine. O jornalista relata uma reunião espírita, num centro espírita do Norte, cujo objectivo seria auxiliar pessoas falecidas que ainda andem em sofrimento. Conta os diálogos encontrados, as sensações fruídas pelos médiuns em causa, relata casos vividos pelos intervenientes, deixando-nos um panorama muito bem descrito, que quer parecer-nos visa informar e questionar tudo aquilo em que ainda não pensámos muito bem – a continuidade da vida após a vida no corpo físico.
Assunto tabu para muitos e inclusive perseguido pelo preconceito, a comunicabilidade dos espíritos aparece cada vez mais como uma evidência que vai tendo as atenções do mundo científico.

«Não considero a mediunidade como doença.
Posso encarar o fenómeno mediúnico, de um ponto de vista científico,
como um estado modificado de consciência. Mais nada.»
 
Allan Kardec, sábio, investigador de uma cultura acima da média, em meados do século XIX, em França, investigou minuciosamente e codificou o Espiritismo, ou doutrina espírita, realçando o seu carácter eminentemente racional, referindo a propósito, que o Espiritismo marcha ao lado da ciência, mas não se detém onde esta pára, vai mais além, referindo igualmente que no dia em que a ciência oficial provar que um único postulado do espiritismo está errado, então os espíritas abandonarão esse postulado e seguirão a ciência oficial. Allan Kardec descobriu assim as leis que regem o mundo espiritual bem como o inter-relacionamento entre o mundo espiritual e o mundo corpóreo. Com a explicação dessa leis (leia-se «O Livro dos Médiuns») o maravilhoso, o sobrenatural, veio dar lugar, irremediavelmente, ao natural, a factos comuns e explicados, à luz do espiritismo.
Ainda neste dossier, na Notícias Magazine, encontramos a peça «À Luz da Ciência» onde o jornalista analisa o transe mediúnico (comunicação com os espíritos) dentro da perspectiva de cientistas e investigadores, que em Portugal viram os seus créditos validados pela atribuição de uma bolsa de estudos pela prestigiada Fundação Bial.
José Correia, psicólogo, faz parte de um grupo de trabalho que está a investigar «Aspectos psicofisiológicos do transe mediúnico», sendo bolseiro da Bial. O Professor Doutor Mário Simões (na fotografia), psiquiatra e antropólogo, professor universitário e investigador, é um dos cientistas que mais se tem dedicado ao estudo dos estados modificados de consciência, referindo: «Não considero a mediunidade como doença. Posso encarar o fenómeno mediúnico, de um ponto de vista científico, como um estado modificado de consciência. Mais nada.», referindo igualmente que existem evidências científicas da existência do espírito. Para Mário Simões, as associações espíritas «desempenham o seu papel, não só do ponto de vista psicoterapêutico imediato, mas também porque compreendem e integram o fenómeno, não ostracizam, não põem de lado, são capazes de apoiar as pessoas. Fora do contexto onde este tipo de fenómeno ocorre são pessoas sem patologia.»

Para Mário Simões, as associações espíritas «desempenham o seu papel,
não só do ponto de vista psicoterapêutico imediato, mas também
porque compreendem e integram o fenómeno, não ostracizam,
não põem de lado, são capazes de apoiar as pessoas.
Fora do contexto onde este tipo de fenómeno
ocorre são pessoas sem patologia.»
 
Vítor Rodrigues, psicólogo, está envolvido num projecto de investigação em torno de «As Vozes do Médium», procurando relacionar os espectros de voz dos falecidos e investigá-los. O Espiritismo explica-nos, desde há 140 anos, com fundamento científico, a imortalidade da alma, a comunicabilidade dos espíritos, realçando também a lei de causa e efeito, a pluralidade dos mundos habitados e a pluralidade das existências (reencarnação).
Cabe agora á ciência oficial confirmar ou não as assertivas espíritas. Aí estão os cientistas à procura do espírito, ao fim e ao cabo uma inevitabilidade!

Bibliografia:
«Notícias Magazine» (revista dos jornais Diário de Notícias e Jornal de Notícias), n.º 302, 8 Março 1998, Portugal



2

CIÊNCIA E REENCARNAÇÃO


Renomado professor de física da Universidade de Oregon e pesquisador do Institute of Noetic Sciences, o indiano Amit Goswami mostra porque a reencarnação é um fenómeno que merece ser investigado pela ciência. Para sustentar a sua tese, ele reúne dados que indicam a sobrevivência da nossa consciência depois da morte e explica-os à luz da física quântica. Editou o livro “A janela visionária – Um guia para a iluminação por um físico quântico”, publicado no Brasil pela Editora Cultrix.

A ideia da reencarnação remonta desde a antiguidade, onde embora não existisse o termo reencarnação, as pessoas tinham a ideia de que o ser humano podia voltar à vida com novo corpo de carne, mais ou menos como quando passamos de um dia para o outro, utilizamos roupas diferentes, sem deixarmos de ser quem somos.
Para a mentalidade moderna, a reencarnação parece um tanto absurda. Sob implacável pressão da ciência materialista, identificamo-nos quase totalmente com o corpo físico, de modo que a ideia de que uma parte de nós sobrevive à morte do corpo físico é difícil de engolir. Ainda mais difícil é imaginar um renascimento dessa parte num novo corpo físico. A imagem de uma alma deixando o corpo que morre e entrando num feto prestes a nascer parece particularmente incómoda, porque pressupõe uma alma existindo independentemente do corpo. E nós tentamos com tanto afinco erradicar o dualismo de nossa visão de mundo!
A reencarnação é elevada à categoria de fenómeno merecedor de investigação científica, pois a melhor prova científica da existência do corpo subtil, imortal, seria um indício de sua sobrevivência e reencarnação.
De acordo com este cientista, existem três tipos de indícios em favor da teoria da sobrevivência e reencarnação:
• Experiências relativas ao estado alterado de consciência no momento da morte
• Dados sobre reencarnação
• Dados sobre seres desencarnados (pessoas falecidas)
As experiências de visões comunicadas psiquicamente a parentes e amigos por pessoas à beira da morte vêm sendo registadas desde 1889, quando Henry Sidgwick e os seus colaboradores iniciaram cinco anos de compilação de um Censo das Alucinações, sob os auspícios da British Society for Psychical Research. Sidgwick descobriu que um número significativo das alucinações relatadas envolvia pessoas que estavam morrendo a uma distância considerável do indivíduo que alucinava, e ocorria num prazo de 12 horas da morte. 

