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Palestrantes ou comerciantes...?



Um Centro Espírita deve ser um amplo espaço cultural, onde se estuda, pratica e divulga a Doutrina dos Espíritos. Numa perspectiva de fraternidade, essa actividade deve ter como objectivo o auxílio mútuo desinteressado, procurando vivenciar a caridade dos sentimentos fraternos, a caridade do estudo, da prática espírita, e dos bens materiais junto dos necessitados.

Felizmente em Portugal, actualmente existem mais de 100 centros espíritas, num movimento muito dinâmico de crescimento, não só de espaços físicos, mas também de crescimento interior e doutrinário.
Felizmente, desde sempre, Portugal contou com alguns conferencistas espíritas brasileiros que fizeram a diferença (Divaldo Franco, Raul Teixeira, Heloísa Pires,…) e que muito contribuíram para o crescimento do Espiritismo em Portugal, bem como para a sua credibilidade pública.
O movimento espírita em Portugal, amarfanhado pelo regime Salazarista, começou a sair das cinzas da opressão ditatorial, após o 25 de Abril de 1974.
Divaldo Franco, Raul Teixeira e mais um ou outro conferencista brasileiro de qualidade, começaram a visitar Portugal, em missão de divulgação e com objectivos doutrinários.
O Portugal espírita começava a dar cartas, e os outrora jovens começaram a aparecer.
Para além de múltiplos centros espíritas que iam desabrochando, palestrantes espíritas portugueses iam aparecendo, havendo inclusive, intercâmbio de palestrantes entre centros espíritas, o que ainda hoje acontece.
Portugal espírita aparentemente foi amadurecendo e, hoje, aparentemente mais maduro, começa a aparecer um fenómeno inquietante.
Alguns espíritas brasileiros encontraram em Portugal um verdadeiro filão de ouro, fazendo lembrar a febre do ouro nas Américas.
Palestrantes brasileiros aparecem quase em doses industriais, ora em passeio, ora com objectivos de ordem pessoal, ora ainda com outros objectivos difusos, mas sempre com algo em comum: vêm a Portugal e regressam com muito dinheiro ao Brasil, vendendo livros de qualidade duvidosa e / ou muito duvidosa, entre outras vendas, sempre lucrativas.
A justificação é sempre a mesma: é para ajudar a nossa obra social!!!
Palestrantes brasileiros vêm a Portugal 2 e 3 vezes por ano (!!!), outros tentam projectar os filhos, como se falar de espiritismo fosse um estatuto passado de pais para filhos.

O comércio de todo o tipo de artefactos (livros, quadros, CD’s, etc…)
parece ter tomado o lugar da simplicidade do Espiritismo, de uma conversa amiga, de um debate doutrinário sereno, sem qualquer objectivo pessoal
de qualquer tipo, conforme nos ensina Allan Kardec na codificação espírita.

Supostamente vêm divulgar o espiritismo a Portugal, como se Portugal não tivesse palestrantes mais que preparados para tal desiderato.
Outros atrevem-se mesmo em público, como aconteceu numa TV portuguesa, a dizerem que vêm espiritizar os portugueses.
Basta que o palestrante tenha um “Dr.” antes do nome, ou seja médico, para ter as portas abertas dos centros espíritas portugueses que, sem espírito crítico nenhum, aceitam qualquer palestrante, sem cogitar da sua moral, qualidade doutrinária, e se é uma mais-valia ou não.
Outros vêm oferecer uma pomadinha com nomes do médium Francisco Cândido Xavier ou do Vôvô Pedro, prática esta que nada tem a ver com o Espiritismo na sua essência, para além de se usurpar o nome do médium mineiro, que tantos exemplos de humildade deixou à Humanidade.
O slogan parece ter virado moda: “É brasileiro? Então é bom…” quando a realidade mostra o contrário.
O comércio de todo o tipo de artefactos (livros, quadros, CD’s, etc…) parece ter tomado o lugar da simplicidade do Espiritismo, de uma conversa amiga, de um debate doutrinário sereno, sem qualquer objectivo pessoal de qualquer tipo, conforme nos ensina Allan Kardec na codificação espírita.
É claro que tudo isto acontece por invigilância e boa-vontade exagerada, sem o crivo da razão, de muitos dirigentes espíritas portugueses, que ainda não se aperceberam que uma palestra espírita é de suma importância, e que devem ser os mesmos dirigentes a organizar a sua associação espírita.
Se o intercâmbio de palestrantes, esporádico, escolhendo a dedo, pessoas de boa índole e que tragam uma mais-valia é desejável e saudável, já o tentar a todo o custo arranjar um palestrante que nos livre desse “trabalho” semanal, a fim de ficarmos mais livres, é um mau serviço que estamos a prestar à Doutrina dos Espíritos.
Um assunto para meditarmos, sem qualquer tipo de xenofobia, pois como português sinto e amo o povo brasileiro tanto como o povo onde nasci, nesta reencarnação.
Temos um tesouro nas mãos (a Doutrina Espírita) e estamos a vendê-la ao desbarato…
Assim não!...

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25 DE ABRIL, IMPRENSA, ESPIRITISMO E DEUS



 25 de Abril de 1974. Há 44 anos, alguns Capitães das Forças Armadas devolveram a liberdade ao povo português, derrubando a ditadura que vinha do tempo de Salazar. 44 anos depois, nós, seres sociais, confundimos liberdade com libertinagem, os valores perderam valor e, ainda não houve 25 de Abril para o movimento espírita português.

