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Divaldo Franco: a crise e a transição planetária (parte 1 de 2)


Passou em Portugal em Setembro de 2012 aquele que é considerado por muitos como o maior orador espírita da actualidade: Divaldo Pereira Franco. Figura de destaque a nível mundial, seja no meio espírita, seja fora dele, é reconhecido como o maior divulgador da Doutrina Espírita. Há mais de 60 anos ao serviço do próximo, fazem dele um foco de atenção, mesmo por parte dos cépticos. Tem conferenciado em todo o mundo, gratuitamente, com mais de 13.000 conferências em mais de 2000 cidades no Brasil e em 63 países. A sua cultura, o seu saber, bem como a sua mediunidade (tem mais de 200 livros, com mais de 7,5 milhões de exemplares, com 211 autores espirituais - ditados pelos espíritos - cujas receitas revertem integralmente para auxiliar os meninos da rua) são os cartões de visita, que lhe granjeiam respeito e credibilidade. Existem cerca de 80 versões para 16 idiomas dessas obras mediúnicas, cuja venda reverte a favor de uma obra social, de caridade, "A Mansão do Caminho, fundada em 1952, instituição que acolhe e educa crianças, sob o regime de lares substitutos, que hoje é um complexo educacional que atende três mil crianças e jovens de famílias carenciadas, por dia. Divaldo tem mais de 600 filhos adotivos e mais de 200 netos. O seu trabalho em prol da paz mundial tem-no distinguido no Brasil e no exterior, tendo palestrado por 3 vezes na ONU, sendo Doutor Honoris Cause por 3 Universidades (incluindo a Sorbonne), bem como Embaixador Mundial para a Paz, por uma organização Suiça. Em entrevista que nos concedeu, aborda questões cruciais.

Perante os conflitos sociais em Portugal e no mundo, com os povos subjugados por grupos financeiros internacionais, que se servem de governos corruptos, é lícito ao espírita integrar manifestações de repúdio, em busca de uma nova ordem nacional e internacional, ou deve abster-se, esperando que tudo se resolva conforme a vontade de Deus? Qual o limite?
Divaldo Franco  –  O espírita é, antes de tudo, um cidadão com deveres e direitos na sociedade.
É perfeitamente lícito que repudie todos e quaisquer movimentos de intolerância, de arbitrariedade, de abuso do poder.
Naturalmente, se as manifestações de repúdio têm um carácter pacífico e o ideal é nobre, não derrapando em propostas belicosos de filosofias perturbadoras, o espírita tem o direito e mesmo o dever de contribuir para que seja revertido o quadro de dominação, em benefício do desenvolvimento e progresso da sociedade.
Jesus foi muito claro ao responder à questão que lhe foi proposta sobre se era lícito pagar-se os impostos ante os compromissos com a Divindade, conforme exarado no Evangelho: Dai a César o que pertence a César e a Deus o que pertence a Deus.
Poderemos estender o conceito às leis injustas e aos comportamentos censuráveis, que devem ser enfrentados conforme se apresentem, embora sem o uso das armas covardes de que são portadores...
O silêncio ante a injustiça é covardia moral e anuência ao crime.

A Europa está envelhecida e sem gente. Estima-se que Portugal em breve passe dos 12 para os 9 milhões, e que em 2030 haja um trabalhador para um idoso. Como é que que se vai resolver esse problema que é extensível ao resto da Europa: pela emigração de africanos e árabes para a Europa, havendo assim uma miscigenação de raças? Podemos dizer que, no futuro, seremos quase todos mulatos ou mestiços na Europa? A realizar-se essa mistura, não haverá uma guerra religiosa entre cristãos e muçulmanos, como já vai existindo um pouco por todo o lado?
Divaldo Franco  –  O tema, pela sua complexidade e atemporalidade, escapa-me a uma apreciação, porque eu teria que entrar no mundo subjectivo da adivinhação, das probabilidades... Nada obstante, a Divindade dispõe de mecanismos que solucionam os problemas em que nos escapam as soluções e, repentinamente, o próprio progresso, nos mecanismos da tecnologia e de novas descobertas nas diversas áreas do conhecimento, encarregar-se-á de apresentar caminhos e comportamentos antes não vislumbrados.

Consta que Emanuel teria mostrado a Chico Xavier um velhinho quase paralisado numa cadeira de rodas, simbolizando a Europa do futuro.
Nostradamus nas suas profecias, falava da 3ª guerra mundial que seria provocada pelo homem do turbante. Poderemos ver esta profecia no contencioso entre o Irão que pretende ser potência nuclear e Israel? Havendo uma guerra nuclear táctica, regional, haverá fuga em massa para o Brasil, como algumas fontes preconizam que Chico tenha previsto essa possibilidade?
Divaldo Franco  –  Depois da morte do venerando apóstolo da mediunidade Chico Xavier, colocam-se muitas palavras e conceitos na sua boca, não mais estando ele entre nós fisicamente para desmentir.
A fantasia é um arquétipo que atormenta a alma humana. Necessitando de mecanismos de fuga, o ego apela a conceitos imaginários e derrapa nas mentiras desnecessárias.
Confesso que desconheço essa afirmação em referência, atribuída a Chico Xavier.
Como nunca li as profecias de Nostradamus com a profundidade que merecem, não me atrevo a confirmar ou a negar a interrogação em torno de uma possível guerra nuclear entre o Irão e Israel.
Toda a profecia sofre o efeito de cada época que a interpreta, e as de Nostradamus têm sido férteis em conclusões, depois consideradas pelos ditos “especialistas”, como inconsistentes e ilegítimas.
Desse modo, qualquer conceito de minha parte em torno do tema, seria mais uma proposta sem apoio científico.
E quanto ao último item, em torno das fugas em massa para o Brasil, também penso que não procedem, consideradas à luz da lógica e da razão. Deus não tem país privilegiado, e nação alguma pode erguer-se para considerar-se eleita para esta ou aquela finalidade.

Estando as elites que nos governam, supostamente na casa dos 40 a 50 anos de idade, isto significa que uma eventual rede mafiosa-financeira que governa o mundo se manterá pelo menos mais 20 ou 30 anos enquanto se mantiverem no poder, a nível mundial?
Divaldo Franco  – Toda e qualquer conjuntura em torno das mudanças no planeta, especialmente na área das finanças, está sujeita a alterações na realidade, quando passado o tempo.
Ninguém esperava, há poucos anos, a derrocada do dólar e do euro, nos respectivos universos comerciais. E vieram as problemáticas que ameaçam a estabilidade financeira da América do Norte e da Europa, espraiando-se por todo o mundo depois.
Todavia, é claro, dentro de duas ou mais décadas, os dominadores de hoje estarão no declínio da existência com os seus problemas inevitáveis ou já desencarnados.
O importante não é que eles desapareçam, mas que surjam mentes novas e ricas de sabedoria para solucionarem o drama da actualidade e construírem o futuro dentro dos padrões da justiça social e da harmonia entre os povos.
Não sendo assim, sair-se-á de um tipo de arbitrariedade financeira para outra, aliás, como vem ocorrendo...

Joanna de Ângelis em 2006 enviou a mensagem "Grande Transição" por seu intermédio preconizando transformações sociais e geológicas inimagináveis. Isso significa que o pior está para vir ou o "inimaginável já veio? Essa transição que Joanna fala vai até 2015, 2020, 2025? Quando começará uma época de maior paz?
É verdade que Chico Xavier preconizou a data de 2019, conforme se ventila em alguns meios espíritas? Que lhe dizem os espíritos acerca disso?
Divaldo Franco  –  Quando a benfeitora abordou o tema da transição planetária, previa os denominados desastres naturais e outros de natureza humana, que se multiplicariam, como têm ocorrido.
Segundo a mesma, ainda não alcançamos o clímax da grande transição, o que nos leva a crer em novas e colectivas dores, necessárias ao expurgo do mal na Terra, mas não posso imaginar quais as suas causas e como se apresentariam.
Os Espíritos nobres nunca estabelecem datas, fixando acontecimentos, porque seria propor uma fatalidade inamovível, o que fere a lei de causa e efeito, em razão da liberdade de consciência das criaturas, o livre-arbítrio, a mudança de atitude moral e mental, que sempre afectam essas ocorrências, alterando-as, diluindo-as ou até mesmo eliminando-as... Entretanto, há uma quase unanimidade entre os benfeitores que por mim se comunicam, informando que a partir dos próximos anos 20 veremos formosos sinais de paz e de renovação.
Quanto a essa informação atribuída a Chico Xavier, nada posso dizer, porque ele jamais a expressou diante de mim, ou de outras pessoas do seu relacionamento, pelo menos, que eu saiba, talvez, o haja feito a alguma excepção...

Os cientistas confirmam para breve uma tempestade solar cujo impacto sobre os satélites é desconhecido (e consecutivamente sobre a vida humana).
Poderá ser essa uma causa de desencarnações em massa, tipo "limpeza" do planeta, já que a possível afectação dos satélites comprometeria o modus vivendi no planeta Terra, perigosamente dependente da informática (centrais nucleares, abastecimento de gás para aquecimento das populações, fábricas, gps, etc...)?
Divaldo Franco  –  Sem a menor sombra de dúvida, as ocorrências solares afectam significativamente o planeta terrestre. Segundo alguns astrónomos, por exemplo, nos dias 5 de Outubro e 25 do mesmo mês no ano de 2005, as manchas solares, resultado das explosões nucleares no astro-rei, com tamanhos correspondentes, respectivamente ao da Terra e ao de Júpiter, produziram efeitos perturbadores com furações que varreram a costa Leste americana do Norte, qual ocorreu antes com o Katrina, em Agosto do mesmo ano, produzindo danos a mais de um milhão de vidas, especialmente na cidade de New Orleans. Essa probabilidade de tempestade solar com impacto danoso sobre os satélites é prevista pelos cientistas da área e acredito na sua ocorrência.

