A quadra de Natal, sempre nos proporciona uma viagem até ao Norte de Portugal, no afã de visitar familiares, matar saudade, descansar um pouco, contar e ouvir novidades deste e daquele, enfim, oportunidade de conviver e confraternizar um pouco.
A determinada altura, a conversa derivou para a política, onde os actores políticos facilmente foram identificados com a corrupção e falta de honestidade, derivado do seu modus operandi desde o 25 de Abril de 1974. Como a época era festiva, optámos por mudar de tema, e lá fomos falando deste ou daquele. A páginas tantas, lá contei que o meu filhote de 9 anos de idade, tinha partido a TV de casa, sem querer, cujo arranjo orçava tanto ou mais que uma TV nova, pelo que estávamos a falar de modelos e preços de aparelhos de TV.
De repente, alguém me questionou se eu não tinha seguro multi-riscos, pelo que respondi afirmativamente, mas segundo a Seguradora, esse seguro somente cobriria o evento, se fosse noutro local, que não na própria habitação. De repente, qual génio iluminado, um dos meus interlocutores adiu: «Eh pá, já sei, declaras como sendo acidente de um filho de um amigo teu, ele declara ao seguro, e assim ficas com um aparelho LCD de TV, novo, e gratuito.»
Confesso que fiquei um pouco atónito, pois tal nunca me passara pela cabeça. Nos primeiros segundos, a ideia ainda bailou na cabeça, mas depressa os valores ético-morais que aprendi com a Doutrina Espírita, se sobrepuseram. Lá respondi que essa solução não era honesta, pelo que me retorquiram que as Seguradoras também não são honestas, e como tal merecem uma desonestidade de vez em quando. Confesso que a ideia até soou bem, mas… os valores ético-morais falaram mais alto. Lá opinei que por os outros serem desonestos, não significa que nós também o sejamos, e fui expondo a minha teoria, hoje em dia muito fora de moda, a de que devemos primar pela honestidade, pelos valores ético-morais, sob pena de perdermos o nosso próprio horizonte existencial.
Fazer ao próximo o que desejamos para nós próprios
Parecia que estavam a olhar para um extra-terrestre. “Ele não deve regular bem, coitado” ou então “Este gajo em que mundo anda?”, pareceu-me adivinhar-lhes o pensamento.
E lá mudámos outra vez de assunto…
Fiquei a pensar que o problema da humanidade encerra precisamente numa mudança de estratégia.
Qualquer empresa, ao fim de um ano de actividade, faz um balanço, e se a estratégia adoptada não foi eficaz, rapidamente opta por outra, em busca dos seus fins, a fim de não abrir falência.
Nós, humanidade, sempre optámos pela estratégia do egoísmo, do ódio, da maldade, por isso temos sofrido os horrores da guerra, da fome, da miséria material e moral, ao longo da existência humana.
Há cerca de dois mil anos, Jesus de Nazaré, o grande psicoterapeuta da humanidade (no dizer do Espírito Joanna de Ângelis), veio trazer-nos uma estratégia para a felicidade, que passa essencialmente, por fazer ao próximo o que desejamos para nós próprios, e não fazer ao próximo o que não desejamos para nós próprios.
E nós, humanidade, estupidamente, vamos a caminho da falência, investindo na estratégia que já deu provas que não nos serve: a do egoísmo.
Até quando?
Ah, por falar em corruptos, confesso que, apesar de ficar com a carteira mais vazia com o novo aparelho de TV, durmo bem melhor, com a satisfação interior de não ter atalhado pela porta larga…
Bibliografia:
Kardec, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo
artigosespiritaslucas.blogspot.com