Neste dia (25 de Abril) em que se comemora a revolução dos cravos, 44 anos depois, o Estado Português ainda não devolveu os bens da Federação Espírita Portuguesa (FEP), a sua sede, o antigo Teatro Laura Alves, edifícios, contas na CGD, etc, confiscados e entregues à Casa Pia pelo Estado Novo.
A Maçonaria viu ser-lhe feita justiça, outros movimentos impopulares para a ditadura viram a restituição dos seus haveres e direitos, mas, aos espíritas não foi feita justiça, e o Estado, apesar de uma acção interposta nesse sentido, não reconheceu a actual FEP como sendo a continuidade da anterior, clandestinizada!!!
Graças a Deus, hoje em dia não é assim, pensam muitas pessoas! Ledo engano!
44 anos depois, os espíritas continuam a ser perseguidos, mais ou menos discretamente, continuam a ser preteridos pelas suas convicções existenciais, e a ser discriminados socialmente pelos “media”.

Vejamos um caso simples…
Caldas da Rainha, Portugal.
Terra de espíritas desde 1920 / 30, onde existiam 2 centros espíritas.
Actualmente tem 3 centros espíritas.
Há 14 anos que um dos grupos espíritas organiza um evento internacional, anual (as Jornadas de Cultura Espírita do Oeste), que traz até Caldas da Rainha pesquisadores, cientistas, médicos, professores, etc., para analisarem as dificuldades sociais, sem proselitismo, em busca de novos horizontes pessoais e sociais.
Há 14 anos que a organização envia convites e “press releases” para os “media” ao nível local, regional e nacional.
Há 14 anos que estes eventos de grande nível cultural, NUNCA tiveram a visita de um órgão de comunicação social local, regional, nacional…
Provavelmente porque não houve escândalos, não se matou ninguém, não se roubou.

Estimular a paz, contribuir para uma sociedade melhor,
apresentar evidências científicas da imortalidade do Espírito,
auxiliar desinteressada e gratuitamente o próximo,
para os “media” portugueses… não é notícia!!!

A Doutrina Espírita (ou Espiritismo) não é mais uma religião ou seita, e nada tem a ver com bruxarias, magias, superstições.
É uma doutrina filosófica de consequências morais.
É ciência de observação, filosofia e moral.
É o maior preservativo contra o suicídio.
Defende a Vida, a igualdade de direitos, e apresenta um código moral que aponta para uma simbiose entre as leis dos Homens e as Leis de Deus, universais e imortais, as leis naturais (leia-se “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec).

25 de Abril de 1974.
Dia da liberdade… foi muito bom para os espíritas, pois outrora eram mais perseguidos do que actualmente. Hoje, possuem o direito de associação, como os demais, o que já configura um avanço social…
Mas a verdadeira liberdade vai mais longe, e é por essa que o Espiritismo pugna.
Allan Kardec questiona os Espíritos superiores na questão 795 de “O Livro dos Espíritos”: 

“Qual a causa da instabilidade das leis Humanas?
R – Nos tempos de barbárie são os mais fortes que fazem as leis, e fazem-nas em seu favor. Há necessidade de modificá-las à medida que os Homens vão compreendendo melhor a justiça. As leis humanas são mais estáveis à medida que se aproximam da verdadeira justiça, quer dizer, à medida que são feitas para todos e se identificam com a lei natural.”

Os espíritas pugnam pela justiça, liberdade de expressão, igualdade de direitos e deveres, quer pessoais quer sociais, e vai continuar a ser esse parceiro social, ora discreto, ora mais interventivo, por uma sociedade plural, mais justa, fraterna e pacificada.
O Espiritismo tem como lema “Fora da caridade não há salvação”, isto é, só sendo caridosos connosco e com os outros, ao nível dos pensamentos, dos sentimentos, das atitudes, é que o ser humano se espiritualiza mais depressa, evoluindo intelectual e moralmente mais rapidamente, e mais depressa se aproximando de Deus.


25 de Abril de 2018

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O mal-entendido...



O Homem vive em Sociedade, para que, em conjunto, evolua intelectual e moralmente (Lei de Sociedade, in O Livro dos Espíritos, Allan Kardec) nas múltiplas relações que se estabelecem durante uma existência terrena.
Frequentemente, em qualquer tipo de aglomeração social (trabalho, casa, associativismo…) encontramos pessoas que, magoadas, acabam por se afastar de outras, outrora amigas, pessoas que trabalhando lado a lado, mal se falam, sempre queixosas mutuamente, tendo em conta as “suas” razões, sempre válidas, de acordo com o ponto de vista.
A separação opera-se (no casal, na empresa, no associativismo…), como mal menor, em vista da aparente impossibilidade de relacionamento.
A vida acaba por continuar, até que o irmão Tempo se encarregue de pensar as feridas da alma que, entretanto, cicatrizam, com outros labores e entendimentos.
Essa é a causa das continuadas guerras regionais, um pouco por todo o mundo, desde que o Homem é Homem, guerras que começam no seu íntimo, alastram-se ao lar, à Sociedade, aos países, ao mundo.
Quase sempre têm os seus alicerces no egoísmo de opinião, no melindre, na mágoa estéril, nos silêncios que gritam e ferem, no mal-entendido.
As pessoas sofrem em silêncio, gritam caladas, choram sem lágrimas, muitas vezes sem que o outro saiba o que se passa, pois os dois grandes inimigos e aliados da Humanidade, já se instalaram no seu psiquismo: o “mal-entendido” e o “silêncio”.
O “mal-entendido” queixa-se, magoa-se, verga sob a dor imaginária, e o “silêncio”, cruel companheiro, amplifica o problema, impondo-se, para que a luz da amizade, da solidariedade, do entendimento, não volte a brilhar.
Quando o problema surge, a desconfiança se instala, o mal-entendido se insinua, é fundamental ter o bom senso de, fraternalmente, esclarecer o assunto com o “opositor”.
Fazendo isso, denotando grandeza moral, rapidamente se desfazem preconceitos, problemas inexistentes, aclaram-se situações, geram-se entendimentos, e as pessoas chegam a rir-se de si próprias, fruindo assim a paz de Espírito perdida temporariamente.