Os cientistas confirmam a inversão magnética dos pólos, ao longo dos anos, para breve. O que os Espíritos lhe dizem sobre isto, tendo em conta as consequências para os humanos?
Divaldo Franco  –  Embora nunca me tenham falado directamente, sustentam que a ocorrência terá lugar lentamente, inclusive anotando que os últimos tsunamis têm alterado, embora em pequena dimensão, a inclinação do eixo da Terra…

(Importante entrevista de Divaldo Franco concedida ao Jornal de Espiritismo, em Portugal, cuja 1ª parte foi publicada no Jornal de Espiritismo nº 55 e a 2ª parte sairá no JDE nº 56 (Janeiro / Fevereiro de 2013).

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Carol Bowman: a reencarnação é real...


O Jornal de Espiritismo encontrou Carol Bowman no 6º Congresso Espírita Mundial, em Valência, Espanha, em 2010. Não é espírita. è uma pesquisadora de crianças e adultos em torno da reencarnação. A sua abertura de espírito fê-la aceitar o convite de partilhar as suas pesquisas num congresso espírita.

Jornal de Espiritismo: Costumamos estranhar o facto dos americanos acreditarem na reencarnação, pois temos a ideia de serem muito optimistas e de não terem crenças, que são mais virados para a matéria e, possivelmente, é uma ideia errada.
Carol Bowman: É uma ideia errada. São como em qualquer outro lugar no mundo, uns são inclinados para a espiritualidade e outros são muito materialistas e que não acreditam em nada para além da matéria. Mas pela minha experiência, enquanto crescia nos Estados Unidos e principalmente tendo sido estudante nos anos 60, havia uma grande revolução espiritual entre nós na faixa etária daquele grupo onde estava inserida. Procurávamos e buscávamos a religião eastern e espiritualidade. Há milhões de pessoas nos Estados Unidos que são muito devotas ao caminho espiritual.

JDE: Ian Stevenson é uma referência para todo o mundo, mas Carol Bowman é muito conhecida em Portugal pelos livros que podemos encontrar em todo o lado…
CB: Interessante, não sabia.

JDE: Mas sabemos que pesquisou e escreveu devido ao facto dos seus filhos…
CB: Sim, se tiver lido o meu primeiro livro refiro que ambos os meus filhos tiveram memórias de vidas passadas, ainda não tive tempo de falar das memórias da minha filha.

JDE: Era católica, qual é a sua religião?
CB: Judia.

JDE: E foi-lhe muito difícil de compatibilizar a religião com a reencarnação?
CB: Não, de todo.

JDE: Mas os judeus não acreditam na reencarnação.
CB: Alguns acreditam, porque está na Cabala. Na realidade o meu avô era cabalista, embora ele nunca se referisse à tradição cabalística, que remonta ao século XII, pelo menos, quando começaram a escrever acerca dos ensinamentos místicos em Espanha e acreditavam na reencarnação.

JDE: Então decidiu pesquisar e agora acredita com base em factos reais, e não numa crença cega.
CB: Sim, acho que foi quando eu era estudante, há muitos anos, passei a acreditar na continuação de uma consciência após a morte. Sabia que a reencarnação era real mas foi quando tive um episódio de regressão a uma vida passada, quando estive doente, que ficou mais real. Compreendi. E tem resultados práticos no processo de cura interior. Então, um ano antes dos meus filhos terem tido as suas memórias já eu tinha feito uma regressão a uma vida passada e fui curada, pelo que entendi até que ponto a reencarnação é um facto. Então, foi principalmente quando o meu filho teve a sua memória e a cura que pude verificar o potencial e observar as suas implicações reais.

JDE: A Carol é judia, acredita na reencarnação, pesquisa e tem vários factos comprovativos. Acredito que nos Estados Unidos, mas julgo que um pouco por esse mundo fora, de uma maneira geral, as pessoas não sabem o que é o Espiritismo, por o confundirem com superstições, entre outros. No entanto, Espiritismo é muito mais do que mera superstição. Então, não receia que a conotem como bruxa ou com má índole, uma vez que se encontra num congresso espírita?
CB: Não, de todo! Não há nada a recear, tenho imensa curiosidade até porque sei da existência de outras dimensões da realidade onde se encontram os espíritos, as energias. Por ter estudado a reencarnação, sei que quando morremos existe uma consciência, uma energia que continua, e que inclusivamente mantém as suas memórias, pois quando reencarnamos trazemos connosco essas mesmas memórias. Há continuidade. Parece-me assim ser muito estimulante e não assustador.
JDE: Já leu alguns livros de Allan Kardec?
CB: Li "O Livro dos Espíritos"  já há muito tempo.

JDE: E qual a sua opinião? Achou um livro estranho, com uma filosofia estranha?...
CB: Bem, achei muito século dezanove em algumas coisas… conheço muitos médiuns nos Estados Unidos, alguns mesmo muito bons, e acho que o seu entendimento é envolvente e modificador, não é que seja desactualizado, mas pessoalmente tenho um entendimento mais simplista da vida após a morte.

JDE: Alguns espíritas e muitas pessoas pensam que o Espiritismo é mais uma religião, mas não é. Tem uma vertente filosófica e moral. Eu estava curioso por ser a primeira vez que conheço alguém não espírita num congresso e gostava de saber como se sente em relação às pessoas e ao ambiente?
CB: Adoro as pessoas! (risos) São espectaculares. No ano passado palestrei num congresso espírita em Boston. Conheci lá a Vanessa e ela convidou-me a vir a este congresso. Perguntou-me se o meu livro tinha sido traduzido para espanhol, mas nem por isso. Foi traduzido para dezasseis línguas a nenhuma foi o espanhol. Então ela tratou disso. Sinto-me como se estivesse em casa, não me parece minimamente estranho.

JDE: É uma pessoal muito simples.
CB: Nalgumas coisas sim, mas noutras sou muito complexa.

JDE: A Carol é casada, tem dois filhos…
CB: Sou casada há 37 anos com a mesma pessoa…(risos)

JDE: E o que pensa o seu marido sobre isto?
CB: Bem, ele viu as provas, as evidências.

JDE: Ele acha que a esposa é doida ou acompanha-a e dá-lhe apoio?
CB: Apoia-me, até porque presenciou com os nossos filhos, vivenciou os factos e ele sempre teve a crença da existência de algo para além da matéria e no entanto é uma pessoa ponderada, um homem de negócios.

JDE: Sinto que é uma pessoa muito bondosa e simples. Uma última pergunta, o que sente que deveria fazer em termos futuros no mundo, no que diz respeito ao seu trabalho?
CB: Como já disse, para mim é muito difícil esperar, e eu não canalizo isto assim, em primeiro lugar tenho que organizar ideias e meditar verdadeiramente no que vejo. É provável que venha aí mais um livro a caminho, o que dizer que quando escrevo é mesmo isso que faço. Tenho que me isolar, ir ao computador diariamente e é tudo o que consigo fazer. Por isso não o faço de ânimo leve, quando escrevo é com toda a seriedade e um compromisso de, pelo menos, uns dois anos. É provável que haja mais um livro a caminho, sobre como nos afectam as memórias de vidas passadas, desde o nascimento à fase adulta, e tratará das memórias de crianças nos padrões que aparecem na meninice resultantes provavelmente de vidas anteriores e que nos vão afectando sistematicamente até à fase adulta. Utilizarei alguns exemplos da terapia regressiva que faço a adultos.

JDE: Pois, faz terapia de regressão a adultos. E continuará a pesquisar?...
CB: Sim, seguramente. É isso que eu faço. É como diz o meu marido, ninguém me iria contratar, sou “não contratável” pois não consigo ter qualquer outro emprego que não este. (risos)

JDE: Podemos falar de outros como Edith Fiore, Ian Stevenson…
CB: Bem, eu faço algo diferente, penso que alcanço uma audiência diferente, um grupo muito sofisticado, pois os espíritas são muito educados, estudam o espiritismo, a reencarnação.

JDE: Mas somos pessoas simples.
CB: Sim, em algumas coisas, mas são sofisticados e compreendem estes assuntos.
Sinto que nasci nos Estados Unidos provavelmente por apresentar este conteúdo enquanto mãe a quem aconteceu tal situação e com quem as pessoas se podem identificar, e não como sendo uma filosofia de vida, mas sim algo observável. Se os nossos filhos nos dizem isto, então é porque estão a ter memórias, memórias de vidas passadas.

JDE: Todas as crianças têm sonhos e recordações de vidas passadas?
CB: Sim. Então eu acho que estando nos Estados Unidos consigo chegar a muitas pessoas pois é internacional. Se uma pessoa ou criança que esteja a passar por este fenómeno aceder a esta informação, através da internet, poderá identificar o que se passa com ela e obter ajuda, a confirmação de que não há nada de mal com ela, são memórias de vidas passadas. É isso que se faz, conversar e compreender que é real, perceber que é uma experiência verdadeira. É muito simples.  

(Entrevista a Carol Bowman, concedida a José Lucas, no 6º Congresso Espírita Mundial, em Valência, Espanha, 2010)

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Raul Teixeira: Chico Xavier não foi Kardec


JL - O Dr. Raul Teixeira é físico, é doutorado na área da Educação, foi Professor da Universidade Federal Fluminense, de Niterói, Rio de Janeiro. Ainda é, ou já está reformado?
Dr. Raul Teixeira - Estou reformado há dois anos.


JL – Sei que orienta «O Remanso Fraterno», que é uma instituição que apoia crianças.
RT – Sou um dos directores, sim. Crianças socialmente carentes e as famílias dessas crianças. Fazemos um trabalho de escolarização das crianças. Elas entram às 7H30 da manhã, saem às 17H00, nós temos transporte, para ir buscá-las e devolvê-las aos mesmos lugares. Os pais vão deixá-las e vão buscá-las aos mesmos lugares.