A Física quântica explica vida após a morte,
confirmando as pesquisas espíritas em meados do século XIX

Mais conhecidas, evidentemente, são chamadas mortes aparentes ou experiências de quase-morte (EQMs), nas quais o indivíduo sobrevive e recorda-se da sua experiência.
Tanto nas visões no leito de morte quanto nas experiências de quase-morte, o indivíduo parece transcender a situação de morrer, que, afinal, é frequentemente dolorosa e desconcertante. O indivíduo parece experimentar um domínio de consciência “feliz”, diferente do domínio físico da experiência comum. Para além disso, quase sempre, após uma EQM, o ser é levado a uma profunda transformação no seu modo de vida. Muitos deles, por exemplo, deixam de sentir o medo da morte que assombra a maior parte da humanidade.
Os indícios em favor da memória reencarnacionista são obtidos principalmente a partir dos relatos de crianças que se lembram das suas vidas passadas com detalhes passíveis de comprovação. O psiquiatra Ian Stevenson acumulou uma base de dados de mais de duas mil recordações de reencarnações comprovadas. Em alguns casos, ele chegou a levar as crianças aos lugares das vidas passadas de que se lembravam para comprovarem as suas histórias. Mesmo sem jamais terem estado nesses lugares, as crianças reconheciam-nos e conseguiam identificar as casas em que tinham vivido. Às vezes reconheciam até mesmo os membros das suas famílias anteriores. Num caso, a criança lembrou-se onde havia algum dinheiro escondido, e, de fato, encontrou-se dinheiro ali. Os detalhes sobre esses dados podem ser encontrados nos livros e artigos de renomado cientista, Ian Stevenson.
Até aqui, falamos sobre dados que envolvem experiências de pessoas na realidade manifesta. Mas existem outros dados, a respeito da sobrevivência depois da morte nos quais uma pessoa viva (normalmente um médium em estado de transe) alega comunicar com uma pessoa, e falar por ela, que já morreu há algum tempo e aparentemente habita um domínio além do tempo e do espaço. Isso sugere não apenas a sobrevivência da consciência depois da morte como também a existência de uma mônada quântica sem corpo físico, refere Amit Goswami.

Nota – adaptado do artigo publicado na Revista Planeta, nº 402, Brasil.

0

Médicos: um caso para pensar !!!





A Rita é uma jovem como outra qualquer. Tem uma característica diferente de outras miúdas: tem percepção extra-sensorial, aquilo que os espíritas denominam de mediunidade. Passou por uma situação no mínimo caricata, num dos hospitais portugueses. Ora veja!

O dia decorria com naturalidade. De repente, uma crise de ansiedade e taquicardia levou-a às urgências de um Hospital da zona centro de Portugal. Nas urgências, deitada numa maca, os médicos eram unânimes: não tinha qualquer patologia. Ficou em observações.
Passado algum tempo, vê uma senhora a chorar, o que a sensibilizou. Breves momentos depois, a Rita, tendo mediunidade (capacidade de aperceber-se do mundo espiritual), viu um senhor de idade, ali ao lado, que lhe dizia com insistência: «Vai dizer à minha filha que não chore que eu estou bem». Aí, ela apercebeu-se que a causa do choro da senhora, entretanto chamada pelos enfermeiros, teria sido a morte do seu pai, que entretanto aparecera espiritualmente à médium Rita.
Rita, no seu ar simples e sincero, levantou-se da maca e foi ter com a senhora que chorava a morte do pai: «Senhora, senhora, não chore, o seu pai não morreu, ele está vivo e está aqui ao lado a dizer que está bem para a senhora não chorar.»
Uma das médicas de serviço nas Urgências do Hospital, veio pregar um raspanete à Rita, pois não tinha nada que sair da sua maca. Inquirida da razão por que saíra, esta na sua simplicidade, explicou com naturalidade, aquilo que para ela era natural: o contacto com o mundo espiritual. A médica, estupefacta, chamou a sua colega, chefe de equipa, que sabendo do óbito do senhor (facto que a médium desconhecia) inquiriu-a acerca da fisionomia do defunto. Rita foi explicando à médica como era o defunto, tal como lhe tinha aparecido. A médica, atónita, apressou-se a escrever uma carta para o clínico de psiquiatria, em Leiria, para onde Rita foi enviada a contra gosto, de ambulância.
Em Leiria, no hospital local, o psiquiatra tentava a todo o custo internar a Rita, que pelo canto do olho viu o que a médica das urgências tinha escrito: «Diz que vê espíritos».
Pedindo ao médico para ir ao WC, aproveitou e fugiu do Hospital, telefonando de imediato ao namorado para a ir buscar.
Regressou a casa voltando à sua vida normal.
Este caso, aparentemente caricato, passou-se em Portugal, em 2001, e provavelmente ainda se passa um pouco por todo o país.