“Olho por olho, o mundo acabará cego”
(frase atribuída a Mohandas Gandhi)

Que seria do Homem se os órgãos do seu corpo físico se comportassem de tal maneira? Se o coração se melindrasse com o fígado e deixasse de o irrigar? Se o estômago se zangasse com os rins?
Seria o colapso, dir-me-ão…
E não é isso que estamos a fazer nas nossas relações sociais (obrigatórias ou voluntárias), abrigando na alma o melindre, a mágoa, a queixa, quase sempre sem causa justa e útil, deixando-nos vencer pela dupla terrível do mal-entendido e do silêncio?
O Espiritismo, como ciência de observação, filosofia e moral, demonstra experimentalmente a imortalidade do Espírito, apresenta-nos uma nova filosofia de vida, de modo a podermos ser mais felizes e a evoluirmos mais depressa, e assenta na moral que Jesus de Nazaré deixou à Humanidade.
Afinal, bastaria que cada um de nós, tentasse fazer ao próximo o que desejaria que lhe fizessem (se estivesse na mesma situação), que cada um abdicasse de “ter razão” para ser feliz.
Utopia, dir-me-ão alguns…
Teimosia tola, digo eu… viver em guerra (mental ou física) quando se pode viver em paz.
É tudo uma questão de opção…

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Inquisição no século XXI? (Advogada e médium)


 
A notícia está lá bem escarrapachada, no jornal “Diário de Notícias” (Portugal), do dia 28 de Fevereiro de 2018, em artigo assinado por Paula Freitas Ferreira, na versão online: “Advogada que diz falar com os mortos, quis saber se actividades eram incompatíveis”.

Depois de ter esfregado bem os olhos, várias vezes, depois de ter relido várias vezes, consciencializei-me de que estava a ler mesmo isso. O referido artigo continuava: “Uma advogada que afirma "falar com o Além" desde os 9 anos, e que é "detentora de vários cursos esotéricos e holísticos", pediu um Parecer à Ordem dos Advogados (OA), para saber se pode continuar a exercer a advocacia em simultâneo com a prática holística. O pedido, enviado para o Conselho Regional de Coimbra, recebeu resposta positiva a 11 de Janeiro”.
Esta advogada, como milhares de outras pessoas (agricultores, professores, militares, magistrados, etc…) é possuidora de um 6º sentido, de uma percepção extra-sensorial. Até aqui tudo bem, pois esta característica, este 6º sentido, é orgânico, neutro, independe das convicções de cada um, das ideologias políticas de cada um, entre outras opções.
Apesar da coragem revelada pela dita advogada, ao afirmar-se publicamente como médium, sinto um mal-estar que me faz recuar aos tempos da Santa Inquisição, onde a Igreja decidia quem ia para a fogueira ou não, quem era herege ou não.
Em pleno século XXI, uma advogada tem de pedir um parecer à sua Ordem profissional para se defender profissionalmente?
Com que direito uma Ordem profissional dá um parecer sobre as convicções espirituais, políticas, clubísticas ou outras de índole íntima de um ser humano?
É tão inverosímil esta atitude, como por exemplo a Ordem dar um parecer sobre a compatibilidade ou não do exercício da advocacia, com o falar, cheirar, tactear, ver, ouvir.
Parece estúpido, não parece?
Pois é, não só parece estúpido, como é estúpido…
Vivemos numa democracia, onde a Constituição da República Portuguesa consagra os direitos deveres e garantias dos cidadãos, no entanto no dia-a-dia os cidadãos têm de ter atitudes típicas dum Estado Islâmico?
O que se passa em Portugal?
Tive conhecimento de constrangimentos de pessoa amiga, da área da medicina, que é “perseguida, pressionada” no seu trabalho, por, além da sua profissão, na sua consciência, ser espírita.

Os espíritas continuam a ser perseguidos e discriminados
em Portugal, em pleno século XXI, a começar pelo Estado…