JL – Porque é que se meteu com uma trabalheira dessas, quando podia levar uma vida tão boa como professor universitário?
RT – O que ocorre é que eu sou um professor universitário espírita, e sempre, desde jovem, fazendo palestras espíritas e pregando a fraternidade e a caridade como bandeira. E os bons espíritos entenderam que era importante que o meu falar tivesse o respaldo da minha prática. A minha prática de vida pessoal era uma prática já vivida por mim, ainda que com esforços, mas a minha prática social precisava de ser desenvolvida. Então em 1978 reuni um grupo de companheiros, começámos a atender numa das favelas da minha cidade. Durante 2 anos atendemos ali, fundámos, em função disso, a sociedade espírita, logo o nosso trabalho social começou antes da fundação do Centro Espírita da Sociedade Vida Fraternidade. Depois dessa sociedade fundada nós não pudemos mais manter os trabalhos sociais na mesma favela, porque ela foi urbanizada pelo Governo e não nos permitiram mais qualquer espaço físico e como nós tínhamos o trabalho de reforço escolar, de aulas de costura com as mães, etc., precisávamos de espaço físico. Daí saímos para adquirir um terreno de 50 mil m2 onde instalámos há 22 anos o «Remanso Fraterno» e dessa maneira o Remanso vem sendo o braço social da sociedade espírita Fraternidade, embora a sociedade tenha nascido a partir desse trabalho social na favela.

JL – O Raul seguiu um chamamento, uma opção interior, ou foram os espíritos que lhe propuseram essa tarefa?
RT- Não, eu não tive nenhum desejo pessoal de começar alguma coisa, de fazer alguma coisa. Desde criança fui chamado pelo mundo dos espíritos. Até onde a minha memória alcança, tinha dois anos e meio de idade quando comecei a registar os espíritos e digo até onde a minha memória alcança porque comecei a registar os espíritos atravessando as paredes, descendo o tecto, conversando com a minha mãe, a minha mãe ainda era encarnada e era médium, vidente, audiente, médium de efeitos físicos. Eu nasci num lar de médiuns, eles não eram espíritas, eram médiuns, a minha mãe e a minha irmã mais velha, até que eu perguntava à minha mãe, muito criancinha, o que era aquilo que eu estava vendo, quem eram aquelas pessoas que atravessavam paredes e ela dizia-me naturalmente, para acatar a minha mentalidade infantil, que eram os nossos irmãos de luz e eu fiquei com essa frase na minha cabeça.
A minha mãe desencarnou quando eu tinha apenas 4 anos de idade, logo, as memórias que eu tenho dela foram até essa data e depois disso envolvi-me com trabalhos da igreja católica, o meu pai colocou-me junto à igreja católica porque naquela época as famílias, mesmo que tivessem mediunidade, que fossem médiuns, todo o mundo se dizia católico, porque não se conhecia na nossa região nenhum centro espírita. Onde eu vivia não havia centro espírita e depois dos meus 17 anos, continuando aqueles registos é que eu pude conhecer o Espiritismo. Conversando com um amigo meu de infância que há muito não via a respeito das coisas que eu sentia, dos registos, a minha conversa com o sacerdote e ele sempre me orientava para ler a Bíblia e aos 14 anos para 15 eu tinha lido a Bíblia cinco vezes de ponta a ponta e ele me dizia que o que eu via era o Satanás e eu dizia-lhe que via a minha mãe e ele dizia que era o Satanás que se fazia passar por minha mãe e eu dizia que eles me davam bons conselhos e ele afirmava-me que o Satanás também dá bons conselhos e então foi-me criando uma confusão na cabeça. Então se Deus dá bons conselhos e Satanás também, é difícil a gente optar com quem fica. Conversando com esse amigo, José Luís Vilaça, ele disse-me que frequentava um grupo de jovens espíritas e que se eu quisesse ir lá visitar, ele me levaria. E de facto, eu fui, atendendo ao seu convite, conhecer um grupo de jovens espíritas e desde 1967 eu conheci esse grupo de jovens ao qual me vinculei porque eu, que eu tinha uma suposição bastante equivocada a respeito do que fosse o Espiritismo e um grupo de jovens espíritas para mim parecia-me uma coisa muito surreal, acabei por me encantar porque achei jovens da minha faixa de idade alegres, joviais, estudando, conversando, cantando e com muita seriedade e toda uma mensagem que eu vim a saber que era a doutrina espírita. Estudei, li avidamente os livros da codificação espírita, os livros que me caíram na mão. O primeiro livro que eu li, antes de estudar Kardec, foi o livro de Leon Denis, «O Problema do Ser, do Destino e da Dor» que me causou viva impressão, uma paixão imensa até hoje e só depois de Leon Denis é que eu comecei a estudar os livros de Allan Kardec. Recebi outro impacto muito forte ao perceber que as ideias de Allan Kardec eram exactamente as coisas que eu pensava e que eu não imaginava que estivesse aquilo devidamente escrito, codificado, organizado. E nesse primeiro dia que conheci um centro espírita na actual encarnação, por ser muito tímido, eu vi a aula daquele dia muito bem ministrada pela professora, até que ela me perguntou, para me tirar com certeza do silêncio, o que é que eu sabia sobre o tema tratado. Naquela tarde estudava-se sobre a 1ª. Revelação de Deus ao Ocidente, falava sobre Moisés e quando eu ouvia falar de Moisés a minha alma fervia, porque eu tinha lido a Bíblia 5 vezes, eu tinha tudo de Moisés na cabeça, até que ela me perguntou o que é que eu sabia sobre Moisés. Nesse momento tive uma sensação muito estranha porque a língua pareceu-me crescida dentro da boca, o peito cresceu-me e eu falei durante vinte minutos sem respirar, sem parar, sem pôr vírgulas, sem pontos, sem nada. Falei num estado de semi-transe, sem raciocinar o que eu falava. Falei 20 minutos e quando parei de falar ela me anunciou, e à classe, que não tinha mais aula para dar, porque eu tinha falado tudo o que ela programara para a aula da tarde. E ficámos a conversar sobre o que eu tinha falado. Pela 1ª vez que entrei num centro espírita realizei a minha 1ª palestra e nunca mais parei.

JL – Até hoje...
RT – Até hoje. E com isso já se vão 44 anos e tenho essa felicidade de ter conhecido o Espiritismo através do Espiritismo. Não conheci o Espiritismo através de médiuns de mediunidade famosa, eu não me cerquei dessas coisas, eu apaixonei-me pelo Espiritismo, pela ideia, pela proposta, pela mensagem. E daí até hoje tenho muita dificuldade em admitir que um movimento espírita possa enraizar-se quando ele nasce em redor de  médiuns e de  mediunidade, porque na medida em que os médiuns falham, em que os médiuns se equivocam, uma vez que são seres humanos, tudo o que foi criado em cima deles desaba junto.

JL – Claro.
RT – Quando você torna-se espírita em torno da doutrina espírita, quem quiser pode cair, quem quiser pode levantar-se, você está com o espiritismo. Essa tem sido a minha felicidade até hoje de ter começado pelo espiritismo e ter tido muita resistência por aceitar a mediunidade em mim, resisti muito e quem me ajudou sobremodo nessa minha fase inicial do espiritismo para que eu aceitasse a mediunidade, admitisse a mediunidade, foi Divaldo Franco. Devo-lhe os diálogos pacientíssimos comigo, devo-lhe as orientações que me deu nesse capítulo, as oportunidades que ele me deu de exercitar a minha mediunidade no grupo espírita, no centro espírita Caminho da Redenção, nas suas reuniões mediúnicas a convite dele. Tive essa segurança de saber que qualquer deslize, qualquer coisa, ele me orientaria e me falaria. Foi só depois dessas orientações de Divaldo Franco que eu tive coragem de me apresentar como médium publicamente. Eu trabalhava a mediunidade num centro espírita.

JL - Eu não sabia que  tinha frequentado o Centro do Divaldo.
RT – Não, eu não frequentei, mas cada vez que eu ia a Salvador ele colocava-me nas reuniões e dava-me muito apoio e, vendo-me muito jovem e inexperiente, certamente ele se apiedava da minha ingenuidade e deu-me muito respaldo. Devo-lhe essa segurança mediúnica que tenho hoje, graças a Deus. Então foi assim que eu comecei na tarefa espírita. Conheci Divaldo Franco 3 anos depois de me ter tornado espírita e 4 anos depois conheci Chico Xavier e dessa maneira fui desenvolvendo o meu início espírita em muito boas bases, porque fui observando Divaldo Franco, fui observando Chico Xavier, D. Ivone Pereira tornou-se uma grande amiga minha, eu frequentava a sua casa e falávamos pelo telefone e as minhas dúvidas em relação à minha vida como espírita, eu conversava com essas criaturas e tive a oportunidade de ter um entrosamento com Deolindo Amorim, no Rio de Janeiro, que se me tornou um grande amigo, um excelente conselheiro, ele e a sua esposa. Eu tive uma formação da qual não me posso queixar. Se eu cometer algum deslize, se cometer algum desatino no trabalho espírita, isso deve-se à minha irresponsabilidade, não à falta da orientação, da formação que eu tive. Graças a Deus tenho procurado manter-me nessas bases, procurando o Espiritismo segundo a codificação espírita num tempo de muitos modismos, num tempo em que muita gente quer colocar os seus pontos e as suas vírgulas na codificação, numa época em que muita gente já quer «consertar» a codificação espírita, que ainda nem é conhecida. Neste mundo de muitos novidadeiros, felizmente tenho-me procurado manter na pauta da fidelidade ao conhecimento espírita, ampliando, desenvolvendo, discutindo, hoje com os meus companheiros da Sociedade Espírita Fraternidade a respeito da verdade que a doutrina espírita traz e da capacidade que ela tem de nos fazer entender a nós próprios, o nosso momento histórico, o nosso estado psicológico, psico-espiritual, de tal modo que nós saibamos viver neste mundo, sem que nos deixemos arrojar por este mundo, no chão das frustrações. Sabemos das dificuldades de viver num planeta como o nosso, o momento que estamos vivendo de muita necessidade e muito cuidado, de muita vigilância e isso tudo vai-nos levar a procurar ser pessoas inseridas no seu tempo com os pés fincados no chão da realidade mas com os olhos voltados para as estrelas.

Chico Xavier não foi Kardec, 
ele próprio me disse

JL - O Raul Teixeira é solteiro?
RT – Sou solteiro, sou.

JL – O Raul conduz automóveis?
RT – Sim, eu dirijo já há 20 anos. Durante muito tempo relutei mas hoje eu dirijo.

JL – E quem compra a sua roupa, é você ou tem alguém?
RT – Sou eu mesmo, eu não tenho secretário, não tenho empregados, tenho um faxineiro quinzenal.