Cada vez mais médicos estudam o Espiritismo (ou Doutrina Espírita),
procurando assim, entender o homem como um ser integral, holístico.

Felizmente, hoje em dia já existem muitos médicos que conhecem o espiritismo em Portugal, e que conseguem identificar que determinadas situações não se enquadram na área das patologias médicas, encaminhando os seus pacientes para as associações espíritas, onde eles podem fruir de orientação e aprendizagem, para que assim lidem naturalmente com essa nova faculdade, cada vez mais generalizada em todo o mundo.
Se a Rita não tivesse tido uma aprendizagem numa associação espírita, sabendo o que se passava com ela, como lidar com a sua nova faculdade (uma espécie de sexto sentido, que todos possuímos), a esta hora, provavelmente estaria a engrossar o número de doentes mentais que fazem parte das estatísticas dos hospitais psiquiátricos do país, em vez de estar, como agora, a levar uma vida normal e natural, com a sua faculdade controlada, utilizando-a inclusive, em benefício (gratuitamente) do próximo.
Esta situação de que tivemos conhecimento, faz-nos pensar na enorme responsabilidade da actividade médica, da necessidade dos médicos adquirirem novos conhecimentos (espíritas) que lhes permitam ver o ser humano como um ser holístico, integral e não apenas um amontoado de células.
De repente, lembrámo-nos dos médiuns de outrora que apelidados de bruxos eram queimados nas fogueiras. Hoje, com o evoluir dos tempos, ainda são internados em hospitais psiquiátricos, fruto do desconhecimento por parte de quem deveria fazer tudo para se esclarecer no sentido de ser útil à humanidade.
Um assunto à consideração dos médicos portugueses, que felizmente já vão estudando a Doutrina Espírita (que não é mais uma religião nem mais uma seita), e já estão organizados em três associações médico-espíritas em Portugal.

2

Físico russo: a morte não existe!!!



O cartaz não enganava. O Dr. Konstantin Korotkov, físico e cientista russo, iria estar em Portugal em Abril de 2004, para um evento de ordem cultural. Tendo conhecido este cientista via Internet e conhecedores do seu trabalho não hesitamos em fazer-lhe uma entrevista que sairá no próximo “Jornal de Espiritismo”.

Aproveitamos o ensejo para falar com este físico que se tem notabilizado pelas suas pesquisas nos campos energéticos do ser humano, entre outras que tem levado a cabo. Todos os anos, o Dr. Korotkov organiza um evento internacional em S. Petersburg, na Rússia, onde acorrem pesquisadores e cientistas de todo o mundo.
O Dr. Konstantin Korotkov, físico russo, é professor na Universidade Técnica do Estado de S. Petersburg. Publicou mais de 70 artigos científicos em jornais de ponta em Física e Biologia e possui 12 patentes de invenções em biofísica. Desenvolve investigação científica há 25 anos. Tem sido convidado para efectuar conferências e workshops em vários países, é autor de 5 livros, alguns traduzidos para o inglês como “Light after Life”. É editor associado do jornal “Consciousness and Physical Reality”, com artigos publicados em russo e em inglês.
Tendo inventado uma técnica para medir os campos energéticos humanos, o GDV (Gas Discharger Visualization), através de softwares próprios, pode-se verificar do estado de saúde da pessoa, do seu campo energético bem como de qualquer ser vivo. Esta técnica já é aceite pelo Ministério da Saúde Russo, sendo utilizado em vários hospitais, havendo inclusive vários cursos neste país, nas universidades, bem como nos EUA, sobre esta temática, registando-se já cerca de 100 organizações em todo o mundo que utilizam o GDV.

Físico russo refere que as suas experiências demonstram
que a vida continua, que o Espírito sobrevive à morte do corpo de carne
e que é possível dentro de certas circunstâncias
comunicar com os chamados “mortos”.

Korotkov tem ainda experiências interessantes com invisuais ou pessoas dotadas de perda de acuidade visual, e experiências efectuadas com cadáveres, analisando os seus campos energéticos logo após a morte do corpo físico. Korotkov refere que estamos no limiar de novos conhecimentos e não há como não avançar, explicando que de acordo com as suas pesquisas é possível demonstrar a imortalidade da alma bem como a interacção entre os falecidos e os vivos, em determinadas condições, experiências estas efectuadas com Shamans da Sibéria. Korotkov tem inúmeras experiências efectuadas com médiuns em que demonstra que as energias curativas dos médiuns alteram as características da água, bem como podem contribuir para o restabelecimento da saúde dos doentes.
Inicialmente efectuou várias experiências com o Sr. Allan Chumak, que magnetizando uma determinada porção de água, impondo as suas mãos sobre ela, o campo energético da água aumentava cerca de 300% em relação à mesma quantidade de água não magnetizada pelo ser humano.
Questionado sobre se conhecia as pesquisas de Allan Kardec, Korotkov afirmou peremptoriamente que sim, referindo «O Livro dos Espíritos» e «O Livro dos Médiuns» afirmando já os ter estudado. Korotkov defende que todas as suas experiências demonstram que a vida continua, que a consciência ou o Espírito sobrevive à morte do corpo de carne e que é possível dentro de certas circunstâncias comunicar com os chamados “mortos”.
Para os interessados poderão procurar mais informação na sua página na Internet em www.korotkov.org estando já a ser organizado mais um evento científico em S. Petersburg, na Rússia no início de Julho de 2004.
Entre outros livros poderá adquirir «Light After Life» onde Korotkov descreve várias das suas experiências. A não perder.
Quem desejar assinar o “Jornal de Espiritismo” poderá fazê-lo para adep@adeportugal.org onde encontrará importante entrevista com este cientista, já no próximo número.