Tive conhecimento de um amigo, que usa um pseudónimo nas suas actividades espíritas, com receio de ser despedido de uma instituição estatal.
Tive conhecimento de um frequentador do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha, que eu frequento, que deixou de o frequentar pois o seu patrão (de uma corrente religiosa que não suporta o Espiritismo) ameaçou-o de que se continuasse a ir ao centro espírita, seria despedido.
Vivemos num país supostamente do 1º mundo, com uma mentalidade do tempo da Santa Inquisição, onde os Espíritas (para quem ainda não houve 25 de Abril de 1974, pois o Estado ainda não devolveu todos os bens confiscados no tempo da ditadura e entregues à Casa Pia), em pleno seculo XXI, têm de se expor, têm de ter mil e um cuidados no seu quotidiano, por uma questão de liberdade de consciência, de expressão, de escolha da sua espiritualidade, consignada na Constituição da República Portuguesa?
Felizmente a situação é diferente de há 2 mil anos, quando os cristãos eram atirados aos leões, nas arenas dos circos romanos.
Se não faz sentido nenhum uma advogada (ou outro profissional qualquer) pedir um parecer de compatibilidade com a sua opção de ateu, católico, budista, espírita, agnóstico, etc, menos sentido faz uma Ordem profissional dar um parecer positivo ou negativo, pois que o único parecer deveria ter sido “Não temos o poder de dar um parecer sobre questões de consciência individual”.
Já agora, se alguém souber onde se vende “bom senso”, seja em pó ou noutro estado qualquer, digam-me por favor, para enviar à Ordem dos Advogados, em Portugal…
Por falar em incompatibilidades, cada vez penso mais que as alterações climáticas no planeta Terra, estão a dar cabo da nossa moleirinha e são incompatíveis com a normalidade!!!
Valha-nos Deus…

PS – No artigo refere-se que “o culto desses conhecimentos configura uma religião - o Espiritismo".
Aqui fica a correcção: O Espiritismo não é mais uma religião, mais uma seita, mas uma doutrina filosófica de consequências morais (in “O que e o Espiritismo”, Allan Kardec).
  

José Lucas
jcmlucas@gmail.com
1 de Março de 2018

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Guerra e paz! Porquê...?



Basta olhar para um livro de História, para ver que a Humanidade sempre viveu em guerra. Basta olhar para a realidade, para ver que a Humanidade vive em estado permanente de guerra. Mas, não tem de ser assim… podemos mudar!

Olhamos para os livros de História e ficamos horrorizados com os desmandos da Humanidade ao longo dos séculos.
Como foi possível termos sido tão bárbaros, tão fanáticos, tão cruéis?
Pensamos ser passado, felizmente hoje somos mais civilizados, deduzimos…
Olhamos para o presente, para as notícias que os “mass media” nos trazem diariamente e, ficamos horrorizados. Como é possível no início do século XXI, sermos tão bárbaros, tão fanáticos, tão cruéis?
Parece que não houve evolução, apenas mudou o modus operandi: o ódio é o mesmo, o egoísmo é o mesmo, as lutas, as guerras, os fins a atingir são os mesmos.
Analisando, do ponto de vista materialista, e do ponto de vista da filosofia espírita, chegamos a conclusões diferentes.

A Filosofia Espírita (ou Espiritismo), que não é mais uma religião ou seita, mas uma doutrina, uma filosofia de vida, provou aquilo que as religiões acreditavam cegamente: a vida continua após a morte do corpo de carne, é possível comunicar com aqueles que julgamos mortos, eles voltam de além-túmulo para confirmarem a sua imortalidade, a reencarnação é uma realidade comprovada cientificamente, e existe vida fora do planeta Terra, em infinitas formas de Vida.
Ora, sendo materialista, acreditando que tudo acaba com a morte do corpo de carne, o Homem no seu egoísmo feroz, desconhecendo a sua identidade espiritual, tudo busca para si, tudo rouba, procura o seu bem-estar acima do que é preciso, numa busca doentia pelo “ter” coisas e dinheiro, que nunca vai ter tempo utilizar.  Nesse ponto de vista, faz sentido, para o Homem hedonista, matar, “ter poder” temporário, tentar dominar, enquanto for vivo…
Tola ilusão!

Depois de Allan Kardec ter comprovado cientificamente a imortalidade da alma e a comunicabilidade dos Espíritos, em 1857, vemos a Sociedade de Pesquisas Psíquicas (S.P.R.), de Londres, Reino Unido, pesquisar e mais uma vez confirmar as teses espíritas, desta vez entre 1993 e 1998, comprovando cientificamente, no seu relatório sobre os fenómenos espíritas em Scole, no nordeste de Inglaterra as mesmas teses que Kardec apresentou à Humanidade.
Depois de Allan Kardec ter matado a morte, em pleno século XX o eminente psiquiatra americano Ian Stevenson, deixou à Humanidade um legado inolvidável: cerca de 3 mil casos de reencarnação, investigados cientificamente, de crianças de todo o mundo, que se lembravam de vidas passadas, compilados em várias obras de cunho cientifico, demonstrando a realidade da reencarnação.

O Homem mata, porque desconhece que é um ser espiritual,
imortal, temporariamente num corpo físico,
e que vai colher noutra reencarnação
o que semear nesta vida.

Ian Stevenson esteve na Casa do Médico, no Porto, no Simpósio “Aquém e Além do Cérebro” organizado pela Fundação BIAL, Portugal, onde apresentou no dia 2 de Junho de 2002, na “Notícias Magazine” (revista dominical que acompanhava o “Jornal de Notícias” e o “Diário de Notícias”) os seus trabalhos, afirmando perentoriamente: “Podemos acreditar na reencarnação, com bases em provas, afirmando que a reencarnação, quando assimilada pela população mundial, terá um impacto maior do que teve a revolução industrial, na Terra.

Por que o Homem continua a matar-se, no horror da guerra?
Porque o Homem continua a matar-se, no dia-a-dia, por “valores” sem valor?
Porque o Homem insiste na estratégia do egoísmo, do ódio, do orgulho?
Acreditamos que a resposta está no facto do Homem ainda desconhecer que é um ser espiritual, que voltará a nascer vezes sem conta (neste ou naquele país, nesta ou naquela condição social, cor de pele…), que encontrará paz ou infelicidade dentro de si, de acordo com o que semear na sua vida, ao longo das reencarnações.