JL – É o Raul que vai comprar esta camisa, aquelas calças?
RT – Sou eu é que compro, as minhas compras de casa, que pago as minhas contas, eu sou um homem normal, um homem no mundo, sou eu que vou ao Banco, pago as minhas contas, faço as minhas reservas de viagens, faço a minha agenda de viagens, não tenho secretários, conduzo a minha vida, regulo-a da mesma forma que toda a gente.

JL - Qual é a sua bebida alcoólica preferida, se é que bebe álcool?
RT – A minha bebida alcoólica preferida é H2O sem gás.

JL – Que tipo de música gosta mais?
RT – Olhe, eu gosto de todos os tipos de música desde que ela se enquadre bem nos momentos. Sendo brasileiro, gosto muito de samba, dos ritmos que nasceram do « afro» e no Brasil temos sambas muito bonitos, mas eu gosto de música clássica, gosto de bossa nova, do rock and roll, não do rock barulhento, do rock bate-estaca, isso não faz a minha cabeça porque eu não gosto de barulho, gosto de um rock balada, um rock romântico, e isso faz-me muito bem. Eu sou da geração da década de 1950/60, então  aprendi a gostar dessas músicas que eram a música típica da minha época.

JL – Raul Teixeira, qual é a sua comida preferida?
RT – Eu não tenho um prato preferido, eu gosto de comidas caseiras, eu gosto de coisas simples. Sou de uma família muito simples e aprendi a gostar de coisas simples, eu sou um homem do feijão com arroz, do legumezinho guisado e não tenho muitas exigências alimentares.

JL – Não sei se fuma ou não.
RT – Não, nunca fumei.

JL – Que tipo de filmes é que gosta?
RT – Gosto muito de filmes épicos, gosto muito de filmes históricos e encantam-me muito os filmes donde saímos levando uma mensagem, levando uma aprendizagem. Eu não gosto de filmes de melodrama. Não gosto nada que as pessoas saiam a chorar, não tenho um temperamento de muito chorar, sou de um temperamento de pensar e a minha formação académica ajuda-me muito nisso, porque nós vemos às vezes, no meio espírita, o povo que se acostuma muito a chorar e pensa pouco, e eu gostaria que o povo pensasse mais e chorasse menos. Estudando física ou matemática choramos de emoção quando vemos uma grande descoberta, a aplicação de um grande invento em prol da humanidade, o cientista também se comove. Mas não é esse choro barato de quem, por qualquer coisa chora, porque isso demonstra um desequilíbrio emocional.

JL – Existe algum planeamento no sentido de levar os cientistas a descobrir Deus, a descobrir o espírito, a curto prazo, ou será a médio ou longo prazo, ao longo deste milénio?
RT – Vejamos. Eu aprendi com os bons espíritos que as leis de Deus funcionam sempre rigorosamente. Do mesmo modo que ninguém fez planos de trazer à Terra o Espiritismo e no momento certo ele chegou, a despeito do que pensassem os outros, não existe nenhum trabalho nosso, no sentido de levar os cientistas a aceitar o Espírito, o Espiritismo, isso era uma pretensão muito grande, como se nós tivéssemos uma argumentação capaz de convencer o cientista. Então acredito que os cientistas, realizando o trabalho honesto que eles vêm realizando, não têm outra saída senão encontrar Deus. Como já vem acontecendo com muitos deles, individualmente.

JL – Estava a referir-me especificamente a eles descobrirem, por exemplo, a essência do perispírito, a vibração.
RT – Gradativamente eles estão chegando lá. Na área da Física, nós temos a área das micro-partículas e os físicos cada vez que mergulham nas micro-partículas descobrem partículas ainda menores. Estamos a encaminhar-nos para o campo das energias puras e ao chegarmos ao campo das energias puras não haverá saída para a admissão de um mundo de energias puras, chame-lhe a ciência como lhe chamar, nós chamamos-lhe mundo normal primitivo, ou mundo dos espíritos. Os cientistas já se dão conta há muitos anos que há possibilidade (a ciência tem esse cuidado), de haver vida noutros mundos, noutros planetas, já estão a instalar antenas de captação de sinais de rádio para essa tentativa de registar alguma coisa cósmica. De maneira que os cientistas dotados desse amor pela humanidade, de querer descobrir coisas novas, de inventar coisas novas, eles certamente são bem inspirados pelos guias que guiam o nosso planeta. Não precisamos, nós os espíritas de ter nenhuma ansiedade, vamos cumprindo o nosso trabalho. Enquanto nós estivermos com qualquer pensamento de convencer o cientista, ou a quem quer que seja, estaremos deixando de lado a nossa vivência espírita, que é mais fundamental. De modo que cada um vai ter a sua época de chegar, do mesmo modo que nós demorámos o tempo x, y, z para chegar e aceitar o espiritismo, ainda que, nas proporções que o fazemos, chegará o dia em que cada cientista, cada filósofo, cada pensador, cada materialista, cada ateu vai encontrar seu caminho de Damasco.

JL – Também usa telemóvel?
RT – Ah, sim, uso telemóvel, insiro-me no progresso possível aos meus tempos.

JL – Dentro do conhecimento que tem, viu o filme «O Nosso Lar». Aquilo está próximo da realidade, retrata mais ou menos a realidade no mundo espiritual?
RT
– Tendo em vista que o filme foi orientado e teve a participação de muitos espíritas que opinaram, os factos ali mostrados estão muito próximos da realidade. Naturalmente que o mundo espiritual é muito mais intenso, muito mais rico, as cenas que nós registamos do mundo espiritual umbralino, das regiões de sofrimento, são muito mais intensas do que se pode fazer num filme. Até porque, no mundo dos espíritos, na medida em que os espíritos vão pensando nos seus tormentos, esses tormentos vão-se expressando como se fossem "materialmente", e naturalmente isso o filme não podia mostrar e cada coisa que eles pensam aparece em volta deles e tudo isso. Mas está muito próximo da realidade. Eu lamento que sempre que assistimos a um filme desse teor, não tenhamos a oportunidade de fazer um debate em torno dele, para que extraiamos do filme o que a massa do público não consegue extrair. Nós vemos mas não entendemos, ninguém sabe porque é que aquilo foi posto no filme.


JL – Mas  Raul, como físico que é, o André Luiz ditou isto na década de 40.
RT – Na década de 30.

JL – Já lá vão 80 anos. Quer dizer que nesta altura já está desactualizado? O mundo espiritual já deve ter evoluído?
RT – Não, não, a Terra é que evoluiu para chegar ao que o mundo espiritual era há 80 anos...

JL – O mundo espiritual não evolui tecnologicamente?
RT – Sim, mas acontece que esses conhecimentos que o mundo espiritual tem hoje, nós só vamos obter daqui a muito tempo, porque estamos hoje a materializar o que no mundo espiritual já era facto corriqueiro há muito tempo. Nós não temos esse imediatismo, nós não conseguimos captar imediatamente o que o mundo espiritual já produz. Eu recordo-me que há quase 40 anos, vivi um desdobramento espiritual, em que fui levado por entidades benfeitoras a penetrar um antro de espíritos obsessores que planeavam obsidiar um grupo de criaturas terrestres; fui usado como uma isco para que eles ao verem-me, corressem atrás de mim e pudessem manifestar-se nas reuniões mediúnicas, como aconteceu. O facto é que, ao entrar numa das salas daquele contraforte, à beira do mar, vi uma série de televisõezinhas sobre as mesas, nas quais passavam os nomes das pessoas com as respectivas imagens. Não se falava de microcomputador ainda no Brasil, aquilo já era um microcomputador, quando eu narrei aos meus companheiros as televisõezinhas diferentes, que marcavam o nome das pessoas. E depois, quando eu vi o primeiro microcomputador da minha vida, reparei que era isso que eu tinha visto no desdobramento. Então o mundo dos espíritos tem coisas que nós ainda nem sonhamos ter na Terra, porque precisam que aqueles espíritos reencarnem ou inspirem os indivíduos que estão na área da pesquisa tecnológica, para que eles então comecem a trazer para cá. Há muitos anos tive oportunidade de ver, no mundo dos espíritos, uma exposição de livros destinados a crianças, livros infantis, livros espíritas infantis onde as imagens saltavam das páginas. Nós estamos longe ainda disso e no mundo espiritual isso já é corriqueiro. Não é facto que, na hora em que o mundo espiritual apresenta um desenvolvimento, a Terra já o assimile imediatamente. Porque, aquele indivíduo que preparou aquilo, que aprendeu aquilo no Além, tem de reencarnar, chegar à idade da razão, entrar na idade da pesquisa, e só então, com a dificuldade limite do planeta, ele consegue exteriorizar aquilo. De modo que o mundo espiritual está sempre muito à frente de nós, e nós, com a nossa mentalidade muito conservadora, ainda demoramos a assimilar as coisas novas do Além.