(artigo publicado no Jornal das Caldas, Portugal, 2004)

0

Era bom que fosse verdade...


A notícia caíra abruptamente, qual raio fulminante: o primo falecera, repentinamente e na flor da idade. Foi como um soco no estômago, que num reflexo psicossomático pareceu encolher, causando mal-estar e náuseas.

Assim nos confidenciava pessoa amiga, acerca da morte de um familiar.
Notava-se-lhe o desencanto com a vida, a revolta contra Deus, a mágoa por esta partida que a vida lhe pregara, sem prévio aviso. O seu aspecto facial não deixava margem para dúvidas: a dor, o desespero, a mágoa, a impotência, estavam ali patenteadas sem qualquer margem para dúvidas.
No meio de um abraço amigo, que em silêncio diz coisas mil, o choro rebentou qual dique a necessitar de ser vazado.
Depois da catarse, conversamos longamente acerca da vida, da imortalidade da alma. O meu interlocutor referiu o seu cepticismo acerca do céu, inferno e purgatório tão prometido aos crentes católicos.
Abordamos calmamente a lógica da existência de Deus, falamos da imortalidade do espírito, da comunicabilidade dos espíritos, da reencarnação onde cada um colhe de acordo com o que semeou em vidas passadas, falamos ainda da pluralidade dos mundos habitados.
Referimos as inúmeras experiências científicas levadas a cabo desde meados do século XIX até aos dias de hoje, onde conceituados cientistas pesquisaram e pesquisam as manifestações espíritas, demonstrando-as, evidenciando-as, mesmo que com outra nomenclatura, próprio de quem não quer ser identificado com esta ou aquela corrente filosófica.
Conversamos sobre experiências pessoais e grupais, onde a imortalidade do ser se patenteia a cada dia, e aos poucos o nosso amigo ia serenando. O desespero deu lugar à curiosidade, as perguntas cederam lugar ao choro, a dialéctica em torno do assunto ia comendo os minutos à guisa de alguém esfomeado perante suculento prato bem confeccionado.
O nosso amigo já ouvira falar de Espiritismo (ou Doutrina Espírita) mas julgava-a mais uma religião, como as demais, procurando prosélitos a todo o custo. Somente agora, com novo esclarecimento, os seus horizontes se alargaram. O cepticismo baseado na crença cega dera lugar à dúvida raciocinada.
Ficou prometida uma visita ao Centro de Cultura Espírita, nas Caldas da Rainha (http://www.ccespirita.org/) para poder melhor avaliar o que a doutrina espírita tem para oferecer ao ser humano. Emprestamos-lhe «O Livro dos Espíritos» essa obra fenomenal de filosofia, com 1019 perguntas e repostas, que se afigura qual fonte cristalina perante o viajante da vida, sedento de matar a sede. Ficou a promessa da leitura crítica desta obra de Allan Kardec. Perante os múltiplos afazeres da vida, acabamos por nos esquecer de tal episódio, até que um dia vimos o nosso amigo numa das conferências semanais que este Centro Espírita proporciona todas as sextas-feiras à população.
Terminada a conferência, que curiosamente tinha sido subordinada ao tema «A vida para além da morte», o nosso amigo, num nervoso miudinho, pediu-nos uns 5 minutos de conversa, que rapidamente se transformaram em mais de uma hora de amena cavaqueira, onde as questões choviam em catadupa.
Propusemos-lhe que estudasse espiritismo, que lesse, que frequentasse caso desejasse as conferências espíritas, mas que fosse crítico, aceitando apenas o que a sua razão sancionasse. Quando nos abraçamos, despedindo-nos devido ao avanço inexorável das horas, notava-se-lhe no semblante um ar sereno, tranquilo.
Antes de partir, e relembrando o seu familiar recentemente falecido, teve tempo para dizer: «Era bom que fosse verdade…», no seu anseio de imortalidade, comum a toda a humanidade, abrindo-se-lhe assim uma porta de esperança para que um dia pudesse reencontrar o familiar querido.
Ficamos a pensar no papel do Centro Espírita na sociedade contemporânea: esclarecer e consolar, e não pudemos deixar de sentir uma enorme gratidão pela espiritualidade que a todos acompanha diariamente, bem como nas imensas provas da imortalidade do ser que diariamente acontecem em todos os centros espíritas do mundo, como que a alertar a humanidade para a vacuidade dos seus anseios materialistas, perante a inevitabilidade da sua morte corporal e imortalidade espiritual.

Bibliografia:
Kardec, Allan, «O Livro dos Espíritos»;

3

Haiti: o terramoto da alma...


Janeiro de 2010. O ano novo começa com um terrível terramoto no Haiti, que nesta altura contabiliza cerca de 200 mil mortos (previsão) e outros tantos feridos. O mundo entra em choque, perante a brutalidade do fenómeno. E o mundo questiona-se: porquê?