Por isso, é importante disseminar as ideias espíritas, demonstrá-las, não para que os outros se tornem espíritas, mas para que a sociedade tenha consciência da sua imortalidade, da lei de causa e efeito (colhe o que semeia no curto e médio prazo), da reencarnação, e assim se modifique, consciente de que mais importante do que “ter” coisas, “ter” poder temporal, é “ser” pessoa de Bem, fazendo ao próximo o que deseja para si próprio, evoluindo intelectual e espiritualmente, dentro da assertiva “nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei”.
 

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Um pouco mais...


2018 está à porta e 2017 a findar. Usualmente, as pessoas fazem análise do que ocorreu no ano transacto e, gizam projectos para o novo ano. Até aqui, tudo bem. E nós, como estamos no íntimo?

Em tempo de festas, os desejos e felicitações abundam, um pouco maquinal ou rotineiramente. É normal, vivemos em sociedade, e esta tem as suas festas adequadas à cultura de cada povo. Fazem parte da tradição e como tal da vida. Nada de mal, antes pelo contrário, todo o convívio saudável é sempre bem-vindo.
Em fim de ano civil, as empresas avaliam ganhos e prejuízos e, reorientam estratégias, no sentido de terem mais êxito no ano seguinte.
A lei de mercado assim o exige, numa competição feroz, quando o lema deveria ser a colaboração.
Sendo nós Espíritos imortais, temporariamente em corpos de carne, com um fim previsto, é estranho que valorizemos em demasia o corpo, que vai morrer um dia, e esqueçamos o Espírito que é imortal.
Parece ser um paradoxo, mas denota antes um desconhecimento da nossa filiação divina, da nossa essência espiritual.
Quanto à imortalidade do Espírito, deixou de ser mera crença das religiões, para passar a ser uma realidade científica, provada por Allan Kardec, em meados do século XIX, quando compilou a Doutrina dos Espíritos (Doutrina Espírita ou Espiritismo).
Modernamente, as experiências de quase-morte, as experiências fora do corpo, as visões no leito de morte, os casos sugestivos de reencarnação e a comunicação com o mundo espiritual através de médiuns humanos e meios electrónicos, comprovam as assertivas espíritas.
Numa sociedade ainda essencialmente materialista, a grande maioria de nós vive como se o corpo não fosse morrer, e morre como se a vida não continuasse.
Muitos de nós estamos nessa “consciência de sono”, outros estão a despertar para a espiritualidade e, outros tantos, tentam aprofundar a sua espiritualidade.
É um imperativo da evolução, uma questão de tempo.
Jesus de Nazaré, que na opinião dos bons Espíritos foi o ser mais evoluído que já esteve à face da Terra, deixou há dois mil anos um roteiro para a felicidade: “não fazer ao próximo o que não queremos para nós”, referindo como base da felicidade, o Amor ao próximo.
Dois mil anos depois, o Homem continua a apostar na estratégia gasta, derrotada e sem futuro, das guerras mentais, verbais, físicas, assentes sempre no egoísmo.

Precisamos de um pouco mais de tolerância,
de paciência, de fraternidade, de caridade
para consigo e para com os outros.

Bastaria que cada um de nós, fizesse no seu íntimo, aquilo que as empresas fazem, mudar de estratégia para vencer, mas, inexplicavelmente, o Homem continua a apostar no egoísmo, no ódio, na vingança, na intolerância, na violência, no orgulho.
Por isso o Homem não é feliz, pois em vez de ser pessoa, tenta ter coisas, para se afirmar socialmente, buscando, como que num labirinto sem saída, a felicidade nos bens materiais, na vaidade, na matéria.
A Humanidade encontra-se cansada de tanta violência, de tantas guerras em casa, na rua, entre países.
O Homem precisa de reencontrar o Norte de Deus, de entender o porquê da vida, quem é, de onde vem, para onde vai, a causa das desigualdades sociais e de oportunidades, que sob o ponto de vista espírita, se tornam claras, perceptíveis, pacificando o ser humano por dentro.
Neste novo ano que agora começa, todos precisamos de um pouco mais de tolerância, de paciência, de fraternidade, de caridade para consigo e para com os outros.
Em cada dia que começa, podemos sempre fazer um pouco mais na gentileza, nas atitudes, na maneira de falar, de sentir.
Podemos sempre entender um pouco mais, aceitar o outro como ele é, ter um pouco mais de indulgência, benevolência para com todos, aceitação.
Colocando em prática o pensamento “O meu amigo não é o que pensa como eu, mas o que pensa comigo”, as quezílias, as zangas, a violência, abrirão portas para uma nova atitude no nosso quotidiano, beneficiando-nos a nós mesmos, ao próximo e à sociedade em geral.
Afinal, basta relembrar os ensinamentos de Jesus de Nazaré, tão simples, e tentarmos um pouco mais, vezes sem conta, contabilizando as vezes que nos levantamos ao invés das vezes que caímos.  



29 Dez 2017

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O espírita na sociedade...