JL – Porque é que há tanto mistério em torno de Allan Kardec? Nas «Obras Póstumas», que não faz parte da codificação, diz que ele voltaria para completar a sua obra. Uns dizem que o Allan Kardec poderia ter sido o Chico, outros dizem que podia ser o Divaldo Franco porque tem todo o perfil de educador, a obra, outros dizem que podia ser o Raul, outros dizem que ele estará no mundo espiritual, se está porque é que ele não se comunica, se ele se comunica, se  usa pseudónimos ou não usa, porquê tanto mistério quando as coisas são tão simples?
RT – Existem nessas suas abordagens algumas questões equivocadas. Há muitos anos, Chico Xavier disse-me, pessoalmente, numa conversa que tivémos em Uberaba, que a mensagem mais autêntica de Allan Kardec que ele tinha lido, tinha sido recebida pela médium brasileira D. Zilda Gama, professora, que se achava num livro chamado «Diário dos Invisíveis». Eu procurei esse livro, que está esgotado, encontrei-o e estava lá a mensagem de Allan Kardec. Depois disso, nós tivemos uma mensagem de Allan Kardec recebida por vários médiuns na França, no Brasil. Como é que nós podemos dizer que o Chico Xavier é Allan Kardec se ele dizia que a D. Zilda Gama recebera a mais autêntica mensagem? Se enquanto Chico estava encarnado outros médiuns receberam mensagens de Allan Kardec? O «Reformador» publicou essas mensagens. Então, não é que nós queiramos fazer complexidade, é que as pessoas ficam tirando proveito da ignorância alheia. Quanto menos o povo sabe, eu posso dizer as minhas tolices. Agora as pessoas dizem isso, alegam que era por ele ser humilde; então ele enganou-me, porque podia ser humilde e não dizer nada. Mas se ele me disse aquela mensagem, ele era merecedor de crédito, eu não podia duvidar do que falava. Se ele diz a outras pessoas a mesma coisa, ele não podia estar a fingir, senão eu perco o crédito que eu dava à mediunidade de Chico Xavier e ao homem que ele era. De modo que não existe confusão, existem exploradores. O Chico estando desencarnado, toda a gente fala dele o que bem entende, o que bem deseja, e ele não está aí para defender-se, de modo que nós, os espíritas é que temos de ter bom-senso, e bom-senso e água fluidificada não nos fazem mal jamais. Eu não posso acreditar em tudo o que dizem, eu tenho que ver aquilo que tem senso, que tem nexo, e se Allan Kardec estivesse aqui reencarnado, qual seria a vantagem disso para nós? O nosso problema é viver o Espiritismo e não Allan Kardec. Porque também já dizem que Jesus Cristo está aqui reencarnado, e no Brasil há um que diz ser Jesus Cristo.

JL – Tem algum tipo de  informação de que Kardec estará ainda no mundo espiritual?
RT – Para mim, ele está no mundo espiritual.

(Entrevista concedida pelo Dr. José Raul Teixeira ao Jornal de Espiritismo, da ADEP, Portugal, aquando do 6º Congresso Espírita Mundial, Valência, Espanha, Outubro 2010)
Transcrito do áudio por Conceição Venâncio. Fotografia de Jorge Gomes, 1996.

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Divaldo - questões diferentes - 2ª parte

DIVALDO – O HOMEM

ADEP/JDE - Como é o seu dia-a-dia no Brasil?
Divaldo – Quando me encontro na Mansão do Caminho, levanto-me às 07 horas da manhã para o pequeno-almoço, às 08 horas dou início às actividades habituais para atender à nossa comunidade. Mais ou menos às 10 horas, dedico-me à correspondência, tanto por e-mail como convencional. Após o almoço deito-me por aproximadamente 15 minutos, após o que volto ao trabalho, nesse momento com a comunidade. Seis vezes por semana temos reuniões espíritas em nosso Centro: quatro doutrinárias e duas mediúnicas. Quando retorno ao lar, após as reuniões, dedico-me à psicografia, uma média de duas, três horas, até às 03 ou 04 da manhã, a depender do trabalho que está sendo executado pelos Espíritos.

ADEP/JDE – E quando está no estrangeiro, como é o vosso dia-a-dia?
Divaldo – Obedecendo a uma programação antes estabelecida, evito fazer qualquer tipo de visita, de modo a poder atender os compromissos em clima de alegria e de bem-estar. Não realizo turismo em absoluto, e, terminadas as palestras, mesmo estando em hotel, prossigo no labor psicográfico, de acordo com as diretrizes estabelecidas pela benfeitora espiritual Joanna de Ângelis, que sempre convida algum amigo espiritual para escrever.

ADEP/JDE – Olhe, isto é uma pergunta muito primitiva, como é viver sozinho? Não sente a falta de uma esposa, de um filho? Foi um hábito? É uma missão? Foi uma opção?
Divaldo – Naturalmente, à medida que as actividades multiplicaram-se, ao largo dos anos, eu fui sendo absorvido de tal forma que não me dei conta dessas ocorrências, tais como solidão, angústia, ansiedades, faltas ou desconforto... Os fenómenos sociais, as actividades abraçadas foram-me conduzindo de um lugar para o outro e, como tenho muita vida interior, consegui manter o equilíbrio interno, preservando em paz. Naturalmente, se houvesse encontrado uma esposa companheira teria sido, talvez, mais fácil para a própria tarefa, mas por outro lado, Deus mandou-me tantos corações afetuosos voluntários para acompanhar-me em nossa casa, que passamos a ter uma vida em família, normalmente uma média de vinte pessoas na casa da administração e na comunidade uma média de quatrocentos cooperadores... além dos funcionários remunerados, quase trezentos.

ADEP/JDE – Os Espíritos atrapalham muito a sua vida? Por exemplo, sei lá, andar por exemplo em casa, nos seus afazeres, aparecerem-lhe assim Espíritos de repente, ou não?
Divaldo – Aparecem-me, sim, os Espíritos, a todo momento. Como sou possuidor de uma espécie de segunda vista, consigo alcançar ocorrências fora do mundo convencional. A princípio assustava-me, porém com o tempo acostumei-me tanto que já não me inquieto. É como alguém que está na rua e retornando ao lar, se é interrogado: «Quem é que você viu na rua hoje? – Ninguém – é a resposta natural.». Mas, de facto, a pessoa viu muita gente, somente que não se deteve na observação. Quando se trata, porém, de um Espírito conhecido, quase sempre se estabelece um breve diálogo. Os Espíritos inferiores, às vezes, tentam criar-me problemas no entorno, lançar pessoas desprevenidas contra mim, criar situações embaraçosas que, de alguma forma, eu consigo administrar bem.

ADEP/JDE – O Divaldo vê os Espíritos apenas quando se concentra, quando quer, ou só quando eles lhe aparecem?
Divaldo – É um fenómeno quase normal. É como estarmos vendo aqui na sala cadeiras e móveis, sem que nos chamem a atenção, como resultado do hábito, da mesma forma adquiri uma espécie de técnica, que seria uma forma de ver sem enxergar, exceto quando há algum interesse de minha parte, ocorrendo uma fixação mais demorada e complexa em relação aos desencarnados que se me apresentam.

ADEP/JDE – O Divaldo também sofre de problemas obsessivos?
Divaldo – Penso, que não. No começo da mediunidade convivi com uma Entidade amiga que afirmava odiar-me e buscava perturbar-me, o que se prolongou por um longo período, tornando-se, por fim, com o meu esforço de transformação moral e espiritual para melhor um grande amigo, e hoje praticamente um benfeitor. Está preparando-se para reencarnar. Mas alguns adversários da Causa espírita, em decorrência do meu passado, muitas vezes procuram afigir-me, projetando-me pensamentos perturbadores, criando-me situações mais difíceis no relacionamento social, na internet, mas, graças a Deus, eu não lhes atribuo qualquer importância, compreendendo que isso é natural em relação a todas as pessoas que se dedicam ao Bem.

ADEP/JDE – O Divaldo tem consciência se alguma vez foi mistificado, se isso aconteceu?
Divaldo – Logo no começo, a benfeitora Joanna d’Ângelis na área da psicografia, depois de reunir muitas mensagens sugeriu-me que as destruísse, porque todas eram treinamento e muitas procediam de Entidades de vários níveis evolutivos. Publiquei raríssimas por ela consideradas credoras de divulgação. A partir de 1964, ela selecionou diversas que lhe pareceram próprias e reuniu-as no livro intitulado “Messe de Amor”, iniciando uma fase nova. Algumas Entidades que se faziam passar como letradas, foram discretamente sendo recusadas, embora contribuíssem para o treinamento mediúnico, dando lugar à presença de Espíritos generosos e amigos.
Sob o aspecto doutrinário, é bem provável que haja ocorrido alguma mistificação de que não me dei conta, considerando-se as minhas próprias imperfeições.

ADEP/JDE – Mas isso é propriamente uma mistificação?
Divaldo – Em verdade, não, porque eu podia identificar aqueles que eram levianos através dos fluidos de que se faziam portadores. Mesmo quando escreviam com beleza, faltava-lhes o conteúdo moral e espiritual relevante. Todo médium percebe, através de cuidadosa observação, quando está sendo mistificado, porque os desencarnados podem fingir mas não modificar as qualidades dos fluidos de que são portadores...

ADEP/JDE – Mas no seu dia-a-dia nunca se apercebeu assim de alguma mistificação, ou a sua experiência já lhe permite dar…
Divaldo – Às vezes, os comunicantes dão informações que eu sei que não correspondem à realidade, facultando-me manter muito cuidado quando estou diante de alguém necessitado, que me pede auxílio, de modo a filtrar as mensagens e somente transmitir aquelas que o podem ajudar. Quando as pessoas vêm ter comigo, às vezes estão acompanhadas, e esses Espíritos dão-me notícias que não correspondem à verdade. Como já os conheço, não as transmito. Somente quando se trata de um Espírito confiável, em particular sob a supervisão de Joanna de Ângelis que, normalmente está comigo, dentro do seu esquema de compromissos espirituais, é que me faculto liberar as informações.

ADEP/JDE – O Divaldo é endeusado por muita gente. Como é que lida com isso? Como é que reage?
Divaldo – É uma coisa desagradável, porque as pessoas elaboram uma imagem que não corresponde à realidade, e em algumas ocasiões querem obrigar-me a vestir esse uniforme, que aparenta um indivíduo fora da realidade. Felizmente, pela minha forma de ser, eu me posso permitir uma vida autêntica e desmistifico essas imagens irreais, decorrentes da ingenuidade ou da ignorância doutrinária dos menos atentos. Graças a Deus não tenho necessidade de holofotes, sou pessoa simples, jovial e sempre me encontro de bom humor, sem aparências de autoridade ou de alguém irretocável. Sou uma pessoa com problemas, com necessidades evolutivas... Bem sei que as mãos que aplaudem são as mesmas que apedrejam, assim como os lábios que beijam também mordem... Na condição de divulgador do Espiritismo, procuro diminuir-me para que a Mensagem se engrandeça...

ADEP/JDE – Outra pergunta assim mais terra a terra, O Divaldo tem carro, conduz?
Divaldo – Não, não aprendi a conduzir, porque à época da mediunidade muito estuante eu via acidentes, pessoas a atirarem-se à frente do carro em que eu me encontrava, assim como de outros veículos, o que me produzia muita angústia. Então, Nilson que sempre dirigia, nunca me ensinou, e confesso que não me faz falta. (risos).