Nas ocasiões mais tenebrosas e difíceis, a humanidade entra em choque, e acaba por meditar na fragilidade da vida humana no planeta Terra. Numa catástrofe deste género, o inimaginável torna-se real, e conscientes de que vivemos numa aldeia global, o íntimo treme, pois o Haiti é já ali, vizinhos que somos nesta imensa nave espacial, a Terra. E se fosse aqui? E se for aqui? E? E?....
Quantas interrogações se colocam no espírito de milhões de seres humanos, como que a tentar entender os ditames da vida, procurando lógica para os desígnios da Natureza.
Como explicar tais fenómenos? Porque acontece àquela gente e não a outros? Onde está esse Deus de misericórdia que dá a uns tudo e a outros nada?
Somente a lógica da reencarnação, e a clareza da Doutrina Espírita, podem esclarecer tão grave questão, como a da existência da humanidade. 
Allan Kardec, o insigne pesquisador dos fenómenos espíritas, em meados do século XIX, questionava os Espíritos superiores sobre estas questões, em "O Livro dos Espíritos" fenomenal obra de filosofia, hoje em dia estudada em algumas Universidades do Mundo, a par de outros filósofos:
731. Por que, ao lado dos meios de conservação, colocou a Natureza os agentes de destruição?
“É o remédio ao lado do mal. Já dissemos: para manter o equilíbrio e servir de contrapeso.” 733. Entre os homens da Terra existirá sempre a necessidade da destruição?
“Essa necessidade se enfraquece no homem, à medida que o Espírito sobrepuja a matéria. Assim é que, como podeis observar, o horror à destruição cresce com o desenvolvimento intelectual e moral.”
737. Com que fim fere Deus a Humanidade por meio de flagelos destruidores?
“Para fazê-la progredir mais depressa. Já não dissemos ser a destruição uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento? Preciso é que se veja o objectivo, para que os resultados possam ser apreciados. Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos causam. Essas subversões, porém, são frequentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos.”

Somente a lógica da reencarnação, e a clareza da Doutrina Espírita,
podem esclarecer tão grave questão, como a da existência da humanidade.
 
b) - Mas, nem por isso as vítimas desses flagelos deixam de o ser.
“Se considerásseis a vida qual ela é e quão pouca coisa representa com relação ao infinito, menos importância lhe daríeis. Em outra vida, essas vítimas acharão ampla compensação aos seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem murmurar.” Venha por um flagelo a morte, ou por uma causa comum, ninguém deixa por isso de morrer, desde que haja soado a hora da partida. A única diferença, em caso de flagelo, é que maior número parte ao mesmo tempo. Se, pelo pensamento, pudéssemos elevar-nos de maneira a dominar a Humanidade e abrangê-la em seu conjunto, esses tão terríveis flagelos não nos pareceriam mais do que passageiras tempestades no destino do mundo.
739. Têm os flagelos destruidores utilidade, do ponto de vista físico, não obstante os males que ocasionam?
“Têm. Muitas vezes mudam as condições de uma região. Mas, o bem que deles resulta só as gerações vindouras o experimentam.”
740. Não serão os flagelos, igualmente, provas morais para o homem, por porem-no a braços com as mais aflitivas necessidades?
“Os flagelos são provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se o não domina o egoísmo.”
Diz-nos a Doutrina Espírita, que todos nós, Espíritos imortais, passamos pelas dificuldades que nos são necessárias à nossa evolução espiritual, neste mundo de expiação (de erros de vidas passadas) e provas (nesta vida terrena), objectivando sempre o bem, que nem sempre vislumbramos, por vermos a Vida apenas num escasso período de uma existência, quando ela se espraia pelo infinito.
Para além do terramoto físico no Haiti, certamente não deixou de haver um terramoto íntimo em grande parte de nós, questionando-nos sobre o real valor da Vida, que valor têm as ridículas questiúnculas que nos fazem perder tanto tempo, e sobre a importância da nossa renovação interior.
Nestes momentos de dor, em que a alma se engrandece na prática da caridade, outros valores ético-morais vão despertando, em direcção ao roteiro moral que Jesus preconizou para a implantação da felicidade no planeta Terra: o Amor ao próximo!

Bibliografia:
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec

1

Os corruptos...



A quadra de Natal, sempre nos proporciona uma viagem até ao Norte de Portugal, no afã de visitar familiares, matar saudade, descansar um pouco, contar e ouvir novidades deste e daquele, enfim, oportunidade de conviver e confraternizar um pouco.

A determinada altura, a conversa derivou para a política, onde os actores políticos facilmente foram identificados com a corrupção e falta de honestidade, derivado do seu modus operandi desde o 25 de Abril de 1974. Como a época era festiva, optámos por mudar de tema, e lá fomos falando deste ou daquele. A páginas tantas, lá contei que o meu filhote de 9 anos de idade, tinha partido a TV de casa, sem querer, cujo arranjo orçava tanto ou mais que uma TV nova, pelo que estávamos a falar de modelos e preços de aparelhos de TV.
De repente, alguém me questionou se eu não tinha seguro multi-riscos, pelo que respondi afirmativamente, mas segundo a Seguradora, esse seguro somente cobriria o evento, se fosse noutro local, que não na própria habitação. De repente, qual génio iluminado, um dos meus interlocutores adiu: «Eh pá, já sei, declaras como sendo acidente de um filho de um amigo teu, ele declara ao seguro, e assim ficas com um aparelho LCD de TV, novo, e gratuito.»
Confesso que fiquei um pouco atónito, pois tal nunca me passara pela cabeça. Nos primeiros segundos, a ideia ainda bailou na cabeça, mas depressa os valores ético-morais que aprendi com a Doutrina Espírita, se sobrepuseram. Lá respondi que essa solução não era honesta, pelo que me retorquiram que as Seguradoras também não são honestas, e como tal merecem uma desonestidade de vez em quando. Confesso que a ideia até soou bem, mas… os valores ético-morais falaram mais alto. Lá opinei que por os outros serem desonestos, não significa que nós também o sejamos, e fui expondo a minha teoria, hoje em dia muito fora de moda, a de que devemos primar pela honestidade, pelos valores ético-morais, sob pena de perdermos o nosso próprio horizonte existencial.