Qual o papel do espírita na sociedade? Aparentemente esta resposta é simples, mas, na prática afigura-se como análise incómoda para muitos e, até fruto de ideias muito diversas. Quem diria…


Quem é o espírita?
É o adepto da doutrina espírita (ou espiritismo), que é uma filosofia de vida, um conjunto de ideias, com bases experimentais e com consequências morais. Nada tem a ver com religiões, seitas, bruxarias, magias, crendices, etc.
Estudando a obra literária de Allan Kardec, vemos em “O Livro dos Espíritos”, na “Lei de Sociedade”, que vivemos na Terra, todos em conjunto, todos diferentes, com capacidades díspares, para que possamos evoluir, aprendendo uns com os outros e, treinando assim a cooperação fraterna entre todos, a caminho de um mundo melhor.
Existem espíritas que, acomodados dentro das 4 paredes do seu centro espírita, pouco ou quase nada fazem fora do mesmo.
Outros, pensam mesmo que o seu trabalho é de ajuda, oração, serviço ao próximo, mas, ali dentro do centro espírita, fora do bulício diário e das dificuldades sociais, numa espécie de retrocesso aos conventos de outrora.
Existem espíritas que pensam devermos ter um papel mais activo na sociedade, mas não nas áreas mais difíceis, mais polémicas. Essas, devemos deixar para os demais e, remetermo-nos à oração, deixar tudo nas mãos de Deus, que decerto resolverá os problemas sociais.
Ora, o espiritismo, como doutrina (conjunto de ideias) filosófica de consequências morais, que revela as leis que regem o intercâmbio entre o mundo espiritual e o mundo corpóreo, tem grande responsabilidade social.
Já imaginaram se, fruto da boa vontade de uns, da capacidade de comunicar de outros, do esforço de muitos, se conseguisse passar a ideia da imortalidade (baseada em factos), da reencarnação (baseada em factos) e, da Lei de Causa e Efeito (baseada em factos) à Humanidade?
E se esta os assimilasse?
Como o mundo mudaria rapidamente, no que concerne à parte moral…
Muitos espíritas empenham-se (e bem) em campanhas contra o aborto, a eutanásia, contra a pena de morte.
No entanto, ficam amorfos perante a corrupção social e política, ficam quietos perante situações sociais fracturantes, com receio, quiçá, de perderem adeptos ou para darem uma imagem de gente boazinha e caridosa, disfarçando assim a sua preguiça e pró-actividade social.
Este é o grande equívoco dos espíritas.
Kardec refere, e bem, que o mal se insinua, pela ausência dos bons.
O espírita, como ser social deve empenhar-se em todas as áreas da vida, sem limite de qualquer espécie, levando a todos os departamentos da sociedade a luz da doutrina espírita.

Perigosamente, vemos espíritas válidos, a demitirem-se das suas 
obrigações sociais, devido a uma abordagem doutrinária igrejeira, 
mística, amorfa, pseudo-espiritualizada, que nada 
tem a ver com a visão de Kardec.
  

Quem não desejaria que os governantes fossem espíritas honestos, os banqueiros também o fossem, o sistema financeiro, os empresários das multinacionais e por aí fora?
Certamente ficaríamos todos felizes.
No entanto, ficamos pachorrentamente, em casa ou no centro espírita, lendo, meditando, orando, e esperando que Deus faça aquilo que compete aos homens fazer: transformar a sociedade, transformando-se interiormente em primeiro lugar.
Freitas Nobre, no Brasil foi político reconhecido.
Bezerra de Menezes foi deputado (teve de fazer campanha eleitoral) e isso não o impediu de desempenhar o seu cargo com honradez.
Gandhi foi um revolucionário político, talvez o maior, depois de Jesus de Nazaré.
Talvez fosse útil reler os livros de José Herculano Pires (filósofo e escritor brasileiro, espírita), que foi, na opinião do médium Francisco Cândido Xavier, o metro que melhor mediu Kardec.
Para muitos espíritas, as actividades sociais são previamente seleccionadas, por uma espécie de novo “Vaticano”, que vai disseminando “directrizes”, em contra-ciclo com as exigências sociais, bem como os deveres naturais de qualquer cidadão e, mais ainda, de qualquer espírita.
Veja o que gosta de fazer, qual a sua tendência, e embrenhe-se bem na sociedade, levando à mesma a honestidade, autenticidade, tolerância e fraternidade que, são apanágio da filosofia e moral espíritas.
Como nos recorda o Evangelho, a fé sem obras de nada vale…

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Incêndios florestais: uma visão espírita...


80% do pinhal de Leiria, mandado plantar pelo Rei
D. Afonso III (1248-1279), foi queimado
pelos incêndios de Outubro de 2017
O Espiritismo (ou Doutrina Espírita), não é mais uma religião nem uma seita. É ciência de observação, filosofia e moral. Demonstra experimentalmente, a imortalidade do Espírito, a reencarnação e a Lei de Causa e Efeito. Uma porta aberta para um futuro social, muito melhor…  

Portugal estertora, após uma das maiores catástrofes das últimas décadas: os incêndios florestais, que mataram mais de 100 pessoas em apenas dois episódios.
A quem interessa que existam estes incêndios?
A muita gente, a grupos organizados, cada um com os seus objectivos diferenciados, todos eles radicados no egoísmo, no lucro fácil e a qualquer custo, sem qualquer noção de sociedade e de humanismo.
As leis dos homens são frágeis, parecendo muitas vezes serem mal feitas, com lacunas, propositadamente, a fim de ilibar, à posteriori, os amigos de quem faz as referidas Leis.
Os governantes, os responsáveis institucionais, a banca, os partidos políticos, perderam a noção do colectivo, da sua verdadeira essência, que é estar ao serviço de um povo, de uma nação, fortalecendo um Estado.
Os objectivos pessoais e de grupo, sobrepõem-se aos objectivos nacionais, olha-se para o futuro a curto prazo, procura-se o maior lucro no mínimo espaço de tempo, dilapida-se tudo e todos, numa destruição interior e social tão voraz como a dos incêndios que assolaram Portugal.
Allan Kardec, o compilador da Doutrina Espírita, em meados do século XIX, na sequência das inúmeras comunicações espíritas, um pouco por todo o mundo, lança os alicerces de um mundo novo, com o lançamento da monumental obra “O Livro dos Espíritos”, em 18 de Abril de 1857.
Aqui, ele questiona mais de mil vezes a espiritualidade superior e, esta responde com uma assertividade que se mantém actual, 160 anos depois.