ADEP/JDE – Divaldo, bebe vinho? Vinho do Porto, de vez em quando um whisky, ou não?
Divaldo – Não, whisky nunca! E vinho do Porto, sim, especialmente quando venho a Portugal. Uma vez experimentei-o, gostei do seu sabor adocicado, mas por incrível que pareça, me ataca o fígado. Dá-me indisposição, porque é muito forte, o que eu considero um bom mecanismo de defesa, e mesmo que seja tentado pelo gosto, não vou adiante.

ADEP/JDE – Come carne?
Divaldo – Sim, não preferencialmente.Viajando muito e quase sem cessar, não me posso permitir o luxo de manter determinadas dietas constrangedoras àqueles que me hospedam. Imagine chegar-se a numa residência, e os anfitriões tiveram a gentileza de preparar uma alimentação com base carnívora e dizermos que seguimos outro regime... Além de descortesia é também exibicionismo. Desse modo, não tenho preconceito com nada, sempre aberto à aprendizagem em tudo...

ADEP/JDE – Quem é que lhe compra a sua roupa, o seu calçado?
Divaldo – Sou eu próprio.

ADEP/JDE – Vai às compras, como os outros?
Divaldo – Sim, mas raramente, porque o “Irmão Tempo” de que disponho é muito escasso. Mas há uma coisa curiosa…

ADEP/JDE – Isto é um à parte, estou a perguntar isto que é para passar aquela imagem do homem normal, não é?
Divaldo – Mas periodicamente, mesmo sem o desejar ou insinuar, alguns poucos amigos me presenteiam. Tenho procurado manter o pudor de não explorar as pessoas amigas, aproveitando-me da sua amizade. Muitos médiuns dizem que não cobram nada, mas aceitam presentes de alto preço, o que eu denomino como “a indústria dos presentes”. Recebem jóias, roupas de griffe, sapatos de alto luxo, e isto não é compatível com o bom tom doutrinário. Algumas vezes, quando pessoas estranhas me trazem esses mimos, eu lhes solicito: «Por favor, me desculpe, mas eu não posso receber», e essa atitude causa choques, desagrados... É claro que temos amigos e afetos que nos homenageiam com sua bondade, o que é diferente. Porém, pessoas sem nenhum vínculo emocional, invariavelmente levam esses descuidados á prática da simonia. Conheço exemplos de alguns confrades que exigem viagens em vôos de primeira classe, hospedagem em hotéis 5 estrelas... Confesso que, comigo, isso não ocorre. Deus me permitiu trabalhar trinta e cinco anos, aposentar-me, dispor de salário que não é muito alto, mas é digno, facultando-me manter a existência dentro dos padrões que me caracterizam. Resido na Mansão do Caminho, dou uma quota como contribuição para o bem geral, para não viver da caridade, embora eu me dedique vinte e quatro horas à sua assistência, e ainda disponho de algumas moedas que me permitem auxiliar o meu próximo quando necessário...

ADEP/JDE – Tem momentos de tristeza na sua vida?
Divaldo – Sim, certo dia a benfeitora Joanna de Ângelis me esclareceu: Uma pessoa normal entristece-se vez que outra. A pessoa que não tem a emoção da tristeza, está em trânsito para a esquizofrenia, alienando-se. Tenho, porém, muito cuidado para que a tristeza não se transforme em melancolia, tentando estabelecer morada nos meus sentimentos. Como tenho uma vida mental muito activa, e na Mansão do Caminho é tudo muito variável, quando se me acerca a núvem da tristeza, do desencanto resultante de alguma decepção, procuro uma outra alternativa para superar e, felizmente, libero-me da situação.

ADEP/JDE – O homem Divaldo tem dúvidas existenciais?
Divaldo – Supreendo-me com as dúvidas que pairam em muitas pessoas e, que felizmente não me ocorrem. Como procedo da religião católica, e tive a fé natural, transferi-me para o Espiritismo, que é portador da fé racional com tranquilidade e sem conflitos de qualquer natureza, mantendo segurança doutrinária e certeza, sem a presença de inquietações. Realmente, não tenho dúvidas existenciais.

ADEP/JDE – Existem pessoas que não gostam de si, obviamente.
Divaldo – Lógico. Confesso que as compreendo...

ADEP/JDE – Como é que se apercebe? Pela aura? Há uma projecção de dardos mentais? Como é que se protege?
Divaldo – Muitas vezes, nas palestras, eu capto as reações de antipatia de uma ou mais pessoas, a vibração negativa, e procuro não as focalizar, evitando perturbar-me, sintonizar com a onda dissonante. No dia-a-dia eu noto as animosidades pela maneira como sou tratado. Às vezes, a pessoa é formal comigo, e nada obstante eu sinto a onda de inimizade, permitindo-me não devolver o sentimento e facultando-me o esforço para demonstrar à pessoa, o que sou, não me deixando, porém, impressionar. Eu lamento a ocorrência, e concluo que a mesma se dá porque não me conhecendo o indivíduo projeta a autoimagem de que não gosta... Desse modo, não me intranquilizo. Afirma-me a benfeitora espiritual Joanna d’Ângelis, que ninguém se encontra no mundo sem inimigos, mas que isso não tem importância. O importante, isto sim, é não ser inimigo de ninguém.

ADEP/JDE - Que livro é que anda a ler agora?
Divaldo – No momento eu ando a ler vários livros, porque as pessoas muito gentilmente mos oferecem, alguns deles excelentes, e como o tempo não me permite uma leitura mais tranquila e contínua, eu estou lendo três, quatro…Estive lendo recentemente um admirável, da Dr.ª Elizabete Lukas. Ela foi discípula de Viktor Frankl, que propôs a Logoterapia, a terapia do sentido existencial.
Chama-se “Histórias que Curam”. Ao invés de fazer a terapia convencional, ela conta factos ao paciente e estimula-o a encontrar um sentido para a sua vida...

ADEP/JDE – Como é que se chama essa doutora, Elizabete Lucas? Só pode ser boa pessoa! (risos)
Divaldo – Mas é Lukas com “K”!...(risos)

ADEP/JDE – Qual é o seu programa de televisão favorito? Se é que tem um.
Divaldo – Não, não tenho nenhum. Normalmente, quando eu estou muito cansado assisto o Discovery, mas é pela madrugada, ou às vezes Animal Planet porque eu gosto muito de ver os nossos irmãos... A alma se enriquece de sabedoria, acompanhando-lhes a trajetória e as sábias disposições da Vida que os mantêm, os seus fenômenos sociológicos, a cadeia alimentar, etc.

ADEP/JDE – O Divaldo psicografa quando os Espíritos lhe aparecem e dizem: «-Olha, ó Divaldo, agora vamos escrever», ou têm um horário próprio e eles depois esperam?
Divaldo – Em face das viagens, a mentora Joanna de Ângelis informa-me que irá convidar algum amigo espiritual da cidade ou da sua equipe com o objetivo de escrever algo sobre o tema que foi abordado na conferência, ou algo especial... Quando, porém, se trata de romances de Victor Hugo, Manoel Philomeno de Miranda e outros, eles propoem-me, com muita antecedência, que não assuma compromissos fora de Salvador, e então escrevem por 14 a 16 horas, num período de 18 a 25 dias, com os intervalos necessários, a obra que desejam divulgar.

ADEP/JDE – E aguenta?
Divaldo – Aguento, sim. É muito interessante, Lucas, porque eu fico dentro da esfera psíquica do comunicante, tendo a mente enriquecida pelas imagens que eles me projetam, como se eu fosse ao teatro ou ao cinema e descortinasse paisagens desconhecidas, informações felicitadoras. Esse fenômeno é fascinante porque me envolve, mantendo-me numa psicosfera muito especial.

ADEP/JDE – E então não fica desgastado?
Divaldo – Não, porque, em razão de entrar em transe profundo, quando desperto, apesar de algum cansaço físico, pouco tempo de sono fisiologico me faze recuperar o bem-estar. Normalmente durmo pouco, e algum tempo é-me suficiente para a recuperação.

ADEP/JDE – Usa telemóvel?
Divaldo – Não. Quando estou em viagem, utilizo-me de um aparelho, que me foi oferecido por um amigo português, somente para comunicar-me com a Mansão do Caminho ou para alguma outra urgência, e o faço apenas nos momentos de necessidade. Por incrível que pareça, ainda não memorizei o número do telemóvel. (Risos)

ADEP/JDE – Vou-lhe fazer uma pergunta, que se calhar é redundante, é redundante não, é despropositada. Olhe, qual é o seu pior vício como ser humano, se é que tem algum?
Divaldo – Ah, eu acho que é comer. Eu adoro comer (risos). Como durmo pouco, raramente faço passeios, exercícios físicos, a alimentação muito me atrai, mas sou comedido e supero a tentação de comer um pouco mais, especialmente durante as viagens, pois receio qualquer problema digestivo, desse modo, cuido de dar-me atenção.

ADEP/JDE – E a sua maior virtude?
Divaldo – A maior virtude…se assim a posso chamar é o prazer de servir, de ser útil, porque aprendi com a benfeitora Joanna que me informou oportunamente: Aquele que não aprendeu a servir ainda não aprendeu a viver e noutra oportunidade, há muitos anos, ensinou-me: Nunca deixes ninguém afastar-se de ti sem que leve qualquer coisa boa que tenhas, e, quando não tenhas nada para oferecer-lhe emite uma onda mental generosa, um sorriso, um bom pensamento. Oferta algo de ti mesmo, não deixando que ninguém se afaste de ti sem que leve uma contribuição feliz, por menor que seja... porque as pessoas vêm ter comigo, e saem magoadas quando querem uma resposta que não é compatível com a verdade, em relação aos seus problemas, e nem sempre me é lícito concordar com tudo, porque seria falta de coerência doutrinária. Assim sendo, eu procuro dar respostas suaves mas verdadeiras, e por fim sorrio, peço desculpas, seguindo adiante.