Fazer ao próximo o que desejamos para nós próprios
 
Parecia que estavam a olhar para um extra-terrestre. “Ele não deve regular bem, coitado” ou então “Este gajo em que mundo anda?”, pareceu-me adivinhar-lhes o pensamento.
E lá mudámos outra vez de assunto…
Fiquei a pensar que o problema da humanidade encerra precisamente numa mudança de estratégia.
Qualquer empresa, ao fim de um ano de actividade, faz um balanço, e se a estratégia adoptada não foi eficaz, rapidamente opta por outra, em busca dos seus fins, a fim de não abrir falência.
Nós, humanidade, sempre optámos pela estratégia do egoísmo, do ódio, da maldade, por isso temos sofrido os horrores da guerra, da fome, da miséria material e moral, ao longo da existência humana.
Há cerca de dois mil anos, Jesus de Nazaré, o grande psicoterapeuta da humanidade (no dizer do Espírito Joanna de Ângelis), veio trazer-nos uma estratégia para a felicidade, que passa essencialmente, por fazer ao próximo o que desejamos para nós próprios, e não fazer ao próximo o que não desejamos para nós próprios.
E nós, humanidade, estupidamente, vamos a caminho da falência, investindo na estratégia que já deu provas que não nos serve: a do egoísmo.
Até quando?
Ah, por falar em corruptos, confesso que, apesar de ficar com a carteira mais vazia com o novo aparelho de TV, durmo bem melhor, com a satisfação interior de não ter atalhado pela porta larga…

Bibliografia:
Kardec, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo
artigosespiritaslucas.blogspot.com

4

Corrupção: a grande ilusão !!!


A conversa ia animada na esplanada, a meio de um café, observando um pardalito que de salto em salto, procurava verificar da nossa animosidade ou não, em busca de um pedacito de pão. O tema, mais que comum. Falava-se da corrupção, de desvios de dinheiro, de abuso de poder, de fortunas nas mãos de uns, enquanto outros se esfalfam a trabalhar para conseguir suprir as suas dificuldades. O caso BPN veio à baila, como outros que correm de boca em boca nos dias de hoje, em Portugal. Falou-se da corrupção à escala mundial, qual epidemia sem antídoto, como se fosse algo que nos teríamos de habituar, um mal necessário.

Disse-lhes que não era bem assim, que essa perspectiva pessimista derivava apenas de um enfoque materialista, reducionista, olhando apenas para o aqui e o agora.
Perante o ar intrigado dos meus interlocutores, falei-lhes do meu ponto de vista espírita. Que somos seres imortais, que estamos temporariamente na Terra e, que depois, regressamos ao mundo espiritual, recolhendo os efeitos das causas geradas por nós no aqui e agora, e que mais tarde voltamos a nascer, trazendo na consciência a marca das aquisições do passado, a repercutirem-se na vida seguinte, sob a forma de felicidade ou sofrimento.
«Está bem»… retrucou um deles… «mas enquanto aqui andam são uns senhores e, depois logo se vê, até pode ser que não seja verdade essa história da reencarnação e entretanto o gajo lá se safou e nós aqui a chuchar no dedo…»
Falámos das evidências científicas da reencarnação, nomeadamente as pesquisas do Dr. Ian Stevenson, entre muitos outros, que apontam a reencarnação como uma realidade inegável. Apontámos casos conhecidos, desembrulhámos meia dúzia de argumentos que, envoltos na lógica da doutrina espírita, deixaram os meus interlocutores a pensar.
Numa altura em que novos paradigmas vêm demonstrar ao homem aquilo que a Doutrina Espírita defende – a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos Espíritos, a reencarnação e a pluralidade dos mundos habitados – a humanidade permanece perdida no paradigma materialista, buscando aí a felicidade, como quem procura o impossível.
As experiências fora do corpo (EFC), as experiências de quase-morte (EQM), os casos sugestivos de reencarnação (CSR) – meninos prodígio, crianças que se lembram de vidas passadas, comunicações mediúnicas e regressão de memória – as visões no leito de morte (VLM’s) e a transcomunicação instrumental (TCI), apresentam-se como paradigmas insofismáveis da independência do Espírito relativamente ao corpo físico, autênticas antecâmaras para os novos paradigmas da humanidade que, despontam mais além e que mudarão a maneira de pensar da humanidade.

A corrupção é uma grande ilusão, um passo em direcção ao abismo moral,
um caminho irreversível para grandes vales de sofrimento e resgate,
até que um dia, a ética e a moral se sobreponham
no coração do homem ao egoísmo e ao orgulho.

Quando o homem tiver a consciência da sua imortalidade, quando souber que voltará a reencarnar, encontrando o fruto do seu proceder na vida passada, então verificará que a xenofobia não faz sentido, já que poderá nascer num país qualquer, onde lhe seja mais útil para a sua evolução; o racismo não mais fará sentido, pois que o homem pode nascer com esta ou aquela cor de pele, conforme for necessário para a sua evolução; a discriminação sexual será ilógica, pois que o homem saberá que pode nascer com a polaridade sexual masculina ou feminina, conforme lhe for mais útil para a sua evolução; a discriminação social será uma aberração, pois o homem saberá que o marginalizado social de hoje foi, quiçá, o rico de ontem, que se perverteu no egoísmo, ao invés de utilizar a riqueza em prol da comunidade; o homem, sentirá que é sua obrigação a defesa do meio ambiente, e não mais prejudicará a Natureza, pois saberá que quando reencarnar, encontrará a Terra como a deixar nesta vida.
Com esses novos conhecimentos que a Doutrina Espírita trouxe à humanidade há cerca de 150 anos, a humanidade tomará consciência de que a corrupção é uma grande ilusão, e um passo em direcção a um grande abismo moral, com caminho irreversível para grandes vales de sofrimento e resgate, até que um dia a ética e a moral se sobreponham no coração do homem ao egoísmo e ao orgulho.
Relembrando os ensinamentos de Jesus de Nazaré, «A cada um segundo as suas obras», bem como «A semeadura é livre mas a colheita é obrigatória».