À questão 791, “Apurar-se-á algum dia a civilização, de modo a fazer que desapareçam os males que haja produzido?” os Espíritos respondem: 
Sim, quando o moral estiver tão desenvolvido quanto a inteligência. O fruto não pode surgir antes da flor.”

Na pergunta 793, “Por que indícios se pode reconhecer uma civilização completa?” a resposta é certeira:
Reconhecê-la-eis pelo desenvolvimento moral… Até então, sereis apenas povos esclarecidos, que hão percorrido a primeira fase da civilização.”

No item 799, questiona: “De que maneira pode o Espiritismo contribuir para o progresso?”
A resposta obejctiva vem: “Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, ele faz com que os homens compreendam onde se encontram os seus verdadeiros interesses. Deixando a vida futura de estar velada pela dúvida, o homem perceberá melhor que, por meio do presente, lhe é dado preparar o seu futuro. Abolindo os prejuízos de seitas, castas e cores, ensina aos homens a grande solidariedade que os há de unir como irmãos.”

Se eles soubessem que são imortais, que a reencarnação existe, que colherão os frutos amargos dos seus actos, não ateariam os fogos.
Urge divulgar a espiritualidade e a imortalidade…

Identificadas as causas, que radicam no desconhecimento do ser humano como ser espiritual, somente com o desenvolvimento e evolução moral do Homem, a sociedade se humaniza, se fortalece na solidariedade, no trabalho, na fraternidade.
Não adianta dizer “não acredito” na imortalidade, na reencarnação, na Lei de Causalidade.
Quer queiramos quer não, a Lei Natural é irrevogável, por ser divina e, relembrando Galileu Galilei, “no entanto… somos imortais, reencarnaremos e, colheremos o fruto do que houvermos semeado no nosso íntimo, ao longo do tempo”.

Os que partiram como vítimas da incúria humana, resgataram aflições trazidas de outras reencarnações, adentrando-se agora felizes, no mundo espiritual, libertos dos problemas de consciência de outrora.
Os outros, os algozes, os responsáveis directos e / ou indirectos, terão de reparar os lamentáveis crimes, seja nesta vida, no mundo espiritual ou em dolorosas expiações, em reencarnação futura.
Recordando Jesus de Nazaré, “a cada um de acordo com as suas obras.”
Tenhamos, pois, a coragem de prosseguir servindo e amando, sem nos deixarmos enlear nos engodos imediatistas e torturantes que a sociedade actual nos oferece.
“Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei”.


17 de Outubro de 2017


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A ilusão do "Poder"...


Na obra “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita (ou Espiritismo – uma filosofia de vida, que não é mais uma religião ou seita), questiona os bons Espíritos acerca da medida da felicidade na Terra, e estes esclarecem que é possuir o necessário para viver, consciência tranquila e, fé no futuro.

Desde há 2 mil anos que Jesus de Nazaré deixou à Humanidade um roteiro de paz e felicidade: “Não fazer ao próximo o que não desejaríamos que nos fizessem”.
Pode parecer inconcebível, mas, 2 mil anos depois, o ser humano, apesar da imensa evolução tecnológica, mantém os padrões ético-morais similares de desde sempre: o egoísmo como a grande chaga da Humanidade.
Na ilusão do poder, o Homem escraviza outros homens, explora-os, engana-os.
Na ilusão do poder, o Homem cria armas nucleares, vítima do medo que transporta no imo do ser.
Na ilusão do poder, o Homem almeja conquistar território a outros países, esquecendo-se que, minutos depois, pode estar fora do corpo de carne, pelo fenómeno natural da morte física.
Na ilusão do poder, o Homem amealha para si tesouros sem fim, sem que os possa fruir, pois a vida é demasiado curta para os milhões conseguidos em negócios escuros, no agiotismo financeiro, nas bolsas, nos mercados.
Na ilusão do poder, os políticos dilapidam o suor do povo, esbanjando o dinheiro dos impostos.
Na ilusão do poder, o tráfico de droga, de pessoas, de armamento, de interesses, leva o Homem a crimes inconcebíveis, abrindo portas para dolorosas expiações em vidas futuras.
Na ilusão do poder, a China, a Rússia e outros países almejam aumentar a sua zona de influência, esquecendo-se que estamos todos na Terra sem podermos sair daqui definitivamente.
Na ilusão do poder os EUA, a maior potência nuclear e bélica do mundo, dá-se ao luxo de se auto-proclamar polícia do mundo, bombardeando aqui, invadindo acolá, para repentinamente demonstrar toda a sua impotência perante o furacão Harvey, de categoria 4, que devastou o Texas e outros locais nos EUA.