ADEP/JDE – Quem é que foi o Divaldo Franco numa vida anterior? Lembra-se de alguma vida anterior ou foi-lhe relatado algum personagem que queira partilhar connosco?
Divaldo – Eu tenho alguns flashes, algumas lembranças, de existências passadas. Quando fui a Paris pela primeira vez, em 1967, tive uma (re)vivência muito característica, identificando-me com determinado sacerdote católico que criou uma ordem religiosa por volta de 1625, durante o período do cardeal Richelieu... Eu estive no monastério naquela ocasião, mantive contacto com a abadessa, que foi muito simpática e estabelecemos um contato episolar até a sua desencarnação em Bruxelas, alguns anos depois. Dessa existência tenho lembranças muito claras, assim como de outra existência na qual exerci a mediunidade...

ADEP/JDE – Era Daniel Dunglas Home?
Divaldo – Não posso afirmar nem negar, para ser leal com a nossa amizade.

ADEP/JDE – É que uma altura recebi um mail que alguém me disse que teria sido o médium Daniel D. Home.
Divaldo – É, eu também recebi esse mail na internet, mas eu, para ser honesto, não o posso confirmar.

ADEP/JDE – Já esteve com Chico Xavier, no lado de cá ou no lado de lá?
Divaldo – Mais de uma vez.

ADEP/JDE – Como foi o encontro?
Divaldo – Muito confortador. Chico Xavier sempre foi na Terra um Espírito nobre e gentil. Acima de tudo, bondoso. Nosso encontro deu-se fora do meu corpo físico, no estado de espírito, porque assim que ele desencarnou eu psicografei uma mensagem de Joanna de Ângelis, dizendo que ele foi recebido por Jesus. A página foi publicada pela Revista Reformador. Naquela semana eu tive um encontro psíquico com ele mas nunca o divulguei, evitando interferência em algumas mensagens que têm sido publicadas, e a ele atribuída a autoria...

Entrevista concedida ao Jornal de Espiritismo (ADEP) em Portugal, em 5 Outubro 2009.

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Divaldo - questões diferentes - 1ª parte


A DOUTRINA ESPÍRITA



ADEP/JDE – Como é que se deve dar o auto-passe, por exemplo, se eu estou necessitado, estou obsidiado, ou perturbado, se eu vou dar o auto-passe eu não me vou auto-perturbar na mesma?
Divaldo – Não, porque vai criar a condição necessária mediante a oração. Para você poder aplicar-se o auto-passe, irá concentrar-se, orar, e enquanto realiza esse mister desvincula-se do psiquismo negativo e, nesse momento revigora-se. As suas energias, como numa auto-hemoterapia, irão auxiliá-lo no refazimento. No meu caso, porque estou sempre junto a muitas pessoas, quando me sinto indisposto, recorro a esse maravilhoso expediente autoterapêutico. Noutras ocasiões, solicito a Nilson que me aplique a bioenergia, quando nos encontramos juntos, ocorrendo com ele o mesmo, o que nos ajuda a manter o equilíbrio e o bem-estar.

ADEP/JDE – (…) é no sentido dos ponteiros do relógio ou ao contrário?
Divaldo – No sentido dos ponteiros do relógico. Após o que eu denominaria, embora com imprecisão, como sendo uma limpesa psíquica, concentro-me nos plexo coronário e cardíaco, logo conseguindo a recuperação anelada.

ADEP/JDE – Olhe Divaldo, se os espíritas são a minoria porque é que sofrem tanto o assédio dos Espíritos inferiores?
Divaldo – Porque aqueles Espíritos inimigos foram nossas vítimas, e vendo hoje o nosso esforço para melhorarmos moralmente, agridem-nos a fim de manter-nos na retaguarda onde se encontram. Um número expressivo de espíritas, é constituído de cristãos que falimos e que gerámos situações embaraçosas, infelicitando muitas vidas, de forma que essas vítimas tornaram-se nossos adversários e não nos desculpam o mal que lhes fizemos.

ADEP/JDE – Então não é pela grandeza, vá lá, da Doutrina Espírita mas sim por uma perseguição pessoal?
Divaldo – Exactamente. Porque eles vêm para a cobrança e sabem que o Espiritismo representa tudo de libertador, e que, se nos afeiçoarmos à doutrina, servindo-a com abnegação eles nos perdem, entregando-se, desse modo ao infeliz tentame de prejudicar-nos.

ADEP/JDE – Com o avanço tecnológico destes últimos cem anos é esperado que a tecnologia no Além pelo menos esteja igual, ou superior, não é? Se assim for, podemos dizer que as obsessões deixaram de ser pessoais, isto é, o obsessor andar atrás de outro e passar a haver obsessões electrónicas?
Divaldo – Eles usam muitas técnicas e utilizam de recursos que antes não conhecíamos, portanto, não sabendo precatar-nos. Desse modo, já os utilizavam, só que os ignorávamos, porque nos faltavam esclarecimentos próprios. Muitos casos, por exemplo, de auto-obsessão decorrem de chips colocados no cérebro perispiritual, , resultando na hipnose por uma voz monótona, repetitiva, levando o indivíduo a certos estados psicopatológicos com o tempo; outras vezes, eles utilisam a ressonância magnética. Ao invés de ficarem ao lado, enviam ondas mentais sucessivas. As mesmas vêm em nossa direção e se encontram resistência não nos afetam, mas isso raramente ocorre. Com o tempo, porém, a sua insistência como que vai gastando o campo defensivo até sermos alcançados, passando a sentir-lhes as idéias infelizes, assim estabelecendo-se o vínculo que abre espaço ao intercâmbio doentio.

ADEP/JDE – E como é que os trabalhadores espíritas se podem preparar para combater essas obsessões, esses trabalhos? É só confiar na equipe espiritual?
Divaldo – Não. Têm que fazer o esforço de deter-se numa auto-análise a respeito da própria conduta. Encontramos essa diretriz na resposta que os Mentores deram à questão de n° 919, conforme exarada em O Livro dos Espíritos, lutando, sem cessar para superar as más inclinações e fazer todo o bem possível. Se, por exemplo, me dou conta de que estou muito interessado numa coisa que não me é normal e que me pode trazer danos, eu reflexiono que essa ocorrência pode ser uma inspiração negativa. Então eu procuro diluí-la, substituindo esse tipo de pensamento por um outro edificante. Os cuidados com a mente, as palavras e os atos devem ser constantes.

ADEP/JDE – Vigilância.
Divaldo – Vigilância, sim, sem cessar.

ADEP/JDE – Uma pergunta, Divaldo, Infante D. Henrique é o guia de Portugal, não é? Porque é que ele se chama Helil?
Divaldo – Eu tenho a impressão que o nome procede de uma tradição do mundo espiritual, na condição de membro dos primeiros colaboradores de Jesus na construção das sociedades terrestres, sendo uma designação muito especial, e que não foi física, a ele dada, talvez, pelos Espíritos nobres.

ADEP/JDE – E o Infante D. Henrique não reencarnou desde que foi Infante D. Henrique?
Divaldo – Acredito que não. Ele veio com a missão especial de alargar os horizontes do mundo e de desenhar para Portugal a missão do país dos navegantes mais notáveis de todos os tempos...

ADEP/JDE – Então era um Espírito muito evoluído.
Divaldo – Sem qualquer dúvida, sim.

ADEP/JDE – A Rainha Santa Isabel, desde que foi rainha também não voltou a encarnar?
Divaldo – Segundo a informação que tenho do mundo espiritual, não, porque ela atingiu um estado de completude. A sua vida foi tão notável, que não deixou débitos morais para futuros resgates. As emoções nobilitantes foram-lhe tão superiores que ela não precisou mais de retornar. Espíritos desse nível podem retornar nestes ou nos dias do futuro, no período de regeneração, para promover a sociedade de maneira mais rápida, digamos que num salto quântico.

ADEP/JDE – Ela é o guia do movimento espírita?
Divaldo – Acredito que sim, mas não apenas do movimento espírita...

ADEP/JDE – Lá na organização do mundo espiritual cada país tem um guia? São subordinados de quem? É tipo presidente da república e cada cidade tem um governador?
Divaldo – Seria mais um conselho de administradores dos povos. Cada um deles estaria vinculado a um povo sob a presidência de Jesus, como numa grande empresa, em que Jesus é o presidente e os outros são chefes de departamentos...

ADEP/JDE – Os Apóstolos estão reencarnados na Terra ou estão “santificados”?
Divaldo – Os Apóstolos continuam trabalhando. Daquilo que sabemos, Judas teve a sua última reencarnação como Joana d’Arc, João Evangelista como Francisco d’Assis. De alguns outros não temos informações confiáveis, porém eles continuam no Colégio Apostólico trabalhando pela construção do mundo novo sob a égide de Jesus.

ADEP/JDE – 2012 é um ano mágico? Segundo as tradições Maias e outras, parece que vão acontecer muitas coisas, terramotos, tsunamis.
Divaldo – Eu confesso que não acredito. Porque é provável que os Maias hajam parado o seu calendário por qualquer circunstância que nos escapa. A humanidade gosta muito de tragédias, de fenómenos físicos dolorosos, de apocalipses e desgraças. Os Espíritos nobres afirmam que essas profecias não podem ter data fixa, porque dependem muito do livre-arbítrio da sociedade. Se nós prosseguirmos em determinadas circunstâncias acontecerão tais ou quais ocorrências, mas se mudarmos para melhor acontecerão outras. Então, o ano 2012 talvez esteja dentro desse cômputo das transformações naturais lentas, porque em todas as épocas temos tido maremotos, tisunamis e outros fenômenos sísmicos tão graves quanto esses que ora se encontram anunciados.

ADEP/JDE – A ciência vai descobrir o Espírito?
Divaldo – Já o descobriu em diversas ocasiões através de diversos cientistas, que optaram porém, em dar-lhe outra denominação. Por exemplo, o dr. Firsoff, inglês, declarou: «O espírito, para mim, é um ser de interacção universal, semelhante à electricidade e à gravidade, que pensa.» Utilizando-se da palavra inglesa Mind, afirmou que o mesmo é constituído de mindons, de corpúsculos. Portanto, um astrofísicodessa talha fazer tal afirmação, é a constatação da descobverta do Espírito. O dr. Rupert Scheldrak, que é um notável biólogo, autor dos campos "morfogenéticos", muito criticado na época (o que não lhe tira o valor de pesquisador honesto e respeitado por outros), quando apresentou a sua tese, também conseguiu constatar que existe no universo uma força oculta. .De igual maneira, diversos outros estudiosos lograram encontrar o Espírito.