0

A crise: e agora?


De conversa em conversa, de jornal em jornal, de noticiário em noticiário, de televisão em televisão, ultimamente a palavra mais utilizada é a CRISE, como representação da nossa realidade social, nacional e mundial. Questionam-se soluções, efectuam-se fóruns mundiais em busca de uma saída, no entanto, a solução encontra-se bem longe dos dirigentes mundiais. Veja o que a Doutrina Espírita tem a dizer sobre esta matéria.

Desde tempos imemoriais que o homem objectivou como meta para sobreviver, ter êxito e sentir-se bem, alcançar o poder, nos seus imensos meandros. Ora é o marido déspota que almeja dominar a esposa e família, ora o negociante inescrupuloso que busca o poder no seu pé de meia avantajado, ora o político local que procura tirar partido da sua posição social, ora os políticos a nível nacional, ora esta ou aquela classe com mais ou menos capacidade de exercer “lobby” em favor do seu espírito corporativo, enfim, este “modus operandi”, é prática corrente desde tempos imemoriais.
O ser humano foi evoluindo tecnologicamente, rompeu os céus em naves espaciais, criou tecnologia de ponta que mata com precisão em questão de metros, que corrige problemas orgânicos com instrumentos quase microscópicos, rompeu as barreiras de comunicações com as várias gerações de telemóveis, está a adentrar a área da nanotecnologia, no entanto, em termos morais, o Homem mantém uma moralidade muito primitiva, onde o seu ego predomina sobre tudo, levando uma vida materialista, sem qualquer horizonte existencial “post mortem”.
Num processo de auto-fascinação, o ser humano vê-se como todo-poderoso, ao ponto de poder matar, invadir terrenos alheios, roubar, manipular, mentir, humilhar, dominar, esquecendo-se de que em breve, o seu corpo físico será sepultado, e que a vida continua no mundo espiritual, onde terá de se enfrentar com a sua consciência.
Assim sendo, e após 1857, em que a pesquisa espírita matou a morte, demonstrando à saciedade a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos espíritos, a reencarnação e a pluralidade dos mundos habitados, aquilo que as religiões tradicionais mostravam como crenças, passou a estar demonstrado cientificamente, pela ciência espírita.

Quando o Homem descobrir a sua imortalidade e a reencarnação,
mudará a sua atitude, consciente de que todo o erro cometido
reverterá contra si, em forma de dor física ou moral.

Modernamente, universidades pelo mundo inteiro, cientistas e pesquisadores não espíritas, têm vindo a comprovar as assertivas espíritas, no sentido de que tudo aponta para que a vida continue após a morte do corpo de carne, tamanhas são essas evidências.
Não serão os fóruns mundiais, pejados de dirigentes corruptos, comprometidos uns com os outros, materialistas, egoístas, que resolverão o problema social que estamos a viver, mas somente uma mudança de atitude interior de todos nós – fazer ao próximo o que gostarias que te fizessem (Jesus de Nazaré) – alterará o espectro mundial de crise, que é essencialmente crise de valores, crise de moralidade, crise de ética, crise de honestidade.
O Espiritismo é a doutrina do optimismo, mostrando ao Homem que, o nosso futuro será cada vez mais brilhante e, que a solução dos problemas, passa pela transformação íntima de cada um, sem se preocupar em mudar os demais. Com essa consciência espiritual que o Homem terá, da sua imortalidade, da realidade da reencarnação, ele tornar-se-á um ecologista da alma, lavando os sentimentos na prática diária da caridade, tornando-se assim melhor e, tornando melhor os que o rodeiam, bem como o espaço físico com o qual interage.
Já os espíritos superiores referem que, a humanidade tem o livre-arbítrio, mas que a evolução é o seu fim inevitável, podendo ser efectuada voluntariamente, pelo Amor, ou coercivamente, pela dor. Cabe a cada um de nós escolher o caminho do nosso futuro, dentro da assertiva de Jesus de que «a semeadura é livre mas a acolheita é obrigatória».

Bibliografia:
- Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos
- O Evangelho Segundo o Espiritismo
- www.adeportugal.org – Curso Básico de Espiritismo

1

Reencarnação


Falam-te em reencarnação
Ris, gozas, dizes ser ilusão
Mas, se pensares bem
Tens outra opção?

Como explicar
Tanta dissemelhança
Na população terrena
Com e sem esperança?

Como explicar
Os aleijões de nascença?
Os idiotas, os loucos
Com os pais sem parecença?

Como explicar
As mortes prematuras
Os meninos-prodígio
Que se içam às alturas?

Como explicar
Os pobres, os ricos,
Os doentes e sãos
Os bons, os mafarricos?

Como explicar
Com os mesmos pais
A diferença de inteligência
Em filhos desiguais?

Somente o orgulho
Que obnubila a razão
Pode negar à priori
A lei da reencarnação.

Se assim não fora
Onde estaria o Deus-Amor
Distribuindo à toa
Paz, felicidade e dor?

Como somos crianças!!!
Bebés espirituais.
Julgando tudo saber,
Ignorando os que sabem mais.

Hoje vem a ciência
Kardec confirmar
A reencarnação existe
É lei a investigar.

Desde as terapias regressivas
Às lembranças de outrora
Os meninos-prodígio
Apontam nova aurora.

Comunicações espirituais
Prevendo o nascimento
São provas inquestionáveis
Que dispensam julgamento.