O verdadeiro poder é o poder interior, o poder do Amor,
da serenidade, do entendimento, da compreensão,
da aceitação mútua, do bem-estar interior.

A maior potência do mundo foi humilhada pelo furacão Katrina há mais de 10 anos e, a Natureza parece querer relembrar que nem o seu arsenal pode contornar a própria Natureza, que os EUA tanto têm desprezado, poluindo-a sem limite nem piedade.
A Doutrina Espírita, nas suas vertentes científica, filosófica e moral, demonstra experimentalmente, ao Homem, a imortalidade, a reencarnação e a lei de Causa e Efeito.
Assente nos seus 5 princípios básicos – Deus, imortalidade do Espírito, comunicabilidade dos Espíritos, reencarnação e pluralidade dos mundos habitados – o seu estudo, entendimento e vivência, trazem ao Homem consequências de ordem moral, levando o ser Humano a verificar que o racismo, xenofobia, diferença de género, diferença social, poluição da Natureza, são paradigmas ultrapassados e, que o verdadeiro poder é o poder interior, o poder do Amor, da serenidade, do entendimento, da compreensão, da aceitação mútua, do bem-estar interior.
Esse é o desiderato da Humanidade, a bem ou a mal, na certeza de que cada um só colhe aquilo que semeia (nesta vida ou em vidas anteriores) ao nível dos sentimentos, pensamentos e atitudes.
Relembrando Jesus de Nazaré, a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.
Relembrando Mohandas Gandhi, não há um caminho para a paz, a Paz é o caminho.
A vida na Terra podia ser um mar de rosas, não fosse o egoísmo feroz e o desconhecimento do ser humano da sua condição de ser espiritual.
Que possamos ter o poder de nos sentirmos em paz interior, pois esse é o único que jamais nos será retirado, dado que é conquista milenar do Espírito imortal.

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A doença do pescador...


2 de Agosto de 2017, praia da Foz do Arelho, Caldas da Rainha, Portugal, 16h45, parque de estacionamento perto do Facho, pescador atacado por vírus mortal. Cuidado, pode ser o próximo, previna-se, cuide da sua saúde.

A tarde convidava a aproveitar os últimos raios de sol, fora do horário em que os raios ultravioletas já não oferecem perigo.
Estacionamento cheio.
Vejo um casal, com uma filhota adolescente a entrarem numa carrinha Skoda.
Que bom, vou arranjar lugar.
Pergunto, com um gesto, se vão sair. Dizem-me que não…
Hummm… estanho, então vêm da praia, com a tralha toda, estão a entrar no carro, decerto vão sair…
Decidi esperar um pouco, devem ter percebido mal.
Enquanto mãe e filha se acomodavam no carro, o homem ia montando uma grande cana de pesca.
Esperei, pacientemente.
De repente, aparece um condutor em velocidade excessiva, num Peugeot vermelho, dá a volta lá ao fundo.
Percebi a marosca.
Estavam à espera que o amigo viesse, para a senhora sair com o carro e o amigo estacionar.
Saí do carro e, educadamente, disse: “Eu cheguei primeiro” ao que o senhor respondeu: “Ele é meu amigo e vamos pescar os dois, por isso guardei o lugar”.
Contrapus: “o que o senhor está a fazer não é legal, pois a via é pública e, além disso é imoral. Gostaria que lhe fizessem o mesmo? Devemos fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem. Não se preocupe, vou procurar outro lugar, mas medite na sua atitude, que é imoral e anti-ética.”
Andei uns metros e, entretanto, estacionei o carro e fui um pouco até à praia.
Fiquei tranquilo, a pensar naquele pescador desportivo: se a sua atitude foi incorrecta, o pior foi o exemplo que deu à filha adolescente. Estou a imaginar, à noite, ao ver o telejornal, a queixar-se que o mundo está mal, que “ninguém faz nada, que é preciso mudar o estado de coisas…”

O vírus do egoísmo mata a generosidade, a gentileza, o são convívio
entre as pessoas, mata o bem-estar pessoal.

Senti-me bem comigo mesmo…
Tenho vários defeitos, mas este já não tenho: o egoísmo exacerbado e a falta de civismo.
Fiquei feliz comigo próprio (embora tenha muitos outros defeitos a superar), “que bom que já não sou assim, um dia este senhor também vai ser diferente”.
Em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, um livro fabuloso que nos explica quem somos, de onde viemos, para onde vamos, o que estamos a fazer aqui na Terra, o porquê das dissemelhanças de oportunidades, os bons Espíritos referem que a causa de todos os males é o egoísmo, verdadeira erva daninha que devemos tentar extirpar do íntimo o quanto antes.
O vírus do egoísmo mata!
Mata a generosidade, mata a gentileza, mata o são convívio entre as pessoas, mata o bem-estar pessoal.
No entanto, tem cura.
O remédio foi apresentado por Jesus de Nazaré há mais de 2 mil anos: “Não fazer ao próximo o que não desejamos para nós mesmos”.
Olhei para o senhor, pele curtida pelo sol, quiçá portador de múltiplos problemas, portador do vírus do egoísmo e, não pude deixar de sorrir, feliz, por saber que ao longo das múltiplas reencarnações, passo a passo, ao ritmo de cada um, iremos largando estes apêndices dolorosos, que ainda criam tribulações nas nossas vidas e na vida de relação: os defeitos.
Tenho a certeza de que um dia, também ele estará curado do vírus, que ainda o condiciona na sua maneira de agir… o vírus do egoísmo!!!