ADEP/JDE – A transcomunicação instrumental praticamente não evoluiu desde os anos sessenta. Quer dizer, há assim uns factos, mas vá lá, não há uma coisa mais aprofundada. Isto deve-se a quê? À falta de condições ético-morais da humanidade ou estão à espera de novas oportunidades?
Divaldo – Não, eu acredito que não. Se bem observarmos, o fenómeno espírita veio até à TCI, só que usando os instrumentos da época: a mesinha, a ardósia, a cesta de vime. Com o advento dos gravadores, da televisão, acreditou-se que se poderia mais facilmente detectar essa realidade nessa área, assim como na virtual. Mas os passos até então conseguidos não foram muito expressivos. Que eu saiba hoje são poucos os grupos que estão trabalhando em TCI com os resultados desejáveis, salvadas algumas nobres exceções.

ADEP/JDE – Divaldo, há tempos, se não me falha a memória, o Divaldo tinha apontado que por volta mais ou menos de 2050 poderia iniciar-se a época da Regeneração…
Divaldo – Sim, é verdade. Nessa época já estaremos em um período avançado na condição de mundo de regeneração. Penso, que esse, é também o conceito defendido pelo Espírito Emmanuel através de Francisco Cândido Xavier.

ADEP/JDE – A grande maioria da população não é espiritualista, ou se o é, é boca para fora, não é? A guerra, compadrio, tráfico de armas, tráfico de pessoas, tráfico de drogas, será a sensação que está tudo num caos. Falta tão pouco tempo, os espíritas são tão pouquinhos, não vivem um bocado à margem da realidade? Será que Deus tem outros planos mais assertivos para mudar?
Divaldo – Acredito que sim. Tenho certeza que as reencarnações, conforme vem ocorrendo, serão massivas e o número de Espíritos nobres que se reencarnarão é muito grande. Teremos uma espécie de Renascença da beleza, do amor e da verdade...

ADEP/JDE – Nessa altura, não é?
Divaldo – Nessa altura, sim, nesses anos próximos. A partir de 2025 a 2050 teremos o momento da grande transição e, como os Espíritos maus, segundo as tradições, não encontrarão campo vibratório para reencarnar na Terra, irão para planos inferiores. Haverá uma mudança em breve, graças às gerações que formarão a Era Nova.

ADEP/JDE – A Igreja Católica vai acabar?
Divaldo – Não acredito. Como organização acredito que se adaptará aos novos métodos como vem acontecendo através da História.

ADEP/JDE – Emmanuel estará com nove anos, segundo dizem. Ele vai ser espírita? Tem uma missão fora do Espiritismo?
Divaldo – Confesso que, a esse respeito, tenho poucas ou quase nenhumas informações que mereçam confiança. A considerar-se como verdadeiras, acredito que o nobre Espírito desempenhará um papel de alta relevância na sociedade do porvir.

ADEP/JDE - A Joanna d’Ângelis segundo lhe disse vai reencarnar por volta de 2015. Vai ser no Brasil?
Divaldo – Na oportunidade em que abordou o tema, ela não estabeleceu uma data, informando-me que estava sendo programada para renascer no Brasil. Esclareceu que, terminada a tarefa que desenhou para realizar orientando-me, logo que ocorra a minha desencarnação, ela estará de retorno...

ADEP/JDE – Ela disse que vinha ser espírita?
Divaldo – Ela foi religiosa católica, nas próximas anteriores reencarnações, no entanto, nos últimos duzentos anos no Além estudou muito o Espiritismo, fez parte da equipe de o Consolador, e pretende vir na condição de espírita.

ADEP/JDE – (risos). Olhe, não sente um friozinho na barriga por ela estar voltando e você ter de partir primeiro?
Divaldo – Não, pelo contrário, sinto-me jubiloso, porque ela constatará como é difícil a existência na Terra... (risos)

ADEP/JDE – Tem conhecimento de outros Espíritos nobres que estejam voltando, para além dela?
Divaldo – Os Espíritos amigos me esclarecem que várias Entidades superiores que estiveram na Terra nos períodos passados estão preparando-se para retornar, quais estrelas do Céu que cairão sobre o planeta, para fazerem a grande mudança para mundo de regeneração, adoptando o comportamento espírita.

ADEP/JDE – Quem é que o vai substituir na condição de “Paulo de Tarso” da actualidade ? Raul Teixeira?
Divaldo – José Raul Teixeira é um grande trabalhador, um verdadeiro missionário da seara espírita. Eu acredito, porém, que cada um de nós tem um tipo de tarefa. Desse modo, cada qual encerra o seu ciclo de atividades e a Divindade envia novos trabalhadores bem equipados para darem prosseguimento à construção do Bem.

ADEP/JDE – O que é que os Espíritos lhe dizem sobre a cura do cancro, do sida, do Alzheimer? Estão aí com a genética?
Divaldo – Informam-me que, por enquanto, essas doenças ainda são uma necessidade para o nosso processo de autoiluminação.

ADEP/JDE – Porque é que as pessoas têm ansiedade sem a querer ter, e sem ter razões para isso?
Divaldo – Muitas dessas aflições procedem de existências pretéritas que se impõem como necessidade de libertação. Desse modo, a culpa, ínsita no inconsciente do indivíduo, produz-lhe reacções emocionais, que impulsionam aos distúrbios de ansiedade, assim como de outras denominações.

ADEP/JDE – Quem foi Maria, Mãe de Jesus? Ela voltou a encarnar?
Divaldo – A Mãe de Jesus é um Espírito de alta estirpe, que foi elegida para recebê-lO na Terra. Não acredito que ela haja retornado ao proscênio terrestre, reencarnando-se.

ADEP/JDE – Ela é endeusada pelas religiões ou é mesmo um Espírito muito evoluído?
Divaldo – O endeusamento é fruto da ignorância, das superstições das massas. Nada obstante, trata-se de um Espírito muito elevado. Eu estive na Turquia, na casa onde ela teria vivido os seus últimos dias, e confesso que foi um dos ambientes psíquicos mais agradáveis que eu já vivenciei. Oportunamente, eu visitei a Gruta da Natividade, o local do Calvário, a Cave de Lázaro, conforme asseveram as tradições, mas em nenhum desses recintos eu experimentei as emoções dulçurosas que senti naquele recanto de paz...Aquela região impressionou-me profundamente, como se permanecesse impregnada pelos fluidos dos antigos tempos... Para ser elegida como a mãe de Jesus não podia ser um Espírito qualquer, e que veio nessa missão única, não mais tendo retornado em corpo físico.

ADEP/JDE – E o Pai de Jesus?
Divaldo – Também foi um homem extraordinário, isso eu sei. E o tenho em alto conceito, em razão da sua renúncia e humildade, apagando-se, quanto possível, como enunciou João Baptista: «É necessário que eu diminua para que Ele cresça».

ADEP/JDE – Mas também terá deixado de reencarnar na Terra?
Divaldo – Penso, que sim.

ADEP/JDE – As notícias veiculadas nos meios de comunicação (eu não sabia disto) informam que, na América, já se faz uma operação que consiste numa pequena rede num cabo perto da axila, debaixo da pele, isto sobre a depressão. Depois uma nova incisão no cérebro onde é colocado um arame que irá provocar um estímulo eléctrico ao nervo vago. Mediante este tratamento a depressão desaparece. A questão é a seguinte: como é que se pode analisar à luz da Doutrina Espírita se está ligada a processos obsessivos ou a espíritos?
Divaldo – Caso isso seja verdade, porque eu também desconheço a técnica, ocorre que, no problema cármico a pessoa já merece a libertação do transtorno, conforme sucede com tantas outras enfermidades. Todavia, se o paciente ainda não possua créditos morais para a libertação, o processo terapêutico poderá produzir estímulos para a produção da serotonina, da noradrenalina, o que ajudará na melhora da depressão, mas não, penso, na conquista da saúde integral. Passará a apresentar outros distúrbios de conduta, outros tipos de problemáticas afligentes, porque, para as Divinas Leis não importa como a pessoa resgate os seus débitos, mas que os resgate.

ADEP/JDE – Duas últimas: Barack Obama é um enviado de Deus?
Divaldo – Eu diria que ele veio numa grande missão para resgatar o seu povo que se encontrava equivocado, politicamente, acreditando-se senhores do mundo, como ocorrera no passado com os romanos... Tornou-se necessário que viesse um Espírito sereno e não belicoso para colocar certos limites e favorecer com a humildade de reconhecer os limites a que todos estamos submetidos.

ADEP/JDE – Está no nosso carma passarmos por uma guerra mundial, com tanto armamento militar?
Divaldo – Por incrível que pareça, o excesso de armas inibe a guerra, porque todos têm medo de iniciá-la, face aos danosos resultados que podem advir.. O Professor Pietro Ubaldi disse-me, faz muitos anos, quando estivemos juntos, que uma 3ª guerra mundial não seria factível, porque o vencedor tombaria sobre o vencido. As armas de destruição em massa seriam de tal forma desastrosas, que os ventos contaminariam toda a Terra, e ninguém seria vencedor... Desse modo, pessoalmente não creio numa 3ª guerra mundial, mas acredito que muitas dessas armas, quando superadas, são utilizadas em movimentos destrutivos locais, guerrilhas, terrorismo, agressividade...

ADEP/JDE – Uma última mensagem?
Divaldo – Está na hora de todos nos abraçarmos e construirmos uma socidade saudável, caracteriza pelo ideal que dignifique a presença do homem novo, do cristão autêntico; que esqueçamos mágoas e ressentimentos e nos recordemos que o amor é a única solução, conforme recomendaram Allan Kardec e Jesus.
Deveremos, nós, os espíritas, olhar o futuro com otimismo e trabalharmos para que o bem e a verdade sejam os sinais defluentes do amor na edificação da felicidade humana.


Entrevista concedida ao Jornal de Espiritismo (ADEP), em Portugal, 05/10/2009.