Reencarnação é lei
Que a humanidade descobrirá
E com ela verão
Que existe Deus ou Alá

A partir daí
A vida mudará
Quando o homem notar
As voltas que a vida dá.

Com medo de sofrer
E novo entendimento
Praticará o bem
À espera do “julgamento”

Que virá inevitavelmente
Na sua consciência
Quando demandar o Além
Lúcido ou em demência

Cada um colherá
Conforme semear
Alertou-nos Jesus
P’ró homem não errar.

Sois os arautos
Da nova civilização
Dai novos mundos ao mundo
Divulgando a reencarnação.

Poeta alegre
Psicografia recebida em Óbidos, Portugal, a 3 de Abril de 2005

0

O homem sem tempo...



João era uma pessoa como outra qualquer. Levava vida simples, casado, com filhos e um trabalho que lhe permitia levar uma vida razoável, sem luxos mas também sem grandes necessidades.

Um dia, envolto em grandes elucubrações íntimas, procurava uma resposta ou respostas para as crises existenciais. Será que a vida continua pos mortem? Se sim, como é que acontece? Onde está a justiça divina perante tanta dissemelhança?
Como que por encanto os livros espíritas apareceram-lhe no caminho. Devoro-os, um a um, identificando-se de imediato com esta filosofia de vida esclarecedora e consoladora.
Integrou-se em várias actividades espíritas, com alegrias, êxitos mas também alguns fracassos. Nem sempre o relacionamento humano é o desejável e a lei das afinidades também fala mais alto, mesmo entre os espíritas. É da natureza humana.
Começou a “cansar-se”. Era incompreendido, dizia ele. Noutras alturas não tinha tempo, retorquia, para o trabalho de apoio ao próximo.
Múltiplas actividades foram surgindo no seu caminho. No meio do desencanto foi pegando uma a uma, deixando para trás aquilo que tanto o entusiasmara anos antes.
Envolto num frenesim diário, a ansiedade e a irritabilidade foram tomando conta dele.
«Não tenho tempo para nada» era a frase mais ouvida da sua boca. Se um amigo convidava para amena cavaqueira «não tinha tempo». Se um familiar ou filho pedia que fossem a determinado lugar respondia invariavelmente: «não tenho tempo». Companheiros de jornada solicitavam-lhe o apoio fraterno nesta ou naquela actividade mas havia que estabelecer prioridades e mais uma vez respondia: «gostava muito mas não tenho tempo».

João foi-se isolando, deixou de conviver com os amigos,
deixou de praticar desporto, deixou de ter vida social,
de tal modo estava mergulhado no seu trabalho e no seu hobby

Um dia, repentinamente, sentiu forte dor no peito. Articulou um berro para chamar pela esposa em busca de auxílio, mas não obteve resposta. Sentiu-se leve e estranho, como que a flutuar. Mais espantoso ainda é que o seu corpo estava deitado no chão, tombado, com a cara para baixo. Passado algum tempo, identificou a situação com o que aprendera na doutrina espírita e verificou que tinha falecido. Entrou em pânico, mas, rapidamente lembrou-se dos benfeitores espirituais. Chorou, relembrando os filhos, a esposa que no trabalho o julgava a caminho do seu emprego. «E agora, meu Deus? E tanto que eu tinha para fazer, logo hoje!...» pensou o João.
Sentiu uma mão suave no ombro. Virou-se e viu um ser muito simpático que o envolvia com um sorriso doce e amigo.
«Vem comigo» disse-lhe o desconhecido amigo. Esse pedido fora como que uma ordem que não conseguia recusar. Sentaram-se numas cadeiras nas imediações do local e como que por artes mágicas, aparece uma tela de cinema. João estava atónito, queria articular mil e uma perguntas, mas o sinal de silêncio feito com o dedo pelo espiritual amigo, fê-lo manter-se calado. Olhou com atenção e, momento a momento, como se alguém tivesse seguido os seus passos silenciosamente ao longo dos seus 53 anos de idade, João pode conferir todo o seu percurso na Terra quando ainda no corpo de carne.
Viu no filme da sua vida todo o bem levado a cabo e todo o bem que ficara por realizar. Ia-se incomodando com tais situações. Mas, o que mais intranquilidade lhe trazia ao coração era a resposta sistemática que dava aos amigos: «Não tenho tempo…, sabes como é, tenho muito que fazer, as obrigações sociais são mais que muitas».
Lembrou-se que não mais veria esses amigos e familiares e desejou ardentemente poder voltar atrás e refazer a vida.
Já era tarde, o tempo passara e os minutos não voltam mais.
Chorou de tristeza, inquieto, até que ouviu a voz doce da esposa: «querido, acorda, que se passa contigo?»
Atónito, acendeu a luz do candeeiro, abriu os olhos e espantado concluiu que não passara de um sonho. «Ufa! Que alívio!... Pensou…»
Disse à esposa que fora um mero pesadelo que não se preocupasse e voltaram a dormir. Aquele foi o último dia da vida do João, já que no dia seguinte, como que renascera, recomeçando nova vida, com novas prioridades, valorizando mais as relações humanas que os trabalhos em que se integrara.
Sabendo que todos nós temos um pouco do João, até que ponto precisaremos de passar pela mesma situação para reflectirmos em torno da necessidade da sociabilidade, dos convívios fraternos, dos contactos humanos, dos passeios na natureza, enfim de uma vida equilibrada onde possamos finalmente dizer a um convite para uma conversa: «Há quanto tempo esperava esta oportunidade! Vamos a isso...»

in Jornal de Espiritismo nº 14, http://www.adeportugal.org/