26.3.17

DIVALDO: O ESPIRITISMO E A SOCIEDADE


13 – Na mensagem de Joanna de Ângelis, de 2006, intitulada “A grande transição”, ela refere que viriam convulsões sociais e geológicas inimagináveis.
Poderemos colocar a questão de terramotos que afectem centrais nucleares na Europa, por exemplo ou noutro local?
DF – Eu baseio-me no sermão profético de Jesus, Marcos, 13, quando Jesus, olhando o templo de que se orgulhavam os próprios companheiros, estabeleceu que não ficaria pedra sobre pedra, que não fosse derrubada.
Atravessando o Vale de Cédron, os discípulos perguntaram: “Diz-nos, quando acontecerão essas coisas”? Ele, então, apresenta o sermão profético, que é o dos mais belos, ao lado do Apocalipse.
Pelo facto de ser participante do cristianismo, eu acredito que tudo aquilo quanto Ele esmiuçou, aconteceu, e algo mais acontecerá.
Acredito que seremos vítimas de uma grande convulsão.
Quando os americanos falam sobre a grande falha entre Los Angeles e S. Francisco, é perfeitamente lógico: vai acontecer, o problema é saber quando, e também em toda a Terra.
As grandes falhas que estão a ser preenchidas lentamente, e que resultam dos tsunamis, desde o terrível tsunami nos países asiáticos, estão previstas na própria geologia.
O nosso globo é ainda um planeta em formação.
Vemos que, o magma do nosso planeta está num estado de grande exaltação e, de vez em quando, há explosões vulcânicas.
Porém a maior gravidade não é o fenómeno sísmico, mas os gases venenosos que podem ser levados pelo vento e, naturalmente ceifarem multidões, em simultâneo.

14 – Quem são os Espíritos das pessoas que morrem no Mar Mediterrâneo, em busca de uma vida melhor?
DF – No campo das deduções e de acordo com o meu pensamento, penso que aqueles que estão hoje, de volta à Europa, são os antigos colonizadores que deixaram, até hoje, a América Latina na miséria.
Como foi negado todo o direito aos seus residentes, como aculturaram os selvícolas, destruindo culturas veneráveis, pela Lei de Causa e Efeito aqueles estão retornando hoje à pátria, no estado de miséria, e que ameaçam os próprios países de onde saíram, para, um dia, buscarem a fortuna para o conforto europeu.
Mas, também me recordo dos grandes problemas que estão a acontecer no antigo Levante, graças às tropas muçulmanas. “O Homem é o lobo do Homem” e, verificamos que estamos a transformar este lobo em cordeiro.
Como sou optimista, acredito que em breve, o lobo e o cordeiro beberão no mesmo regato, em fraternidade.
Já vemos muitas dessas uniões, através da educação que é proporcionada, e nós vemos isso na Internet, diariamente.
Porque não, na realidade, amanhã?

15 – Os EUA têm bombardeado o mundo inteiro desde o fim da II guerra mundial. Como se manifestará a Lei de Causa e Efeito sobre este povo?
DF – A tradição assinala que os americanos de hoje são os romanos de ontem.
Nós podemos ver na arquitectura, na moeda, na forma de legislar, aliás o seu Direito vem do Direito Romano.
Esta geração, que é uma Roma renascida, pode dar lugar a outro tipo de vida, e é provável que esse efeito venha de maneira que nós não podemos perceber.
Não necessariamente pela violência, mas, pode haver algo mais terrível e doloroso do que o transtorno da depressão profunda, o transtorno do pânico, o Alzheimer, o distúrbio de Parkinson, o cancro com mais de 50 biótipos específicos?
Então, não será moeda por moeda, isto por aquilo, mas um resgate pessoal, colectivo ou entre as Nações.

16 – Existe uma percepção geral, de receio, de que algo de grave vai acontecer em breve. Que dizer sobre isso?
DF – As entidades que por mim se comunicam, têm uma visão muito mais profunda.
Há uma tendência masoquista na criatura humana, de ser infeliz.
Mesmo quando tudo está bem, há uma certa insegurança, a perda do bem-estar devido a situações lamentáveis.
Já foram tantas datas marcadas para o “fim do mundo”, que eu prefiro não acreditar no “fim do mundo”, mas simplesmente no fim de uma Era, tanto geológica como Humana, de conflitos e distúrbios, um mundo melhor.
Muitas vezes, são os escombros que nos oferecem as bases de uma nova cultura.
Desta cultura amorfa, caracterizada pelo egocentrismo e celebrada pelo individualismo, nascerá uma cultura de solidariedade, de Amor, de fraternidade.
Já vemos o anteprojecto, nas pessoas generosas e boas.

17 – O Homem ainda vai bater mais no fundo, moralmente falando?
DF – Acredito que teremos saudades do Bem, chegaremos a um ponto em que sentiremos uma grande nostalgia, em relação ao nosso “poder”, nossa aparência, nossas glórias.
Teremos uma imensa necessidade de voltar à simplicidade, ao estado natura, desde que o Amor celebre em nós a presença de Deus.

18 – Nestas circunstâncias, o que é que é esperado por parte da atitude dos espíritas e não espíritas, claro?
DF – A resignação dinâmica.
Não poderemos mudar o mundo, mas mudar-nos-emos.
Aceitaremos as injunções dolorosas, de uma maneira dinâmica: aceitamos, mas não ficamos com elas.
Trabalharemos para mudá-las.
Arrancaremos as velhas árvores e colocaremos novas.
Utilizaremos o seu tronco, para fazer as mudanças que, serão as mudanças renovadoras da Humanidade.
Creio, pessoalmente, na larga existência, na criatura humana, intrinsecamente boa.
As suas tendências, os seus instintos de defesa, na caverna, ainda predominam, mas, é uma questão de tempo, de educação e de paciência.

19 – Uma mensagem final à população mundial, por favor.
DF – Acredito que quem ama é feliz.
Vale a pena amar.
Se por acaso não há uma correspondência, não seja isso o motivo de desalento.
Seja você, quem ama.
O Sol beija o pântano, com a mesma ternura com que acaricia a pétala de rosa.
Não é importante que os outros nos tratem bem.
É indispensável que tratemos bem os outros.
Ao invés de lamentarmos o insucesso, aprendamos com ele, a não repetir o erro.
Ao invés de nos queixarmos que os outros são maus, façamos uma autoanálise e, observemos se de uma ou de outra forma, nós não contribuímos para aquele acontecimento funesto ou desagradável.
A minha mensagem é de optimismo.
Vale a pena viver.
Viver é uma bênção de Deus.
A noite tempestuosa cede lugar a uma madrugada de refazimento.
Meia-noite e um segundo, da treva densa, já é o amanhecer.
Sejamos o amanhecer da Nova Era, e que possamos tornar felizes o mundo, sendo também, por nossa vez, felizes.




Entrevista concedida à ADEP, em Calpe,
XXIII Congresso Espírita Nacional (Espanha)
em 4 de Dezembro de 2016


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